Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





Email para Coveiro ¤X¤:
coveirox@hotmail.com



O Portal PARANIGMA engloba sites e blogs no qual o autor criou ou participa. Se desejar adicionar alguns destes links em sua página, mande um email e um codigo será gerado em retorno.
Coveiro ¤X¤

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Coveiro ¤X¤
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   Quando um Coveiro e uma Raposa se encontram...

    Oi, gente!! Vim aqui convidada pelo coveiro para me apresentar... Eu sou a Raposa Vira Lata, dona do blog "na terra dos olhinhos puxados", tô no outro lado do mundo desde abril do ano passado...

    E eu sou o Coveiro, mas isso eu acho que vocês já sabem, né? Ou espero que saibam, depois de mais de um ano e meio que venho mantendo esse blog visitado por vocês. Bom, alguns de vocês já conhecem minha amiga Débora, a Raposinha Vira Lata, mas talvez não saibam na verdade o porque eu a chamo assim. Quer contar ou eu conto, Raposa?

Concepção de dois diferentes visuais para uma Raposa


    Deixa que eu conto. Um dia fui no Consulado procurar saber sobre a possibilidade de obter dupla nacionalidade (todo o meu background familiar veio do Japão) e fui com esse mané aí, que ficou tirando gracinhas o tempo todo da faculdade até Boa Viagem. Não bastando isso levei um “não” como resposta e o Coveiro voltou o caminho tirando onda da minha cara, dizendo que eu não tinha pedigree. Mais tarde, no QG do Coveiro, a gente estava tentando abrir uma conta no hotmail pra que eu pudesse usar o Messenger (até então nunca tinha usado). Eu queria algo relacionado a raposas, tentamos de tudo, inglês, japonês, português, nada estava disponível até que veio o "click" de Raposa Vira Lata. Eu nunca esqueço a cara de desaprovação que ele fez. "Que nome ridículo pra um email" disse ele e eu me acabei de rir, no fim das contas não existia ninguém com essa id e daí ficou...

    Bem, o legal de associar a Débora com uma raposa é que tem horas que ela fica vermelha que nem elas, seja porque ta com vergonha das macacadas que faço em público ou quando ela ta irada querendo bater em mim. Já contei que ela pintou o cabelo de vermelho? HehEHheHE... Bom, mas até hoje não sei de onde veio essa fixação por raposas... na verdade nem sabia se havia raposas no Japão e falei pra ela que se ela encontrasse uma, que mandasse um alô por mim. Bom, mais de um ano depois, a pergunta é... raposas no Japão são lendas ou não?

    Elas existem de verdade por aqui, especialmente em Hokkaido, mas associado a elas também existem várias lendas... "kitsune" quer dizer "raposa" em japonês e as raposas dessa ilha onde moro são as "kitakitsune", que significa "raposa do norte". As raposas são conhecidas desde antigamente como metamorfos que podem assumir qualquer forma para enganar as pessoas. Isso vai desde transformar-se em objetos até formas humanas, mas também são consideradas protetoras da colheita e estão presentes em forma de estátuas em vários templos espalhados pelo Japão.  O nome da deusa raposa é Inari.

Primeira versão da Kitsune em 2004, não divulgada


   Então aquelas historias de que as raposas são pokem... digo, Youkais são verdadeiras?
 
   Bem, Youkais são assombrações da cultura japonesa, e a kitsune está no meio delas.

   Na Europa, elas também são fortemente usadas em contos sejam como animais sábios ou meras ladras. Na cultura celta, pelo que sei ela é o animal totem com o dom da invisibilidade. E acho que até da para entender essa “invisibilidade” como uma camuflagem ou transformação. Acho que isso é o que mais pretendo usar na personagem que estou montando. Vou juntar as duas culturas e associar com a idéia de lincantropia europeia, so que ao invés de lobo seria raposa. Deve sair algo interessante. Preparada para as aventuras?

    Espero que você escreve logo os capítulos, to morrendo de curiosidade...

 Bem, ao longo do texto que eu e a Raposa montamos numa divertida brincadeira na madrugada, vocês puderam ver como houve também a evolução artística da personagem. A principio, pensei em colocá-la mais adulta e com uma roupa mais de heroína (estilo manga, diriam alguns). Contudo, para se encaixar melhor na história dos novos CBs, deixei-a mais selvagem. Ela ficou um pouquinho mais jovem e com trajes mais primitivos, bem próximos do “ambiente natural”. O cabelo também mudou. No final, eu preferi tirar as mechas de cores diferentes (vou guardar isso para outro personagem) e deixei o cabelo um vermelho mais escuro como a própria Débora pintou um dia. As habilidades dela com o tempo serão reveladas, mas posso dizer que ela guarda muitas na manga.

Versão final da raposa, mostrada no Capitulo 1 da Terceira Temporada

Agradecimentos Especiais a Débora Suzuki, também conhecida como a Raposa Vira Lata (e antes como outro animalzinho, o Siri na lata) por estar no meio da madrugada ajudando a bolar essa apresentação de hoje. Finalmente, um verdadeiro "post" comunitário... e com duas pessoas temporalmente distantes!!! Vocês podem acompanhar as histórias da Raposa no Japão em Terrinha dos Olhinhos Puxados, onde vez ou outra um certo lobo começara a aparecer...


     E enquanto vocês esperam o próximo capítulo do CBS sair no DOMINGO que vem... vou deixar a colher de chá de mais dois personagens que em breve serão peças primordiais na trama. Alguém desconfia quem sejam???

Spoiler de dois novos personagens em construção...


    Bem, hoje é o último dia de Agosto. Se eu sobreviver, realmente espero melhoras. Prosperidades para meus leitores e até o novo capítulo de Crossing Blogs 2005 - Terceira Temporada. Compareçam sem falta...

Coveiro X



 Escrito por Coveiro ¤ às 09h11
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Maldito Agosto...

      Eu... simplesmente... odeio... Agosto... Não é apenas uma certa aversão. Muito menos é uma mera antipatia. Eu de fato odeio Agosto no âmago do meu ser e sei que é recíproco. Ele igualmente me odeia e não há o que contestar. É simplesmente assim... somos inimigos... desde sempre.

     Aqueles que ainda acreditam que estou a fazer uma piada, bem lembrem no meu texto de aniversário e de muitos outros momentos que sentaram comigo para dividir histórias quando contei como lutei como um animal para nascer no último dia de Julho quando deveria na verdade vir ao mundo uns quinze dias depois. Desde, então, eu podia enumerar muitos acontecimentos nesse maldito mês que só me deram revezes ao longo de minha vida.

    Claro que mesmo num ano tão bonito e poderoso como 2005, não podia ser diferente. O meu mês inimigo, numa nova estratégia me iludiu mostrando possibilidades tão boas para eu me vincular e que no final foram tiradas de mim sem sequer ter a possibilidade de lutar por elas. Duas boas chances, duas grandes derrotas. Foram-se por entre meus dedos completamente... como se nunca antes tivessem em minhas mãos.

     Chega! Agora não quero ouvir falar mais nada sobre ofertas, possibilidades ou cativantes sorrisos até o fim desses dias. Estou dando as costas, fechando por essa semana o Ádito, recluso nas sombras. Vejo vocês em Setembro...

C.X.


Reforminhas para a Lápide...
É... Tempo livre tem suas vantagens... Vou começar a dar uma melhorada na parte de perfil da Lápide, deixando-a mais dinâmica e próxima do visual do resto do blog. Juntamente com isso, vou colocar links diretos para os sites e blogs que estou vinculado, como o CBs Homepage que penso em nova reforma, um site mais pessoal para os In Memorians e meus textos mais particulares e a BlogueiroZ, que ainda estou recomendando a vocês visitarem, principalmente após o reload. Conseqüentemente, vai começar uma lavagem dos Blogs linkados aqui que se encontram em desuso ou pararam... não estou fazendo isso por inimizade a ninguém, mas como sempre disse antes... criei os CBs como um estímulo as pessoas continuarem a blogar e não acho justo que o espaço esteja com blogs mortos quando outros vivos estão aí pra dar exemplo. Sou bem diferente do saudoso Zé nesse ponto. Contudo, isso em nada influenciará nas histórias em si... não vejo necessidade ainda para isso. Bom, estou de pá já nas mãos e pronto para as obras...


Eu quero um Gravatar...!!!
Algumas pessoas que só estão acostumadas com o UOLBlog ficaram admiradas com o novo sistema de comentários. Ele é mais fácil, grava endereços, não tem senha e a única desvantagem é que os comentários mais antigos desaparecem com o tempo (mas dá para se divertir bastante com eles ainda). As imagens nele presentes chamam-se GRAVATAR e associadas com o sistema de comentários Haloscan, permitem que toda vez que você comente em meu blog e lá deixe uma mensagem com o seu email cadastrado, apareça a sua imagem escolhida. É divertido e fácil de fazer. Basta clicar em www.gravatar.com e seguir as instruções na página. Depois de um dia, o seu email vai ser associado a imagem sempre que comentar aqui.


Ah... ultima dica do Informativo... A previsão do próximo capítulo de Engenics  para o dia 27 continua... Divirtam-se...



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h17
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Crossing Blogs:

     O último do velho mundo...

Episódio 001 - Terceira Temporada

       Deserto, no meio do nada, manhã...
      Eu continuava a dar meus passos, quase não suportando mais meus pés descalços tocando o chão ardente logo abaixo. Ia sempre em frente, numa única linha reta. Seguia acreditando que logo após atravessar a próxima duna encontraria um bom lugar para ficar, uma vila, uma casa, uma abrigo, uma sombra qualquer. Contudo, ao atravessar o banco de areia, só encontrava mais do horizonte amarelo adiante. Meus olhos sequer podiam se dar ao luxo de lacrimejarem. Restava-me apenas seguir.
     Enquanto isso, a confusão reinava em minha mente. Horas atrás, eu me perdia em conflitos ao determinar se estava ainda estava em sonho. Contudo, se fosse mesmo um sonho, o tempo dele começava a se estender demais. Eu o definiria como pesadelo. As bolhas nas plantas dos meus pés também certificavam a verdade. A dor sempre tateia a realidade ao nosso redor.
     A próxima questão era saber então como fui parar ali. A resposta para isso, contudo, também era plena escuridão. Nada mais do que uma eterna neblina cobrindo uma história que minha mente insistia em achar que era importante. Ecos de vozes perdidas ainda soavam em meus ouvidos com frases sem muito sentido. Tudo o que me restou foi uma única lembrança, que por vezes se confundia com intuição ou predição. Algo forte dizia que já fui daquele lugar uma vez, quando ele era outro.

         O Vale Perdido, mesma manhã...
       O mais audaz pássaro que sobrevivera em seu mais alto vôo poderia ver que bem distante do terreno árido, passando por longa trilha entre os pântanos e parcialmente protegido por uma cadeia de morros, havia ainda um lugar verde neste Novo Mundo. Era vegetação verdadeira, rica em plantas vistosas e cheias de energia. Talvez, o único canto que guardasse beleza e magia naquele tempo.
       Dentre as muitas coisas vivas e mágicas que lá encontraram abrigo, uma em especial parecia se mover mais rápida que o vento norte. Embrenhava-se embaixo das moitas mais lembrando algo peludo que corria sobre as quatro patas, mas ora surgia como um vulto ereto saltando com acrobacia circense. Foi cortando caminho até chegar numa clareira aberta, permeada por campo florido e ornamentado ao longe por ruidosa e bela queda de água.
       Parou ali e das duas formas que possuía, tomou uma intermediária. Era de jovem rosto como uma menina, mas orelhas pontudas como todos os vulpus. Dispôs-se em pé como um humano, mas mantinha ainda garras nas mãos e uma fofa cauda de raposa. Seus trajes lembravam os dos antigos tribais pelo couro, mas o corte era similar aos dos homens de seu tempo. Ergueu os olhos para todos e disse:
      - Aconteceu, não foi? Ele... ele está aqui... ele veio...
      A pergunta em questão parecia perdida, direcionada ao nada. Contudo, o véu de camuflagem da floresta rapidamente se desfez e os olhos da jovem híbrida viram o velho castor se mexer ao lado do tronco caído, o falcão abrir as asas no galho mais baixo, o urso balançar as orelhas encostado no carvalho e o texugo coçar o nariz próximo a um buraco. Muitos outros também estavam lá, no que parecia ser uma grande reunião, mas a Mista só se interessou pela velha raposa que se aproximava e ela tinha olhos vermelhos inquestionáveis.
     - Sim, Kitsune... aconteceu... – a voz lupina era rouca. – Não tenho dúvida disso... os sinais vindos do céu foram muitos... o sonho também. – o velho animal direcionou o focinho para o lado e lá estava um guaxinim. – Até os ossos jogados por Hac-djin disseram o mesmo... E agora você sentiu... – a raposa arreganhou os dentes como num sorriso e pronunciou – O último do Velho Mundo renasceu...
     - Então, eu preciso encontrá-lo... – respondeu a humana com cauda de raposa.
     - Sem dúvida... este é o destino reservado a você. – retrucou o animal de olhos vermelhos. – Mas não será tarefa fácil... e uma vez juntos, muito outros desafios haverão no caminho até rearranjarem um novo equilíbrio.
     - É tudo muito confuso ainda... como saberei quem é ele?
– perguntou a jovem.
     - Você saberá... o seu caminho é rumo ao sul... muito além... e outros sinais te guiaram até ele. – respondeu o sábio animal. – E quando estiver frente a frente com ele, você perceberá... pois ele tem os olhos da coruja... a esperteza do gato... mas, seu espírito é do lobo, minha criança... o espírito do lobo.


       Deserto, sob o sol interminável...
     Meus joelhos já fraquejavam, fazendo com que as pernas bambeassem inseguras para os lados ao tentar se firmar na areia fina. Os pés afundaram em profundos buracos ao trilhar meu caminho uma nova duna acima. Por um momento, cheguei a cair e senti todo o meu peso ao aparar a queda com minhas mãos.
     Estava apenas a alguns passos do topo, mas não conseguiria mais seguir de pé. Ao menos, eu não me esforçaria a tanto para mais uma decepção. Comecei a rastejar até o cume, com os olhos já embaçados prontos para se deparar com nada além do vazio naquele... resto de mundo.
      - Oh, céus...
     As minhas palavras foram menos que um sussurro, algo como um pensamento fugaz ao vislumbrar aquela visão na minha frente. Em nenhum momento, duvidei que estava alucinando, sendo trapaceado com miragens. Algo em mim assegurava que meu temor era real. Lá estava ela, a Grande Cidade. Ou, na verdade, o que restou dela. Nada mais do que um conjunto de imensos arranha-céus em ruínas. Dominavam ali as estruturas semi-destruídas, concreto enegrecido pelo tempo e vidros estilhaçados como se o tempo ali... tivesse avançado décadas em anos. Em minha mente, palavras ecoavam vindo de memórias perdidas... o mundo envelheceu...

Next: Começa a jornada de Kitsune... E o Coveiro adentra as ruínas da Grande Cidade



 Escrito por Coveiro ¤ às 01h06
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Ei, isso é um assalto...

    Essa é uma frase que poucos talvez ainda não tenham escutado na vida. Minha experiência em assaltos começou cedo e até desenvolvi uma cartilha para evitar eventuais furtos. Nada muito elaborado, mas conta com as experiências do dia-a-dia de alguém que costumava passear pela madrugada a pé pelas ruas do meu bairro ao sair da sessão corujão do cinema nas quartas e quinta-feiras. Algumas histórias não passam de situações revoltantes, outras soam até cômicas quando contadas mais tarde. Pensei, então, em juntar algumas delas e expor de uma única vez, me desafiando a narrá-las de uma maneira interessante.
    Meu primeiro assalto aconteceu quase às portas do colégio, quando eu ainda estava no ginásio e por uma infeliz coincidência a rua de acesso, que já não era tão movimentada, foi interditada pela compania local de distribuição de água para reformas. Ainda meio com sono, fui atravessar uma avenida principal que corta o meu bairro e de última hora desisti ao ver carros vindo a toda velocidade. Coincidentemente, meus olhos desviaram num outro garoto mais velho que tentou também atravessar a rua e desistiu no mesmo instante. Ele olhou para mim e naquela hora eu tive plena certeza de que algo ia dar errado.
    O sinal fechou permitindo a passagem e tranqüilamente esperei com toda boa vontade o tal suspeito ter a iniciativa de ir em frente. Mesmo lentamente, notei que ele se viu obrigado a tomar a dianteira e observei-o se distanciar. Somente um tempo depois, eu parti para a rua pouco movimentada, sempre com olhos atentos para frente. Estava já bem mais além da metade do caminho, feliz por já ver os portões de meu colégio, quando percebo alguém me agarrando por trás.
    - “Num mexe...”
    A ordem simples foi obedecida com toda precisão. Senti os dedos puxando minha correntinha. Minutos após, quando me volto para trás e não vejo mais ninguém. Restava só aquela sensação de plena inutilidade que nos assola nessas horas.
    Desde então, mesmo muito novo, vi que para se safar de assaltos eu não deveria apenas estar atento a frente. O certo era estar ciente do que vinha dos lados e, principalmente, atrás. A mente começou a trabalhar como num campo de guerra e antes de sair começava a planejar os percursos, tentava conhecer melhor o terreno e prever a ação do inimigo. É obvio que por outras vezes eu cheguei a perder algumas “batalhas”, mas em muitas outras, consegui salvar meu dia.

 
    Uma vez estava saindo da Várzea tarde da noite com meu amigo Leo, suspeitei que um certo alguém nos seguia e comentei com Leonardo. Ele me sugeriu que olhássemos fixamente para frente e só acelerássemos o passo. Na mesma hora, eu meneei a cabeça e discordei:
     - Se a gente fizer isso, vai só dar mais confiança a ele...
     Virei-me demoradamente para trás mantendo o mesmo ritmo com a intenção de que ele percebesse que eu o olhava. Alguns minutos depois, toquei em Leo e sussurrei para que apenas atravessássemos a rua. Isso nós colocou em uma distância mais próxima do sujeito, mas protegida por eventuais carros e ônibus que passassem. A insistência no olhar permaneceu e foi fundamental para uma provável desistência de roubo.
     Mais sossegado, eu continuei a comentar com Leo sobre situações parecidas enquanto caminhávamos. “Uma vez, numa situação igual, cheguei a atravessar a rua de um lado a outro umas quatro vezes sempre com o suspeito na cola. Antes que desse a quinta, eu me virei por completo e abri os braços e o ridículo da situação fez o camarada mudar de intenção”.
    Sempre ando ao lado de ruas movimentadas por carros, mesmo que desertas de pedestres, pois elas são como estradas de tijolos amarelos em cidades como a minha. Também tenho duas carteiras, uma com documentos e outra com dinheiro, e sempre que acho que fiquei encurralado, eu jogo a carteira de documentos e cartões dentro das propriedades de um prédio ou loja que esteja bem cercado afim de um outro dia ter a oportunidade de recuperá-la.
    A regra do inesperado sempre vale e muitas vezes fiz abuso dela. Gritar como um maluco para alguém que você não conhece nas propriedades de um prédio nunca me deixou na mão. É obvio que alguém vai gritar que não te conhece em resposta, mas quando acontecer, o bandido já vai ter passado por você bem de fininho.
Outra engraçada aconteceu quando eu estava no começo da faculdade e voltava das aulas de inglês tarde da noite. Era uma sexta qualquer, eu completamente vestido de preto e com uma agenda de couro nas mãos que mais parecia uma Bíblia. Ao dar de frente com um possível suspeito, soltei uma pérola:
    - Jesus Cristo te acompanhe, meu filho. – disse levantando uma mão.
    Controlei o riso ao ver o rapaz dar um pinote para trás e completamente sem graça passar por mim se distanciando quase dois metros. Depois dessas, quando a situação permite, eu dou um jeito de tornar a situação comicamente ao meu favor.


    Devo terminar com uma última que ainda hoje me faz cair na gargalhada sozinho. Num final de tarde, voltando num microônibus vindo do centro da cidade, um assaltante se revela armado com um trabuco enquanto atravessávamos a ponte do Pina. Aproveitando-me que ele estava sozinho e nervoso, tentei salvar o celular escondendo-o enquanto ele limpava a carteira dos passageiros de trás. Mal enfiava o celular debaixo das poltronas, o maldito aparelho começou a apitar. Quase instintivamente, dei-lhe um pontapé para longe que por sorte o silenciou.
    Ainda tenso, o assaltante mal percebeu minha trapalhada. Apenas voltou-se para os demais gritando para que tirassem o dinheiro das carteiras, pois ele não gostaria de prejudicar ninguém. Fiz exatamente o que ele pediu e me apavorei quando eu só tinha em mãos duas notas: uma de cinco e uma de um.
    - Só isso, madame!! Só isso!! – gritava o sujeito lá atrás...
    Engoli seco pensando se a ninharia que eu tinha ia me causar uma dolorida pancada na cabeça com a arma. No mesmo instante, dei de cara com umas notas velhas de cruzeiros que um dia minha vó me presenteou e que eu sempre deixava num bolsinho da carteira. Olhei pra trás e meus dedos se moveram rápido. Quando o assaltante passou estendendo sua mochila, depositei um maço cheio de notas para ele e baixei a cabeça para não esboçar nenhuma feição comprometedora. Ele, que estava tão nervoso que praticamente caiu numa freada do ônibus, saiu correndo com a sua sacola de dinheiro. Eu, no meu canto, chorava de rir enquanto o veículo se dirigia a delegacia para prestar queixa.

Fim



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h06
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O Coveiro que veio do Brejo

    Passou-se uma semana e todos pensaram... “Onde está o Coveiro?” ou “Será? Será que aconteceu algo naquele... naquele lugar horripilante?”. “Afinal, ele não tinha deixado o recado que ia para... Brejo dos Cavalos?”. E esse não era o lugar onde coisas... coisas muito estranhas acontecem?” E finalizaram com um... “Não é lá que ele ambientou um tal... livro secreto que não revela a ninguém?”

    Sim, meus caríssimos. Sim para as últimas perguntas. Eu estava em Brejo dos Cavalos e como já revelei a alguns, precisava ir lá uma terceira vez. Precisava desafiar certos medos. Necessitava deparar-me novamente com alguns mesmos lugares. Muita coisa mudou... muita coisa também mantém a mesma essencial. A grande sorte é que Brejo dos Cavalos finalmente está sendo preservada e parte daquela beleza ao menos resistirá.

    Tenho muitas historias pequeninas e divertidas para deixar aqui, mas hoje creio não ser o dia ideal para esse texto. Também acho que as pequenas histórias podiam ser contadas diferentes dessa vez... elas podiam ser vistas. Então, junto com a minha câmera e a de minha amiga Cibele, resolvi não criar um FLOG, mas sim um site de fotos. Eis portanto:

CX FOTOS E IMAGENS
(*usuários de firefox ou outros genéricos podem não ver sites VPG)

    Começarei com as fotos de Brejo dos Cavalos e depois algumas outras divertidas do passado. Qualquer uma do futuro também se enquadrara-la. Não deixem de visitar hoje apenas, pois estou atualizando aos poucos e são muitas as fotos da viagem. Arrumei o texto de uma forma quase cientifica (ô, mania), mas aceito sugestões. Bem, espero que se divirtam e acompanhem. Mais a frente, eu vou falar novamente da viagem.

     Algumas novidades a mais vocês também podem encontrar em ENGENICS a partir de hoje. O episódio 6 de hoje foi coincidentemente dedicado aos Dias dos Pais e junto com ele você encontrará mais QUATRO bastidores bem interessantes sobre a natureza dos poderes das crianças especiais. E só para “arrendodar” para três o número de novas, coloquei o preview das CINCO próximas capas do arco seguinte PRESAS E PREDADORES.

     Como viram na semana passada, estou de fato relançando os Crossing Blogs, voltando a fórmula antiga de pequenas histórias em único post. Breve, breve... nosso viajante irá encontrar outros blogueiros e dois em especial farão parte de sua jornada. Ele também encontrará as conseqüências de um ano após seu sumiço dos Blogs. Por fim, estará de frente com alguns perigos. Infelizmente, não poderei determinar prazos para os CBs, mas acho que serão bem mais freqüentes do que muitos esperam.

     Recebi algumas semanas (ou meses atrás) o convite para participar de um Blog Comunitario juntamente com outros tão malucos quanto eu. Após muitas exigências, principalmente da Senhorita Thaís, resolvi reservar um quartinho na Mansão Blogueiroz. Aconselho a vocês passearem por lá, dar uma clicadinha no link das histórias da Blog Fairy Tales e se divertir. E não se assustem se repentinamente vocês encontrarem o nome de alguns deles em futuros Crossing Blogs.

BlogueiroZ

     Bom, acho que esse é o fim das Páginas Negras, que tendem a voltar a sua função como Informativo das minhas atividades. Ela, assim como as demais sessões, ganharam banners como acontecia com a BlogTown. Algumas novidades estão ainda a surgir. E para aqueles odiavam o comentário do BlogUol, estou estreando aqui o Haloscan. Ele será o sistema de comentário principal de todos os meus sites agora.

Até Quarta Feira
CX



 Escrito por Coveiro ¤ às 14h57
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De volta ao Mundo...

Prólogo - Terceira Temporada

    Uma batida intensa dentro de mim foi o primeiro sinal que tenho de minha existência por um tempo infindável, imensurável, indeterminado. Um outro golpe me atingiu e aí percebi a verdadeira natureza daquilo. Era o meu coração, que repentinamente tomou vida, voltando a se acostumar com sua função após aparentemente um bom tempo. Então, eu estava vivo. Contudo, me restava uma dúvida atormentadora. Quando meu coração deixou de bater? Quando eu morri? Em minhas memórias, não havia resposta. Tudo era muito confuso. Embaralhado seria a palavra e ela soava engraçado de alguma forma, mas eu não ria. Minha boca não obedecia. Nem meus olhos queriam abrir. Na verdade, eu ainda nem tinha certeza se respirava.
     Um minuto de reflexão e começaram a surgir fragmentos em minha mente. Comecei a ordenar alguns fatos lógicos. “Eu sou... o... Coveiro. Foi assim que fui feito e é isso que sou novamente. Não por vocação ou dotes sobrenaturais, meu espírito foi forjado assim. Porque eu sou... a existência... o físico... do que antes era irreal... fictício... imaginação. Eu sou o Coveiro e ganhei vida num Mundo que foi moldado sem limites... um mundo onde as fronteiras só poderiam ser delimitadas pela mente de todos que um dia tiveram a chave para esse lugar”.
    Senti uma pressão no estômago e algo remexer em meu intestino, um intestino que simplesmente voltou a existir. E então, percebi os meus pulmões se inflarem.
    “Eu também era chamado de Xis. É isso que minha mente diz. A letra pela qual me batizaram nesse tal Mundo que pouco me lembro agora. Um codinome simples, mas que guarda um sutil mistério, bem empregado a pessoa que me fiz ser... naquele Mundo. O que aconteceu com aquele Mundo?”
    Senti meu corpo gelar repentinamente e meus dentes travaram diante de tal sensação. Queria usar meus braços para me proteger, queria me aquecer, mas não consiguia controlar tudo em mim. Eu ainda não sentia tudo em mim. Eu só sentia... o vermelho...
    “Assim como o meu sangue, o escarlate passou a dominar as minhas íris. Como faróis de alerta, informando perigo eminente, meus olhos vermelhos surgiram e, com ele, um poder que não consigo ainda lembrar. Um dom, uma maldição, um novo eu, o verdadeiro eu... um completo...”
    Notei um formigamento em minha pele e depois de muito tempo, anos talvez, senti que ela envolvia os meus músculos. Podia lentamente mexer o braço, com muita dor e descontrole, mas intacto... novamente. Então, compreendi de forma intuitiva o que eu estava renascendo... reconstruindo... como acontecera uma vez naquele Mundo.
    O Mundo do imaginário um dia me acolheu, foi meu berço, mas onde ele esta agora? Através dos fragmentos de minha mente, eu tentava montar algumas peças para chutar o que aconteceu no passado. Então, apenas duas palavras vieram a minha mente: “Alfa... e... Omega...”
    Um lampejo de terror assomava-me e involuntariamente abri a boca para um grito. Eu o forcei, mas não o ouvi. Ele se perdeu no infinito. Então, instintivamente, eu finalmente abri os olhos. Minhas pálpebras obedeceram lentamente o comando e encontraram apenas o vazio. A vista ainda estava embaçada e somente percebi pontos luminosos, pequenos e distantes pontos brilhantes como estrelas. Mexi a cabeça para todos os lados e aquilo era tudo o que via.
    “Então, foi o fim... Omega... tudo... todo o Mundo acabou. Eu falhei? Não pode ser... Eu lembro de algo mais. Eu lembro de um dia seguinte. Um dia onde todos voltaram, os vivos e os caídos se juntaram. O Mundo prosseguiu e essa é a verdade. Alguns partiram, como eu também fiz após a grande batalha, mas outros herdaram a nossa conquista. Restaram para contar essa história... que eu também escrevi... eu escrevi nas...”

- Páginas de seu diário de Viagem... - disse uma soberba voz que não era a minha.

   Então, senti todo meu corpo refeito se rasgar, dividir-se em vários pedaços e em cada pedaço aberto um feixe de pura luz ofuscante partia de mim. Cada feixe rasgava a imensidão do espaço adiante e revelava uma parte da história enterrada há dezenas de anos para muitos, mas que parecia ter sido apenas há um ano atrás para mim. Todas as minhas lembranças vieram em um só momento e tudo ficou claro naquele pequeno intervalo. Segundos depois, o caos mental voltou. Mais uma vez embaralhado, como meu cérebro insistia definir.

    - Não, não há loucura. A história que você lembra de fato aconteceu. – disse mais uma vez aquela voz que vinha de canto nenhum respondendo a minha maior dúvida. – Aquele  Mundo pelo qual lutou existiu. Com outros, salvou-o do inimigo. Contudo, não pode salvar o Mundo dele mesmo.

    Gritei em pensamento, completamente desnorteado. Meu corpo cada vez mais se rompendo em meio à luz que transbordava infinita pelo espaço. E mesmo em tal agonia, as palavras vindas de canto nenhum chegavam aos meus ouvidos com clareza.

- O Mundo que você conheceu, não é mais o mesmo. Ao invés de ter um fim, ele envelheceu. Os dias se passaram como anos e o ano virou décadas. Muitos daquela época, assim como você, partiram. Muito que foi feito, foi esquecido. As noites ficaram mais longas e os dias mais escuros. O Mundo simplesmente... caiu.

    Agora, eu apenas sentia meu corpo sumindo. A voz que inebriava o espaço parecia estar chegando à conclusão de seu discurso. Suas últimas frases pareciam mais e mais distantes.

    - Eu o trouxe de volta, porque os outros entraram em acordo e porque acharam interessante. O homem que narrou e pôs fim a velha história destina-se agora a mais uma nova. O que é lenda pra alguns, será fato para todos. Você, Coveiro, conhecido por ser o artesão das sombras em vários momentos, agora retorna como luz deste novo velho Mundo.

      As últimas palavras já eram sussurros longínquos em meus ouvidos. Meus olhos já há muito estavam cegos pela luminosidade ao meu redor. Tudo se passou lentamente por muito tempo até que voltei a sentir meu corpo. Meus olhos ainda ardiam, porém agora a luz que os afetava parecia ser natural. Senti o calor aninhando a minha pele e meus dedos pareciam tocar grãos. A boca ressecada quase arranhava minha língua ao tocá-la. Sofregamente, abri as pálpebras. Era areia. Era areia de verdade. Forcei minha mão e fechei-a.
Eu estava de volta. De volta, a estrada...

A Nova Jornada começa... aqui!!
*E o Sérgio também segue uma Jornada para Brejo dos Cavalos por quatro dias. Desejem-me Boa Sorte!! E até a próxima sexta-feira!!!



 Escrito por Coveiro ¤ às 20h12
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Origem da arte “Saga de um Mestre”

   Algumas imagens que muitas vezes encontram-se perdidas em alguns de meus textos, apesar de parecerem simplesmente rascunhos oriundos de uma noite mais paciente minha com lápis e canetas de nanquim, contam algo mais. Caso assim, aconteceu no dia 25 de julho de 2005, véspera de minha defesa de dissertação de Mestrado.

   Como alguns sabem, tive muitas dificuldades para concluir essa minha pós-graduação, enumerar aqui metade delas de uma maneira entendível, daria muito mais que um post e mesmo assim eu arriscaria que um terço só das pessoas algo sobre os termos científicos usados... e ainda assim... entenderia parcamente.

   Muitas vezes, eu voltava do laboratório, cabisbaixo, amargurando meus resultados e nem tinha vontade de falar com as pessoas, reais ou virtuais. Procurava coisas mais solitárias para ocupar meu tempo e evitar perguntas tão bobas quanto um “Tudo bem???”. Assim, deparei alguns meses atrás com uma das capas de Ultimate Homem-aranha (publicado pela Panini como “Marvel Millenium”).

    A imagem era simples, mas muito informativa. O Cabeça de teia desenhado por Mark Bagley estava derrotado e preso pelos tentáculos de seu arqui-inimigo Doutor Octopus. A cena única só destacava o aranha, os tentáculos e todo o resto num fundo obscuro. Eu via o homem aranha e lá estava eu. Observava os tentáculos e enxergava os politênicos de meu trabalho me enroscando. Todo o fundo escuro, era o resto do meu mundo.

    Engoli seco e fiz os primeiros rascunhos para aquele futuro desenho. Nessa época, eu ainda não tinha uma definição plena de meus resultados e os cromossomos eram uniformes e sem identidade. Já na terceira ou quarta tentativa, meses depois do lançamento da revista no Brasil, eu já tinha um detalhamento melhor do meu, então, “arqui-inimigo”.  Para aqueles que tiverem a minha tese já concluída em mãos, podem associar cada um dos cromossomos com o desenho deixado aqui.

    O resultado final, como alguns sabem, foi mostrado no post de minha pré-defesa A Saga de um Mestre. Quem não leu, vale a pena dar uma olhadinha, inclusive nos agradecimentos originais da Dissertação.  Esforços, desesperos, gritos e lágrimas a parte, no fim, consegui. Libertei-me dos cromossomos, mesmo que temporariamente... Certas coisas não ficam apenas em Histórias em Quadrinhos...


Muito em Breve: Crossing Blogs... Aguardem...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h46
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