Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





Email para Coveiro ¤X¤:
coveirox@hotmail.com



O Portal PARANIGMA engloba sites e blogs no qual o autor criou ou participa. Se desejar adicionar alguns destes links em sua página, mande um email e um codigo será gerado em retorno.
Coveiro ¤X¤

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Outros caminhos nessa estrada:

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Coveiro ¤X¤
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Criarte X

A Raposa e o Anjo-Astronauta

    Faz mais de meses que eu criei na lápide esta sessão, Criarte X, com o intuito de expor aqui tanto alguns desenhos extras como técnicas de desenho que eu desenvolvi no tempo em que mais me dedicava a isso. Contudo, falar de "Criar arte" vai muito além de desenhos. Hoje, é fato que escrever para mim tem um poder equivalente aos traços. São como meus olhos e o modo de ver, não dá para separar um do outro.

    Então, creio que nada mais oportuno do que trazer até vocês um dos primeiros contos que decidi publicar online. Entre os muitos que guardei e outros que simplesmente perdi, "O Conto do Quarto Escuro" sempre ocupou com orgulho minha galeria de escritos. Até hoje, apesar dos poucos erros que eu ainda possa vir a descobrir, acho-o algo extra... como se eu o tivesse concebido não apenas como o Sérgio, mas ocupando o lugar da Raposa, do Anjo-Astronauta e do D.

   Muitos ainda hoje me perguntam ou mesmo pedem um texto a parte interpretativo (bem do tipo "decifrando o conto do..."), mas acho que toda a graça está em você ler e tirar suas próprias experiências e teorias dele.

    Portanto, ao trazer de novo essa sessão, nada mais justo que trazer esta minha pequenina obra. Para os que já leram, uma chance de relembrar e comentar... para os que não eram da época, acho que será um prazer ouvir suas opiniões.

     Portanto, com vocês...


O CONTO DO QUARTO ESCURO
(Download em PDF - 269kb)*

*Instruções: Clique com o botão direito do mouse e escolhar "Salvar destino como" para obter o arquivo*


Até a próxima... e Sombras...
PS:.Espero em breve explicar as minhas lacunas na Lápide e vir com boas notícias... mudanças para melhor...



 Escrito por Coveiro ¤ às 21h20
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In Memorian : Coletor

   Talvez, somente hoje eu perceba que não me tornei biologo por acaso. E talvez perceba que não foi a minha faculdade que me tornou um. Creio que desde sempre, eu tenha sido fascinado pela vida animal e um dos maiores prazeres que tive quando entrei no curso foi ostentar uma carteirinha e dizer “ei, deixa eu dar uma olhada... sou um biológo”. E com isso pude ter em minhas mãos corujas, cobras, morcegos, macacos, emas, bicho-preguiças e até filhotes de leões. Todavia, ao mesmo tempo que tenho essas paixões pelos animais, criei uma certa aversão ao estudo das plantas em meu curso. E por muitas vezes já tentei quebrar essas cismas com os vegetais, mas nunca me imaginei um dia pulando num açude onde também havia um hipopótamo e sabe sei lá o que mais por causa de uma misera plantinha. Acho que nenhum funcionário do Parque Ecológico de Dois irmãos um dia imaginaria ver tal cena. E ela aconteceu.
    Antes, no entanto, deixe-me retomar a história de um ponto mais anterior, numa das primeiras aulas da disciplina de Sistemática de Fanerógamas, quando a professora responsável nos alertou que a principal nota daquela cadeira seria um trabalho que simulava uma monografia. Nele, nós teríamos que coletar e trabalhar com espécies de plantas. Por muita consideração, a professora decidiu que escolheria as plantas que fossem mais próximas de nossos respectivos projetos no estágio. Assim, quem trabalhava com abelhas ficaria com plantas polinizadas por essas, quem estudava ecologia da mata atlântica teria plantas deste lugar e assim por dia.
    - Sergio!? – chamou a professora assim que chegou a minha vez. – Qual o seu projeto?
    - Citogenética de Drosophilideos*, Professora. – respondi de imediato.
    - Ótimo! – sorriu ela. – Você fica com a parte de plantas aquáticas, da família Nymphaecae e Cabombaceae.
    - Heim? – me empertiguei. – Mas o que isso tem relação com meu trabalho?
    - Bem... – ela sorriu. – Nenhuma! Mas não tem nenhuma outra coisa que relacione. Mas não se preocupe, suas plantas não são tão difíceis de se encontrar. Vou lhe indicar mais ou menos como fazer...
     Após longos resmungos silenciosos e passadas duas semanas, lá estava eu me encaminhando para o Parque Dois Irmãos, que também é um dos nossos maiores zoológicos da região, com todos os aparatos que tinha de campo. Mostrei a minha carteirinha ao guarda e me encaminhei calmamente sob o sol ameno daquela época chuvosa rumo ao Zoo.
     Após alguns giros para verificar como estava o lugar, vi que não teria tantos problemas: poucos funcionários e quase nenhum visitante. Voltei então para a parte mais próxima da entrada e que era margeada por um açude. Lá, encontrava-se uma placa bem convidativa escrita com letras garrafais “Cuidado – Jacarés”. Assoprei os cabelos da testa e saltei a cerquinha enquanto que do outro lado alguns macacos-aranhas brincavam na ilhota que lhe servia de morada. Calcei as botas de borracha, mas não me propus a ir muito fundo. Afinal, a primeira espécie da coleta não se encontrava numa distância maior que dois braços da margem. Voltei-me para minha bolsa nas costas e puxei um cabo com uma rede própria para caçar insetos. Sem esforço algum, pesquei a Nymphaeceae que mais lembra uma vitória-régia com um enorme talo no centro de onde parte uma flor branca como um lírio. Ponto para mim.

     Meu segundo e último objetivo naquele lugar era menos simples. A Cabombaceae era uma plantinha de talo fino e que passa a maior parte do tempo submersa. Somente com o sol forte do meio-dia é que parte dela se sobressai da água, revelando uma flor pequenina de pétalas amarelas ou rosadas. Eu tinha que esperar, portanto, ela desabrochar. Passeei pelo zoológico e fiz um lanche até chegar na hora certa.
    Deu meio-dia e comecei a procurar pelos açudes a tal planta. De todos estes, apenas um parecia revelar-se com a Cabomba**. Justamente, era o lugar onde a professora indicou: o açude central do Zoológico. Lembra um pequeno lago redondo e muito bonito, onde quase não havia mais animais lá.  Sim, quase.
    Como sempre eu freqüentava aquele lugar, já sabia de antemão algumas particularidades daquele açude. Lá, os funcionários viviam brincando com a estatística dos patos que diminuíam e as apostas de que lá certamente havia um jacaré ou dois. E não era mesmo brincadeira quando eu mesmo via os patos do lugar repentinamente fugindo desesperados dali. Fora isso, vale a ressalva de que lá, mesmo que esquecido, havia o velho hipopótamo, que só após muito tempo de observação algum visitante poderia saber de sua existência. Era um ser gordo e molengão, mas ainda assim não desconfiava que ele tinha a natureza de um ungulado selvagem.

     Engoli seco e permaneci um bom tempo olhando as pequenas florzinhas nascendo. Todas elas insistentemente aparecendo na parte mais central do açude. Assim, fiquei até criar coragem de saltar o pequeno murinho. Fui me aproximando pé ante pé da água. Dei um primeiro passo e a bota de plástico afundou até o meio da canela. Num segundo movimento, a profundidade era bem superior e com isso a perna submergiu além do joelhos.
     - Grande! – resmunguei quase ao me desequilibrar. – Daqui, não dou mais um passo.
    A primeira coisa que fiz, foi tirar a bolsa de quinquilharias das costas e jogá-la num lugar seco. Virei-me para o açude rezando para que não tivesse chamado atenção do mamífero gorducho e ele curioso viesse procurar saber quem era. Com uma das mãos, peguei a minha rede e comecei a pescar a planta. A cada movimento, eu sentia meu corpo indo mais pra baixo e num rompante inesperado me estiquei todinho até alcançar a florzinha mais próxima de mim. Com sucesso, consegui a cambomba** e comecei a puxá-la para perto de mim.
    - Paínho! Paínho***! – Ouvi uma voz infantil logo atrás de mim. – O moço tá pescando!! Olha lá!
Indiferente a curiosidade do menino, ergui a rede e comecei a separar a planta com todo o cuidado para não estragar o meu trunfo daquela coleta. Abri um saco plastico com um pouco da água e coloquei lá o vegetal.
    - É, não meu filho! –  a voz de um senhor mais velho alcançou meus ouvidos. – Ele está limpando o açude!!!
Quase que instantaneamente, joguei a rede com força no chão e virei-me para o “Papai” com meus olhos espremidos ostentados numa cara que não descreveria de outro jeito que não fosse a de um louco assassino. Vi o senhor arregalar os olhos, suar frio e desconversar para o seu “filhote”.
    - Vamos ver o urso ali, vamos! – disse ele puxando o garoto às pressas.
    Uma hora depois, eu voltava para a universidade com metade das calças embebidas em lodo, minha mochila  cheia de fiados de capim e o cabelo mais revolto que de costume. Nunca pensei que catar duas plantinhas desse tanto trabalho.

FIM

* Conhecida família da moscas-das-frutas, medindo nao mais que 3mm

** Nome popular e também gênero desta planta.

*** "Papai" em "pernambuquês"



 Escrito por Coveiro ¤ às 12h08
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Começos e Recomeços
Os Sete Bastidores de uma Saga

Parte 7 de 7 – A História que Evolui...

“Agora, chegou o momento para eu tomar a estrada mais uma vez, afastar-me por uns tempos da Cidade dos Blogs. E desta vez seguirei só. Por mais que a Ly esperneie, continuarei insólito essa parte do caminho. Um dia ela entenderá que para atravessar certos caminhos em nossas vidas, devemos contar apenas com nós mesmos. Só precisamos do céu sobre nossas cabeças e do chão para levar-nos até o horizonte que almejamos.”
Narrativa do Coveiro Xis, em “Algumas páginas do Diário” (CBP#39)

    Seja para algo tão surreal quanto roteiro de um Crossing Blogs ou mesmo algo mais centrado como um sério conto, eu costumo dizer que quando escrevo dou apenas metade da porcentagem da história. Todo o resto deve-se exclusivamente aos personagens e aos destinos que eles desenvolveram sozinhos. Pode até parecer estranho para muitos de vocês, mas muitos escritores começam um livro com uma embaçada idéia de como as coisas se desenrolarão e acabam vendo o seu texto tomar subitamente outro rumo, sem chance de volta.
    É comum acontecer essas mudanças com novelas e seriados, seja porque um ou outro personagem ganha ou perde afinidade com os espectadores. Não diferente disto, os interesses de um personagem de livro podem crescer ou despencar com seu único público até o momento, o autor. E é nesse momento, que os escritores se vêem numa berlinda onde de um lado está a essência de sua história e outra o carisma apaixonante desenvolvido por algumas de suas crias.
    Então, é fato que antes de nascer num papel (ou editor de texto), pouco sabemos sobre a história final, pois ali não depende exclusivamente de um homem, o escritor, mas também de como os personagens evoluem, e com eles os seus textos.
    Vale, portanto, tratar aqui um pouco de como se desenvolveu toda uma saga, uma experiência única para mim, que demorou cerca de seis meses e que pude acompanhar a cada capítulo o que instigava aqueles que comentavam comigo via MSN ou deixavam algumas impressões em comentários.
    Foi por volta de Maio, que decidi que deveria arriscar uma gigantesca história com cinquenta capítulos envolvendo uma gama de mais de trinta personagens baseados em blogueiros e ex-blogueiros. Nela, eu pretendia colocar um clima de quadrinhos, melhorando os desenhos que até então eram meramente decorativos e não explicativos. Fui encaminhando os Crossing Blogs normais para um fim e paralelamente pensando em todo um roteiro para uma história grande o suficiente para criar alguma trama com os personagens.

    Após longas conversas com Leonardo, popularmente conhecido como Sétimo, e alguns acordos feitos entre blogueiros, eu modelei uma idéia central. O cerne da Saga seria o inesperado surgimento de um vilão, que após longo tempo de mistério, seria entendido por todos como uma força da “natureza virtual” para contrabalançar o súbito surgimento daquele Mundo/Universo. Seu nome seria Omega, pois ele promoveria o fim e ele era capaz de absorver energia, pensamentos e poderes de tudo ao redor. Desde o começo, ele seria associado a um buraco negro e isso já me indicava que a resposta para detê-lo seria algo relacionado a este fênomeno.
    Ao lado disso, eu já queria colocar algumas outras tramas menores que já havia deixado em aberto nos demais Crossings Blogs. Dentre eles, destacavam-se o surgimento ainda incompreendido de meu poder das sombras e a lenda sobre os escolhidos. E nestes tópicos, eu sabia que teria que trabalhar com o Soldier e a Ly junto com o Coveiro X. Foi então que de antemão já avisei a viajante que ela teria sua primeira morte virtual e antecipei ao Soldier um futuro duelo quase mortífero.
    Outras cenas menores também já criavam raízes em minha mente e não as descartaria de modo algum. Entre elas, estavam uma trágica cena onde o Coveiro Xis morreria, um retorno sob as mãos da Maria e seu desespero crescente ao encontrar supostos ossos de seus amigos. Num roteiro ainda a ser esculpido, já havia pontuado as partes onde haveriam as várias tentativas de derrotar Omega, o surgimento de Ébano e  do Vigia bem diferentes do que um dia poderíamos imaginar e a intromissão do Crítico dos Blogs ao se aliar a todos por interesses próprios.
   Assim, uma semana antes de começar a história, eu tinha uma folha de papel com cinqüenta tópicos e em cada uma deles uma frase descrevendo a principal cena que guiaria cada capítulo. Estava com todo um roteiro ali, mas algo me incomodava. O começo da saga não era ainda intrigante. Tinha certo mistério, mas eu sentia que precisava de algo mais.
    Com esses pensamentos na cabeça, viajei a trabalho para Belém. No hotel, já tarde da noite, me veio o rompante de iniciar com um prelúdio descrevendo uma das cenas mais perturbadoras da Saga. Era algo no melhor estilo Peter David e como bom fã deste roteirista de quadrinhos, comecei não só a detalhar como desenvolveria tudo numa folha de papel como também criei todos os desenhos ali num caderno de folhas brancas e lápis grafite.
Após retornar ao Recife e lançar oficialmente a Saga, pude ver que havia acertado em cheio. Sem aquele prelúdio, creio que não teria tido o sucesso em atrair o interesse de todos. Dali, eu desenvolvi cerca de cinco capítulos envolvidos num ar misterioso de quem seria o nosso vilão até engatar num epopéia com a união de todos os mais fortes Blogueiros numa liga.
    Para cada capítulo, eu tinha que tomar um certo cuidado com a quantidade de personagens que ia trabalhar e até que ponto marcaria a sua conclusão, dando abertura para o seguinte. Foi assim que desde o princípio, eu tinha em mente a idéia de separar pequenos grupos com funções determinadas. Já outros encontrariam seu fim logo cedo enquanto que alguns teriam que ser tratados superficialmente na história.

    Isso, no entanto, não foi fator determinante para que eu pudesse trabalhar inesperadamente com certos persongens. Sem que eu percebesse, alguns deles tomaram repentino destaque na trama, como aconteceu com o Observador. A principio este blogueiro sequer participaria da história, mas junto com o Mack e o Tolee notei a conjunção de um trio capaz de me ceder diálogos enriquecedores. O mesmo se aplica também ao Renato, que por ter poderes tão únicos me fez cada vez mais encaixá-los em partes da história. O único fato curioso é que ambos já eram blogueiros inativos quando comecei e praticamente posso dizer que eles são muito mais crias minhas do que inspirações em pessoas reais.

- Esses dons não me parecem estranhos... – comentou Mack.
- Electra! – falou um homem de capa negra e longo chapéu aproximando-se dos demais. – Ela seria capaz de criar isso, mas nunca ousaria causar uma catástrofe dessa.
 Bem observado, Observador! – falou Vamp e dirigiu-se a proprietária do Bar - Já conseguiram contactá-la, Margot?
Primeiro Dialogo com o Observador, em “Interesses e Motivações” (CBS#09)

...:::CONTINUA LOGO ABAIXO:::...



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h49
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    Infelizmente, no entanto, em cinqüenta capítulos seria praticamente impossível desenvolver relacionamentos entre blogueiros como eu inicialmente desejava. Tive que restringir tudo ao grande arco entre o Coveiro Xis, a Viajante e o Soldier de um lado, enquanto que pincelava sutilmente a amizade entre as X´s Angels e o passado nebuloso entre Nane e o Crítico dos Blogs. Aqueles que por mais tempo conhecem cada blogueiro, talvez tenham captado um pouco de cada um no personagem, mas nada muito além. Para isso, será necessário um pouco mais de parágrafos e histórias.
    Após inúmeras batalhas mal-sucedidas e várias pistas sobre o que de fato seria o fenômeno Omega, chegou então o momento de encabeçar o final perfeito para a Saga. Diante da hipótese de correlacionar o Omega com um buraco negro, juntei-me com Leonardo mais uma vez para pensar em como dar um fim a isto. A principio, minha idéia mais lógica era levar Omega para um lugar inóspito a vida e que lá ele fosse totalmente “descarregado”. Todavia, esta idéia com o tempo me pareceu simples demais para um final digno de uma saga. Afinal, deste modo, nada impediria o vilão de ressurgiu com a mais ínfima quantidade de energia que viesse aquele local. Uma segunda idéia partiu de Sétimo, onde o uso de uma grande bomba de prótons poderia causar uma reação inesperada em Omega, se ele fosse formado de uma alta concentração de nêutrons. Apesar de cientificamente plausível, achei que aquela ainda não era a resposta e deixei para mais adiante a busca pela resposta. E ela veio em uma tarde, quando fomos nos reunir na casa de uma amiga em comum, sendo este o final que vocês puderam presenciar.
    Ao reolhar os últimos três capítulos da saga, lembro de estar entre os mais dedicados e estudados de todo o grande trabalho. Nele, tive que mastigar todos os detalhes sobre uma luta no espaço, mesmo que virtual, e selecionar quem seriam os últimos combatentes para estarem numa luta final. Alguns lembram que eu buscava cinco no início, mas vi a necessidade de sete. Entre eles, mesmo que não estivessem na ofensiva, participariam a Nane, por sua liderança quase que unânime na Saga, e o Tolee, por ter sido o cérebro audaz em todos os momentos. Entre o quinteto de combatentes, estariam todos aqueles que já haviam topado com Omega e sobrevivido a isso: Vamp, Zé, Selina, Soldier e o Xis. Juntos, os sete sacrificados.

    Num momento final, a saga fecha seu arco destacando o seu tema central. Seu início foi impactante e finalizou-se com surpresas. Em seu término, eu deixo margem para a possibilidade de um novo começo. Fins e Começos são palavras que certamente assustam a maiorias das pessoas, mas são as chaves da evolução. Mudanças são assim, cerram as portas para alguns enquanto que outras devem ser abertas.

Como Tolee previu, assim que Omega perdesse a sua função, não tendo mais matéria ou energia a acumular a sua volta, reverteria o processo. Agora, Omega era uma bomba prestes a explodir, pronto para atingir uma nova fase, a Alfa. “Começos que geram fins... Fins que geram novos começos...”
Narrativa do Coveiro Xis, em “O Fim e o Começo” (CBS#48)

FIM



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h49
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Começos e Recomeços
Os Sete Bastidores de uma Saga

Parte 6 de 7 - O Velho Novo Jeito de Contar Histórias

    Como eu bem costumo dizer, antes de tentar ser um escritor ou arranhar linhas desajeitadas como desenhista, uma coisa sei que já era: um contador de história. De pequeno, já adorava ouvir os feitos de outros, sejam fictícios ou reais. Quando cresci e comecei a acumular certa experiência, queria expor meus próprios contos. Todavia, dar vida a uma história nem sempre se mostra simples e a melhor maneira nem sempre é a que estamos mais acostumados.
    Para aqueles que conhecem minha história há mais de vinte anos atrás, sabem que essa desejo de criar começou quando me deixaram sozinho por algumas horas em casa e nesse meio tempo fui capaz de reescrever toda a agenda telefônica de casa com uma série de gravuras ilógicas para todos, exceto para mim. Daí, mediante a repreensão de alguns, segundo conta meu pai, foi justamente o meu avô quem comprou uma série de cadernos de folhas brancas e livros para desenhos. Junto, também lembro de ter levado um daqueles folhetins para treinar caligrafia, pois a minha nunca foi das melhores.
    E foi assim por boa parte do tempo que aconteceu: um garoto que cresceu criando charges bem simplórias com “cães vira-latas” e alguns gibizinhos em folha A4 de “heróis alados brasileiros”. Paralelo a isso, eu ia lendo meus livros, mas apenas com a modesta impressão de dar idéias interessantes para as histórias quadrinizadas. Como todo bom adolescente fã de quadrinhos, montava arquétipos de revistinhas com as costumeiras vinte e duas páginas quando ainda não tinha computador e o melhor efeito que poderia fazer é um contraste com luzes e sombras com um lápis.

Edição de como seria um quadrinhos da Saga

    Quando já me encaminhava fisicamente para o fim da adolescência, vi meu tempo sendo cada vez mais tomado por obrigações, enquanto que os rumos do mercado nacional de quadrinhos para novos desenhistas ia de mal a pior. Tudo isso me fez afastar um pouco, mas não apagar a sede por contar histórias. Foi nessa época que me veio o primeiro rompante de tentar por ordem a minha imaginação em formas de palavras e esta foi inicialmente uma tentativa um tanto desastrosa, particularmente posso lhes contar. Algo que pude lapidar com o bom tempo.
    Acabei por me voltar totalmente por um bom tempo exclusivamente para a arte das palavras, esquecendo quase que completamente os meus desenhos. E este “quase” refere-se ao único fato de que quando monto a maquete em minha cabeça, mesmo para os mais realistas dos esboços de livros, ao invés de escolher atores reais para me inspirar nos personagens das minhas histórias, eu continuo montando-o mentalmente com uma concepção artística minha.
    E assim foi até que parei por algum tempo tanto com a escrita como com os desenhos. Após longo tempo meio que bloqueado, veio a Lápide e o primeiro Crossing Blogs. Ali, pela primeira vez, eu resolvi juntar unicamente as duas grandes maneiras que desenvolvi para criar histórias, muito por acaso.
 De fato, não foi nenhuma forma inovadora e tão-incomum de passar um texto, mas é um tanto esquecida, principalmente para o público mais adulto. Quase que instintivamente, eu me peguei fazendo algo bastante similar aos livros de romances juvenis onde após algumas páginas de texto corrido, segue a arte vinculada à história. Um tanto mais difícil de se encontrar, são aquelas obras onde o próprio escritor também é o ilustrador, como acontece tão propriamente com  Saint-Exupéry e Raul Pompéia. E foi por aí que me arrisquei.
    Todavia, certamente, há algo mais de gibi do que os desenhos ali. Para aqueles que lêem os Crossings e já viram outros textos meus, sabem que há um abismo entre eles. De fato, não há como discutir: os textos da Saga são próprios para um roteiro de histórias em quadrinhos e nem de longe eu os colocaria como obras literárias (ainda que eu tenha lido Peter Pan e a Ilha do Tesouro imaginando uma página cheia de quadros desenhados).

     Uma outra surpresa involuntária que também presenciei foi a modificação de meus traços. Eu que cresci numa fase onde os garotos se inspiravam no excesso de traços de Jim Lee, Mark Silvestri, Ron Lim e Whilce Portacio. Pegando alguns esboços mais antigos meus, via o molde de corpos carregados de traços e sombras por todos os lados. É uma arte que eu ainda admiro e que alguns de vocês podem comprovar brevemente nos desenhos de Leo (Sétimo), mas que de certa forma dificulta e muito a arte-final onde as cores são inseridas por computador.
     Atualmente, sem saber como, meus desenhos tornaram-se muito mais limpos, angulares e caricatos do que acontecia anos atrás. Algo que remete aos atuais mangas, mas ao mesmo tempo bem diferente deles, pois continuo com o traçado riscado. Nesses casos, além de facilitar o colorimento computadorizado, eu podia dar muito mais destaque as feições dos rostos, que são orquestradas principalmente pelos contornos da boca e pelas sobrancelhas.
    A grande verdade é que assim como os Crossing Blogs foram se desenvolvendo, fui me animando para aumentar a complexidade da arte. Tentava reaprender os movimentos das pessoas no papel e adaptá-los a esse novo estilo que me fixei. Treinava as técnicas de pesperctivas em vários ângulos e tomava cada vez mais cuidado com a escolha do cenário utilizado para a vetorização das cenas. Assim, quando pensei que não carregaria cada história com mais de cinco figuras, já estava colocando em torno de quinze em cada capítulo da saga. Em muitos momentos tive que ponderar e selecionar com tristeza que cena deveria ilustrar e que cena deveria cortar dos desenhos, para dar tempo e espaço de por tudo dentro dos prazos. E muitas vezes, tudo era feito de última hora, num banco de ônibus quando passava cerca de uma hora retornando da universidade para casa.
     E assim seguiram-se praticamente seis meses, onde algumas vezes me vi obrigado a quase abandonar o projeto. Vez ou outra, tive que alterar pequenos rumos originalmente concebidos enquanto que relutava para manter a integridade de outros trechos. No final, eu estava de fato com minhas cinqüenta partes daquela Saga. Algo que nem era uma revista em quadrinhos e nem diria ser propriamente um livro, mas um misto de ambos, que me fez apaziguar uma ânsia há muito sonhada e que pude realizar num momento pouco esperado.

    Anexo: Processamento da Arte – Inicialmente, todo a concepção artística foi realizada a mão, usando o método convencional com lápis carbono e posteriormente arte-finalizado com caneta nanquim de números 0.6 ou 0.2 dependendo da natureza do traço. Por fim, após digitalizada a imagem sofria processo de colorimento e efeitos usando editores gráficos. Por fim, eram selecionados cenários com fundos para as imagens de acordo com o ângulo de vetorização das personagens.

 Parte Final dos Bastidores: A história que evolue...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h08
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Começos e Recomeços
Os Sete Bastidores de uma Saga

Parte 5 de 7 – Mapeando o Virtual

    Ao conceber uma história, tentamos seguir um roteiro rápido em nossas mentes para definir um esqueleto de toda uma trama a se desenvolver. Na grande maioria das vezes, você pode contar toda a história focando suas atenções apenas nas personagens e suas ações de deixar todo o resto como um mero fundo branco (sem-vida). E mesmo que seja possível prender a atenção de todos se esta for uma trama bem desenvolvida, resta sempre uma falta de um colorido e algo tátil a mais quando não há cenário sendo constituído na história.
Outras vezes, no entanto, é o cenário que leva a ser o principal constituinte da história e, desta vez, são as personagens que se tornam dependentes dele. Algo similar é o que acontece com alguns blogs, que nos passam com muita precisão a idéia de como devemos nos sentir ao acessá-los.
    Um bom exemplo disto pode ser claramente visto na primeira história de meus Crossing-Blogs, quando dei de cara com um blog de tons obscuros, com imagens tenebrosas, lápides mal-iluminadas a noite e o ribombar de trovões. O antigo Cemitério dos Blogs atendia com precisão todas as premissas para um bom cenário de terror e, junto com os textos macabros de seu zelador, o Zé Coveiro, tornou-se o ambiente perfeito para constituir com precisão aquele curto encontro.

Foi num final de tarde, não faz muito tempo, que eu adentrei nos portões do Cemitério dos Blogs. O céu estava já escuro, principiando uma chuva horrenda. A terra escura coberta de folhas secas dava a impressão de um lugar maldito. Entre as muitas tumbas, surgiu a sombra daquele ser lendário.
Narrativa do Coveiro, em “Dois Coveiros e um cemitério” (CBP#1)

    Já no caso da Lápide, eu sempre quis focá-la como uma coluna ou mero diário pessoal como originalmente era e procurei adaptar o meu cenário pessoal com uma das frases que me acompanha a mais tempo: “Eu ando por um Caminho Escuro”. Então, imaginei que uma longa estrada e que nela eu pudesse chegar a vários lugares, sendo o primeiro o temível Cemitério. Foi assim feito a união entre dois Blogs, o primeiro Crossing.
   Adaptar a longa e quase infinita estrada de minha filosofia ao Mundo dos Blogs foi a melhor sacada para dar continuidade as histórias. Dali, eu podia seguir para mundos além visitando um castelo de uma esotérica, uma floresta mística, um templo dos livros mais antigos, um velho laboratório e até mesmo uma aglomerado de blogs que constitia a maior de todas as cidades.

    No início tratada como uma cidade sem nome, ou melhor, de vários nomes, ela constituía o grande cenário para um vasto aglomerado de blogs. Nela, eu pude retratar a mansão dos Moderadores, a residência de muitos blogueiros, a escola dos mirins, o quartel general de um grande inimigo e até mesmo o maior ponto da cidade, o famoso Bar Code.
    Um parágrafo especial deve ser remetido aqui a este Blog, que como pede o tema deste tópico, atende a todas os requisitos de um cenário em destaque e que com o tempo cresceu. Deixou de ser apenas um pequeno bar para ser tornar um Pub&Louge. Passou de um Blog Pessoal composto apenas pela proprietária para ter junto a ela mais dois Bartenders. Enfim, este foi o investimento mais produtivo de toda a cidade.

Banhados pela escuridão, prédios gigantescos se elevavam lembrando pilares negros que sustentavam o céu. O movimento de carros, motocicletas e pessoas era facilmente visto daquela distância. O som estridente de buzinas, cheiro do lixo esparramado pelas calçadas e ligeiras sombras dos ratos pelas ruas era espantosamente similar às grande cidades reais. Maravilhado, eu cruzava as ruas olhando para o alto, examinando cada sinal de vida que dominava nas janelas dos arranha-céus, ainda não acreditando na perfeição de tal lugar.
Narrativa do Coveiro, em “Sob Olhares Observadores” (CBP#3)

   Não demorou muito para a própria cidade ganhar seu Blog numa primeira versão em 2004 e reconstruído agora em 2005. Lá, sob a supervisão de sete blogueiros representando centenas de outros mais, ela ganhou seu nome próprio: BlogTown, e começa a tomar ares cada vez mais próprios de uma cidade real, com prefeitura e guias. 
Isso se ampliou, então, para algo além e quando comecei a pensar na Saga, pesquisei na comunidade todos os blogs que podiam me sugerir um bom ponto para colocar no meu mapa inicial. Foi assim que me veio mais três lugares a serem tratado e que não podia deixar de aproveitar.
    O primeiro foi um lugar que tornou-se distante e protegido logo no começo da história. Seu principal habitante, Peter Pan, abandonou aquela terra cheia de memórias e só permitiria que ela voltasse a ser tocada em último caso. Aproveitando essa observação, a ilha de nome Terra do Nunca passou a ser minha primeira idéia para um refúgio de Blogueiros, o último lugar que qualquer um ousaria chegar.
    Aproveitando o abandono de um dos primeiros blogs da comunidade, o qual mal conheci e desejando ao mesmo tempo fazer uma homenagem, coloquei a Clínica Online na história. Agora, livre dos loucos, foi usada uma única vez para asilar alguns heróis feridos. Lamento apenas não ter oportunidade de usá-la em atividade antes, mas espero que um dia essa chance volte.
     Por fim, um dos mais belos cenários não poderia ficar de fora. Pontuada num dos lugares mais distante do mapa, o belo Jardim Nada Secreto que tem vista para o mar foi retratado por mim num dos momentos mais vitais da Saga. Ressuscitado, o Coveiro conseguiu abrigo junto a MARtinha e o Siri Albino e pode se recuperar ao som das ondas do mar.

 O mapa que começou singelo na primeira vez que o construí, foi se ampliando e tornando complexo com a necessidade de encaixar tantos outros cenários. Com a entrada de pontos fictícios como a BlogTech, Empire Blog Building, Blog Park e alguns outros, temos agora algo muito mais rico. E essa diversidade parece não parar por aí. Com a chegada de Novos Blogueiros, a ampliação do mapa tende a não ter limites, sempre em expansão como sugere a filosofia deste universo fictício.

Consegui ir mais além do que as fronteiras do mapa, conquistei larga planície e deparei-me com um caudaloso rio á frente. Consegui ir o suficiente para saber que aquela terra parecia não ter mais limitações, ou elas estavam ainda muito distantes para que uma simples viajante pudesse chegar.
Narrativa da Viajante, em “Historias de Viajantes” (CBS- Epílogo)

Parte 6 de 7: O velho novo jeito de contar histórias...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h24
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