Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





Email para Coveiro ¤X¤:
coveirox@hotmail.com



O Portal PARANIGMA engloba sites e blogs no qual o autor criou ou participa. Se desejar adicionar alguns destes links em sua página, mande um email e um codigo será gerado em retorno.
Coveiro ¤X¤

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Outros caminhos nessa estrada:

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Coveiro ¤X¤
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Última... Páginas Negras... do Ano...

     Não, não, não... Não irei destinar o último texto da Lápide para uma retrospectiva da Lápide de 2004, deixarei isso para a última semana de Janeiro, quando a Lápide fará um ano como Blog ( E um ano e meio como meu informativo pessoal, antes divulgado via E-mail). Vou preferir uma publicação menor, mais fácil de ser lida, mas que mesmo assim atinja todas as pessoas que conheci e me acostumei a dar um “Boa Noite” durante quase doze meses.
     Aqui, neste lugar que muitas vezes apelido de “Mundinho Virtual” ou “Mundo dos Blogs”, eu pude recuperar um engrandecimento e, também, me redescobrir. Comecei ( acho que todos começam assim), com um pouco de receio de super-exposição, mas no final tive a sorte de me ver entre pessoas da minha “rua”. A vulnerabilidade foi ultrapassada por uma segurança e confiança que nunca ousei cogitar aqui em minhas maiores perspectivas. Diferente do que aconteceu com qualquer outro blogueiro, nós tivemos sorte. À parte as brincadeiras de Máfia e Panelinha, o caldeirão se tornou um símbolo que conseguiu transpor barreiras entre os dois universos. De fato, o ano de 2004, foi o ano dos Blogs, não só para mim, mas creio que para todos nós. Uma experiência inusitada até então, onde nós fizemos nossas histórias não só sentados na frente dos computadores, mas conquistando mundos e aventuras muito mais distantes.
    O que reserva o próximo ano é ainda incógnito para mim. E talvez seja essa a maneira mais interessante de enfrentá-lo. Como muitos já perceberam, é assim que imagino a vida, a longa estrada escura, o caminho desconhecido que ainda não vemos, mas que é misterioso e instigante, que nos seduz para vencê-lo.

 Hoje, é uma noite de comemoração! E tudo o que proponho é um brinde ao “Ano dos Blogs” e desejo uma “Boa Jornada na estrada de 2005”.

         Coveiro X,

                aquele que alguns poucos também chamam de Sérgio Campos.

I WALK ON A DARK WAY (Coveiro, 1999 - Paranigma Homepage)

Não deixem de conferir o Fim de Ano do Criaturas, também

 Voltamos na primeira semana de Janeiro com a Saga.



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h25
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In Memorian Especial... 

    O Significado de Tríplice Aliança

    Não há um começo certo para uma história como essa, porque talvez eu nunca me lembre da primeira vez que conheci o Primeiro dos três.

    Eu era pequeno demais e morava no velho apartamento em que passei toda minha infância, adolescência e, enfim, as melhores histórias deste mesmo texto. Tinha por volta de sete anos quando recebi um novato na minha turma da bagunça. Era um garoto de cabelos lisos, franja mal penteada, olhos um tanto fundos e com um ar eternamente moleque no rosto. Todavia, o mais engraçado nele era o seu jeito, garoto de interior cheio dos sotaques e das gírias rurais. Somado a esse fato, ele era o “cara” cheio de histórias, as mais mirabolantes que já cheguei a ouvir um dia, sejam elas assombradas ou assombrosas. Também era uma pestinha, muito sutil, mas era, e acho que somente depois de tantos anos ao conhecê-lo, sou um dos poucos capazes de separar uma brincadeira de uma verdade vinda dele.
    Todavia, apesar de sempre nos termos dado bem, eu e ele nos encontrávamos raramente. Por algumas longas temporadas, entre as férias, ele voltava para sua cidade e nossa turma de pirralhos continuava as presepadas do cotidiano. O tempo fez esses intervalos serem ainda mais drásticos, de tal sorte que poucas foram às vezes em que lembro ter visto ele durante minha adolescência. O tempo, na verdade, estava se resguardando para uma outra fase e, provavelmente, esperando um outro.
 
   Era mais ou menos o prelúdio de minha vida adulta quando veio o Segundo, uma época difícil para todos os três, devo assim dizer.

    Eu tinha acabado de sofrer com a separação dos colegas de escola, estava ainda confuso com meus rumos e nem um pouco preparado para o gigantesco monstro que seria a faculdade. Em compensação, tive a sorte de que o meu amigo do interior passara no curso de Engenharia e mudou-se definitivamente para o apartamento de frente ao meu. Assim, eu e ele nos alugamos por muitas vezes, relembrando as velhas histórias e montando novas.
    Não demorou muito para que naquele mesmo ano, o Segundo fosse parar no outro apartamento no mesmo andar. Tudo o que sabíamos era através de um guri que parecia ser a maior enciclopédia atualizada. Era baiano, veio morar no Recife para fazer faculdade e parecia ter um gosto muito bom para músicas, o que pude concordar depois. De longe, parecia um sujeito normal, mais alto, cabelo curto sempre com gel arrepiando-o todo e bem mais magro que eu.
 
    Fui um dos primeiros a encontrá-lo, numa situação um tanto embaraçosa, é verdade. E dela eu pude escrever toda uma história à parte, a qual rimos até hoje.

    Os três, no entanto, só se uniriam pela primeira vez um pouco depois, num outro acontecimento não menos cômico. Eu estava na casa de meu amigo de interior, junto com mais duas amigas e já estávamos na milionésima tentativa de aprender um passo simples de forró, quando vimos o Segundo passar pela porta com olhar nem um pouco discreto. A música continuou rolando e, mais uma vez, o Segundo novamente passou, com a mesma falta de cuidado para não se fazer notar. Virei-me para o Primeiro e numa rápida troca de olhares convidamos o tal baiano para entrar.
    O minuto inicial de constrangimento entre os três foi muito breve e lembro de já no segundo dia, encontrar o baiano assistindo televisão na casa de meu amigo de interior e, depois, lá estávamos nós brincando no computador dele, num apartamento ainda um tanto vazio de movéis. No final de uma semana, estávamos os três compartilhando o melhor que cada um podia prover, de tal maneira que meu andar foi completamente dominado por aqueles rapazes que formavam o “trio” do prédio.

     E surgiu o nome desta maneira. Quando já estávamos prontos para sair pela primeira vez juntos aprontando na noite do Recife e sentamos para uma foto histórica, surgiu a idéia. “É uma Aliança!” disse um. “Uma Tríplice” falou outro. “Tríplice Aliança” concluiu o último.

    Os primeiros anos desta união eu consideraria como sendo uma época de ouro. As portas dos três apartamentos viviam abertas durante a noite, e entre eles perambulavam o trio de amigos e os amigos dos amigos. Em muitas tardes, extendíamos nossos domínios pela praia, inventando as mais estranhas brincadeiras. Para cada evento, uma grande festa era organizada, fosse um churrasco ou simples criações de drinks.
    Saímos poucos, pois bastávamos estar juntos para ter muito o que fazer e mostrar. Cada um, em especial, sempre tinha algo a acrescentar. Para as músicas, um era o mais indicado, ex-baterista e sempre com uma trilha sonora para algo na cabeça. O outro era o responsável pelos degustes, pois era bom na cozinha como ninguém. Por fim, o trabalho do outro era divertir os demais com uma boa história ou fazer daquele momento uma nova. E assim se passaram cerca de dois anos.

    Implacável, o destino fez com que esse tempo virasse história, para quem sabe um dia, eu pudesse retratar com mais cuidado tudo que houve nela, e foi no terceiro ano, que o Segundo deste trio mudou-se para um outro prédio.

    Não era um lugar muito distante, tanto que ajudei o baiano a levar todos os seus bagulhos até a nova morada. Perdemos nesse tempo, as longas noites que dividíamos juntos, mas conseguimos driblar um pouco à distância. Seja no colégio onde ambos davam aulas ou nos fins-de-semana, o sustentáculo da Tríplice Aliança se mantinha. Em momentos únicos, reinávamos seja em “pegadinhas” de Carnaval , num simples passeio de Shooping ou nas noites da parte antiga do Recife.
     E mais um ano e outro se passou. As obrigações de cada um foram tomando o nosso tempo e, aos poucos, tornaram-se raros os momentos onde os três podiam conjugar juntos. E houve os afastamentos. Por um tempo, foi o meu amigo do interior que por quase um ano teve que fazer seu exílio. E quando ele ressurgiu, eu acabei sem perceber me colocando em um. Mas, no final, cada um voltou e em cada retorno percebíamos que as relações eram sempre as mesmas, as velhas e especiais.

...::: Continua logo abaixo:::...



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h02
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     E assim, chegamos até o último ano, o ano em que sabíamos que finalmente iríamos nos separar.

     O primeiro de nós alcançou o seu um quarto de século e neste mesmo ano, também eu e o outro estaríamos nessa mesma situação. Esse ano, no entanto, também marcaria o fim da estadia do baiano em nossas terras. De alguma maneira, conseguimos esticar sua estadia aqui, mantendo-o no curso de mestrado, mas todos sabíamos que não poderia ir muito mais além.
     Foi com sucesso que ele conseguiu uma chance fora. Toda sua vida tomou esse rumo em poucos meses e festejamos essa virada, mesmo que parte disso me preocupasse, em particular. Por mais que queiramos ver nossos amigos cada vez mais alto, uma sensação estranha fica por também o vermos longe.
Tentamos fazer dos últimos dias os melhores. Aos poucos, vimos um retorno modesto da época de ouro. O baiano passou as últimas semanas hospedado na casa do outro do trio, fizemos festa a cada noite antes da partida final e houve uma última reunião da Aliança. E neste último encontro, tentei em poucas palavras num cartão, relembrar de tudo isso que coloquei neste texto, toda as experiências compartilhadas no começo dessa vida adulta, o aprendizado com a faculdade, sorrisos e lágrimas de mais de seis anos.

     E até onde foi a Tríplice?

     Muitos se irritavam quando eu fazia questão de separá-los dos demais amigos, mas esse era um sentimento que nenhum deles se envergonhava de mostrar e eu também não. Não que eles fossem mais ou que os outros menos, mas são diferentes. E isso contagiou nossas famílias. Outros tentavam desvendar se havia um segredo para manter uma amizade assim, mas eu pessoalmente nunca vi fórmula para isso. Sei que somos diferentes, personalidades muito distantes que talvez só se assemelhem por todos serem completamente malucos. Assim como brincamos, também já brigamos, mas sempre foram tormentas que acabavam numa boa risada. Enfim, apenas acabamos nos acostumando uns com os outros, ora admirando, ora complacente.
    Seria difícil dizer se dois fatores tão vorazes como o tempo e a distância poderiam abalar algo que se tornou assim. E foi meditando sobre aquilo que somos, a tal Tríplice Aliança, que finalmente compreendi o seu significado. Somos como um tripé, onde três pontos de apoio uma vez firmados, não cedem, não ficam instáveis, por mais longe que se dispuserem e por tantos anos assim permaneçam.

Sócrates e Guga, meu muito obrigado pela amizade de vocês.

Sérgio Roberto Campos.

Agradecimentos a Labellaluna® pela paciência e por me ajudar com os mais raros fundos musicais nunca antes vistos na Net! Com vocês, “In Quest For” do projeto “Avantasia”.

    ATUALIZANDO...

        Acabei recebendo esta resposta via e-mail, e achei que ela merecia ser publicado:

     Não sei como agradecer as belas palavras, mas obrigado por fazer parte de minhas histórias, sei que nossa amizade será eterna, na verdade, somos mais que amigos, somos irmãos, essa é a grande diferença, este é o cimento de nossa amizade, soubemos compartilhar bons momentos e maus momentos, e geralmente passamos por fases, quando um estava mal, tinham dois para ajudar a levantar, e isso nos fez fortes. è como uma muda de bambu, ela passa anos ali desapercebida, não cresce muito aparentemente, mas suas raízes vão se estruturando por sob a terra, até o momento em que ela emerge e se transforma em um arbusto enorme, da noite pro dia.
     A consolidação de nossas raízes nos fizeram fortalecer; tivemos presentes em todas as fases, da alegria a tristeza, da saúde a doença,fomos cúmplices e sócios de nosso maior bem, "Nossas Vidas", compartilhamos juntos e dividimos o peso nesses três pés que você figurou, agora com este afastamento, deveremos criar uma mão francesa para dar suporte mais longe, deveremos nos estender até onde cada um for, nem que para isso precisemos usar pernas de pau para dar maior alcance, acredito que distância não acaba com um sentimento verdadeiro, mas um sentimento verdadeiro é capaz de dar forças ilimitadas. Durante boa parte desta intensa amizade, passamos por uma fase de grandes descobertas, mas convenhamos, aprendemos todos os dias, diariamente temos uma experiência nova, interessante, intrigante ou qualquer outro adjetivo, mas sei que podemos continuar compartilhando nossas idéias e nossas experiências, afinal de contas, Deus nos deu tecnologia suficiente para uma boa comunicação, temos telefones, faxes, celulares, Messenger...
    Fazemos parte do universo e, assim como ele, estamos nos reciclando, buscando novos conhecimentos e a realização pessoal; todos tem um sonho, ou mais de um, e para que tal sonho(s) seja realizado, devemos correr atrás, mais correr muito mesmo, mas sem nunca esquecermos de onde viemos e qual o caminho de volta para casa, para aquele local onde nos sentimos acolhidos, confortáveis com a nossa existência e é assim que me despeço neste desabafo...

Um grande abraço e um muito obrigado por fazerem parte de minha história.

Sócrates Gonçalves.



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h01
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Páginas Negras Especial
          O Homem do Saco...

 

     Fazia poucos minutos que o velho relógio pregado no corredor principal de nossa casa havia tocado cadenciosamente doze vezes, com seu soar surdo e reverberante. Um barulho assustador, mas que eu já estava bem acostumado desde o tempo em que ali vivi. Todavia, foi um leve arrastar de pés após o último gongo da décima segunda badalada que me fez tremer. Abri os olhos subitamente e tentei focar meus ouvidos em qualquer som adicional. Nada além do costumeiro cricrilar de bichos vindos pela janela que dava pro jardim. Virei para as demais camas e certifiquei-me de que era o único entre todos os meus irmãos acordado. Já estava para retornar a cabeça ao travesseiro quando um novo som de passos se manifestou. Engoli seco e minha cabeça conflitou a excitante curiosidade com um pavor dominador. A sensatez não me denotaria qualquer outro conselho melhor do que me manter ali, protegido pela companhia de todos os outros, porém meus pés deram ouvidos a voz mais ousada de meu inconsciente. Esguerei-me pelo corredor e com o mínimo de alarde principiei minha cabeça para frente. E lá, perto do velho pinheiro de plástico com adornos natalinos, eu vi um volumoso vulto levando consigo um grande saco nas costas. Assim, me mantive estático pelos ligeiros cinco minutos em que aquele tão mágico intruso esteve em minha sala até desaparecer pela janela da frente com toda a sua bagagem nas costas. Mesmo incerto de que poderia ter mais alguém ali, aproximei-me da árvore artificial e aos pés dela, encontrei pequenos pacotes embrulhados. Havia nomes neles e mesmo mal sabendo ler na época, notei que em um deles estava escrito com letras rebuscadas o meu nome.

 

(...)

 

    Aqueles que convivem ao meu lado, sabem bem a importância que eu dou a festividade de fim de ano. Considero-a uma época mágica, não muito mais pela data em si, mas pela comoção que parece aflingir a todos. Por isso, todos os anos, eu sempre montava pequenos parágrafos com histórias sobre o Natal, a maioria delas envolvendo a visita do “Homem do Saco” em nossas casas. Resolvi remontar uma delas e colocá-la aqui para vocês, visitantes e amigos.
     Por um dia, eu gostaria de tomar o lugar deste velhinho, e poder ter acesso a casa de cada um de vocês que aprendi a gostar neste mundo. Queria poder presentear a todos, assim como muitos têm me presenteado ao longo do ano. Venho me lamentando por sequer não conseguir escrever cartões de Natal, retribuindo assim aqueles que chegaram durantes às últimas semanas em minha casa. Vou ter que ficar com mais essa nas “pendências”, mas estou confiante que um dia poderei pagar.
     Bem, então, fica aqui o meu desejo de Boas Festas. Não deixem de pedir e sonhar. Afinal, quem pode prever quando você receberá a visitinha do “Homem do Saco”...

 


    PS: Vocês ainda não estarão livres de mim neste ano. Estou montando o mais especial dos In Memorian para ser publicado antes do Ano Novo. Aguardem... Espero que gostem...



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h36
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 36 – Expansão das Sombras

   Seus olhos se abriram repentinamente e pode ver o céu estrelado e a lua distante. Tentou se erguer, mas não foi tão fácil. Aquela era a segunda vez que recebia um ataque com aquele mesmo tipo de arma, uma pá de lâmina fina e cortante. Era perturbador saber que após ter combatido gigantes e deuses, sempre era facilmente abatido com algo tão simples, quando o adversário lhe surpreendia. Isso já estava se tornando por demais irritante.
   Omega se levantou capenga e colocou a mão na altura do tórax. Seu corpo começava a formigar. As feridas se fechavam numa velocidade anormal, suprindo-se sutilmente dos elementos vivos daquela floresta. O vilão abriu as mãos sobre a altura de sua armadura aberta e utilizando-se mais uma vez dos dons de simulação do Escolhido Soldier, recriou o seu traje com a mesma perfeição de antes.
   - Então, ele descobriu sozinho um jeito...
   Aquela voz feminina e segura cortou o silêncio momentâneo da noite e dominou as atenções de Omega. O vilão girou o rosto ainda fatigado para o lado e deparou-se com uma imagem perdida nas sombras de uma mulher com estranho uniforme. Os olhos do vilão se iluminaram naquela direção e ele tentou rastrear quem era aquela de colante roxo e máscara com pontas na altura das orelhas.

   - Você quer entrar aqui? Quer ler o que penso? – perguntou a misteriosa mulher pousando sua mão delicadamente na tempora. – Não é tão fácil assim, mas te economizo o trabalho me apresentando. Eu sou Selina, a bruxa mãe do Caldeirão, uma das mais antiga neste mundo.
   - Então... você vive... e existe de fato... – falou Omega com palavras soltas.
   - Sim, não sou apenas uma lenda. – gracejou Selina soltando uma gargalhada doce. – Não sou mais mitológica que muitos outros blogueiros que você já viu por aí.
   - Então, veio me confrontar?? – grunhiu Omega fazendo seus olhos cintilarem.
   - Não, meu caríssimo, não vim te dar esse prazer. Observei você por tempo suficiente para não cometer esse pequeno deslize... E vi que o meu amigo, o  Coveiro Xis, de alguma forma também chegou a mesma conclusão. – comentou a fundadora do caldeirão. – Divertiu-se com o breve encontro?
   Omega não respondeu a essa pergunta, permanecendo quieto e estalando os dedos das mãos enquanto fulminava a bruxa com um olhar enfurecido. Selina não se amedontrou e continuo sorrateira na mesma posição felina de antes.
   - Creio que encontrou entre aqueles que margeiam na sombra algo a se temer, Omega. Não te entendemos por completo ainda, mas eu e alguns outros estamos na penumbra chegando bem perto. Não demorará muito para sabermos quem você é... como surgiu aqui... e como te daremos um fim... – informou ela colocando a mão perto da boca e meio q lambendo como fazem alguns gatos. – Até lá... sei que você começará a ter medo do escuro, meu caro.
   E dizendo isso, a bruxa pareceu sumir saltando sobre os recantos mais escuros daquela floresta.

   De todas as entradas do imenso do Empire Blog Building, apenas uma mais discreta que levava a um elevador chaveado, direcionava-se a níveis muito inferiores do subsolo, onde residia um dos esconderijos do vilão conhecido como Crítico dos Blogs. Há poucos minutos, ele tivera uma conversa longa e importante com um daqueles integrantes da Liga de Blogueiros, a moderadora Nane. Uma sensação de desconforto ainda se mantinha no ar, mediante o velho passado revirado naquela noite.
  Todo o clima tenso fora bruscamente interrompido por um pequeno sinal de alerta num dos aparelhos deixados na escrivaninha do Crítico. O vilão mascarado levou o dedo até sua orelha direita e ligou um minúsculo ponto de escuta.
  - Pode falar! – disse ele tornando novamente os olhos para a moderadora.
  Após escutar precisamente a mensagem que lhe fora enviada, o Crítico tomou sua máscara nas mãos e voltou a enfiá-la na cabeça. A imagem de Raul voltava a desaparecer e o Crítico dos Blogs mais uma vez era quem tomava forma e domínio sobre aquele corpo.

   - Seus amigos voltaram! Parece que o assalto a BlogTech teve êxito. – disse o Crítico tomando a máscara nas mãos e enfiando na cabeça. – Devemos deixar momentaneamente o passado de lado e voltar nossos olhos para o futuro, Nan.
   A moderadora não proferiu nenhuma palavra em resposta. Olhava para o vilão novamente com a máscara e tentava se conformar de que ele era de fato o Raul, o moderador com quem conviveu no começo de sua carreira. Para ela, ainda eram como pessoas distintas, um sendo a versão mais escurecida e degenerada do outro.
   O Crítico dos Blogs se distanciou pelo corredor de seu escritório e tomou novamente a sala de observação. Lá, ele pode acompanhar pelos monitores Mack e os outros saindo do elevador secreto e chegassem naquele andar. Não demorou muito para que eles adentrassem o cômodo repleto de monitores onde Crítico e Nane estavam, portando o tão almejado objeto para seus planos.

   - Ah, o núcleo de fusão atômica. – falou o Crítico observando o objeto que mais parecia um imenso diamante nas mãos do Toleezinho. – Parece intacto! Perfeito!! Já posso avisar aos meus subordinados que a peça está em nossas mãos.
   -  Quanto tempo demora? – quis saber Mack.
   - Confiante no sucesso de vocês, ordenei que a máquina fosse instalada num ponto estratégico, no pátio da frente do Auditório Diamante. – informou o Crítico. – Creio que em doze horas poderemos nos preparar para atrair Omega até ela.
   - Atrair? – questionou a Val.
   - Exatamente... E já tenho a minha isca em mente. – O Crítico dos Blogs tomou o controle nas mãos e clicou fazendo com que muitos monitores mostrassem imagens recentes de Soldier junto com Vamp e os outros.

    Um guincho demoníaco se alastrou por todos os cantos dos círculos dos Infernos. As criaturas deformadas que viviam naquele fogo amaldiçoado se esgueiraram temerosas e até os demônios mais superiores se acovardaram. Todos sabiam que quando o Capeta começava a se manifestar com seus urros macabros, o seu humor demoníaco não estava nada bom e sobrariam para todos os lacaios.
    - Não se fazem mais vilões como antigamente!! Como este maldito Crítico resolve se aliar ao seu pessoal? – grunhiu o capeta. – Isso tem seu dedo, Gódi?
    - Meu? E eu tenho algo com esse escroto? Ele é coisa sua... Não tenho culpa se vocês, seres do mal, são tão promíscuos. – defendeu-se o Deus dos Blogs – Além do mais, você nem deveria reclamar... o Coveiro voltou com aqueles olhinhos do Coelhinho da Páscoa e você sabe que aquilo não tem nada de bom.
    

...::: CONTINUA LOGO ABAIXO:::...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h57
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    - Pois é... que santinho mais estranho você foi arrumar, heim? – comentou o diabo massageando o queixo. – Sem falar que ele tava fora do jogo... Você burlou o jogo... E até ando suspeitando desse retorno esquisito da Ameba.
    - Burlei nada... aquilo foi ação da Patroa e nem meti meu dedo. – falou Gódi. – E você nem deveria ousar me acusar... Sou isento desses pecados e você sabe disso.
    - Sei...sei... – resmungou o demônio.
    Godi abriu um sorriso moleque no rosto e colocou uma das mãos para trás, cruzando os dedos indicador e médio, assim como fazem as crianças quando aprontam. Depois ergueu a outra mão como num juramento e disse com um sorriso infantil:
   - Não duvide da palavra de Gódi.

    Na alta madrugada, em pleno Cemitério dos Blogs, onde duas noites atrás ocorrerá uma das mais sangrentas batalhas contra Omega, tudo parecia quieto e abandonado. Nem mesmo os insetos noturnos ousavam cricrilar mais naquele trecho do mundo. Todavia, neste novo cenário de fantasmas, algo pareceu subitamente tomar vida. A terra negra do cemitério começou a tremer em um único ponto, como num terremoto concentrado. Não demorou mais que alguns minutos para que o chão parecesse vivo e dele brotasse algo antes dado como morto e sepultado. Uma mão branca se esticou, sobressaindo-se da terra como um zumbi renascido. O membro procurou apoio no solo ao redor e, aos poucos, mais daquele ser surgiu de dentro da terra.
    Para a surpresa dos espíritos daquele lugar, houve uma ressurreição. Não apenas como alma, mas como corpo e espíritos completos. Aquele não era apenas mais um morto que renascera para assombrar os visitantes passageiros, mas sim o rei deles. O Coveiro Zé voltava à vida, tinha uma nova chance e já escolhera a motivação para guiá-la.
     - Vingança... – rugiu ele balançando o sobretudo pros lados, livrando-se da terra que ainda o cobria.

   Naquela interminável noite, sete seres aparentavam ser os únicos humanos vivos na Cidade dos Blogs. Dentre eles, o único não pertencente aquele mundo, perdia-se com um olhar atônito para o cenário distante, onde os poucos arranha-céus que resistiram ao furacão e a tempestade estavam com muitos de seus andares iluminados, fruto de uma evacuação súbita e desorganizada da cidade.
   - Há algo nesta noite que me deixa intranqüilo. – disse o místico como que soltando um pensamento perdido. – Parece ridículo falar isso, mas sinto que o céu está mais escuro a cada minuto... as estrelas diminuem... e a Lua brilha bem menos...
   - Algo haver com o Coiso...? – questionou a Vampira.
   Sétimo não voltou a abrir a boca em resposta. Apenas meneou a cabeça para baixo uma única vez, e puxou o capuz para cobrir ainda mais o rosto. Paola engoliu seco e virou seu rosto para o outro lado, onde suas atenções miravam a Doutora deitada no asfalto e sendo tratada pelas mãos de Rhiannon.

   - E aí, Doc? – perguntou Paola aproximando-se. – Sente-se melhor?
   - Bem melhor, com vocês aqui, Paolita. – respondeu a Doutora com uma voz miúda. – Tudo está tão confuso... idéias primitivas e agonizantes... Dias e noites assim até que consegui voltar...
   - E já não era hora, Doc! – falou Rhiannon sorrindo para a amiga. – Tudo bem que a tal Ameba melhorou um pouco depois de um curso integral de simpatia, mas não é como ter você aqui.
   - Oh, obrigada, Rhian... – falou o a Doutora. – Mas... onde estão os outros?
   - Até agora, Doutora, nós somos todos os outros... – falou Renato.
   - Da liga, só nós restamos... encontramos a mansão destruída... os comunicadores estão fora de área... – comentou Soldier. – Enfim, só temos nós sete aqui.
   - Sem falar que o Omega continua muito vivo por aí... – concluiu a Vampira Paola. – E o Xis voltou com seus olhos vermelhos...
   - Os vermelhos voltaram? – aterrorizou-se a Doutora.
   - É, Doutora, quanto mais a gente reza... – falou Rhiannon e virou a cabeça para o lado apontando sutilmente para a figura de longa capa escura posicionada mais distante deles. - ...mais assombração aparece.
   - Aquele é o... Senhor Sétimo?! – surpreendeu-se a Doutora.
   O Místico apenas volveu lentamente a cabeça para o lado, deixando transparecer seu semblante imaculado de expressões. Seu rosto direcionou-se mais uma vez para o horizonte e continuou sem palavras.
   - Agüenta levantar, Doc? – perguntou Paola. – Precisamos encontrar os outros e...
   - Vamp! – interrompeu bruscamente o jovem chamado Peter Pan. – Olha só isso.
   A Vampira Paola volveu a cabeça para o lado e notou que duas fissuras negras nasciam nas paredes de um velho prédio daquela rua. Os traços foram se esticando verticalmente até chegarem a uma largura de dois metros. Dali, se tornaram estáveis e começaram a se abrir formando uma espécie de portal, de onde saíram o caçador de paranigmas chamado Mack e a Moderadora da Cidade, Nane.

   Há algumas ruas de distância dali, uma pequena movimentação de homens escondidos sobre máscaras acinzentadas se fazia presente às bordas do Auditório Diamante. Batidas de martelo, luzes de lanterna, guinchos de maçaricos tornaram aquele canto único, em toda vastidão da cidade isolada. Lá alguns homens gritavam orientações enquanto que outros suspendiam as peças do enorme aparato que mais lembrava um imenso conjunto de doze portais subseqüentes.
   - Ei... o que diabos é aquilo lá? – chamou a atenção um dos encapuzados direcionando a lanterna no ponto. – Aquele é...
   - O tal Coveiro... – falou um outro se aproximando.
São poucas as minhas lembranças até ali. Rompi o véu das sombras e me vi entre homens de máscaras. Minha memória retornou até o dia em que invadiu um dos esconderijos do Crítico e lutei com capangas iguais aquele. Foi naquele mesmo dia em que quase morri e que pela primeira vez este poder negro se manifestou.
   - Vou comunicar ao nosso líder pelo rádio! – avisou um deles.
   - Ele certamente já sabe... – lembrou outro e chegando mais perto. 
   Senti meu corpo se esfriar como se a noite tivesse baixado repentinamente uns dez graus. Minhas mãos amoleceram e percebi que as sombras ao redor pareciam se agitar. As pontadas no coração se repetiram três vezes intensamente e, por fim, as inúmeras vozes chacoalharam na minha cabeça.
   - No tiene rescate para quiénes son unen con los codiciosos..
   Tudo parecia uma cena mista de um passado distante com pessoas da realidade atual. As sombras tomaram formas maiores, como tentáculos disformes que nasciam na noite e agarravam os mascarados ao meu redor em abraços mortíferos. Houve gritos e desespero. E parte dentro de mim parecia saborear cada estalar de ossos.

...::: CONTINUA AINDA... NO PRÓXIMO POST:::...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h55
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   O silêncio ainda era a única reação articulada por Vampira e os demais blogueiros ao se deparar com a repentina chegada de Nane e de Mack, através de fendas que se abriam inexplicavelmente nas paredes dos prédios da cidade. A moderadora aproximou-se deles com a mesma calma disciplinada e falou:
   - Ainda bem que encontramos vocês a tempo, Vamp...
   - Nane... Mas o que aconteceu com a Mansão? Eu pensei que... – falou Paola ainda surpresa.
   - Omega a destruiu... – respondeu a moderadora de imediato. – Um pouco depois de falarmos com vocês pelo rádio, o maldito surgiu. Omega parece mil vezes pior... Eu estaria morta agora se o Xis não tivesse chegado a tempo. Graças a ele, Mack e o Nômade eu fui salva.
  - Infelizmente, tivemos algumas baixas... Sandro e a Ly... – completou Mack.
  - A Ly? – assombrou-se Soldier. – Mas como isso aconteceu?
  - A viajante não teve a mesma sorte... – comentou Mack.- Omega a usou... com o intuito de penalizar o coveiro... e a Ly acabou morrendo nos braços do Xis.

   Como um espectro naquele final de noite mal iluminada, a figura encapuzada e insólita de Sétimo se aproximou dos demais blogueiros assim que a conversa tomou rumos de seu interesse.
   - E foi assim que a mente dele enfraqueceu... e começou a dar ouvidos as vozes silenciadas já há algum tempo... – falou o místico ainda com o rosto semi-coberto.
   - Espera... Este é aquele que seqüestrou o Xis... – admirou-se Nane. – Sétimo?
   - O mesmo. – falou Paola.
   - Saudações, Moderadora Nane e Caçador Mack! – falou Sétimo com um diminuto sorriso nos lábios. – Espero que os pequenos conflitos que tivemos em nosso encontro inicial não tenham manchado a minha reputação de tal sorte que impeça um novo entendimento entre nós.
   - O que você faz aqui? – questionou Mack, se colocando na frente dele.
   - Como da última vez, retornei até esta cidade com o intuito de assegurar que nenhum dano maior a este mundo e a seus habitantes seja promovido pela entidade que toma agora o corpo do meu amigo Coveiro... mais uma vez.
   - Sinceramente, Sétimo, não creio que exista algum risco do Xis machucar a um de nós... – falou Nane.
   - Meu irmão não é nenhum monstro... – defendeu Rhiannon.
   - De fato! – concordou Sétimo. – Mas não é do Coveiro a quem me refiro... Especificamente...

   Subitamente, aquela pequena discussão teve que ser interrompida. O som eletrônico de um aparelho comunicador começou a apitar continuamente, até que a moderadora Nane retira-se o objeto no bolso e clica-se no botão para receber o sinal. Do visor de cristal líquido, a figura incógnita do Crítico dos Blogs surgiu e sua voz apareceu entrecortada por sinais de estática.
   - Moderadora... scheeerch... Estamos tendo um problema inusitado neste exato momento. SsCCxxx... – dizia o Crítico. – Os homens que enviei para o Auditório Diamante afim de instalar a minha máquina estão sendo atacados... ScccErcch... pelo Coveiro Xis...Scxxx... Não podemos por nosso plano a perder antes do momento... schhh... – continuou o Crítico. – Você tem que tirar o Coveiro de lá... zzzichhh.. até terminarmos a instalação da máquina...
   - Eu vou dar um jeito nisso. – disse a Moderadora e desligou o comunicador.
   - Aquele é o Crítico dos Blogs?!?! – apavorou-se Renatinho.
   - Sim, Renato. Uma aliança que eu não desejaria ter feito, se ainda me restasse qualquer outra alternativa... acredite nisso – falou a Nane com pesar. – Parece que as precauções do Sétimo não foram tão exageradas assim. – Continuou Nane. – Precisamos ir até o Auditório Diamante deter a coisa que tomou o Xis antes que seja tarde demais...
   - Se me permite interromper, Moderadora... – intrometeu-se Sétimo. – Uma ação em conjunta e ofensiva contra o Coveiro neste momento pode parecer a pior das soluções. Mediante o poder que ele detém agora, só será um risco contra todos nós. Proponho uma estratégia mais sutil... e efetiva.

   Na hora final daquela madrugada, a entrada do majestoso Auditório Diamante parecia um cenário medonho, digno das piores descrições já retratadas em filmes de terror. Os muros e o imenso portal de entrada parecia tomado por uma imensa cortina negra viva. Gritos em agonia e gemidos de dor eram a única canção ouvida naquele lugar, onde os capangas dos críticos eram sufocados e castigados pelo poder de sombras moveís.
Eu estava no centro de tudo aquilo, fixando o meu olhar em cada um daqueles mascarados, promovendo uma vingança insana e sem sentido, influenciado por uma vontade deturparda, inerente a minha razão.
   - Xis... – uma voz se manifestou em meio ao caos negro. – Precisamos conversar, cara!
   Virei-me não acreditando ao reconhecer aquela voz. Meus olhos captaram a silhueta se aproximando ao longe, surgindo em conjunto com os primeiros raios avermelhados do nascer daquele novo dia. Aos poucos, as cores se fizeram presente e pude constatar o uniforme militar que ele vestia. Com o rosto abatido, mas ainda confiante, Soldier surgia sozinho pela avenida principal.
   As sombras pareceram adormecer por um momento, como que preparando um bote para um novo alvo e largando os capangas do Crítico. Tudo se voltava para um único ponto agora, a pequena distância de alguns metros que separava os dois Escolhidos.

Próximo: Sol e Sombras... um encontro de conseqüências impossíveis de se prever.

Nota: Bem, pessoal, este GRANDE capítulo foi o último da Saga em 2004. A Lápide irá dedicar suas próximas semanas apenas as festividades de fim de ano e o Coveiro X está tirando um recesso curto do Mundo dos Blogs. Estaremos aqui novamente com a Saga a partir do dia 5 de Janeiro, apresentando a partir daí os 10 últimos capítulos que concluíram este grande evento que ocorreu em 1 ano de Blog. Até lá.



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h54
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Crossing Blogs Saga
   Capítulo 35 – A Outra Face

    Num trecho mais distante da estrada que seguia rumo ao leste, onde também se localizava a BlogTech, a figura insólita de um ser aparentemente humano, loiro e de olhos verdes brilhantes, observava com um dureza o velho instituto de pesquisa e tecnologia.  Omega, em sua armadura negra, lançara seus rastreadores, as Aberrações, criaturas moldadas por um poder que até ele não entendia bem os limites. Com uma única ordem mental, simulações tangíveis e deformadas dispararam sedentas em buscas de suas vítimas.
    As Aberrações romperam as mínimas barreiras de segurança da Blog-Tech, rastrearam os vestígios vivos e chegaram até a ala de pesquisas atômicas, no terceiro andar. Eram doze criaturas irresolutas e dispostas a todo custo a derrotar aqueles Blogueiros.
    - Val!! Tolee!! Procurem uma outra saída! – disse Mack sacando suas duas pistolas. – Eu e o Observador vamos tentar segurá-los.
    O caçador de paranigmas começou a descarregar a munição em cima das criaturas, que se desviaram como lagartixas subindo pelas paredes. Acompanhando o blogueiro, o Observador puxou suas armas e detonou apenas alguns tiros, sem muito sucesso.
    - Essas coisas são rápidas demais...– falou intrigado o Observador. – Logo ficaremos sem munição.
    - Mack, não há outra saída! – falou Tolee. – A única porta leva para a câmara de segurança contra radiação. Se formos pra lá só ficaremos encurralados.
    - Droga! – lamentou Mack e logo em seguida quatro daqueles monstros saltaram sobre ele e o Observador.

    A iluminação no subsolo do Empire Blog Building era fraca, ministrada por pequenas lâmpadas amarelas de vapor de sódio. Os corredores e salas sempre passavam uma sensação angustiante, como tudo não passasse de imagens de um filme velho, e todo esse clima tenebroso dava ainda mais arrepios a Moderadora Nane. Ela mirava a figura na outra ponta da sala, mas não podia acreditar no que via.
    Altura mediana, cabelos loiros finos e bem arrumados, ar sereno, rosto alvo e de feições afiladas, aquele certamente era o mesmo rapaz do quadro, Raul, aparentando apenas alguns anos mais velhos. A voz, todavia, era a do vilão, o Crítico dos Blogs. Uma voz garbosa e com timbre forte, que somente agora Nane associaria com a de seu antigo companheiro moderador.
    - Eu não posso crer... Raul?! – admirou-se Nane. – Você deveria estar morto...
    - Morto? – o homem loiro não conseguiu evitar a risada espalhafatosa, tão característica do Crítico dos Blogs. – Ora, Nan, eu já havia sobrevivido a muita coisa antes... Facilmente poderia ter sobrevivido àquela explosão... Aproveitei-me dela, todavia, para enfim criar a cisma definitiva entre nós... já que certamente não poderíamos mais trilhar os mesmos caminhos...
    - Raul... – a moderadora Nane bateu os dentes. – Você... é o Crítico... Resolveu assumir definitivamente a sua outra face... o monstro que você é...
    - Monstro?
    O Crítico dos Blogs se levantou e seu rosto ganhou mais cores mediante a luz acima. Agora, a moderadora Nane podia perceber que o rosto de Raul, que antes era tão perfeito como na imagem daquele quadro, tinha inúmeras ulcerações por boa parte da face.

    - Não seja medíocre, Nane! – bravejou o Crítico. – Não venha me chamar de Monstro, quando na verdade foram seus amigos idiotas que trouxeram a ruína para este mundo. Olhe para a cidade lá fora agora. Tudo o que os Moderadores em juramento afirmaram que iriam proteger está acabado graças as Liga de Patéticos Blogueiros, da qual você ainda compactua.
   - Do que está falando, seu louco? – replicou rispidamente Nane.
   Raul estendeu a mão até suas madeixas loiras e tentou ajeitar o penteado sem sucesso. Isso fez Nane se lembrar que toda vez que Raul se irritava, sempre transparecia em seu aspecto.
   - Podíamos ter evitado tudo isso no começo, Nane! Era nossa responsabilidade... – gritou o Crítico. – Desde que surgiu o primeiro blogueiro com esses... estranhos dons... deveríamos tê-lo detido. Não podíamos deixar essa onda crescer sem limites... sem controle... Nós fomos criados para ser os olhos desta cidade... Não podíamos ficar cegos quanto a isso...- Raul bateu fortemente na mesa e levou um tempo respirando para se controlar. – Eu avisei a você... aos outros... ao velho... Nunca me ouviram.
    - Você deturpou o significado de ser um Moderador, Raul. – defendeu a moderadora. – Somos guardiões e não ditadores. Não podíamos tirar a liberdade de Blogueiros só porque começaram a desenvolver poderes...
    - E tornou-se preferível deixar os demais a mercê de Bruxos que se reúnem misteriosamente à noite, um Coveiro que aterroriza as paragens ao sul com sua pá, cientistas loucos que se tornam monstros aberrantes, vampiros parasitas, metamorfos bizarros, enfim, toda sorte desses seres que caminham livres por aí pondo em risco nossas vidas.
    - Raul, os moderadores não estão sendo displicentes quanto a isso... Estamos sempre policiando isso, mas nossa primeira ação é orientá-los, tentar fazer todos viverem em harmonia. Não podemos ir de encontro a isso. É inevitável que comecem a surgir pessoas com esses dons... já sabíamos disso, afinal também fomos criados para encontrar o Escolhido que...
    - Tolices... Apenas uma lenda tola que o velho acreditava e tentava a todo custo enfiar em nossas cabeças. – replicou o Crítico. – A única profecia que pareceu se concretizar até o momento foram as minhas deduções, Nane. Agora, surgiu este Omega... Algo que não sei o que é, mas que toma os poderes destes blogueiros patéticos que você se alia e usa-os para destruí-los dando ares poéticos ao destino.
    O Crítico dos Blogs se distanciou da sua mesa e se aproximou da moderadora, com passos curtos e as mãos voltadas para trás. O seu rosto ainda tinha o mesmo traço de anos atrás, manchado por marcas escuras de prováveis queimaduras. Sua mão se aproximou do rosto de Nane e ele tocou levemente sua mecha vermelha, afastando-a para o lado.
    - Poesia maior, Nan, é saber que sou eu quem está te ajudando a salvar a cidade e este mundo. É ser o único que tem as peças posicionadas para dar o xeque-mate na melhor partida. – Raul fitou-a nos olhos e riu – É ter a certeza de que, no final, eu fui o vencedor de nossa animada competição.

    Nas ruas abandonadas da cidade, uma figura em longa capa caminhava à frente de cinco blogueiros. Ele, um dos poucos não pertencente originalmente aquele mundo, conseguirá uma brecha e permanecerá silenciosamente por longos meses até novamente voltar a se manifestar. Sétimo era um ser que em qualquer dimensão emanaria uma áurea de mistério e não deixaria ninguém em conforto pleno.

...::: Continua Logo Abaixo :::...



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h58
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    - Para onde estamos indo? – perguntava Rhiannon. – Como é que você vai achar o meu irmão. Ei... você desaprendeu a falar?
    Sétimo parou momentaneamente e girou para trás, balançando a sua enorme capa negra para trás. Olhou curiosamente para os blogueiros com quem se aliara, principalmente para a deusa celta que parecia não ter limites para suas dúvidas.
    - Neste momento, Rhiannon, o nosso destino ainda é incerto. Não importa o lugar, contanto que encontremos o Coveiro, antes que o tal Omega o faça. Seus questionamentos de como encontraremos o... bem, seu “irmão”... são igualmente desconhecidos, visto que quando está no Mundo das Sombras, ele se torna invisível a qualquer um e pode aparecer em qualquer lugar. Por fim, eu não desaprendi a falar, apenas privo-me de usar as palavras quando elas se mostram realmente necessárias.

    Peter e Renato sufocaram algumas risadas ao ver que a deusa celta colocara as mãos na cintura com uma cara de poucos amigos. Sétimo deixou transparecer um sorriso no canto da boca e, enfim, tornou-se a virar de costas.
    - Não sei se devemos mesmo confiar em você, Sétimo. – falou a Vampira antes que ele voltasse a guiá-los.
    - Eu também não esperava essa união, Paola. – respondeu Sétimo. – Todavia, eu bem sei que não podemos governar tudo em nosso futuro. Cabe a mim, a você, Soldier, Rhiannon, Peter e Renato acatar o que o destino nos reservou.
    Repentinamente, o místico encapuzado parou e parecia captar sons inaudíveis no ar. Ele virou-se para um lado e cruzou uma rua correndo, deixando sua capa esvoaçar para trás. Chegou, então, a uma velha praça em ruínas e parou subitamente. Logo atrás dele, vieram os cinco blogueiros com quem ele se aliara.
   - Mas o que aconteceu? – perguntou Soldier atônito.
   - Nosso pequeno grupo agora será formado por sete. – afirmou o místico.
   - Do que é que você está falando? – questionou Paola.
   A resposta que Sétimo poderia dar não foi necessária. De um dos becos, surgiu uma figura claudicante e já um tanto debilitada. Seu rosto trazia marcas da exaustão completa, mas o traje confeccionado excepcionalmente mantinha-se intacto. A Doutora apareceu como uma miragem bem diante deles e falou com uma voz entrecortada:
   - Paolita... Rhia... Ainda bem que encontrei vocês logo... – disse ela antes de desfalecer novamente no chão.

   Guinchos demoníacos podiam ser ouvidos por todos os corredores da velha e abandonada BlogTech. Junto a isso, gritos humanos e tiros se juntavam aquela balbúrdia. Uma das Aberrações saltou por cima do caçador de paranigmas e ambos começaram a rolar atracados numa briga confusa. Por sorte, Mack conseguiu recuperar uma de suas pistolas caídas ao seu lado e detonou o crânio da criatura, que se desfez num brilho ofuscante.
   - Mack! Você está bem? – perguntou a Val correndo em seu auxílio. – Seu braço está sangrado.
   - Eu agüento! – falou o caçador. – Ainda faltam onze. Temos que...
   - Entrem todos nessa tal câmara de segurança! – falou o Observador. – Agora!
   - Mas...  – tentou argumentar Tolee. - ... ficaremos presos.
   - Eu tive uma idéia! Vamos... – exigiu o Observador.
   O engenheiro químico não pensou duas vezes, abraçado com o imenso núcleo de fusão atômica disparou para dentro daquele cômodo protegido por grossa porta de chumbo. Logo atrás, a Val ajudava o Mack a chegar até o abrigo. O último a chegar lá foi o Observador que afastava aos poucos as Aberrações com alguns tiros de alarde. Todavia, o sombrio blogueiro reservou um último tiro para o seu plano.
    - Fechem a porta assim que eu atirar! – exigiu o Observador

    Dito isso, Tolee se agarrou a maçaneta da porta e assim que o Observador cruzou-a virou para trás e fez o seu disparo. A bala cruzou todo o laboratório, mas não acertou nenhuma criatura. O disparo estava direcionado para outro alvo, um tanque de aproximadamente oitenta galões de nitrogênio líquido.
    - Agora! – gritou o Observador

    Imediatamente, Toleezinho trancou a câmara e sentiu o impacto chacoalhando a pesada porta de chumbo. Tudo o que estava do outro lado do laboratório foi atingido por uma nuvem de gás congelante comprimido. Moveis, vidrarias, soluções e inclusive as aberrações agora não passavam de meras peças de gelo, facilmente quebráveis.

     Os olhos de Omega se acenderam como brasas naquela madrugada. Pode sentir a energia de suas criaturas se esvaindo quando caíram no chão e se estilhaçaram como estatuas de vidro. Seus dentes trincaram. Mais uma vez, subestimou aqueles que considerava fracos e sem qualquer energia significativa. Este estranho Mundo dos Blogs parecia sempre tentar fazê-lo de tolo, com surpresas impossíveis de se cogitar. Não mais recorreria a terceiros. Cuidaria daqueles blogueiros pessoalmente.
    Omega volveu os braços para trás e sua capa negra tremulou. Preparava para alçar um vôo até a velha Blog-Tech, mas repentinamente algo surgiu em sua frente. Era como uma nuvem negra densa que o cercava de ambos os lados retirando sua visão. Omega arregalou os olhos e mal podia acreditar no que via.
    - Você... – grunhiu ele.

    Não esperei que dissesse outra palavra. Das sombras, surgi atravessando o nada e girei a velha pá como uma alabarda, ferindo com o metal o meu inimigo de baixo para cima.. Surpreso, não houve como Omega se esquivar e ele caiu no chão duro com sangue esvaindo-se de todo o seu peito aberto.
    - Der schwarze Tod ist sein Bestimmungsort... La muerte negra será su destinación... – falei repetindo as palavras de idiomas que mal conhecia e me concentrei para formar um único pensamento meu. – Escute, Omega. Com a morte que você trouxe, acabou me matando junto. – bati os dentes. – Agora, eu sou um fantasma. Um espírito que não descansará até levar você a um fim. – Meus olhos vermelhos se manifestaram mais intensamente e disparei num novo idioma. – Schatten.
    Assim como surgi, as trevas me envolveram de tal modo que acabei me tornando uno com a noite. Desapareci como se nunca estivesse ali antes. Alguns minutos depois, Omega estalou os ossos de sua mão e tentou se erguer, enquanto seu corpo cicatrizava rapidamente absorvendo singelamente a matéria viva ao redor.

 Próximo: Ainda caído, Omega recebe a visita misteriosa de uma antiga blogueira... Os remanescentes da Liga, enfim, se unem... E o Coveiro X parece estar cada vez mais corrompido... vejam isso em a Expansão das Trevas.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h57
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Crossing Blogs Saga
     Capítulo 34 – Jogos de Cartas

     A névoa esbranquiçada parecia envolver a todos, como se transportasse os blogueiros para um outro mundo, onde o ar era misterioso e místico. Tudo o que estava de fora daquele pequeno cerco de neblina era facilmente confundido como uma pintura velha de um quadro, algo fora do real. Peter e Renato se ergueram atordoados e foram ajudados por Soldier, Paola e Rhiannon.
    No centro daquele estranho fenômeno, um misterioso de cavanhaque e bigode, olhava firmemente para os blogueiros. Para aqueles que o conheciam, ele era Sétimo. Não um bruxo, mas alguém de poder místico inusitado, mesmo para os mais veteranos dos feiticeiros daquele mundo. Proclamado amigo de confiança do Coveiro X, também foi responsável por seu seqüestro meses atrás. Em sumo, um ser de habilidades e atitudes difíceis de serem medidas.
   - O que você faz aqui? – exigiu saber Rhiannon gritando contra a ventania. – Está contra nós mais uma vez? Ou veio nos ajudar contra Omega?
   - Rhiannon...- Sétimo ergueu sua voz clara e firme. – Eu nunca estive contra vocês. Tudo o que eu fiz foi para protegê-los. Mesmo durante esses últimos tempos, escondido sob a proteção de um templo perdido que achei neste lugar, continuo sendo o zelador da segurança de todos vocês. Cuidando para que um imenso mal não recaísse sobre os blogueiros, todavia não pude evitar tal acontecimento... Ele se libertou...

   - Ele? – admirou-se Rhiannon. – Você diz Omega...?
   - Não... Apesar dos perigos deste ser, ele não é de minha competência. – falou o místico. – Entretanto foi ele que acionou o estopim para libertar o “Poder Antigo”.
   - O Sr.Coiso? – lembro Vamp arregalando os olhos. – Não vai me dizer que o Xis...
   - Sim, Vamp. O coveiro foi novamente tomado. – afirmou Sétimo. – E, desta vez, temo que tenha sido para sempre. Temo agora pelo futuro.
   - Peraí, gente! – pediu a palavra Peter Pan. – Do que é que vocês estão falando? É o Xis, esqueceram?
   - Em corpo, seguramente, Peter. Em espírito não tenho mais certeza... – advertiu Sétimo. – A forças que manipulam o destino foram irascíveis desta vez. Levaram o coveiro aos limites, afastou-o de todos, o fez conhecer a dor, a morte, a perda. Enfraquecido e esgotado, a sombra viu um meio de recair sobre ele e governar.
   - Ai, tadinho do meu mano! – entristeceu-se Rhiannon.
   - Bem, parece que ao invés de um, temos dois problemas agora. – observou Soldier.
   - Sim, Blogueiro. Agora, tudo tomou proporções delicadas. Meus conhecimentos sobre esse tal ser capaz de drenar dons e energias de outros ainda é parco, mas não posso permitir que ele tenha acesso ao “Poder Antigo”. Se cair em mãos erradas, creio que será o fim de tudo.
   - E onde está o Coveiro agora? – perguntou a Vampira.
   - Poderia sugerir vários lugares, mas tornou-se impossível para mim dizer isso. – comentou Sétimo. – As cartas não mais revelaram nada sobre o futuro daqui por diante. Tudo depende de nossas ações. Resolvi desfraldar o véu da incógnita e me unir a vocês numa aliança. Juntos, temos que achar o Coveiro...e de alguma maneira, sufocar o quanto antes o “Poder Antigo”... resguardar o futuro.

   Naquele fim de tarde acinzentado, mais do que todas as outras vezes, o lugar fantasmagórico conhecido como “Cemitério dos Blogs”, parecia assustador. O céu estava inebriado por nuvens densas, um vento ruidoso cortava as covas e mausoléus erguendo as folhas secas do chão. Lá, a escuridão entre árvores e tumbas se avolumou e tomou forma. Modelou-se até que um corpo humano se fizesse presente.
   Eu, o vulto, dei o primeiro passo com pés descalços no solo maldito daquele lugar. Tudo parecia ter um cheiro ainda mais intenso da morte, como se o rei dela estivesse finalmente sucumbido e expiado seus pecados. As imagens eram manchadas, perdidas, e difíceis de relembrar. As emoções corrompidas eram as únicas coisas marcantes em minhas memórias daqueles dias. Vasculhei tudo naquele velho cemitério até que por fim encontrei a porta escancarada do lugar onde meu velho amigo, o Coveiro Zé, guardava suas ferramentas. Tomei, então, em minhas mãos uma velha pá, que apesar da idade, ainda tinha o brilho em seu metal. Tendo o que vim procurar, respirei profundamente e sussurrei a palavra “sombras”, ganhando assim o meu espaço no Mundo Negro.

   A cortina da noite tomou aquela parte do Mundo dos Blogs, mas no subsolo do Empire Blog Building mal se percebia a virada daquele turno, excetuando-se pelo relógio silencioso pregado em um dos quartos daquele esconderijo. Lá, o jovem poeta do deserto, JP, estava deitado em um leito sendo amparado pelas palavras místicas de cura da bruxa Lua Negra. Na porta, observando cautelosamente os dois, estavam Nane e Margot, trocando palavras em sussurros quase inaudíveis.
   - Gostaria de ter notícias dos outros. Queria ter ido com o Tolee, mas não me arriscaria de deixar vocês sozinhos com este Crítico. – falou a Nane com os braços cruzados.
   - Também queria ter notícias dos outros... Vamp... Soldier... além de saber se está tudo bem na Terra do Nunca. A Lady e o Mocotó partiram com a segunda leva de barcos e sequer sabemos se tudo saiu bem...
   - Eu vou procurar saber isso agora... – disse a Nane girando os calcanhares e partindo pelo corredor. – Detesto ter que pedir isso, mas certamente ele deve saber.

    A Moderadora atravessou os corredores sombrios do subsolo, passando por portas fechadas até chegar na outra extremidade, onde ficava a estranha sala de monitores do Crítico dos Blogs. Moveu a maçaneta e a porta dupla abriu lentamente. No interior, a escuridão reinava. Nenhum dos monitores estava operante e a sala encontrava-se totalmente vazia, excetuando-se pelas pequenas borboletas mecânicas que esvoaçavam ao redor.
   Nane vasculhou com olhos rápidos todo o lugar e não encontrou nada que pudesse ser relevante. Olhou rapidamente a escrivaninha do Crítico, viu que seu computador tinha um complexo sistema de senhas criptografadas. Franziu a testa ao constatar que a terceira tentativa de driblar o sistema falhara e lembrou que o Crítico entrou na noite anterior por uma passagem que agora parecia não existir.
   Foi até o extremo da sala e viu que estava correta. Havia uma falsa porta ali. A moderadora começou a tatear o vão até que destravou a tranca. Logo que a porta se abriu, notou que havia iluminação interior. Seus olhos captaram logo de cara algumas estantes cheias de arquivos e um vasto móvel que parecia se estender por toda a sala. Nane adentrou receosa o cômodo e logo de cara teve seu primeiro choque ao visualizar  o grande quadro que dominava a parede.
   - Oh... Gódi...

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 Escrito por Coveiro ¤ às 18h19
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   A imagem era de uma fotografia antiga, esbranquiçada pelo tempo. Certamente, deveria ter uns cinco anos ou mais. Aquele mesmo quadro já era bastante familiar a Moderadora, pois o mesmo estava pendurado num dos corredores do quartel general dos escolhidos na época em que eles eram calouros ainda. Deveria estar destruído, como tudo que estava lá naquele fatídico dia, mas não. O quadro voltava para assombrá-la.
    Nele, havia uma Nane mais jovem e inexperiente. Ao seu lado, estava a sua amiga Leila e também o Edgar, vítimas das armações que infelizmente aconteceram naquela época. Roger, seu parceiro de longo tempo, estava ali com um sorriso jovem. Por fim, a esquerda, Raul, um nome que queria ter esquecido há bastante tempo.
   - Oi, Nan... – uma voz surgiu sombria e gelou o coração da Moderadora. – Eu sabia que não demoraria muito para você chegar até aqui.
   Nane virou-se lentamente, com os músculos retesados e um grito sufocado na boca. Girou lentamente o rosto para o lado e deparou-se com uma figura ainda mesclada as sombras do canto mais escuro da sala. Queria estar enganada, mas agora podia associar mais facilmente o tom daquela voz. Os cabelos aloirados e a silhueta do rosto sem máscara também confirmavam. O fantasma de seu antigo colega moderador, Raul, o intrépido, voltara para assombrá-la.

   Nas ruas abandonadas da cidade, apenas os ratos e insetos pareciam reinar na noite. Essas criaturas se espalhavam pra todos os lugares sempre a procura de alimento ou algo interessante que podiam brincar. Justamente, numa destas ruelas, bem próximo ao vão do esgoto, uma ratazana imensa encontrou uma pequena gosma amarelada escorrendo.
   Curioso, o roedor se aproximou com o ímpeto de mordiscar aquele produto que lhe parecia tão suculento a primeira vista, mas logo se arrependeu. A pequena substancia avançou sobre o rato agarrando-lhe a boca e contorcendo a cabeça. Após se debater por longos três minutos, a rata fugiu apavorada deixando para trás aquela estranha coisa amarela.
    A gosma continuou a se mover novamente, desta vez parecia saltar com tentáculos recém-feitos. Foi se afastando até o centro da rua e assim que se tornou visível, acabou sendo englobada por uma outra massa ainda maior. Aquela parecia ser, então, a parte faltando para completar toda a estrutura críptica da Ameba. Assim que tornou-se completa, no entanto, a criatura amebóide moldou sua forma, dando lugar finalmente a Doutora, seu alterego humano.

    Bem mais a leste, afastando-se cerca de doze quilômetros da gigantesca cidade, uma rodovia não mais usada levava até um lugar esquecido. Perdido em meio a pinheiros e olmeiros que cresceram na floresta ao redor, uma comprida construção de cinco andares parecia se estender a margem da pista. Tinha todo o acabamento moderno, com vidraças largas nos andares mais altos e uma portaria com sistemas de seguranças modernos, apesar de desativados. Lá era o lugar onde fora construída a BlogTech, o maior centro de pesquisas daquele mundo. Por cinco anos, grandes cientistas se reuniram ali, avançando as pesquisas a níveis inimagináveis, até que tudo pareceu sucumbir de uma hora pra outra.
   Após cruzar as grades elétricas já inutilizadas e carcomidas pela ferrugem, chegava-se a um enorme salão de entrada, onde estavam uma pequena maquete central informando a localização de todas as alas daquele lugar. Um dedo esticado surgiu imediatamente em cima do ponto onde aparecia o nome “Pesquisas Nucleares” e rapidamente uma voz completou aquele gesto:
   - É aqui! Terceiro andar! Ala Dezesseis.
   Toleezinho meneou a cabeça para o lado convidando os outros que lhe ajudavam nessa missão e ligou sua lanterna. Val, Mack e o Observador o seguiram por um vasto corredor, que levava até as escadarias. Como não havia mais eletricidade, acabaram subindo um longo lance de degraus até chegarem à margem de uma porta, indicando o nome do laboratório almejado.

    Mack girou a maçaneta e, como previu, ela estava fechada. Olhou de relance para os outros e fez uma cara de despreocupado. Puxou de seus bolsos uma longa chave dourada sem dentes e com um pedaço de arame começou a cutucar a fechadura, desarticulando assim todos os segredos. Não demorou mais que alguns segundo para a porta destravar e todos encarassem a negritude do velho laboratório.
   - Venham! Se não mudou de lugar , o que queremos deve estar aqui! – falou Toleezinho apontando a lanterna para a direita e desbravando aquela parte do cômodo. – Na época lembro que gastamos muito dinheiro para obtermos todas as peças para promover a primeira fusão nuclear condensada. Creio que se tivéssemos chegado a dados conclusivos a tempo, teríamos uma energia muito mais valorosa e barata pra Cidade dos Blogs... e talvez a BlogTech não tivesse fechado.
   - Você, a Doutora e o Xis já trabalharam aqui antes, não foi? – lembrou o Mack.
   - Uh-hum... O Xis saiu primeiro e... – Tolee repentinamente parou seus pensamentos e saltou como se tivesse chegado a uma grande descoberta. – Aqui está ele... Aquele domo é o núcleo do reator de fusão atômico, uma peça única capaz de reter um quinto da energia de um sol em um único ponto.
   - Deixa que eu pego! – intrometeu-se a Val.
   - Não! Melhor eu retirar. – recomendou Tolee. – Tem um encaixe delicado...

    O Blogueiro engenheiro químico aproximou-se da velha maquinaria e agarrou o domo com as duas mãos. Era uma peça semelhante a um imenso diamante lapidado, porém com tonalidade menos brilhante e azulada. Após um leve giro, a peça se soltou e Tolee sorriu com o sucesso de sua ação.
   - Ótimo! Não foi tão difícil quanto imaginei... – disse o engenheiro químico afastando-se dali com a peça segura pelas duas mãos. – Espera.... vocês ouviram isso?
   Toleezinho não precisava ter insistido em sua pergunta, pois o barulho se repetira novamente, muito mais alto e tenebroso. Todos se entreolharam assustados e mais uma vez os guinchos se repetiram, ainda mais próximos. Toleezinho pressionou firmemente a peça nas mãos assim que viu a porta do laboratório se mexer e dela romper cerca de uma dúzia de criaturas multicoloridas com expressões demoníacas na face. Eram aquelas as aberrações, frutos dos poderes corrompidos de Soldier usados por Omega.

 Próximo: O crítico se revela para a Moderadora... Tolee, Mack e os demais contra as aberrações... E Omega se depara de forma inusitada com um inimigo inesperado... vejam tudo em A Outra Face.



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h17
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Crossing Blogs Saga
    Capítulo 33 – Pequenos Enigmas

   Quando toda Cidade dos Blogs evacuou tentando escapar da fúria de Omega, três pequenas figuras decidiram seguir o caminho oposto e procurar uma maneira de deter o vilão. Mesmo com tamanho perigo, ninguém poderia duvidar o quão obstinados eram aqueles pequenos. Todavia, Roronoa Zoro, VampGirl e o Legista John esperavam encontrar tudo, menos aquelas duas inusitadas Criaturas que se mostravam a sua frente agora. E isso fez um gato preto se eriçar, repuxando a boca para o lado quase que lhe dando uma aparência de um sorriso humano:
    - Então, esse é o diário do Cabeçudo mesmo, heim? – falou o gato com uma voz melosa e se voltando para a coruja que o acompanhava. – E pelo que esses pirralhos leram, parece-me que o Coveiro surtou de vez, estou certo, Vigia?
    - O comportamento é igual... palavras desconexas em outros idiomas... angústia causada pelo tal “poder antigo”. – respondeu a coruja com uma voz rouca e distinta. – Isso não é nada bom...
    - Do que é que vocês estão falando? – quis saber Zoro meio que saindo de seu repentino transe. – Do que vocês estão sabendo?

   - Ora, ora... Ronronando, muitas exigências em suas perguntas para alguém que nem sempre se faz por merecer, mas como vocês são as únicas almas vivas que nos encontramos no deserto que se tornou aquela cidade, talvez eu compartilhe um pouco do conhecimento. Mas preciso saber onde estão os demais...
   - Gato matreiro! – implicou a VampGirl
   - A maioria embarcou rumo a Terra do Nunca. Nós iríamos, mas fugimos para tentar acabar com Omega.
   - Um garoto sonhador... – riu Ébano. – E a liga de heróis?
   - Creio que na Base... A Mansão dos Moderadores. – explicou John
   - Perfeito! Então, é lá que deve estar acontecendo as coisas interessantes. – Ébano cruzou-se por debaixo das pernas de Zoro e sugeriu – Vamos até lá. Eu posso explicar algumas coisas durante o caminho, se você conseguir entender...

   Repentinamente, as luzes se acenderam e o que antes parecia ser apenas um galpão imenso e vazio, revelava-se agora como um imenso salão com moderno equipamento áudio-visual espalhado por três das quatro paredes que revestiam o lugar. Monitores mostravam imagens das mais dispersas partes não só da Cidade dos Blogs como também de outras partes ao redor. No centro, uma comprida escrivaninha de madeira de estilo mais clássico estava povoada de papéis, anotações e um avançadíssimo sistema de computador portátil ligado a um outro maior. Dois estranhos aparelhos em forma de controles estavam próximos dali, junto com uma espécie de pequena borboleta pousada ao lado.
   Um barulho estalado de porta fez-se abrir e dela surgiu a figura misteriosa de terno e máscara que era conhecido por muitos como o Crítico dos Blogs. Aquele homem incógnito andou calmamente até o centro da sala com os braços para trás e saudou a todos com um único comprimento. Era a primeira vez que recebia anfitriões em seu centro. A primeira vez que se expôs para seus inimigos.
   - Então é aqui que você se esconde? – perguntou a Moderadora com os olhos fixos no seu proclamado inimigo. – No subsolo do Empire Blog Building.
   - Esse é apenas um dos meus centros, minha querida Nane. – respondeu o Crítico com desdém. – Não o principal deles, mas o mais conveniente no momento. Vou abdicar dele em prol desta união inusitada. Deixei sobre-avisado aos meus subordinados sobre a presença de vocês. Boa parte das dependências daqui estará disponível, mas as portas que encontrarem fechadas não devem ser abertas.

    - Fui informado que o Nômade já começa a reagir, graças a magia da bruxa. – falou o Crítico tomando o controle nas mãos e mudando o padrão de imagens de alguns monitores atrás dele. – Ele em breve despertará do repouso. Com eles estão também a Margot e a Val. Privei-as desta reunião, pois creio que bastam vocês quatro estarem cientes de meus planos...
   - Que planos? – questionou Mack.
   - Ora, caçador, que planos seriam?? – falou o Crítico. – A destruição de Omega.
   - Há! – Nane forçou um riso irônico. – Estamos tentando detê-lo desde que surgiu e sequer conseguimos machucá-lo. Ao contrário, ele só se fortalece. O que o faz achar que você seja capaz de tal feito?
   - Ora, minha cara, a observação... – gabou-se o Crítico. – Venho juntando tudo sobre Omega. Todos os lugares, aparições e... inclusive... as suas lutas sem sucesso contra ele. Tudo isso me forneceu amplo material para arquitetar uma ação efetiva e sem risco, obviamente.
   - Se assim diz, talvez mereça algum minuto de atenção, Nane. – comentou o Observador quase num sussurro.
   - Alguém que se esconde por trás de uma máscara não merece minha confiança. – falou a Nane.
   - É o que você pensa... e sente... – ironizou o Crítico. – Ainda assim, não viu outra saída e aqui está você. Mesmo com o rosto sério, posso sentir sua ira, Nane. Quase me esqueço como era divertido ver isso em você no passado, Moderadora.
   - Crítico, basta de provocações. – replicou o Mack. – Fale sua idéia.
   - Sim, caçador. Vamos as minhas explicações iniciais. – O crítico dos Blogs repuxou a sua cadeira para lado e apontou para os monitores. – Esta é a primeira vez que registrei Omega. Repentinamente, a imagem some, sinal de que minhas mariposas monitoras haviam sido desativadas. Em minha primeira idéia, pensei que elas simplesmente haviam sido eletrocutadas por um estranho fenômeno, que até então não tinha nome e só era referido por um estranho de cabelos loiros e olhos anormais. Todavia, uma analise posterior delas assim que as recuperei, mostrou algo diferente. – o Crítico tomou nas mãos a pequena borboleta em sua mesa. – Elas não entraram em curto, mas foram descarregadas. Era estranho isso pra mim, até que contemplei a teoria do Toleezinho.
   - A minha teoria? – admirou-se o engenheiro.
   - Sim. Suas idéias foram bastante importantes para entender a natureza de Omega. Acima de tudo, seja lá o que ele era antes, ganhou vida em segundos tirando todos os componentes necessários para tal naquele pequeno trecho da Floresta Mística. Todavia, ele não parou por aí. Sua teoria da fusão, Tolee, se estende além de sua origem.
   - O que quer dizer? – perguntou o engenheiro químico ainda perplexo com as informações tão precisas do Crítico.

   ...::: Continua Logo Abaixo :::...



 Escrito por Coveiro ¤ às 19h18
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    - Que ele continua retirando esses elementos de modo menos abrupto ao seu redor. É assim que ele se alimenta... é assim que ele vive. – O crítico mostrou novas imagens no vídeo. –Eu o tenho observado sem desviar uma câmera em nenhum momento. Mantenho as borboletas a certa distância, pois as mesmas correriam o risco de serem mais uma vez desativadas. Omega está vivo, tem um corpo humano, mas não come. Ou não precisa fazer isso. Seu corpo arrumou uma nova forma de se sustentar. A todo momento, por onde passa, ele retira uma centelha da vida de plantas, animais, homens ou qualquer outra forma de energia e associa ao seu corpo.
   - Godi!! – admirou-se Mack
   - Como descobriu isso? – interessou-se o Observador.
   - Minhas borboletas-espiãs descarregadas me fizeram teorizar isso. Todavia, bastou eu analisar com mais cuidado suas lutas para notar algo. Vejam essa primeira luta com o Zé. Omega é ferido mortalmente, nenhum humano sobreviveria. Todavia, ele revigora suas chagas de maneira surpreendente. Em contraposição, notem o vídeo com mais cuidado. – o Crítico fez com que a imagem se passasse mais lentamente agora. – A grama e ervas mais próximas murcharam.

  - Ah, céus... É assim que ele se renegera? – Nane ficou pasma.
  - Isso... isso... explica muito. – falou Tolee coçando a cabeça. – E complica nossa vida. Desta maneira, Omega sempre terá como se recompor...
  - Mas o que é esse Omega afinal? – divagou o Observador.
  - Existe algo além daquele corpo, isso é certo. Eu tenho minhas idéias... alguns pequenos enigmas. Eu o vejo como uma força... uma força atrativa... uma manifestação física que até então não havíamos presenciado. Ele é capaz de sugar para si pensamentos, energia vital, poderes...
  - É como um buraco negro... – falou Toleezinho com os olhos perdidos em pensamentos complexos.
   O Crítico dos Blogs olhou por um instante para o jovem engenheiro químico e depois se dirigiu novamente para os monitores que usava para demonstrar suas explicações. Agora, alguns monitores pareciam mostrar diferentes ângulos de uma estranha máquina num galpão. Ao lado dela, homens mascarados pareciam fazer últimos ajustes. Em outros, a imagem das cenas das sombras se fundindo ao Coveiro Xis se destacavam.
   - Lutar contra Omega demonstrou apenas fortalecê-lo. E isso de fato o que ele procura... uma luta cada vez maior para se tornar um maior. A preferência pelos escolhidos não é mero acaso. – prosseguiu o Crítico. – Todavia, algo nos últimos eventos se mostraram claros. Ele não conseguiu ter acesso ao poder do Coveiro Xis sem o próprio não o ter manifestado. Da mesma forma, ele não pode assim se tornar onipotente na luta contra Gódi, pois o Deus usou uma ínfima parte de seu poder...

   - Talvez, ele necessite ver para entender o seu funcionamento... – sugeriu Tolee.
   - Sim, é o que eu penso. Omega, portanto, tem dentro dele uma quantidade densa de energia primaria, fruto da mescla de tudo o que adquiriu seja das coisas vivas ao redor e dos dons naturais dos blogueiros que se tornaram suas vítimas. Essa energia invejável, portanto, certamente é plástica e ele pode a manipular para qualquer coisa... – o Crítico virou-se para os blogueiros e continuou. – Todavia, ele se mantém unicamente limitado no que viu... e captou. Abusa de pequenas variâncias, mas nada muito complexo. Pra nossa sorte, Omega se mostrou incapaz até então de ousar ir além...
  - E onde isso se encaixa em seu plano! – quis saber Nane.
  - Ora, minha querida, não percebe? – desdenhou o Crítico. – Este Omega não me parece nada além de um acúmulo exorbitante de poder. Sem ele, não conseguirá promover nada. Sem ele, Omega sequer existirá. – O Crítico virou-se para os monitores e apontou para sua imensa máquina. – Tomando essa premissa, desenvolvi este artefato. Algo como o Omega... algo capaz de sugar totalmente dele a “energia primaria”.
   - Seria um... condensador de energia?? – supôs Tolee.
   - Poderíamos chamar assim. Esta quase pronto, Tolee. – falou o Crítico. – Resta-me apenas uma única peça neste meu construto. Trata-se de algo raro, mas que você certamente saberá exatamente como me alcançar. Afinal, não existe outro blogueiro neste Mundo que possa adentrar na velha Blog Tech e me conseguir o núcleo do reator de fusão atômica, esquecido há anos naquele velho centro.

   Já era por volta do meio dia, quando cinco blogueiros sobreviventes ao ataque de Omega chegaram ao centro da Cidade dos Blogs. Lá, deveria estar o lugar que lhes servia de abrigo desde que começaram as tragédias, porém naquele começo de tarde, só encontraram ruínas. Vampira, proclamada líder da liga de blogueiros, andava absorta em meio às tralhas e pedaços de equipamentos destruídos.
   - Calma, Paola! – Soldier tentava controlar a situação, mesmo estando tão apavorado quanto ela. – Eles podem ter escapado. É bem provável que tenham...
Paola escalou uma pequena colina formada pelas metralhas de restos da mansão e mirou o outro lado. De fato, não havia corpo algum, restava a esperança de que tivessem fugido para algum lugar. A vampira tentou afastar os piores pensamentos balançando a cabeça, mas algo fez sua tensão aumentar. Sentiu um frio tomar seu corpo, sua pele se arrepiou e começou a friccionar os braços.
   - Esfriou aqui de repente... – comentou ela voltando-se para os demais.
   Uma nevoa densa passou a circundar a pequena área onde o grupo se encontrava. Paola sentiu seus cabelos se eriçarem e uma instintiva sensação de perigo imediato a dominou. Seus receios se comprovaram assim que viu um vulto incógnito envolvido numa longa capa negra, um fantasma vivo, que pareceu surgiu do nada.
   - Cuidado!! – gritou Rhiannon assim que percebeu o intruso.
   - Fiquem atrás! Eu e o Peter cuidamos dele! – alertou o jovem Renato.
Os dois blogueiros partiram contra aquele estranho ser. Todavia, antes que seus braços empunhados partissem para o choque direto, o encapuzado ergueu as mãos, laçando uma energia poderosa capaz de repeli-los. Peter e Renato foram arremessados para trás e caíram desorientados no chão.
   - Não necessitam se voltar contra mim. Desta vez, vim para estar junto com vocês. As teias do destino requerem agora uma união. – Aquele ser puxou seu capuz para trás revelado um rosto moreno de cavanhaque com olhos profundos. Ele meneou a cabeça num cumprimento e disse - Saudações, Blogueiros! Peter... Renato... Soldier... É uma honra conhecê-los. Rhiannon... e Paola... prazer revê-las mais uma vez.
  - Sétimo??!?! – Admirou-se as duas blogueiras ao deparar-se com o misterioso homem que um dia me seqüestrou.

Próximo: Sétimo se une aos Blogueiros... Tolee e os demais invadem a abandonada BlogTech... Nane numa descoberta crucial... Além, do retorno de mais um blogueiro. Tudo isso em... Jogo de Cartas.



 Escrito por Coveiro ¤ às 19h17
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