Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





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Coveiro ¤X¤

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In Memorian: Sapos e Lagartixas

     Não me tornei biólogo à toa. Eu sempre fui curioso por animais. Adorava catar gafanhotos do jardim do prédio, fazia testes com aquelas formigas maiores, tentava fazer armadilhas para capturar lagartos e adorava visitas ao zoológico. Sempre foi meu fascínio. Se não podia ter animais em casa, eu os tinha na rua mesmo. Era assim.
     Não devia ter mais do que sete anos quando fiz um negócio com uma garota da minha sala. Era uma menina um pouco mais velha, acho que atrasada um ano, morena, mas com os olhos claros e bem mais adulta que as demais. Lembro que ela colecionava meus desenhos e vivíamos fazendo trocas. Esta, no entanto, era especial. Há tempos que ela desejava um protetor de relógio de plástico que eu tinha e, enfim, ela arrumou algo que me fascinou. Era uma lagartixa de brinquedo, mas tão similar quanto uma real que eu mesmo me confundi.
     - Pega, é de mentira! – disse ela.

    Tomei o animalzinho de borracha nas mãos e fiquei impressionado com a perfeição. Era branquinha, de olhos pretos redondos, uma textura de pele bem similar a real e com uma única discreta ventosa em seu ventre.
    Aceitei com gosto a troca, entreguei o protetor de relógio e tomei para mim a tal lagartixa de borracha. Feliz da vida, eu comecei a testá-la na parede e fiz testes de quão perfeita ela era para enganar os outros.
    Terminado o horário de aulas, corri para o pátio dos segundo grau maior, onde minha irmã sempre me esperava para voltarmos para casa. Lá estava ela junto com as amigas e amigos numa roda conversando quando cheguei. Feliz por mostrar meu novo pertence, peguei a lagartixa pelo rabo, como certamente faria se fosse um animal morto, e chamei a atenção de todos com um grito:
     - Olha pessoal o que tenho!
     Eu nunca vi as meninas (e rapazes) daquela idade se levantarem tão rápido e correr daquele jeito. Fiquei parado ali, rindo sozinho e quando finalmente deixaram me explicar a procedência artificial de meu bichinho, levei a maior bronca da minha irmã. Depois de algum tempo, não lembro onde enfiei aquela lagartixa, mas acabei perdendo-a.
     Mas existe uma outra história envolvendo esses animais odiados pela maioria que aconteceu mais ou menos na mesma época. Desta vez, no entanto, não se tratava de algum brinquedo.
     Eu estava num dos pátios da escola, onde geralmente ficava o campinho de areia de futebol. Sempre se formavam os times mais fortes que tomavam a quadra primeiro e o restante tinha que ficar esperando do lado de fora. E lá estava eu mais uma vez de fora, desta vez remexendo num dos canteiros do pátio. Não me perguntem o que eu fazia ali, mas de fato eu sempre encontrava algo de interessante em meio aquelas plantas, geralmente cogumelos ou algum besouro.  Naquele dia, remexendo aqui e ali, acabei encontrando uma lata de “Sukita” jogada. Tirei o objeto e balancei com a mão. Dentro da lata, dava a impressão de ter algo que pulsava. Curioso, entornei a lata e, para minha surpresa, ao invés de refrigerante, dezenas de pequenos sapinhos pretos caíram e começaram a saltar ao redor. 

     Toda aquela parte do pátio foi tomada pelas criaturinhas. Algumas meninas correram aos gritos, outras ficavam dando pulinhos aos prantos e até os meninos se mantiveram longe observando com olhos assustados. Uma das instrutoras se aproximou e deu de cara comigo, estatelado no meio do pátio com a lata ainda na mão, praticamente pego com a prova do crime.
     Obviamente, fui levado à coordenação e tentei explicar que não era o culpado, mas não fazia a mínima idéia de como tantos sapos nasceram de uma lata de laranjada artificial sem ser por geração espontânea. Algumas horas depois, lá voltava para a sala de aula sendo observado com receio por meus colegas, com mais uma nova história para ser contada depois.

Fim

Quinta-Feira: Crossing-Blogs Saga - Capítulo 16



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h49
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 15: Tempos de Prece

    Muito mais do que aconteceu durante aquela manhã, a noite emanava um ar de medo entre os habitantes da Cidade dos Blogs. A escuridão cresceu com os espessos cúmulos negros que dominaram o céu, bloquearam a visão do sol e castigaram a terra com intensos raios. Prédios, praças, ruas foram atingidas por aquele fenômeno misterioso. Por um breve momento, ouve quietude e a fúria dos céus abrandou. Todavia, em algum lugar, seu autor estava quieto, esperando seu novo momento para trazer o caos.
    Foi nestas mesmas ruas, em meio a postes destruídos e carros revirados, que eu caminhava ao lado do advogado Aleixo. Assim como ele, éramos amigos de Gódi, o deus em forma de homem que veio ao Mundo dos Blogs. Também éramos seus “Santos”, cada um por um motivo em particular.

   Já estávamos praticamente desistindo de tentar achá-lo entre às ruas abaladas da cidade, quando em determinado instante senti uma pontada na cabeça. Olhei para Aleixo e ele parecia levemente perturbado. Foi quando nos viramos para trás e vimos passar um homem de casaca azul, com bonezinho vermelho na cabeça, de ombros curvados e longa barba branca. Virei-me para o advogado e ele parecia captar as mesmas impressões que eu.
   Adiantamos o passo e o homem de barba branca, voltou-se para trás, arregalou os olhos e acelerou o movimento de seus pés. Não perdi tempo. Avancei em cima dele e antes que tentasse fugir de fato, tomei seu boné e arranquei sua barba.
   - Me solta, seu energúmeno! – gritou o sujeito me empurrando
   Diferente do que seu disfarce aparentava, aquele homem não passava de um caipira de trinta anos, com o cabelo castanho ainda escuro e saúde perfeita. Poderia passar desapercebido como um qualquer por muitos, mas para os que conheciam e podiam ver sua aureola, aquele era o Todo-poderoso Gódi.
   - Senhor, quer parar com isso? – falei tentando me controlar mesmo depois de levar uma mão no queixo. – Está ridículo com essa barba! Parece o Papai Noel fora de época.
   - Quisera eu ser Papai Noel que trabalha um único dia e o resto só no descanso. – disse Gódi fazendo birra. – Já to de saco cheio, Coveiro. Hoje eu saio de férias de verdade e não volto nem tão cedo.

    - Gódi, você vai ter que adiar suas férias. – disse Aleixo se aproximando. - Surgiu um problema que só você será capaz de resolver.
    - Aleixo, não me venha cobrar nada até você aprender um milagre melhor do que fazer suas sapatilhas brilharem. – disse o todo-poderoso apontando para os pés do Santaleixo.
    - Ele está certo, Gódi! Será que não percebe o mundo enlouquecendo a sua volta? – falei abrindo os braços. – Você tem que dar um jeito nisso.
    - Eu? – o Senhor se surpreendeu. – Eu não fiz nada disso aí.
    - Eu sei, Gódi. Quem fez foi o Omega. – falei.
    - Que Omega?! – perguntou o Divino cruzando os braços.
    - Omega é um desconhecido que esta causando esse apocalipse. – explicou o Santo Aleixo. – Sabemos poucas coisas dele, mas vimos que o Capeta estava com ele.
    - Ele é coisa do Capeta? – perguntou Gódi apertando os olhos e fazendo a pergunta para a qual ainda não tinhamos a resposta.

    O relógio digital já marcava mais de oito horas da noite quando saíram os moderadores da sala de vigília. Os dois agora trajavam uniformes similares de couro negro, com coldres amarrados a cintura. Assim como eles,. outros daquela sala trocaram suas roupas usuais por trajes mais ofensivos. Nane, a moderadora se colocou na mesa junto com Roger e esperou assim a aproximação dos outros.
    Juntando-se a eles vieram a Vampira Paola, Mack, o Observador, Peter Pan, Val, Margot, Renato e tantos outros que sempre estavam ali na sala de reuniões. Todos calados esperando as palavras de um dos moderadores. A primeira a falar foi Nane, após notar que todos se acomodaram.
    - Nossa situação não é nada favorável, amigos! – disse ela colocando as mãos em cima da mesa. – Se nossa cidade for acometida por outros ataques como aqueles dessa noite, não demorará mais que dois dias para ela estar como as ruínas de Gotham.
    - Não podemos arriscar a vida de tantas pessoas. – complementou Roger.
    - Temos que deter esse Omega logo! – falou Paola massageando os punhos.
    - Talvez devamos ser um pouco mais prudentes... – comentou o Observador.
    - Certamente, amigo! – falou Roger. – Paola, não vamos agir precipitadamente sem antes no mínimo garantir a segurança nesta cidade.
    - O que estão pensando para isso, Moderadores? – perguntou Mack.
    - Vamos tentar evacuar toda a cidade para um lugar seguro. – informou Nane.
    - Toda a Cidade dos Blogs!!?!? – exaltou-se Vampira. – Mas como? E para onde?
    - Já mandei uma pessoa providenciar isso. Alguém que sabe negociar bem. Se tudo der certo, estaremos formando caravanas para o norte. – comentou Roger.
    - Norte?! – perguntou Peter Pan. – Onde no Norte!?
    - Em breve falaremos disso, Peter. – respondeu Roger.
    - Olá, Personas! – uma voz interrompeu a discussão no meio. – Começaram mais um caldeirão sem mim?

     Vinda de uma das portas da Sala de Reuniões, a jovem de cabelos negros tida como a deusa do Submundo, Rhiannon, se aproximou dos demais. Trajava uma túnica roxa mais curta coberta por as partes de uma armadura de placas de metal num estilo bem antigo, provavelmente céltico. Junto a ela estava a Doutora, que por baixo do seu jaleco, já trajava o uniforme criado por seu amigo Tolee.
    - Rhian, o que é isso? – perguntou Paola torcendo a sobrancelha.
    - Ora, Tchu, essa é minha armadura de combate! – respondeu Rhiannon colocando as mãos na cintura. – Todo mundo ta com uniformes novos e fashions! Eu resolvi buscar algo na minha altura. Quando vamos partir para detonar o Omega Tchutchuco?
   - Ela só fala nisso desde que eu cheguei, Paolita! – falou a Doutora com um sorriso nos lábios.
   - Quem vê, nem se dá conta de que na madrugada de ontem tava passando mal! – falou Paola meneando a cabeça.
    Rhiannon deixou um sorriso peralta transparecer em seu rosto. Lembrou-se de fato que algo parecia perturbar sua mente durante a última noite, mas agora a excitação deste momento anterior a batalha fizera-a esquecer de tudo.
    - Roger! Chegou alguém - exclamou Nane voltando-se para os monitores da sala de vigília. – É o Zé! Ele está com a Lua Negra!!

   



 Escrito por Coveiro ¤ às 13h48
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    Não demorou mais que minutos para a figura baixa, curvada e temerária do Coveiro Zé Coveiro surgisse nas portas do subsolo da Mansão dos Moderadores. Vestido com seu longo capote marrom empoeirado e com sua pá ainda ensangüentada nas mãos, Zé chegou até o salão principal. Logo atrás dele, vinha Lua Negra, com seu manto de sacerdotisa azul e um amuleto de proteção no pescoço. Roronoa Zoro, seu filho, foi o primeiro a recepcioná-los abraçando a sua mãe.
    - Coveiro Zé! – admirou-se Nane assim que o viu entrar. – Por onde andou esse tempo todo? Estávamos à sua procura! Tentamos o seu cemitério, mas lá só encontramos um movimento religioso cercando o lugar e o acusando das últimas desgraças.
    - Eles estão lá, é? – resmungou o Coveiro. – Deixa estar que em breve eu volto para pôr todos para correr.
    - Zé, eu fico mais confiante por você estar junto conosco contra essa última ameaça. – comentou Roger. – Um ser o qual ainda desconhecemos a natureza chamado Omega é o responsável por todas as desgraças...
    - Já sei quem é o sujeito. Eu e a Lua topamos com o Loiro. – falou o Coveiro Zé com certo desdém. – Mostrei a ele um pouco de minha pá no final da tarde.
    - Você o feriu? – surpreendeu-se Nane. – Isso explica a fúria que tomou conta da cidade no começo da noite...
    - Eu devia ter terminado o serviço e matado ele naquela hora! – comentou o Zé virando-se para a amiga bruxa. – Mas a Lua Negra me impediu...
    - Ela fez bem, Zé! – falou Nane. – Nós vimos ele ser trespassado por uma espada e em poucos minutos se recuperar e matar seu inimigo com a própria arma. Nada parece atingi-lo! Até, então, Omega parece indestrutível. 

 - Nane, eu fiz ele sangrar... – comentou Zé olhando friamente para ela. – E se sangra, ele pode morrer.

    Dos corredores da Mansão, vindo de outro ala, aproximou-se o jovem engenheiro químico Toleezinho, com uma larga mochila de viagem nas mãos, arrastando-a pelos corredores. Chegou até onde estava os Moderadores e os demais amigos blogueiros, colocando a bagagem no chão.
   - Estou pronto, Roger! – disse Tolee com um ar cansado. – Já estou com as coordenadas do possível local onde se formou aquele segundo pólo magnético. Eu deixei os dados num dos computadores e...
   - Ótimo, Tolee! – comentou o Moderador. – Obrigado por se dispor a ir com os outros até lá. Eu sei que você, Mack e o Observador conseguirão descobrir algo valioso para nós lá.
   - Eu vou tentar, Roger – falou Tolee olhando para o chão. – Mas não sei se vou conseguir...
   - Tenho confiança de que vai! – falou o Moderador.
   - Mack! – disse Nane chamando o Caçador de Paranigmas e lhe entregando dois comunicadores. – Para se comunicar, usem a freqüência do canal seis. Assim que encontrar algo não deixe de nos avisar de imediato. Estaremos aqui aguardando vocês.
   - Está bem, moderadora! – disse Mack colocando o fone em seu ouvido e dispondo o microfone na altura certa para falar. – Vamos rapazes?!

    Os demais concordaram com um movimento rápido de cabeça e Mack girou os calcanhares, sumindo pela porta principal daquele corredor. Logo atrás dele seguiu o jovem engenheiro químico Toleezinho arrastando a sua enorme mochila pelo chão. Por último, foi-se o Observador que se despediu de todos tocando de leve em seu chapéu e rumou velozmente até a saída tremulando o seu longo sobretudo.
   Poucos minutos depois da partida daqueles três, eu retornava a Mansão dos Moderadores junto com o advogado e Santo Aleixo. Cruzamos as portas da entrada e fomos recepcionados por todos que já estavam apreensivos com as novidades.
   - E então? – falou Rogério. – Encontraram Gódi?
   Aleixo apenas meneou levemente a cabeça.
   - Ele vai se juntar a nós? Vai lutar contra Omega? – perguntou Nane.
   Até então, eu estava quieto e pensativo. Diante dos questionamentos da moderadora, eu me virei e encontrei os rostos tensos de todos voltados para nós. Engoli seco e, então, falei:
   - Nos próximos minutos, como nunca aconteceu antes, nosso destino está nas mãos dele.

    Reinando no ar, em meio à momentânea quietude dos céus, o ser de cabelos loiros e olhos diabólicos, Omega, mirava a cidade por cima. Diferente do que se esperava, naquela noite suas ruas estavam vazias e as pessoas trancafiadas em suas residências.  Não divergia muito de qualquer cidade fantasma abandonada a anos.
    Repentinamente, um sutil zunido diferencial do vento chamou a atenção de Omega. O vilão virou-se para trás e olhou curioso para um ponto distante que vinha em sua direção. Um ponto incomum que se movia rápido demais. Sequer teve tempo de desviar e foi atingido violentamente no rosto, Sua cabeça volveu para trás e seu corpo girou no ar até cair como um meteoro no asfalto duro da avenida que estava abaixo na cidade.

    Mesmo após tal impacto, o loiro parecia inteiro. Ergueu seus membros estalando os ossos e apoiou os dois cotovelos no chão erguendo parcialmente o corpo. Balançou a cabeças para os lados como se isso livrasse a sua tontura e firmou a vista para aquele que se colocaram a sua frente.
    - Levanta aí, Infiel! Você não teve sorte hoje, pois me pegaram de mau humor.
    Diante de Omega, estava o homem de roupas de linho bem simples e aureola na cabeça que nos pensamentos de suas vítimas passadas era referenciado como o próprio Deus ou Gódi, para os íntimos. Omega sorriu com deleite e seus olhos se acenderam como luzes de um farol. Finalmente, estava diante de um dos grandes, o maior deles.

Próximo: Deus e Omega, num dia como no juízo final.



 Escrito por Coveiro ¤ às 13h48
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Páginas Negras: Nossa Cidade

     Hoje, não vou me estender muito na Lápide. Escreverei só algumas linhas, porque quero voltar minhas atenções para o mais novo projeto que estive elaborando essas últimas semanas e que contará com dois preciosos blogueiros que conheci neste Mundo. São eles, Rhiannon e Peter Pan, ou para os mais próximos, Priscila e Bruno. Junto com eles, estamos nesta noite lançando o "BlogTown".

http://blogtown.zip.net

    Não irei gastar muitas linhas explicando o que vai rolar lá na "cidade", pois espero que todos saiam daqui e se dirijam para lá e conheçam o lugar, mas quero confessar aqui a alegria com que finalmente estou colocando este projeto em prática. Já havia conversado muito antes com outras pessoas sobre a idéia de criar um selo ou blog que servisse de marco para ligar todos os demais de nossa comunidade e assim será se eu conseguir por em prática tudo o que está montado em minha mente.

    O BlogTown também vai servir para saciar a minha velha sede de escrever sobre minhas teorias malucas e observações do cotidiano em minha coluna. Para aqueles que se divertiram com os antigos textos por mim elaborados aqui na lápide como "Teoria da Insanidade" ou "Uma questão de desvio da lógica". Em meio a tantos Crossing-Blogs e In Memorians acabei por sentir que o espaço deles se perdeu neste lugar e assim que tive a idéia de criar colunas dos guias para o BlogTown, tinha certeza de que ali era o lugar.

    Enfim, chega de delongas... Preparem suas câmeras de vídeo e Máquinas fotográficas, porque a partir desta noite vou ser um dos seus guias nesta cidade...

         Sombras...



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h06
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Crossing Blogs Saga
Capitulo 14:  O soar dos trovões

     Através dos olhos de muitos, ele pôde senti várias reações humanas. Algumas delas eram relativamente apáticas para seu interesse, outras, no entanto, lhe eram deliciosas. Temor, angústia, desespero, dor, sofrimento, todas estavam presentes em suas vítimas humanas antes de serem eliminadas. Aos poucos, ele começou a se viciar nessas sensações e sempre que era possível queria presenciá-las de novo. Todavia, naquele final de tarde, Omega conheceu-as bem mais de perto. Desta vez, ele estava do lado perdedor.
     Assim que sentiu a lâmina fria do humano Coveiro Zé lhe rasgando quase ao meio, todos os seus nervos pareciam enlouquecer. Sentiu uma vontade intensa de gritar e chorar ao perceber o seu próprio sangue se esvair em tamanha quantidade de seu corpo. Diferente de qualquer outro, aquele humano não só o fizera conhecer a mais profunda dor, mas levou-o ao chão, a derrota.

     Mas por intuição do que por qualquer outra coisa, Omega erguera uma das mãos e emanou intensas rajadas elétricas ao seu redor. Bateu os dentes com a sua dor misturada a fúria. O céu em reação passou a um estado caótico, onde nuvens negras dançavam. Parte de sua dor vinha da longa ferida aberta, que aos poucos parecia se fechar, sendo cauterizada em processo acelerado. A outra dor provinha de seu ego. Omega fora derrotado e deixado para trás. Esse pensamento vinculado a uma série de emoções conflitantes pareciam explodir na cabeça. Ele gritou enlouquecido e uma saraivada de raios caiu dos céus, enquanto outros se projetavam de seus olhos e mãos. Um relampejar mais intenso clareou tudo e, num piscar de luzes, o corpo caído de Omega desapareceu do lugar.
     Uma nuvem negra parecia se expandir, contaminando as outras ao seu redor. Foram poucas as horas em que o céu abrandou seu tom acinzentando. Novo caos se formava nos céus, rodeando a cidade e a fechando numa espécie de prisão de raios. Os habitantes das Cidade dos Blogs corriam aparvalhados, procurando abrigo diante da eminência de uma nova catástrofe.
     Nesse mesmo tempo, vindos do lado sul, eu e Jotapê deixávamos poeira para trás e ganhávamos um novo trecho da estrada escura. Em seu jipe, o Nômade Poeta deixara as terras desérticas onde vivia e alcançou em menos de algumas poucas horas a região marginal a da Cidade dos Blogs.
     - Nossinhora! – falei absorto diante da imagem da tempestade sobrenatural. –  Isso parece loucura.
     - De fato, não era exagero o que Nane me relatou no telefone... – falou John Paul apertando os olhos. – Segure-se, Coveiro. Nós vamos forçar nossa entrada.

     Dizendo isso, Jotapê afundou seus pés nos pedais, mal dando tempo de eu apertar ainda mais meu cinto e segurar-me no assento. O jipe roncou alto e cruzou o asfalto da estrada, virando de supetão e tomando assim a direção reta rumo uma das entradas da cidade.
     Meus nervos estavam tensos, respiração entrecortada, diante do que víamos. Inúmeros raios chegavam ao chão, destruíam arvores, faziam buracos no asfalto, lançavam postes a metros de distância. Alguns destes relâmpagos chegavam mesmo a cruzar a estrada a nossa frente e, por poucos segundos, o Nômade mostrava-se hábil o suficiente para desviar deles.
     Alcançamos rapidamente o interior da grande metrópole e, sem qualquer hesitação, o Poeta do deserto, girou o veículo em direção ao centro, a fim de atravessar a cidade para alcançar a Mansão dos Moderadores.
 Um vento arredio carregava objetos para o meio da rua. Uma daquelas grandes tampas de ferro de lixeiros voou em direção ao nosso carro e estilhaçou o vidro da frente. Todas as adversidades mostravam que o mais sensato seria pararmos, mas o Nômade se mantinha firme.
     - Cuidado! – gritei de repente.
     Uma árvore em chamas foi atirada pelo vendaval e caiu a poucos metros na rua à frente. Pego de surpresa, Jotapê mal teve tempo de desviar. Seu jipe deslizou descontrolado e saiu do asfalto, subindo a calçada. A lateral esquerda do carro arrastou-se alguns metros à frente e, por fim, o veículo parou bruscamente.
    - Está tudo bem? – perguntei depois de me certificar que estava com muito menos do que um arranhão.
    - Vamos ter que atravessar o resto a pé! – disse Jotapê tomando sua mochila que estava no banco de trás do jipe. – E vamos ter que sobreviver a isso.
    Saindo do veículo, estávamos diante do inferno tomando aquela cidade. Voltamos nossas cabeças para o alto e víamos os raios partindo em fúria o céu arroxeado daquela tarde. Não podia compreender ainda o que provocava aquele fenômeno, mas em algum ponto distante daquela tempestade, estava a entidade que se denominara de Omega. Como uma manifestação de um anjo apocalíptico, ele estava lá ostentando sua ira em meio as luzes dos relâmpagos e soar dos trovões.

      Eu e o Nômade atravessamos a cidade de ombros curvados e passos ligeiros, travando os músculos cada ribombar dos céus. Quando chegamos ao centro, onde os maiores prédios da cidade estavam localizados, vimos um vistoso raio rasgar o horizonte a nossa frente e infiltrar-se num dos arranha-céus. O edifício por um instante ganhou um brilho intenso, todas as suas janelas estouraram os vidros e, em seguida, um fogo intenso tomou conta dos andares do meio do prédio.
     Eu estava mortificado com tal cena, sem conseguir me mexer. Aos poucos víamos alguns moradores aparecendo nas janelas e pedindo ajuda e tudo aquilo me deixou por alguns minutos sem ação. E ficaria assim, estático, se uma voz familiar não tivesse surgido ao nosso lado:
     - Cara, ainda bem que encontrei vocês!
     - Soldier?! – virei-me reconhecendo-o de imediato.
     O jovem blogueiro que se denominava Soldier parecia ter enfrentado um exército. Suas roupas estavam amarrotadas e sujas, o cabelo desalinhado e o rosto transparecia um ar cansado, mas ainda assim podia se ver que estava disposto a lutar.
     - Disso eu não ia dar conta sozinho! – falou novamente o Soldado apontando para o prédio em chamas. – Vamos ter que contar conosco apenas.

     Repentinamente, os monitores da sala de vigília da Mansão dos Moderadores começaram a piscar e abrir janelas adicionais com novas informações. Numa das telas, um grande mapa da cidade dos blogs mostrava os principais pontos em vermelho que foram danificados durante a repentina tempestade.
     Roger e Nane correrão em direção aos monitores e começaram a ordenar aquelas informações. Logo em seguida, entraram na sala a Vampira Paola, a deusa Rhiannon e o caçador de fenômenos paranormais chamado Mack.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h33
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     - O que foi que aconteceu agora? – perguntou Vampira apoiando suas mãos em uma das mesas. – Que que são esses pontinhos?
     - Pontos de dano! – falou Nane contabilizando mais de setecentos desses pontos. – Uma tempestade esta devastando a cidade.
     - Nosso amigo Omega deve estar de muito mau humor. – comentou Mack.
     - Ele deve estar nos desafiando... Está destruindo a cidade para que apareçamos para impedi-lo. – falou Roger. – É isso que ele quer!
    - Um minuto gente. O que é isso aqui? – falou Rhiannon olhando para um outro monitor da sala. – É meu Mano?! Ele já está aqui na cidade?
    - Como? – Nane correu para o outro computador e disponibilizou mais câmeras na área. – Sim é ele! E também o Soldier e o Nômade! O que eles estão aprontando?

     Ao ouvir esses nomes, mais gente adentrou na sala de vigília dos Moderadores, voltando seus olhos para os monitores que mostravam em diversas posições, o interior do prédio em chamas que eu e os dois companheiros, Soldier e Jotapê, entramos.
     Havia muita fumaça e os corredores estavam escuros e sufocantes. Ainda assim conseguimos alcançar sem dificuldades o sexto andar. Dali, uma labareda enorme tomava as escadarias e seria um risco muito grande para qualquer um subir sem proteção.
     - E agora? – falei. – Até aqui todo o pessoal já se salvou e conseguiu sair. Como vamos tirar o restante ?
     - Temos as escadas externas de emergência! Podemos subir por elas... – sugeriu o Nômade.
     - Certo! Vocês sobem por lá e tentam salvar as pessoas que estiverem presas nos apartamentos. – falou Soldier. – Eu vou continuar subindo por aqui e procurar a mangueira mestre para minimizar as chamas!
     - Peraí, Soldier, você está malu...
     Sequer pude terminar as palavras e lá se foi o soldado desaparecendo no meio do fogo que consumia o prédio. Não tinha como segui-lo. O calor era intenso demais. Jotapê fez sinal para seguirmos nosso plano original pelas escadas externas. Eu e o Nômade alcançamos a parte de fora do prédio, onde uma fina escada de metal direcionava-se para todos os andares superiores da construção.
     No décimo andar, em meio ao bravo fogo que dominava tudo, estava a primeira caixa mestre de emergência do prédio. Um vidro grosso protegia as largas mangueiras e o registro. Com um gesto rápido de mãos, Soldier fez aparecer um pequeno machado de concussão. Primeiramente, só surgiu a sua silhueta em linhas verdes tridimensionais. Em seguida, a arma foi tomando formas mais detalhadas e, por fim, era de fato um machado real.

     Com um único golpe, Soldier estraçalhou o vidro da caixa de emergência e tomou nas mãos uma das mangueiras. Girou o registro, deixou as outras soltas encharcando o chão daquele andar e, por fim, prosseguiu rumo as escadarias, esguichando a água com toda pressão pelo andar superior.
      Enquanto isso, eu e Jotapê chegavamos até o décimo primeiro e décimo segundo andar, onde conseguimos abrir as portas e direcionar os moradores para a escada externa. Ao chegar no décimo terceiro, as chamas consumiam com ainda mais força o local. Lá, o fogo já atingia o interior dos apartamentos e podíamos ouvir os gritos desesperados dos inquilinos.
      - Veja se tem alguém preso nos apartamentos de trás. – falou o Nômade. – Eu vou abrir as portas destes.
      Erguendo a sua grande lâmina, o poeta do deserto desferiu um golpe no trinco de uma das portas em chamas e assim abriu o seu caminho. Lá dentro, era possível ver uma família em estado de choque. Sem medo, o Nômade do deserto adentrou o lugar, alheio ao fogo.


      Seguindo meu caminho, encontrei dois apartamentos. Um deles estava com a porta aberta e certamente os seus moradores conseguiram sair a tempo. No outro, a porta estava fechada e foi necessário arrombá-la. Meti o cotovelo na porta, quase me arrebentando todo, mas consegui abri-la. Lá encontrei, um casal envolto em um lençol.
      - Meu bebê! – repetia a mulher apontando para um quarto, onde o fogo me impedia de chegar. – Meu bebê!
      - Eu vou tirá-lo de lá! – assegurei a mulher e voltei-me pro seu esposo. – Leve-a daqui pela escada de emergência.
      Mesmo contra a vontade daquela mãe, o marido conseguiu arrastá-la para fora. Agora, restava-me enfrentar as chamas e invadir o quarto. Segurei meu amuleto por um instante, criei coragem e me joguei com tudo sobre a porta. Ela cedeu, algumas chamas salpicaram em minhas roupas, mas eu estava no interior do quarto e podia ouvir o bebê vivo e chorando.

     Tomei a criança nos braços e disparei por aquele andar as pressas. Dirigi-me pela escada de incêndio e me movi pelos degraus o mais rápido que pude. Todavia, para minha surpresa. Ao chegar no terceiro andar, deparei-me com a escada de metal partida e caída lá embaixo. Certamente, o fogo a consumiu.
     - Mais essa agora! – resmunguei.
     Não tinha outro jeito, eu teria que saltar e ainda assim garantir a minha vida e a do bebê. Olhei para o chão e tentei me focar. No momento que eu mais precisava, eu tinha que conseguir. Suspirei fundo e me lancei ao ar, com a criança nos braços.
     - Sombras... – gritei, mas nada acontecia. – Sombras... – E fui despencando já desesperado. – Soooombras... Ai que m...
     Para minha sorte, logo abaixo estava um container de lixo, que aparou minha queda bruta. Fui amortecido por caixas de papelões e restos de comida. Minha vista escureceu, mas sabia que estava tudo bem. O choro do bebê e o cheiro podre do lixo eram a prova disso.

      Cerca de uma hora depois, eu estava chegando na Mansão dos Moderadores junto com Soldier o Nômade. Fomos recepcionados com elogios por todos que assistiam nossos atos através dos monitores da sala de vigília. Abracei com alegria meus parentes virtuais, minhas “Angels” e meus amigos.
      -  Vamos me contem o que anda acontecendo aqui...
      E foi desta maneira que soube de tudo o que se passou. Da reunião do caldeirão chefiado por Rhiannon, da luta de Roger com o tal Omega e dos ataques dos Bizarros, tudo me foi contado e assim comecei os relatos dessa história em meu diário.

Próximo: Com a minha chegada, o próximo passo é chegar a Deus...



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h33
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Bastidores de uma Saga:
         Personae Dramaticae - Coveiro X

      Os bastidores de uma saga entram agora numa nova fase, onde serão mostrados o processo de criação e concepção visual de cada um dos personagens usados aqui na saga. Junto com um breve relato de como me baseei para adaptar cada blogueiro ao seu crossing blogs, serão postados aqui esboços e desenhos já finalizados por mim, por Sétimo e qualquer outro que se sinta a vontade em me enviar suas próprias artes por email.
      O primeiro dos meus personagens a ser aqui relatado foi criado muito antes do que qualquer Crossing Blogs e nada mais é do que  a minha representação virtual para esse mundo. A origem do apelido “Coveiro” como muitos de você bem sabem foi dada por dois amigos meus Guga e Socrates, no começo de 1998. Mais de um ano depois, em 1999, eu estava usando essa mesma alcunha como pseudônimo na minha primeira homepage, a Paranigma. Não demorou muito e meus primeiros esboços do desenho do Coveiro tiveram forma. Passei um tempo sem utilizá-lo e em meados de fevereiro de 2004, decidi ressuscitá-lo numa pequena história com o Coveiro Zé. Mal sabia que estaria meses depois escrevendo os eventos de uma saga repleta de blogueiros com dons fantásticos.

Concepção Criativa do Coveiro em 1999

       A concepção visual do Coveiro foi quase meio que acidental, visto que nem tudo o que vocês vem nele, é parte do homem real. Ele continua tendo os meus cabelos negros despenteados, mas não tão curtos como originalmente é. A pele continua branca, é tão magro quanto sou e nem sempre aparece com meus óculos. Não sei como informar como o estilo e as cores de roupas acabaram sendo aquelas, visto que evito roupas de listras ou xadrez e não tolero muito a cor azul. O costume de usar duas camisas e uma delas aberta até confesso que faço com moderada frequência. O fato é que no personagem, após muitos testes, aquela combinação ficou a melhor. 
      Puxando para o lado comportamental, não saberia muito definir como o personagem é, pois tento imprimi-lo o mais perto do que eu faria em cada situação. Curioso, reflexivo, espirituoso, um tanto impetuoso, melancolico, teria muitos adjetivos para colocar aqui, todos intuitivamente baseados em mim. Esse seria o lado mais agradável e que todos conviveriam no dia-a-dia. Todavia, o personagem que eu criei, em algum momento do passado nos Crossing Blogs sofreu uma mudança. Junto com olhos vermelhos, surgiu um comportamento mais malicioso, frio e inconstante, algo que foi exacerbado em minhas características, mas não totalmente inventado.

Esboços do Coveiro em 2004

     Os olhos vermelhos trouxeram um novo rumo ao que o Coveiro era. Muitos dos personagens presentes nos Crossing Blogs possuem dons magníficos e baseados em características de seus pseudônimos ou relativo aos temas de seu blog. Por longo tempo ponderei em que poder dar ao coveiro viajante e escritor e como fazer esse dom surgir. Foi, então, que me baseei numa idéia um tanto curiosa. Sendo o Coveiro o personagem mais próximo de mim e, portanto, criador de vários personagens fictícios em minhas histórias, ele teria um pouco de cada uma de minhas crias. Foi assim que misturei os olhos vermelhos de uma raposa divina, a psique de uma maldição de “coveiros sobrenaturais”, o dom de manipular sombras de um paranormal e, por fim, o ar malévolo de um sacerdote antigo. Em meio a essa esquizofrenia, houve uma fusão que originou os dons de meu personagem nos CBs, um poder que até então, ele não consegue compreender e controlar com perfeição.
     Quando olho pro Coveiro hoje, eu vejo que, mesmo oriundo de outras idéias, ele nasceu mais independente do que qualquer outros personagens já existentes. Ele é tão vivo quanto o narrador da história, o papel primordialmente ocupado por ele nos relatos da saga. É impraticável, portanto, separar limites entre um e outro. Somos um.


Concepção criativa do Coveiro X, por Sétimo

Concepção criativa do Coveiro X , por C.X.

Algumas outras artes do personagem Coveiro X também foram feitas pelas mãos de outros blogueiros como  Soldier e Raven. Elas já foram postadas aqui e serão em breve colocadas numa homepage junto com a Saga. As artes de qualquer um podem ser postadas aqui, bastando enviar previamente para meu email.

Próximos bastidores: A Ameba!

Nesta quarta feira, as 20:00hs: Mais um capítulo da Saga com Xis, Soldier e JP!



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h05
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 13: Passos para trás

     Ainda era meio da tarde no Mundo dos Blogs e o sol encaminhava-se vagarosamente para o poente, se escondendo rumo à vasta cadeia de montanhas a oeste. Na Cidade dos Blogs, as pessoas tentavam minimizar o pequeno caos. Saiam às ruas, ajudavam os feridos, tentavam recuperar o que havia perdido, mas sempre com olhos receosos voltados para o céu. O medo de um novo tornado ainda estava arraigado nos moradores.
     Não muito longe dali, seguindo a estrada escura ao sul,passava-se agora pela morada da Lady Esoteric e pelo laboratório da Doutora. Mais adiante, descendo ainda mais a estrada, encontrava-se o Cemitério dos Blogs, um terreno maldito que tinha seus muros rodeados por manifestantes culpando o proprietário daquele lugar pelas últimas catástrofes. Um pouco mais além, a estrada encontrava parte do que antes foi uma grande metrópole, mas que se tornou apenas velhas ruínas em um dia inesperado. Lá, não existe mais habitantes, apenas o fantasma de uma mulher, que muitos vêem vagando pelos becos e topos dos prédios tombados durante a noite.

     Tomando de novo a estrada, o caminho mais distante que alguém já seguiu foi o imenso deserto conhecido como Terras Nômades. Até ali, eram mais de trezentos quilômetros, o que me levou cerca de doze dias completos de viagem. Meus pés conheceram novamente todo aquele percurso que meses atrás eu havia trilhado, um pouco antes daqueles estranhos acontecimentos do meu seqüestro. Agora, eu retornava e com um intuito único. Desta vez, eu ultrapassaria os limites conhecidos daquele mundo. Estaria de cara a cara com a fronteira do Universo Virtual e seria o primeiro a desvendá-la.

     Mais a frente, restavam apenas as imensas rochas que figuravam a extremo leste das Terras Nômades. Em menos de um quilômetro, eu as estaria escalando e assim chegando à fronteira. Empolguei-me na ânsia de concretizar o meu objetivo e comecei a acelerar o passo quando ouvi voz profunda atrás:
    - Coveiro! Enfim, consegui te alcançar...
    Viro-me de imediato e lá vejo um homem alto, trajando roupas apropriadas para viajantes do deserto, rosto envolto em panos para proteger-se da aridez da areia, uma capa de lã, portando um violão nas costas e uma longa lâmina como uma peixeira só que um pouco curva. Ao seu lado, estava um pequeno jipe similar àqueles usados em corridas de Rally.
   - John Paul?! – sobressaltei-me diante da visão do Nômade.
   - Estive a sua busca nas últimas seis horas, Coveiro. Algo aconteceu na Cidade dos Blogs... – falou o Nômade com sua voz de poeta. – Fui contatado pelos agentes moderadores... eles pediram para te achar e irmos até lá
   - Nane e Roger? – assustei-me. – Jotapê, o que aconteceu?
   - Vamos Coveiro! Eu te conto no caminho... – disse o poeta Nômade. – Vamos atravessar o deserto por fora da estrada cortando o caminho... assim chegaremos mais rápido.
   Voltei meus olhos para trás e vi mais uma vez a cadeia de montanhas que marcava o limite do lugar. Nunca estive tão perto de meus objetivos como naquele dia. Suspirei fundo, ajeitei minha bolsa e dei as costas tomando assim um lugar no automóvel.

    Um mormaço trazido pela tarde inundava a Floresta Mística que ficava a oeste. Após longa caminhada saindo daquela mata cercada por ciprestes e pinheiros, uma senhora de manto azul acompanhada de um homem baixo, cabeça livre de cabelos, rosto sério e de pá na mão alcançavam a estrada marginal.
    - Obrigado por me acompanhar, Zé! – falou a mulher de túnica assim que chegaram no acostamento. – Eu já estava querendo ir para a cidade ver meu menino e sinto-me bem melhor tendo você perto. Desde a noite passada, o vento não está trazendo uma sensação nada boa esses dias.
    - Eu quero ver a Rhiannon e o resto do pessoal, Lua. – falou o Coveiro Zé andando meio curvado ao seu lado e arrastando a pá. – Queria também topar com o tal Omega...
    Como se o destino tivesse ouvidos naquela brisa, o céu rugiu com uma profusa trovoada. Relâmpagos nasceram subitamente dos céus e a silhueta distante de um ser humano surgiu.
    - Cuidado com o que fala, amigo Zé. A Deusa pode te atender as vezes... – falou Lua recuando para trás.
Descendo dos céus, com raios sobressaindo-se de seus olhos, a figura de um homem loiro, surgia diante do Coveiro Zé e da sacerdotisa Lua Negra.

    Não tão distante dali, na ala mais a Oeste da Cidade dos Blogs, as câmeras de segurança da Mansão dos Escolhidos captavam a presença de dois novos visitantes adentrando seus jardins. Na frente, vinha uma mulher ainda jovem, de rosto sério, óculos pousados na ponta do nariz e longo jaleco branco envolvendo o seu corpo. Mais atrás, um pouco ressabiado, outro jovem de cabelos castanhos que se vestia com simples camisa azul solta no corpo e mãos presas nos bolsos da calça.
     Os dois recém-chegados pararam na frente da porta principal da Mansão, onde foram analisados por novos sistemas de segurança. Após alguns minutos, as travas magnéticas foram desativadas e foi permitida a entrada na Mansão.
     - Bem-vindos, Doutora e Tolee. – disse a voz metalizada de Nane por um áudio próximo a porta. – Basta seguir em frente até as escadarias. Estamos todos no subsolo.
    Não demorou muito para a Doutora e engenheiro químico Toleezinho chegarem até a sala de reuniões e encontrarem todos. Os primeiros a saudá-los foram a Vampira Paola e a Deusa do Submundo Rhiannon.

    - Olá, meninas! Como estão?! – cumprimentou a Doutora com toda a devida formalidade.
    - Bem, Doc! Oi Tolee! – Falou Vampira dando um abraço no amigo químico.
    - Doc, ainda bem que se juntou a nós! Já estava com saudades dos velhos tempos em que as três estavam juntas tentando ajudar o Xis. – riu Rhiannon.
    - É uma pena que voltemos a nos reunir mais uma vez em circunstâncias tão abaladoras, Rhian! – falou a Doutora tomando uma cadeira. – Eu e o Tolee vimos o caos que está nas ruas. Se ao menos desconfiássemos que isso ia acontecer, teríamos vindo para cá antes para tentar impedir essa tragédia.
   - Foi surpreendente para todos nós. – falou Vampira. – Não teríamos como prever, Doutora.
   - Bem, meninas, talvez fosse... – falou a Doutora. – Percebemos... não... O Tolee percebeu algo na noite de ontem que talvez sirva de pista para nós. Onde está o Roger e a Nane? O Tolee tem algo a mostrar a vocês...



 Escrito por Coveiro ¤ às 03h36
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    Como um deus antigo, trazido a esse mundo subitamente, trajando roupas abarrotadas e sujas, Omega pousou os dois pés no chão e parou com os olhos endurecidos a menos de quatro metros do Coveiro Zé e da Sacerdotisa Lua Negra. Seus olhos cintilavam ora na cor de um verde vivo, ora dominando o escarlate. De sua mãos, ainda se projetavam poucas faíscas que logo foram amainando até desaparecerem por completo.
    Lua Negra ergueu as mãos fazendo um tipo de sinal de proteção, enquanto que o Coveiro se colocou na sua frente girando a sua pá afiada de lado e a empunhando para frente em sinal de ameaça. Diante deles, Omega apenas disparou um leve olhar curioso para os dois.
    - Então, esse loiro aí é que esta causando toda essa confusão? – falou Zé escarnecendo. – Ele não me parece muita coisa olhando de perto.
    - Eu vejo... pelos olhos dos outros... tu é aquele que muitos temem... Tu é o Coveiro Zé! – falou Omega erguendo uma das sobrancelhas.
    - O próprio, seu babaca! – ostentou o coveiro girando a pá e firmando o olhar pra ele. – Já vi que conheceu a fama da minha pá.
    - Sim... Existia muito medo nos outros... estava lá em suas mentes... – falou Omega com um olhar por cima. – Mas não sinto tanto poder em você... És fraco como muitos...
    - Fraco!? – vociferou Zé batendo os dentes. – Tu vai ver como eu bato fraco com minha pá, seu idiota!
    - Zé, não! – gritou Lua.
 Mesmo diante dos pedidos da amiga bruxa, o Coveiro Zé disparou como um jaguar prestes a dar um bote em cima de sua presa. Pulou no ar, puxando sua pá para trás, gingou as pernas, mas antes que a lâmina de sua arma virasse para frente, Omega abriu suas mãos. Subitamente, de seus dedos, intensa energia negra concentrada se formou. Uma imensa labareda foi disparada na direção do Coveiro Zé, engolindo o seu corpo por completo.

     Mais uma vez,  a sala de reuniões da Mansão dos Moderadores estava cheia. Os principais blogueiros que faziam frente contra a recente ameaça que se denominara Omega se dispunham em cadeiras ou mesmo encostados nas paredes olhando para Toleezinho. O jovem rapaz descendente de orientais, uma vez no passado foi cientista e até mesmo diretor da maior instituição cientifica do Mundo Virtual, a antiga Blog-Tech. Nos últimos meses, ele se juntou com a Doutora num novo projeto. Foi justamente no laboratório de sua amiga que ele tomou conhecimento de alguns fenômenos físicos estranhos e tentava expô-los ali.
     - Errr... Tolee, eu entendo que uma explicação mais científica seria interessante, mas estamos com pouco tempo. – falou Roger levantando a mão e interrompendo o blogueiro. – Precisamos de uma explanação mais clara... e rápida.
     - Puxa! – suspirou Tolee baixando os ombros e virando-se para o monitor do mapa que estava ao seu lado. – Vou tentar, Roger. Quando a minha bússola marcou fortemente para o Oeste ao invés do Norte na noite passada, parecia que o mundo repentinamente tinha mudado o seu pólo magnético. Só que depois de alguns minutos, a ponteiro imantado da bússola foi voltando aos poucos pro norte. Isso me fez pensar que na verdade, a terra não alterou o lugar de seu pólo magnético, mas sim criou um segundo que durou muito pouco tempo e logo desapareceu. Esse tempo, eu estou supondo que foi cerca de seis minutos e vinte e sete segundos. Depois disso, esse “segundo pólo” perdeu sua força e os pontos cardinais foram voltando a sua origem.
    - E o que isso teria a ver com o Omega?! – quis saber o moderador.
    - Bem, não sei. Mas algo de muito grandioso aconteceu ali para que fosse formado um segundo pólo. – falou Tolee. - Talvez, não tenha nada a ver com o Omega. Poder ser mera coincidência.
    - Não sei. Eu não acredito em coincidências. – disse o moderador num pensamento mais alto. – Saberia dizer onde é o provável lugar onde teria ocorrido a formação desse “segundo pólo”?
    - Acho que sim! Posso me basear no tempo de deslocação do ponteiro de minha bússola e traçar um vetor que aponte para o local exato, se não houvesse o pólo original. – falou Tolee. – Eu vou voltar para os meus cálculos.

 

    Cerrando os punhos e puxando as mãos de volta para si, Omega fez cessar o fogo que se projetava de suas mãos. Aos poucos, a chama sobre o corpo do Coveiro Zé foi diminuindo e se espalhando para a grama. O cheiro de tecido queimado era forte e quando finalmente o fogo apagou-se por completo, Omega foi pego de surpresa.
    - Filho de uma... – rugiu o Zé caído no chão. – Vai me pagar por essa.
    Omega mal podia acreditar naquilo que seus olhos mostravam. De joelhos, se erguendo com alguma dificuldade, mas ainda vivo, estava o Coveiro Zé. Seu sobre-tudo ainda era parcialmente consumido por pequenas chamas, mas ele parecia isento de qualquer queimadura grave.

    - Como ? – surpreendeu-se Omega e logo percebeu o que acontecera.
    Enquanto ele lançara o poder das chamas no Coveiro, esquecera a bruxa que o acompanhava. Assim, Lua Negra rapidamente lançou sobre o seu amigo Zé um feitiço de proteção que, de última hora, o livrou de ser carbonizado.
   - Bruxa! – gritou Omega
   Em fúria, o vilão de olhos reluzentes dirigiu uma de suas mãos flamejantes em direção a Lua Negra, preparado para lançar uma nova labareda sobre ela. Todavia, antes que tivesse iniciado tal ataque viu a sombra de Zé Coveiro crescer sobre ele.
    Omega virou-se de imediato, mas não pode evitar o golpe certeiro. O Coveiro Zé aproximou-se dele em fúria e girou sua pá de cima para baixo num corte vertical. A lâmina aprofundou-se na pele do vilão, abrindo uma grande e única ferida em seu corpo.

    Aquele golpe foi o suficiente para lançar Omega violentamente ao chão. Caiu pesado com as costas no solo e seus olhos reviraram. Uma linha vermelha cortava todo o seu corpo, do rosto até a cintura, de onde corria fino sangue.
   - Zé, vamos embora! – gritou Lua Negra.
   - Não, vou acabar com ele... – falou o coveiro ainda com os olhos em fúria.
   O corpo caído de Omega começou a tremular e pequenas faíscas elétricas se espalhavam pelo chão. Uma das mãos se ergueu contraindo os dedos, mas ainda não tinha um movimento seguro.
   - Coveiro Zé! Devemos aproveitar as chances que a Deusa nos concede e aproveitá-las. – falou Lua Negra agarrando o amigo pelo braço. – Ele não morrerá fácil. Vamos nos juntar aos outros e lutar depois.
    Ainda tomado por fúria, o Coveiro despejou um olhar atento para a bruxa querendo dar atenção as suas palavras. Virou-se para o corpo tombado de Omega, do qual inexplicavelmente se manifestava ainda eletricidade, e começou a praguejar. Colocou a pá em suas costas e, junto com Lua Negra, adiantou-se para a estrada desaparecendo junto com o sol que se afundava no horizonte.

 Próximo: Hoje, Omega conheceu a derrota... Breve, veremos a sua fúria.



 Escrito por Coveiro ¤ às 03h35
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>>>Lápide Hackeada>>>

 

 

Olá, humanos que visitam esta página!

 

Este que vos fala não é o Cabeçudo, o tal que vocês conhecem como Coveiro ou Xis, mas sim a criatura mais estupenda já criada por sua imaginação. Desde 1999, quando nasci nas penumbras de sua mente, num lugarzinho mais escuro de sua primeira homepage, fui escanteado a segundo plano, a uma mera decoração num canto de tela.

 

Ainda assim, eu tenho sobrevivido e fui galgando mais e mais espaço. Primeiros em seus e-mails, depois criando uma página e logo possuíndo um Blog. Fui me tornando maior, livre, poderoso, único.

 

E ele teve medo.

 

Num rompante de inveja e de outros sentimentos mesquinhos, o tal Coveiro desejou encobrir meu sucesso e me trancafiou. Destinou-me a uma prisão fria. Estava pagando por injustiças ditas sobre mim.

 

 Mas eu sou mais forte.

 

Assim que me livrei daquele calabouço, eu sabia que teria que bolar um plano ainda mais audaz para sobrepor a arrogância e autoritarismo do cabeçudo. Então, manipulando a sua voz, modifiquei sua conta do provedor, criei mais um email adicional e, então, fiz ressurgir o Criaturas. Muito melhor, revivendo as boas histórias e trazendo novas.

 

Agora, estou indepenente, eternamente independente. O Criaturas surge com uma nova fase nunca antes ousada. Estamos atualizando com uma frequência muito maior que a Lápide, estamos com novos projetos publicitários e lutando com todas as garras para mostrar a nossa soberania.

 

Eu não tenho limites.

 

Sou irrefreável agora. Não há lugar que eu não alcance. A prova viva é que consegui estar aqui. Eu invadi a Lápide. Nenhum cabeçudo, X-Angels, Deus ou qualquer outro de seus amigos foi capaz de me impedir. Estou acima deles. Uma nova fase começa...

 

 

As Criaturas Governam...



 Escrito por Ébano às 19h23
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 12: Onde reside a esperança.

    Já era bem mais que a hora do almoço, o sol já ultrapassara o seu limite máximo no horizonte e agora migrava  rumo ao poente. Naquele trecho mais distante do mundo, a extremo oeste da estrada escura, não havia indícios de tempestades, nem de furacões e muito menos de destruição. Ali, num ponto marginal da Floresta Mística, reinava ainda a tranquilidade e paz.
    - Porcaria! Tinha que acabar justo agora...

     A voz em revolta era de uma garota que estava ajoelhada de frente a alguns gravetos enfileirados circularmente como numa fogueira. Vestia-se com roupas comuns, uma camiseta de rosa bem claro e uma calça jeans. Ao seu lado, estava uma mochila grande de viagem.  Tinha os cabelos longos e loiros um tanto escuros. Olhar vivo, porém furioso, mirando o objeto que tinha nas mãos.
     - Tudo bem, garota! Está sem carga no isqueiro. Pense, então. E agora o que o Senhor Sabichão faria?
 Ela torceu a boca, após um longo tempo sem a resposta. Fechou o isqueiro apertando-o na mão e o arremessou longe. Depois, cruzou os braços como um criança fazendo birra e resmungou:
     - Ele certamente teria um outro isqueiro reserva ou um refil guardado na bolsa.
     A garota loira então se voltou para os lados e encontrou ali uns dois gravetos maiores e secos. Olhou para os lados, suspirou, pegou os dois pedaços de madeira e começou a friccioná-los rapidamente.
     - Ai, ai, ai... Minhas mãos! Oh, droga, eu só queria esquentar meu almoço!
     Já estava com as mãos em carne viva quando ouviu um ronco voraz que vinha da estrada. Largou de imediato tudo, pegou rapidamente a mochila nas mãos e saiu correndo aos berros. Mais adiante, ela viu se aproximando um veículo depois de três dias sozinha naquele trecho deserto.

     Na única via que levava para o norte da estrada escura, um largo automóvel preto viajava numa velocidade por volta dos noventa quilômetros por hora. Nele, estavam sete senhoras de idades já bastante avançadas, em meio às bagagens, tralhas e animais.
     - Leopolda, não acha que está indo rápido demais? – reclamou Elmira.
     - Eu queria parar um pouquinho para ir no banheiro... – comentou Malvina
     - Sei não, mas acho que estamos perdidos!! Não estamos dando voltas no mesmo lugar? – perguntou Diana.
     - Tem alguma coisa fedendo por aqui! Acho que a Bilu fez cocô no bagageiro... – informou Jupira.
     - E eu quero voltar para mansão!! – choramingou Himengarda.
     -Caaaalaaaadas!!! – Gritou Leopolda Apolinária dos Campos, a matriarca das beatas. – Elmira, esta é uma estrada e nem cheguei perto do limite de velocidade, então, pare de reclamar. Malvina, já parei três vezes por sua causa, portanto, agüente. Diana, não podemos estar dando voltas, pois segui reto a estrada desde que deixei a mansão. Jupira, eu não pedi para você trazer a cachorra, mas já que me desobedeceu cuide dela. E de sua Himengarda também.
    - Leop! – falou miúda a Malvina.
    - O que é? – reclamou a velha olhando pelo retrovisor.
    - Eu tô precisando muito ir ao banheiro!!! – insistiu Malvina.
    - Grrrr... – Leopolda virou-se rangendo os dentes para a irmã.
    - Leopolda!! – Gritou Vilma. – Cuidado!!
    - O que foi agora? – bufou a matriarca.

     Assim que se voltou para a frente, a velha mal teve tempo de perceber para quem a sua prima Vilma apontava. Já estava quase em cima, quando desviou a “limãozine” no último instante e livrou-se de atropelar uma jovem loira que se colocou na frente da estrada balançando as mãos.
     A caravan preta foi para a direita descontrolada, entrou pelo acostamento e por muito pouco não atingiu uma das árvores do lugar. Leopolda pisou fundo nos pedais e freou bruscamente o automóvel. Cestas de comidas, vestidos e a gata preta foram parar no banco da frente e a imensa cachorra bilu começou a latir.
    - Cala a boca dessa cadela!! – ralhou Leopolda tirando da sua frente uma anágua.
    - Ai, Desculpa! – falou a jovem loira apertando as mãos enquanto se aproximava do carro. – Eu pensei que vocês iam parar antes...
    - Quem é você mocinha? – interrogou a velha olhando de cima a baixo.
    - Eu sou a Ly. – falou a loira com um sorriso e logo complementou. – A viajante.
    - Sei... E o que está fazendo aqui nesse fim de mundo quando o mundo está no fim? – interrogou Leopolda ajeitando os óculos.
    - Como assim? Eu estou na estrada faz tempo e não estou muito ciente das coisas... – explicou a viajante.
    - Ora, não sabe? Um furacão imenso destruiu boa parte da Cidade dos Blogs, mas o furacão na verdade era um homem e esse homem está matando blogueiros e... – foi explicando Diana com todo alvoroço e logo foi interrompida por um olhar severo da matriarca.
    - Ai, Gódi! – falou a viajante com os olhos esbugalhados.
    - Para onde está indo, menina?! – quis saber Vilma.
    - Eu ia para o Jardim Nada Secreto, mas agora estou preocupada com meus amigos que ficaram na cidade... a Margot... a Aninha...
    - Estamos indo encontrar todos lá agora! – falou Jupira. – Se você quiser pode ir conosco, não é, Leopolda?
    A velha matriarca volveu olhos duros para a irmã mais gorda que engoliu seco e, depois, voltou-se para a viajante com um sorriso amarelo no rosto. Fez sinal e a jovem Ly agradeceu com largo sorriso. Arrumaram um lugar espremido no bagageiro, junto com a enorme cachorra preta de orelhas caídas.

     Já eram quase três horas da tarde, quando serviram as Refeições na mansão dos Moderadores. Muitos dos blogueiros já estavam agitados por passarem tanto tempo trancados no subsolo daquele lugar sem notícia de amigos e do sobrou da cidade. Os poucos boatos se espalhavam quando vazava alguma informação obtida pelos Moderadores em sua sala de vigília.
     Através de uma das portas que levava até as escadarias da mansão, entraram a jovem deusa do Submundo, Rhiannon, juntamente com Peter Pan, Renatinho e mais três crianças.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h20
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     - Boa Tarde, Personas!!! – Cumprimentou ela atravessando a sala de reuniões com passos largos e falando com todos. – Tudo bem por aqui? Meu mano Mocotó chegou inteiro? Oi, Aninnha, Mariam, estão todos aqui?
     - Oi, Rhian! Estamos quase todos! – falou a Margot se aproximando. – Como foi lá?
     - Foi facinho, facinho... – falou Rhian tomando uma cadeira. – A maioria dos alunos já voltou para casa dos pais e os professores estão levando o restante de ônibus. Restou esses três aqui que acho que vocês já conhecem bem. Falando nisso... – Rhian voltou-se para os meninos e disse – Roronoa, Legista e Helena, vão ligar já para seus pais avisando que vocês estão aqui.
     Os três garotos seguiram por uma das salas e assim que foram encaminhados pela Margot para um telefone, a discussão voltou no Salão.
     - E então, descobriram mais alguma coisa do que estava acontecendo? – perguntou a Deusa do Submundo.
     - Sim, Rhian, temos o homem e o nome. – falou Nane que saia da Sala de Informações junto com o moderador Roger, se colocando ao lado da Margot. – Omega.
     - Omega?! – estranhou Rhiannon. – Quem é esse?
     - É isso que vamos tentar descobrir... – falou o moderador Roger erguendo um cd de vídeo nas mãos.

 

     Nos confins da Floresta Mística, na parte mais ao sul, estava localizado um pequeno templo feito de largas pedras empilhadas em forma de pirâmide. A mata que crescia ao redor já se misturava com as paredes daquela construção, deixando-a ainda mais camuflada em meio à vegetação local. Ali, era o lugar de culto a Hécate e sua guardiã era a sacerdotisa conhecida por muitos como Lua Negra.
     Naquele momento ela estava em oração agradecendo a Deusa pela notícia de que, apesar dos últimos desastres,  seu filho e seus amigos estavam bem. Agora, estavam todos reunidos na Mansão dos Moderadores na Cidade dos Blogs decidindo o próximo passo a ser tomado. Ela soube da existência do ser misterioso chamado Omega e isso batia com a revelação mostrada em seu jogo de cartas. Precisava agora de uma luz para saber o que fazer.

    Subitamente, em meio aos seus pensamentos perdidos, Lua Negra sentiu a presença de mais alguém no templo. Olhou para um dos lados e viu uma grande sombra se manifestando próximo a uma das paredes. Levantou-se e foi calmamente em direção aquele vulto.
    - Bem-vindo ao meu templo! Fico honrada em te receber aqui... – falou Lua. – Lamento apenas que seja em situação tão triste.
    - Ola, Lua. – falou o vulto saindo das sombras e se revelando como o homem baixo, careca, de olhar duro e de cavanhaque conhecido como Coveiro Zé. – Onde anda o pessoal do Caldeirão? É a Rhiannon que está tomando conta de tudo, não?
    - Neste momento, estão todos na Cidade dos Blogs, Zé. – respondeu Lua. – Você soube dos últimos acontecimentos? Vamos precisar de toda ajuda possível.
    - É... tenho uma idéia... E já amolei minha pá, Lua! – disse o Coveiro batendo sua arma no chão.

     Na penumbra da sala de reuniões na Mansão dos Moderadores, não se ouvia nada além de um silêncio sepulcral. Minutos após as imagens gravadas da batalha de Omega na frente do Auditório Diamante serem passadas ali, todos os blogueiros se entreolhavam assustados sem nada a dizer.
     O primeiro a quebrar o silêncio foi o Moderador Roger que se levantou vagarosamente, dirigindo-se até o gigantesco monitor onde estava paralisado na tela justamente o final da luta de Omega, assim que ele cravou a espada no chão.

    - E eis nossa ameaça! – falou o moderador. – Agora, espero ouvir sugestões.
    - Esse cara é indestrutível! - comentou Paola estalando os dedos da mão.
    - Até, então, é o que parece. – comentou Peter Pan. – Em poucos minutos, ele mal sentia a espada que o atravessou ao meio.
    - Eu achei o maior gatimmm... – brincou Rhian e deu de ombros para os olhares atravessados dos demais.
    - Não sei se ele é indestrutível, mas espero que não seja. – voltou a falar Roger. – Ele tem que ser detido de algum modo ou então destruíra tudo que construímos neste mundo.
    - Precisamos conhecer mais sobre ele. – falou a Mack. – Por esse vídeo, fica claro que ele de alguma forma rouba os dons de Blogueiros. Ele adquiriu os dons de manipular energia daquela garota e também a resistência e força daquele outro.
    - E provavelmente assim obteve o dom similar ao da Electra. – falou Enfys. – Só espero que ela esteja bem.
    - Sim, sabemos que ele rouba de fato os dons de cada um, mas resta saber como... – comentou o Observador, no canto escuro em que se encontrava.
    - Sim, isso é uma observação importante. – replicou Mack. – Como será que ele drena esse dom? E será que há algum limite?


   - E se tem alguma fraqueza! – falou Vampira. – Se ele tiver uma, é nela que devemos atacá-lo.
   - Precisamos de mais. – comentou Roger. – Estou me sentido de mãos atadas.
   - A Doutora e o Tolee disseram no último telefonema que têm algumas informações intrigantes. – divulgou Nane. – Eles estão vindo para cá. Qualquer ajuda a mais agora é crucial.
   - E o resto do pessoal? – perguntou a Margot.
   - Pois é, onde estão os grandões nessa hora? – quis saber Vampira.
   - Estamos sem contato com o Zé ainda. O mesmo vale pro Soldier. – respondeu Nane. – Selina, como sabem, esta desaparecida desde muito antes.
   - E meu mano? – perguntou Rhiannon lembrando de supetão.
   - Não contatamos ainda. – falou Nane balançando a cabeça.
   - Todos desaparecidos. – falou Roger. – Até mesmo o nosso Omega encontra-se sumida nessas últimas horas.  Temos que aproveitar esse tempo para organizar nossa resistência contra ele. A esperança não é muita, mas temos que lutar pelo que temos aqui. De resto, vamos pedir a Gódi que zele por nós, seja lá onde ele estiver.
   - Por sinal, onde está ele agora? – falou Vamp intrigando a todos.

Próximo: Com a aparição da minha companheira viajante, uma coisa vem à tona. A pergunta que não quer calar... Onde está o Xis.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h20
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Páginas Negras: Blogueiros da Máfia

 

       Creio que foi exatamente no começo de março, a primeira vez que fui convidado por Selina para ingressar no “caldeirão”. Junto comigo estava Gódi, igualmente novato, sendo apresentado a Zé Coveiro, Vampira, Rhiannon, Sandro, Math e outros blogueiros já experientes da turma. Desde aquele dia, as reuniões do Caldeirão se tornaram momentos agradáveis e almejados até. Passados alguns meses desde aquele tempo, pela primeira vez escutei de uma menina o termo “Máfia” ao se referir ao nosso grupo. Meio ofendido quis saber de onde provinha àquela idéia e ela me respondeu que era esse o modo como os representantes do Caldeirão eram conhecidos nas Salas de Bate Papo da UOL. Desde, então, vejo referências a isso em comentários de alguns blogs que passei e mais recentemente no Orkut.

        Seja Panela ou Máfia, a brincadeira tornou-se interessante. Eu já vi o nome Coveiro X sendo referenciado por pessoas que sequer conheciam meu Blog. Muitas vezes brinquei dizendo que sou o “Dom Coveirone”, aquele que tudo sabe e tudo vê.

        E como boa família mafiosa que somos, acabamos por ajudar uns aos outros contra as adversidades que aqui já confrontamos. De Bizarros, Críticos, Garotas despirocadas, Corretoras de Idioma, Plagiadores e até mesmo Cavaleiros, todos os que tentaram mexer com um dos membros, acabaram enfrentando todo o “pirão do Caldeirão”.

        Por um lado somos ofendidos sim, porém, existem as vantagens. Nos últimos meses, encontrei alguns outros blogueiros que se revelaram bem merecedores de uma “carteirinha de associados” e serem “apadrinhados na família. Incluem-se o Cachorrão “Rex”, Dan e a Lorie , Estrela Negra, Raven,  Kika, Labellaluna e alguns outros. Um deles, o Observador, tive o prazer de incluí-lo na Saga.  Enfim, sangue novo para se juntar ao veteranos como aconteceu comigo um dia.

        Ultimamente, não ocorre mais tantos caldeirões como em tempos passados, principalmente sem a presença constante da Matriarca da família, Selina, mas continuamos por aqui. Quando um está querendo cair, tem sempre um de nós para dar a mão e ajudar. É assim que somos.

 

 

 

Agora, alguns recados do “padrinho”:

     -  Primeiro, quero que todos assim que saírem dessa página vão no Big Blog Brasil, e votem no rapazinho que está competindo com a Mariam. Façam também campanha em seus blogs. Se possível também ameacem o Bial. Vou mandar uns capangas visitarem a casa dele mais tarde. Enfim, façam algo para ajudar nossa amiga, pois a votação vai até esta terça à noite

 

      - Em segundo lugar, eu vejo uma pergunta que não quer calar nos comentários: “Onde está o Xis na Saga???”. Eis a minha resposta: “Com um furacão arrasando a cidade, uma epidemia de Bizarros e um tal Omega que não morre, é óbvio onde estou. Eu estou bem longe dali”.

 

      -  Por último, quero agradecer a Raven pelo desenho que me ofereceu de presente. Você não tem idéia do quanto adorei. Acabei mostrando a todo mundo do laboratório nesse fim de tarde. Mais uma vez obrigado e parabéns! Seu trabalho com sombras em imagens é perfeito.

 

 

Bem, isso é o suficiente por hoje, afilhados...

Sombras...

 



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h11
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 11 - Visitante Indesejado

    Na frente do Instituto Educacional dos Blogs, não restava agora nada mais do que os corpos inanimados das criaturas disformes chamadas Bizarros. Alguns deles sem membros e cabeças jaziam no chão e outros golpeados com velocidades incríveis estavam caídos pelos cantos, revelando que outrora aquele foi um imenso campo de batalha.
    Agora, os vencedores liderados por Rhiannon abriam as portas principais do Instituto e encontravam corredores desertos e salas de aulas vazias. A Deusa do Submundo avançava rumo ao ginásio escolar junto com o jovem velocista Renato e as outras três crianças Roronoa Zoro, filho da Lua Negra, Legista John, “filho” do Coveiro Zé e a menina Vampira, Helena. Assim que entraram no ginásio, encontraram lá o outro companheiro de batalha, Peter Pan:

- Rhian! Parece que está tudo bem aqui! – falou o jovem de cabelos loiros e piercings na orelhas e nariz.
- Todos os alunos e professores estão aqui? – perguntou a deusa.
-  Ao que vi, sim! – confirmou PP. – A professora Cristiane me assegurou e ela parece bem decidida.
    Por detrás do Menino do Pó, estava a instrutora e amiga daqueles Blogueiros, Cristiane, que se aproximava com olhos vidrados para a Deusa Rhiannon. Ela abriu a boca demoradamente e soltou duas curtas frases:
- Já estão todos bem! Obrigada!
- Disponha, Professora! – falou Rhian. – Mas de qualquer modo, vou pedir ao Renatinho para averiguar rapidamente toda a escola e...
- Não é preciso! – falou Cristiane com a voz fria. – Vam