Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





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Crossing Blogs: Em Sombras

Parte 3

Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável.

 

 

 

            Milhares de imagens inundavam um salão de teto alto ainda desconhecido por mim. Da mansão das beatas até o Bar Code, tudo era sutilmente captado e mostrado nos monitores que circundavam as paredes do lugar. O ser de máscara negra olhava com desdém as informações que lhe chegavam. Seu maior interesse estava ali, amarrado e amordaço numa cadeira no canto do salão.

            - Então, cara Val, não achas que já tirou muito de meu precioso tempo com sua teimosia? – o Crítico falou sem virar-se para a ruiva que lhe era refém. – O que ganha sofrendo ao invés de ser complacente e me ajudar?

            - Ara, seu Crítico! Ieu não vou dizer nadica de nada. – falou Val com coragem no olhar. – Só espera quando vierem me tirar daqui. Ai, vou querer ver sua cara...

            -Ora, Val, perca essa esperança! – disse o incógnito mascarado – Não vê que estou sempre um passo a frente de seus amigos? HÁ HÁ Há Há há há...

 

 

 

            Não muito distante do salão onde o Crítico dos Blogs gargalhava, dois corpos se esgueiravam por um estreito tubo de ventilação daquela construção. À frente, estava a misteriosa mulher que eu me deparara naquela madrugada, uma loira com ar provocante que se apresentou a mim como a Espiã da Noite. Logo atrás, este coveiro que vos escreve a acompanhava, sem enxergar um palmo adiante e confiando apenas no instinto de sua guia.

            - Tem certeza de que sabe exatamente por onde está indo? – questionei.

            - Trouxe você até o prédio que serve de fachada para o esconderijo do Crítico, localizei a entrada externa que me levou até o sistema de condução de ar e você ainda suspeita de que não sei o que estou fazendo? – disse a Espiã virando o rosto e me encarando com aquele olhar penetrante. – Venha... é logo ali.

            Ela se esticou com uma agilidade inerente a qualquer outra pessoa e colocou-se ao lado de uma tela por onde o ar circulava para o interior do prédio. Fez sinal com as mãos e me aproximei. Foi, então, que vi uma pequena movimentação de guardas mascarados em sua ronda pela madrugada.

            - Os dutos só podem nos levar até aqui. O resto teremos que seguir pelos corredores. – a loira voltou-se para mim e sussurrou. - São poucos os homens de confiança do Crítico, mas ainda assim estão em maior número que nós.

            - Eles têm armas?– falei observando o corredor através dos furos da tela

            - Pistolas com silenciadores. – falou a espiã. – É do interesse do Crítico manter o sigilo. Estes últimos andares pertencem a ele, mas todos os de baixo são comerciais.

            - E como vamos fazer? – argumentei erguendo a sobrancelha para ela.

            - Vamos aguardar o momento certo, Coveiro. – respondeu-me com todo o seu mistério.



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h15
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            Alguns andares abaixo dali, mais vigilantes mascarados averiguavam os corredores. Dois deles que cruzaram a porta que levava até a escadaria de segurança escutaram uma pequena movimentação vindo do andar de baixo. Ambos trocaram rápidos olhares e decidiram descer alguns degraus para verificar a origem daquele som.

            O primeiro deles puxou a sua pistola por segurança e ergueu-a firmemente preparando para abater qualquer intruso indesejado. Todavia, um vulto moveu-se rapidamente atravessando seu caminho e deixando apenas um leve rastro azul. O segundo mascarado mal teve tempo de puxar sua arma e foi derrubado como se o vento o tivesse lhe socado.

            Sem perder o ritmo, aquele vulto veloz empurrou a porta e ganhou os corredores, movendo-se na mesma incrível velocidade, deixando todo os seguranças atordoados. Seguiu assim até topar com o final do corredor, quando encontrou a caixa de energia dos últimos andares. Abriu a tampa e lá estavam a sua disposição os fios e disjuntores que alimentavam a eletricidade daquele setor.

            - Parado! – gritou alguns mascarados apontando as armas para o menino de camisa e boné azul, que já agarrava os grossos cabos negros com uma das mãos.

            - hi hi hi –Renatinho respondeu com seu riso familiar e puxou os fios.

            Tão logo as luzes daqueles corredores se apagaram, o veloz rapaz disparou daquele lugar e já estava num lugar seguro quando todos os seguranças mascarados iniciaram um tiroteio às cegas para capturá-lo.

            Surpreendido pela súbita interrupção das transmissões em seus monitores, o Crítico dos Blogs encaminhou-se a passos largos de sua mesa localizada no centro do salão e acionou um mecanismo que iluminou algumas das lâmpadas através da energia de um gerador reserva. Depois, procurou por seu comunicador e clicou no botão:

            - Algum de vocês, lacaios, é capaz de me informar o que está...

            O Crítico interrompeu bruscamente suas palavras e prestou atenção nos sons produzidos pelo comunicador. Entre gritos e balas, ele foi capaz de ouvir um de seus homens tentando-lhe passar uma mensagem.

            - Estamos sendo atacados!! Estão em toda parte!! – dizia a voz entrecortada pela estática. – Eles... Eles...

            Antes que o guarda pudesse completar sua frase e o Crítico começasse a se questionar onde ocorrera a falha em seu mirabolante plano, a dupla porta que dava para o seu recinto foi arrombada. Os últimos disparos de pistolas silenciaram e dois corpos dos seguranças mascarados foram arremessados pelo salão, caindo no tapete aos pés do Crítico. Ele recuou alguns passos atrapalhado, batendo suas costas na mesa e seu sangue deve ter gelado ao vislumbrar quem adentrava a porta.

 

            À nossa frente, estava a Espiã da Noite, estalando pausadamente cada dedo de sua mão e pousando sobre ele um olhar desafiador. Eu me coloquei ao seu lado, cerrando os punhos já usados contra seus subordinados, mas ansiosos para acertar o chefe deles. Sequer eu sentia um incomodo em meu braço deslocado dias atrás. Logo em seguida, Renatinho juntou-se a nós, com os olhos efusivos.

- Você... você... eu não conheço você... – gaguejou o crítico.

- Espiã da Noite com prazer. – falou a misteriosa loira e dirigiu um olhar para os monitores apagados. – Você não é o único que observa as coisas neste mundo.

Num canto da sala, a Val começou a se debater na cadeira para que notássemos que ela estava ali. Renatinho correu em seu veloz ritmo até ela, tirou-lhe a mordaça e afrouxou a corda que lhe prendia os braços.

- Acabou, Crítico! – gritei para ele.

- Ora, cale-se, filhote de Coveiro. – gritou o mascarado e foi recuando até bater de costas com o parapeito de sua janela. – Tudo não passou de um pequeno erro de cálculo. Contudo, a presença de vocês aqui no meu covil não é de todo má.



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h15
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            E dizendo isso, o Crítico apertou um dispositivo em sua mão fazendo com que grades cerrassem as portas do salão. Virei para a nossa única saída e vi Renatinho tentando impedir que a última delas fechasse completamente o local. Contudo, seu esforço foi em vão e ficamos realmente presos ali.

- Eu só lamento que o Coveiro Zé e os outros não estejam aqui para que meus intentos fosse concluídos de uma vez só. – continuou o Crítico. – Mas me preparei para muitas batalhas. Adeus, Filhote de Coveiro... Em menos de 5 minutos, vocês estarão apenas existindo na lembrança de seus amigos...

Um pequeno helicóptero surgiu quase sem fazer barulho no janelão principal. Numa agilidade que eu nunca imaginei que aquele homem misterioso poderia ter, ele se lançou prédio afora e agarrou-se na borda daquela aeronave, sendo rapidamente auxiliado por um de seus homens a embarcar com segurança.

- Maldito! – falou a espiã no parapeito da janela.

- E agora?! – falou Renato. - Como saíremos daqui?! Xis?!

- Acho que temos problemas maiores. – falei sentindo meu coração pulsar forte.

- Do que está falando?! – questionou a Val.

- Todo esse lugar está para explodir. – falei e parecia estar escutando os dígitos do marcador da bomba se mexendo.

- Como sabe!? – Renato me olhou com desespero.

- Temos que encontrá-la!? – falou a Espiã – Coveiro?! Está me ouvindo!?

- Xis!? Você está bem?! – gritava a Val.

Minha mente estava muito distante dali para poder responder aquela pergunta. Naquele momento eu me sentia diferente, como se meu corpo tivesse perdido o controle dos movimentos e ao mesmo tempo repleto de uma estranha tensão. Algo parecia estar pressionando meu peito, inflando-me por dentro, quase a ponto de explodir. Foi nesse exato momento que a cobertura que servia de esconderijo para o Crítico foi ao ares.

 

As poucas pessoas na rua voltaram suas atenções para a parte mais alta do prédio, onde as chamas dominavam agora. Muitos pedaços de concreto foram lançados e chocaram-se nos prédios e calçadas ao redor. Em poucos instantes, as labaredas tomaram conta dos outros andares e todo o edifício tornou-se uma gigantesca pira. Ninguém que permanecera naquele prédio tinha como sobreviver e a morte teria sido o meu destino e de meus colegas se ainda estivessemos ali.

Estava escuro e eu sentia toda a negritude ao meu redor. Lembro ser uma sensação angustiante, como que tomado por um frio intenso. Quando meus olhos começaram a distinguir um pouco mais à frente, reconheci meus companheiros. Val, Renato e a Espiã parecia estar tão assustados quanto eu, sem saber o que os tirou de lá. Depois, notei que olhavam admirados para mim e logo percebi o porquê. Todo o meu corpo parecia tomado por uma grande sombra e que aos poucos foi se esvaindo de mim. E enquanto meu corpo voltava a ter a coloração normal, a fraqueza me dominou. E tombei no chão inconsciente..

 

 

 

Fim

Amanhã: Páginas Negras e depois mais bastidores da Saga...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h14
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Crossing Blogs: Olhos nas Sombras

Parte 2

 Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável.

 

            Algumas horas atrás, eu preparava meu almoço com a Ly quando fui surpreendido por um garoto dotado de incrível rapidez. Poderia arriscar que ele movia-se pela estrada mais rápido que qualquer automóvel. Seu nome era Renato e veio nos trazer a notícia de que a Val havia sido raptada. Decidido a ajudá-lo, conseguimos por milagre uma carona com um casal de velhinhos na estrada e voltamos até a Grande Cidade dos Blogs.

 

            Milhas depois, eu estava agachando na estrada marginal onde o Renato e a Val treinavam todas as manhãs. Procurava alguma pista do que havia acontecido, mas nada de muito claro se mostrava aos meus olhos. Pedi para o jovem velocista recontar toda a história me mostrando com detalhes e apontando cada canto onde o evento se desenrolara.

            - Você disse que era uma nuvem de insetos, não é?!  – perguntei ao Renato

            - Sim. – ele balançou a cabeça. – Eram venenosos. Deixaram meus olhos ardendo por várias horas...

            - Não era veneno, mas escamas. – disse fitando-o. – Escamas soltas por asas de lepidópteras... Borboletas. Uma defesa inusitada do inseto... que foi usada para atacar você.

            - Borboletas? Que esquisito!! – falou a Ly. – Borboletas não fazem isso, ou fazem?

            - Não... ao menos não é comum. – disse levantando-me do chão e batendo a poeira da calça.

            - E encontrou mais alguma pista?! – questionou Renato.

            - Não. Se existe marca de sapatos ou algo que os raptores deixaram cair, eu não vi. - falei desconsolado. – As vezes, “Sherlock Holmes” falha...

            Dali, nós decidimos adentrar a cidade. Se realmente um seqüestro foi o que ocorreu, então, algum telefonema ou carta deveria ter sido entregue. Mas uma ligação para o Bar Code nos confirmou que nenhuma notícia sobre a Val surgiu.

            Já estávamos todos angustiados e decidi que seria o momento de procurar um bom lugar para dormir. Apesar de um pouco tarde para alguém novo, o Renato insistiu em nos acompanhar. Mesmo sendo um lugar perigoso, ele me disse que não haveria ninguém capaz de abordá-lo quando voltasse correndo para casa. Como concordava que aquela era realmente uma peste veloz, aceitei e fomos andando pelas calçadas mais desertas durante aquela madrugada a procura de uma boa pensão barata.

            Avançamos um bom pedaço, até que chegamos a uma larga rua iluminada por apenas um único poste com lâmpada em forma de globo. Estávamos todos quietos e tensos e uma leve sensação de arrepio tomou minha pele. Senti algo estranho e me virei para trás. Não havia ninguém ali, apenas uma mariposa que voava ao redor do globo atraída por sua luz.

            - Acho que estamos sendo vigiados... – falei num sussurro.

 

            Dito isso, senti que meus dois companheiros empalideceram e recuaram para trás. Voltei-me para eles e vi que estavam amedrontados.  Talvez, tivessem a mesma impressão. Não demorou muito e minhas suspeitas se confirmaram. Um vulto cruzou rapidamente o nosso lado e depois se mesclou às sombras. Isso foi o suficiente para a Ly soltar um grito e ter deixado o moleque um pouco mais nervoso.



 Escrito por Coveiro ¤ às 13h28
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            - Renato?! – falei sem tirar os olhos do lugar onde achava que estava aquele que nos observava. – Você acha que consegue carregar alguém como a Ly e correr tão rápido como faz.

            - Sem problemas. – disse-me ele de imediato.

            - Ótimo! – falei. – Tire ela daqui o mais rápido possível.

            - O quê?!?! Não... – reclamou a viajante.

            - Agora, Renato! – gritei – Leve-a daqui agora.

            Sem esperar outra reclamação da Ly, o velocista a agarrou a viajante no colo e disparou por uma das ruelas deixando apenas um leve rastro azul por onde passou. Em menos de um minuto, eu estava sozinho, apavorado com a quietude anormal dali. Olhei para todos os lados, girando os calcanhares e nada encontrando. Apenas a pequena mariposa se movia debatendo-se contra o globo.

            Repentinamente, o globo de luz estourou deixado apenas o luar dominar. Minha respiração parou e quando pensei em correr fui surpreendido por dois lindos olhos à frente. Engoli seco e  então ouvi as primeiras palavras que saíram de sua boca, abafadas por um tecido que lhe cobria parcialmente o rosto.

            - Existem olhos a todo momento te observando, Coveiro X – era certamente uma mulher. – Somente as sombras te protegem, mantém você no anonimato.

            - Q-q-quem é você? – perguntei gaguejando.

            - Eu sou apenas mais um dos olhos que observa... – respondeu a mulher misteriosa - ...sem ser observada. Sou a Espiã da Noite.

 

            Ela se aproximou de mim. Correndo perigo ou não, era como a dança de uma serpente que me atraía. Minha visão começou a se acostumar com a escuridão e pude vislumbrar a bela mulher vestida de “collant” preto e com madeixas ainda mais loiras quanto a da Ly.

            Sinuosa, ela estendeu a mão para mim e mostrou o que havia dentro. Era a mesma mariposa do globo estraçalhada em sua palma. Vendo minha surpresa misturada com incompreensão, percebi que ela abriu um sorriso por baixo da máscara e disse-me:

            - Esses são os olhos que te perseguem. – falou aquela loira. – É através deles que tudo que vocês e seus amigos fazem são captados. – Ela baixou a cabeça e uma mecha pendeu acima dos olhos. – Foi assim que ele capturou a sua amiga.

            - A Val?! – sussurrei e lembrei-me do pouco que descobri hoje. – Mas quem está por trás disso tudo!?

            - Você já ouviu falar dele antes apesar de sempre se manter no anonimato. – disse a mulher. – Sei disso porque também observo você e os demais. – ela tinha a voz firme e segura. – Você deve lembrar de quando ele se colocou contra o Zé Coveiro ou quando o Deus foi silenciado por uma semana. Ele usa vários nome e  mas prefere ser chamado de...

            - O Crítico?! – gritei na hora.

            - O mesmo. – Ela girou e deu-me as costas andando. – E como ele deu o primeiro passo, vou mexer minha peça também. Acompanhe-me, Coveiro, creio ser a única a poder lhe ajudar.

 

To be Continued... Again

Agora, mais um blogueiro misterioso se junta a nós... a Espiã da Noite



 Escrito por Coveiro ¤ às 13h28
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Crossing Blogs: Os Mais Velozes

Parte 1

Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável.

 

Eu estava a centenas de quilômetros dali e tudo o que sei foi o que me contaram. Eram as primeiras horas de uma manhã nos arredores da Cidade dos Blogs, o lugar conhecido por vários nomes pelos seus habitantes. Dois encapuzados andavam pelo gramado se distanciando das construções mais distantes da cidade.

- Estou muito feliz que você esteja se saindo bem, Jovem pupilo! – disse uma voz feminina sob o capuz. – Vejo que até no caminho da meiguice você se mostrou rápido no aprendizado.

- hi hi hi – o outro encapuzado menor em tamanho riu. – Ieu sou muito meigo.

- Ara, e é mesmo! Agora, vamos ver se hoje você bate o seu recorde. – disse a encapuzada.

- Pode deixar que hoje eu estou preparado! – falou o mais baixo, com voz de jovem rapaz. – Podia atravessar um lago correndo.

- Não exagere. Não ache que por ser mais rápido nas pernas, será sempre o vencedor. – falou a mulher – Lembre-se que têm muita coisa a aprender com sua Mestra. – a mulher foi tirando o capuz e deixando o seu rosto e cabelos ruivos serem tocados pelo sol daquela manhã. – Afinal, não me tornei a Val, primeira e única por nada.

- hi hi hi – o jovem voltou a rir e tirou o seu manto.

Não passava de um rapaz de dezoito anos ou um pouco mais, com bermudas, tênis profissionais de atleta, uma camisa azul simples e um boné voltado para trás. Ele estalou os dedos das mãos e se colocou em posição de largada.

 

 

 

- No três, Renatinho! – falou a Val erguendo um cronômetro. – Um... dois... tr...

Mal a Val terminou o último algarismo, o menino chamado Renato disparou numa velocidade incrível em linha reta. Quem observava de longe, não poderia acreditar que aquilo estivesse sendo feito por um humano. Uma longa cortina de poeira era erguida por onde ele passava e em poucos minutos Renatinho alcançou os quilômetros marcados por fitas vermelhas. Tocou na última delas e deu mais uma de suas risadinhas de moleque.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h26
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- Val, pode marcar...hã?? – Renatinho virou-se e, mesmo naquela distância, percebeu que algo acontecia com sua mestra. – Vaaaaaallll?!?!

O jovem retornou dando o máximo que podia de suas pernas. Sua pele estava plenamente esticada pela velocidade adquirida e quase não conseguia captar ar em seus pulmões. No meio do caminho, algo atravessou entre as árvores e moveu-se em sua direção. Renato mal podia acreditar naquilo que via. Ele foi surpreendido por uma estranha nuvem de insetos farfalhando as asas em sua direção. Assustado, perdeu a concentração e foi atingido por milhares daqueles animais. Sentiu seus olhos arderem, a vista embaçou e restou-lhe apenas cair no chão gritando de dor. E foi assim que começou essa história.

Naquele mesmo dia, durante a hora do almoço, fiz sinal para a minha nova companheira de estrada, a viajante Ly. Apesar de ainda estar com o braço enfaixado, boa parte dos meus movimentos retornara. Poucas vezes sentia dor e me arrisquei a fazer a comida daquela vez. Enrolei a Ly dizendo que queria começar a testar minhas capacidades, porém o meu maior incentivo era comer algo que não tivesse gosto de queimado ou de fumaça.

- Isso está com o cheiro bom... – comentou ela.

- Lembra o mesmo cheiro da comida que eu almoçava quando pequeno na casa de minha avó. Boas lembranças... – falei daquele jeito quando me perdia nos pensamentos.

- Você foi criado pela sua avó? – ela virou o rosto com um sorriso. – Poxa! Acho que isso explica você ser tão jeitoso...

- Ly... – olhei para ela apertando os olhos. – Não me faça virar essa panela em cima de você.

- Tá, desculpa... – ela fez cara de birra. – Só perguntei. Não precisa ser grosso. – ela ficou me olhando por um tempo e depois continuou. – Mas você foi criado mesmo?

- Ai...- assoprei sem paciência e falei. – Não, Ly... Eu só passava os domin... o que é aquilo ali?

 

 



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h24
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            Levantei-me do chão e dei alguns passos a frente, logo a Ly se colocou um pouco atrás de mim, olhando por cima de meu ombro. Nossos olhos demoraram para captar o que era aquilo que fazia tamanha cortina de poeira na estrada. O tal ser ainda não identificado foi se aproximando e ganhando uma forma similar a humana. Em pouco tempo, o que quer que fosse parou diante de nós fazendo um pequeno barulho de derrapagem. A fumaça assentou e para a surpresa minha e da Ly tratava-se apenas de um rapaz, de boné e roupas simples um tanto empoeiradas.

            - Que peste é essa?! – falei num pensamento alto.

            - Você é quem é o Coveiro X?! – falou o garoto.

            - Sim... – olhei desconfiado para ele. - Sou eu mesmo... E você?

            - Eu sou o Renato. – falou ele e explicou-se. – Acho que a Val já falou de mim pra você...

 

 

            

            - Val... Ah... você é o pupilo que ela está treinando?! – ergui a sombrancelha. – Surpreendente. Mas, diga então, o que traz você aqui?!

            - Foi a Margot que me pediu para procurar você. – falou o menino – Disse que você poderia me ajudar...

            - Ajudar!? – Olhei rapidamente para a Ly. – Ajudar em quê?!

            - A encontrar a Val! – disse o menino. – Ela desapareceu. Acho que levaram ela.

            Algumas notícias têm um impacto tão real que realmente parecem um soco na boca do estômago. Senti algo assim ali, virei-me para a Ly e ela parecia tão desnorteada quanto eu. Nem ousei perguntar se ela sabia quem era a Val, mas de qualquer modo tinha certeza que ela iria me seguir para onde quer que eu fosse. E o nosso destino mudou repentinamente de direção nessa estrada. Estávamos retornando a Cidade dos Blogs.

            Naquele mesmo momento, num lugar onde desconhecíamos e que só me foi relatado depois, um homem misterioso trajando um distinto terno e com um rosto encoberto por uma máscara negra que mal permitia visualizar os seus olhos, observava vários eventos e pessoas através de inúmeros monitores adornando uma gigantesca parede. Repentinamente, esse ser incógnito perdeu o interesse pelo que se mostrava nas telas e retornou com passos demorados para o interior do cômodo. Enquanto andava, muitas borboletas passavam de um canto a outro, cruzando seu caminho.

            - Seu menino é rápido, Val! – falou o homem de máscara. – Mas não escapou de meus pequenos olhos que a tudo vêem. Infelizmente, na falta de uma riqueza de neurônios, ele foi escolher o seu amigo, o Coveiro, para ajudar. Apenas mais um rato de interesse para por em minha gaiola. O que me diz disso?

            - Hmmmm.... – num canto, amarrada e amordaçada, a Val tentava falar.

            - Também fico sem palavras diante disso. Bom, enquanto esses pequenos pedregulhos almejam se pôr em meu caminho, eu espero que tenha pensando bem, Val, em finalmente abrir mão de seus segredos. Não me olhe assim, minha cara. Em breve, sei que cederá e, então, poderei dizer que terei seu dom único de ser em primeiro. Será uma era em que todos temerão a minha ilustre pessoa, o Crítico dos Blogs. Hah hah hah hah...

 

 

 

To be continued...

E o menino veloz volta no domingo junto com a aparição de mais um ser misterioso dos Blogs...



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h24
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Bastidores de uma Saga (2): Desenvolvendo uma trama...

 

 

 

O termo Crossing-Blogs, que é incompreendido por alguns, na verdade é comum entre os amantes de histórias em quadrinhos. Originalmente usado como Crossing-over, nada mais são do que histórias de personagens conhecidos pertencentes a editoras distintas que se encontram numa história. O maior deles aconteceu no milênio passado entre todos os heróis da Marvel e DC que se confrontaram num evento de proporções épicas, depois de um demorado acordo fechado. No meu caso, usei o termo “Crossing” para que o meu “personagem” conhecesse cada um dos blogueiros, dando algo mais físico a esse mundinho. Tomando gosto por essas histórias, restava-me algo realmente interessante. Eu queria brincar com todos de uma vez só, numa gigantesca “revista em quadrinhos” dividida em inúmeras partes.

Conversando com meu amigo Sétimo sobre algumas diretrizes deste evento, uma de suas perguntas foi se eu conseguiria trabalhar com tantos blogueiros numa mesma história. De fato, ele estava justamente me alfinetando com uma antiga opinião minha de que numa cena, não se deve trabalhar mais que cinco personagens ao mesmo tempo, para que nenhum fique apagado. Bom, minha única resposta é que eu estava promovendo uma série de tramas paralelas, onde pequenos grupos se formassem realizando pequenas missões. Algumas vezes, seria inevitável que todos estivessem juntos, mas estou seguro que em cada capitulo eu poderia focar alguns em especial. Suspeito que ficara até interessante ver eventos paralelos se desenvolvendo.

A segunda questão de Sétimo seria o que faria todos esses blogueiros ficarem juntos. Nessa resposta eu sorri e disse “Sobrevivência”. Para alguns, já venho dizendo que essa Saga será um evento catastrófico no mundo dos blogs. Brincando, mas nem tanto, falava que “cerca de 2/3 dos blogueiros serão abatidos”. Pois é, para aqueles que estão acostumados com as piadas em meus Crossings, acho que vão se assustar um pouco com meu retorno ao suspense. Vou continuar fazendo um pouco de graça, só que serei um pouco mais cruel também. HehehEH...

Obviamente, eu tenho uma linha na cabeça a seguir, mas os detalhes não foram escritos. Sei que posso alterar algumas idéias durante o curso e não tenho uma prévia segura ainda, mas todos estão agarrando no meu pé para saber mais dicas. Então lá vai mais uma. Bom, eu penso em trazer alguns vilões já conhecidos, mas acho que eles correm tantos apuros quanto nós. Algo grande está por vir, um ser novo que venho lapidando na minha cabeça e que não sei ao certo o que acontecerá quando eu libertá-lo para o Crossing. Bom, só me resta desejar boa sorte a todos.

E mais cinco selos:

 

 

 

 

 

 

 

  

Coloquei o selo do Renatinho, pois amanhã começa um Crossing-Blogs seriado onde ele, eu, Ly, Val e outras misteriosas pessoas estarão em mais uma grande aventura. Aguardem. E nos próximos bastidores: O Primeiro Mapa do Mundo dos Blogs.



 Escrito por Coveiro ¤ às 21h40
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Crossing-Blogs: Mais alguém na estrada...

 

            Alguns dias após os eventos passados no laboratório da Doutora, voltei para a estrada, porém não com o mesmo ritmo. Com o braço todo enfaixado, comecei a cansar com uma maior freqüência e sem a mesma habilidade para cozinhar, alimentar a fogueira ou simplesmente me coçar. Essas recentes dificuldades fizeram com que meu ânimo pela livre vida começasse a perder forças em prol de noites mais confortáveis numa cama com comida quente ao lado.

            Determinada tarde, quando acaba de despertar de um breve cochilo, escutei alguns gritos. Abri os olhos, direcionei-me para a estrada adiante e comecei a observar a distância uma jovem pequena, loirinha que acenava alvoroçada para um carro que vinha a toda velocidade. À medida que o automóvel se aproximava, ela agitava os braços com maior desespero e assim aconteceu até que o carro passou direto e o rosto da jovem esmoreceu decepcionada.

 

            - Já era o tempo em que se dava caronas para mulheres bonitas e desconhecidas na estrada. – gritei na direção dela.

            - AAAAiiiii... que susto! – ela deu um pulo pra trás e voltou-se para mim com os olhos arregalados. – Quem é você?! E o que está fazendo aqui?

            - Eu?! Bom, eu sou o Coveiro X e o que faço aqui é o de sempre, peregrinar por este caminho. – falei curvando num cumprimento. – Perdoe-me se a assustei. Todavia, é de assustar ver você sozinha por aqui, não é um lugar muito seguro pra...

            - Eu não me assustei! – falou ela olhando de lado. – E sei me virar muito bem sozinha, senhor Coveiro X.

            - Eu estou vendo... – falei com um sorriso nos lábios. – Bom, só queria te avisar que aqui é um lugar... um tanto perigoso. Os carros não param mais para dar carona porque têm medo e aqueles que param... bom, aqueles que param, eu acho que você é quem deve ter medo... essa estrada é cheia de lendas esquisitas... – virei-me e comecei a andar colocando minha mochila nas costas. - ...mas deixa isso pra lá, já que você sabe se virar.

            - Ei!! Ei!! – gritou a jovem correndo para me alcançar. – Espera... Você fala tudo isso e me deixa sozinha!? Olha, desculpa... eu posso te acompanhar?

            -  Quer a companhia de um estranho?! Acabamos de nos conhecer e nem sei seu nome.

            - Ly! Me chama de Ly. – disse ela sorrindo. – Ly, a viajante.

            - Viajante?! – ergui uma das sobrancelhas.

            - É... não me olha assim! Tá, eu não sou muito de viajar por esses lugares, mas agora é o que eu quero. – e ela continuou tentando me convencer. – E aí você pode me ensinar algumas coisa já que diz ser o peregrino deste lugar.

- Bem, eu... – tentei protestar.

- Outra coisa, eu também posso te ajudar. Veja você! Está com o braço todo quebrado e não deve conseguir fazer muita coisa assim...

- Não está quebrado! Só deslocado! – corrigi. - Foi numa briga com a Ameba. – falei e depois mordi a língua.

- Ameba!? – ela arregalou os olhos.

- Esquece! É apenas mais uma história fantástica minha deste lugar. Aqui já aconteceu de tudo, de reuniões com bruxos e deuses até lutas contra alienígenas em que o Soldier...

 - Soldier?! – Ly gritou de repente. – Você disse Soldier? – E pulou em cima de mim, agarrando-me pelos ombros.

- AAAAaaaaauuuuu... – gemi quando ela me fez mover o braço deslocado.

- Ai, desculpa! – falou ela sem jeito, mas não demorou para voltar ao assunto. – Você conheceu o Grande Soldier?!

- Grande... Bom, ele não parecia tão grande assim... – falei contraindo a testa.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h42
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- Como não!? Ora, ele é grande, sim. E é maravilhoso, lindo e...

- Bom, isso já fica por sua conta. – falei voltando a andar.

- Ai, que sonho! Sabia que eu sou fã dele. – falou ela me acompanhando. – Acho que é uma paixão platônica, mas... mas...

 

- Okay! Okay! Eu deixo você me acompanhar na viagem! – falei interrompendo-a. – E primeira regra do peregrino. Não fique falando demais durante o caminho.

- Porque?! – resmungou ela.

- Porque diminui a quantidade de ar que vai para os pulmões.

            Continuamos andando até a noite dominar por completo e nossos ossos congelarem. Ly pediu para pararmos porque estava exausta e eu cedi. Em outros tempos, eu agüentaria avançar mais alguns quilômetros, porém não tinha mais o mesmo fôlego naqueles dias. A viajante deixou sua mochila de lado e insistiu que queria acender uma pequena fogueira sozinha. Juntou folhas secas, gravetos e começou a esfregar umas pedras para alimentar a fogueira.

            - Se continuar alisando-as desse jeito não vai conseguir nada. – falei depois de estar agoniado com as inúmeras tentativas da jovem.

            - Desisto. – disse ela jogando as pedras. – E como faço, senhor sabichão!?

            - Usamos isqueiro. – falei e joguei-o para ela.

            - Você tinha um isqueiro aí e não me disse nada!?!?! – ela exaltou-se.

            Mostrei meus dentes num longo sorriso e ela desviou o rosto procurando esconder a raiva. Girou a pequena catraca e as faíscas deram fogo ao pequeno amontoado de vegetal morto que ela arrumara ali. Ficou calada admirando a chama quando finalmente voltou a falar comigo:

            - Xis, pra onde você está indo nessa viagem. – perguntou ela.

            Estranhei a sua pergunta e de fato não tinha uma resposta direta para devolvê-la. Recostei-me em minha mochila e comecei a remoer algumas idéias, enquanto olhava para o céu estrelado.

            - Eu vou para onde o sol continua brilhando... mesmo através da chuva que cai... indo onde o clima confortar minhas roupas... – disse quase divagando - ...Afastando-se do vento nordeste... navegando na brisa de verão... saltando por sobre o oceano como uma pedra.

            Mal tive tempo de continuar a música, virei-me e a minha mais recente companheira de viagem estava dormindo, aninhando a cabeça em sua mochila. Sorri e passei boa parte da noite pensando até onde as minhas andanças me levaram.

            Dia seguinte, acordei e lá estava ela com as coisas prontas e ansiosa por continuar o nosso caminho. Rapidamente enrolei minha manta, fechei a minha mochila e dei o primeiro passo.

            - Está pronta...?! – falei colocando-me ao seu lado.

            - Estou sempre! Não vejo a hora de ver as coisas fantásticas nessa estrada. Já estou até imaginando as aventuras que vamos passar, que nem a do maravilhoso Sol. E imagina só se a gente encontra ele no meio do caminho. Eu vou... Xi!? Ei, Xis!!! Espera!! Esperaaa!!!

 

Fim

O crossing da Ly acabou, mas ela continua comigo em algumas outras histórias. Amanhã, haverá mais bastidores da Saga e depois, um Crossing seriado com Renatinho e algumas pessoas muito misteriosas.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h41
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In Memoriam: Problema de cão

 In Memorian é o nome da sessão que eu pretendo armazenar todas as lembranças interessantes que depois de passadas e, agora, recontadas fazem-me ver como a nossa vida é cheia de diferentes tipos de aventuras. No final, cada pequena coisa que acontece tende a relacionar-se com um evento curioso pelo qual passamos. Assim,acabamos nós tornando bons contadores de história.

 

            Para quem não sabe, sempre fui um apaixonado pela vida animal, assistia aqueles vídeos da National Geographic e colecionava álbuns. Como não tinha bicho de estimação, me apegava a qualquer animal de rua ou criado por vizinho. Sonhava até em ter um lhama, por mais esquisito que parecesse criar uma no clima de Recife. Raras são as exceções de animais em minha lista de desagravo. Acho que a maioria que me conhece sabe que odeio tartarugas, por um motivo incógnito. Já o outro, trata-se de um cachorro, não um qualquer, mas uma raça em especial.

            A tal criaturinha não deve medir mais do que cinqüenta centímetros dos pés às orelhas pontudas. Alguém desacostumado poderia confundi-la até com um rato. Os olhos negros arregalados lhes dão uma impressão de zumbi. Já o latido, irrita até o mais calmo Hare Krishna. Não vi melhor definição para tal ser do que a de um “dublador de latidos” num programa de televisão quando disse que “Pinsher é daqueles que basta conviver vinte minutos para você ter vontade de arremessá-lo contra uma parede!”

            Quando tinha uns seis anos, tive meu primeiro contato com tal raça no prédio onde cresci, onde um dos moradores criava uma pequena matilha de quatro desses animais no seu apartamento. A princípio, enquanto olhava-os de longe, achei-os fantásticos. No entanto, quando me aproximei deles, notei que nossa relação não seria das mais agradáveis. O que parecia ser o “chefe” do bando, uma cadelinha chamada Xuxa, arreganhou os dentes para mim. Dei meia volta e comecei a correr, fazendo com que aqueles pequenos animais disparassem como chacais para cima de meus calcanhares. Minha sorte é que sempre fui muito rápido.

            Com o tempo, notei que eu me tornara a diversão daquelas pestinhas. Toda vez que eu descia para o pilotis do prédio, Xuxa e seus comparsas (dos quais não lembro o nome) corriam excitados para cima de mim. Não demorou muito para os monstrinhos ampliaram suas “dietas” por outras presas atacando meu primo ou outro amigo que estivesse junto comigo.

            Passei muito tempo naquele trauma até que um dia me deparei com uma cena inusitada. Estava a empregada da casa com apenas um dos pinsher, justamente a pretinha de nome Xuxa, de coleira no pilotis do prédio. Não me lembro por que motivos, achei que seria aquele o momento ideal de fazer amizade com a “líder” da gangue.

            - Oi, Xuxa! Tudo bem!? Olha, eu sou seu amigo, heim. Eu gosto muito de cachorros e... – obviamente, não me lembro do que falei, só sei que me abaixei e fiquei de olhos grudados com a cachorra tentando ter um dialogo sensato com ela, minha declarada inimiga.

Depois de um papo razoável onde apenas eu abria a boca, ela aproximou-se com olhar curioso e começou a me cheirar. Cheirou a mão, o braço e foi receosa se aproximando mais e mais de mim até ficar cara a cara. Em dado momento, eu vi que ela balançou o rabo. Achei que a havia conquistado e então abri um largo sorriso. Foi justamente quando eu mostrava os dentes, que ela me interpretou mal e abocanhou meu beiço. Gritei, subi para o meu andarf chorando com a boca ensangüentada apesar de ter sido apenas um arranhão e decidi dali que meus dias de tréguas com Pinshers estavam encerrados.

 

Fim

Próximo: Crossing-Blogs com a Ly, a Viajante.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h31
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Bastidores de uma Saga (1): O primeiro sinal

 

            Quando criei o primeiro Crossing Blogs com o Coveiro Zé, a minha intenção inicial era apenas presentear o primeiro blogueiro com o qual mantive firme contato e que permitiu minha introdução numa comunidade que apesar de apelidada de virtual, tornou-se um dos grupos de companheiros mais coesos que já vi. Foi inevitável continuar a realizar mais daquelas histórias (que muitos chamam intimamente de CB) à medida que convivia dia a dia com os demais habitantes do Mundo dos Blogs. De certo, esses encontros do personagem Coveiro com os blogueiros foram ganhando peso maior na Lápide a ponto de que não se poderia associar meu Blog a outra coisa que não fosse aos Crossing Blogs. Eu estava com uma coisa muito grande nas mãos e não tinha idéia ainda do que isso se tornaria.

            Aos poucos, foram lançados neste mundo bloguístico alguns rumores de que em meados de junho uma história de proporções dantescas estaria para começar. Mantive esses boatos longe das minhas Páginas Negras porque eu não saberia dizer se de fato isso se tornaria oficial. O tempo passou e estávamos às “portas” do mês prometido. Era o momento para que o Coveiro X tomasse uma posição. E hoje chegou o dia de anunciá-la.

             

 

           

            O nome é Crossing Blogs Saga e esse é o evento em que todos os blogueiros já citados em minhas histórias estarão reunidos numa longa batalha que certamente durará meses, sem previsão definida para encerrar. Com estréia marcada para a última semana de junho, essa Saga seriada será publicada em dois dias da semana na lápide, todas as quartas e domingos.

            Nas próximas semanas, vocês estarão ainda acompanhando alguns Crossings Blogs normais como o da Viajante, Renatinho, John Paul e alguns outros. Ainda assim, aqueles que não conseguiram entrar antes do começo da Saga, podem estar sujeitos a aparições durante a grande história dependendo apenas dos rumos que a trama seguir.

Até que esse tempo chegue e mesmo durante a Saga, uma nova sessão se firma na Lápide: Bastidores de uma Saga. Nela, você poderá se divertir um pouco com materiais de apoio, histórias que ajudaram na confecção do evento, esboços de desenhos e até enviar perguntas e sugestões para o bom andamento deste gigantesco Crossing.

            Só para começar, estou lançando os primeiros selos de propaganda da Saga com cinco integrantes da história. Outros cinco serão lançados no fim desta semana e mais outros sempre que eu voltar a colocar mais informações nessa sessão. Deixo aqui a autorização para pegar os selos e publicar em seus blogs se assim desejarem.

 

 

 

 

 

 

  

Próximo: Um pouco sobre a trama... Aguardem...



 Escrito por Coveiro ¤ às 21h37
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