Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





Email para Coveiro ¤X¤:
coveirox@hotmail.com



O Portal PARANIGMA engloba sites e blogs no qual o autor criou ou participa. Se desejar adicionar alguns destes links em sua página, mande um email e um codigo será gerado em retorno.
Coveiro ¤X¤

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Coveiro ¤X¤
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O Mestre do Horror e Suspense na Lápide...

   Não estranhem a data que deveria ser um Ontem, mas é um hoje. Afinal, na grande semana do Hallow´s Een onde bruxas e mortos fazem festa e são homenageados, um blog criado por um Coveiro fica um tanto... instável. Por isso, durante toda a seman, a Lápide vai ficar meia maluca, cheia de comentários pirados, mas não se assuste melhora logo, logo...

   Então, durante essa semana, para comemorar essa data que para alguns é uma passagem de ano e outros um periodo arrepiante, resolvi fazer algo diferente. Influenciado nos últimos dias os quais estou reforçando meus conhecimentos sobre livros de horror e suspenses num belo ensaio chamado “Dança Macabra” escrito pelo Mestre Stephen King, resolvi montar algo para esse lado. O Fantástico é que surpreendentemente o Mestre King eriçou todos os fãs de quadrinhos essa semana passada ao anunciar que irá participar para uma quadrinização da sua série “Torre Negra” a serem publicados pela editora Marvel Comics (a mesma de homem aranha e Xmen).

   Isso muito me animou. E, juntando, quadrinhos com King, pensei numa idéia maluca. Destinei portanto a minha sessão de “Criarte X” para algo especial. Lembrando os antigos “What ifs” da Marvel, a PARANIGMA traz ate vocês os Sete Livros escritos por Stephen King mais recomendados pelo Coveiro e por ele reformulados numa nova concepção artística para capas de histórias em quadrinhos.

   E aí vai a lista deste número cabalístico, em ordem de publicação:

1# Carrie (1974)
O primeiro livro de Stephen King, o qual eu incluo entre os que chamo de “Santíssima Trindade”, traz a história de Carrie White. Cada vez mais sufocada em seus próprios problemas, morando com uma mãe religiosa perturbada, vivendo um eterno repúdio de seus próprios colegas e apavorando-se com a descoberta de dons surpreendentes, Carrie é um excelente retrato de um terror introspectivo e as conseqüências de quando ele é liberado estupidamente num único rompante. Na minha capa, a célebre cena do baile é retratada.

2#Salem´s Lot (1975)
Uma clássica recontagem do mais famoso monstro criado na história do horror mundial, a “Hora do Vampiro” traz um eletrizante suspense onde forças opostas se enfrentaram. De um lado, Barlow, a recriação literária do Mestre Vampiro domina uma pacata cidade. Em um ponto oposto, o escritor de terror Ben Mears se vê ironicamente transformado em caçador junto com outros cidadãos para combater essa ameaça. Seja na tela do vídeo ou nas páginas de um livro, o fato é que esta é uma das mais eletrizantes histórias do escritor. Na capa, uma mescla dos lados que se chocam, Vampiros e Caçadores.

3# The Shinning (1977)
Eis mais um que compõe a “Santíssima Trindade” de King. O iluminado é certamente o livro que serve como cartão de visitas do escritor. Ambientado no gigantesco Hotel Overlook que pelo período de alguns meses é fechado por conta do hostil clima de inverno nas montanhas. Seu difícil acesso, faz com que as únicas pessoas que lá restem se tornem clautrofóbicas. Se não bastasse isso, como todo hotel antigo, o Overlook tem suas próprias histórias de fantasmas e a presença de uma criança tão especial quanto Dani Torrance pode torná-las muito mais arrepiantes. Nesta capa, merece destaque o menino “iluminado” Dani e seu perturbado pai, Jack.

4# Pet Semantary (1983)
O cemitério é de longe uma das suas grandes obras e que faz com que eu o inclua entre os da “Santissima Trindade”. Retrata pontos fortes da sensibilidade humana quando o tema volta-se para a morte e a vida, tão bem ministrados em personagens como o médico Louis Creed, sua esposa Rachel e seu filho Cage. Polêmico,a grande pergunta do livro é saber que preço estamos disposto a pagar para ter de volta aqueles que amamos. Este clássico que em muitos momentos posso comparar ao famoso “Frankenstein” ganha uma capa com os ressuscitados Cage Creed e o gatinho de estimação.

5# Christine (1983)
Neste livro, King recriou o terror de uma forma assustadoramente simples ao misturar sua paixão por carros com sua sutil sensibilidade de captar os dramas adolescentes de sua época. Arnie Cunningham é um jovem adolescente que sempre se via como um perdedor, uma mera presa, mas que ao colocar as mãos no velho Plymouth 1958 vermelho chamado Christine transforma sua vida numa história cheia de obsessão, ciúmes e vingança. O Destaque da capa é, claro, o corrompido Arnie e sua possante máquina de matar.

6# It (1986)
Duas histórias paralelas de sete crianças e sete adultos são contadas num dos maiores livros do autor. Como bem traduzido no Brasil, uma criatura chamada de “A Coisa” vive na cidade imaginária de Derry e ela se alimenta dos medos infantis. Enquanto crianças e adolescentes são mortos, Bill, Ritchie, Stan, Mike, Eddie, Bem e Beverly dividem as descobertas da adolescência juntos. No futuro, no entanto, o destino os traz de volta a cidade natal para por um fim definitivo à “fantasmas” do passado. A capa tem como cenário os pântanos do Maine onde cresce a imagem do assustador “Parcimonioso”.

7# Imsomnia (1994)
Não poderia deixar de incluir nessa coletânea uma das mais recentes e envolventes obras do escritor traduzida aqui como “Insônia”. Maestralmente colocada sob a perspectiva da terceira idade, acompanhamos o casal Ralph Roberts e Lois descobrindo o que há por detrás das malhas além do que simplesmente enxergamos e encontrar seres miraculosos que decidem o final de nosso destino. Numa missão que vai muito mais além do que unicamente esse livro nos mostra, Insônia é uma conexão para a “A Torre Negra”, a saga monumental em sete volumes de King. Na capa, aproveitei os personagens mais curiosos que King já escreveu, os Doutorezinhos Carecas e o alucinado e manipulado Ed Deepneau.


Bem, fica as sugestões para boas e arrepiantes leituras durante os futuros feriadões. Espero que tenham gostado das capas, estou ainda me decidindo na ordem com as quais mais simpatizei. E você? Gostou mais de qual?

C.X.



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h39
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Essas coisas de casamento...

    Entre as vantagens e desvantagens de se ter uma família tão imensa como a da minha mãe é que ano após ano sempre vai surgir aquela grande festa que junta a grande família, buscando de distantes lugares primos, tios e compadres. E, inevitavelmente, nessas reuniões sempre se arruma aquela grande pérola que serve como piada para o dia seguinte ao acontecido. Dentre batizados e festas de aniversário, leva sempre vantagem nesse tópico os casamentos.
    Lembro bem, quando ainda era muito pequeno e as pessoas de minha casa migraram para o interior do Estado para comemorar os eventos matrimoniais de um dos nossos. Roupas elegantes, salgados deliciosos e muita animação se misturam num só lugar. Contudo, tudo fica pequeno e insignificante quando chega o peculiar momento do buquê. Nos meus quase nove anos, aquela certamente era a primeira vez que eu vi tal particularidade da festa de casamento e confesso que me surpreendi.
     No esquisito ato de ver a noiva jogar o aglomerado de flores para trás, presenciei a minha prima quase da mesma idade num momento de pouca sorte ao se ver como a pessoa melhor posicionada para agarrar o tal buquê. Digo pouca sorte, pois mal seus dedos roçaram nas pétalas do arranjo, ela se viu atacada, pisoteada e lançada para longe.
     Minutos depois em que a confusão se definiu e duas das mais desesperadas moças da cidade partiram o buquê em dois, encontrei minha prima um tanto inconformada, com não mais que parte de uma flor e algumas folhas na mão voltar para junto de nós.
     - Oh, minha filha... não fique triste, não... você não ia casar agora nem tão cedo mesmo... – disse alguém, talvez minha mãe, dando um consolo que acho ainda hoje mal apropriado.


     Desde então, não importa em que casamento eu fosse, cenas assustadoramente estranhas parecem se repetir. Então, num tempo nem muito distante do ano de 2005, acabei por participar de mais um casório onde claro, o glorioso e competitivo momento do buquê não poderia faltar. Aproximei-me o suficiente para ver que a noiva, desta vez, foi precisa em seu lançamento e acertou com precisão milimétrica as mãos de uma conhecida mais próxima. Isso, contudo, não impediu que alguém tentasse tomar aquelas flores da moça, que lutou bravamente para obtê-lo. Assim, já me afastava do lugar meneando a cabeça quando o noivo grita:
      - Agora, é a vez dos homens pegarem o buquê...
      Com as sobrancelhas contraídas, voltei-me para o recém casado que por sinal era meu primo e soltei um irreverente “como é que é?”. Minha contestação sequer foi ouvida. Uma das minhas outras primas me puxou para o local e, com um sorriso largo na boca, começou a torcer para eu pegar o buquê. Assim, outros homens foram colocados na berlinda, primos e amigos.
      Ainda surpreso com a situação, via o noivo se preparando para arremessar as flores sempre vítimas de ataques e disputas femininas. Não demorou mais de um segundo para eu pensar em algo muito mais criativo e divertido para a noite. Alguém deveria ter me filmado nessa hora, pois certamente iriam ver um sorriso malévolo nascer. Sutilmente, promovi um montim e os sussurros rapidamente rolaram aos ouvidos dos homens.
      Sob a lentes das câmeras, o buquê foi ao ar o mais alto que pode e quando migrou em direção aos vários homens, a cena mais cômica de todos os casamentos que já vi se fez. Os marmanjos se afastaram assustados contra as paredes, abriu-se uma roda e o buquê caiu desolado no chão. Rindo muito, vi os presentes mantendo a máxima distancia como se aquilo fosse uma ogiva nuclear.
     Ainda não entendendo muito do que acontecia, o meu primo recém-casado se questionou na maior inocência abrindo os braços:
    - Cadê o buquê?
    - Ei... – virei para meu outro primo, irmão do noivo, e disse ainda na gargalhada. – Joga de volta!!!
    Dito e feito, num movimento rápido, ele passou a mão no chão e lançou o arranjo de volta, que comicamente parou mais uma vez nas mãos do noivo. Ele, ainda perdido, deu de ombros sem entender mais nada.
    Enquanto algumas das namoradas presentes, muito revoltadas, puxavam as orelhas dos homens pelo mal comportamento, eu voltei para minha mesa com um sorriso besta nos lábios e as mãos nos bolsos. O pensamento bobo não me fugia, no entanto, da mente.
    “Esses homens... tsc... tsc...”

Fim



 Escrito por Coveiro ¤ às 01h36
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So Carry on...

    Muitos dos meus colegas acabam olhando atravessado para mim quando por uma semana fico eufórico já estando as vésperas de um Show de Rock. É verdadeiramente um carnaval particular. No laboratório, triplico minhas palhaçadas, monopolizo o som ambiente com músicas da banda, enfim, faço a maior algazarra. E assim foi durante esses ultimos cinco dias por causa do Show de Angra que está para ocorrer nesse Sábado.

    Alegria assim só acontece uma ou duas vezes ao ano, quando uma ou outra dessas bandas de Metal Melódico que eu restritamente adoro vem pousar aqui em Recife e realizar aqueles shows inesquecíveis. Exageros a parte, a grande marca dessas apresentações seja de Angra ou Shaaman, não são a melodia vinda direto palco, os efeitos pirotécnicos ou mesmo a presença real dos artistas ali, bem à sua frente. Na verdade, a grande magia está mesmo no público, coisa que só quem sente é quem vai e para por um segundo para perceber que todos ali estão com olhares fixos, em transe até, e cantando em uma só harmonia. Por vezes, sinto que é como estar em outro mundo por 2 horas e aí só resta arrepios.

    Infelizmente, meu companheiro de rock, Gugadrum, está bem longe para compartilhar esses momentos, mas desta vez consegui até convencer amiguinhos da Genética para delirar comigo. Resultado, o sujeitinho de 26 anos vai se juntar a galera mais nova, a nova-era-Falaschi. Fascinante... Porque acho que isso dá margem para pequenos conflitos de gerações? ehehehehhe...

Mas, como dizem... "carry on"...

Depois do Show, conto as novidades pra vocês...

Para quem não lembra... Justamente um ano atrás, dia 22 de Outubro, eu colocava aqui na lápide o Criarte X com caricaturas dos membros do Angra. Quem não viu ou quiser rever, basta clicar no link aqui. Fiquem devendo algo pro show do Shaaman... quem sabe não repito o mesmo em Dezembro deste ano, não?

          Sombras...

                            C.X.


    UPDATED: 23/10/2005 - Dia Seguinte :::: Um dos maiores atrasos da banda e um ínicio difícil devido a impossibilidade de testar os equipamentos antes, Angra começou com desarmonia e muitos problemas. Eram evidentes que todos os problemas se resumia a mesa de som e após Edu Falaschi se explicar no final da segunda música, todo um trabalho da equipe técnica foi realizado durante o decorrer do Show. Quando finalmente chegou na quinta música, Temple of Hate, finalmente eu podia sentir o Angra de volta. Comentei com os meninos os problemas que eu conseguia identificar e ressaltei que agora eles iriam pagar nosso ingresso. Dito e feito, foi um dos maiores Shows de Angra que já vi. Dividiram em três blocos: o primeiro com todo o último CD, o segundo e maior com as melhores músicas inclusive aquelas pedidas durante o show pela galera e o terceiro, com a música do escolhida pela maioria. Sendo aniversário de 14 anos da Banda, foi bom ter visto que o Falaschi está 100% melhor em domínio de palco e soube controlar os animos. O Show parecia não acabar, a cada fim de nova música, eles se voltavam para a galera e soltavam um "que mais?" e os pedidos rolaram. Resultado:Duas horas e meia de show e um ingresso bem pago. 



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h02
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Crossing Blogs 006 - Terceira Temporada

Apenas um mito...

    Em algum lugar subterrâneo da Velha Grande Cidade
   Ergui mais uma vez a cabeça, com os olhos espremidos, forçando a visão diante da intensa luminosidade acima. Tudo o que eu conseguia captar nada mais eram que meros corpos, vultos disformes que me rodeavam formando um único círculo. Balbuciavam várias palavras entre si, mas nenhuma compreensível aos meus ouvidos.
   Ainda tonto e nauseado, vi que um deles se aproximava e parou diante de mim. Mesmo sem ainda conseguir ver seu rosto, era claro que seus olhos me fulminavam e analisavam friamente. Quando sua voz finalmente se fez presente, era firme e poderosa.
    - Então, vocês dizem que ele é... o Coveiro.
    Em resposta, por trás de mim, surgiram as duas jovens figuras que me deparei em um momento posterior. A menina de longos cabelos negros em trança e vestindo um traje arroxeado se pôs bem ao meu lado. O outro jovem de pele morena e de manta vermelha colocou-se mais atrás.
    - Não... isso é o que ele diz ser... – falou a garota.
    - Ele é jovem... – respondeu o homem. – Seria impossível...
    - Ele diz que já veio antes aqui, nesta cidade... – complementou o menino moreno. - ...mas não lembra de muita coisa... é o que ele diz.
    O vulto a minha frente silenciou por um tempo e cruzou os braços. Pude ouvi-lo suspirar, um pouco antes de voltar a usar sua firme voz.
    - Nas minhas noites quando criança, meu tutor sempre me contava histórias do passado. Ele era um homem que naquele tempo andava em bares e casas noturnas, em meio a jogos e bebidas, e nesses lugares ele ouvia muita dessas histórias. Numa delas, ele ouviu falar muito desse homem... o Coveiro, o homem das sombras que lutou contra o apocalipse e repentinamente sumiu aos olhos de todos. Longo tempo se passou até que alguém voltou a ouvir outras histórias sobre ele, mas para mim certamente tudo não passava de meras lendas. O Coveiro é um mito.

   Floresta Negra, mesma noite
   Por aquelas bandas daquela terra, poucas eram as pessoas que tinham coragem de atravessar tal lugar tão perigoso e sombrio. Era uma região de solo escuro, arvores de copas fechadas onde mal se podia ver as estrelas. O vento sempre passava assoviando lamuriosamente e os animais da noite vez ou outra gralhavam como velhas bruxas. Era um lugar que comumente era associado pelos remanescentes vivos dos homens como assombrado e repleto de criaturas medonhas.  Inusitadamente, mais uma dessas criaturas se incorporou a fauna local naquela noite.
    Mancando de uma perna, um gato de pêlo negro foi fazendo sua propria trilha na mata fechada até cruzar uma grande area de arbustos e topar com uma pequena clareira. Para sua surpresa, o lugar nitidamente aparentava um acampamento recém-montado. Folhas juntas forravam parte do chão formando uma confortável cama e uma fogueira ainda tinha suas brasas alimentadas logo ao lado.
    Pulando para mais perto, o animal negro finalmente foi acariciado pelo calor das chamas naquela noite fria. Empinou o focinho para o alto e deparou-se com o familiar cheiro de uma presença humana. Virou-se para o lado e finalmente viu o rapaz estranho, de rosto barbudo, cabelo franjado e pinta no rosto que vestia-se como um humano medieval.
Com ar curioso, o homem espremeu os olhos e foi se aproximando do gato preto até restar nada mais que dois passos entre eles. Agachou-se ao lado do animal e torceu o nariz de maneira cômica. Permaneceu emudecido apenas analisando o gato com interesse.
    - E aí, esquisito? Vai ficar o dia todo me olhando? – falou o felino com ar superior.
    - Um gato que fala?- espantou-se o sujeito. – Isso é espantoso!
    - Mesmo? Eu deveria dizer o mesmo de você... – implicou o gato.
    - Não zombes de mim, criatura inferior, ou podes sofrer perante o olhar impiedoso de Dantezco Zaupa, o guerreiro anti-spammer que veio do Sul – bravateou o sujeito.
    - Tá falando de seus olhinhos laranjas? Brincadeira... – zombou o felino cretino.
    - Meus olhos são... – defendeu-se o homem chamado de Dantezco.
    - Laranjas... Acredite, eu sei muito bem o que é alguém de olhos vermelhos. – falou o felino apertando os olhos. – Muito bem...
    Enquanto o homem de barba cheia contraia o cenho e se preparava para mais uma boa resposta que provavelmente seria retrucada pelo gato, um vulto distante, perdido na mata observava com cautela aquele inusitado encontro.

    Num reduto subterrâneo, na Velha Grande Cidade.
   Milhares de vozes rodeavam minha mente naquele momento. Parte delas vinha de fato de pessoas reais que ocupavam aquela sala ao meu redor. Elas sussurravam em grande alvoroço sempre que o homem imponente a minha frente calava-se momentaneamente. Outras eram vozes mais crianças, certamente oriundas dos dois jovens a quem fui refém. Todavia, outras vozes mais baixas estavam ali, não fora, mas dentro... como acontecia antes...
    - Esta casa por muitos anos protegeu a memória daqueles que no passado foram responsáveis pela existência deste mundo. Nós guardamos aqui tudo o que nos recorda um tempo glorioso de anos atrás, quando ainda havia harmonia. Essa tem sido a nossa sina. Nós guardamos tudo o que sobrou dos feitos do passado... – disse o homem imponente. - ... na esperança de aprendermos com eles e tentarmos recompor o hoje como era antes.
    Muitos homens e vultos ao redor confirmaram com veemência e só silenciaram quando o homem ergueu a mão fazendo um sinal.
    - Trazer esse impostor aqui usando esse nome... – disse ele rangendo os dentes. – blasfêmia...
    - Mas... mas... – o menino que me capturou adiantou-se. – olhe para o rosto dele... veja como é estranho. É mais jovem, muito mais jovem... mas não consegue reconhecê-lo?
    - É claro que conheço, Illusion...
     Então, o tal líder, o homem de voz prodigiosa, pela primeira vez se aproximou de mim. Ficou próximo o suficiente da luz para que eu pudesse erguer os olhos e examiná-lo. Tínhamos quase a mesma idade, apesar de ele ter marcas da experiência nos olhos. Uma face muito familiar que se perdia em minha memória e uma destaca mecha branca surgia na frente de seu negro cabelo. Ele mirou-me com veemência e continuou.
    - Claro que conheço... como poderia esquecer o rosto do homem que matou minha mãe...

Próximo: Mais mistérios se desenrolam...

 É isso... Estou de viagem e vejo vocês logo.

E não deixem de passar em www.engenics.com.br



 Escrito por Coveiro ¤ às 01h15
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Histórias de Aventura

       Da última vez que abri a Lápide para escrever um pouco da reconstrução de meu personagem de RPG, havia rapidamente comentado sobre como a arte de RPG me lembrava o trabalho realizado pelos irmãos Grimm ao contar histórias e recontar histórias em cima destas. Mal imaginava que um dia depois, eu me daria conta do lançamento nacional do filme destes alemães, algo que fazia meses que tinha ouvido falar pela última vez.
       Esperei um horário oportuno na sexta-feira e fui ver com muito gosto a produção. De fato, não houve do que me arrepender. Todo o filme tem um forte ritmo narrativo, sem deixar a apreensão baixar a qualquer momento. Você não consegue se  levantar nem por 2 minutos para ir ao banheiro. Tudo isso conseguido graças a mágica em conjunto do diretor e ex-Monty Python Terry Gilliam juntamente com o roteirista de Piratas do Caribe Ehren Krueger.

      A história, que parte do pressuposto irreverente de que Heath Ledger e Matt Damon que vivem Jacob e Wilhelm Grimm são meros aproveitadores de seus próprios contos e lendas criadas e adquirem dinheiro desonestamente até que eles próprios vivem o seu momento de conto de fada. Um conto de fada diga-se de passagem nada feito para crianças.
      De fato, a grande verdade é que a maioria das histórias fantasiosas européias eram “adultas” demais comparadas às que foram hoje recontadas pela Disney. E isso, de fato, o filme tenta a todo custo trazer novamente. Eles resgatam os contos europeus de um jeito genuinamente europeu, num cenário que mais poderia ter saído de um filme de Tim Burton.
      A verdade sobre a real história dos irmãos Grimm é que eles foram os grandes coletores de contos, lendas e historietas da Europa num tempo em que o sua terra natal estava subordinada pela dominadora França de Napoleão. Nascidos numa família que prematuramente perdeu o pai, os dois mais velhos irmãos,Jacob e Wilhelm, se viram obrigados a tomar cedo o papel de adultos para ajudar a mãe, mas ainda assim não deixaram a infância de lado. Eram ambos advogados formados, igualmente apaixonados pelo estudo das línguas e exímios coletores de fábulas. O resultado disso são dezenas de contos folclóricos vindos de Hesse e de inúmeras cidades européias por onde eles passavam e que se eternizaram em suas páginas. Da mais conhecidas, certamente vocês vão lembrar de Rapunzel, Cinderela, Branca de Neve e Príncipe Sapo.
      Enfim, sendo a história baseada dentro de uma outra e desta de outras, deixo aqui a minha recomendação para que procurem mais sobre os Grimm e ousem assistir essa fantasiosa adaptação, uma falsa biografia que os dois irmãos certamente adorariam ver e aplaudir de pé.


    Avisos Importantes!
    Alguns motivos me levaram a atrasar um pouco os prazos de Engenics. O próximo capítulo certamente deve sair nessa sexta-feira, com alguns drásticos dias de atraso. O episódio 11 deverá sair no fim deste mesmo mês. Isso também se refletirá em Novembro, quando teremos o intervalo para a confecção do novo arco “Fugindo de Casa” que levara Engenics ao ANO UM concluindo assim a minha primeira temporada.

    Na sexta-feira, também pretendo deixar um Crossing Blogs na Lápide e estarei viajando por todo o fim de semana. Infelizmente, nessa nova temporada de CBs está sendo impossível manter um compromisso como era na outra e ainda é em Engenics. Espero que entendam...

    Muita gente me animou para que eu contasse aqui as histórias de Ishmael. Está em estudo uma adaptação, pois contar aventuras de RPG na integra é uma tarefa um tanto árdua. Estou meditando sobre isso...



 Escrito por Coveiro ¤ às 09h21
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RPG: Histórias e Personagens...

    Bem, todos já sabem da minha história mais que batida de como é que eu comecei meus primeiros rabiscos.  Melhorando o traço aqui e corrigindo um acolá, fui desenvolvendo os meus desenhos. Em meio a isso, para cada desenho que se criava, havia a necessidade de se criar uma história para ele e, com isso, um personagem para integrar-se a ela. Assim, parti com pequenas charges no rodapé de meus cadernos escolares, pequenas revistinhas distribuídas para os amigos e caricaturas para camisas da turma do colégio. Onde houvesse possibilidade de criar algo fabuloso do nada, eu estava investindo. Portanto, era inevitável que, no ano em que nascia o RPG no Brasil, em meados do início da década de 90, meus olhos não se voltasse com bastante interesse para o jogo.

   Extirpando fora aqui os absurdos que a mídia já fez sobre o jogo, a essência dos “Role Playing Game” nada mais é do que a volta ao passado onde a criatividade e imaginação imperava sobre qualquer brinquedo. Sempre que se monta uma roda, eu vejo o mesmo que certamente se fazia no passado quando os irmãos Grimm chegavam numa cidade e as pessoas se amontoavam para ouvir seus feitos, todos certamente bastante mentirosos e fantasiosos, mas que mesmo assim ninguém se importava. O interessante certamente era a maneira como eles contavam que fazia cada ouvinte entrar junto com eles nas histórias.

   Essa maneira de cativar todo um grupo com histórias também me atraiu. Comprei o material básico e comecei meu papel de “Grimm” que durou anos e anos com um grupo jovem que amadureceu junto comigo criativamente. De “Mestre dos Jogos”, um dos primeiros daqui da minha terrinha, encontrei mais tarde um outro grupo ainda mais experiente e sedento. Todos ali tinham certamente o perfil de grandes Mestres, ou  ao menos, bons contadores de histórias. E mesmo um pouco enferrujados, ocupados com cursos universitários e problemas da horrenda fase adulta, obtivemos um resultado de mais de 3 anos com raros  encontros espaçados com aventuras gigantescas de personagens miraculosos. Eu costumo chamar de a aventura dos Mestres. Ou a história dos Heróis da Areia, como coloquei aqui anteriormente na Lapide...

Concepção artística para a aventura final da última campanha, com a presença de Ishmael (abaixo), Anaquin (a direita), Karnak (esquerda) e imagem representativa de nosso Mestre dos Jogos (acima).

    Em outubro do ano passado concluímos, uma campanha. O conjunto de histórias que toma proporções épicas e acaba de uma maneira lendária. Vibramos com o resultado e estávamos ansiosos por algo mais. E os indícios vieram....  após um ano...

    E eis que meu amigo Ishmael vai novamente para a prancheta e passa pelas mudanças de meu lápis. Ele começou com um mago muito jovem, que participava de um grupo de místicos que praticavam artes secretamente e arquitetavam por anos o fim do despotismo imperial sobre aquele mundo. Após a morte de seu mentor, foi instruído pelos outros magos mais experientes para viver nas sombras e investir aos poucos contra as colunas que sustentavam o Império. Assim, encontrou outros companheiros com ideais similares, lutou bravamente ao lado destes e, assim, também viu muitos dos seus perecerem.

Uma nova reformulação nas roupas de Ishmael. Agora, mais velho e mais experiente, ele toma para si um manto sobre seu colete místico, uma vestimenta mais nobre. Toda a roupa tem tons cinzas ou mais enegrecidos do que costumeiramente ele usava.

    As areias do tempo continuaram a rolar e após longo exílio aprimorando seus conhecimentos, chega o momento de Ishmael voltar à ativa. Num momento em que o Império retoma vorazmente sua campanha militar contra todas as direções do mundo, o mago procura novos e antigos companheiros para sua sutil batalha. Chega o momento de armar a flecha que atingirá o coração do Imperador. E este é um tiro que não deve falhar.

Arte final para Ishmael, onde ao fundo vemos o retorno do seu corvo, a ave inteligente e que em muito simboliza a sua relação com o secreto grupo de magos ao qual ele pertence.

C.X.


     O que vocês acham de eu publicar aqui em uma sessão trechos curiosos de aventuras passadas de RPG que mestrei ou participei? Algo que lembra e muito a antiga sessão “lendas lendárias” da revista Dragão. Vamos ver como essa idéia amadurece...

    Próximo: Crossing Blogs continua com Coveiro e Ébano...



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h01
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