Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





Email para Coveiro ¤X¤:
coveirox@hotmail.com



O Portal PARANIGMA engloba sites e blogs no qual o autor criou ou participa. Se desejar adicionar alguns destes links em sua página, mande um email e um codigo será gerado em retorno.
Coveiro ¤X¤

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Outros caminhos nessa estrada:

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Episódio 004 – Terceira Temporada

Um outro...

   Velha cidade, tarde da noite...
   Irresoluto, eu seguia sempre em frente, assim como me foi ordenado. Atravessei longo trecho onde nada mais havia além de ruínas de pedras. Passou-se um trecho coberto que mais lembrava um antigo túnel esquecido e depois dele um verdadeiro labirinto úmido e escuro. As ordens eram sempre únicas, como “siga em frente” ou “vire a direita”. E assim, fui sendo o prisioneiro de dois adolescentes, que a primeira vista pareciam meramente inofensivos. E ressalto aqui o “meramente”...
   - Ahmmm... Vamos chegar antes do Jantar?
   Falei em algum momento tentando quebrar o perturbador silêncio que se fez entre nós desde que eles me obrigaram a ser amarrado por uma corda e ir em frente segundo suas instruções. Em resposta a minha brincadeira, a garota foi firme.
   - Apenas continue... quando encontrarmos os outros, vamos decidir o que fazer...
   - Outros...? – falei tentando buscar algo mais.
   - Sim. Eles podem fazer com que você fale algo mais...
   - Algo mais? Não tem mais nada além do que eu te disse, menina... O que sei é que me chamo Coveiro X, que em algum momento já estive aqui, mas não lembro quando e que simplesmente eu apareci no deserto... e... houve um sonho estranho... com... Aarghhh...
   A dor violenta tomou minha mente e para surpresa dos meus dois jovens carrascos, eu me inclinei em agonia e tombei desacordado antes de impactar-me no chão. Meus olhos reviraram e lá estava revendo a mesma luz.

   O Espaço... o vazio... o nada...
   A estabilidade do eterno vazio se rompeu mais uma vez, e onde antes não havia nada formou-se o osso e a carne. O corpo se contorcia como num terrífico nascimento onde todas as fases de formação de órgãos e tecidos seguiam aceleradas gerando uma forma adulta. Era pequeno, menor que qualquer humano, quatro membros com garras ainda mal formadas e um fino e contorcido rabo. A cabeça foi tomando formas familiares, mas ainda assim animalescas. Quando sua língua formou-se, um grito foi silenciado no espaço onde apenas luzes de estrelas distantes figuravam.
   “Você é a criatura, a mais viva de seu criador, que uma vez esteve nesse mesmo mundo, sendo parte dele e sendo algo mais também. De muitos que tiveram a mesma formação, você é aquele que luta a todo instante para ser algo mais. Almejas a independência. Sua nova vinda a este mundo é fruto desta força de vontade...”
   A voz distante chegava às orelhas pontudas daquele ser recém-formado, onde agora começavam a crescer lustroso pêlo negro por toda parte. Pela primeira vez, abriu os olhos verdes e deparou-se com o caos reinante naquele espaço. As palavras vindas de toda as partes prosseguiram.
   “Desprendido mais uma vez das malhas da criação, você ganha vida mais uma vez. Assim como alguns outros, você terá sua porta novamente ao mundo. Serão os ditos viajantes, atravessando tempo e espaço, reconstruídos para ser a nova chave...”
   - Ora, que inferno, não daria para ser mais verborrágico...?
  “....”
   Após longo silêncio, o corpo negro pareceu se fragmentar em várias partes e de cada abertura, partiam brilhantes feixes de luzes atravessando até o infinito daquela escuridão. O pequeno animal deu seu último grito de dor até desaparecer por completo em uma única explosão de pura luz.
   “Volte das cinzas, Ébano, pois você foi também um dos escolhidos... e que a boa vontade dos deuses guiem o seu destino... pois o destino desse mundo também depende de você... para o temor de todos.”

   De volta a velha cidade...
   Imóvel e inconsciente, não havia como responder aos inúmeros chamados dos dois jovens. A garota, de braços cruzados olhava para meu corpo no chão com uma nítida expressão irritadiça, enquanto o jovem de pele morena mais uma vez tentava abrir meus olhos com tapas no rosto.
   - Isso só vai atrasar ainda mais as respostas dos mistérios desse... Coveiro X... – disse a garota olhando atravessado para o menino. – Bem, você vai ter que carregá-lo até a base agora...
   - Eeeeeeuuuuuuuuuu...? – admirou-se o jovem, que nem teve como retrucar. A garota já dera as costas e seguia o seu caminho.

   A Floresta Negra, mais ao sul da Velha Grande Cidade
   Por um momento, o céu pareceu ser rasgado por um relâmpago, mas não houve subseqüente rugido de nenhum trovão. O único som a romper a noite foi um estridente grunhido, como um berro sofrido de uma criança.
   - Miaaaaaaaaiiiiii... auch...
   Da cobertura da copa das árvores que protegia a Floresta Negra, o pequeno corpo foi despencando e encontrando no caminho os galhos dos velhos cedros e ciprestes do lugar. A cada violento impacto, o pequeno animal soltava um urro ou um gemido, voltando a cair livremente até dar de cara com novo pedaço do tronco que servia de obstáculo.
   - Miauch.... Ai... ugh... Miii... Auch...
  Após vários encontros com folhas e galhos, o ser de pêlo negro finalmente encontrou o chão. Tombando de cara, mal tendo chance de se proteger com as patas, a criatura chamada Ébano balançou sua cabeça completamente desnorteado e despejou mais um dos resmungos antes de cair completamente em inconsciência.
   - Alguém certamente vai pagar por isso...

   Em algum lugar, na Velha Grande Cidade...
   Voltei a minha consciência e minha cabeça não parava de latejar. Massageei com as pontas dos dedos a testa e abri os olhos. Precariamente consegui definir coisas ao meu redor. Uma luz intensa se fazia acima da minha cabeça, proveniente de uma intensa lâmpada de sódio que parecia ser a única daquele lugar. Sussurros e vozes se espalhavam cuidadosamente pelo ambiente. Confuso, sem idéia de quanto tempo estava desacordado, lembrei dos dois jovens que encontrei horas atrás. Volvi os olhos ao redor, mas não havia como encontrá-los. A escuridão me proibia de reconhecê-los, mas meus ouvidos e instintos não me enganavam. Haviam outros ali, muitos outros, ao meu redor. Todos eles com olhares firmes. E eu era o objeto de suas observações.

Próximo: Um Coveiro sob inquérito... E um gato chato neste mundo...



 Escrito por Coveiro ¤ às 01h06
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O trote e a árvore

      O ano era 1999 e o mês girava em torno de março. Começava minha vida na universidade e, com ela, eu ganhava uma estampa na testa com a palavra “calouro”. Logo no primeiro dia de aula, eu me sentia o próprio agente secreto, caminhando com toda cautela pelos corredores, conhecendo com muito receio cada novo aluno e andando com os dois olhos vasculhando todos os possíveis cantos antes de entrar em cada sala, banheiro ou secretaria. Tudo isso porque não estava disposto nem um pouquinho de levar uma das tais famosas “coças” que os novatos são submetidos.
     Lembro bem das histórias de meu tio, hoje médico formado e bem formado, dizendo que foi obrigado a beijar a estátua do patrono do Centro de Ciências da Saúde e, mais tarde, arremessado num canalzinho perto do Departamento de Fisiologia. E logo nas minhas primeiras idas para a UFPE, já me deparava com o busto do tal senhor e o tal canal, só que vazio. Suspirava e saía a passos corridos dali.
      No meio dessa primeira semana, veio então o pessoal do Diretório Acadêmico, propor uma “amistosa” visita a todos os laboratórios e realizar algumas dinâmicas num horariozinho depois das aulas naquela semana. Participei de uma delas, para o Departamento de Genética (nem imaginando que conseguiria estar tão arraigado a ele mais tarde) e tive uma boa idéia de como era brincar de ciência ali.
     Nos outros dias, o vinculados ao Diretório, seguiram as visitas para outros lugares, mas sentia ali que em breve, muito em breve aconteceria uma surpresa. Por minhas sorte, no dia dela, uma sexta-feira, eu estava longe. Só fui saber na segunda feira seguinte que foi muito “divertido” ver o pessoal da minha turma completamente pintados como araras rodando o campus cantando alguma coisa que não me lembro agora. Eu ri e pensei como foi “divertido”... para o pessoal do D.A.

     Alguém, então, no meio do depoimento me contou que no final todos ajudaram a plantar uma árvore. Era um ipêzinho, onde ainda hoje há discordâncias entre mim e os outros se ele é amarelo ou roxo, e que foi colocado num lugar muito cômodo dentro dos Centro de Ciências Biológicas. Fui até e conheci o sujeito. Foi a única coisa em todo o “trote de calouro” que tive vontade de fazer.
     Minha oportunidade de plantar árvores veio um ano mais tarde, com um bosque de pau-brasil que deu a maior canseira numa longa tarde. Infelizmente, não sei ainda se alguma daquelas mudas vingou, mas a olhos vistos, o ipêzinho da turma foi crescendo. Ganhou mais tarde o nome de a árvore da montanha, o mesmo nome de nossa turma, a tão conhecida no CCB pelos ataques das abelhas e que agora ostenta uma placa com o símbolo celta da “árvore da vida”. A plantinha cresceu forte por cinco anos, até que me alertaram sobre sua “morte” nesse ano que passou por causa de pesadas chuvas. 
     Fui correndo tentar ver se a salvava de algum jeito, mas as raízes estavam fracas, as folhas caíram e seu tronco mudou de cor. Estava decretado o seu fim. Contudo, o que miraculosamente nós não esperávamos era o nascimento de um broto. Ao lado da velha e morta árvore, levantou-se um brotinho, vindo de uma inusitada semente acho eu, e que está mais uma vez crescendo com vontade, querendo ter sua oportunidade de ilustrar o CCB mais uma vez.

É... ciclos... acho que fiz bem em colocar aquele símbolo celta em nossa placa... Árvore da Vida... a Árvore da Montanha... ô e i a ô...


Para ver fotos da árvore em várias fases, clique nos links abaixo:

Nascimento

 

Crescimento


Momentos finais

Novo Ciclo


Para conhecer a comunidade da minha turma no orkut, clique também aqui



 Escrito por Coveiro ¤ às 11h17
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Tudo o que faço, faço bem depressa...

Tudo o que faço, faço bem depressa...

Assim começa um dos poucos poeminhas que gosto e ao qual me vinculei... tem sido esse o meu lema... tem sido essa a minha sina... por vezes, maldição. Assim, após praticamente estudando pro concurso de genética de populações, eu achei que esse pequeno fator iria ser a apunhalada em minhas costas. Da boca dos outros, eu ouvi elogios como “didático”, “ilustrativo” e “sem abusar de frases em slides”... contudo, sempre acabava num... “você foi rápido demais”...

Sai de minha aula me lamentando, fui pra casa querendo esquecer tudo e assisti uma sessão da tarde aos resmungos. Na verdade, a última coisa que pensei foi em me conectar para falar com vocês, que me acompanham...

Já era final de noite, quando toca o telefone e eu recebo um “Parabéns! Você passou...”. Eu quase puxo a pessoa pelo fio do telefone (se isso fosse possível) e retruco “Não brinca?”. É... eu ainda não vi com meus olhos... vou correndo amanhã enfiar a cara no vidro do quadro de avisos do Departamento de Genética... depois vou me beslicar a vontade... Então, finalmente, eu vou cair na real... é... fui rápido, muito rápido... e consegui...

É... por um ano, podem me chamar de Professor C.X.

Obs 1: Eric Ward que se cuide... eheheheh...
Obs 2: Viva Setembro.... Foda-se Agosto...



 Escrito por Coveiro ¤ às 19h35
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A História do Boicote

     Bem, vamos logo ao assunto. Algumas pessoas nesse domingo que sorridentemente entravam na páginas do Engenics, se depararam com uma atualização antiga e sem o esperado episódio oito que continuaria a nova saga “Presas e Predadores”. Certamente, muitas delas pensaram que eu estava costumeiramente tendo um atraso de algumas horas devido a edição final do capítulo e aguardaram até o dia seguinte. Contudo, mais um dia se passou e nada de surgir uma atualização ou sequer um aviso do que diabos estava acontecendo. Passou-se segunda, terça, quarta e, então, começaram a surgir email enlouquecidos em minha caixa com pessoas achando que eu havia falecido sem dar a devida continuidade a série.

     Bom, apesar de que eu de fato temo por essa possibilidade, eu posso assegurar que eu estou bem fisicamente. O mesmo pode-se dizer das minhas faculdades mentais. O capítulo oito também estava pronto. Tudo prontinho para ser levado a vocês logo no começo da tarde do Domingo. O que eu não esperava era um boicote. Sim, isso mesmo... A página Engenics foi boicotada essa semana.

     Para quem não sabe, grupos errantes da Hackers decidiram tomar algumas páginas influentes da Internet em prol de que elas só voltassem ao normal depois de que seus apelos fossem ouvidos. Assim, entre muitas páginas como a da Nasa, Orkut, Submarino e a CNN News, o meu pequeno site de histórias quinzenais foi tomado como refém pela causa destes revolucionários.

      Entre os protestos desses homens, estavam o pedido para que a decisão da expulsão dos judeus na faixa de Gaza fossem reavaliada, um melhor atendimento da famílias em situação precária após o Katrina no sul dos Estados Unidos e a criação de um Santuário de proteção ambiental para a baleia corcunda no Atlântico Sul.

    Indiferente aos resultados desses protestos, eu consegui negociar de novo a minha página após minha ameaça de matar meia dúzia de meu elenco e transformar tudo num roteiro de Mangá. Diante de tal absurdo, os terroristas devolveram o Engenics em tempo hábil e todos vocês podem visitá-lo agora. Lá vocês vão encontrar o novo episódio e mudanças interessantes no Forum. Quanto ao site da Nasa, CNN e Submarino, soube que eles também conseguiram resolver seus próprios problemas, contudo até o dia de hoje muita gente continua com dificuldades de acessar o Orkut como era antes.

     Bom, brincadeiras a parte, além de avisar que está tudo normalizado, quero deixar um pedido de ajuda, principalmente para todos vocês que usam o site de Midis da Labellaluna. O preço da hospedagem mensal, devido ao crescimento de pessoas usando seus midi voices, aumentou em inúmeras vezes e ela corre o risco de fechar temporariamente o lugar a qualquer momento. Com isso, estou pedindo para que contribuam com o quanto puderem fazendo o deposito na seguinte conta do Itaú:

Labellaluna Midis - Contribuições
Numero da conta:
itau ag 3815 c/c
25440-8
Nosso e_mail:
labellaluna@labellaluna.midis.nom.br
Nosso site: http://labellalunamidis.com.br

      Sei que parece difícil contribuir, mas o pouquinho que cada um puder dar num mês ou outro poderá sustentar o site por mais tempo até que outra solução se mostre. E, com isso, as aventuras dos Crossing Blogs continuarão ainda divertidas de ler com os fundos musicais. Um outra forma de contribuir é através dos cliques nos anúncios Google, na segunda página. Cada clique diário concede centavos que juntos poderão ser uma grande ajuda também no futuro. Então, se acostumem a clicar lá assim como tomam café todas as manhãs... he he he...

     Antes de terminar, claro, não podia deixar de comentar a insistência do Ébano em manter aquele seu blog de pé. Deu até pena do coitado, mas não sei se tiro ele do castigo e permito que ele continue usando meu computador.

Bom, acho que já dei explicações demais por hoje. Voltarei com mais atualizações no meio da próxima semana.

Até lá e... Sombras...



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h49
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Truques de Fumaça e Fogo

Episódio 003 – Terceira Temporada

    A Velha Grande Cidade, noite
    Agarrando-me a irregularidade do solo, engatinhava rapidamente para longe do fogo no chão que se espalhava bem diante de mim. A fúria das chamas crescia devastadoramente consumindo o mato seco ao redor, mas o pequeno incêndio não era o maior de meus problemas. Logo atrás, o imenso lagarto causador daquele caos se aproximava com todo seu corpo imenso, mas com passos estranhamente leves.
     Forcei meu corpo para se por em pé e percebi que ainda havia mais força do que eu imaginava. Virei-me para a fera e lá estava ela me fustigando com suas pupilas enormes. De sua boca, pendia nacos de saliva vermelha misturada com sangue, provavelmente oriundos de uma chacina por ela cometida. Em desafio, ela urrou e grunhido era medonho, porque lembrava um grito quase humano.
    Dei de costas e corri. Não havia como me safar dali enfrentando cara a cara a fera uma luta justa. Pelos cantos dos olhos, vi o monstro cruzar a barreira de fogo sem mesmo se queimar e partir com seus gigantescos passos contra mim. Procurava por algum abrigo, cruzando passarelas estreitas, mas o gigante lagarto vinha na mesma resolução.
    Repentinamente, meu ouvidos alertaram uma explosão. Mal pude girar os olhos, e vi a imensa bola de fogo atrás. Mais uma vez, meu corpo foi ao ar e assim escapei de ser cozinhado vivo. Mais adiante, vi a destruição da parede de uma residência ao entrar em choque com as chamas do dragão.
    Voltei-me para o chão e lá encontrei entre os destroços, grandes blocos de pedra. Peguei um de tamanho suficiente para atacar a criatura e arremessei. Contudo, foi em vão. Eu mal podia entender como as pedras simplesmente se desintegravam em contato com aquele grande dinossauro cuspidor de fogo. Havia algo de muito estranho ali, mas eu não estava disposto a parar e tentar desvendar.

     Num lugar não muito longe, a Fortaleza.
    Do outro lado da cidade, um pouco mais distante, onde se elevava a escarpa de uma cadeia de montanhas, uma gigantesca construção de pedras negras predominava em um ponto alto. De lá, era possível ter uma vista de todos os lugares aos arredores daquela região. Ao sul ficava o interminável deserto, ao oeste uma floresta negra e selvagem, ao norte uma planície sem fim que levava a lugares místicos e, ao leste, via-se um bosque assombrado.
    No centro de tudo aquilo, estava as ruínas da outrora Grande Cidade, o lugar esquecido, onde os poucos sobreviventes continuavam a lutar todos. Dali, de uma das janelas mais altas da Fortaleza, uma figura perdida na penumbra observava.
   - O vento dança diferente essa noite... sutilmente ele me assopra para uma mudança inesperada... ali... bem abaixo de mim... – a mão branca esticou um dedo até a cidade. – Eu vejo perfeitamente na escuridão, assim como você perceberá na luz... vá, seja os olhos e me traga algumas respostas.
    A ordem do ser escondido se dirigiu a alguém mais atrás. Sem tornar o rosto, ele ouviu a porta cerrar e sorriu. Seu enviado estava a caminho.

    A Velha Grande Cidade, entre os destroços...
    Tentei dar a volta pelos destroços do prédio caído, mas a fera avançou com um pé diante de mim interrompendo minha passagem. Sua cabeça avançou em sua primeira tentativa de mordida e eu me coloquei distante. Escalei a montanha de destroços do prédio destruído e me deparei com um vergalhão de ferro solto preso ao concreto. Com as mãos firmes, puxei e ele se soltou facilmente, revelando uma ponta afiada na extremidade.
     Virei-me para o animal e apertei os olhos em tom desafio. Ergui minha nova arma de ferro que mais lembrava um longo espeto e firmei o punho antes de investir. A fera, como que percebendo meus próximos movimentos, rugiu mais uma vez como um homem antes da batalha. Parecia ser uma luta desigual, homem contra monstro, como numa das mais fantásticas batalhas das histórias épicas. Corria com toda determinação contra o animal esperando pegá-lo de surpresa e a criatura, mais uma vez, lançou sua chama que parecia partir de muito além. A bola de fogo riscou todo o caminho arranhando o ar e faltando poucos passos até chocar-me contra ela, eu gritei:
    - Sombras...

     Meu corpo se desfez como um fantasma negro que nunca esteve ali. A bola de fogo atravessou o lugar onde eu antes estava e se chocou novamente contra outra parede, desfazendo-a em pedaços. Nos segundos seguintes, meu corpo simplesmente se manifestou no ar bem acima da cabeça do monstro. Com uma das mãos, apontei a ponta do vergalhão para baixo mirando bem no centro da nunca do monstro e meu corpo caiu com a gravidade.
    Com aquela distância, esperava que tivesse força para afundar o espeto no cérebro do réptil, atravessando sua dura carcaça, mas para minha surpresa algo inesperado aconteceu. Quando a ponta tocou a cabeça do monstro, ele simplesmente pareceu tornar-se translúcido. Era como um fantasma etéreo e acabei por atravessá-lo como se fosse um holograma.
Meu corpo caiu pesado no chão do asfalto e gemi com a dor do impacto. Rolei pelo chão e ao me erguer, a imagem do temível lagarto desaparecia no ar como uma miragem. Absorto, ainda me questionava o que acontecia quando vozes juvenis chegaram aos meus ouvidos.
   - É... – a primeira voz era de alguém jovem. – Ele me surpreendeu.
   - Muito bem, forasteiro! – disse alguém que parecia ser uma menina. – Você já percebeu que o truque do meu parceiro é uma ilusão... mas meu fogo, não é.
    Espremi os olhos adiante e vi que dois jovens, ainda na adolescência, estavam em cima do morro mais alto formado pelos novos destroços causados pela ultima bola de fogo. Um era um jovem de pele morena, cabelo bem negro e lembrando um mago da era moderna. A outra era uma garota de pele clara, longos cabelos negros e com um roupa com traços mistos entre o grego e o céltico. Numa das mãos da jovem, uma pequena bola de chamas parecia se formar.

Próximo: Coveiro, Estrela Negra e Illusion juntos...

ATENÇÃO!! Por muito tempo, minha amiga Labellaluna, disponibilizou livremente midis para sites e blogs. Infelizmente, esse site de midis está com os dias contados e estamos tentando reverter essa situação colaborando de todas as formas. Saiba mais aqui...



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h52
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Crossing Blogs:

Cidade Esquecida

Episódio 002 – Terceira Temporada


     A Velha Grande Cidade, no fim da tarde...
    Meus passos tortos me levaram até o grande portal de entrada, algo que mais lembrava um grande arco comemorativo onde em algum lugar deveria estar uma placa de boas vindas. Contudo, não havia nada de hospitaleiro ali. O concreto velho e inchado daquele monumento parecia estar preste a cair e o resto da estrada era mais nada do que asfalto rachado onde grama crescia pelas aberturas. Mais a frente, os primeiros prédios e casas despontavam, como fantasmas de antigas modernas construções.
     Alguns minutos atrás, meu corpo havia chegado no limite da exaustão. Ia parar e deixar o deserto me matar. Contudo, eu vi cidade à frente e meu coração pediu uma nova chance. Se fosse verdade o que diziam meus olhos, eu me arrastaria até o fim. Então, trôpego, consegui chegar até a cidade. E eu podia tocá-la. Ela era real.
     Caminhava por uma avenida, que antes parecia uma estrada que repentinamente foi coberta pela areia do deserto e seguia reta até a parte mais profunda da cidade. A sua margem, ruínas de grandes arranha-céus se erguiam, dando uma leve impressão de que se curvavam sobre mim, engolfando a presença estrangeira.
      Olhava para aqueles prédios destruídos, as ruas desgastadas e era acometido por visões repentinas e perdidas que pareciam reais. Tinha a nítida impressão que já passara ali, conhecera aquela cidade uma vez e ela era grande, bela e poderosa. Nela, haviam pessoas, muitas pessoas andando por aquelas calçadas como formigas. Meneava a cabeça, tentava me esforçar, mas aquelas estranhas lembranças fugiam.
     Continuei a seguir pela interminável avenida, procurando um último vestígio de vida que lá ainda residisse, mas nada se movia além do vento frio que começava a vir com a noite. Aquela cidade agora era um digno refúgio de fantasmas, e mesmo sem eu saber, naquele momento dois deles me vigiavam.
     - Eu sabia! Não é um deles... – disse uma voz escondida. – É um estrangeiro...
     - Pode ser uma armadilha. – retrucou outra. – Você não acha o rosto familiar?
     - Talvez! Não tenho certeza... – respondeu a primeira voz. – Vamos segui-lo e ver se ele tem algo útil para nós...

     Vale Perdido, Pôr do Sol
    Mesmo resoluta, ela sabia que seria difícil deixar aquele lugar. Foi ali que fora criada desde muito nova, brincando com os filhotes de doninhas e dividindo alimento com as demais raposas e os gatos do mato. Nas ultimas horas havia preparado tudo para a grande viagem. Montou uma mochila de couro e nela colocou mais uma muda de roupa, carne seca, frutas e pequeno odre de água. Os esquilos lhe trouxeram nozes e ela agradeceu. Arrumou um grande galho de teixo caído e com ele fez um bordão, pois eram ferramentas muito úteis para viagem. Estava pronta, mas algo a impelia para voltar dizendo que estava tudo errado ou que não estava pronta.
     - É medo... sua tonta... – falou Kitsune para si, forçando uma maior confiança.
     Voltou-se uma ultima vez para os limites do Vale Perdido e viu na borda da mata todos os outros animais-companheiros daquele lugar e a mais velha raposa estava entre eles. Ergueu a mão e acenou. Voltou-se para a rota e decidiu que não mais olharia para trás. Se olhasse mais uma vez, certamente ficaria.
     Com o bordão na mão, foi fazendo seu caminho pelo campo de mato alto na frente. Sabia que o caminho seria bastante longo. Levaria muitas noites e muitos dias até encontrar as pessoas, a viver suas aventuras e deparar-se com o seu destino.
     Então, as últimas palavras da velha raposa de olhos vermelhos naquela tarde voltaram a sua mente mais claras agora. “ O seu caminho é único e mesmo que se perca, sempre tomara a trilha certa para encontrá-lo. Isso não quer dizer que será fácil, pois muitos desejam se opor a essas mudanças. Em minhas visões, sei que vocês encontraram o falso macaco de cara vermelha, a criança de mente doente com seu bando, cinco desafios dos Mundos e dois opostos do caos, o Rei Negro e o Rei Branco...” 

    Interior da Velha Grande Cidade...
    Eram os últimos resquícios do sol e a quase toda cidade já estava coberta pela penumbra, quando minha visão deparou-se com a solução para o meu sofrimento. A pouca luz iluminava o mármore acizentado e rachado da imensa fonte que ornamentava o centro de um lugar. Apressei minhas pernas como pude até lá, rezando no meio do caminho e quando meu corpo debruçou sobre aquele perdido chafariz, eu vi água.
     - Eu não acredito...
     Minha voz saiu rouca e quase inaudível. Toquei a mão na água e pude sentir o frescor. Juntando os dedos, fiz uma concha e levei o líquido ate a boca. Sorri bobamente me deliciando. Sentei na beira daquela preciosa fonte, agradecendo a bondosa alma que a havia conservado. Molhei o rosto e os lábios ressecados. Joguei água nos cabelos e suspirei sentindo um pouco de quietude depois de tanto tempo de injúrias.
     Com a respiração mais calma e minha mente mais centrada, meus pensamentos começaram a fluir com mais destreza. A primeira idéia era arrumar um lugar confortável e seguro nessas ruínas para enfrentar a fria madrugada. Na manhã seguinte, eu precisava encontrar comida.
     Um ruído que parecia romper dos céus desviou completamente minha atenção para o alto. Abri repentinamente os olhos e vi que meu pequeno momento de descanso havia cessado. Meu cérebro reagiu por impulso e lancei meu corpo ainda enfraquecido para longe dali. Rolei pelo chão alguns metros de distância e finalmente ouvi o estrondo. Ergui a cabeça e vi que a bola de fogo que vinha em minha direção, afundou-se no velho asfalto poucos metros de onde eu estava. O fogo rapidamente se espalhou ao meu redor.
     - Mas o que...?
     Minhas palavras perderam-se na minha boca quando meus olhos se direcionaram para trás de uma velha casa de dois andares nas imediações da rua. Senti todo o meu corpo tremer quando aquela monstruosidade se fez presente. Bufando pelas narinas e com grandes olhos medonhos, o autor do ataque se apresentou. Era uma criatura de quase seis metros de altura, escamosa e de aparência assassina. Algo que lembrava profundamente uma quimera de um dragão mítico e uma das feras pré-históricas.

Próximo: Coveiro X em combate...



 Escrito por Coveiro ¤ às 01h34
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É, esse também é meu dia...

     Hoje, acordei e ao ligar o computador fui surpreendido por alguns parabéns. Passado algum tempo depois de meu aniversário, achei estranho e foi quando me alertaram que neste dia três de setembro é comemorado o Dia do Biólogo. Eu sorri agradecendo, mas rapidamente minha mente se perdeu em algumas memórias.

     Já faz alguns anos que eu estava decidido a fazer um vestibular (onde todos achavam que eu iria partir para uma área de informática, desenho ou qualquer coisa parecida), quando me voltei para saúde. A princípio o foco que ia se perdendo em medicina ou odontologia, foi otimizado para a direção certa. Eu estava me encaminhando para aquilo que queria quando criança. Passaria a ter o prazer de conviver com aquelas curiosidades sobre animais e a sua evolução no planeta.

     Então, vieram quatros bons anos com uma turma que dividia as mesmas paixões. Tempos que eu guardo com carinho num baú de preciosidades em minha mente. Depois, vieram mais dois anos no mestrado, onde me enfiei no laboratório, mas sempre aproveitando qualquer vaga em excursão de campo para reviver o contato com a natureza. E aqui estou eu, hoje, refletindo como construí essa história tão ao acaso e tão guiada pelo instinto.

    Sintetizar em um único texto meu aprendizado nisso tudo é impossível. Eu não conseguiria ordenar e transmitir com fidelidade o que eu gostaria e... deveria. Mas fica aqui o meu registro para esse dia, um marco anual para aquilo que na verdade faz parte de todos os meus dias.

"O erro de um médico pode custar uma vida, o erro de um engenheiro pode custar muitas vidas, mas o erro de um BIÓLOGO pode levar uma espécie a extinção"
Frase da minha formatura, a qual até hoje não sei a autoria.

Todas as imagens acima, fazem parte de meu álbum de fotos pessoais.


Parabéns também para Peter Pan, Doutora Janaína e Raposa Vira Lata
  O mesmo vale para os leitores biólogos, que conheço ou não pessoalmente...


Próximo: O Segundo Episódio dos CBs



 Escrito por Coveiro ¤ às 13h15
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