
Coveiro Versão 2.6
E lá vem mais uma história outra vez...

É... aconteceu já faz algumas horas dessa mesma data, só que ela era um outro dia e pertencia a um outro ano, que já se perdeu faz mais de vinte décadas atrás. O certo seria para eu vir ao mundo num dia de agosto, mas algo perturbador dizia que eu não podia vir nesse mês. Algo que se transmite até os dias de hoje, pois os próximos 30 dias sempre me deixam de certa forma eriçado. Portanto, dizem que eu lutei como um desesperado naquela madrugada e, por nada no mundo, eu arriscaria deixar passar pro próximo dia. Então, vim com oito meses e alguns dias respirar esse ar e já batendo as mãos para saber qual a próxima coisa a fazer. Era um moleque de leão, um daqueles autênticos, com alguma coisa de gêmeos e libra também. E essa conjunção só me faz lembrar daquela história real com dois leões africanos, o “Ghost” e o “Darkness”, escrita por William Goldman e que até filme já virou. Nenhum motivo especial para associá-los comigo, eu acho. Talvez, por terem dado bastante trabalho para fazê-los parar, como por vezes acontecia comigo. Ou mesmo porque eu tenho leões demais associados nos nomes e na naturalidade.

Olhando para trás rapidamente, correndo velozmente pelo tempo que passou, examinei e cada história nesses vinte e seis anos. E quando percebi que elas enchiam as minhas mãos, vi a necessidade de começar a escrevê-las em pequenas autobiografias. E quanto mais desses curtos casos iam passando pro papel (ou tela de computador), eu via que mais e mais delas surgindo em meio ao pó das minhas lembranças. Ao menos, isso me garante pelo menos mais alguns anos para ter o que escrever aqui nos diários da estrada. Coisas perdidas no tempo do campo, coisas que somente vi em viagens, coisas que simplesmente estavam ao meu lado e deixei passar... envelhecer como uma bebida... e estar hoje apreciando. É como uma mágica que desenvolvi, valorizando tanto cada momento mínimo de toda a minha existência quando outros simplesmente engavetando tudo como simplesmente uma história qualquer. É, de fato, uma mania esquisita essa minha de transformar uma simples caminhada na maior das jornadas. Contudo, acho que só é assim que começam nossas grande aventuras: dando valor aos nossos passos.

E parte desses passos, eu posso dar aqui mesmo, sentado na frente de uma tela de computador. Sem mexer um músculo dos pés, eu posso ir muito longe. Aqui, foi a primeira vez que fui criando mundos e histórias. E foi através da Lápide, que um pouquinho disso chegou nas mãos de muitos outros. Exatamente, um ano atrás, eu vim aqui contar uma história para esse dia. Agradecer a todos como venho hoje por dividir comigo essa jornada. Uma aventura num mundo em que não sabia quanto tempo ia durar. Até, hoje, no entanto, a estrada continua, mais gente nova continuo a encontrar no caminho e a necessidade de mais histórias a eternizar eu vejo. Hoje, meus passos deixam para trás, um ano e meio de minha vida aqui... ... o caminho adiante, no entanto, é completamente incerto... ...mas me parece ter muito o que encontrar.
Finis
Próximo: Crossing Blogs Será... Será Possível?
E acompanhe a conclusão do Arco “O Herdeiro” Em Engenics nesta segunda!!
Escrito por Coveiro ¤ às 12h19
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Retrospectiva 2005.2 :
Lápide... Um ano e Meio...
Ciclos... ciclos... ciclos... Chega os momentos finais desse primeiro semestre de 2005 e me vejo, mais uma vez, fechando portas... abrindo outras. Concluído o meu mestrado, sinto o cheiro de mudanças no ar. Quando eu olho para trás, vejo aprendizado e histórias memoráveis. Mirando o futuro, algo atraente me chama. Assim, são as coisas.
Os ciclos em mim parecem ter a esfomeada necessidade de serem rápidos, fugazes... eles tentam se adaptar num período único de um semestre. Em seis meses, a grande historia compostas de menores contos tem que chegar ao seu final. E com ele, um gancho para próximos capítulos.
E assim, em ciclos, ocorrem também as coisas que toco e crio com as mãos. Em um momento, veio a Paranigma e ela teve seu ciclo. Logo após, o embrião deste blog, no formato de um informativo por email. E enfim, eis que nascia da sombras... seis meses depois...
Lápide
O blog que nasceu de uma maneira e passou a se reconstruir a cada nova temporada. E em cada nova etapa, aqueles que o acompanhavam sentiam uma mudança no jeito da escrita, nos rumos das sessões e, junto com isso, o visual. O “template”, como costumam usar como termo. Não era apenas uma mudança repentina e um colírio para os olhos. As imagens tinham uma mensagem oculta... eram temáticas. E é através delas, que guiarei a breve retrospectiva dos últimos... um ano e meio de Lápide.

28 de Janeiro de 2004, um ano e meio atrás... A Lápide estreava no universo virtual, trazendo mais uma vez a vida o velho Coveiro, que como alguns já sabem, passava por um momento difícil na sua jornada pela estrada. As primeiras palavras partiam soltas... poemas e trechos de seus textos perdidos... eram comandos instintivos.... uma tentativa desesperada de recuperação. Aos poucos, através do poder das frases, aquele que atendia por Coveiro se fortaleceu e, junto a ele, os textos que ganharam novamente um brilho intenso na escuridão. Surgia a primeira “sessão” chamada “In Memorian” onde textos baseados em fatos reais da vida do autor eram colocados de uma maneira mais divertida e fechada num único relato sem interligações. Mais tarde, os contos do Coveiro ganharam versões com personagens baseados em Blogs e Blogueiros conhecidos e assim veio o tão aclamado “Crossing Blogs”. Em seguida, as “Paginas Negras” surgiram fechando assim o ciclo interativo do Blog com um “informativo coloquial” sobre curiosidades gerais do Meio Virtual. Com tudo isso, essa primeira fase da Lápide foi definida por um template que se montava aos poucos... começando com um simples mausoléu e a logomaca da Paranigma, terminando com a presença de um convidativo Coveiro de roupas no estilo Grungee se apresentando com seu cartão. Assim, do nada até um pleno renascimento, essa fase não teria outro nome melhor senão como sendo o UNGIDO DA ESCURIDÃO...

28 de Julho de 2004, um ano atrás... Assim como a comunidade em que estava inclusa, a Lápide crescia de uma maneira inesperada. De certo modo, eu a via como uma ponte para todos os demais blogueiros e visitantes que a acompanhavam. Algo que transcedeu os comentários e passou para os posts, graças aos Crossing Blogs. Isso aconteceu de tal forma que culminou numa grande Saga. As historietas, sempre com bons resultados na opinião dos leitores, metamorfosearam-se no Crossing Blogs Saga, o evento que dominou por mais de seis meses a Lápide, deixando de lado praticamente toda as outras sessões. Para o autor, aquela era a chance de algo antigo se realizar... uma espécie de historinhas em quadrinhos onde seres fantásticos se uniam para combater um grande mal... um conto que partia de suas palavras e seus próprios rabiscos. Para os blogueiros que acompanhavam, aquela era a chance de se ver personificado como o herói dos seus sonhos. Para os apenas leitores, uma divertida “Graphic Novel” que podiam acompanhar quinzenalmente. Assim, aconteceu aqueles seis meses, como bem mostrava a imagem principal do template, uma jornada de um Coveiro pela estrada... a mesma estrada que o fez conhecer aqueles tão especiais que agora eram tão personagens quanto ele na Saga, uma fase que leva o justo nome de NOVOS PASSOS NA VELHA ESTRADA.

28 de Janeiro de 2005, Seis meses atrás... Passou-se um ano de blog e, em sua data de aniversário, já ocorriam rumores de que a Lápide estaria em seu momento final. Restavam menos de 10 capítulos e algo perto de um mês para o final da Saga. Assim, em fevereiro, concluiu-se o episodio final do Crossing Blogs Saga e, nele, o personagem Coveiro sumia... deixando para trás os queridos conhecidos e desaparecendo mais um vez no véu negro. Este final ia muito além do conto e simbolizava um tempo onde de fato o autor teria que dar uma grande parada naquelas divertidas histórias. Os textos da Lápide se tornaram muito além do semanal e chegavam absurdamente a se passar cerca de dez dias até que novamente houvesse uma atualização. Nessa época, no entanto, prevaleceu a volta dos “In Memorians”. O quase abandono do Blog diminuiu nitidamente a presença de seus costumeiros viajantes e muitos poucos acreditavam sequer no retorno daquele que um dia conheceram como sendo o Coveiro. O fato é que algo grande estava acontecendo no Outro Mundo. Um grande ciclo estava se concluído e tomando todo o tempo e esforço do autor. A imagem na tela principal era o rosto de um coveiro pensativo, com seus olhos rubros de costas para um entardecer... aquele era seu tempo de estar EM SOMBRAS.

28 de Julho de 2005, Hoje... As páginas da Lápide pareciam estar cada vez mais apagadas. A estrada estava cada vez mais vazia. A noite, mais insólita. Tudo praticamente parecia em plena escuridão... até que ouviu-se apenas uma conhecida nota de uma gaita familiar. Um sinal de uma mudança para um novo ciclo. A imagem do Coveiro com sua mais familiar ferramenta e reflexos sombrios do próprio espalhados pelo cenário revitalizam as esperanças. Eis que começa uma nova etapa... uma NOVA JORNADA AO DESCONHECIDO.
E o que virá nela, será um mistério a cada dia
C.X. O Retorno
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31 de Julho – Mais uma virada no ciclo do Viajante. 1 de agosto – Conclusão do arco “O Herdeiro” em Engenics.
Escrito por Coveiro ¤ às 09h07
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A Saga de um Mestre
Este será apenas um relato, que não poderia incluir especificamente em nenhuma sessão deste lugar. Por isso, ele segue aqui só, único, apenas como um texto remoído, palavras soltas que contarão apenas uma vaga história. Muitos não entenderão. Já até me acostumei a isso, porque o meu “meio” de vida, a estrada científica, é praticamente ilógica para o Mundo Normal onde os muitos outros vivem. Irônico como algo tão fundamentado em fatos e provas, seja ao mesmo tempo tão pouco entendido pela maioria. Escolhi meio que a toa o Mundo das Ciências. Apenas tinha a biologia como uma das minhas curiosidades e algo me dizia que poderia ser razoavelmente bom nela, como dizem que sou também bom em escrever e imaginar. E assim foi, em meio a conversas tão animadas sobre evolução com amigos físicos, engenheiros e matemáticos, que me vi como biólogo. E por quatro anos aventurei-me no curso pra Bacharel em biologia, mesmo provavelmente já sendo um de coração. No final do ano de 2002, antes do fim do curso, num período em que estava mais fraco, doente fisicamente e cansado mentalmente, preso ainda em experimentos citogenéticos, foi quando a estrada me levou até a primeira provação para um dia me tornar Mestre. Mesmo ante a tais dificuldades, consegui. Passei em primeiro no curso, mas no dia não estava entre os demais para comemorar o resultado. Eu sumi sem deixar explicações e todos apenas deram de ombros como sendo aquela apenas mais uma das minhas loucuras. No dia, eu estava numa maternidade tocando de levinho o meu dedo na mão de minha afilhada que acabara de surgir neste Mundo. Eu estava me tornando um Mestre antes de ser biólogo, terminando minha Monografia, ao mesmo tempo que adquiria os conhecimentos do mestrado. Sequer pude sentir o passar daquele primeiro ciclo. Não mensurei o peso de meus aprendizados. Fazia coisas rapidamente, mas sequer podia me dar ao trabalho de olhar as que deixava para trás. Não mais conseguia agarrar o que atravessava fugazmente entre meus dedos. Foi quando parei, olhei para trás e caí...
“Através da janela de meu carro veloz, Eu vejo tudo que amo ficando para trás: Livros que nunca li, piadas que nunca contei, paisagens que nunca visitei..."
Duros meses se passaram até que sentei um pouco a margem da estrada, ainda sentindo frio e um tanto sujo. Com uma ponta de lápis comecei a juntar pedaços e começar a escrever minha história... voltar finalmente a ela. Foi nesse tempo que surgiu a Lápide e o Coveiro levantou-se voltando a erguer seu rosto novamente para o alto. Paralelo a volta ao meu eu, tive que recuperar o tempo perdido em meu Mestrado. Em menos de um ano, tinha que dar um novo início ao meu projeto. Se fosse sortudo o suficiente, eu teria tudo em mãos ainda em tempo. Contudo, o destino tão algoz não faz jogo fácil. Tive que lutar portanto contra experimentos mal-sucedidos, fatalidades que ocorrem em laboratório e os pequenos sortilégios que só as pequenas mosquinhas que eu trabalho são capazes de engendrar. Assim, ao invés de contar com sorte, eu teria que ser simplesmente paciente. E perseverante também. Após meses, a história dessa pequena Saga chega ao seu momento final.
......::::::DIA 26 DE JULHO DE 2005::::::......

A última provação... O momento a ser defendido...
Leiam logo abaixo os Agradecimentos Finais da minha Dissertação, com o trecho em destaque para todos os que me acompanharam ao longo deste dois anos aqui... na Lápide!
Em breve também:
28/7 - Retrospectiva Lápide em seu 1 ANO e MEIO
31/7 - O dia em que os anos correm diante do Coveiro
1/8 - Engenics 005 - Conclusão do arco "O Herdeiro"
Escrito por Coveiro ¤ às 00h15
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AGRADECIMENTOS
(Trecho retirado do Texto Final da Dissertação)

Eu não poderia começar meus agradecimentos aqui se antes não contasse rapidamente uma história. Ela começa logo no início do ano 2000, quando fui ao Departamento de Genética e me ofereci para estagiar com o Dr. José Ferreira e a Dra. Tania Rieger. Foi justamente nessa mesma época que os mesmos realizaram a primeira coleta na Bahia de uma desconhecida mosquinha de faixas prateadas e me confiaram aos cuidados esse drosofilídeo que sequer conhecíamos o nome ainda. Nessa época, os trabalhos com Drosophila ainda se realizavam no Laboratório de Microorganismos e lá conheci Anne, Pierre, Leo e Hélio, colegas que se tornaram amigos e responsáveis pelo ótimo convívio ao longo daquele primeiro ano. Com o passar do tempo, fomos crescendo. Ísis, Sandra, João Paulo e alguns outros se juntaram ao grupo e logo foi construída nossa primeira “sala das moscas” no Laboratório. Passados alguns anos, companheiros se foram, outros surgiram brevemente e meu tempo de graduado se foi, encerrando-se com a primeira etapa de um ciclo. Segui novo rumo e ingressei no Mestrado dando continuidade aos trabalhos que iniciei na minha monografia. No meio desse tempo, mais uma vez acompanhei o crescimento da Drosophila com a mudança para o seu próprio espaço, agora como parte do Laboratório de Genética Animal. No último ano, vi a chegada dos mais novos drosofilistas que tive o prazer de ajudar: Patrícia, Nara, Kelma, Williamis junto com as “gafonhotólogas”, Bárbara e Thatiana. E, até mesmo próximo à conclusão de meus trabalhos aqui, fico ainda feliz em saber que mais gente está entrando para dar continuidade a história que vi bem de perto no começo. Para que eu pudesse terminar o meu trabalho e estar aqui escrevendo essa história, tenho que agradecer aos meus dois orientadores, Dr. José Ferreira e Dra. Tania Rieger, pela confiança irrestrita que desde sempre depositaram em mim, mesmo quando muitas vezes eu me achasse muito novo e inexperiente para tal, pela orientação durante esses anos e pela compreensão e ajuda durante as dificuldades que tive durante o mestrado. Devo essa história também aos meus companheiros de laboratório citados acima, que por tantas vezes dividiram comigo momentos tão divertidos, o que me faz insistir com aqueles que agora chegam sobre quão importante é o bom convívio e o trabalho em equipe. O mesmo vale para Zizi, Francisca, Cilerne, Romildo, Marco e os demais funcionários do Departamento que sempre me foram tão prestativos. Agradeço também toda a disponibilidade oferecida pela Dra Maria José Lopes e Dra. Neide dos Santos do Laboratório de Genética Animal e ao Dr. Marcos Morais Jr do Laboratório de Microorganismos, não só durante o meu Mestrado, mas para a conclusão de meu curso como Bacharel. Também devo ressaltar aqui a carinhosa hospitalidade oferecida pela Dra. Vera Valente da UFRGS e da Dra. Marlúcia Martins do Museu Goeldi durante as viagens que realizei ao longo do curso. Parte de tudo isso que conto a vocês aqui, eu devo aos meus amigos mais próximos, personagens igualmente fundamentais na minha vida. Guga e Sócrates sempre foram os aliados de todas horas com quem dividi fraternalmente minhas experiências e assim será não importa onde estejamos. Cláudia, minha amiga de infância, conseguiu superar a alegria da minha aprovação no Mestrado, quando trouxe ao mundo a minha afilhada, a pequena Milena, naquele dia de dezembro. Leonardo é o grande amigo que levo para fora do laboratório, que tem toda a minha confiança e, certamente, a quem devo muito. Cíntia é a amiguinha que terá como missão sempre me ensinar a não desistir. Cleiton e Fábio são os primeiros que resgatarão boas memórias de velhos tempos sempre quando nos encontramos. Já com Débora, minha amiga cada vez mais nipônica, sei que continuarei brincando e implicando como sempre foi, indiferente a diferença de fuso horário. Alguns outros que não estão aqui, certamente serão sempre lembrados. Paralela a essa história, eu também deixo aqui meu muito obrigado a dois queridos amigos distantes, Paulo Maruca e Priscila Henriques, que são verdadeiros “deuses” de seu mundo e que escolhi para representar muitos outros que não caberiam aqui nesse espaço. A esses todos eu agradeço porque me fizeram encontrar um “x” que faltava. Por fim, agradecerei essa história sempre aos meus pais, José Roberto e Lúcia, e a minha irmã, Beta, a quem dediquei esse trabalho e toda minha grande família pelo apoio que sempre me deram desde as minhas decisões desde que ingressei no curso e pela força, auxílio e carinho que precisei durante esses anos. Sem eles, nada disso seria feito. E aqui, mais uma vez, eu chego no limiar de mais um novo ciclo, olhando para trás já com saudade e agradecendo com um sorriso a todos que foram citados aqui nessa história. E seja qual for o caminho que seguirei, levarei a lembrança de todos na bagagem.
Sérgio Roberto Campos
Escrito por Coveiro ¤ às 00h08
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Páginas Negras
Temporada de Coletas II – Mais uma Missão
Ou
A Fabulosa batalha do aventureiro semi-sedentário Coveiro X contra o delgado e articuloso Proscopiíde (Vulgo Mane Magro).
Qualquer um imaginaria que uma nova coleta em menos de uma semana, em busca dos mesmos pequeninos bichinhos e em um lugar não muito diferente do último seria decepcionante. Assim pensei, mesmo sabendo que sempre há histórias novas a se retirar mesmo nos momentos menos brilhantes. Desta vez, pegando uma rota mais ao norte, com um grupo menor e sendo o “segundo em posto” se de fato a situação acadêmica de cada um vale alguma coisa, fomos atravessando a estrada rumo a Surubim, pegando vez ou outra uma rota alternativa pelas estradas paralelas de cidades vizinhas. Como sempre, as primeiras paradas em buscas dos fugazes animaizinhos quase sempre rendem poucos frutos. Contudo, com o avançar das horas, começam a surgir em nossas redes pequenos Ophilelas, Rhamathocerus ou mesmo algo mais destacável como um Xyleus angulatus. Raro são os momentos em que Radacridiuns apare...
Esperem...
Antes que eu me esqueça, devo lembrá-los de que não estou falando de peixes. Caso não tenham lido o texto anterior, normalmente quando estou armado de redes na mão estou na verdade “pescando” gafanhotos. E todos esses nomes esquisitos que vocês leram acima são espécies tão diferentes que você sequer imaginaria existir, mas que comumente você poderia encontrar caso se distanciasse um pouco mais da capital de seu Estado.
Bem, voltando à história da última terça....
Após uma parada para o almoço na cidade de Bom Jardim, oportuno ponto turístico e terra natal de Severino Cavalcanti, começou então a parte mais intrigante da história. Para consumar uma boa digestão, logo tratamos de encontrar um terreno semi-alagado próximo dali com um ambiente nitidamente propício para uma boa coleta. E não estávamos errados, pois nunca tive tantos insetos grandes nas minhas bolsas de plástico como naquela tarde. Como bem brincam os meninos, eu sempre opto pelo caminho mais difícil e estava afundando literalmente meus pés na lama em busca de qualquer espécie mais escondida. Foi quando no meio de tantos outros que se tornaram alvos fáceis, eu o vi. Quieto e rasteiro, ele caminhava pelo galho de um espinhento arbusto quase se confundindo a ele. Com seu abdômen longo, ele seguia já receoso buscando um campo mais seguro. Dado momento, tive a nítida impressão de que ele me notou com seus olhos gigantescos. Imaginei se sua boca abrira em total espanto naquela cabeça um tanto desproporcional ao me ver. Tomei minha rede em posição enquanto que o vi correndo desesperadamente com suas pernas desengonçadas. Foi quando sussurrei: - Proscopiíde... Para aqueles não acostumados com a loucura que é a vida de um biólogo, o nome feio acima é o dado a uma estranha família de Ortópteras, também conhecidos como gafanhotos, apesar do dito cujo mais parecer com E.T do que com um inseto. Delgado, com membros longos e cabeça queixuda terminando num corte a la “Moicano”, os Proscopíides são certamente os mais estranhos seres que já vi. Destes, o mais conhecido chama-se “Mané-Magro” ou, de um modo mais íntimo, Stiphra robusta. Coincidentemente, era exatamente essa a espécie que me servia de alvo. Desatei atrás da criaturinha vendo-a saltitar pelos pequenos arbustos de uma maneira atrapalhada. De modo semelhante, eu parecia estar em desvantagem naquele terreno encharcado e após dois golpes sem sucesso com a rede, larguei-a de lado. Para um bicho que sequer tem asa para voar, eu toparia o desafio de pegá-lo com a mão. Prestes a ficar encurralado (ou pensara eu que assim estivesse), o proscopiíde reteve-se num emaranhado de plantas que até para ele parecia difícil de ultrapassar. Abri um longo sorriso ao vê-lo sem saída (ou assim imaginei) à minha frente só esperando seu fatídico destino. Estiquei a mão preste a pegar meu trunfo escolhido do dia quando de última hora ele se lançou para dentro da folhagem. Sem hesitar e já prestes a xingar a mamãe do inseto, afundei a mão logo atrás dele. E foi nesse exato momento que senti minha mão queimar loucamente nos finos pelinhos de uma urtiga escondida.
...!!!
Não, eu não gritei. Não na frente dos demais estagiários. Cambaleante, abaixei minha cabeça até ficar toda coberta pela folhagem e enfiei meus dedos na boca. Devia estar vermelho como o demônio em pessoa e meus pensamentos não eram dos mais santos: “Filha-da-mãe-me-enganou-me-levou-pra-maldita-armadilha-me-fez-de-imbecil-aquele-pequeno-miseravelzinho-bastardo-febre-do-rato”. Passados alguns bons dez minutos até me recuperar, me juntei aos outros do laboratório que questionam sobre se eu conseguira algo de interessante no encharcado em que eu me enfiara. - Ah, quase eu pego um Proscopoíide! Ah, não, mas ele fugiu... Errr... foi fugiu... digamos que ele conhecia muito bem o terreno... Melhor que eu ao menos...

Lamentavelmente, não tive como voltar e pegar o lazarento, mas levei alguns parentes dele como reféns como costumo dizer. Daí, não demoramos muito mais até decretarmos o fim da coleta no dia e resguardar as energias perdidas numa tal de Acerolândia, algo parecido com a Disney World dos sucos de Acerola.
Fim
Próximo: A Saga de um Mestrado... e os Aniversários de 1 ano e meio da Lápide e de 1125 anos do Coveiro.
Escrito por Coveiro ¤ às 22h34
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Temporada de Caç... err... Coletas
Juntar histórias de minhas viagens sempre rendem bons “In Memorians” e creio que neste mês de Julho, enquanto não me livro definitivamente das obrigações do Mestrado, eu juntarei algumas delas enquanto estou extravasando todo o stress passado no novo hobby: pesquisa de campo. Aproveitando excursões realizadas pelo Laboratório de Genética Animal, eu me vi assinando meu nome em todas as vagas de julho para o interior do Estado de Pernambuco. O mais engraçado de tudo é ver o nome de meu orientador ao lado, usando a mesma tática que a minha para equilibrar o espírito após os contratempos usuais da tese. Junto a isso, animaram-se também os mais novos estagiários sedentos por inusitados momentos que geralmente acontece nessas situações. Armado para a jornada, eu coloquei minha velha mochila de campo nas costas, um boné da WWF na cabeça e tomei uma rede entomológica nas mãos. O objetivo de nossa “caça” nem é tão grande. Afinal, dentre percevejos e besouros, o maior dos alvos não passa de um gafanhoto um pouco maior que a palma de nossas mãos. Mas o que vale são as estratégias para captura. Muito divertido para quem está participando excitado por coletar as espécies e provavelmente ainda mais cômico para quem está de fora vendo um bando de malucos correndo de um lado a outro com uma rede de captura. Chega a ser hilariante em algumas situações quando um dos moradores locais, sem agüentar mais de curiosidade, aproxima-se de nós e pergunta o que diabos estamos fazendo. Alguém, que certamente está mais paciente na hora, responde com algo elaborado justificando o valor do nosso trabalho de modo entendível aos leigos. Em réplica, sempre acontece o mesmo, o sujeito nos olha com estranheza e solta apenas um “sei...”. O que a princípio parece apenas tolamente cômico, muitas vezes se demonstra arriscado até. A princípio, os novatos podem pensar que o maior gasto de adrenalina é quando se atravessa a rodovia onde carros cruzam a 150 km por hora, mas sempre surge no meio do caminho situações complicadas. Na perseguição a uma espécie mais incomum, o bendito gafanhoto sempre tem que implicar de saltar para dentro de uma área cercada. E essa área cercada por sua vez sempre tem bois. Os bois obviamente sempre te olham mal-humorados. E, por fim, você se vê sem sucesso em negociar com os chifrudos uma pequena invasão para coletar o inseto esperto. Sorte, como bem disse meu orientador, que eu já terminei o mestrado e sequer trabalho com o maldito ortóptera, senão eu estaria entre a cruz e a espada (ou o chifre e o casco). O ato de pular uma cerca nem sempre significa problemas com os animais. Em certo momento, vimos o perigo ao balançar redes de um lado a outro na propriedade privada de alguém. Ao longe, qualquer um imaginaria um bando de invasores capinando sua relva e uma explicação fajuta de pesquisadores buscando insetos nem sempre parece convincente. Por isso, após alguns incidentes, foi unânime a proibição de bonés vermelhos nas coletas. Inúmeras paradas depois, quando a grande maioria de nós encontra-se exausta, a parada final da última coleta nos levou a um lugar de mato alto e repleto de uma das mais difíceis espécies de captura. O nome do animalzinho é Schistocerca pallens, um gafanhoto marrom e ornamentado que voa tão bem quanto um pássaro. Mesmo tendo outras espécies interessantes por lá, impliquei que aquele era meu alvo do dia... a rainha do baile que levaria no final da festa. Junto com meu orientador e a jovem “gafanhotola” Tathiana, eu bolei inúmeros planos de como cercar o bicho ou aproximar-me fugazmente deles. Em dado momento, até o papel de cão perdigueiro eu ocupei espantando as pestinhas e direcionando os seus curtos vôos. Sem sucesso, já estava para desistir quando um inusitado indivíduo desta espécie parou bem a minha frente. Incrédulo, eu lancei a rede num só golpe e gritei como louco quando garanti meu troféu. Entre risos e cabeças meneando de meus companheiros, decretei o fim das minhas atividades nas coletas daquele dia.

De Bezerros, agora para Surubim. Em agosto, provavelmente estarei catando morcegos em Brejo dos Cavalos. Antes, é claro teremos um cronograma especial a ser lançado ainda na próxima sexta feira. Afinal, tenho uma dissertação a entregar, aniversário de 1 ano e meio da Lapide e um Coveiro mais velho pelas redondezas.
Escrito por Coveiro ¤ às 02h05
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