Crossing Blogs Saga Epílogo – Histórias de Viajantes

Já haviam se passado mais de seis meses desde que aconteceu aquela tragédia no Mundo dos Blogs, algo que pouco consigo lembrar. O mesmo acontece com a maioria das pessoas. Elas simplesmente apagaram de suas mentes aqueles eventos horríveis, principalmente agora que a cidade está completamente reconstruída. Estaria tudo como antes, se não houvesse as pequenas diferenças. Ainda existem algumas poucas seqüelas, no entanto, algumas que não queremos esquecer. Logo depois que ressuscitei (ainda me soa estranho falar isso), decidi que nada seria mais justo que tocar a estrada. E segui para o sudeste, atravessando o cemitério abandonado, as velhas ruínas de Gotham e as Terras Nômades, sendo ajudada neste último pelo meu amigo Jotapê. Consegui ir mais além do que as fronteiras do mapa, conquistei larga planície e deparei-me com um caudaloso rio á frente. Consegui ir o suficiente para saber que aquela terra parecia não ter mais limitações, ou elas estavam ainda muito distantes para que uma simples viajante pudesse chegar. Dali, eu decidi voltar e contar todas as minhas desventuras para as amigas.

Marcamos justamente numa segunda-feira à noite, no Bar Code, por ser o dia menos movimentado. E de fato, com a chuva que veio no começo daquela noite, não havia quase ninguém quando adentrei no lugar. Cumprimentei a Margot e o rapazinho que começou naquele dia a tirar a folga do Peter no trabalho de Barman. Perguntei sobre as meninas e ela me apontou a mesa do fundo, onde estavam Aninha e Mariam balançando os braços como doidas. Fui andando pelo longo corredor, vendo um monte de cadeiras vazias. Excetuando-se por um casal de namorados num canto e um solitário sujeito de boné preto de estilo italiano e longa capa de chuva, o fundo do bar estava completamente deserto. Sentei-me na ponta e comecei a falar: - Mas as duas não perdem tempo, heim? Já começaram a beber antes de mim! - Mas deixamos o brinde por sua conta! – brincou Aninha erguendo o copo. - Isso! – riu Mariam. – Mas a que vamos brindar? - Não precisamos de nenhum motivo especial, oras. – eu disse batendo o copo nos outros. – Brindemos a cada momento de nossa vida que é sempre importante. Os copos titilaram e viramos tudo num só gole, rindo muito logo depois. - Ly, você mudou mesmo o visual, heim? – notou a Ana. – Com esse cabelo mais curto e roupas de aventureira, está parecendo mais “Indiana Jones”. Já sei! Vou te comprar um chapéu para combinar. Imaginei a cena e não pude deixar de me juntar às gargalhadas das meninas, abrindo um longo sorriso. Balancei a cabeça para os lados e foi justamente nesse momento que eu vi o estranho movimento no balcão. Eu quase não podia acreditar que quatro homens armados entraram por não sei onde e já puxavam aquelas enormes pistolas para a cabeça da Margot e do pobre menino que a ajudava no serviço.

- Vamos lá, dona! – gritava um dos bandidos. – Eu sei que isso aqui rende muito mais que essas notas daí!! - Mas hoje é segunda! – defendia-se a Margot já desesperada. – O rendimento é muito menor. - Escuta aqui! - Um dos “caras” esticou a sua arma até o nariz da minha amiga e bufou como um touro enraivecido. – Eu não to para brincadeira. - Pará com isso, seu monstro! – eu gritei, quase não me dando conta do que estava fazendo. – Ela já não disse que é só isso que tem!? – Eu sequer lembro de onde arrumei tanta coragem, para agir com aquele ímpeto. - Guria, não banca a malandra! – um outro se pôs à frente. – Ou vai sobrar para ti. - Ly, senta pelo amor de Gódi! – sussurrou Aninha ao lado. - Abaixa... – meus dentes trincaram e a voz saiu quase num sussurro. - ... a arma! Depois disso, tudo aconteceu muito rápido e não posso dizer com precisão o que aconteceu. Antes que os quatro bandidos pudessem pensar no que acontecia, foram pegos de surpresas por largas massas negras que partiam das sombras das mesas e cadeiras ao meu redor. Tomando as formas de volumosos tentáculos, aquelas manifestações jogaram com extrema violência cada um dos sujeitos contra a parede.
Foi algo muito rápido e brutal, e assim que todos caíram desacordados no chão, as sombras retornaram até o meu redor e se dissiparam numa estranha espiral. Olhei perdida para tudo aquilo, sem entender nada, ao mesmo tempo em que as meninas, Margot e o barman folguista que já não controlava mais suas funções urinárias me fitavam atônitos. - Gente... – disse sem graça. – Não olhem para mim assim. Eu estava ainda tão perturbada com tudo aquilo que mal posso acreditar como ainda fui capaz de perceber que sorrateiramente, alguém deixava o Bar naquele mesmo instante, batendo as portas duplas. Atraída por algo que também não sei explicar direito, corri até as portas e coloquei-me para fora. Senti um baita frio e meu corpo gelou com o sereno da madrugada que recomeçava uma fina chuva. Olhei para um lado e vi apenas o resquício de um vulto. Corri até lá, indiferente aos gritos de Aninha e Mariam, que achavam que eu tinha enlouquecido. Cruzei a esquina e de lá pude ver pela fraca luz de um poste o homem de barba, capa de chuva e boné italiano quase que desaparecendo em meio à escuridão. Pensei em gritar, mas não sabia as palavras que deveria usar.

Decidi então seguir o mesmo caminho que ele, mas agora não o enxergava mais, parecia que finalmente tinha ido sem deixar qualquer rastro. De ombros caídos, já retornava pelo mesmo caminho quando escutei uma melodia. As notas pareciam se unir numa harmonia bastante familiar e sem pensar, eu comecei a cantarolar aquela letra.
“I'm goin' where the sun keeps shinin' / Through the pourin' rain / Goin where the weather suits my clothes / Bankin off of the northeast winds / Sailin on summer breeze / And skippin over the ocean like a stone”
O som foi diminuindo, ficando cada vez mais distante e eu permanecia ali estática, com o corpo travado e a pele arrepiada. Já fazia muito tempo que não ouvia o som daquela gaita. Eu queria ter tido forças para gritar, chamar o nome, mas não consegui. Restou-me apenas deixar as lágrimas caírem, enquanto continuava a música naquela garoa.
“I'm goin' where the sun keeps shinin'/ Through the pourin' rain / Goin where the weather suits my clothes / Bankin off of the northeast winds / Sailin on summer breeze / And skippin over the ocean like a stone”

FIM Agradecimentos e Créditos Finais logo abaixo…
Escrito por Coveiro ¤ às 20h29
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Iniciado: 05 de Julho de 2004 Finalizado: 28 de Fevereiro de 2005 Texto em 50 partes, incluindo 1 prólogo, 1 epílogo e 48 capítulos.
Roteiro por Sérgio Roberto Campos e Leonardo Rolim. Argumentos por Sérgio Roberto Campos Desenhos e Edição de Imagens por Sérgio Roberto Campos.
Agradecimentos especiais para o advogado Aleixo, a estrela Aninha Saraiva, o “encapetado” Moacir Caetano, o temível Fernando Ferric, nossa Prof. Cristiane, a elétrica Rita, a “poderosa” Marcela, a Espiã, os “divinos” Paulo Maruca e Andréa Maruca, o “poeta” João Paulo, “Lady” Aline Chuvas, meu “neto” Edu, Chris d´as Beatas, a “enluarada” Regina Bizzo, o “guerreiro” Vítor Bizzo, a viajante Rosely, André Buse “Mack”, a “mirim” Helena Gonthier, a “anjelical” Margot, a “linda” Mariam, a “gatuxa” Misnay Franciely, Fernando “Mocotó” Boranga, os “Moderadores” Rogério e Cristiane, o "eterno menino" Bruno, o "ligeiro" Renato, a “deusa” Priscila Henriques, a “vampírica” Paola Raia, a “Doutora” Janaína, Nataly, o “grande” Sandro, a “Senhora” Alessandra Garcia, o “Soldado” Ronaldo, o “brilhante” Raul Tanaka, o Observador, a “primeira e única” Val, até mesmo a misteriosa pessoa por trás do Crítico, enfim, todos que me cederam suas crias para que essa história fosse realizada.
Agradecimentos a Labelluna por remixar as preciosidades musicais e permitir que estas fossem usadas como trilhas sonoras dos capítulos da Saga.
Agradecimentos também a todos os demais, blogueiros e não blogueiros, que acompanharam essa colossal história por mais de seis meses desde o começo, sejam aqueles que encontrava nos comentários, no MSN ou que preferiram se manter no anonimato. Essa história só se tornou completa com a presença de todos vocês.
Enfim, hoje dia 28 de fevereiro, a Lápide completa um ano de sua sessão de histórias com Blogueiros, batizada aqui de Crossing Blogs. Após um ano de histórias que variaram do suspense a comédia, posso hoje sentar e dizer que meu sonho de adolescente de dar andamento a uma (quase) história em quadrinhos se realizou. Isso mais uma vez devo a todos vocês. Obrigado!

Nos vemos num dia qualquer... numa nova Página Negras...
Sérgio Roberto Campos
Escrito por Coveiro ¤ às 20h29
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Crossing Blogs Saga Capítulo 48 – O Fim e o Começo
Ele veio a este novo mundo com um único propósito, desfazer toda a existência criada e trazer o universo de volta ao vazio. Nasceu num entardecer sangrento e trouxe consigo o caos para a maior das cidades daquele lugar. Juntando uma quantidade de energia inimaginável, desafiou os maiores defensores daquele planeta e, um a um, os heróis foram caindo. Omega, por sua vez, tornava-se maior, cada vez mais perto de sua única meta. Não importando quantas vezes ele fosse derrubado, sempre se reerguia e continuava seu curso irrefreável até que chegasse o fim. E mais uma vez isso se repetia ali, a milhares de quilômetros do Mundo dos Blogs. Dentro da nave espacial “Exploradora” que flutuava numa órbita lunar, dois Blogueiros assistiam apreensivos aquele jogo mudar mais uma vez. No monitor, Toleezinho e Nane viram Omega, com o rosto destruído, se aproximar lentamente de Vampira, a última a cair sem forças. - Eu vou lá, agora! – falou Nane decidida. - Não, Nane... – pediu Tolee segurando-a. – Algo ainda está para acontecer...

De joelhos, cobrindo a barriga dolorida com as mãos, Paola viu pelo canto dos olhos os pés de Omega pararem bem ao seu lado. Girou a cabeça até ele e sentiu a mão do vilão agarrar o seu queixo. Sem forças para resistir, o rosto de Paola pendeu para o lado, apresentando formas humanas já abatidas. Omega apenas se deliciou com aquilo e sorriu, deixando uma aparência ainda mais demoníaca a seu rosto semi-queimado. - Não ria ainda... Não terminou... – uma outra voz sofrida surgiu no comunicador Do outro lado, Soldier caminhava com passos demorados contra Omega, com a respiração ruidosa vindo pelo sistema de áudio. Abriu uma das mãos e recriou uma nova espada com seu poder. Seus olhos encontraram-se com o do inimigo e isso aumentou ainda mais seu empenho. Por sua vez, Omega apenas fitou-o com indiferença, como se o resquício daquela sua energia vital não fosse nenhuma grande ameaça.

Estendendo um dos braços, Omega começou a manipular a mortífera energia negra. Sem a proteção da bruxa, o blogueiro se tornara um alvo fácil. Os blocos de massa arroxeada se aglomeraram ao redor das mãos de Omega e se projetaram rapidamente em direção a Soldier. A imensa coluna energética tomou uma vasta área tragando, tudo ao redor e continuou seguindo rumo ao eterno espaço. Omega baixou as mãos, cerrando os punhos e ergueu o queixo triunfante. Abriu então os olhos e se surpreendeu ao se deparar com uma sombra humana no lugar do corpo moribundo de Soldier. Cruzei os braços negros e esboçei um longo e macabro sorriso.

Tomado pelo ódio, Omega avançou. No entanto, antes mesmo de se aproximar mais que dois metros de mim, o vilão sentiu um frio metal atravessar-lhe o corpo. Pendeu a cabeça para o lado e viu a imagem de Soldier se materializar, sobressaindo-se de uma silhueta negra. - Quisera eu ter o poder de desfazer todo o mal que você trouxe. – falou o Soldado quase já sem forças. – Mas me contento em impedir que ele se prolongue... Soldier empurrou com ainda mais força a sua espada e depois puxou para baixo, rasgando ainda mais o corpo de Omega em dois. Da parte mais profunda daquela ferida, sangue começou a se esvair e junto a ele, uma áurea verde brilhante que parecia se dissipar rapidamente pelo espaço.

O corpo de Omega entrou em completo descontrole e sua feridas que anteriormente começavam a cicatrizar, voltaram a se abrir. Omega cambaleou para um lado, contorcendo-se no chão. Logo, Soldier também caiu, voltando a gritar de dor. Assim como ele, também pude ouvir a agonia de Zé, Paola e Selina. O corpo recriado por Omega atingira o seu limite de falência, estava em seus minutos finais e matando todos ao seu redor. Com a espada enterrada em seu corpo, Omega começava a ter convulsões. Seu corpo parecia prestes a explodir quando foi repentinamente englobado por uma massa escura que cresceu ao seu redor. Sombras similares também surgiram ao redor dos blogueiros, envolvendo-os e deixando a superfície da Lua vazia e desabitada como era no início.

Dentro da exploradora, um sinal indicou a presença inusitada de quatro intrusos na Nave. Nane correu para o monitor e ficou perplexa ao ver que os blogueiros foram trazidos de volta para a “Exploradora”. Os corpos desmaiados de Paola, Soldier, Zé e Selina simplesmente apareceram na câmara de descompressão, como que nascendo de suas próprias sombras. A moderadora correu para a porta, abrindo-a com um soco no botão de segurança e agachou-se ao lado de Selina. Toleezinho veio logo atrás, verificando as condições físicas de cada um. -Vivos!– suspirou ele. – Extremamente desidratados, anêmicos e com sistemas imunológicos suprimidos, mas vivos! Graças a Gódi! - Mas e o Xis? – questionou-se Nane. – Cadê ele? Toleezinho baixou os olhos e sua mente voltou um pouco no tempo, retrocedendo algumas horas atrás quando ele expunha uma idéia primária sobre a natureza do estranho inimigo chamado Omega. “Era justamente sobre isso que eu gostaria de lhe falar”. “Fale, Tolee” ordenei assim que fomos para um canto mais afastado. “Bem, Xis, desde que eu comecei a concentrar minhas idéias nele, não pude deixar de relacionar a natureza de Omega com a de um fenômeno que até hoje os cientistas não entendem: o Buraco Negro”. Falou o Blogueiro com um ar preocupado. “E isso me aterroriza”. “Faz todo o sentido” concordei. “Mas o que o faz temer?” “Xis, a principal teoria sobre a natureza dos buracos negros fala que eles surgiram de uma estrela que ao morrer, reverteu sua propriedade e começou a sugar energia e matéria ao invés de desprender”. Explicou Toleezinho. “Só que ninguém até hoje sabe o que acontece quando um buraco negro morre!!”. “Aonde quer chegar?” questionei intrigado. “Se seguirmos a mesma lógica só que reversa, quando um buraco negro morrer, será que não causaria um desprendimento intenso de toda energia e matéria por ele acumulada? Algo tão poderoso quanto a explosão para gerar uma estrela? Uma galáxia? Um novo Big Bang?” disse ele me causando um calafrio nos ossos. “Assim, o único objetivo da existência de Omega seria destruir o Mundo dos Blogs para criar algo novo em seu lugar”.
 ...::: CONTINUA:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 01h15
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Há milhas incontáveis da órbita onde a “Exploradora” se encontrava, numa distância quase infinita da Lua, numa região onde o espaço parecia estar beirando o fim, dois corpos surgiram. Lá era uma terra negra, onde os últimos resquícios de matéria ainda não haviam chegado. Finalmente, da maneira mais inusitada, cheguei aos limites do Universo Virtual. Assim que rompi a fronteira e saí do véu das sombras, empurrei para fora o corpo em degradação de Omega. A entidade agora parecia entrar em um processo degenerativo sem volta. O corpo já perdia toda estrutura e o imenso poder acumulado por ele partia por poros recém abertos. Como Tolee previu, assim que Omega perdesse a sua função, não tendo mais matéria ou energia a acumular a sua volta, reverteria o processo. Agora, Omega era uma bomba prestes a explodir, pronto para atingir uma nova fase, a Alfa. - Começos que geram fins... Fins que geram novos começos... Falei as últimas palavras num alto pensamento e, então, puxei a espada cravada no corpo de Omega. Apertei bem ela nos meus punhos e girei-a, direcionando firmemente em sua cabeça. O metal rasgou facilmente o pescoço daquele corpo em erupção e, assim, desencandeou o estopim de todo o processo.

Por incontáveis medidas de distância, que levaria uma infinidade de tempo para ser percorrida, uma forte luz se espalhou, arrastando para todos os lados uma carga poderosa de energia e matéria bruta a ser remodelada. Todo o espaço vazio foi então sendo ocupado por luzes e corpos em chamas. Uma desorganização caótica que acabou por criar uma onda de perturbação no interior das fronteiras do Universo Virtual Depois de avançar por unidades colossais de quilômetros, aquela força chegou mais fraca no ponto do universo onde ficava o Mundo dos Blogs. Com o impacto, a “Exploradora” balançou para o lado contrário e fez a Moderadora e Tolee voarem contra a parede da nave. - Gódi! – exaltou-se Nane. – O que foi isso? - Um pulso de energia! – disse Tolee se erguendo e verificando o sistema da “Exploradora”. – Muito pequeno para nossa sorte. Está tudo operacional! Vamos programar o computador para um retorno. - Mas... – Nane olhou para a tela onde mostrava a imagem da Lua vazia. – E o Xis? Ele... ele está vivo ainda? - Nane... – Tolee olhou para ela e sua mente buscou todas as possibilidades para alguém escapar de uma fissão energética daquela magnitude. Lentamente, retornou para tratar dos companheiros feridos e após um tempo sussurrou. – Eu não sei...

Na parte externa da fronteira virtual, o vazio era agora ocupado por pedaços imensos de aglomerados de moléculas que se chocavam. De alguma forma, aquele completo caos foi se reestruturando, tomando uma certa coerência e ordem. Aos poucos um e outro corpo celeste renascido começaram a se influenciar, gerar leis de atração e formar novas órbitas. Numa dança lenta, surgiu assim uma nova galáxia, um lugar de criação a partir de um ponto que era só destruição. Naquele meio, rodeado por cometas que faiscavam conflitantes ao redor, um corpo incandescente parecia brilhar muito mais que qualquer outro. Pequenos corpúsculos de energia esverdeada se desprendiam de seu centro e rumavam sem destino pelos vários cantos daquela galáxia. Subitamente, algo pareceu romper as barreiras daquele trecho recém criado e assumiu uma forma inusitada. Mãos gigantes que pareciam partir do nada agarraram aquele núcleo energético e desapareceram logo em seguida.

Tomada por aquelas mãos, aquela imensa concentração energética parecia reduzida a nada. Os dedos se abriram levemente e agora se podia ver um globo esmeralda reluzente pousado nas mãos divinas. Gódi, a figura tida como o onipotente do Mundo dos Blogs, baixou os olhos para aquele magnífico poder e depois sorriu. - Omega deixou de existir... Você perdeu... – falou o divino olhando de lado. – Mais uma vez... Não adianta, Capeta! Isso já virou regra... - Eu odeio regras... – bufou o demônio dos blogs. - Mas não pode desfazer-se delas! – intrometeu-se a mulher celestial conhecida como Maria, a Nossinhora. – Também não pode desfazer-se de promessas... e nem de apostas. - Não! Não posso! – irritou-se o demônio. – Vocês tem todas as almas perdidas de volta, Gódi. Muitos anjinhos pro seu reino... - Não, não mesmo... – falou Gódi olhando aquela energia que possuía. – Seria muita injustiça... além de que ia ser uma lotação dos diabos aqui... com o perdão da palavra. - O que vai fazer, Gódi? – perguntou Nossinhora. - Bem, eu sei que não faz parte da regra... – disse o Deus abrindo ainda mais as mãos. – Só ressuscitar em mesmo corpo... senão, esperar reencarnação e blá-blá-blá, mas... – o brilho pareceu ganhar ainda mais força ali. – Essa fagulha de energia e matéria condensada que um dia foi parte do Omega pode dar um bom jeito nisso... É um meio mais que justo de ele compensar o que fez, não?

Reluzindo ao brilho do sol daquela manhã, a “Exploradora” desceu dos céus riscando o horizonte com um rouco rosnar de seus motores. Suas rodas alcançaram o asfalto de uma pequena pista lateral a BlogTech e a espaçonave realizou um perfeito pouso até as portas do galpão zero. Lá. estavam Rhiannon, Renato e Mack, que correram para recepcionar os blogueiros. Logo atrás, vinham a Doutora e o Observador. As portas da aeronave se abriram lentamente e de lá surgiu a cabeça da moderadora, sem o capacete e com os cabelos longos soltos. Ao seu lado, apareceu também o engenheiro químico, Tolee, com o rosto preocupado. - Doc, vamos precisar de ajuda médica urgente! – disse Toleezinho. – Temos feridos aqui em estado grave. - Feridos? – questionou a Doutora. - Sim. Omega tentou assimilar as essências vitais de Paola, Soldier, Selina e Zé ao mesmo tempo. – respondeu Nane. – E quase conseguiu. - Por Lilith! – surpreendeu-se Rhiannon. – Mas não me deixem apreensiva! Falem algo... Omega foi mesmo destruído? A moderadora Nane tornou os olhos para Toleezinho, como se nem ela mesma estivesse segura da resposta. O Engenheiro Químico estendeu os olhos para seus colegas apreensivos e disse: - Acho que não vamos precisar nos preocupar com Omega por um bom tempo.

...::: CONTINUA:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 01h15
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Algumas milhas dali, cruzando vasto mar até as margens de uma ilha oceânica e parasídiaca conhecida como Terra do Nunca, um corpulento blogueiro corria pela praia trazendo a notícia mais aguardada daquela semana. Após os últimos dias acometidos de tantos desastres, Mocotó finalmente recebera um sinal vindo do rádio. Chegando a um dos galpões de madeira que servia de abrigo na margem central, o blogueiro colecionador de votos deparou-se com algum de seus amigos refugiados e gritou esbaforido: - Aninha, Mariam, Aleixo, Misnay, Naty, Beatas... Todos vocês!!! - Mas que isso, Mocotó? – implicou Leopolda. – Porque todo esse alvoroço? - Acabou, pessoal! – o blogueiro ergueu os braços. – Nós vamos voltar pra casa!! Gritos e urras ensurdeceram aquele salão diante de tais notícias. Em meio a isso, choro e sorrisos se misturaram as festas daquele dia. E, no final daquela mesma manhã, dezenas de barcos içaram velas pegando o vento sul rumo aos portos, de volta para o continente.

Uma brisa amena volveu a Cidade dos Blogs no fim da tarde daquele mesmo dia. Em meio aos prédios destruídos e estabelecimentos comerciais abandonados, vultos percorriam as ruas desertas observando com pesar a bela metrópole que fora reduzida a ruínas. À frente seguia a moderadora da cidade, que tomava o caminho direto para a sua mansão demolida dias atrás. Logo atrás dela, vinham Tolee, o caçador de paranigmas Mack, o misterioso Observador, sua velha amiga Margot, o veloz Renato e Val, a Primeira e Única. - Que puxa! – lamentou o engenheiro químico. – É duro ver algo que vimos crescer tão prosperamente acabar assim... - A cidade pode ter sido destruída, amigo Tolee, mas não acaba aqui. – falou a Moderadora parando bem diante de sua mansão reduzida a pedaços. – Sejam terremotos, avalanches, vulcões, Omega ou qualquer mal que assole este lugar, eu vou estar aqui para deter e a cidade continuará. Foi para isso que treinaram os moderadores. - Não podemos controlar as nossas quedas... – disse num tom perdido o Observador. - ...só a maneira como nos levantamos delas. Olhando para os resquícios de sua mansão, o lugar onde por tanto tempo ela viveu e acabou chamando de lar, Nane sentiu uma amargura profunda e abaixou a cabeça. Margot colocou a mão em seu ombro e as duas se abraçaram. - Sei que vai ser duro ficar aqui sozinha lembrando daqueles que perdemos... – disse a proprietária do Bar Code. - Mas não devemos esquecer deles, Margot! – falou Nane. – O certo seria construir até um monumento para que todos os dias pudéssemos olhar e lembrar que aqueles blogueiros deram suas vidas por nós. - Seria ótimo! Uma estátua só minha!

Para assombro daqueles blogueiros, aquela voz que parecia tão familiar se rompeu no ar. Ao tornar a cabeça para o alto, em meio ao sol poente, os blogueiros mal podiam acreditar que lá estava o jovem Peter Pan, tão levado como sempre foi quando vivo. - Peter!?!? – assombrou-se a Val ao ver o menino-do-pó. – Você está vivo? - Mas é claro! – disse o garoto loiro cruzando os braços. – Todos nós estamos! Em meio a uma ofuscante luz que nascia a certa distância naquela avenida, silhuetas humanas se delinearam cruzando um portal entre dois mundos. Ao alcançar o asfalto da cidade, seus rostos se tornaram reconhecíveis. Lá estavam aqueles que caíram na luta contra Omega. Enfys, Sandro, o Cavaleiro Negro e muitos outros, heróis e vítimas inocentes caminhavam de volta entre os vivos. - Roger? Em meio à confusão de pessoas que surgiam ainda confusas nas ruas da cidade, a moderadora Nane reconheceu o companheiro que se destacava graças a seu alto porte e cabeça raspada. Não pode conter o grito de contentamento e correu até ele. Assim que encontrou a companheira, o moderador sorriu e envolveu Nane num longo e carinhoso abraço. - Eu não ia agüentar ficar aqui sem você! – disse a Moderadora encostando a cabeça nele. – Ainda bem que voltou. - Foi só um sonho ruim... um pesadelo. – falou o moderador encostando o queixo nos cabelos dela. – Mas ele já acabou.

Do outro lado da rua, em contraposição a forte luz que já minguava, um imenso globo negro se manifestou, crescendo e se rompendo em dois, como um ovo que se quebrava em pedaços. Dele, restara apenas um contorno humanóide negro, que começava a se mexer vagarosamente. A moderadora Nane tornou rapidamente os olhos para o engenheiro químico e ambos pareciam ter chegado às mesmas conclusões, sem trocar idéias verbais. Ao se aproximarem mais daquela sombra humana, logo perceberam alguns detalhes incomuns. Um pouco mais baixa e com longos cabelos, bem diferente da forma que eu costumava ter. Aos poucos, aquela forma foi se alterando, as partes negras se dissolvendo e todo o corpo tomando cores. - Ai, minha cabeça! – disse o vulto. – Alguém pode me explicar o que aconteceu? - LY? – disseram em uníssono a moderadora e o engenheiro químico.

Na manhã do dia seguinte, os primeiros esforços para restaurar a cidade começaram. Todos os cidadãos blogueiros se empenharam num esforço mútuo e começaram a ativar as áreas mais emergenciais da Cidade dos Blogs. Aos poucos, a vida costumeira começava a dar continuidade. No hospital principal, médicos e enfermeiros já atuavam em alguns setores. Num dos quartos, Soldier, um dos últimos blogueiros a resistir e que quase deu sua vida pela batalha contra Omega, se recuperava graças a dedicação da Doutora. - Bem, acho que logo já vou poder te liberar também! – disse ela. – Bem, eu volto mais tarde! Vou te deixar a sós com sua visita. - Oi, moço! – disse uma voz miúda surgindo da porta. – Como o senhor está? - Ly!!! – maravilhou-se o Soldado com a surpresa da visita. – Nossa! Eu estou muito bem, mas vejo que você está ainda melhor! - Pois é, chefinho! – falou ela se aproximando da cama. – Foi literalmente graças a Gódi que quase todos voltaram... - Quase? – Soldier ergueu a sobrancelha. – Não o encontraram ainda? A viajante soltou um longo suspiro, baixou os olhos e balançou a cabeça em resposta.
 ...::: CONTINUA:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 01h12
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No formoso jardim onde belas flores ornamentavam a entrada do hospital, a mais antiga bruxa daquele Mundo parecia perder-se no tempo admirando a beleza das Sempre-vivas que persistiram em crescer vigorosas e com vistosas pétalas amarelas, indiferentes ao apocalipse que tomara a cidade naqueles últimos dias. - Eu não quero me despedir de você de novo! Ao ouvir aquela frase, Selina não pode deixar de sorrir. Virou lentamente a cabeça para o lado e viu a jovem de cabelos negros, usando mais uma vez sua toga de rituais, com uma cara amuada. Ao lado de Rhiannon, a sua melhor amiga, Paola, já estava de pé e restabelecida. - Um dia você vai me entender, minha menina! Vai compreender que nosso momento aqui já passou e o presente são para outros. – falou Selina. – Haverá um dia em que você também partirá, mas isso vai demorar um pouco mais. - Eu não sou como você... – falou a deusa celta. – Não sei cuidar do caldeirão como você fazia... - Não, você não é como eu. – concordou Selina. – Mas do seu jeito, você tem cuidado muito bem dele... E pare com essas lágrimas, não trate isso como se fosse a minha morte. Cada vez mais, eu vejo que é difícil um blogueiro morrer neste mundo se ele é lembrado pelos mais novos. - Falando desse jeito, até parece que eu estou indo embora por falta de trabalho... – interrompeu uma outra voz vinda do lado. - Zé? – Paola pareceu surpresa mais atrás. – Como assim ir embora? E o cemitério? - Que outros coveiros cuidem dos mortos, Paola. – disse Zé colocando a pá nas costas. – Eu já vinha pensando faz um bom tempo em tomar um novo rumo... E depois de tudo isso, algo me fez acreditar que estava mais que na hora de eu seguir adiante. - Ai, minha Deusa! – espantou-se Rhiannon. – Estão todos indo embora!!

Uma repentina mudança no vento pareceu chamar a atenção dos quatro ali reunidos. O ar em movimento parecia emanar uma energia diferente, que os mais sensitivos seres daquele mundo poderiam considerar como sendo estrangeira. Ao tornar para o lado, sobre o alto muro que circundava os limites do jardim do hospital, a figura encapuzada de Sétimo revelava-se. - Ao deixar um lugar, você conquista outros. – disse em tom solene o encapuzado. – Podemos estar desacostumados com essas mudanças bruscas, mas é algo que sempre deveríamos aprender a conviver. Enquanto crianças, nós nos deparamos com surpresas a cada dia e nossos olhos se enchem de emoção a cada novidade. Esse prazer nunca deveria ser perdido. – um sorriso pareceu se esboçar por debaixo de seu capuz. – Não perdemos amigos quando eles partem, apenas os deixamos realizar novas conquistas. - Parece um pensamento egoísta, não é? – falou Rhiannon torcendo o rosto. - É humano. – riu-se Sétimo. – Mas essa idéia muda quando chega nossa vez. - Sétimo? – falou Paola com certo temor na pergunta. – Você é a única pessoa que ainda pode ter uma notícia dele... Sabe algo do Xis? - O Coveiro... – o encapuzado baixou o rosto e ponderou por um instante. – O destino que tomou é desconhecido até por ele mesmo. Como ele costumava recitar “Um bom viajante não faz planos fixos e nem tem certeza de sua chegada”. E é isso o que de mais seguro posso dizer sobre o meu amigo, que conheço há um bom tempo. E com a sua saída, minha missão acaba encerrando aqui o meu tempo. - Porque vocês costumam ser tão evasivos, heim? – reclamou Rhiannon. Sétimo meneou a cabeça para os lados, num tom brincalhão e logo em seguida cruzou as abas de sua longa capa, que farfalharam rapidamente ao gosto do vento e logo sumiram, como uma ilusão de ótica.

Com a chegada da noite, num velho sobrado que permeava a Estrada Escura, bem perto da Floresta Mística, duas crianças admiravam o céu que parecia ainda mais estrelado naquela noite. No quarto, debruçados em uma janela, Roronoa Zoro e John, o Legista, vislumbravam o cair de pequenas estrelas cadentes ao longe. - Meninos, ainda acordados? – a porta se abriu e a bruxa conhecida como Lua Negra apareceu. - Já vamos dormir agora, mãe! – disse Zoro pulando dali para sua cama. - Tia Lua...? – chamou John quase num sussurro sem tirar os olhos do céu. – Meu vô morreu, não foi? - Meu querido... – Lua se sentou na cama ao seu lado. – Este nosso mundo se mostrou um lugar cheio de mistérios e proezas impossíveis. Assim, mesmo que muitos não creiam, eu ainda acredito que ele continua vivo, sim... talvez mais perto do que podemos imaginar. - Puxa! Eu queria que ele fosse meu avô de verdade, mesmo. Queria dizer isso a ele agora. – confessou John. - Acha que eu vou voltar a vê-lo algum dia? - Claro! E asseguro que de onde ele estiver, ele está vendo e ouvindo isso – disse Lua Negra beijando a testa do pequeno garoto que queria ser legista e fazendo o mesmo com o seu filho. – Agora, vão dormir.

A porta do quarto se fechou silenciosamente e a luz se apagou. Após alguns minutos, os olhos dos infantes se fecharam e toda a casa adormeceu. Lá fora, o vento pareceu mais forte a ponto de conseguir destravar a janela do quarto dos meninos. As cortinas tremularam freneticamente e, de um instante para o outro, tudo se amenizou. No mais profundo silêncio, uma forma delineou-se sobre as duas crianças. Olhou para uma delas, resvalando rapidamente em seu cabelo e depois se afastou. Olhou para uma pequena mesa e lá encontrou um velho encadernado negro com letras prateadas na capa. A palavra “Lápide” era facilmente lida nele. Como se fosse a ação do próprio vento, as páginas se abriram e revelaram trechos inacabados de uma história. Num outro movimento, o livro foi agarrado, desaparecendo como mágica. Durante toda a longa noite, as letras voltaram às folhas. Lembranças de batalhas viscerais e memórias de cenas tristes foram repassadas para o papel. E assim, o ponto final foi colocado na última página, completando aquela fantástica história, que seria miraculosamente encontrada na manhã seguinte por duas crianças.
FIM

Não perca o Epílogo e os Créditos do Crossing Blogs Saga nesta próxima segunda (28/02/2005)
Escrito por Coveiro ¤ às 01h12
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Crossing Blogs Saga Capítulo 47 – Batalha pelo Amanhã
Desorientação e medo são sentimentos comuns àqueles que adentram a porta rumo a plena escuridão. Algo certo para a maioria dos humanos, que sempre se desviaram deste caminho buscando o fogo ou a luz natural. Todavia, mesmo atravessando para a perpétua sombra, Omega não fraquejou. Com toda força e fúria, ele lutava para se desvencilhar daquele laço. Guerreava por uma saída naquele complexo reino escuro. E neste combate, atravessamos um atalho rumo às estrelas, enquanto outros partiam para seu objetivo no plano físico. ...10... ...9... ...8... A voz de Mack era repassada da Sala de controle do Galpão Zero para a cabine central da “Exploradora” assim como para todos os comunicadores. Na tela principal do computador, todos os sistemas se otimizavam para os segundos precisos daquele lançamento. A Doutora se aproximou dele e do Observador e cruzou os dedos. ...7... ...6... ...5... ...4... Dentro da espaçonave, Nane e Tolee apertaram os punhos sobre os controles e trocaram olhares apreensivos. Voltando a cabeça para trás, encontraram os outros quatro Sacrificados. Selina, Zé, Soldier e a Vampira, todos já vestidos com seus trajes especiais como cavaleiros prontos para a última das batalhas, aquela que decidiria o futuro do Mundo dos Blogs. ...3... ...2... ...1... ...Ignição... O ronco perturbador da “Exploradora” rompeu-se numa terrível explosão. O fogo se espalhou por toda a plataforma de lançamento e a nave se ergueu, ganhando o céu escuro e deixando uma branca fumaça para trás. A “exploradora” elevou-se numa trajetória perfeita, rompendo os limites da atmosfera terrestre. - Boa Sorte, Blogueiros! – disse Mack. – A fé de todos está nas mãos de vocês hoje. - Iremos fazer jus, Mack! – disse a Nane de dentro da espaçonave e voltou-se para toda a tripulação. – Resistiremos até que tudo se acabe.

Enquanto os minutos e as horas avançavam, uma outra batalha perpetuava-se na escuridão. Lá, a essência do mortífero Omega era arrastada para cada vez mais longe até um ponto único. Resistindo a esse aprisionamento, a sua mente tentava entender a complicada natureza daquele reino. E seria este o maior perigo de nossa arrojada investida, algo que poderia derrocar nossa maior esperança. Agindo com maior voracidade, abusei até os limites da minha capacidade e cruzei o caminho negro, que revelava pequenas fagulhas distantes. O ponto mais distante do horizonte tinha um brilho, uma mescla com o outro plano, estrelas que brilhavam na escuridão do espaço. Estávamos cada vez mais perto.

Milhares de quilômetros distante da nossa Terra, conhecida como o Mundo dos Blogs, a “Exploradora” já se encontrava numa posição estável circundando a Lua. Sob as instruções do computador de navegação, a Moderadora Nane desligou os motores e se interligou através de um monitor com os outros blogueiros. - É aqui! – disse ela. – Estão preparados? - Já estou com meus dedos coçando aqui... – desdenhou o Zé. - Pode abrir a comporta, Nane! – falou Vamp. – Vamos descer... A moderadora se voltou para os controles da espaçonave e puxou a larga chave que abria a imensa porta de metal da câmara de descompressão. Aos olhos dos quatro Blogueiros, o espaço se manifestou brilhante e, juntamente com ele, a branca superfície lunar. Os Blogueiros ligaram os pequenos foguetes em suas costas e assim rumaram para o satélite.

Cruzando a fraca força gravitacional, os quatro sobrevoaram por algum momento o chão rochoso até seus pesos serem finalmente atraídos para o solo. O primeiro deles, Soldier, firmou os pés levantando um pouco de poeira espacial e foi prontamente seguido pelo Coveiro Zé. - Até aqui tudo bem! – disse ele virando-se para Vamp e Selina que ainda aproximavam-se impulsionadas pelos foguetes. – E o que fazemos agora? - Bem, essa parte o Xis deixou na incógnita... – questionou Selina. – Acho que temos que esperar um sinal do Coveiro... - Na verdade, eu que estive esperando vocês... A voz que subitamente surgia no comunicador era familiar a todos. Vamp e os blogueiros se voltaram para o lado e viram uma massa negra se romper da parte mais escura da lua. De lá, foi jogado um corpo para longe, um ser em armadura negra, cabelos loiros e olhos brilhantes aterrorizantes. Do portal negro aberto, uma outra forma se manifestou, inicialmente parecendo uma gigantesca aberração, mas logo se reduzindo aos contornos mais amenos e humanos. Era uma sombra negra que delineava as mesmas formas que as minhas, cruzando os braços e fitando os demais. - Esperando uns quinze minutos... – falei e depois sorri. – Chegaram atrasados... - Xis?? – admirou-se Vamp.

Dentro da “Exploradora”, uma pequena tela mostrava a imagem do corpo de Omega rolando pelo chão pedregoso da lua. O vilão caiu de bruços, enterrou a mão na areia deixando marcas profundas e, então, ergueu a cabeça para o alto. Sua boca abriu, mas nenhum som foi produzido. No espaço, tudo era silencioso. Logo em seguida, seus olhos tornaram a brilhar abruptamente e acabou se colocando novamente de pé, pronto para enfrentar os seus inimigos. - Mas como isso é possível? – questionou a Moderadora, sentada na poltrona do piloto e tornando os olhos para Tolee. – Ele... o corpo dele deveria ser destruído no espaço, não? - Seria o lógico! – comentou Toleezinho. – Mas eu e o Xis já imaginávamos que não fosse acontecer. Omega está apenas simulando um corpo humano. Certamente, ele não precisa respirar, por isso que não houve diferença de pressão e seu corpo não estourou. Também não precisa comer, beber e todas as outras coisas. Nunca precisou. Tudo isso não passou de mero instinto ao tomar um corpo humano. Omega logo percebeu que podia ter sua energia de outro modo... Assimilando-a assim com fez com o carbono que usou pra construir seu corpo nas duas vezes. Tudo o que adquire vem do que retira do meio externo... A baixíssima temperatura também não o afeta, pois não importa seu sangue estar congelado... É como um daqueles mortos-vivos parasitas dos filmes... – Tolee voltou-se para Nane e ergueu os ombros. – Só que ele é bem mais poderoso e complicado...

...::: CONTINUA:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 21h46
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Com a ajuda dos braços, o vilão fez força para se colocar de pé. Todavia, o esforço demasiado o ergueu tão rápido que Omega quase caiu novamente, recuando trôpego para trás. Ele olhava atônito para os lados sem compreender nada. Sentia uma sensação estranha, seu corpo parecia reagir diferente agora, mais frio e inerte. Ergueu a perna para dar o primeiro passo e viu uma grande diferença. Volveu os olhos para o chão, ainda perturbado pelo efeito da gravidade. Foi quando viu as quatro sombras crescerem no solo. Eram as silhuetas dos blogueiros contra a luz refletida do planeta azul que pretendiam salvar. Aqueles eram os mais ameaçadores adversários que Omega topou naquele Mundo. Todos usando estranhos trajes, totalmente protegidos e encobertos. A misteriosa mulher de máscara, que se identificara como a bruxa mais antiga do lugar, Selina, ergueu suas mãos brilhantes certamente armando um feitiço. Ao lado, o terrível Coveiro Zé estava de volta, portando uma nova pá e com olhos sedentos por vingança. A outra mulher era a vampira ruiva, Paola, que já se transfigurava novamente na forma mais animalesca, deixando suas garras romperem as luvas. Junto a ela, o escolhido Soldier erguia as mãos e criava duas espadas com seus poderes. Por fim, minha sombra similar a humana surgia por detrás deles.

Omega abriu a boca para soltar um alto urro, mas nada se ouviu. Foi uma ameaça vazia nas leis do espaço. Seus olhos se intensificaram enlouquecidos e ele projetou as mãos para frente, como sempre fazia quando usava algum dos dons adquiridos. Todavia, desta vez nada se manifestou. O vilão olhou surpreso para os seus dedos, perturbado com a aquela falha. - Sem a atmosfera terrestre, não vai conseguir manifestar eletricidade ou qualquer dom climático... Sem oxigênio, não conseguirá criar fogo... – eu falei através do comunicador para todos. – No espaço, o poder que Omega adquiriu se torna atrofiado...quase no mesmo nível que o nosso. Como que entendendo suas novas fraquezas, Omega bateu os dentes violentamente. Seus punhos cerraram-se e uma áurea arroxeada tomou conta deles. Logo em seguida, projetou mais uma vez as mãos para frente e a imensa coluna de energia negra se manifestou cobrindo um cone de vasta área à frente, englobando o grupo de ataque formado pelos blogueiros. Após a carga, Omega baixou os braços e deixou o excesso de energia se dissipar. A névoa negra foi se desfazendo e, para a surpresa do vilão, os blogueiros continuavam lá, intactos e rodeados por finíssima áurea brilhante. - Estou garantindo nossa proteção contra essa energia nefasta. – falou Selina abrindo os braços de onde ainda se projetavam lampejos daquela magia. – Agora, só resta a ele nos atacar no corpo a corpo. - Eu estava ansioso por ver esse desespero no rosto dele... – falei pelo comunicador. - Chega de conversa! – reclamou Zé. – Vamos logo enterrar esse maldito! - Estou com você, caro Zé! – apoiou Soldier. - Blooogueirooos... – disse Paola com sua voz gutural. – Ao Combateeee...

Omega recuou alguns passos para trás com certo atrapalho, para receber a primeira investida vinda do Coveiro Zé, que saltou contra ele e girou a pá na sua direção. Mesmo com a visível lentidão que o espaço dava aos movimentos, foi por muito pouco que quase não fora atravessado ao meio pela afiada arma. O vilão lançou-se para o lado e chutou o cabo da pá antes que o Coveiro Zé voltasse a investir uma segunda vez. Omega mal se livrou do primeiro atacante e já se viu sob a ameaça das espadas do primeiro escolhido, Soldier. Com golpes precisos, o Soldado atingiu parte da armadura de Omega e rasgou sua longa capa em duas partes. Omega tornou os olhos para o soldado com uma fúria mortal. Avançou contra ele e agarrou com as suas mãos os punhos de Soldier que seguravam as espadas. Usou de toda sua força adquirida para comprimir os dedos do Escolhido e todos nós fomos capazes de ouvir o sofrimento dele pelo comunicador. - Laaaarga deleee!!! – urrou outra voz no sistema de comunicação. A vampira Paola cruzou o caminho entre os dois e atacou com uma das suas mãos em forma de garra. As pontas enterraram-se na armadura de Omega e continuaram a penetrar ainda mais no ventre do vilão. O sangue de Omega desprendeu-se no ar e sem a alta gravidade se espalhou ao redor, flutuando pela imensidão do espaço. - Eeeeuuu disseee queee.. Ahhhhh...

As palavras de Vampira foram repentinamente interrompidas no comunicador. Ainda com seu braço torcendo a ferida recentemente aberta de Omega, ela foi agarrada pelos ombros. Sem hesitar, Omega não só a empurrou para trás como também a lançou com uma força titânica. O corpo de Paola lançado tão vorazmente começou a perder o contato com as influências da gravidade da Lua e rumar direto para o negro espaço. - Nããoooo... Numa velocidade surpreendente, Paola ia se distanciando do pequeno satélite, prestes a se perder na imensidão ao redor. Balançava seus braços para os lados, tentando em vão buscar algum meio de voltar. Em desespero, seus olhos já viam a lua ficar pequena com a distância quando seu capacete pareceu esbarrar em algo. - Não vai sair antes de tocarem a valsa, vai? Ela tornou a cabeça para trás e viu pelo canto dos olhos os membros negros como sombras que a envolvia agora. Estiquei o meu corpo para o lado e ela reconheceu os meus velhos olhos vermelhos. No mesmo instante, os nossos corpos sumiram diante das minhas ordens. - Sombras.

Novos contornos de massa negra se moldaram até que no lugar eu surgi juntamente com Paola de volta para o campo de batalha no solo lunar. Viramos para o lado a tempo de ver Omega ser mais uma vez ferido pela mortífera pá do Coveiro Zé. Com todo o peso que seu corpo podia conceber, Zé saltou sobre o vilão e cravou a lâmina nas suas costas. Numa cena apavorante, Omega abriu a boca num lamento inaudível e cambaleou para o lado. Tornou seus olhos para todos nós, faiscando de ira, como se quisesse nos passar uma mensagem silenciosa. Todavia, havia algo mais ali, uma idéia começando a surgir, um lampejo para uma fuga audaz. Omega ergueu as mãos à frente e como num truque mágico, tornou-se um vulto completamente negro e desapareceu. - Mas... – questionou Soldier pelo comunicador. – O que aconteceu? - Ah, não! – lamentei. – Que filho da mãe! Da mesma maneira que aconteceu com o vilão de olhos verdes brilhantes, meu corpo já envolto em plenas sombras, se desfez no nada, sumindo às vistas de todos e atravessando o véu para o outro plano.

...::: CONTINUA :::..
Escrito por Coveiro ¤ às 21h45
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Nane mal podia acreditar em seus olhos quando simplesmente a figura de Omega desapareceu do monitor da cabine de comando da “Exploradora”. Logo depois, era meu corpo que sumia. Voltando-se para uma outra tela, apenas quatro pontos eram captados pelo radar da nave. - Eles sumiram? – exaltou-se Nane. - O poder das sombras! – lembrou o Toleezinho se debruçando sobre o radar. – Era o maior medo do Coveiro. Uma vez fazendo uso dele para trazer Omega até aqui, ele corria o risco do nosso inimigo absorvê-lo e aprender a usá-lo. E pelo visto foi o que aconteceu. Omega vai fazer o caminho inverso de volta para o Mundo dos Blogs. - Mas isso vai estragar todo o nosso plano! - temeu a moderadora. - É. Agora, é com o Coveiro. – retrucou o engenheiro químico. – Vamos esperar para o Xis trazê-lo de volta.

Para todo principiante, assim como foi para mim, o Mundo das Sombras é um emaranhado labirinto de rotas sem sinalização. Para aqueles que não nascem guiados pela escuridão, entrar neste lugar sem um guia é uma perdição. Assim, mesmo para Omega, absorver um pouco daqueles dons, não clareava nenhum caminho a se seguir. “Perdido como cego em tiroteio” é o ditado mais certo para isso. Todavia, essa entidade de nome Omega era um ser inusitado, de aprendizado rápido e surpresas inusitadas. E aquele não era um momento para se correr riscos. Trilhando um caminho qualquer pela imensidão da eterna negritude, Omega mal pode perceber a imensa garra que surgiu às suas costas. Dedos gigantes se entrelaçaram sobre todo o corpo do vilão e o puxaram de volta para o ponto de onde partira. Assim que chegou até aquela posição, o Mundo das Sombras se desfez e aos meus olhos surgia de novo a superfície da Lua. Assumindo novamente a imensa forma bizarra, eu arremessei Omega novamente no chão, causando-lhe ainda mais injurias com o impacto. Voltei-me para os demais blogueiros e vi que todos estavam com olhos aturdidos diante daquela minha nova aparência. - Aqui está nosso amiguinho fujão. Não podemos deixar ele sair antes do final da festa, não? – falei ainda fazendo uso do comunicador. – Cuidem dele! Eu vou me certificar de que ele não corra pela portas dos fundos mais uma vez. Como num truque mágico, o gigante negro em forma de gárgula se desfez, mesclando suas formas com o negro espaço. Restaram apenas os imensos olhos vermelhos que permaneceram distantes observando tudo ao redor.

Omega se ergueu mais uma vez, com o rosto contundido e uma abertura enorme de lado, onde o sangue parecia coagulado. Girou a cabeça para os lados e percebeu que se encontrava novamente na Lua, mais uma vez cercado pelos seus inimigos blogueiros. - Vamos lá, pessoal! – disse Soldier girando suas espadas. – Não vamos dar mole agora! Vamos até o fim com isso. Partindo com toda a carga possível, o Soldado foi de encontro ao vilão, com as armas em riste. Num rápido movimento de defesa, Omega saltou para o lado e pousou lentamente com o efeito da gravidade. Esticando um dos braços, Omega gerou um fino e longo traço de energia, que aos poucos foi tomando forma até se transformar numa perfeita espada longa. O vilão virou-se para o Soldado e empunhou sua arma como que promovendo um desafio. Sem hesitar, o blogueiro partiu com o mesmo ímpeto em direção ao vilão e logo se juntou a ele o Coveiro Zé. A pá afiada do Blogueiro girou de um lado enquanto que as duas espadas do soldado atacaram do outro. Em defesa, restava a Omega apenas recuar e aparar cada um dos golpes com sua arma. Numa segunda investida, Zé colocou-se atrás do vilão e, enquanto, Omega rechaçava o ataque de Soldier, o mortífero Coveiro empunhou sua pá e com toda força estancou-a nas costas do vilão.

Mais uma vez, a boca de Omega se abriu contorcendo-se numa dor sem grito. Caiu de joelhos com seu corpo pendendo para o lado e girou para trás antes que recebesse novo golpe fatal do Coveiro Zé. Num rápido gesto, Omega ergueu o braço lançando assim um cegante feixe de luz sobre os olhos dos dois Blogueiros. Aproveitando a momentânea cegueira de seus dois adversários, Omega se arrastou para longe, mas logo se viu na frente de mais um combatente. Sem perder tempo, Vampira abriu a mão de onde projetavam-se afiadas unhas de suas luvas e saltou sobre o vilão. Mais sangue se espalhou flutuando no espaço e Paola repetiu os golpes rasgando ainda mais a pele de Omega enquanto eles rolavam pelo solo lunar. Com muito esforço, Omega se desvencilhou da Vampira, girando o braço e afastando-a de si. Levantou-se trôpego pronto para se vingar da blogueira, quando se viu novamente sob mais outra ameaça. Selina surgia com as mãos incandescentes logo atrás e agarrou o seu rosto. Em agonia, Omega empurrou-a para longe, cobrindo a face cauterizada. A bruxa fundadora do Caldeirão se reergueu no mesmo instante e viu o vilão tornar os olhos para ela, com a face vermelha marcada. Ela correu para um novo confronto e já se preparava para um novo feitiço no meio do caminho quando sentiu seu coração disparar. Repentinamente, foi tomada por uma fraqueza e caiu. Sentindo calafrios bruscos e uma letargia incomum, a bruxa já suspeitava o que estava acontecendo. Tornou os olhos para Omega e viu-o novamente de pé, com suas queimaduras e feridas sendo milagrosamente curadas. - Selina! – gritou Paola pelo comunicador! – O que...? Paola mal pode completar a frase e sua voz logo desapareceu. Subitamente sua garganta pareceu secar, seu corpo começou a queimar e seus músculos fraquejaram. Usando o máximo de sua força, conseguiu ainda se manter de pé. Tornou os olhos para o outro lado e viu que o Coveiro Zé e o Soldier estavam no chão em agonia semelhante. Sua mente ainda confusa mirou sua mão, que parecia repentinamente ressecar. Ergueu o rosto para Omega e viu suas feridas se fechando. Agora, ela compreendera tudo. Omega estava sugando a essência vital deles, todos ao mesmo tempo.

MOMENTOS FINAIS DA SAGA... ACOMPANHEM...
 24/02 - O último capítulo da Saga: O começo e o Fim 28/02 - Epílogo
TRILHA SONORA: "The Seven Angels" do projeto "Avantasia"
Escrito por Coveiro ¤ às 21h44
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Crossing Blogs Saga Capítulo 46 – Sete Sacrificados
O nada, o vazio, o negro, apenas com essas palavras é que é possível se descrever o cenário ao se atravessar o reino das sombras. Em contagem na realidade normal, aquele momento não levaria mais que um minuto. Contudo, Rhiannon, Paola, Renato e Nane acharam que aquela era uma realidade constante. Repentinamente, a escuridão se desfez e lá estavam eles de volta ao mundo das cores. Assim que seus olhos se acostumaram, eles perceberam que estavam num lugar novo, diferente de tudo que já viram. Um galpão de teto colossal, com luzes brancas rodeando uma área circular num ponto mais alto como uma redoma. Algumas vozes eram reconhecíveis e, ao procurar ao redor, viram que outros blogueiros estavam ali também, ocupados com computadores ou carregando caixas de ferramentas. - Já estão aqui? Chegamos somente há quinze minutos atrás! – disse a voz delicada e experiente de uma das mais antigas bruxas daquele mundo, Selina. – Nane, Paola, Renato...Bem Vindos!! Rhiannon, minha querida! - Sel!! – a voz de Rhian saiu chorosa quando correu para abraçar a amiga. - Mas... mas... – a Moderadora gaguejava confusa. – ...onde estamos? - No Galpão Zero, na ala mais ao sul da BlogTech. – minha voz surgiu logo atrás junto com meu corpo que tomava tonalidades mais brandas. – Foi aqui que foi concebido o projeto mais ousado deste lugar, mas que não foi levado adiante devido aos cortes orçamentários dos financiadores. - Destino irônico, não? – comentou a Doutora levando um carrinho de mão com alguns galões de metal. – No final, é este o projeto que vai nos dar a chance de sobreviver a esse apocalipse. - E que projeto seria esse afinal? – questionou Nane ainda vislumbrada. - Na época, nós a chamávamos de “Exploradora”, nossa primeira nave rumo ao espaço. – falou Toleezinho retirando os óculos de proteção e deixando de lado as ferramentas. – Todos os projetos da BlogTech estariam vinculados a ela, dos testes biológicos da Doc em gravidade zero a resistência de meus polímeros que revestem toda a espaçonave. Mas o grande mérito do projeto é o computador central, ligado a ela e aqui, na central! – apontou Toleezinho para os computadores mais distantes onde estava o Observador e Mack.

- Sim, é fabulosa a capacidade desta máquina! – comentou o Observador digitando algumas funções no teclado. – Nunca vi algo assim, trabalhar com algoritmos em tamanha velocidade e precisão. - É, eu admiro muito o sujeito que a criou, era um amigo e gênio de valor. Graças a ele, a “Exploradora” é capaz de coordenar sozinha todo o seu plano de vôo a partir dos dados básicos que fornecemos. E se ocorrer qualquer imprevisto de última hora, esse computador é capaz de reordenar os cálculos e criar improvisos seguros. Se não fosse isso, nós levaríamos dias para podermos ir a lua agora. - Ir a lua? – Paola coçou a cabeça. – Nós vamos para o espaço? - Sim, Paola! – falei. – Ao menos, alguns de nós. E junto irá Omega. - Levar Omega? Como? – arrepiou-se Nane. - Isso é algo que eu também gostaria de saber... – falou a Doutora olhando para mim. – Mas acho que vai continuar sendo um segredinho de última hora de meu amigo Coveiro Xis. - Tudo em seu tempo. – falei não conseguindo manter a seriedade e fui em direção a parte mais funda do lugar. – Tudo ainda funciona bem, Tolee? - Bom, já fazem dois anos que esse lugar foi abandonado... – comentou o engenheiro químico vindo para o meu lado. - ...e a “Exploradora” foi feita para ter uma vida útil superior a vinte anos. Estamos apenas fazendo os ajustes de embarque, Xis. O resto está intacto como antes... nas vésperas do lançamento e dia em que a BlogTech foi forçada a fechar suas portas para nós. – Tolee aspirou fortemente o ar. – E foi assim que inexplicavelmente terminou nossa Era de Ouro. Saudades dos bons tempos. - De fato, bons tempos... – disse pensativo. – Quem sabe um dia não retomem esse lugar? Afinal, aquilo que acaba não está livre de recomeçar, certo? - Engraçado você falar nisso... – Tolee virou-se sério para mim. – Era justamente sobre isso que queria lhe falar. Tornei meus olhos vermelhos para os do engenheiro químico e antevi a importância do que ele estava para dizer agora. Puxei-o para mais longe, distanciando-nos mais dos outros e ele prosseguiu.

Após o calor da última batalha, quando ambos os lados voltaram a se separar, a temperatura mais baixa daquela noite chegou até a pele descoberta de Omega. Sentindo novamente o frio naquele seu novo corpo que imitava a natureza humana, o vilão de cabelos loiros se viu na necessidade de reconfigurar mais uma vez o traje para si. Estendendo os braços adiante, filetes de luzes verde néon se projetaram das mãos e envolveram todo o seu corpo nu. Os traços delinearam-se por seus músculos traçando formas precisas. Em seguida, um esqueleto da mesma armadura e capa o cobriram, um artefato inspirado nos trajes de uma de suas vítimas. Lentamente, aquele uniforme começou tomar cores, tons cinzas e negros com listras vermelhas cortando de lado, e no final, estava completo. Voltando sua cabeça para o alto, o vilão mirou o céu que parecia muito mais estrelado que todas as outras noites e elevou-se no ar, disparando rumo ao horizonte com os braços estendidos à frente e a capa esvoaçando contra o vento.

Passada a meia noite, a madrugada transcorria fria e silenciosa à leste da Cidade dos Blogs. Os únicos sons distantes eram o de batidas cadenciadas vindos do galpão ligado a extremo sul do velho Centro de pesquisa conhecido como BlogTech. - Conseguimos destravar a porta! – gritou uma voz que parecia vir do subterrâneo. – Vejam se conseguem abrir, aí! - Um minuto! – respondeu Mack da Central de Computadores. – Segurem-se agora! Vamos trazer a “Exploradora” para a posição de lançamento. Após alguns minutos, o fundo logo abaixo da redoma iluminada começou a se abrir, as trancas de ferros deslizaram em espiral e toda a estrutura interna se ergueu. Como que renascendo de um mundo esquecido, surgia a ponta negra do imenso foguete ligado ao ônibus espacial apelidado de Exploradora. Equilibrados na parte externa da aeronave, presos aos cabos do casco, surgiram o Zé e Soldier, que saltaram para o piso superior assim que a o veículo se estabilizou. O Soldado enxugou o suor que caía em sua testa e se juntou a nós

...::: CONTINUA :::...
Escrito por Coveiro ¤ às 00h11
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- É imensa, não é? – disse ele deixando a maleta de ferramentas no chão. - Ainda assim, ela só é capaz de comportar poucos de nós. – falei admirando a grandiosidade dela. – Só sete estarão lá no final. Aqueles que se sacrificarão na luta final contra Omega. - É um número significativo... – comentou o encapuzado que permanecia silencioso observando tudo do alto e que se mantinha quieto até então. - Número fixo na matemática, nas formas e fenômenos naturais, em calendários, na magia... um número de muitas histórias... - E esta será mais uma, meu velho amigo. – falei elevando meus olhos para o alto. – Lamento você não estar comigo no final de tudo. - Meu papel aqui é outro. Eu não sou deste lugar. – explicou-se Sétimo ainda obscurecido pela capa. – Essa é uma luta entre vocês, Blogueiros deste Mundo. - Claro! Não seria justo eu exigir sua presença. Eu só espero que sejamos lembrados pelos futuros blogueiros que herdarem esse mundo que vamos salvar. – respondi deixando um riso nervoso transparecer. – A história dos Sete Sacrificados. - Sete Sacrificados? – exaltou-se Nane. – Porque esse nome? - Nane, uma vez estando do lado de fora deste mundo e diante de Omega, não haverá muita chance de retorno. – falei me voltando para ela. – Lutaremos até a morte até que Omega esgote suas energias. Sem ter nada ao redor que lhe nutra, é certo que ele se volte para nossa essência vital. Certamente, veremos nossos companheiros cair um por um. E o último de nós que sobrar, terá que se certificar de que Omega será aniquilado sem chance para voltar a este Mundo.

Um silêncio mórbido tomou conta de todos que se reuniam ali, abaixo da cúpula de lançamento da “Exploradora”. Olhares rápidos foram trocados, confidenciando silenciosamente medo e insegurança. O primeiro a quebrar aquela terrível quietude foi o jovem de vestes militares, dando um passo a frente e com uma certeza invejável na voz: - Eu estou entre eles, não é, Xis? E mesmo que não estivesse, eu não aceitaria ficar. - Sim, Soldier. – concordei com a cabeça. – Como eu lhe disse horas atrás, os escolhidos estiveram envolvidos nisso desde o começo. Carregaremos esse fardo até o fim. - Você já escolheu os demais, Xis? – questionou Paola. - Sim, já tenho os nomes. – disse prontamente. – Na verdade, conversei com Selina sobre isto. E será ela que irá comigo representando assim todos os dotados de artes arcanas. Também estará comigo o Coveiro Zé, que já se mostrou por demais experiente em lutas contra nosso inimigo e sobreviveu a todas elas. Você, Zé, é nosso golpe mais efetivo, uma das apostas para sobreviver ao golpe final. - Beleza, Xis! – balbuciou o coveiro agarrando sua pá. – Estou mesmo ansioso para ter mais uma conversinha com o loiro. - E você também, Paola! – virei-me para a ruiva. – Não podemos ficar sem nossa líder de campo da Liga dos Blogueiros. Espero que esteja disposta a se colocar num risco assim. - Eu? – Paola aparentou surpresa, mas logo replicou determinada. – Bom, se eu posso ajudar de alguma maneira, então, que eu tenha minha revanche contra ele também. - Ahhhhh... Eu também quero ir, mano!! – intrometeu-se Rhiannon esbaforida. - Não, Rhiannon. – Selina tomou a voz em resposta. – Você ficará aqui, minha menina, no meu lugar. Quando o mundo voltar das trevas, reerga o “Caldeirão”, mantenha viva as nossas lembranças nele... - Mas... mas... – a deusa celta tentou replicar. Selina a silenciou colocando a mão em seu ombro e, depois, a abraçando. – Vou sentir saudades. - Eu, Selina, Zé, Soldier e Paola faremos o time de ataque, a flecha apontada para o coração de Omega. – disse virando-me para eles. – Os outros dois serão nosso apóio lá. - E isso inclui meu nome pelo visto! – falou Tolee fazendo um muxoxo. - Meu amigo, não poderíamos estar lá sem você. – disse confirmando as suspeitas dele. - Observando o campo de batalha de fora, creio que sua mente exata pode nos dar a peça chave quando o momento certo surgir. Além disso, não há outra pessoa aqui que possa conhecer a “Exploradora” tanto quanto você, Tolee. - Eu estou dentro. – disse o engenheiro. – Mas quem irá me ajudar a pilotar o ônibus espacial? Ao invés de usar palavras, apenas voltei meus olhos vermelhos para a Moderadora da Cidade dos Blogs. Atônita, Nane mal pode acreditar que seu nome era o último dos sete da minha lista. - Eu? Mas... – gritou Nane aturdida apontando para a “Exploradora”. – Mas eu não sei pilotar isso aí. - Pelo que Tolee me disse, Nane, todos os cálculos de navegação serão realizados pelo próprio computador. Ele providenciará a saída para a estratosfera pelo seu automático. E uma vez lá, será direcionado para o curso padrão inicial, um ponto único à alguns quilômetros da órbita lunar. Será apenas preciso alguém que entenda o linguajar dele e não tenho dúvidas que você é capaz disso. – tentei acalmá-la e depois brinquei. – E se algo falhar, não deve ser mais difícil que pilotar um avião, não é? Nane permaneceu quieta, mas seus olhos confirmaram a decisão. - Então, preparem-se para nossa hora final. – falei cerrando os olhos.

Alguns metros abaixo do Empire Blog Building, no subsolo daquele imenso edifício, a dona do Bar Code, Margot, continuava com os olhos vidrados no computador que mostrava o mapa da cidade. Vez ou outra, voltava-se para os grandes monitores onde a imagem de Omega se destacava em alguns. - Ele está nos procurando... – falou o Nômade se aproximando da tela. - Sim, só que desta vez, ele ficou perdido! – disse Margot. – Ele não tem a mínima idéia deste lugar... e também é incapaz de saber para onde o Xis levou os outros. - Ele é cheio de surpresas, Margot. – lembrou a Espiã. - É, eu sei... – disse a dona do Bar Code. – E é por isso que estou atenta como me pediram. É a única coisa que posso fazer... - Também podemos rezar! – disse Lua Negra vindo da outra sala. – Rezar para que a Deusa nos ilumine contra esse mal, de um vez por todas.

...::: CONTINUA :::...
Escrito por Coveiro ¤ às 00h10
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Um hora antes dos primeiros raios do sol atingirem o extremo horizonte a leste, a “Exploradora” já se encontrava verticalmente posicionada para o lançamento. O seu imenso foguete negro apontava para o exterior da redoma, que se abrira mostrando um belo céu estrelado naquela noite. - Última checagem realizada! – confirmou Mack e virou-se para mim. – Xis, Tudo pronto para daqui à meia hora! - Ótimo! - Confirmei com a cabeça, enquanto vislumbrava a grandiosidade daquela nave prateada. – E nossa tripulação? Como que respondendo a minha pergunta, a pesada porta dupla na outra margem do galpão se abriu. Lá, surgindo de um salão escuro, aproximavam-se os outros seis que junto comigo estariam na última batalha contra Omega. Todos eles trajando vestes espaciais, uniformes perfeitamente adaptáveis aos rigores do vácuo e falta de gravidade. Nane, Soldier, Paola, Tolee, Zé e Selina, cada qual com leves tons de cores diferentes e portando nas mãos o pesado capacete de visor metálico.

- Parece coisa de filme! – lembrou bem a Doutora. - Os eleitos. – sorri recordando a cena. – No caso, os Sacrificados. - Xis? – Paola ergueu a sobrancelha e falou com a voz metalizada. – Você não vai se aprontar? Onde está seu uniforme. - Eu não vou precisar dele! – disse prontamente. - Como não? – estranhou Nane, usando o mesmo comunicador. - Eu não vou embarcar com vocês. – reafirmei. – Agora, eu irei cuidar da outra parte de nosso plano. Vou a caça de Omega e encontrarei vocês lá. - Mas, Xis... – a moderadora insistiu. - Desejo boa sorte com o vôo... – falei acenando. – Sombras. Antes que qualquer outro pudesse retrucar, vi a cortina de sombras me envolver. Eu já não fazia parte daquela realidade. Atravessando o reino da plena escuridão, trilhei quilômetros em poucos segundos e quando o véu negro se desfez, eu estava de volta à cidade, no alto de um prédio, observando com detalhe tudo a minha volta.

A Cidade dos Blogs que anteriormente era conhecida por ter noites que nunca dormiam, estava entregue agora ao abandono e ao silêncio sepulcral. Volvi o rosto para todos os lados tentando achar o meu alvo em meio aos fantasmas daquele deserto. Tocando levemente o fone em meu ouvido, um rápido sinal de comunicação se formou e ouviu a voz da Margot do outro lado. - Margot? – falei puxando o microfone para perto da boca. - Onde está ele? - Um minuto! – disse ela do outro lado e ouvi um rápido digitar de teclas. – Xis, você não vai acreditar... – ela pareceu assustada. – Ele está bem acima de nós! Está no Empire Blog Building! Ele nos achou!! Sem hesitar meu corpo novamente foi mesclado a escuridão, tornando-se uno com a noite da cidade. Apenas com um leve abaixar de pálpebras, me vi saindo de onde estava até um novo lugar, à frente da larga rua que dava para a entrada principal do Empire Blog Building. Lá, ostentando novamente a sua armadura negra ornada com uma longa capa que tremulava na brisa da noite, encontrava-se a entidade chamada Omega. - Enfim, nos encontramos... – falei e minha voz saiu gutural. - Escolhido...? – Omega tornou o rosto na minha direção e deixou transparecer um pouco de surpresa. – Você?

Certamente, o assombro do vilão não se devia apenas a sua surpresa ao deparar-se inesperadamente com minha pessoa naquela rua. Seus olhos brilhantes expressavam um pouco de descrença, irrealidade ou até mesmo terror. Ao invés de se deparar com o mesmo rosto branco, de cabelos negros caídos, detalhes afilados e roupas num velho estilo grunge, Omega viu um fantasma. Possuindo o dobro de minha altura normal, aquela forma colossal que assumi mais lembrava uma gárgula antiga, uma caricatura assombrosa do meu eu, consistindo apenas de um negro etéreo e duas bolas vermelhas no lugar dos olhos. - Você não queria tanto ver uma amostra de minhas capacidades? – disse num tom sombrio. – Não era esse seu desejo? Eu não esperava outra resposta vindo da boca de Omega que não fosse um grunhido ou rosnar. Ele arqueou o corpo preparando-se para o combate e cerrou os punhos. Do lado oposto, projetei-me sobre ele, como uma sombra fugaz que cresce à meia luz. - Sinta-o agora, Omega! – esbravejei num tom rouco. A projeção negra de meus braços em forma de garras avançou com furor sobre Omega. Os pontudos dedos pretos se alargaram como num abraço mortal e antes que atingissem o vilão, ele ergueu os dois braços em defesa. E de cada um deles emanou intenso brilho branco, um dom mágico que o Omega anteriormente assimilou da bruxa Enfys.

Em contato com claridade, a manifestação daquela colossal sombra se desfez subitamente, como se estourasse no ar, desfazendo-se em pequenos rastros de fumaça. Todo o gigante negro em que me transfigurei pareceu reduzido ao nada. Omega abaixou os braços e deixou um sorriso vencedor saltar em seu rosto. O brilho de seus olhos amplificaram ainda mais e sua voz voltou a soar naquela rua deserta com um ar triunfal: - Escolhido... não há outro caminho... não há outro destino... somente o fim... - De acordo. – minha voz ressurgiu do nada. Antes que o vilão cogitasse em virar suas atenções para trás, dois dos imensos tentáculos se curvaram sobre Omega. Tomaram a forma de garras, agarram o inimigo e o arrastaram sem demora para a parte mais obscura daquele trecho. Em segundos, Omega simplesmente desapareceu, sem deixar qualquer vestígio.

Próximo: No penúltimo capítulo da Saga, Sete Blogueiros contra Omega numa... Batalha pelo Amanhã.
 Trilha Sonora Final dos três últimos capítulos da Saga: “The Seven Angels” do Projeto “Avantasia”
Escrito por Coveiro ¤ às 00h09
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Crossing Blogs Saga Capítulo 45 – O Reerguido
Em verde vivo e brilhante, aquele que trouxe a dor e medo retornou. Poucos minutos antes, sua vinda fora prevista. Houve a destruição de todo um parque, mas ninguém viu seu corpo. Todavia, o ar emanava novamente a presença daquele pesadelo. Não demorou muito para ele se manifestar. Em minutos, diante dos olhos de alguns blogueiros, algo cortou o céu. Um corpo englobado por brilho esmeralda que singrou a noite e desceu até seu primeiro alvo. Em meio a gritos, dor e energias desprendidas, Omega ressurgira. Nane e os demais fitaram os olhos verdes e vazios do vilão, que tinha a face ainda desconstruída, sem boa parte do cabelo e feridas abertas por todo o corpo despido. Em cada chaga, filetes de energia verde evanesciam e, com o passar de cada segundo, era possível observar que a abertura dos ferimentos diminuía. Em contraposição, o homem de óculos e terno marrom aos seus pés agonizava com seu corpo em falência. A princípio, uma vermelhidão aflorou por toda a sua pele humana e, logo depois, começou a se desfazer. Partículas negras se desprendiam e elevavam-se até chegarem até Omega. Visivelmente, aquele humano diminuía e, bruscamente, mudava de forma. A face afilada se achatou, boca e narizes se curvaram como num bico e os cabelos se entrelaçaram tomando formas de penas. Vigia se tornava uma quimera entre homem e pássaro.

Omega já se tornava praticamente integro, quando o ronco seco partido do cano de pistolas despejou balas contra seu corpo. Os projéteis afundaram em sua pele branca, mas nenhum sangue jorrou desta vez. Os buracos apenas expunham mais fagulhas verdes e logo se fechavam. - Pare! – gritou Nane. – Você está matando ele... Nem o grito e nem os disparos pareciam incomodar Omega. Toda a sua atenção voltava-se para o poder que retomava agora. Um sorriso crescia nele à medida que sentia aquilo dentro de si. Era metade do todo, mas o suficiente para torná-lo grande. Ainda restava mais e, mesmo sua vítima, não passando agora de uma mera coruja que se contorcia no chão, ele persistia em tirar-lhe o resto das forças. - Não ouviu a moça? – a voz manhosa de Ébano surgiu por trás do vilão. Antes que Omega se voltasse para trás, as garras pontudas em mãos humanas de Ébano o agarraram. Prendendo firmemente o vilão, Ébano tomou um impulso e conseguiu arremessá-lo para longe, arrastando-o alguns metros pela irregularidade do asfalto. O homem de longos cabelos negros que um dia fora um gato se acocorou diante do companheiro caído e esticou as mãos até ele, erguendo a cabeça da ave. Apesar de debilitado, a coruja ainda estava viva, balançando as asas com pouca força. Ébano balançou a cabeça, ergueu-se e deu alguns passos em direção ao vilão. - Escuta aqui, seu pelado pervertido! Eu costumo ser bastante possessivo com os meus relacionamentos pessoais. – falou o Ébano com um olhar duro para o inimigo. – Só quem tem direito de esculhambar com o Vigia assim, sou eu.

O momento de tontura não passou de alguns minutos para Omega. Ele se ergueu lentamente, com seu corpo nu, praticamente restabelecido e examinou curioso a figura daquele humano de cabelos longos que nunca vira antes. Havia algo de estranho ali e ele não demorou a compreender o que de fato acontecia. - Então, você detém a outra parte... – grunhiu Omega. - ... Metade do meu poder ... - Conquistado por mim com todos os direitos merecidos. – zombou Ébano. - Ele será meu novamente... – garantiu o inimigo. – Vim para tomá-lo. - Será? – o ex-gato deixou um riso cruel surgir. – Vai mesmo? - Ébano!! – a voz de Nane parecia distante quando chegou aos ouvidos do gato. – Não faça isso... é impossível derrotar ele... - Impossível? – o gato apenas olhou os blogueiros pelo canto. – Ora, Naninha, esqueceu um pequeno detalhe. Eu sou Ébano. – o gato ampliou o sorriso e virou-se para o vilão. – Eu desconheço o “nunca” e o “impossível”.

Num outro plano daquele mundo, tudo era assistido por três figuras que ocupavam papéis titânicos. Todo o horizonte naquele lugar era um eterno branco, onde o chão consistia de névoa pálida e um aroma de flores campestres parecia inundar ao redor. Diferente da escuridão banhada pelo fogo e vapor escaldante do inferno, aquele era um terreno de nuvens e de eterna brisa refrescante. Apesar de um pouco incomodado, a entidade chamada Capeta deixou transparecer um longo sorriso ao ver que Omega de fato retornara. A figura morena de terno elegante, virou-se com um sorriso matreiro no rosto para o casal que estava ao seu lado, que observavam a imagem do Mundo dos Blogs refletida numa fumaça branca à frente. - Viram? – gritou o Capeta. – Acho que estamos de volta ao velho jogo, Gódi? - Nós nunca saímos dele, Capeta! – respondeu Nossinhora sem sequer dirigir-lhe um olhar. – Sempre estivemos lá, junto com as peças que você colocou naquele tabuleiro. As palavras daquela mulher celestial promoveram olhos esbugalhados não só do Capeta, como também do Deus dos Blogs, que viu aquilo como uma ofensa sem tamanho. - Como assim, mulher? – empertigou-se Gódi. – Está falando do Todo-poderoso, o alfa, o criador, o sentenciador e... - Tudo isso e ainda assim foi incapaz de detê-lo. – Nossinhora inclinou o rosto com desdém para o esposo. – Omega se mostrou livre... indiferente a nossa divindade. - Pura sorte dele! – resmungou Gódi cruzando os braços. – O sistema de “Clicks” estava até com mau contato... O Capeta sufocou um riso. - Os “clicks” só funcionariam com alguém vivo, meu querido! – continuou ela. – E Omega está bem longe disso, livre de suas mãos. - Absurdo! Eu sou o deus único, não sou? – reclamou Gódi. – O Onipotente! - Algumas coisas parecem ter mudado com a vinda deste Omega... verdadeiros valores revelados... o sentido da balança se inverteu... parece se alterar descontroladamente a cada momento. – Nossinhora voltou-se para Gódi e disse com pesar. – Ele veio para nós mostrar que este Mundo é algo bem maior do que o véu que simplesmente enxergávamos... - Eu escolhi bem minha peça... – gabou-se o demônio. - Sua peça? – Nossinhora ergueu a sobrancelha. – Sempre pretensioso, não é, meu anjo caído? Mas foi sim uma bela aposta. E eu também fiz a minha. – Nossinhora apertou os olhos se concentrando a frente. – E estou dispondo toda a minha fé nela.

...::: CONTINUA :::...
Escrito por Coveiro ¤ às 19h40
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Com os olhos apertados e fixos no seu adversário,o ex-felino se concentrava para que o céu entrasse em novo rancor e raios desmoronassem para o campo de batalha. A cada clarão, a silhueta dos dois combatentes ficava cada vez mais próxima, como num duelo antigo de armas. Enquanto que a maioria dos outros blogueiros procurava por abrigo, Nane se aproximou ainda mais daquela guerra, parando bem à frente de Vigia e tomando o animal moribundo nos braços. Ali, ela estava apenas a alguns poucos metros de distância entre Ébano e Omega. Bruscamente, o ex-gato concentrou a eletricidade do ar ao redor em suas mãos e disparou sem sequer piscar contra Omega. A rede de finos raios alvejou o inimigo, fazendo-o recuar alguns passos, mas logo se desestabilizou e desapareceu. Omega olhou com indiferença aquela investida e voltou a falar: - Vai precisar de algo mais... Agindo com o mesmo furor, Omega replicou o ataque, lançando desta vez a energia negra, capaz de reduzir muitos a morte com apenas um leve contato. A labareda sombria rompeu o ar à frente e inundou todo o ponto onde o ex-gato estava. - Ébano!! – gritou Nane de onde estava. – Gódi, não!

As chamas obscuras espalharam-se para os lados e foram rapidamente reduzidas ao nada assim que Omega recuou os braços. Todavia, para sua surpresa, ao invés de encontrar ossos ou o corpo carbonizado daquele humano de cabelos negros longos, não havia vestígio nenhum de sua presença na calçada. Omega disparou os olhos furiosos ao redor, procurando antever os passos tomados pelo ex-gato, mas foi novamente surpreendido quando Ébano simplesmente surgiu do seu lado, vindo de um beco escuro. Antes que pudesse reagir, Omega foi rasgado pelas unhas duras do ex-felino. Ébano afundou suas garras mais uma vez e saltou dali antes que fosse contra-atacado. - Dois a zero! – falou Ébano abrindo os braços vangloriando-se e, então, virou-se para a Moderadora – Ei, Nane! Se eu der uma lição nesse sem-vergonha aqui, eu mereço um prêmio, não? Que tal nova chance para competir pelo Selo Diamante? Mal dito isso, um novo disparo das energias negras direcionou-se rumo ao ex-gato. Com uma precisão milimetrica, Ébano saltou para o lado com uma cambalhota perfeita e pousou os pés no chão, curvando-se logo em seguida num galante cumprimento teatral.

Longe daquela batalha e protegidos metros abaixo do solo, o restante dos blogueiros que se encontravam no esconderijo do Crítico dos Blogs acabavam de contar com a presença de mais dois sobreviventes. Num dos salões mais reclusos do lugar, sobre as luzes das lâmpadas amareladas de vapor de sódio, Toleezinho e o Observador se reuniam junto com Mack, Zé, a Doutora e Selina. - Já chegaram? – minha voz cortou os sussurros trocados pelos blogueiros. Da penumbra mais escura daquele cômodo, as sombras se aglomeraram tomando assim uma forma humana, que aos poucos se figurou na minha própria pessoa. O engenheiro químico se sobressaltou um pouco e olhou-me atônito. - Xis?! – sua voz fraquejava. – Era comigo que queria falar? - Sim. – abaixei a cabeça. – É de você quem mais precisamos agora. Vamos dar continuidade ao plano contra Omega. - Continuidade? – assustou-se o Blogueiro. – Mas nosso plano falhou? - Falhou? – repeti me dirigindo até ele. – Acha mesmo? - Sim... eu acho. - O Engenheiro Químico empertigou-se incomodado. – Eu acreditava que a existência de Omega neste mundo era totalmente dependente das fontes de carbono e energia vital daqui. Pensei que se tirássemos isso dele, Omega de fato deixaria de existir, mas... - Mas suas observações continuam corretas, meu velho amigo. – interrompi suas explicações me aproximando de todos na mesa. – Sim, de fato, conseguimos exaurir toda a matéria e energia acumulada por aquele corpo de Omega, Tolee, mas esquecemos que existia todo um mundo ao redor o qual ele ainda podia se nutrir. – Abri os braços enquanto falava. – A única coisa que o mantém vivo é isto. Precisamos tirar esse mundo dele e, por fim, derrotá-lo, sem chance de volta. - Como assim? – estranho Mack. – Tirar esse mundo dele? - O Xis falou corretamente, Mack! – disse Selina. – Não podemos derrotar Omega enquanto estiver no Mundo dos Blogs. Temos que levá-lo para fora dos limites deste Mundo... - E onde ficaria este lugar? – quis saber o Observador. - Eu venho tentando chegar nele já há algum tempo, Observador. Todavia, este é um lugar que vem se expandindo mais rápido do que os passos em que eu poderia dar por dia. – Após longo suspiro, eu prossegui. – Há, no entanto, um caminho mais rápido... que não fica nem a norte e nem a sul, mas acima disto. Um atalho que fica em meio a estrelas... - O espaço? – decifrou o Observador. - Um lugar inerme, sem ar, vida, matéria ou energia... – refletiu Toleezinho, ao mesmo tempo que seus olhos brilhavam com a idéia.. – Um completo vazio... - Sim, um vazio como era Omega antes. – disse prontamente. - Mas como poderíamos chegar lá e levar Omega conosco? – interrogou a Doutora. - É aí que entra o Tolee... – disse num tom um tanto sombrio olhando para o blogueiro. – ...E o último e mais ousado projeto da BlogTech.

A moderadora empinou a cabeça para trás admirada com a surpreendente capacidade do felino em tão pouco tempo com aquele corpo. Agora, Ébano partia para cima de Omega com as garras em riste, como um guerreiro brutal. A cada novo salto e vendo a possibilidade de ferir o inimigo, o ex-gato alvejava-o sempre certeiro, deixando mais sangue jorrar. Com todas as atenções perdidas para aquela luta de titãs, Nane mal percebeu quando alguém se aproximou às suas costas e puxou sua mão. Virou-se para trás, com a coruja ainda em seus braços, e identificou que era Paola quem estava ao seu lado. Logo mais atrás, Rhian e Renato olhavam deslumbrados para a batalha. - Temos que ajudar, Ébano! – falou Paola - Tirar ele daí enquanto é tempo... - Ajudar? – questionou a moderadora. – Ele não parece precisar de ajuda, parece? - Olhe de novo, Nane! – falou Paola direcionando-se o rosto para o vilão. – Apesar de todos os ataques, Omega sempre se reconstrói... ainda mais... parece ficar mais forte a cada momento. Ébano teve sorte de não ter sido ferido por Omega. Apesar de todo esse poder, ele não vai ser capaz de se regenerar sugando a matéria e energia ao redor, vai?

...:::CONTINUA:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 19h39
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A moderadora Nane sentiu um calafrio intenso ao sequer imaginar a cena descrita por Paola. Olhou para a coruja e, então, entregou a ave aos cuidados das mãos de Paola. Puxando a arma de seu coldre, Nane virou-se para a deusa céltica e disse: - Rhian, me dê cobertura! As duas blogueiras correram em direção aos dois que se digladiavam, atravessando uma rua que ora era alvo de uma imensa bola de fogo, ora era fustigada por saraivada de raios. Omega passou o dorso da mão acima do queixo, enxugando a ferida recém aberta pelo ex-felino. Com uma dureza no olhar, fitou o gato que sempre parecia sorrir desaforadamente. Sua mão se ergueu e agora era um fogo místico que nascia entre seus dedos. Num comando único, uma labareda fina se projetou adiante e, como um perfeito acrobata, Ébano facilmente conseguiu escapar do disparo. - Eu já perdi a conta de quantas vezes você já tentou me acertar... – replicou o ex-gato em galhofa. – Você não se cansa? Quantas vezes ainda vai ficar... A voz de Ébano repentinamente emudeceu ao notar um calor intenso em suas costas e a grande sombra que se aproximava. Girou de imediato a cabeça para trás e viu que o imenso poste em chamas tombar em sua direção. Seus instintos enlouquecidos fizeram ele se jogar para o lado, mas ainda assim não foi capaz de escapar dos fios cortados, que chicoteavam o ar com alta eletricidade sendo descarregada.

O corpo humano de Ébano se contorceu no ar, quase que se partindo em dois pedaços. Os dentes pontudos bateram violentamente e fagulhas riscaram de seus olhos. O ex-felino caiu no chão como uma carcaça quase sem vida. Seu rosto se desviu lentamente para o lado e viu apenas os pés nus de Omega parando bem à frente. - Não vai... arghh... seu pervertido... – as palavras partiam difíceis da boca. - É o destino inevitável, criatura! – disse Omega que se aproximara mansamente dele. – Todos terão seu fim... E o fim é Omega. Antes que pudesse retrucar, Ébano teve um espasmo. Um repentino vazio pareceu dominar o seu corpo, sua pele parecia queimar como brasa e sua mente enfraquecia. Enquanto juntava forças para tentar se por em pé, o ex-felino via uma névoa energética se dissipar ao seu redor, elevando-se e rodopiando ao redor de Omega. Ergueu suas mãos sem controle para o alto, mas agora elas eram mais parecidas com patas peludas. Estava diminuindo de tamanho, cada vez menos humano e tornando-se mais gato. - Não! – lamentou o ex-gato num sussurro antes de desfalecer. No meio do caminho, Rhian e Nane pararam com olhares incrédulos adiante. De um lado, caído no chão, estava o corpo inerte de um gato preto. Mais atrás, retornando ao auge de sua antiga forma, o corpo nú de Omega se fortalecia envolvido por primárias energias verdes.

Na pátio do Empire Blog Building, o grupo de blogueiros se preparava para sofrer mais uma fissão. Guiados pelo último dirigente do BlogTech, o engenheiro químico Toleezinho, estavam Mack, o Observador, Selina, Soldier, a Doutora, Zé e Sétimo. Equipados com mínima bagagem, eles tomavam agora o helicóptero negro. - Estamos partindo agora! – disse Mack ligando o áudio do veículo. - Copiado, Mack! – respondeu Margot debruçada sobre o microfone do computador central, nos domínios do Crítico. – Boa Sorte! - Em breve, eu me juntarei a vocês! – falei observando pelos monitores o helicóptero ganhando os céus rumo à leste. - Xis? – Margot virou-se para os monitores que estavam do outro lado. – As coisas começaram a piorar nas ruas! Nas telas a direita, um brilho esverdeado parecia sobrepor a maioria das imagens. Lá, estava Omega, o ser que sempre se reerguia, o parasita que se reconstruía com a essência do lugar que desejava destruir, a força irrefreável do destino, aquele que deveríamos derrubar para o amanhã continuar. - Agora, vamos ver esse problema! –falei e me virei para o restante do grupo composto pela bruxa Lua Negra, a Espia da Noite, o restabelecido Nômade e as crianças. – Não saíam daqui enquanto estivermos fora! Enquanto estiverem acobertados, Omega não poderá achá-los. E... rezem para que tudo saia bem. – disse já me mesclando a escuridão. – Sombras.

Em completo êxtase, a criatura conhecida pelo nome de Omega apenas dedicava-se a tirar os últimos resquícios da energia residual no felino abatido. Com todas as atenções voltadas para isso, mal pode perceber aproximação de outros vindo às suas costas. - Ei, Tchutchuco... Antes que se desse conta que era a ele a quem se referiam, Omega sentiu a sua pele rasgar ao contato com frio metal. A dor que já se tornara bem conhecida neste mundo não foi maior que a raiva ao ser interrompido no saciar de suas forças. Voltando-se para trás, com metade de suas cortas abertas num profundo rasgão, Omega se deparou com a deusa celta Rhiannon. - Ah, como eu esperava por isso... – divertiu-se Rhiannon levantando a espada ensangüentada. - Rhian, eu já peguei o Ébano! – disse uma outra voz vinda de lado. Ao tornar os olhos para o outro lado, Omega deparou-se com a guardiã da cidade, Nane, que sorrateiramente correra até ali e resgatara o gato preto enquanto a sua amiga blogueira distraíra o vilão. Agora, com o felino nos braços, a moderadoraesticou uma das armas e ameaçou o inimigo. - Já te matei uma vez... – esbravejou Nane. – Posso fazer de novo. - Eu já sou a morte... – Omega abriu a boca com um sorriso diabólico. – Vai me matar quantas vezes quiser e sempre retornarei... Já vocês não podem dizer o mesmo... O vilão ergueu as duas mãos espalmadas e deu vazão a mortífera descarga de energia negra rumo as blogueiras. Aquelas chamas arroxeadas irradiaram-se pelo ar à frente prestes a dar fim as duas, quando repentinamente Nane e Rhiannon se tornaram negras e desapareceram. O raio varou o ar sem obstáculos e seguiu em frente. Mais adiante, o velocista Renato, a Vampira Paola e a coruja Vigia que estava em seus braços pareceram ser engolidos pelas próprias sombras e sumiram. Omega estava mais uma vez só, na noite deserta da Cidade dos Blogs.

Próximo: É chegado os momentos finais...onde serão eleitos os Sete Sacrificados.

Escrito por Coveiro ¤ às 19h38
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Crossing Blogs Saga Capítulo 44 – Legado
Na manhã daquele mesmo dia, Omega caiu. Reduzido a meras partículas, tudo o que aparentemente restara do vilão era aquilo que foi sugado pelo Núcleo do Reator Atômico. Uma quantidade tão absurda de matéria e energia convertidos numa forma primária tornara-se então o foco das atenções dos Blogueiros. Era este o legado de Omega. - Pare já com isso, Bichano! Vai eletrocutar a nós dois!! Um poder retido como aquele não poderia atrair outra coisa a não ser a ganância dos homens. Após a derrota o inimigo, alianças foram desfeitas e surgiram novas disputas. Após passar de mão em mão, quis o destino que o poder de Omega chegasse às garras da mais imprevisível das criaturas. - Zoiúdo, me largue! Coloque-me de volta ao chão!! Chegada à noite, a estrutura do núcleo foi inadvertidamente rompida e todo o seu poder foi englobado pelos dois mais próximos. Tomando novos corpos, um gato e uma coruja foram transformados em humanos, em seres a imagem e semelhança de seu criador, uma casca que armazenava um poder muito maior internamente. - Será que você vai cair com as quatro patas se eu fizer isso, agora? Da calma noite para uma tempestade eletromagnética, foi essa mudança repentina promovida por Ébano assim que tomou posse destes dons. Do outro lado, Vigia, banhado com a outra metade daquela herança se voltava contra ele. Aquela era uma briga de contrapartes iguais, impossível de se prever o resultado.

Em meio às nuvens pesadas, Vigia alçava seu vôo com as asas que acabara de projetar e tentava a todo custo prender o velho companheiro de pêlo preto, Ébano, que o socava e se debatia como um animal silvestre em suas mãos. - Eu não preciso cair de quatro! Só preciso amortecer a queda! – gritou Ébano. Vigia contorceu o rosto tentando entender aquilo que o ex-felino acabara de dizer, mas a resposta para aquelas palavras veio com o rugido de um trovão. O céu remexia acima e o relâmpago seguinte teve como alvo o corpo daquele humano alado. Após um clarão intenso, Vigia despencou irregularmente no ar. Suas asas remexeram-se desordenadamente durante a queda livre e Ébano agarrado a ele, tentava aparar o seu corpo da eminente colisão com o chão. Faltando não mais que dez metros para o impacto com o asfalto maciço, as asas pardas de Vigia voltaram a se abrir com a envergadura completa e ele conseguiu arremeter um novo rasante, escapando da morte por alguns milímetros. Aproveitando a oportunidade, Ébano saltou numa acrobacia precisa e pousou no chão como um artista circense.

Do alto, Vigia voltou-se para o ex-gato com os olhos apertados e um rosto nem um pouco complacente. Preparando uma nova investida, partiu como um míssil de braços estendidos à frente. O ex-felino aguardou até ele se aproximar mais e, antes de se esquivar, abriu a mão em forma de garra ferindo superficialmente o companheiro de blog. - Cuidado, Depenado. – gabou-se Ébano. – gatos arranham... Girando o corpo para o outro lado e batendo as asas para ganhar mais estabilidade no ar, Vigia tornou o rosto raivoso para Ébano. Parte de sua face agora tinha uma listra vermelha que se estendia da orelha ao pescoço e sangue brotava finamente de lá. A menos de duas quadras dali, Renato e Rhiannon observavam aquela luta que ficava cada vez mais perigosa. Indecisa sobre que atitude tomar, a deusa do submundo sacou sua espada e virou-se para Renato. Naquele momento, como que dando luz às suas dúvidas, duas linhas negras riscaram verticalmente a parede do prédio ao lado. Rhiannon moveu os olhos até lá e sorriu com a chegada da moderadora Nane e da vampira Paola.

O Empire Blog Building foi construído com o intuito de ser o maior edifício da Cidade dos Blogs, inspirado totalmente no imenso prédio de nome bastante similar de outra realidade. É uma magnífica torre que à noite ornamentava a cidade com seus mais de oitenta andares. Nos últimos dias, no entanto, estava deserta. Todos os que lá residiam encontravam-se a milhas dali numa ilha chamada de “Terra do Nunca”. Fora os abrigados no esconderijo do Crítico dos Blogs, apenas o ponto mais alto, o telhado, parecia ter vida. Do alto, algumas notas destoavam lembrando uma das músicas mais antigas de uma banda de rock melódico esquecida há muito tempo. Eram sons tristes e que se repetiam até que a melodia saísse por completo. “Living for the Night” tinha um tema que se encaixa perfeitamente com o que o usuário da velha gaita “Black Blues” sentia. “I´m living for the night/ Tough we have to fear it/ Where life is just a game/ That you have to win/ Living for the Night/ When death surround you/ on and on/ All the time it´s near/ I´m longing to be free” Antes de iniciar a próxima parte, a música silenciou. Sem baixar a minha gaita e nem desviar o rosto para o lado, pude sentir a vinda de um outro. Estava tudo muito escuro, mas somente para olhos pouco treinados. - Vai ficar aí a noite toda só me olhando? – perguntei.

Não demorou muito para que da escuridão surgisse a figura trajando um estilizado uniforme militar. Soldier, que sempre era conhecido por ter um rosto radiante, estava obscurecido aquela noite. - Como soube? - Sua presença? – falei voltando o rosto para o horizonte a frente. – “Aquele que tudo sabe e tudo vê”... Não é o que dizem de mim? – ironizei.- A escuridão não mais acoberta os outros de minha visão. - Veio até aqui falar comigo? – perguntei friamente. - Na verdade, eu não sabia que estava aqui... Estava mal e queria ficar sozinho. – Soldier falou num tom perdido. – Não estou agüentando ver mais meus amigos... caírem... - Eu soube... – falei batendo a gaita para tirar a umidade. – Lamento pelo Peter. Houve um momento incômodo de silêncio que eu não deixei prolongar. Voltei com a gaita na boca e continuei a dar notas à mesma música. Voltei duas vezes ao mesmo trecho que errava e a voz do Soldier voltou a se manifestar. - Xis... sobre o que aconteceu hoje na avenida... - Nosso pequeno contratempo...? – perguntei sem tirar a gaita na boca. – Não se importe... não foi para valer. - Como assim? – indignou-se o Soldado. – Você tentou tirar minha cabeça fora. - Acredite, Soldier... – não pude deixar de rir. – Se eu quisesse mesmo isso, eu teria feito. – virei-me para ele mais uma vez e continuei. – Interprete aquilo como apenas uma pequena disputa de egos... Inevitável na posição que nos encontramos, não acha?

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Escrito por Coveiro ¤ às 19h29
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No mesmo monumental prédio, distanciando-se quase quatrocentos metros do pico daquele arranha-céu, os blogueiros remanescentes se reuniam diante dos imensos monitores do salão que outrora pertencera ao Crítico dos Blogs. As imagens destacavam uma brutal luta entre dois seres em novos corpos humanos, mas de rostos bem familiares. - Queremos ver!! Queremos ver!! – a voz da Vampira mirim surgiu na porta. - Uau! São eles? – exaltou-se John que vinha logo atrás. – Estão com a cara do vô. - Eu devia ter dado uma lição no Ébano ainda quando era tempo. – reclamou Zoro. - E eu pensei que tinha falado para vocês deitarem... – retrucou Lua Negra A bruxa surgiu com os braços cruzados por detrás das três crianças e olhou enviesado para elas. Os pequenos blogueiros desviaram o rosto, fingindo não terem notado a presença dela ali e quase grudaram na tela nos monitores. - É impossível controlar essas crianças! – reclamou Lua Negra e voltou-se para Selina. – Tão impossível quanto controlar o Ébano. - Com tanto poder assim, é impossível alguém conseguir manter o controle. – definiu Selina.

Os olhos verdes de Ébano fitavam duramente a silhueta do humano alado que sobrevoava sua cabeça, iluminado unicamente pela lua semi-coberta por nuvens escuras. Suas pupilas pareciam mirar o companheiro de blog e, a cada nova piscadela, um raio caía dos céus não acertando Vigia por muito pouco. - Ébano!!! Em meio às trovoadas que orquestravam todo aquele campo de batalha, uma firme voz feminina chegou aos ouvidos humanos daquele homem que já fora um felino. Subitamente, Ébano encolheu os ombros e virou lentamente o rosto até encontrar a mulher de roupas negras, cabelos longos e destacável mecha vermelha caída sobre os olhos. - Naninha...? – os cabelos do ex-gato pareceram se arrepiar. Vindo do outro lado do quarteirão, a moderadora Nane atravessou calmamente a larga rua até o outro lado se colocando frente a frente com o humano que fora gato. Não havia sorriso em seu rosto e, no lugar do sempre olhar cheio de candura, havia uma dureza nunca antes por ele notada. - Estávamos atrás de você todo esse tempo! – Nane parou bem a sua frente, indiferente ao grandioso poder que ele tinha em mãos agora. – Eu estava preocupada... - Preocupada? – o ex-gato olhou enviesado como fazia quando era um felino. - Sim, você desapareceu com o núcleo... – continuou Nane. - ...e eu não tinha idéia do que podia acontecer se ele fosse aberto. Ainda não tenho, na verdade. Tudo o que havia dentro dele veio de Omega e só nos trouxe desgraça. Foi uma maldição para todos nós. Eu não quero deixar esse poder doentio livre por aí... – A moderadora baixou os olhos pro ex-gato e sua voz saiu mais amena. – Não quero correr esse risco... principalmente com você, Ébano. - Mas... mas... – Ébano gaguejou demonstrando-se visivelmente indeciso. - Vem, meu amor. – Nane estendeu a mão para o bichano. – O Tolee vai dar um jeito de ligar aquela coisa de novo e fazer com que você e o Vigia voltem ao normal.

As pupilas em fenda baixaram até o braço estendido da moderadora, fixando-se na mão branca e com os olhos duros como que em transe. As feições humanas de Ébano contraíram-se num sinal de completa consternação. Ergueu lentamente sua mão, foi aproximando-a da moderadora e subitamente parou. Permaneceu silencioso observando seus dedos brancos e novos até que decidiu recuá-la. - Não! – disse prontamente o ex-gato. - Ébano? – exaltou-se a moderadora surpresa. - Eu não vou abdicar deste poder! Nunca! – gritou ele em resposta. – Sempre fui privado pelas limitações de minha natureza neste Mundo. Apenas um gato preto, é o que muitos pensam. Não passava do bichinho criado por um coveiro, tido apenas como algo cômico. Em sumo, um bobo da corte. – Ébano se afastou dando passos para trás. – Eu sou mais do que isso. Brilhante! Muito além disso até. Mas talvez vocês só se dêem conta disso enquanto eu estiver longe da forma orelhuda e de rabo preto. - Ébano, não deixe isso mais difícil do que... – insistiu Nane. - Não! Eu não entregarei este poder... – gritou furioso o felino enquanto sua mão voltava a faíscar. – Eu não... Um pequeno som estalado de metal interrompeu a euforia do gato. Assim que compreendeu de fato o que seus olhos captavam, o gato enrijeceu o corpo e sua garganta secou. Fitava com temor o cano da arma que lhe fora apontada e engatilhada. Logo ele se dirigiu para a moderadora com um gaguejar. - Na... Na... Naninha? - Não me faça repetir, Ébano! – voltou a falar a moderadora, sem desviar o cano da arma que mirava bem no meio dos olhos do sujeito que um dia fora um gato preto.

O vento zumbia tenebrosamente no alto do Empire Blog Building. Lá, dois dos mais poderosos blogueiros que horas atrás disputaram uma magistral luta nas ruas da cidade, agora travavam um outro combate, onde apenas as palavras eram armas. - O que quer dizer exatamente? – voltou a questionar Soldier. - Confuso, não? – disse sem amolecer o sorriso. – Mas o que não é nesse mundo? Aqui, nossos “eus” são poderosos... mas não simplesmente muito “poderosos”, mas sim infinitamente “poderosos”. Qualquer um é, mas poucos se dão conta disso. – parei um momento pensativo. - Uma vez me disseram que eu “ficaria surpreso quando soubesse o que seria capaz de fazer” e, de fato, eu não só fiquei surpreso, como também assustado. Os olhos do blogueiro ainda estavam vidrados, seja pela tensão de estar falando com aquele que quase o matou ou pelo peso que as minhas palavras agora revelavam. - Demorou algum tempo para eu entender o que estava acontecendo. E, somente, agora pouco eu entendi a mecânica que move este Mundo. Ou entendi parcialmente. Após longa jornada introspectiva, reconheci o poder que as criações tem sobre o criador neste plano. Se este é o mundo o qual somos aquilo que imaginamos ser, é bom começarmos a ter cuidado com o que desejamos. Temos que tomar cuidado, Soldier, ou nós dois seremos como deuses helênicos que muitas vezes cometem erros. Erros que causam catástrofes, guerras, apocalipses... - Nós dois? – admirou-se Soldier. - Ora, sim... Não foi um Escolhido à toa. Estamos nesse mesmo cargo, porque desenvolvemos nosso auge e nem Gódi sabe o limite disso. Com tudo isso que alcançamos, agir por impulso ou por uma emoção mais forte que cresça dentro de nós pode ser uma derrocada. – parei um instante e prossegui. - Agora, talvez, eu entenda porque meu amigo Sétimo queria me tirar daqui antes... Entendo também porque Selina e até o próprio Gódi preferiram o exílio... sair desta existência e virar mito. – olhei para longe e filosofei alguns pensamentos. – Não é só o poder da escuridão que corrompe, Soldier. Seja que lado for, Luzes ou Sombras em excesso, nos deixam completamente cegos.

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Escrito por Coveiro ¤ às 19h29
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Soldier abaixou a cabeça como que conectando essas últimas idéias. - As pessoas foram morrendo e eu não conseguia novamente ter acesso a este poder. Creio que não o manifestava por ainda ter receio dele. Essa indecisão bloqueou-o. Somente quando a Ly morreu, algo explodiu... – disse prontamente. – Diferente das outras vezes, eu não quis controle e fui preenchido com total força. O propósito primário era vingar-me de Omega, todavia as pequenas coisas também perderam seus freios... o dissabor que tenho pelo Crítico... O ciúmes das brincadeiras da Ly com você... - Ciúmes? – surpreendeu-se Soldier. - É... – assenti abaixando a cabeça. – Uma coisa boba e controlável, mas que com a manifestação maior do poder, tornou-se estranhamente difícil de engolir. É o poder. – girei as mãos e brinquei dando vida às sombras que estavam ao redor, fazendo-as se agitarem numa dança maluca. – Algo que em breve vou ter que me dedicar para controlar... ganhar o equilíbrio... purificar... - Todos precisam mesmo de um tempo para se entender... – disse o Soldado se levantando e dando as costas rumo ao elevador. – Vou te deixar sozinho. - Soldier... – falei quando ele estava na eminência de partir. – Não falta muito tempo para voltarmos a encontrar Omega. E da próxima vez, ele terá seu fim. Você e alguns irão comigo... muitos ainda podem morrer nisso... para mim é um caminho sem retorno... mas trarei a Viajante de volta quando acabar. O Soldado fitou atônito a minha figura, com os cabelos movendo-se ao vento, e tentou imaginar o enigma naquelas palavras. Com a mente presa naquilo, tomou o elevador e desceu. No alto do Empire Blog Build, o som da gaita voltou a soar nos lábios de um coveiro, enquanto que num outro ponto daquele telhado, a misteriosa figura encapuzada de Sétimo observava-o passivamente.

Um barulho seco e metálico se projetou da arma de Nane assim que ela a engatilhou. Dali, bastava um leve roçar de seus dedos para a bala sair do cano e romper o ar a frente até estourar na cabeça do sujeito de rosto afilado e cabelos negros caídos nos ombros. Depois daquele som, não houve nenhum outro. Apenas um demorado silêncio de reflexão vindo de ambas as partes. Dos céus, um lento farfalhar de asas indicou o retorno de Vigia até o solo. O homem alado tocou o chão com seus finos sapatos pretos e encaminhou-se para mais perto da moderadora e do ex-gato, companheiro de Blog. - Desista, Ébano! – falou a coruja. – É pura insensatez o que você está fazendo... O ex-gato sequer ousou dar atenção a Vigia. Seus olhos esmeraldas fitavam sem piscar o rosto da moderadora, talvez esperando que eles cedessem, mostrassem que tudo era um blefe. - Você não vai atirar! – disse prontamente Ébano. - Eu não arriscaria isso, Ébano! – replicou Nane. – Vai pagar para ver? Os lábios do felino esticaram-se para o alto, tremendo levemente de raiva. - Eu poderia fugir antes que atirasse... – insistiu o ex-gato. - Vai precisar ser muito rápido para isso... – uma outra voz veio do lado e quando Ébano se virou viu que era a vampira ruiva, Paola, quem a professara. - Muito rápido mesmo... – completou Renatinho correndo para o outro lado. - Está cercado, “Trocinho”. – continuou Rhiannon tirando assim todas as esperanças do felino.

Os punhos de Ébano endureceram e suas longas garras que haviam no lugar das unhas deixaram marcas profundas nas palmas das mãos. Com o canto dos olhos, tentou rastrear alguma brecha na difícil situação em que se encontrava. Antes, no entanto, que sua cabeça mirabolante pensasse numa saída qualquer, algo pareceu cortar o ar e ir em direção aos blogueiros. Era verde, fugaz e desprendia um estranho rastro por onde passava. - Ébano, eu disse para você... – gritou Nane ao notar o estranho fenômeno vindo. - Mas... não sou eu... – defendeu-se o ex-gato também olhando curiosamente para o cometa esverdeado. – Eu não... Ao chegar perigosamente próximo, aquela manifestação que mais lembrava um cometa de longa cauda néon, girou ao redor deles como um abutre prestes a atacar e, por fim, despencou dos céus furiosamente contra eles. - Afastem-se! – gritou Paola se jogando para longe. Na eminência do impacto com o solo, aquela estranha energia verde ao invés de explodir apenas estendeu seu brilho. Os blogueiros cobriram os olhos com as mãos protegendo-se da cegante luz verde e logo ouviram um grito humano perturbador. Um berro rouco e esgotado de forças. - Mas o que será isso? – questionou Rhiannon se levantando da calçada. - Por Bastet! – gritou Ébano do outro lado. - Ah, não! – a voz da moderadora parecia muito mais desesperada agora. Do brilho esmeralda que turvava a vista de todos, duas silhuetas eram distinguíveis. Assim que os olhos se acostumaram, era possível identificar a primeira delas como a manifestação humana de Vigia. Como um rapaz de terno e asas penosas, a ex-coruja estava caída de joelhos, urrando de dor e com a pele vermelha como brasa. Seus óculos pendendo para o lado e as mãos sobre o coração. A outra imagem surgia atrás dele imponente. Estava de pé, com os olhos emanando energia e consumindo-a muito mais agora. O corpo estava nu e por toda a sua pele havia chagas abertas. Destas feridas, sobressaíam-se fagulhas verdes. O rosto ainda era similar, apesar de seu cabelo loiro não passar de um mero vestígio. Para os desconhecidos, aquela seria apenas a imagem de um zumbi reerguido e banhado com um brilho intenso. No entanto, Nane, Paola, Rhian e Renato já o conheciam bem o bastante para afirmar que aquele era o Omega, reestruturado num novo corpo, ainda imperfeito.

Próximo: Omega retornou,está em busca de todo o poder anterior... E não hesitara para obtê-lo novamente... O Reerguido.

Escrito por Coveiro ¤ às 19h27
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Crossing Blogs Saga Capítulo 43 – Mãos de Deuses
Dois intensos traços eriçados de pura eletricidade partiram para o alto, jorrando das mãos humanas daquele sujeito de rosto tão similar e ao mesmo tempo diferente. Em contato com as nuvens, aquela energia promoveu o estrondo ruidoso e, em retorno, uma gama de relâmpagos partiu para todos os lados oriundos das nuvens caóticas daquele início de noite. O sujeito que promovia aquele caos, branco, afilado e de longos cabelos negros gargalhou como um louco em meio a saraivada de luzes. Ao seu lado, alguém de face tão idêntica a ele, cobriu os olhos mediante a claridade. - Ai, Lilith! Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Aquele grito feminino que veio da calçada abaixo logo chamou a atenção do sujeito de longos cabelos negros. Seus olhos verdes e de pupilas felinas comprovaram o que seus ouvidos haviam captado. A mulher de armadura era Rhiannon, deusa do sub-mundo e irmã virtual do Coveiro. Ao lado dela, estava o jovem veloz que todos chamavam de Renato. Com um sorriso insano, o cabeludo saltou de onde estava para a parte mais próxima do telhado daquela lanchonete. - Ora, ora... É você, Trocinho? – indagou ele? - O que??? – exaltou-se Rhiannon. – Ébano? Assumindo uma posição ainda mais animalesca, mas sem afastar o riso humano, Ébano remexeu os dedos num típico aceno de desdém e Rhian viu que ele ainda resguardava eletricidade nas mãos.
- Mas... mas... como isso foi acontecer? – indagou-se Renato. - É uma história complicada, blogueiros. – a voz rouca veio da oura parte do telhado. – Mas podemos resumir tudo a velha briga de gatos e corujas e a um núcleo de plena energia primária aberto por puro descuido. - Vigia?! – Rhiannon olhou sobressaltada. O homem de terno marrom, que antes era um animal de penas e asas, curvou-se rapidamente num cumprimento e quase se desequilibrou, agarrando-se de ultima hora as telhas. Ébano balançou a cabeça com um ar de deboche e voltou-se para os demais: - Patético! – desdenhou o ex-gato e com um salto incomum pulou de onde estava para o telhado de uma loja vizinha e, de lá, foi até o chão. – Bem, não perderei meu precioso tempo com vocês mais. Terminando essas palavras, Ébano continuou a andar com o peito estufado por uma das ruelas que levava para a grande avenida. Antes que continuasse seus passos, viu uma sombra azul e turva cruzar e bloquear seu caminho. - Sinto muito! – disse Renato. – Mas a gente não vai deixar você sair assim com esse poder perigoso por aí, Ébano! - Como é que é? – irritou-se o gato. O canto dos olhos do gato viram que ao deusa Rhiannon se aproximava sobre seu flanco esquerdo. Ela puxou de sua bainha a espada celta e girou-a num malabarismo ameaçador. Ébano deixou escapar um riso traquino de seus lábios agora humanos: - Vocês só podem estar brincando, não é?

Instintivamente, as mãos de Nane foram até a cintura, certificando-se de que ali estavam as suas armas. Diante de tantos pesadelos que resistiam a acabar, a minha presença inesperada não podia causar outra reação. E de fato, eu era mais uma ameaça das muitas que surgiram ali e das que não se deve subestimar. - Olá, Nane! – eu disse mal erguendo o rosto. – Margot! Espiã! A moderadora não deu resposta e, percebendo a situação estranha que rodeava ao redor, foi a Senhora de Gotham e fundadora do Caldeirão, Selina, que se adiantou e tranqüilizou a todos: - Nane, minha querida, está tudo bem... – falou a bruxa. – Como bem disse o Coveiro, não é este o fim... não enquanto estivermos aqui para lutar. Ainda há uma esperança! - Sel? É você? – Nane parecia ter saído de seu transe e sorriu em meio a olhos brilhantes para a grande Selina. – Não sabe como eu rezei todos os dias para que você estivesse aqui. As duas blogueiras se abraçaram demoradamente e quando se afastaram, Nane trocou olhares com os demais que chegaram. Lá estavam de volta os que haviam sumido misteriosamente: Zé, Paola e o místico não-blogueiro chamado Sétimo. - Onde vocês estiveram? – quis saber a moderadora. - Estivemos atrás de respostas, meu anjo! – falou Selina com carinho. - Respostas? – questionou ela. - Sim... – continuou Paola. – Para dar um fim de vez nesse tal Omega.

- Mas... mas... tudo o que podíamos fazer... – replicou Nane. –Todos os planos que construímos... tudo baseado no que entendíamos da natureza do Omega... e, no final, tudo volta atrás... Omega retornou... ele renasceu... – Nane suspirou – Omega não pode ser destruído... Nos enchemos de vã esperança... Estávamos errados... - Não é assim que vejo, Nane... – voltei a falar virando o rosto até ela e deixando os vermelhos aparecerem. – Tudo o que o Tolee observou parece bem correto aos meus olhos. O mesmo se aplica a última investida. Descarregar toda a energia e matéria de Omega é o meio de tirar ele desta existência... – virei-me até os monitores do Salão do Crítico e continuei. – Só que precisamos ir mais além... - Mais além? – Nane pareceu confusa. – Mais além como? - Mais além deste Mundo se quisermos eliminá-lo... – cheguei até um dos monitores onde mostrava uma bela cena da lua margeando a noite da cidade. - ...sem chance alguma de que volte.
Os olhares verdes e maquiavélicos de Ébano iam de um lado ao outro da rua, mirando os seus dois oponentes. A energia voltava a fluir de suas mãos e a orquestra de raios acompanhava no céu acima. - Bem, bem... os dois estão de prova que eu não quis começar isso, não é? – As mãos de Ébano se abriram como garras luminescentes. – Não reclamem, portanto, se eu acabar!! Com um rápido movimento, o ex-gato preto estirou as mãos contra os dois blogueiros, lançando densa eletricidade contra eles. Em respostas, Rhiannon se esquivou com uma precisão digna das antigas amazonas e Renato sumiu de onde estava como num piscar de olhos. De maneira imprevisível, a deusa celta se lançou com tudo para cima de seu alvo, lançando a espada rente a cabeça de Ébano. Contudo, o ex-gato que parecia manter ainda suas proezas felinas, saltou sobre ela e pousou com todo o equilíbrio às costas dela.

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Escrito por Coveiro ¤ às 21h26
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- Desta vez, Trocinho, você deu azar em cruzar com o gato preto. – disse Ébano. - Não me irrita mais, Ébano! – replicou ela. – Ou não respondo por mim se te transformar em espetinho... Sem perca de tempo, Rhiannon voltou a atacar o ex-gato com sua arma e tentava de todas as maneiras prender sua atenção, enquanto um facho de turvo azul vinha pelo outro lado. O gato apenas se esquivava da lâmina enquanto dava passos para trás. Faltando pouco mais do que alguns metros para ser alvo de um dos ataques certeiros e velozes de Renato, o gato mudou de posição e agarrou Rhiannon pelos braços. Renato tentou se desviar, mas foi impossível. Complementando a ação, o ex-felino girou a deusa no ar e lançou contra o velocista. Os dois blogueiros se chocaram violentamente e seus corpos se contorciam no chão. Juntando todas as forças, a deusa tentava se por de pé. Seus dentes batiam de ódio e seu sangue esquentou ainda mais quando ouviu a risada esnobe do ex-gato. - Rhianninha, rhianninha... – falava Ébano balançando a cabeça. – Será que eu vou ter que ser mais efusivo e mostrar que desta vez... eu é quem puxo a coleira? A deusa, cuspindo sangue, olhou para cima e viu que o gato agora estendia uma das mãos à frente, como um deus pronto para lançar sua ira. Os dedos mais uma vez prontos para descarregar seu poder - Ébanoooo... Nãoooooo...!!!

Um grito se estendeu ao longe, mas repentinamente se tornou tão forte e reverberante que era agonizante aos ouvidos. As palavras tornaram-se um chiado rouco e aterrorizante, como um som fantasmagórico de uma banshee. Ébano não pode manter o controle de sua energia, baixou a cabeça e tentou desesperadamente tapar os ouvidos com aquelas novas mãos. Acabou caindo de joelhos, juntamente com Rhiannon e Renato, que agonizavam igualmente diante daquele barulho desesperador. - Já chega, Bichano! Eu não vou deixar você aprontar desta vez!! – gritou aquele mesmo ser da voz rouca. – E antes que se esqueça, saiba que eu também tenho o mesmo que você... meio a meio. Ébano ergueu curiosamente a sobrancelha e não acreditou no que ouvia. Era Vigia, seu companheiro equilibrado e meticuloso, que o ameaçara. Usara até mesmo uma variação daquele seu estrondoso grito exacerbado. O bichano virou-se para trás e ficou ainda mais assombrado ao ver as novas mudanças na ave. Sua nova forma humana ganhara os céus, ostentando um belo par de asas de penas marrons nas costas.
Do alto, o cenário era ainda mais horripilante. Toda a área que compunha o antigo Blog Park era agora um imenso tapete acinzentado, composto pelos vestígios carbonizados da vida vegetal e animal de lá. Um barulho do motor foi se distanciando dali e aproximando da área de prédios caídos. Na escuridão da noite, era quase impossível ver o que se aproximava. Tolee e o Observador se levantaram lentamente, movendo-se com muita dificuldade. Andaram até a rua e fizeram um sinal com as mãos. Uma luz piscou do alto e logo o helicóptero negro desceu. Ao pousar no chão, os dois blogueiros viram que era o Mack e uma bela e misteriosa loira que vieram em seu resgate. - Vamos logo! – gritou o Mack para eles. – Tem gente querendo ver vocês!!

Alguns metros abaixo do solo, aquele salão de monitores do Crítico dos Blogs parecia bastante similar aos meus olhos. Fora em um lugar como aquele que me senti pressionado pela primeira vez e desde então, meus dons adormecidos foram disparados. Algum tempo depois, eu estava em cativeiro e tudo aquilo se acumulou até que algo muito maior que o coveiro xis deste mundo se manifestasse. Foi ali que aos poucos eu comecei a tomar ciência dos benefícios e malefícios daquele mundo estranho. E não importava quanto tempo havia se passado, aquilo ainda me fazia suar gelado. Repentinamente, olhei para o lado e vi que chamava a atenção dos demais. Entre todos, Nane me observava ainda com certa apreensão. Seus olhos denotavam uma insegurança assustadora, como se estivesse em frente a uma grande bomba. E, de certa forma, ela estava mais que certa. - Eu vou tomar um ar lá fora. – falei me dirigindo ao único elevador do lugar, em frente ao corredor principal. Estarei no telhado. Avisem-me quando os outros chegarem... Dei as costas e desapareci, sabendo agora que as blogueiras, mesmo sem falar, trocavam idéias apenas dirigindo olhares silenciosos uma para as outras.
Repentinamente, um sinal eletrônico e cadenciado se manifestou dentro daquele enorme salão, eriçando os cabelos das blogueiras. A moderadora se virou para trás e viu que era o seu comunicador que chamava. - Deve ser a Rhiannon! – gritou Nane correndo até o aparelho e ligando-o no viva-voz para que todos pudessem ouvir. – Rhian! Onde você está? - Nane... Scharrckk.. – A estática era intensa e era quase impossível ouvir a voz da deusa. – Nós... schh... a cinco quarteiros... tssk.... Em frente a loja da Blog´s. - Blog´s?! Rhian, eu não escuto muito bem! – continuou a moderadora. – Vocês encontraram o Ébano? - Errr...– Rhiannon parecia insegura. – Não exatamente como esperávamos... - O que quer dizer? – Questionou a moderadora intrigada. - Acho que... scarrckk.... – Rhiannon riu nervosamente. – Só vendo para acreditar... - Hã?!? – Nane empertigou-se e depois virou-se para sua amiga que estava sentada agora na frente do computador. – Margot, será que dava para tentar rastrear o sinal e ver se existe alguma borboleta-espiã próxima pra nos dar imagem? - Eu já estava providenciando isso! – afirmou Margot concentrada no teclado. Após alguns minutos, Margot deu uma ordem de comando e virou-se para os monitores atrás dela. Nane e Paola se aproximaram e aquelas telas se concentraram numa única parte da cidade. Para surpresa e incompreensão de todos, uma batalha bizarra era o foco principal daquele cenário. De um lado, estava um homem de longas madeixas negras, roupas escuras e um olhar verde estranho. Em oposição a ele, estava um sujeito aparentemente normal, de cabelos castanhos curtos, fino terno marrom e óculos, excetuando-se o fato de voar com um par imenso de asas que se sobressaía de suas costas. - Mas... mas... quem são esses dois? – perguntou-se Paola. - Por incrível que pareça... – em uma das telas foi possível ver Rhian e Renato e a voz da deusa continuava a falar pelo comunicador - ... são Ébano e Vigia.

Próximo: Uma luta entre os dois herdeiros do poder de Omega... E um último acerto entre os Escolhidos... Tudo isso em Legado.

Escrito por Coveiro ¤ às 21h25
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