Crossing Blogs Saga Capítulo 31 – Sobrevivência
Como é abominável relembrar tais eventos, por mais distantes e ilógicos que eles pareçam estar em sua mente agora. Revejo com clareza os olhos frios de Omega voltados para a viajante e fazendo os seus dedos triscarem. Um raio mortífero se manifestou e levou a vida da minha companheira. Corri, gritei e, então, aconteceu. As sombras que permeavam ao redor de mim, ganharam vida. Alongaram, me cobriram, tomaram o corpo inerte de Ly e me levaram a outro lugar. - Não... Nãããããããããooooo... – um grito rouco veio dos céus. Omega mal podia acreditar em seus olhos. Quando finalmente eu pude manifestar os meus poderes, aqueles dons que ele tanto almejava, eu simplesmente sumi dali, não lhe dando oportunidade nenhuma de ter uma amostra dele. - NÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOO... A voz de Omega se confundiu com o soar de trovões e sua ira o fez reagir sem qualquer cautela. De seu corpo, projetaram-se raios para todos os lados e, quase que concomitante, a energia negra pareceu explodir dele, arrastando assim o resto da Mansão que se mantinha de pé. A onda de poder se alastrou por quase um quarteirão, devastando tudo e, quando finalmente, o caos pareceu terminar, Omega não mais estava ali.

Em um outro plano, onde as chamas eram a rainhas, pequenos demônios fugazes cruzavam um salão ardente olhando curiosos para o seu líder, o Capeta, que parecia ainda mais irritadiço do que geralmente estava. Ao seu lado, uma figura que nunca ousariam ter como hóspede, Gódi, Deus do Mundo dos Blogs, coçava a cabeça. - Sabe que eu estou perdido nesse jogo? – comentou Gódi e logo ironizou. – Você joga com as pretas ou as brancas? - Deixe de escárnio, Maldito! – brigou o capeta. – Viu só o que sua mulher fez? Bagunçou tudo aqui... - Olha, nem eu entendi bem o que ela ta fazendo... – falou Gódi – Tentei até ligar pro celular dela, mas ta fora de área. Aqui é tão ruim que nem sinal dá. Mas se ela fez, eu vou confiar... Como dizem... Mistérios da Fé.

Onde antes havia uma bela mansão em detalhes quase que vitorianos, restara apenas pedaços de concreto revirados e estruturas de ferros torcidas. Uma grande nuvem de poeira permaneceu por muito tempo suspensa no ar e somente aos poucos foi se dissipando. Em meio aos destroços, um corpo humano tentava se levantar. Seu terno marrom escuro agora estava completamente encardido de poeira. O cabelo estava desalinhado, os óculos escuros quebrados e jogados ao longe. Mack mal podia acreditar que sobrevivera aquela destruição. - Céus... – disse o blogueiro olhando tudo devastado ao seu redor. O caçador se ergueu e começou a andar por aquele caótico cenário, ainda cambaleante, a procura de outros sobreviventes. Viu mais dois colegas dele cair e temia que o restante não tivesse sobrevivido. - Mack? Você está vivo?? – o caçador ouviu alguém falar?

Virando-se para trás, para sua alegria, lá estavam a Margot, dona do Bar Code, e seu mais soturno companheiro, o Observador, em cima de uma montanha de tralhas destruídas. O caçador aproximou-se deles com um sorriso sincero no rosto. - Eu pensei que tivesse morrido. – falou Mack para o Observador. – Você sumiu. - Nada podia fazer contra o Omega. – respondeu o sombrio blogueiro. – O melhor a fazer era permanecer longe e observar... acabei encontrando a Margot e a ajudei a se afastar da mansão antes que fosse destruída por completo. Mack estava para dizer algo quando foi interrompido por um barulho de pedras se mexendo. Olharam todos para o lado e viram um amontoado delas se erguer e de lá sair a gigantesca criatura mecânica conhecido como o S.I.M.I.O. - Pessoal... Scxxxx... Pra onde foi o Omega? – perguntou a voz por detrás do robô. - Não sabemos, Tolee... – falou Mack. – Depois que o Xis sumiu... com a... Ly... Tudo pareceu explodir. A certa distância, algumas vozes femininas gritaram. Os blogueiros sobreviventes direcionaram suas atenções até elas e suspiraram ao encontrar de pé a Val, a moderadora Nane e a sacerdotisa de Hecáte.

- Ainda bem que fugiram a tempo! – falou Mack batendo o pó de sua roupa. - Alguém mais vivo? – perguntou Nane com a voz sofrida, sendo ajudada pelas blogueiras. - Perdemos o Sandro... e creio que a Ly. O Xis desapareceu com ela usando seu estranho poder. – falou o Observador – Mas não encontrei o Nômade. - Aqui...Scxxxx... – a voz mecânica do Toleezinho voltou a soar alguns metros dali. Com suas mãos de metal, o construto S.I.M.I.O. alcançou o corpo inerte do Blogueiro poeta e o ergueu dos destroços onde estava caído. A máquina girou e começou a andar silenciosamente até os demais. - Ele está vivo Scxxx...? – perguntou Tolee abaixando a mão mecânica e revelando o blogueiro caído para os demais. - Ainda respira... – falou a Lua Negra colocando a mão sobre o rosto do poeta. – Mas vou precisar fazer um ritual de cura para ele estabilizar...eu...

Subitamente, um ronco estrondoso cortou os céus. Os Blogueiros volveram seus olhos para o alto e viram um enorme helicóptero negro se aproximando do lugar onde antes era a Mansão dos Moderadores. Após encontrar um terreno mais estável, o veículo pousou e suas portas laterais se abriram. - Eu sabia que sobreviveriam... – falou uma voz garbosa oriunda do helicóptero. - Crítico? – Nane exaltou-se surpresa. – O que você quer agora? Sempre impecavelmente vestido com terno escuro, luvas e mascara, o ser incógnito conhecido como o Crítico dos Blogs surgiu do interior do veículo. Desceu até o chão e abriu os braços num leve saudação. - Uma união, mesmo que temporária, com a Liga dos Patetas, minha querida moderadora. – falou o mascarado. – Sei que está se perguntando o porquê desta minha decisão, mas a resposta é óbvia. É fato que Omega está eliminando tudo e a todos. Não é difícil imaginar que um momento chegará à vez de eu estar à sua frente. Portanto, é tudo uma mera questão de sobrevivência.

...:::Continua Logo Abaixo:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 02h14
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Na velha clínica, em uma das muitas salas abandonadas, cinco blogueiros estavam reunidos pensando nas próximas decisões a serem tomadas. Paola, a vampira, caminhava de um lado a outro da sala resmungando algo e vez ou outra tomava nas mãos o pequeno aparelho de comunicação da mesa. - Nada! Nenhum sinal!! – falava ela ao verificar o mau funcionamento do rádio. - Eu temo pelo pior... – comentou Rhiannon. – Talvez seja a hora de nós sairmos daqui e tentarmos se juntar aos outros... Rhiannon, a deusa do submundo, foi até a amiga e colocou a mão em seu ombro. Paola assentiu as palavras da amiga balançando a cabeça para cima e para baixo e desligou definitivamente o rádio.

- E é melhor fazer o quanto antes... se de fato ele vier até aqui atrás do Soldier. – lembrou o jovem Renato. - Soldier, será que você agüenta ir conosco até a cidade novamente? – questionou Paola olhando para o blogueiro. - Eu estou bem, Vamp! – falou o soldado se erguendo da cadeira apertando os dentes. – Melhor do que aparento. - Não banca o fortão, Soldier... – implicou Peter Pan – Quase morreu nas mãos do Omega... o cara roubou todo o seu poder... - Não... Não, Peter... – falou o Soldier. – Ele não roubou... Copiou, talvez... Eu ainda tenho o meu poder aqui... só sinto que está enfraquecido... precisando recarregar... Ainda devo ter alguma reserva extra... O soldado estendeu as mãos à frente e fechou os olhos como que tentando se concentrar firmemente em uma idéia. Passou a respirar profundamente, forçando a mente e fazendo o suor escorrer pelos seus cabelos. - Soldier, não vá se forçar a nada... você ainda está fraco... – pediu Vamp. - Um minuto... eu... A voz do soldado saiu enfraquecida, suas mãos tremeram e repentinamente, o característico brilho esverdeado começou a se manifestar em suas mãos. Foi crescendo no ar e avolumando-se sem forma ainda definida.

Nos limiares da cidade, na parte mais ao norte, um terreno descampado e parcamente usado era limitado por uma velha estrada. Nela, poucos seguiam e seu destino já era ignorado pelos blogueiros mais recentes. Uma placa já envelhecida tinha alguns dizeres em branco num fundo verde. - Obrigado por visitar a Cidade dos Blogs! Clínica Online, nove quilometros. Jardim Nada Secreto, trinta e sete quilômetros. – leu a voz juvenil do garoto John, o Legista, conhecido por muitos como o filho virtual do Coveiro Zé. – Perfeito! Chegamos no final da cidade se era essa sua idéia, Zoro! - Ai, ai... Estamos perdidos!! – reclamou a Vamp Girl. – E eu estou com fome. - Eu não devia ter trazido vocês dois... – Roronoa Zoro colocou as mãos nas cinturas. – Vocês são dois molengões que só sabem reclamar...

O Legista John mal se importou com as provocações do jovem espadachim. Deu de ombros, virou-se e foi procurar um lugar confortável para sentar e abrir seu lanche. Não demorou muito para que a Vamp Girl se juntasse a ele e abrisse um pacote de salgadinhos. - Bem, acho que podemos parar para fazer uma refeição! – disse Zoro como que liberando uma tropa de guerreiros. - É, né? – disse o Legista já sorrindo. - Ei... vocês estão ouvindo isso? –VampGirl passou a procurar algo no céu. - O que? – questionou Zoro erguendo sua visão pra o alto. – Esperem... Os três garotos viraram na direção em que o sol se punha e assim puderam contemplar o pequeno ponto que se aproximava a toda velocidade riscando os céus. A figura foi crescendo aos olhos dos pequenos e tomando formas humanas. O corpo de um homem de armadura negra com uma capa esvoaçante cortou o horizonte já arroxeado e afastou-se deles seguindo paralelamente a estrada.

- Aquele era Omega! – falou Zoro começando a correr pela estrada. – Vamos!! É nossa chance de acabar com ele... - Mas... acabar como? – perguntou a jovem menina vampira indo logo atrás. - Ai, Gódi, meu amigão, olhai por nós... – falou o Legista, juntando as mãozinhas enquanto se juntava aos outros dois. Os pequenos blogueiros avançaram pela estrada, adentrando uma vegetação mais fechada, cercada por pinheiros e olmeiros, que se distribuíam marginalmente. Com o sol caindo, todo o trecho tornava-se ainda mais escuro. Mal sabiam eles, no entanto, que olhos o perseguiam a certa distância, confundindo-se com as sombras macabras do lugar. - Eles foram por ali... – disse o mais rasteiro com um tom afiado. - Estamos indo longe demais com isso... – falou outro ao seu lado. - Ora, cale-se... – respondeu o primeiro. – Vamos logo antes que percamos esses fedelhos de vista.

Após uma travessia de quilômetros, cruzando praticamente toda uma cidade e avançando em direção ao nordeste, a entidade que se definia como Omega, o arauto do fim, chegou ao descampado próximo a estrada onde há muitos meses atrás funcionava uma Clínica Psiquiátrica. Hoje, abandonada, aquele era o lugar onde se escondiam os remanescentes da Liga de Blogueiros. Dentre eles, um em especial chamava a sua atenção. Soldier, o primeiro escolhido, detentor de um fabuloso poder de criar imagens tridimensionais que simulavam tanto objetos como criaturas, era o que lhe atraia mais. Era um dom o qual mal ele sabia as extensões, mas logo o teria como um todo. O vilão pousou lentamente bem à frente da entrada da Clínica, com seus braços fumengando agora uma variação estranha de poder. Uma mescla do fogo místico parecia oscilar com a densa camada de energia negra. Seus olhos retesados na porta daquela casa de recuperação iluminavam-se como nunca. - Escolhido... – grunhiu o vilão mal abrindo a boca. Como que respondendo ao chamado do vilão, a figura do Soldado foi surgindo silenciosamente a sua direita. Logo depois, ao seu lado se juntou o Peter Pan e a Vampira Paola. À direita, se colocaram Rhiannon e Renatinho. Omega abriu um sutil sorriso e torceu os punhos já se preparando para o grande combate. Todavia, algo fez desmanchar sua alegria repentina. As figuras do Coveiro Zé, Sandro, Nômade, Enfys, a Ameba e o Roger. Outros tantos blogueiros começaram a surgir, vivos ou mortos, todos pareciam fantasmas que retornavam para ter sua última chance contra o perverso vilão.

Próximo: Fragmentos... As cenas do prelúdio recontadas na integra.
Escrito por Coveiro ¤ às 02h13
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Crossing Blogs Saga Capítulo 30 – Poder Esquecido
Aquela era uma das mais poéticas cenas já contadas em histórias, repetidas em romances ingleses ou mesmo em livros sagrados. Eu era o personagem que partiu e retornou para resolver as velhas pendências. Morto, ressuscitado, resguardado no lugar dito como o mais belo do Mundo dos Blogs e agora retornando na garupa de um corcel mitológico, é assim que contariam a história do Coveiro X, a minha história. Todavia, ela ainda não se encerrou. Desci do animal místico e comecei andar até onde o vilão chamado Omega se encontrava. Pude ver seus olhos luminosos virarem-se famintos até mim. Do alto onde estava, começou a descer até seus pés tocarem o chão. Em suas mãos, estava a Moderadora da cidade, Nane, ainda desacordada. - Escolhido... – ele abriu a boca com um sorriso nefasto. – Finalmente... - Solte-a! – exigi – Eu já falei. - Venha... – Omega olhou para a Nane e sorriu. – Tome-a de mim... Mostre-me o seu poder...

Neste momento, meus músculos se retesaram. Tive vontade de avançar sobre ele e arrancar sua cabeça, mas meu racional estava garantindo para que eu não fizesse nada de absurdo. Lamentei não possuir mais aquele dom de meses atrás. Aceitaria todos os malefícios que ele me trazia, as loucuras que escutava em minha cabeça em prol de ter acesso ao dom das sombras e poder lutar. Todavia, ele se foi. - Eu perdi... – falei secamente para o inimigo. - Não... não perdeu... – garantiu Omega batendo os dentes. Os olhos de Omega se viraram novamente para a moderadora Nane e seus dedos se fecharam, causando ainda mais dor. Ela gemeu e respirava com dificuldade. Pensei em gritar, mas notei algo. Percebi discretamente a aproximação de dois blogueiros. O Nômade e Mack se esgueiravam por trás de Omega, preparando um soturno ataque. Cabia a mim apenas continuar distraindo-o. - Vai se arrepender por isso... – disse apertando os olhos.

Minhas palavras saíram em conjunto com o surpreendente ataque dos dois Blogueiros. O primeiro a avançar foi o Jotapê que girou sua lâmina com toda força nas costas de Omega. O vilão contorceu-se e bateu os dentes espirrando sangue. Logo em seguida, Mack saltou sobre ele e agarrou a Moderadora. Tirou-a de suas garras, girando o corpo no chão para amortecer a queda e logo depois correu em minha direção. Omega se virou pronto para investir, mas o Nômade novamente fez uso de sua espada arremetendo-a sobre o vilão. A armadura de Omega absorveu o segundo golpe e para a surpresa de Jotapê, ele não hesitara em atacá-lo. Com um único golpe, Omega acertou JP com a força de dez homens lançando o Nômade poeta a metros dali.

Livrando-se do Nômade, Omega voltara sua atenção para dar cabo da Moderadora e do caçador de paranigmas. Corri para ajudá-los, mas nada impediria Omega de finalmente nos eliminar ali. O vilão ergueu o braço e pude ver que estava energizando mais uma vez aquela poderosa energia negra capaz de incinerar pessoas em minutos. Ouvi um urro sair de sua boca e ele disparar o poder sobre nós. Coloquei o braço à frente na inútil tentativa de me proteger e esperando a morte. Todavia, mesmo sentindo o calor da energia, ela não nos atingiu e se dissipou para os lados. - Como pode? – exclamei. - Xis... Mack... fujam!! – ouvi alguém exclamar.

Tornando meus olhos para o lado, eu pude ver nossos salvadores. Junto com a Val, estavam agora os dois bruxos, Lua Negra e Sandro. Graças a um feitiço de proteção dos dois, não fomos consumidos pelo poder negro. Sem hesitar, ajudei o Mack a levantar a Nane e começamos a fugir dali. Tentando cobrir a nossa fuga, Sandro, o bruxo conhecido como a Grande Besta, adiantou-se sobre Omega com as mãos se tornando cada vez mais rubras até que se incendiaram como duas tochas. Ele lançou-se sobre o vilão criando assim um verdadeiro leque de chamas. - Mesmo que seja preciso um sacrifício, vingarei a morte de minha amiga Enfys. - Sandro, não!!! – gritou Lua Negra tentando impedir o bruxo. – Você só estará alimentando ele... Os gritos de alerta da Sacerdotisa de Hecáte se perderam no calor da batalha. A Grande Besta se agarrou contra o inimigo e ambos iniciaram uma luta confusa, onde o fogo cresceu envolvendo ambos numa imensa pira. Demorou apenas alguns minutos para que o fogo amainasse e o vencedor fosse revelado.

Por mais esperançosos que todos nós estivéssemos, o resultado daquela luta não se mostrou muito diferente. Omega estava de pé e triunfante. Em suas mãos agora, havia o mesmo fogo místico manipulado por Sandro. Em sua outra mão estava a cabeça da Grande Besta, morto e com a pele enegrecida mal nos deixando o reconhecer. - Oh, Gódi, não... – disse apavorado diante do que vi. - Xis, precisamos sair daqui agora. – aconselhou a Val. - Eu dou cobertura a vocês!! Vão!! – disse o Mack pegando a arma nas mãos. - Lua... Val... levem a Nane... – falei de imediato. – Se eu for com vocês, ele vai seguir... É um escolhido que ele quer. As duas me olharam rapidamente, como se aquela fosse a última vez. Também sabia que aquela poderia ser nossa despedida e fiz força para me controlar. Sem poderes, não saberia o quanto iria durar contra Omega. Mack voltara a descarregar suas armas, mas as oito balas sequer afligiram a moral do vilão. - Escolhido... – Omega rugia em sua voz gutural – Mostre... Omega erguia os braços flamejantes em nossa direção. Línguas de fogo eram lançadas nas mais inusitadas direções. Eu já sentia meus calcanhares arderem quando um impacto metálico seco se fez ouvir logo atrás. Virei-me surpreso e vi o nosso inimigo ser atingido de maneira tão brutal que foi lançado com incrível velocidade em direção aos destroços da Mansão. Ainda confuso, não conseguia entender o que acontecera com Omega até então. E imaginem quão surpreso eu fiquei ao ver bem diante de mim, uma criatura gigantesca e metálica que lembrava a grosso modo um grande gorila. De dentro daquele construto, chiou uma voz familiar no rádio. - Xis... scxxx... Surpresa estar vivo... scxxx... Foge com o Mack... – era o Toleezinho que estava dentro daquela máquina. – Eu vou testar quão forte é essa nova conformação da Toleestina.. scxxx... e o quão útil é o S.I.M.I.O.

Escrito por Coveiro ¤ às 00h39
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Bem distante daquela batalha, um outro grupo de amigos blogueiros também se depara com mais uma inusitada surpresa. Para Vamp, Peter, Rhian e Renato, o estado de Soldier era por demais crítico e as esperanças para que ele voltasse à consciência sem ajuda médica ou divina eram quase nulas. No entanto, o Blogueiro estava novamente de pé, apesar de evidente estado decrépito: - Você é ruim mesmo para não quebrar tão fácil... – falou o Peter ajudando o amigo. – Senta aqui! Você está quase caindo... - Ainda agüento mais algumas pancadas... – respondeu Soldier. – O que aconteceu? Onde está ele? - Omega? – falou Vamp. – Ele está sumido... Ninguém na Mansão sabe onde ele está, mas não se preocupe. Ele não nos achara aqui. - Não creio nisso, Vamp. Ele vem atrás de mim. Eu vi... sei disso. – respondeu o Soldado virando-se para ela com seu rosto abatido. – Ele não sossegará até ter tudo de mim e depois eliminar toda a minha essência. Não... não estou seguro... e nem vocês comigo.

Em meio aos destroços da Mansão, uma intensa batalha se iniciara. Omega se erguera com ainda mais ira e avançava agora com uma fúria animal em seus olhos. Do outro lado, um robô-macaco que deveria medir quatro a cinco vezes a altura de um homem erguia mais uma vez o braço e atingia o vilão, afundando-o no chão. No comando daquele ser mecatrônico, estava a mente mais exata daquele mundo, Toleezinho. Mais uma vez, Omega se levantara do chão, conquistou os céus e após tomar certa distância arremeteu sobre o S.I.M.I.O., atingindo sua dura carapaça e fazendo recuar. Mesmo com os mais poderosos socos de Omega, a criatura de metal resistia e era capaz de atingir o vilão com um poder imensurável. - Nada... Nenhum humano... ou ser criado por ele... – vociferou Omega em meio aos seus golpes. – pode me deter...

Vendo ser impossível violar aquela armadura da máquina, Omega partiu para uma nova estratégia. Voou por baixo do S.I.M.I.O. e segurando-o com as duas mãos alçoou um curto vôo. Conseguiu erguê-lo até uma moderada altura e, então, jogou o grande robô para longe, afundando-o sobre os destroços da Mansão. E foi naquele momento em que o robô despencou causando um pequeno abalo no chão, que eu ouvi o grito jovem e já bem conhecido por meus ouvidos! - Ly? – falei ao notá-la do outro lado, alguns metros de onde o robô caíra. - Xissss... – gritou ela em resposta. – Eu estou aqui. Tentei correr em direção a viajante, mas antes que eu a alcançasse, fui barrado pela imponente figura de Omega. O vilão surgiu entre mim e ela, voando sobre nossas cabeças. Dirigiu seu olhar brilhante até mim e erguia uma de suas mãos até Ly, de onde partia pequenos filetes de faíscas elétricas. - Vamos, Escolhido... Mostre-se...- ordenou Omega – Expanda seu poder... - Você não entende... – gritei para ele. – Eu não posso... - Quantos precisarei matar pra isso? – disse o vilão olhando para a viajante. - Não!!! – gritei

Disparei em direção a viajante, tentei correr o máximo que qualquer limite meu permitiria, tentaria até ultrapassá-lo se fosse a mim permitido. O destino, no entanto, não me deixou ir além. Omega manifestou seu poder e dos céus, partiu imenso raio riscando todo horizonte até cair em cheio sobre a minha companheira de estrada. Eu gritei. Gritei como um louco e ouvi ela gritar também. Desesperado, continuei a correr sem me preocupar em estar sendo alvejado pelas costas. Agachei-me até o corpo da viajante e peguei a nos braços levantando sua cabeça. Tremi ao notar os olhos opacos da Ly. Meu sangue pareceu estancar e um frio intenso foi me consumindo. Abri a boca para tentar falar com ela, mas a voz saiu embargada. Ao longe, ouvi vozes perdidas. Omega era uma delas, mas eu mal compreendia suas palavras. Algo estranho tomava conta de mim...mais uma vez. Meu coração pareceu estourar repentinamente e aos poucos tudo foi enegrecendo. Meu corpo foi sendo envolvido por completa escuridão. A viajante em meu colo também foi tomada. Tudo ao meu redor era sombras agora.
Protegido pelas paredes de um velho templo esquecido em meio as areias do maior dos desertos daquele Mundo, um ser encapuzado destinava toda a sua concentração para um jogo de cartas lançado. Pegou a carta do centro, que se revelava a mais incógnitas de todas, a roda da fortuna. Algo nela parecia chamar ainda mais sua atenção: - Então, a roda da fortuna guia o próximo evento. Seu círculo representa a necessidade das forças malignas se apossarem do ser humano a fim de, neste, se auto-purificarem. E elas encontraram algo quase ilimitado para se manifestar... Suas palavras ecoaram por todo o ambiente. Ele ergueu-se, deixou para trás as cartas e começou a andar rumo a porta, ganhando assim a saída do templo. Com as duas mãos, puxou para trás o capuz e seguiu adiante dizendo: - Tais forças liberadas precisam ser pastoreadas mais de perto. As conseqüências de tudo agora não podem ser mais previstas por cartas ou qualquer meio. Aqui, está em jogo o futuro do Mundo dos Blogs... a vida de meu amigo... E Sétimo estará agora não mais como mero espectador, mas como peça e jogador.

Anos poderiam se passar ali e nenhum efeito teria. Aquele era um mundo desconhecido para muitos, mas que por poucas vezes eu adentrei. É impossível saber como eu conquistara acesso para um lugar onde o nada era reinante. Tudo era escuridão eterna. Foi ali que encontrei meu abrigo e lá levei minha companheira de estrada, Ly. Enquanto alisava seus cabelos em meus braços eu dizia na esperança de que ela me ouvisse: - Ah, Ly, porque você não se afastou dali antes? Eu... Ah, não... Vamos abre os olhos, menina!! – falei com a voz embargada. – Não vai me deixar sem Robin, não é? Heim? Ly... acorda... Puxei a cabeça dela para perto da minha, suspirei fundo e fechei meus olhos. A mesma agonia de tempos atrás me tomava. Eu senti meu corpo tremer e tudo ficar frio. Aos poucos a voz insistente em minha cabeça começou a se manifestar e minha boca a repetiu involuntariamente: - Der Schatten bedeckt die Welt...

Sim, os vermelhos voltaram... e não me perguntem as conseqüências...
Próximo: Omega não descansará até ter os Escolhidos... E alguém inusitado resolve ajudar os Blogueiros...
Escrito por Coveiro ¤ às 00h38
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Crossing Blogs Saga Capítulo 29 – Retorno Pródigo
Naquela manhã, eu cavalgava junto com o vento. Seguia tão rápido que muitos me confundiriam com uma miragem refletida no horizonte. Atravessava ora por terra, ora por cima d´água rumo ao Sul. Montado em animal de nome tão singular, Crina Esplendida, eu movia-me pelo mundo de maneira sobre-humana, driblando o tempo e o espaço. Eu percorria quilômetros em poucos minutos, galgava obstáculos com a mínima dificuldade, mas ainda assim meu coração gelava a cada distanciar do sol. Por mais que eu corresse, o tempo ganho era sempre insuficiente. Eu estava sempre a um passo atrás dele.

Já era por volta das nove horas da manhã quando a jovem viajante conhecida pelo curto apelido de Ly abriu os olhos e levantou a cabeça. Essa era a segunda noite que acordava atordoada. Seus sonhos se misturavam com os acontecimentos do real e muitas vezes pensava que tudo não passara de um grande pesadelo. Todavia, as lembranças tristes desde o incidente do navio eram reais por demais e, por fim, ela voltava a chorar. Ergueu-se lentamente e foi andando pelos corredores. Quase tudo na mansão parecia um grande labirinto deserto e, por vezes, tinha vontade de gritar desesperada. Apressou o passo e recordou o caminho mais rápido até a sala de Vigília onde encontrou Nane, Margot, Mack e o misterioso homem conhecido como o Observador. - É o sinal dela!! – falou Margot. – Vou tentar achar um canal de comunicação!! - Vamp?! Alôôô...? – falou Nane tomando o microfone nas mãos e apertando o áudio no ouvido. – Responde, Paola!!!! - Schherrrrchhhh... Nane... Zzz... Schherrch... - Um grande chiado se fez presente e demorou muito até que sons de vozes fossem reconhecidos. – Estamos aqui... Scheeerrch... clínica online! - Na Clínica psiquiátrica abandonada?- insistiu Nane.

- Estamos bem... ZzzzTssss... Achamos... Schhheeeerch... ouviram? - a voz da vampira se perdia por um longo período. – Peter... zZzZz... Soldier...Tchirrrck... - Parece que estão com o Soldier! – compreendeu Mack. - Então, o Sol está vivo!?!?! – gritou Ly com um rosto iluminado. A moderadora desviou o olhar rapidamente para a jovem viajante e balançou a cabeça confirmando sua indagação. Sua atenção novamente se voltou para o monitor e falou: - Me escute, Paola! O sinal não está bom, mas espero que esteja me ouvindo com clareza. Não estamos conseguindo mais captar o Omega. Ele parece que destruiu todo o sistema de radar da cidade ou descobriu uma maneira de ficar invisível... - zZZzZzzZZzz... tchummm... – O silêncio dominou completamente na linha. - Alô?!?! Vamp?!?!?! – Nane gritava desesperada. – Vamp!?!?!? - Algo cortou o sinal! – avisou Margot. – Vou tentar reconectar... - Antes disso, acho interessante observar o monitor do radar... – falou com certa preocupação o Observador. – Esse sinal...

Na tela verde, um ponto começou a piscar insistentemente. Ele se movia a toda velocidade até o centro. E de repente, não só aquele monitor, mas vários dispositivos da sala de vigília pareceram enlouquecer. As paredes da mansão começaram a tremer. No teto da sala de vigília, duas lascas nasceram, as rachaduras foram crescendo e se espalhando rapidamente ao redor. Em questão de minutos, parte das paredes e do telhado da mansão foram arrancados dali e arremessados para longe. O céu do lado de fora voltara a ser escuro e tumultuado por relâmpagos e trovões. Muitas britas e pó se espalharam e no centro daquele caos, surgia à figura terrível de Omega, levitando em sua armadura negra e com olhos luminosos à frente.

Fora da cidade, seguindo uma estrada marginal pouco usada à nordeste daquele mundo, localizava-se a antiga Clínica Online, lugar onde antes era um repouso para loucos e hoje servia de abrigo para os defensores daquele mundo. Na sala onde antes era o escritório da diretora, vinha um intenso chiado eletrônico. - Ah, meu saquinho!!- reclamava Vamp. – Vamos lá, sua geringonça velha!!! - Não adianta, Tchu! – falou Rhiannon. – Esse radio é velho demais. - Ao menos, sabemos que a Nane voltou... – falou Peter. – A viagem até a Terra do Nunca foi bem sucedida.

Dos corredores da clínica, uma ligeira sombra azul se projetou e invadiu o velho escritório. Parou diante dos blogueiros e se revelou como o sendo Renatinho, que chegara tão fugaz como tinha saído. - Fui até as proximidades da cidade e arrumei algumas coisas para a gente comer. – avisou Renatinho colocando a mão na testa e puxando o cabelo pra trás. – Demorei? - Bom, foi o tempo de meu estômago roncar umas duas vezes... – brincou Rhian. - Só espero que não seja mais enlatados, Renato!! – implicou Peter Pan. - Bem, se não gosta, você pode voltar lá e pedir um delivery – respondeu Renatinho. Peter Pan já estava preparado para responder com outra réplica ao velocista quando ouviu o som arrastado de passos vindo do corredor. Todos se viraram apreensivos em direção à porta tentando imaginar que surpresas ainda estavam por vir. E por mais que suas mentes imaginassem o extraordinário, nada foi mais inusitado do que verem o Soldier de pé se escorando nas paredes. - E aí, galera? – falou o Soldado com a voz ainda sofrida. - Soldier?!?!?! – admirou-se Rhiannon. – Você despertou!!! - Pois é! Foi uma batalha só perdida. – respondeu o blogueiro cartunista. – A guerra continua... E eu estou saindo do grupo das baixas.

As sirenes vermelhas começaram a soar por todos os corredores e andares da Mansão dos Escolhidos. O som cadenciado do alarme se espalhou imediatamente assim que as defesas da Mansão foram quebradas e tão logo Toleezinho percebeu isso, disparou correndo pelas escadas rumo ao subsolo. Abriu as portas duplas e disparou pelo grande porão em meio às tralhas eletrônicas que estavam ali espalhadas. Pegou sua caixa de ferramentas, fechou-a rapidamente com tudo o que estava espalhado ao redor e foi em direção ao fundo do cômodo. Lá, estava a sua última obra, coberta por uma imensa lona cinzenta. - Eu esperava fazer uns testes em você e colocar ainda alguns “upgrades”... – lamentou o engenheiro químico. – Mas acho que não tenho esse tempo. Está na hora da estréia do S.I.M.I.O.!!!

Escrito por Coveiro ¤ às 19h49
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Em outro andar da Mansão, o alerta chegou aos ouvidos de dois místicos que terminavam suas preces matinais. Lua Negra, a Sacerdotisa do Templo de Hécate, ergueu-se e virou-se para o seu colega do Caldeirão, Sandro, conhecido também como a Grande Besta. - Cedo ou tarde, ele acharia este lugar... – falou a Grande Besta. – É o momento de confrontarmos o inimigo. - Não sei se deveríamos encarar o nosso inimigo abertamente. O que vejo é que todo aquele que o combateu diretamente, virou vítima e seus poderes foram roubados. – Lembrou a Lua Negra – Deve haver um meio de derrotá-lo. Precisamos saber qual!! A porta do quarto onde os dois bruxos estavam com o corpo de Enfys foi repentinamente aberta, e a figura surpreendente da ruiva conhecida como Val apareceu. Estava com um colete no corpo e uma das muitas armas da mansão nas mãos. - Vamos ter que sair daqui!! – falou a blogueira. – A mansão não é mais segura!!

Adentrando o corredor principal, Omega erguia os braços à frente, abrindo uma imensa cratera bem no centro da Mansão. Pedaços imensos de concreto eram arremessados para os lados, paredes ruíam e dispositivos eletrônicos se incendiavam com a chegada do invasor. Uma enorme fenda dividia agora a Mansão dos escolhidos ao meio e nela estava o vilão. Em meio aos tremores, a jovem viajante procurava um lugar para se proteger. Avançando pelos corredores instáveis, Ly tentava se equilibrar enquanto o chão cedia. Repentinamente, uma vala se abriu bem à frente e a viajante gritou. Fechou os olhos e já espera quebrar algum osso ao cair daquela altura. No entanto, nada aconteceu e ao voltar a erguer as pálpebras se viu nos braços do Nômade que agora a carregava silenciosamente para fora dali.

Ao longe, ouvia-se o estrondo da saraivada de balas em resposta ao ataque do vilão. Protegido em meio aos escombros, a Moderadora Nane, o caçador de fenômenos paranormais Mack e o sombrio Observador disparavam centenas de projeteis sobre o vilão. - Vamos precisar de mais balas... – gritou Mack. – E armas mais potentes... - Estamos só perdendo munição!! – respondeu o Observador. - Continuem... – gritou Nane. Uma verdadeira chuva de balas acompanhada do intenso rugido das armas enegreceu o céu sobre a Mansão dos Moderadores. O único alvo do ataque, Omega, permanecia intocável, no entanto. Todos os disparos, por mais certeiros que fossem, pareciam se desviar ao se aproximar do alvo. - Um campo eletromagnético... – disse o Observador – Está usando o mesmo truque com os poderes de Electra!!

Uma das mãos de Omega se estendeu para frente e dela rompeu uma grande fagulha elétrica, que se prolongou de seus dedos em direção aos blogueiros que o atacavam. Antes que o relâmpago artificial chegasse ao chão, Nane se atracou com Mack e se lançou para longe dali. Houve um repentino clarão e o lugar se incendiou. - Gódi...!!! – falou Mack surpreso. – Essa foi por muito pouco. - Onde está o Observador? – perguntou Nane se virando para o lado ao notar que o sombrio blogueiro havia sumido. A pergunta de Nane sequer teve tempo de ser respondida. À sua frente, pousava naquele momento o vilão Omega, com o rosto sem expressão e os olhos com o brilho cada vez mais intenso. A moderadora não hesitou e ergueu sua arma pronta para um disparo preciso a queima roupa. No mesmo instante, Omega abriu os dedos da mão à sua frente. Foi uma reação conjunta. Tudo repentinamente se clareou com uma cegante luz mágica e houve um único disparo de arma.

De dentro da Mansão, saíram o Nômade e Ly tentando superar a maioria dos obstáculos formados por paredes caídas e móveis revirados. Do lado de fora, foram acometidos pela mais forte claridade que um dia já viram. O céu parecia iluminado por dez estrelas da mesma grandeza do sol e mesmo com as mãos sobre os olhos, uma agonia perturbadora atingia a todos. - Que esta havendo? – falou a Ly. - Não consigo ver... mesmo acostumado com o brilho do sol sobre as areias das Terras Nômades por doze horas. – respondeu o Nômade. – Mas parece que existe uma pessoa lá em cima, sendo o foco desta estranha luz. - É o Omega!! – falou uma voz sofrida logo ao lado. – E ele está com a Nane. A viajante e o poeta Nômade se viraram para o lado e lá encontraram o velho caçador de paranigmas, Mack, tentando se erguer do chão. Jotapê estendeu o braço para ajudá-lo e ambos voltaram suas atenções para o alto, onde a silhueta de dois corpos era o núcleo daquela estrela artificial.

Nane mal conseguia ter forças para gritar. Sentia seus olhos arderem e sua mente parecia estar sendo embaralhada. Ouvia dentro dela os pensamentos do inimigo, Omega, e neles só encontrou horror e destruição. Sabia que estava sendo invadida e que sua memória mais recente estava sendo exposta. - Vamos, guardiã... – falava o Omega fazendo cada vez mais pressão nos dedos que apertavam o pescoço da moderadora. – Responda-me... Onde estão os escolhidos... Onde? - Saia de minha cabeça seu miserável!!! – gritava em agonia, Nane. - Sim... sinta a dor e abra sua mente... mostre... – falava Omega como que saboreando o sofrimento da Moderadora. – Ah... sim... então, o primeiro escolhido esta refugiado fora desta cidade junto com outros blogueiros... Eu irei até ele... mas onde está o outro? - Estou aqui, Omega! –A minha voz deve ter saído com a força de um trovão, pois mesmo naquela altura, o vilão foi capaz de me ouvir. – Solte-a, agora... Eu imagino que a surpresa do vilão ao me encontrar não foi maior do que a dos meus próprios amigos. Para todos ali, eu era um homem morto, trespassado por um arpão e perdido nas profundezas do oceano. Mas a realidade naquele mundo sobrepujava as mais esperançosas das expectativas. Eu estava vivo novamente, cavalgara quilômetros até ali em um cavalo mágico e estava preparado para encarar pela primeira vez o arauto do fim do Mundo dos Blogs.

Próximo: Uma nova batalha contra Omega... e o véu da tragédia continua a se alargar sobre os destinos dos blogueiros...
Escrito por Coveiro ¤ às 19h46
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Crossing Blogs Saga Capítulo 28 – À terra, retornarás...
Um grito estridente como se milhões de pessoas fossem chicoteadas ao mesmo tempo se alastrou por aquele lugar quente e fétido, onde chamas infernais dominavam. No lugar mais central daquele reino, próximo a um trono de ossos, a entidade conhecida como o Capeta socou o tabuleiro fazendo todas dançarem e um novo grito de terror se espalhou como uma onda energética ao redor. - Precisa disso tudo? – falou uma voz meia caipira que estava ao lado. Do outro lado do tabuleiro, com os braços cruzados e olhando de canto, o dito todo-poderoso dos blogs, Gódi, parecia indiferente a ira de seu arqui-inimigo, o Capeta. No tabuleiro, as peças continuavam de pé, todavia a que representava o coveiro x parecia estar de volta ao jogo, agora, sem ocupar território algum. - Isso estava fora das regras de nosso jogo!! Você sabia disso... – implicou o Capeta. - Eu não fiz nada... – Gódi levantou as mãos. - ...Tudo idéia dela. E quando implica com uma coisa... - Mulheres... – reclamou o Capeta meneando a cabeça

Eu comecei a perceber novamente as coisas ao meu redor. Ao invés da luz forte do final da tarde, havia apenas um ponto, uma única chama que parecia dar vida a toda a negritude do ambiente ao redor. Abri os olhos e vi que estava numa espécie de pequeno quarto, deitado numa cama aconchegante e iluminado por um velho lampião a óleo. As paredes eram de argamassa branca, com pequenos detalhes que as deixavam em alto relevo. O teto parecia ser de velhas telhas com um vermelho vivo ainda. Havia uma única janela, que mostrava a noite e a lua. Tentei me levantar lentamente e senti o peso da minha cabeça. Minha mente parecia estar ouvindo badalares intensos de sinos de uma catedral e comecei a forçar uma lembrança do que de fato havia acontecido. Estava tudo muito confuso e imagens confusas se misturavam. Pousei a mão na cabeça tentando amenizar a dor e falei tonto: - Que puxa, estou remoído.

Virei-me e vi que minhas vestes estavam um trapo, como antes nunca estiveram. Sujas e rasgadas, minhas camisas e as calças não mereciam servir nem como panos de chão. Tentei me colocar de pé, mas não foi tarefa fácil. Fui andando claudicante até a única porta daquele quarto e atravessei-a. Foi assim que me deparei com um imenso salão com uma decoração das mais belas que algum lugar já teve. Iluminado por candeeiros, o lugar era uma mistura natural de flores e plantas com moderna arquitetura. Na frente, uma grande vidraça levava a varanda e mostrava o mar distante sendo clareado por uma lua cheia. Andei pelo chão ladrilhado, me admirando com as largas cadeiras de madeira negra e pequenos centros dispostos ao redor, quando uma voz vinda do corredor me surpreendeu. - Ora, você já acordou? Eu imaginei que só acordaria no dia seguinte... ou até bem depois. Tentei identificar a voz, mas não conhecia de fato até então. Era certamente uma mulher, e quando ela foi se aproximando pude ver que se tratava de uma loira sorridente e com um olhar delicado. - Onde... onde estou? – perguntei ainda desnorteado. - No Jardim Nada Secreto. – falou a mulher. – Está na minha casa. Eu sou a MARtinha, a dona desse lugar. - MARtinha...? – falei quase sem acreditar. – Como vim parar aqui... tão longe? - Eu não sei, amigo! Não sei nem como está de pé agora. – ela estendeu a mão e nela havia um siri branco. – Somente te encontrei porque meu amigo me veio avisar que te achou quase morto na praia...

Sob a mesma lua, bem mais ao sul, um lugar que era temido por muitos voltava a recepcionar o seu dono. Toda a agitação e revolta no cemitério dos Blogs, agora não passava de partes distantes do passado. Todo o lugar estava vazio, entregues apenas as folhagens secas que se remexiam ao vento e ao som dos roedores que povoavam o lugar. Um vulto andava silenciosamente, um tanto curvado e arrastando pelo chão sua longa capa. Em suas mãos, havia apenas a ferramenta de trabalho, uma pá que em outros tempos já enterrara muitos blogs. Por um momento, a pouca luz da lua permitiu moldar formas em seu rosto, revelando-o como o Coveiro Zé, o terror dos Blogs.

O Coveiro passava sorrateiramente por entre os túmulos, resvalando sua mão entre os mausoléus, como que tirando dali suas energias. Algo, no entanto, o incomodava. Não sabia ao certo, mas sentia-se tenso, com o coração acelerando cada vez mais. Num momento muito fugaz, sentiu um cheiro estranho no ar, virou-se e encontrou apenas a escuridão. Todavia, algo estava dentro dela, tinha certeza disso. Dois relâmpagos explodiram nos céus, seguidos rapidamente do som de seus trovões. Foi nesse momento, quando a luz intensa parecia retirar o véu das sombras, que o Coveiro Zé pode ver seu inimigo ali. - Apareça, maldito! – falou Zé para o nada. - Você parece pequeno e fraco... – veio a voz surgindo da escuridão. - ...mas é capaz de muitas surpresas. Sei que todos o temem... muito mais pela sua alma, do que pelo que pode provocar...

Com passos curtos e um estalar leve vindo das juntas de sua armadura, Omega aproximou-se até uma distância que o permitisse ficar visível do Coveiro Zé. Olhou-o com desprezo e falou com um sorriso diabólico: - Sei que é relacionado com um dos escolhidos, e você me levará até ele... - De mim, você só vai levar é muita dor causada pela minha pá. – respondeu o Coveiro Zé erguendo a arma. – Aquele nosso assunto não terminou... - Como desejar, Coveiro Zé.

Ao aceitar o desafio, Omega ergueu sua mão direita e dela fios de luz esverdeados começaram a se manifestar, tomando formas e, com o tempo, consistência. Em poucos segundos, uma enorme espada negra estava nas mãos do vilão. O Coveiro Zé apertou os olhos como um verdadeiro lobo prestes a dar o mais violento dos seus botes. Torceu os dedos sobre o cabo de sua pá, bateu violentamente os dentes e investiu. Correu até o inimigo, apoiou-se em uma das lápides e saltou sobre Omega, iniciando uma luta imprevisível.

Escrito por Coveiro ¤ às 22h29
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Já era madrugada alta na Cidade dos Blogs, quando uma pedra foi arremessada contra uma loja de conveniências. A vidraça estraçalhou em minúsculos cacos e três vultos pequenos adentraram o lugar. Espalharam-se pelos corredores e começaram a pegar pacotes de salgadinhos, chocolates e refrigerantes. - Isso não é roubo? – perguntou um dos vultos, pertencente a uma menina. - Não, não... – falou um outro de rabo de cavalo. – Não se a gente pagar depois. - O que foi isso? – John parou subitamente e olhou para trás. – Vocês ouviram isso? Melhor sairmos daqui, Zoro! O jovem e bravo Roronoa olhou demoradamente para seus companheiros, assentiu balançando a cabeça e os três deixaram a loja com os bolsos cheios de comidas.

Os ratos fugiram correndo e uma revoada de aves noturnas desapareceu ao ouvir o primeiro impacto entre armas no cemitério dos Blogs. Mesmo a quilômetros, era impossível não ouvir o chocar-se dos metais. De longe, apenas podia-se ver vultos movendo-se tão fugazes quanto fantasmas, girando suas armas e desviando dos golpes. O Coveiro Zé, mesmo com sua experiência tão vasta contra medonhas criaturas da noite, não conseguia obter vantagem sobre o inimigo. Era um árduo combatente, mas aos poucos seu rosto e corpo começavam a mostrar mais e mais cicatrizes daquela batalha. Ainda que exaurido, estava de pé e rugindo como um animal.

Já Omega mal se abatera nos últimos minutos. Desviava com esmero cada golpe e aparava com a arma a pá de seu adversário. Mesmo os golpes mais ousados do Coveiro Zé, foram insignificantes ao se chocar com a armadura. Um riso cruel crescia no rosto do vilão que se deliciava ao ver a decadência contínua do Coveiro. Girou sua arma para frente e forçou com as duas mãos um golpe que acabou por partir a pá do Zé em dois pedaços. Não satisfeito, lançou mais golpes até que finalmente o Coveiro caiu de joelhos no chão. - Sua prepotência o cega... – falou Omega se aproximando com uma das mãos erguidas. – Antes, você me enfrentou apenas sendo um décimo do que sou agora. E ainda havia aquela bruxa em seu auxílio. Agora, eu sou maior... sou o reflexo de muitos mais poderosos.

- Vá se... – começou a xingar o Zé, mas logo sentiu enorme dor nas têmporas. – Saia... maldito... de minha cabeça... - Então, de fato, você não sabe dos Escolhidos... – falou Omega ao ter acesso a mente do Zé. – Mas vejo que alguns se refugiam ainda na cidade... em uma mansão... Sim, numa mansão! – Omega ergueu sua mão e seus dedos brilharam. – Você não é mais útil a mim, Coveiro Zé! Que seu fim seja como o de todas as suas vítimas até, então. Repentinamente, o chão onde o Coveiro Zé estava começou a tremer. Os olhos de Omega brilharam acessando os poderes divinos de Gódi e o solo se partiu numa profunda fenda. Formou-se um abismo em poucos instantes que tragou o Coveiro Zé para um fundo por demais profundo. Sem perder tempo, Omega moveu suas mãos e voltou a fechar o imenso buraco, desaparecendo assim com qualquer vestígio da existência do seu inimigo.

As horas se passaram e levaram até o fim da noite. A escuridão tornou-se arroxeada e o roxo, aos poucos, mesclou-se com o azul. Era um novo dia nascendo e eu podia ver o sol surgir da janela onde eu repousava. Levantei-me com um vigor bem melhor que na noite anterior. A cabeça não doía como antes e apesar dos estranhos sonhos, não sentia dor alguma no meu peito. Do quarto fui para o salão, mas estava vazio. Não havia sinal daquela mulher, que se tornará minha anfitriã. Volvi os olhos para todos os lados e até clamei por ela, mas não havia sinal. Virei-me para a varanda e pude contemplar a beleza daquele jardim sob a luz do dia. Era um imenso pátio das mais belas flores e arbustos que se entortavam em verdadeiros desenhos. Um dos caminhos principais levava a um imenso mar, mais azul que o céu e foi lá que eu encontrei a MARtinha. Fui me aproximando lentamente sem ter a intenção de incomodá-la. Ela, a dona daquele lugar magnífico, vislumbrava o mar como que num eterno transe que restaurasse suas energias. Assim que me aproximei, ela pareceu pressentir e falou: - Olá, Coveiro! Sente-se um pouco para apreciar a brisa. Este é um momento mágico.

Ainda estava abismado com tudo aquilo, mas fiz como ela sugeriu. Me acocorei ao seu lado e sentei-me na areia sentindo o ar fresco roçando em meus cabelos e o cheiro de mar impregnando o meu nariz. Ao nosso lado, estava aquele curioso crustáceo albino, que parecia seguir a loira como um animal de estimação. - É um lugar maravilhoso... – falou ela. - ...meu medo é que um dia ele desapareça. - Omega...!!! – falei como que despertando de um sonho bom. – MARtinha... Você sabe de meus amigos? - Tudo o que eu sei, Coveiro, é que quando eu olho par o sul nas últimas noites, eu vejo uma densa nuvem escura sobre a cidade, lançando raios raivosos sobre seus arranha-céus. – disse ela. – Na última noite, enquanto você dormia, tudo se repetiu... mais para as bandas do cemitério dos blogs.

Senti uma reviravolta em meu estômago. Ainda perdido nos últimos acontecimentos, mal pude me lembrar que meus amigos ainda corriam riscos. Olhei para o mar e ele agora parecia tão agitado. O vento zumbia como que em uma revolta intensa. - MARtinha, eu deveria estar morto! Não foi sonho, não pode ter sido. – falei relembrando as imagens perdidas em meu inconsciente. – Eu morri, mas voltei. - Coveiro, você teve uma nova chance... – falou a loira. – Se voltou, algo ainda está por se fazer... - Eu tenho que voltar para a cidade...- falei já me levantando, mas logo lembrei de um detalhe. – Só que estou a quilômetros de distância. Mesmo que andasse dia e noite sem parar, eu levaria cinco ou seis dias para chegar. - Talvez, o destino conspire a seu favor, amigo... – falou MARtinha – Na mesma tarde que você apareceu, eu recebi uma inesperada visita divina. Ao tornar os olhos na mesma direção que MARtinha apontava, deparei-me com o imenso corcel branco de beleza inigualável que um dia eu vira minha irmã cavalgar. Aquele não era um animal comum, mas sim um presente dado a ela pelo deus celta do Mar, Manannán. Um animal vigoroso chamado de Crina Esplêndida, que de tão veloz poderia cavalgar sobre terra ou água, confundido-se até mesmo com as ondas do mar.
 Próximo: Separados e enfraquecidos... os blogueiros tentam se juntar novamente... Mas os olhos de Omega estão atentos.
Escrito por Coveiro ¤ às 22h28
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In Memorian – Raposa Vira Lata
Foi justamente no meio do semestre de 2003, que ouvi pela primeira vez a idéia de minha amiga nipo-brasileira Débora de arriscar sair do país e estudar na terra de seus ancestrais. Logo de antemão, dei-lhe apoio, visto que ela não teria previsão para bolsa auxílio aqui e por tal feito se revelar grande oportunidade em sua carreira. Foi assim que pela primeira vez fomos até o Consulado Japonês, dar entrada na papelada de dupla cidadania. Eu e ela entramos num dos mais luxuosos centros comerciais de Boa Viagem, próximo ao Shooping e de lá já tivemos que passar por todos os esquemas de segurança e burocracia padrão. No último andar, ficava o consulado. Cruzamos um detector de metais e ela foi direto ao balcão de atendimento. Fiquei mais distante olhando para alguns folders da língua oriental enquanto ela conversava de forma inaudível com a atendente. Eles sempre falam assim. Em um momento, Débora vem a mim com os olhos mais abertos e fala que surgiu um pequeno problema. Não poderia ter a dupla nacionalidade porque segundo as exigências do Japão, o filho deve ter ambos os pais japoneses e a requisição ser feita com até um ano de idade. - Que? – lembro de na hora ter ficado tão revoltado quanto ela. – Que kusotare... - Sérgio, Pare! – disse ela já vermelha quando comecei a destrinchar os palavrões na língua nipônica. – Ela vai falar comigo ainda. Existem vagas para estudantes brasileiros com bolsa e... – ela me explicou rapidamente e logo depois voltou para tomar as notas de como se inscrever nesse programa. - Bakatare... – continuei falando e ela me olhava de longe vermelha. – Utererê... Aserejê... ra... de... re... Ela baixou o rosto e começou a rir baixinho, ainda mais enrubescida e, então, parei. Depois de sairmos no prédio, eu virei-me para ela e pela primeira vez usei o termo “Raposa Vira Lata”. Desde então, é assim que brincava com ela. A Japonesinha que não era japonesa. Quando resolvi sentar-me para criar esse texto sobre alguma boa história envolvendo Débora, pedi sua ajuda e ela me citou muitas histórias que eram curtas e muito engraçadas. Todas elas envolviam quase sempre a sua exacerbada timidez e, obviamente, a minha completa loucura sem-noção.

Para se ter uma boa idéia do que eu falo, em uma das vezes que íamos eu e ela para o cinema, ela implicou de comprar uma pipoca para ganhar um pôster de uma promoção. Quando ela retorna com um verdadeiro balde de pipoca nas mãos, falou: - Eu não vou agüentar isso tudo. Você vai me ajudar a comer, viu? - Tá! – falei. – A gente ajuda... Talvez, ela não tenha entendido de primeira as minhas palavras, mas logo se afundou na poltrona do cinema quando peguei o balde e comecei a oferecer a pipoca para as meninas da frente, o casal de namorados do lado e até a senhora que estava mais atrás. E era assim que surgiam a maioria das piadas e divertidas histórias entre mim e Débora. Não só em cinemas, como praias , lojas e tantos outros lugares,.havia sempre a oportunidade de provocar situações engraçadas como essas. Todavia, de tanto estar acostumada com minhas brincadeiras, uma vez acabou acontecendo uma situação cômica, ainda que infeliz. Estava em meu laboratório quando toca o telefone no mesmo horário de sempre. Sabia que era Débora. Levanto-me para atender, mas antes disso meu orientador e chefe se põe na frente e toma o telefone do gancho. - Alô!? – disse ele. - Oi... ´bora almoçar? – falou a raposa na linha. - Quem está falando? – perguntou meu orientador. - Sou eu, menino! – falou Débora - Eu quem? Olha, quem está falando é o Professor Ferreira. – identificou-se o meu chefe. – Você quer falar com quem? - Deixa de brincadeira, abestalhado! – falou ela. Nessa hora meu professor deu um pulo para trás assustado, mas logo depois riu. Virou-se para mim e disse. Tem uma menina na linha e acho que ela ta pensando que esta falando com outra pessoa. - É Débora. – Falei já pegando o fone dele. Todavia, já era tarde demais. Provavelmente, ao escutar a explicação, a raposinha desligou o aparelho e só pude ouvir então o sinal cadenciado “tum... tum... tum...”. Tomei minhas coisas e fui andando calmamente até o laboratório de entomologia, entrei no corredor, abri a porta após algumas batidas e encontrei ela com o rosto vermelho, olhos lacrimejantes e uma toalhinha tapando a boca. - Sérgio... – ela sussurrou com choro entrecortado. – Era você, não era? - Não, Déb. – falei com um sorriso bobo. – Era o professor mesmo. E com isso ela abriu o maior berreiro, com a cara enfiada na toalha e eu rindo tentando acalmá-la, dizendo que Ferreira nem se incomodara e achara até divertido. Com isso, levou um tempo para ela voltar ao Departamento de Genética e redobrou seus cuidados diante das minhas maluquices.
Fim

Atualmente, Débora encontra-se no Japão; Conseguiu com sucesso seu lugar lá e resolvi presenteá-la com um template para seu novo blog. Lá ela vai contar todas as suas aventuras. Portanto, dêem uma espiada em http://foxlady.zip.net
Escrito por Coveiro ¤ às 15h30
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Crossing Blogs Saga Capitulo 27 – Recomeços
Para alguém que usa um pseudônimo como o meu, chega a ser até poético falar de morte. Através de livros e histórias, tive acesso a muita discussão sobre ela, a Senhora do Fim, Aquela pra com qual não há cura. Sim, aconteceu comigo. Eu morri. Trespassado por longo arpão, senti minhas costas rasgarem, o coração explodir em partes menores, o peito abrir-se com a ponta ensangüentada a frente. A dor nem era tanta, pois creio que acabei tão traumatizado que perdi as sensações, mas ver a mão mortífera agarrando-me para a eternidade talvez seja a pior lembrança que eu guarde. Eu morri. Meu corpo afundou no mar e ao contrário do que se relata costumeiramente, não houve nenhum filme de minha vida passando em minha cabeça. A única coisa que meu cérebro captava ali era a escuridão, a eterna negritude das profundezas do mar. Vez ou outra, repetia-se em minha memória apenas o momento de minha morte. Era como um inferno onde a penitência era sentir minuto a minuto aquela dor. Vivendo marginalmente na escuridão, morto nela agora. Não sei quantas horas ou dias se passaram. Perdi completamente a noção do tempo. Tudo na verdade pareceu levar séculos até que meu corpo sofreu um espasmo. Sim, mesmo morto, houve uma convulsão. E mais uma e outra. Minhas mãos cerraram-se com força e, finalmente, abri os olhos sobressaltados. Era uma luz.

As horas avançaram rapidamente naquela manhã logo após o último confronto de Omega com a liga. Após tamanha destruição e massacre, houve apenas estagnação. Omega desaparecera por horas da visão dos monitores e isso parecia ainda mais perturbador. Na Mansão dos Moderadores, os olhares atentos sobre os monitores continuavam agora sob o turno de Mack. Margot fora descansar nas últimas horas e apenas o sombrio Observador fazia companhia ao caçador de paranigmas e sua xícara de café. Os dois trocaram rapidamente algumas palavras, mas não havia muito o que se dizer. Mack já se preparava para um novo gole de seu quente líquido preto quando cuspiu tudo para fora ao ver a sala principal ser invadida. - Mack! Onde está a Margot? E os outros? – falou para seu espanto a Moderadora Nane que chegava ali como uma aparição, cortando o vazio. Nane, junto com os alguns dos blogueiros com que estivera no navio cargueiro, adentrara o lugar. Ela apresentava traços abatidos, olhos fundos, mas ainda mantinha a mesma segurança e firmeza de antes. Jotapê e a Val estavam sérios, rostos eclipsados por algum problema aparente. Já a viajante Ly tinha os olhos vermelhos e rosto marcado por quem já chorará um dia inteiro.

- Nane? Como conseguiu entrar aqui sem disparar nenhum alarme!!! – assustou-se Mack quase derrubando a cadeira ao se levantar. - Ela é a proprietária, meu amigo. – lembrou o Observador com sua sutileza. - Mack, quero que me inteire de tudo até o momento! – exigiu a Moderadora. - Bem, Nane... – o caçador de paranigmas voltou-se para os monitores, suspirou e continuou. – Perdemos o contato durante toda a batalha da liga e Omega, como dissemos. Ficamos na ânsia por novos acontecimentos até a chegada de Sandro. Com rápidos dígitos no teclado, Mack deu vida ao monitor principal da Sala de Vigília e nele surgiu a imagem de um dos quartos da Mansão. Lá, a Sacerdotisa de Hécate e o bruxo Sandro estavam promovendo uma oração à frente de um corpo coberto por longo lençol.

- Gódi! Quem é? – perguntou assombrada a Val. - Enfys. – informou Mack e continuou. – Junto com ela, também foi seriamente ferido o Soldier, mas não sei nada além disso. - Mais amigos caindo em batalha... – falou Nane cerrando os punhos. - É lamentável o que aconteceu com o Coveiro X. – murmurou o misterioso Observador. - Este Omega vai encontrar a fúria de minha espada quando eu estiver frente a ele. – jurou o Nômade. - O restante do pessoal está a procura do Soldado... e da Vamp, que decidiu atacar Omega sozinho. – prosseguiu o caçador. – Nane... A liga está desaparecida. - Então, temos que encontrá-la. – prontificou-se a Moderadora.

Meus olhos pareciam cegos. Arremessado do negro para o branco, estava completamente atônito. Minha fotofobia natural sempre foi perturbadora, mas nada como naquele momento. Quando finalmente, me acostumei com a claridade, me vi numa imensidão sem fim, onde o chão e o firmamento de fato, eram tão alvos quanto o branco das nuvens. Dei meu primeiro passo e somente então percebi que só poderia estar num sonho. Vestido com minha camiseta branca e a mesma calça azul, sem minha segunda camisa xadrez, tudo em mim parecia intacto. Nenhum rasgão ou arranhão. Não havia nenhum arpão em meu peito. Sequer sangue estava em minha camisa. Em contrapartida, minhas roupas e cabelos estavam encharcados e fedendo a água do mar. Deveria rir com tal idéia, mas não conseguia deixar de ter meus músculos tensos.

Andei por aquela imensidão que mais parecia o deserto sem cores, me sentindo pequeno e cada vez mais perdido a cada metro que seguia. Era como se meus passos sempre levassem para o mesmo ponto. Estava prestes a gritar, quando uma voz quase rachou minha cabeça. - Bem-vindo de volta, Santo Coveiro Xis! Já é a segunda vez que você pisa aqui! Já deve se sentir de casa. – era uma voz feminina quase titânica que logo reconheci. - Andréa? – falei e quase mordi a língua. - Digo, Nossinhora? - Sim, a própria! – falou a Santa. De um intenso facho de luz, ela apareceu num longo vestido azul tão claro quanto os olhos de um bebê e uma coroa de flores adornando a cabeça. Seus cabelos e olhos eram intensamente escuros e um ar respeitoso emanava no ambiente assim que baixou o olhar para mim. - Então, estou mesmo morto! – falei me aproximando dela com a cabeça baixa. – E vim parar no céu. - Sim, de fato, você está morto, mas esse não é um estado tão “eterno” como se dizia antigamente. – falou a Santa. – Venha cá, Xis, eu te trouxe aqui por um motivo. Aproximei-me dela com passos vagarosos e ao chegar tão perto, não pude resistir e me ajoelhei. Coloquei-me como numa prece num automatismo incompreensível, tamanho era o poder dela ali.

...::: CONTINUA LOGO ABAIXO:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 23h23
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- Eu sei o que se passa em sua cabeça. Agora que está aqui, quer entender o que aconteceu, mas essas respostas eu não tenho. – disse Nossinhora olhando-me com os braços cruzados. – Este ser é de origem tão desconhecida para vocês como para nós, os celestiais. Sou até mesmo incapaz de dizer o que verdadeiramente ele é. Parece apenas uma força de oposição, um outro lado. É como o Capeta com o Gódi. - Oposição a que? Quem? – falei cheio de dúvidas. - Essas respostas ainda não foram reveladas, mas chegará o momento delas. Sei disso apenas, mas nada além. Tudo ainda está muito nebuloso e as forças maléficas se aproveitaram disso. Neste momento, o Capeta está num desafio com meu Gódi tentando decidir a velha e chauvinista disputa eterna. E, o problema maior, Omega, só se tornar mais forte cada vez que está no Mundo dos Blogs. - Não há como a Nossinhora detê-lo? – pedi com olhar suplicante. - É, estranho, Coveiro Xis. Tudo que foi criado neste mundo parece responder diretamente a mim, Gódi ou o Capeta. Esse ser, no entanto, parece estar isento de nossa influência. – explicou Nossinhora. – Creio que vocês, blogueiros, é que terão que achar o meio de lutar contra isso. É o que vejo em alguns sinais. Foi através de um deles que decidi te ressuscitar. - Ressuscitar?! Quer dizer que... – fiquei assombrado. - Porque essa cara, filho! – Nossinhora deixou um riso escapar. – Sei que já foi feito antes por Gódi. Desta vez, no entanto, ele está impossibilitado para tal... e eu, por mero acaso ou não do destino, tornei-me guardiã de sua alma. Eu te entrego o sopro da vida novamente. Sei que haverá ainda mais dor. Sinais mostraram-se ainda mais negros no futuro, mas sinto que é o que tenho que fazer. Aconselho-te, portanto, a lutar contra tudo isso, mesmo que seja dentro de você. Estou te confiando a minha esperança. Vá, Xis! Volte a vida.... Nossinhora foi baixando o rosto, aproximando os lábios de minha testa. Chegou perto e beijou minha cabeça, num estalo único e seguido de um leve suspiro. Nesse momento senti-me leve, fechei os olhos e uma nova luz me tomou a visão.

O sol da tarde batia com um calor aprazível na velha Clínica Psiquiátrica abandonada e seus raios mansamente conseguiam infiltrar-se da janela e iluminar os corredores. Não visitada há meses, a Clínica era agora um lugar fantasma, cheio de teias de aranha e mofo. Em um de seus quartos, um jovem parecia em constante lamento, andando de um lado para outro e sempre volvendo os olhos para um leito. Na cama, havia um corpo já debilitado tanto fisicamente como psiquicamente. - Não me deixa mais preocupado, amigão! – pediu o pequeno Peter Pan resmungando enquanto molhava novamente um pano de água. – Acorda! Fala alguma coisa!! Dá um sinal de vida!!! Indiferente às suas súplicas, o soldado ainda estava catatônico. Mesmo abrindo suas pálpebras, elas se dirigiam ao vazio. Se não fosse o mínimo ar saindo de seus pulmões, Soldier poderia ter sido dado como morto.

Certo momento, Peter acreditou ter ouvido um barulho de portas. Seu sangue gelou e os músculos endureceram. Olhou para os corredores e temeu que o terror tivesse retornado. Se Omega descobrirá aquele lugar, não saberia se teria forças mais para lutar ou mesmo fugir dali. Ouviu nova pancada mais próxima e engoliu seco. Não teria chance. Peter colocou os pés para fora do quarto e começou a andar lentamente em direção aquele som. Ouviu um outro e seus punhos cerraram. Era uma mistura de ódio e medo. Continuou a andar e parou subitamente ao ver um fugaz vulto azul cruzando o caminho. - Quem está aí? – gritou Pan e sua voz fez ecos nos corredores. - Peter... – respondeu uma voz jovem. – Ainda bem que encontramos vocês. À sua frente, Peter Pan pode notar a chegada fugaz do veloz garoto Renato que cortara um dos corredores e parara bem a sua frente. Mais atrás, surgiu a Deusa Rhiannon que ajudava a claudicante amiga Paola a caminhar até eles. O jovem menino do pó suspirou. Não estava mais sozinho.

O dia começava a se fazer noite. A destruída cidade dos Blogs agora voltava a ter seu manto fantasmagórico. O céu tornava-se cada vez mais arroxeado, mais tenebroso. Os altos prédios eram como torres escuras, montanhas vazias. Num deles, observando o cair do sol com um ar perdido, estava Omega em sua armadura negra e capa tremulante. - Escolhidos... mesmo com suas energias estando baixas agora... mesmo distantes... eu os encontrarei... – jurava o vilão com seus olhos iluminados voltados a frente. – E quando forem meus... não haverá força capaz de se opor... será o dia do grande fim... do Omega.

Tempo e espaço estavam perdidos, confusos até, em minha mente. Sabia que era dia porque minhas pálpebras captavam a luminosidade que me doía os olhos e o calor parecia dar nova vitalidade ao meu corpo. Sentia-me também úmido e vez ou outra era água o que chegava até meu corpo. Aos poucos, pude sentir as pequenas partículas arranhando minhas mãos. O som distante também era inconfundível. Sol, água, areia, ondas. Eu estava numa praia. E apesar de todo o cansaço, sentia-me vivo. Tentei erguer a cabeça, mas foi um esforço muito grande. Meus olhos começaram a cerrar. Vi um pequeno crustáceo branco aproximando-se e depois disso apaguei por completo.

Próximo: o Retorno do Coveiro Xis... E Omega faz uma visita ao Cemitério dos Blogs.
“Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada".
(Fernando Pessoa)
Escrito por Coveiro ¤ às 23h22
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Crossing Blogs Saga Capítulo 26 – Superior
Aquele pôr do sol parecia se prolongar mais do que o normal. Como uma reação aos últimos dias onde nuvens negras tomavam toda a cidade dos Blogs, o astro-rei se fazia superior e guerreava com todo afinco para se infiltrar naquele céu cinzento. Todavia, nas ruas, forças obscuras estavam prestes a se chocar, com conseqüências ainda indeterminadas. Em sua armadura negra recém-criada, Omega voltava suas atenções para a criatura que surgira as suas costas. Aos olhos imprudentes, aquilo poderia se confundir com um gigantesco animal predador envolto por sombras. Todavia, Omega podia notar que aquela energia era bastante familiar, pertencente à mulher de longos cabelos ruivos que liderava o grupo adversário, a Vampira. - Oooomegaaa... – grunhiu Paola com voz irreconhecível.

O vilão apertou os olhos que já faiscavam a intensa luminosidade esverdeada e ergueu uma das mãos em direção a criatura vampira. Seus dedos moveram-se lentamente e um pequeno resquício de energia negra se manifestou. - Você, mulher vampira, então possui um poder ainda maior do que aquele que inicialmente se manifestava. – falou Omega acumulando mais e mais energia e encarando-a sem pestanejar. – Até onde vai sua capacidade? - Loooogo, vou terr o prazzeeerrr de mostrrrarr... – ameaçou ela arreganhando os dentes.

Por um segundo, os olhos de Vampira se alongaram ainda mais e ela pode precipitar que os dedos apontados em direção a ela estavam prestes a fulminá-la. Saltou para o lado e grossa extensão daquele raio negro atravessou o seu caminho. A energia obscura varou todo o telhado e se dissipou mais adiante. Com um olhar cruel, Omega virou-se para todos os lados tentando identificar para onde a Vampira poderia ter fugido, mas mesmo nas mais funestas sombras daqueles becos, os resquícios da energia de Paola eram inexistentes. Subitamente, um som estranho e cadenciado parecia se aproximar de onde o vilão estava. Omega ergueu sua cabeça adiante, tentando captar a origem daqueles pequenos guinchos. De imediato, sentiu imensa sombra do perigo às suas costas e virou-se bruscamente. Foi nesse momento em que foi violentamente atacado por inúmeros morcegos que se chocaram contra sua armadura.

Lançado para trás, Omega se viu arrastado por metros adiante por aquelas criaturas noturnas. Elas mordiam sua armadura e arranhavam as brechas, algumas mais ousadas promovendo o sangramento de seu corpo. A dor era diminuta, mas a ira tomou posse do vilão e seus olhos manifestaram intenso brilho. De suas mãos, nova onda de energia negra se prolongou e avançou sobre os morcegos. Muitos quirópteros pareciam se desmanchar naquele ataque, mas boa parte deles salvou-se e num ponto mais distante se juntaram para dar a forma da mulher conhecida como Paola. Omega sequer teve tempo de se levantar. Paola saltou sobre seu corpo com suas garras imensas que mais lembravam as patas de uma ave de rapina sobre ele. Com um único golpe, atingiu sua face e fez o sangue inimigo jorrar aos caldos.

Omega se distanciou protegendo o seu rosto. Deu passos inseguros para trás e tocou com os dedos o seu rosto ensangüentado. O vermelho tingiu sua pele e ele sentia sua face arder. Aos poucos, um formigamento se alastrava e a ferida recente se fechou como se nunca ali estivesse estado. - Mulher Vampiro... – balbuciou o vilão com aspereza. – Aproveite o pouco momento de sorte que está tendo... Paola surgiu por detrás do vilão com suas garras em riste e o sangue inimigo escorrendo por elas. Voltou lentamente às unhas para sua boca e roçou a língua sobre elas, sentindo o gosto de seu triunfo. Com um sorriso macabro, ela voltou a desdenhar do vilão: - Não é dooos melhoreeees, mas ao menooos tem de fato o gooostooo de sangueeee... – disse Paola. – Sangueeee como todo mooortaaal...

Omega se ergueu estalando os músculos e pronto para novo choque contra Paola. Seu corpo partiu em direção a Vampira, que até então se mostrará tão hábil e veloz para escapar de seus ataques. Girou um dos braços, mas ela desviou-se e mais uma vez transpassou-o com as garras na altura do quadril, abrindo parcialmente a armadura negra. O inimigo de olhos verdes reluzentes caiu de joelhos, com os olhos vidrados e os dentes apertando fortemente os lábios. Agora, não passava de presa fácil e viu que a mulher-vampiro não perderia tempo. Num ágil ataque, a Vampira saltou por cima dele com um rasante e as garras à frente. Todavia, o vilão não se deu por vencido, e girou com toda a potência o braço, acertando com força de um titã a vampira Paola. Um golpe que mortal nenhum poderia sobreviver.

Um pequeno sinal de alerta se manifestou em um dos pontos nos monitores da sala de vigília. Na tela principal, um mapa de toda a mansão em três dimensões era retratado e todas as possíveis entradas eram representadas por um denso verde. Numa das portas, repentinamente um vermelho começou a piscar. - Mack!? – disse a Margot acessando o canal para falar com o blogueiro. – A porta dos fundos da Mansão foi aberta. - Estou a caminho. – disse o caçador de paranigmas. Tomando sua pistola automática nas mãos, Mack atravessou os inúmeros corredores daquele lugar até adentrar o compartimento de cargas, onde ergueu a pistola para frente e se chocou com o que viu: - Sandro? – disse o caçador. – Oh, Gódi! Essa é Enfys.
O bruxo surgia no corredor trazendo em seus braços o corpo já sem vida da jovem de cabelos negros que por tantos dias compartilhou o Caldeirão com ele. Sem dizer palavras, Sandro levava a jovem pelos corredores e acompanhado por Mack, chegaram até um dos muitos quartos daquela mansão. Sandro agachou-se e colocou Enfys sobre o leito, logo em seguida fechando os olhos numa prece silenciosa.

...:::CONTINUA LOGO ABAIXO:::...
Escrito por Coveiro ¤ às 18h41
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Pouco tempo depois, as portas daquele quarto voltaram a se abrir e de lá surgia o Observador e a Margot, ambos com olhos assombrados e juntando-se a eles com ainda mais dúvidas. - Oh, não! Eu sinto muito, Sandro! – falou Margot apertando as mãos. – E onde estão os demais? - Soldier também caiu... – falou o bruxo com pesar. – Mas antes que Omega o matasse, Peter Pan desapareceu com ele. Vim trazer minha amiga, e os demais tomaram diferentes rumos, Margot. Alguns estão à procura do Soldado e do nosso amigo Peter. Outros foram deter Paola enquanto ainda é tempo... - Paola...? – questionou o observador. - Ela foi contra Omega... – disse Sandro quase sem voz. - ...sozinha.

Um impacto violentíssimo, uma dor profunda se alastrando do peito ao pescoço, a vista escurecendo e o chão empoeirado de encontro ao seu rosto. A Vampira Paola tombou a alguns metros após ser surrada por um único golpe de Omega. Ela tentou se erguer, mas estava exaurida. Seus olhos abriram lentamente e viu a aproximação do inimigo; O vilão caminhava a passos curtos em direção a sua adversária caída. Parou a poucos metros dela, desferindo um longo e sinistro olhar. Inclinou-se até ela, tomando o seu corpo no chão e arqueando sua mão para trás firmando assim um outro mortífero soco. Todavia, minutos antes do golpe, sentiu seu braço se reter.

Os olhos de Omega moveram-se instintivamente para trás e ao puxar o braço, viu-se enovelado por um imenso membro de gosma amarelada. Mais adiante, viu que a origem daquele estranho tentáculo amarelo era oriunda do ser com o qual horas atrás se deparara no ataque da liga. Era a entidade disforme que na mente de suas mais recentes vítimas era identificada como sendo a Ameba. Ao lado da criatura amebóide, estava uma mulher de longos cabelos negros e olhar firme, apesar de seu rosto e corpo parecer seriamente comprometido. Vestida com uma armadura feminina celta, ainda que abatida, a conhecida deusa do Submundo, Rhiannon, ainda mantinha uma força resoluta no olhar. - Nossa conversa ainda não acabou, Omega! – falou Rhiannon erguendo um dedo ameaçador para o vilão. – E larga a mão da minha Tchu. - Você??? – disse o Omega com um som grotesco em sua voz.

O vilão se virou e girou o braço para o lado, tentando se livrar assim daquele pseudópode amarelo. Em resposta, a Ameba lançou mais um longo tentáculo agarrando parte de seu ombro e o outro braço. Omega urrou em resposta e partiu para cima das inimigas. De imediato, a Ameba cresceu em volume e saltou sobre o inimigo. Enlaçou-o e girou em sua máxima extensão sobre Omega, cobrindo-o completamente com a gosma amarelada. - Eu vou te fagocitar... Omegaaaaaa... – gritou a Ameba em meio ao combate que travava com o vilão. – Deusa.... Rhiannnonnnnn... Leva a Paola daqui... - Doc... digo, Ameba! – surpreendeu-se a deusa do Submundo. – E você? - Vai looogooo... – exigiu o ser amebóide com uma voz sofrida.

A Deusa Rhiannon desviou um último olhar em direção a sua companheira antes de partir dali com Paola em seus braços. De todas as lutas, aquela com a Ameba parecia ser a mais inusitada. O molde do corpo de Omega se contorcia por completo dentro daquela enorme gosma. Os braços e boca do vilão se remexiam por dentro daquela massa, mas nenhum som se propagava. Ainda assim, não havia dúvidas de quão tamanha era dor de Omega, visto seus gestos em agonia. Aquele pequeno embate enfrentado em um único lugar já se estendia por pouco mais que dez minutos, quando a massa amarela que encobria o corpo de Omega começou a tremelicar. Imediatamente, o corpo amarelo se fissurou em vários lugares, emanando dali intensa energia negra. Numa grande explosão, inúmeros pedaços da entidade que outrora fora a Ameba se espalharam por toda parte. Omega estava mais uma vez livre no mundo para terror de seus inimigos.

As portas de um templo esquecido foram repentinamente abertas e as areias avançaram para seu interior embaladas por uma estranha dança com o vento. Era já dia pleno, mas o sol não conseguia vencer por completo. Nuvens ainda pesadas se entrelaçavam no céu. Em seu interior, havia muita escuridão e as tochas iluminavam o único habitante de seu interior. No centro, com o corpo levemente curvado, um encapuzado permanecia estático. Uma de suas mãos tocava a testa, num sinal ritualístico. Permanecia em silêncio profundo meditando, até que uma negra sombra cresceu sobre ele. - Grande prazer sinto ao ver a senhora em minha morada... – disse o encapuzado –Lamento apenas ser em momento tão degradante. Saindo da penumbra que dominava boa parte do ambiente, a silhueta de uma mulher começou a tomar formas e revelou-se como uma senhora de uniforme arroxeado e máscara com pontas acima da cabeça, como as orelhas de um gato. Seu rosto ainda era incógnito, mas algo no ar denotava experiência.

- Você como eu observa tudo se movendo... – disse a mulher. – Vê como as coisas fluem... para onde tendem a ir. Sendo alguém fora deste mundo, mas que já visitara uma vez no passado, você leva vantagem... – a mulher virou-se para o lado e prosseguiu. – Eu também. Já pertenci a esse lugar antes, e o deixei... - Você pensa em um retorno? – quis saber o encapuzado. - Talvez. – disse a mulher. – No final de tudo, mas se acontecer isso... você já deve ter previsto. - Muitas coisas estão além do que as forças ocultas podem prever. – respondeu o desconhecido sob o capuz. – Outras... são inexoráveis. - Eu retornarei para meu lugar e aguardarei... – falou a mulher Como que um fantasma, ela deu alguns passos para trás sendo envolta por escuridão e sombras. Desapareceu por completo deixando o silêncio dominar o ambiente. Ao som único do crepitar das tochas, o encapuzado se ergueu e falou solenemente: - A roda dos eventos persiste em sua longa e inevitável trajetória. O véu que circunda esse mundo começa enfim a me fazer entender um pouco mais deste lugar. Um lugar inconstante... com novas leis... mágicas, físicas, psíquicas... Aqui, começos geram fins... mas fins também geram começos...
Próximo: Recomeços
Escrito por Coveiro ¤ às 18h39
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Crossing Blogs Saga Capítulo 25 – Novas Criações
A noite ainda remanescia os resquícios da última batalha, onde trovões e relâmpagos se faziam ouvir a aquela distância. Olhando para trás era possível enxergar a cidade, com suas imensas torres negras de concreto. Diferente dos demais dias, não mais havia luz por todos os cantos, pois a energia da maior parte havia caído. A maior metrópole dos Blogueiros não passava, portanto de uma mera maquete gigantesca e morta. O caminho que o jovem Peter Pan seguia levou-o até os confins mais ao norte, margeando uma estrada que poucos seguiam naqueles tempos. Aquele trecho, muito tempo antes, era onde se localizava a Antiga Clínica Online, agora abandonada e, segundo alguns, mal-assombrada. - Chegamos, meu amigo! – disse Peter em voz alta.

Em seus braços, estava um outro blogueiro, Soldier. Inconsciente após ser espancado quase até a morte por Omega, o Soldado fora salvo de última hora por seu amigo Peter, que depois de se afastar até chegar numa parte mais segura daquele mundo, lembrara desta Clínica abandonada. Certamente, teria boas chances de encontrar medicamentos, mesmo sendo este um antigo lugar para loucos. Sem nem mesmo diminuir o ritmo, Peter arrombou a porta principal e seguiu voando para os quartos na ala mais próxima do corredor. Olhou para os lados e encontrou um dos quartos abertos que parecia estar razoavelmente limpo. Pousou lentamente os pés no chão e seguiu com o amigo nos braços até o leito. Colocou-o sobre a cama, achou compressas para limpar e estacou o sangue das feridas abertas. - Agüenta, amigão! A gente vai sair dessa... vamos dar um jeito em tudo. Peter olhou para Soldier deitado na cama e mesmo após o incentivo, ele continuava estático. Parecia imerso numa catatonia profunda. O Menino do Pó engoliu seco. Começava a sentir o corpo cansado e as feridas arderem novamente. Andou lentamente até a parede, sentou-se de cócoras abraçando as pernas e fechou os olhos.

A vampira Paola tentava se colocar de pé após o último grande choque que a derrubara. Seus músculos ainda estavam duros e mal respondiam aos comandos de seu cérebro. Olhou para o lado e viu Sandro, Ameba, Renato e mais distante a deusa Rhiannon, todos caídos. Mais ao fundo, sentiu uma angústia ao ver o corpo sem vida de Enfys, sua amiga bruxa. Não lembrava direito o que tinha acontecido nos últimos instantes, mas ao voltar-se para frente percebeu que aquela luta ainda não acabara. Imensas criaturas macabras de diferentes tons de cores com garras pontiagudas e dentes escuros avançavam em sua direção. A mais próxima saltou para cima dela, mas antes que suas garras representassem alguma ameaça, o monstro foi ao chão. - Levanta, Paola! – falou com uma voz cavernosa o Coveiro Zé – Temos muitas cabeças para cortar aqui antes de ter a pausa para o descanso. - O que são essas coisas...? – perguntou Paola se levantando já com os punhos em riste. - Não reconhece? – disse o Coveiro Zé já girando sua pá para novo golpe. – Esses são aqueles alienígenas que o Soldier cria... só que numa versão modificada pelo próprio Omega. Ele deve ter roubado os dons de nosso amigo e... – Coveiro Zé golpeou mais uma criatura varando-lhe a cabeça. - ...não sei o que ele fez com o Soldier. E nem com o Peter Pan. – o terrível coveiro olhou para trás e terminou dizendo. – Mas agora não é o momento para perguntas. Mais duas aberrações avançaram e por reflexo a Vampira Paola se esquivou delas, para logo em seguida esmurrá-las com uma força descomunal. Uma outra vinha logo as suas costas, mas ao se virar para defender-se, Paola viu um enorme tentáculo amarelo se lançar contra o monstro e pô-lo no chão. Virou-se para trás e viu que a Ameba estava de pé e, aos poucos, os demais heróis da liga voltavam à consciência.

O grande oceano na negritude total da noite não permitia diferenciar o que era água e horizonte. Apenas uma única luz parecia sobressair-se por toda aquela imensidão, um facho saído de um archote pendurado no mastro do imenso cargueiro que momentos atrás entrará em combate com um Navio Pirata. Agora, o cargueiro seguia novo rumo e, ao invés de seguir para o norte rumo a terra do nunca, parecia tomar a direção oposta. No convés, mirando as ondas revoltas que se quebravam na quilha do navio, a mulher de cabelos negros e duas mechas vermelhas chamada Nane mantinha-se quieta. Atrás dela, se aproximavam um grupo de outros blogueiros compostos pelo homem de rosto parcialmente encoberto conhecido como o Nômade e outras três mulheres, Ly, Esoteric e Val. - Nada, Nane. – falou Jotapê. – Se ainda estava vivo, deve ter afundado. É impossível encontrá-lo agora. - Tudo bem, JP. – falou a moderadora sem olhar para trás. – Pode parar a busca. Já dei as ordens para retornamos ao continente. - E o pessoal da Ilha? – perguntou Lady Esoteric mais atrás. - Eles vão estar mais seguros que nós lá. Agora, vamos ter que voltar todas as nossas atenções para a raiz do mal. – a moderadora levou a mão até o Áudio e puxou o microfone. – Vou tentar me comunicar com a Margot.

Atravessando todo o mar e percorrendo quilômetros de distância além da costa, quase no centro da cidade dos Blogs, a Mansão dos moderadores parecia ser um dos poucos lugares abastecidos com energia. Na sala de vigília, Mack e o Observador retornavam com uma garrafa de café e perceberam que a Margot levantara de supetão da cadeira para acionar o áudio em outro computador. - É a Nane! – disse ela. – Nane, estamos ouvindo! - Margot? Tudo bem por aí!? – Perguntou a moderadora do outro lado. - Aqui na mansão tudo bem, Nane! – respondeu a dona do Bar Code. – Só que perdemos o contato com os outros assim que começou a luta da liga com Omega. Não sabemos de nada do que está acontecendo lá.

Escrito por Coveiro ¤ às 00h24
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- As descargas elétricas de Omega devem ter danificado os monitores ao redor. – sugeriu o Observador. - E vocês? – quis saber Mack. - Todos estão seguros na Terra do Nunca agora? - Sim. Tivemos um imprevisto, mas todos os barcos chegaram a salvo. O mocotó já nos mandou o aviso. – A voz de Nane parou por um instante. – Só que o Xis... - Nane? – Margot pareceu aflita. – Que tem o Xis? - Nós o perdemos, Margot... – disse Nane e isso fez todos na sala de Vigília emudecerem. – Eu estou voltando agora... Melhor explicar tudo pessoalmente.

O sinal de comunicação foi cortado e isso fez com que um silêncio momentâneo na sala parecesse durar toda a eternidade. Margot voltou-se para os dois outros blogueiros e apertou as mãos. O observador recostou-se num canto da parede e apontou para um dos computadores. - Tem alguém na garagem da Mansão. – falou o misterioso blogueiro. Margot olhou para o monitor e então começou a digitar no teclado os comandos que iriam abrir a imagem da câmera interna da garagem. Em poucos segundos, a tela principal revelou o ambiente escuro onde em meio a um amontoado de peças e ferramentas, estava o sábio amigo deles, Toleezinho. - Tolee?? – admirou-se Margot falando pelo microfone. – Pensávamos que você estava em seu quarto!! - Margot!? – exaltou-se o blogueiro surpreendido pela voz da amiga. – Ah, uma boa noite pra vocês. – Ele puxou os óculos escuros e diminuiu a intensidade do maçarico que tinha nas mãos. – Já é tarde, não? Desculpem a bagunça, mas é que fiquei fixado numa idéia aqui. Enquanto tentava entender a lógica do Omega, uma outra coisa me veio à mente. Lembrei de alguns testes que estava fazendo anteriormente com a Toleestina. Quando fui fazer o traje da Ameba, percebi que se submetido a uma quantidade mais exorbitante de calor, o meu polímero se rearranjava em nova configuração. Em prol de aumentar em mil vezes sua resistência, o material perde a elasticidade natural, tornando-se um plástico infinitamente duro, mas ainda assim leve... - E o que está fazendo, Tolee? – quis saber o Mack. - Eu não sei ainda, Mack. – Toleezinho sorriu como um bobo para a câmera. – Mas está saindo algo interessante. Eu peguei emprestado aqui algumas peças de um carro, da moto do Roger e de uns computadores... Acho que não tem problema, tem?

Em outra parte da cidade, em meio às ruas mais estreitas e becos mais escuros, andavam os três jovens blogueiros que ousadamente decidiram percorrer a abandonada Cidade dos Blogs com a intenção de descobrir um meio de derrotar Omega. O garoto de cabelos prateados, Roronoa Zoro ia à frente, com o peito erguido e olhar destemido. - Pessoal, eu... – falou a Vamp Girl, única menina entre as crianças. – Eu sei que pode parecer bobagem, mas tenho a impressão de estar sendo observada. Não é melhor a gente voltar para a mansão. - Isso, VampGirl, se a gente soubesse como voltar, né? – comentou o Legista John. - É claro que não vamos voltar! – respondeu Zoro olhando enviesado para trás. – Nos viemos aqui para achar a fraqueza de Omega e é isso que descobriremos. E parem de ficar tremendo todas às vezes que olham para trás! Nenhuma criatura neste mundo ousaria nos atacar... não, o espadachim Roronoa Zoro. E dito isso, o jovem blogueiro continuou seu caminho à frente e logo foi seguido pelos seus colegas de escola. Deixaram para trás o beco onde estavam e mal perceberam que atrás deles se formara uma grande sombra de pontas na cabeça e asas volumosas logo atrás.

No centro da cidade, as cabeças de criaturas demoníacas se avolumavam na rua próxima a praça principal. Junto delas, garras arrancadas e pedaços das aberrações se espalhavam por todas as partes. No centro da maioria dos corpos, estava agora o temível coveiro do Cemitério dos Blogs, Zé, sentado de cócoras e se apoiando em sua própria pá como um cavaleiro após uma sangrenta batalha. - Não deu para cansar muito! – ironizou o Coveiro Zé voltando-se para os demais companheiros.

A vampira Paola aproximou-se lentamente de seus companheiros e viu que todos aparentemente estavam fora de perigo. Sandro e Renato apresentavam contusões e cortes não muitos profundos e sua amiga Rhiannon apesar do violento ataque de Omega, parecia já recuperada. - Você está bem, Rhia? – perguntou ela. - To sim, Tchu! – respondeu a deusa do Submundo. – Minha armadura absorveu a maior parte dos golpes daquele maldito Omega. - Saímos vivos, mas nossas perdas foram grandiosas. – disse Sandro de joelhos ao lado do corpo de Enfys. - E continuamos sem saber nada sobre o destino de Soldier e Peter. – lembrou Renato. - Não agüento mais ver nossos amigos cair assim... - a vampira Paola cerrou duramente os punhos e baixou a cabeça. – Omega não saíra impunemente da próxima vez que eu encontrá-lo. – a ruiva líder da liga de blogueiros voltou-se para os demais. – Voltem para a Mansão!

Com essas últimas palavras, o corpo de Vampira repentinamente se desfez e ao invés da forma original de uma mulher, surgiram inúmeros morcegos que alçaram vôo conquistando o céu que começava a clarear com o nascer da nova manhã. - Não!! Paola, espera... – gritou Rhiannon e viu aquelas sombras voadoras sumirem no horizonte. Os gigantescos quirópteros cruzaram as muitas ruas da cidade, dobrando cada esquina e cruzando os muitos becos até que finalmente se depararam com seu alvo. Estava com o ser de armadura negra e olhos brilhantes bem à sua frente. Cruzaram seu caminho e se bandearam para suas costas, se aglomerando novamente no telhado de uma velha casa e reassumindo assim uma forma humana. Todavia, ao se virar, Omega surpreendeu-se ao encontrar não mais a mesma Vampira que liderava a liga, mas um ser com o rosto mais contorcido, olhos vazios demoníacos e imensas garras que pareciam cobertas de penas ao invés das duas mãos. - Oooomeeegaaa... – rugiu aquele ser que outrora fora uma bela ruiva. – Essstááá na hoooraaa de saberrrr porquê sooouuu o Seerrr Supremoooo...

Próximo: Vamp contra Omega, a mais macabra luta já vista aqui
Observação: Quero desejar aqui meus parabéns a dois blogueiros que fazem aniversário essa semana e são integrantes importantíssimos desta Saga. Margot e Toleezinho, felicidades a ambos!!
Escrito por Coveiro ¤ às 00h23
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