Bem vindos, viajantes, andarilhos e peregrinos, à estrada escura! Neste caminho, vocês encontrarão muitas das minhas histórias, algumas reais e outras elaboradas, todas elas presentes no meu estimado diário de viagem, a Lápide. Junte-se a jornada e divirtam-se em meio a esses mistérios.
Coveiro ¤X¤




Deste de 1999, a Paranigma vem sendo a logomarca que acompanha o coveiro em suas rotas virtuais. Entre elas, está a Lápide, o blog que comemora seu "Ano dois".

¤ 28-01-2004





Email para Coveiro ¤X¤:
coveirox@hotmail.com



O Portal PARANIGMA engloba sites e blogs no qual o autor criou ou participa. Se desejar adicionar alguns destes links em sua página, mande um email e um codigo será gerado em retorno.
Coveiro ¤X¤

Alguns dos selos:









Escritos Antigos:

- 01/05/2006 a 31/05/2006
- 01/04/2006 a 30/04/2006
- 01/03/2006 a 31/03/2006
- 01/02/2006 a 28/02/2006
- 01/01/2006 a 31/01/2006
- 01/12/2005 a 31/12/2005
- 01/11/2005 a 30/11/2005
- 01/10/2005 a 31/10/2005
- 01/09/2005 a 30/09/2005
- 01/08/2005 a 31/08/2005
- 01/07/2005 a 31/07/2005
- 01/06/2005 a 30/06/2005
- 01/05/2005 a 31/05/2005
- 01/04/2005 a 30/04/2005
- 01/03/2005 a 31/03/2005
- 01/02/2005 a 28/02/2005
- 01/01/2005 a 31/01/2005
- 01/12/2004 a 31/12/2004
- 01/11/2004 a 30/11/2004
- 01/10/2004 a 31/10/2004
- 01/09/2004 a 30/09/2004
- 01/08/2004 a 31/08/2004
- 01/07/2004 a 31/07/2004
- 01/06/2004 a 30/06/2004
- 01/05/2004 a 31/05/2004
- 01/04/2004 a 30/04/2004
- 01/03/2004 a 31/03/2004
- 01/02/2004 a 29/02/2004
- 01/01/2004 a 31/01/2004



Outros caminhos nessa estrada:

- As Beatas - by Chris
- A viajante - by Ly
- Bares - by Labell e Illusion
- Bar Code - Louge and Pub
- Cachorrão - by Rex
- Criaturas - Ébano Vs Vigia
- Impressões - by Aleixo
- Erva Venenosa - by Rhian
- Jardim Nada Secreto
- Caminhos de Hecate - by Lua
- Mocotó.Zip.Net
- Pura Lua - by Labell
- Os escolhidos
- Perigo Biológico - by Doc
- Folkblogr - by Enfys
- Professora Cristiane
- Raposa Vira Lata
- Tolee - La vie en Belgique
- Bla Bla Bla - by Paola





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O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil

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Peregrinos nessa Estrada :





viajando online


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Avantasia- "Chalice of Agony"

Agradecimentos a Labellaluna® por disponibilizar os MIDIS tocados na Lápide.


Layout por:

Coveiro ¤X¤
http://lapide.zip.net














ONDE ESTÁ O COVEIRO?

"Onde está o Coveiro X?!" Essa é umas das perguntas que mais ouço pelos arredores deste mundo virtual depois de eu ter publicado meu sumiço. "Existe previsões para ele voltar ao normal?" Pelo que parece, vai demorar e muito, mas ainda há esperanças de um retorno. Sim, sempre há...

Enquanto isso, foi proposto colocar nesse blog um pequeno selo, informado a qualquer um novato que chegasse sobre as novas condições que tiraram esse blog temporariamente de seu ritmo. Assim, estou mantendo "Em Sombras" até segunda ordem...


Enquanto isso, só para distrair os detetives que estão a minha procura, estive pensando em ressuscitar uma antiga brincadeira que já coloquei aqui uma vez. Os mais antigos leitores vão lembrar do Quiz por mim deixado no primeiro semestre deste ano. Resolvi, então, criar um outro sobre curiosidades do Coveiro e suas obras. Vamos as cinco perguntas a serem respondidas:

Qual o primeiro blogueiro que o Coveiro entrou em contato?
a) Godi - Paulo Maruca
b) Coveiro Zé - Fernando Ferric
c) Vamp - Paola Raia
d) Selina - Alessandra Garcia
e) Crítico dos Blogs - Identidade não conhecida

Entre os poucos contos que o coveiro disponibilizou online, um animal parece se repetir com frequência. Qual é?
a) Baleia
b) Gato
c) Coruja
d) Raposa
e) Tartaruga

Em que dia foi inaugurada a Paranigma, primeira homepage de fato lançada ao ar pelo Coveiro em 1999?
a) 28 de Janeiro
b) 21 de abril
c) 28 de Julho
d) 19 de Novembro
e) 29 de Fevereiro

Apesar de Coveiro, no ano passado, o autor deste blog se fantasiou de outro personagem. Qual foi??
a) Papai Noel
b) Homem Aranha
c) Jason Vorhees
d) Palhaço
e) Telletubbie Amarelo Elfico xXx

Qual a música que toca no celular do Coveiro?
a) The Number of the beast - Iron Maiden
b) Fairy Tale - Shaman
c) Another Day in Paradise - Phil Collins
d) O Fortuna - Carmira Burana
e) A dança do morto muito louco. - Bonde do Tigrão.

Bom, essa só é para distrair e não deixar de falar um pouco com vocês. Estou de fato com problemas e cada vez ficará dificil para postar. Se eu sumir por mais tempo que eu previa, não se assustem. A pergunta que não quer calar continuará...

"Onde Está o Coveiro?"


PS: Respostas comentadas na proxima semana!!! Espero em breve trazer algo de bom pra vocês!!!



 Escrito por Coveiro ¤ às 01h33
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In Memórian – Alguns minutos de lembrança

 

Imagine você repentinamente acordar sem nunca ter dormido, ainda de pé e com a cabeça confusa. Você se vira para as pessoas ao seu redor, todas reconhecíveis. São seus amigos e seus parentes, olhando preocupados para você e perguntando como você está. Você responde que está tudo bem e, então, tenta voltar sua memória para os últimos eventos. Força a mente, mas nada chega. Tudo que foi recente parece ter sido apagado. Você sente-se inútil e fica como um tonto olhando para todos. Passa algum tempo e, então, tem a impressão novamente de ter acabado de acordar e não lembra sequer dos últimos dez minutos em que se questionava sobre isso.

Essa cena bem que poderia ser parte do filme “Amnésia” de Christopher Nolan, mas se tornou bem real em um único dia da minha vida e que aconteceu quase dez anos depois do longa-metragem ter sido lançado. Bom, o que vou relatar aqui, eu não sei como aconteceu e é baseado apenas no que meu amigos e meu primo contaram. Verdade ou mentira, eu sou a última pessoa a poder garantir.

Toda a história começou quando eu estava sozinho em casa e decidi descer para o pilotis do meu prédio. Lá encontrei meu primo Dudu junto com meus amigos vizinhos e como todas as tardes começamos a brincar. Em algum momento, segundo relata meu primo, eu e ele decidimos “disputar” algo que levou ao início de uma pequena briga “fingida”. Em dado momento, no confronto, meu primo acabou que por me empurrar violentamente levando-me ao chão e batendo com a cabeça. Quase que num movimento involuntário, me ergui de imediato e parti para golpeá-lo de volta. Todavia, nem chego a finalizar o soco, pois perdi meus sentidos e caí no chão.

Quando voltei a despertar, já estava em meu apartamento com meu primo e amigos meio que aliviados por me verem acordado. Não lembrava de nada segundo me disseram e para não me manter sozinho, pediram para ficar lá jogando videogame ou vendo T.V. na minha casa. Cedi facilmente e eles fizeram uma pequena algazarra lá. Estranhamente, começaram a notar que eu sempre voltava a me questionar o que tinha acontecido e porque não lembrava de nada. Eles meio que olharam atravessados, mas vendo minha repentina bondade em deixá-los jogando e lanchando na minha casa, preferiram ficar quietos.

Já era por volta das cinco da tarde quando o último deles se despediu e eu, ciente, de que estava lembrando de nada, deixei a porta de casa aberta esperando a chegada de minha família. Pelo que me disseram, foi por volta das seis que chega minha mãe e, avisada pelo mais novo garoto do prédio, me encontra naquele estado no sofá da frente do apartamento. Não lembro desses eventos, mas desde que ela chegara, soube que meu tio viera me examinar e já estavam me programando para visitar um médico, quando finalmente meu pai surge em casa por volta das nove e meia da noite.

- Recebi o dinheiro para pagar sua mesada. – diz ele sem estar por dentro dos acontecimentos ainda.

Todavia, não sei se foi sua chegada ou suas palavras mágicas, minha consciência se restabeleceu por completo dali por diante. Fui até ele sorridente e aos olhos de minha mãe eu tinha o olhar normal novamente. A noite passou-se mais sossegada e somente na manhã seguinte, meu primo aparece no meu apartamento cheio de suas suspeitas.

- Como é que você está? – perguntou-me ele.

- Hoje eu estou melhor! Mas de ontem não lembro nada... – falei.

- Mesmo? – disse ele com um ar maroto e mais tranqüilo.

- É... – falei olhando-o de lado. – Sorte sua! – disse brincando.

 

Fim

 

Ainda em Sombras...

Qualquer dia desses... um dia qualquer eu volto com um novo post...



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h48
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Páginas Negras: O Caído

 

Calma, calma, calma!! Algumas pessoas se assustaram com as últimas linhas que coloquei no final do último capítulo da saga, mas não achem que é o fim. Bem, não ainda. Não vou abandonar vocês definitivamente! Não vou apagar meu blog! Não vou pular da ponte! Acho que qualquer atitude destas seria exacerbada demais para ser tomada.

 

Bom, a verdade é que como vinha contando para alguns, estou numa fase meia criptica da pós-graduação e para piorar, venho num combate acirrado com as leis de Murphy em meus experimentos. Isso vem me tomando cada vez mais de meu tempo, o que no final leva-me a atrasar os posts, não visitar os amigos daqui e nem mesmo responder aos comentários. Aos poucos, comecei a ver que estava não só impossibilitado de manter a Lápide em dia, como também começava a me estressar com ela. Isso, a qualquer momento, teria que me forçar a tomar uma decisão drástica.

 

Pois bem, nos últimos dias, tive alguns revezes que me comprometeram ainda mais no mestrado. O resultado disso vem me deixando angustiado nesse tempo, de tal forma que mesmo tendo o tempo livre não estava conseguindo ter o mesmo gosto para escrever. Assim, vi que só haveria uma maneira de tudo se encaixar e eu voltar a me equilibrar. Obviamente, isso envolveria meus blogs.

 

 

 

Infelizmente, a Lápide terá que ser deixada para segundo plano. Espero não deixar ela morrer e por isso prevejo ainda postar durante os fins de semana e um outro dia da semana quando eu esteja bem. Gostaria muito de prometer que existiria ao menos um capítulo da saga por semana, mas provavelmente iria falhar em breve. A Saga , seus textos e imagens, me tomam um tempo muito grande e como em  algumas semanas estarei trabalhando nos sábados e domingos e isso se tornará inviável. Os demais posts como In Memorian, Páginas Negras e Bastidores são relativamente mais simples e certamente aparecerão sempre que eu quiser gastar um pouco de meu tempinho para me distrair neles. Enfim, a partir de hoje, a Lápide entra meio que num balanço sem previsão por meses de voltar a ter aquela rotina fiel na qual sou viciado.

 

Decidi tomar algumas decisões diferentes para o BlogTown. Até o Peter Pan chegar, a Rhiannon será a diretora principal da cidade. Estarei nas sombras apenas ajudando com conselhos e fazendo algumas edições de imagens. Junto com ela, estamos chamando os primeiros colunistas convidados e entre eles estão o JP, Mocotó e o Toleezinho. Estou só aguardando os acertos contratuais para me tranqüilizar mais. Claro que estarei sempre por perto e vez ou outra teremos uma coluna minha ou uma participação num debate.

 

Quanto ao Criaturas, eu estou apostando mais das minhas fichas. É de assustar?! Bem, confesso que desde que reconstruí aquele lugar, me apeguei de um jeito diferente e quando quero me distrair, basta brincar um pouco com o Ébano e Vigia para sorrir. A vantagem é que seus posts são curtos e animados, sendo tudo o que eu preciso nessas fases ruins.

 

Espero que compreendam essas minhas decisões. Portanto, até qualquer momento! Quando sair mais um capítulo da saga, os bastidores do crítico ou mais uma das minhas histórias contadas no In Memorian.

 

Mesmo quando não me encontrarem aqui, saibam que estarei nas sombras, observando com carinho todos vocês.

 

Sombras...

 

Coveiro

 

“Antes de haver um X, havia um Coveiro”

 



 Escrito por Coveiro ¤ às 21h37
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 21 – Dois lados de uma história

    Nada mais que escombros e pó suspenso no ar. Era isso que mostrava os monitores os monitores da sala de vigilância dos Moderadores. Há minutos atrás ali era um hospital que servia de abrigo para blogueiros desabrigados, agora eram as ruínas onde outrora ocorrera a última luta contra Omega. Agilmente com os dedos no teclado, Margot jogava alguns mapas na tela e outras informações.
   - Nada de Omega! Nada de Nane e do Xis! – falava ela enquanto analisava tudo.
   - Tem que achar meu irmão, Margot! – reclamou Rhiannon. – Ele tem que estar em algum lugar... não pode... não podem....
   - Rhian quer se acalmar?! – retrucou Vamp pondo a mão na cabeça. – Eu já estou nervosa por demais.

    Rhiannon olhou atravessado para a amiga, mas decidiu se aquietar. Vampira voltou-se para os monitores e ponderou por alguns instantes, até que decidiu que decisão tomar.
   - Vamos buscar as pessoas que estavam no hospital! – disse ela. – E vamos fazer como a Nane pediu. Vamos reunir todos no porto e de lá encaminhá-los para a Terra do Nunca.

    Foram poucas as vezes que eu escutei aquele tom de voz, pedante e cheio de malícia nas palavras.  Depois de seus ataques contra o cemitério dos Blogs e articulando o desaparecimento de Gódi, a última vez que o vi ele foi o responsável por uma explosão que me levou a um coma por vários dias. De todos os nossos inimigos, o Crítico dos Blogs foi o que se mostrou o mais determinado em nosso fim. Naquele dia, no entanto, fora ele o responsável por nos resgatar contra o desabamento nos hospital e seus motivos para isso eram alheios a mim até então.
    - Então, surgiu finalmente uma ameaça capaz de finalmente por fim ao grupinho de patéticos blogueiros. – dizia ele certamente com um sorriso escondido sobre a máscara. – Eu não poderia esperar algo tão súbito. Confesso que estou ainda sem uma opinião definida e não sei se o mal trazido por Omega é ou não de meu interesse.
   - Porque nós trouxe até aqui?! – replicou Nane ainda tonta se levantando do chão. – Se nós odeia tanto, porque nos salvou?.
   - Moderadora, moderadora... – ironizou o mascarado meneando a sua cabeça. – Eu acho que merecia um agradecimento ao invés de sua rispidez. Você sempre orgulhosa. Não vê que esse sentimento é infrutífero e foi ele que levou o seu parceiro a morte.
   - Maldito, não fale do Roger assim... – Nane pretendia avançar no vilão, mas segurei seu braço impedindo-a.
   O Crítico dos Blogs gargalhou e deu as costas para nós, se dirigindo para a imensa parede cheia de monitores. Lá, começou a mostrar imagens de pessoas tomando ônibus, carros e esvaziando prédios.
   - Ora, ora, parece-me que a evacuação da cidade já começou! – comentou o Crítico virando parcialmente a cabeça até nós e erguendo a ponta de seu dedo promovendo assim um ponto de pouso para uma de suas borboletas-espiãs. – Neste momento, estão todos fugindo da cidade como ratos antes que o Omega novamente aparece promovendo a sua pequena dança do caos.

    No pátio a frente da Mansão dos Moderadores,  cinco ônibus estacionados abriram suas portas permitindo assim a entrada dos desabrigados daquela mansão. Aleixo, Aninha, Mariam e muitos outros arrastavam as suas malas com poucos pertences e tomavam o lugar em suas poltronas. Um pouco mais afastada dos demais, a jovem viajante de cabelos loiros andava cabisbaixa pelo jardim da mansão.
    Repentinamente, ela foi surpreendida por uma sombra ainda maior que a sua se aproximando por trás. Voltou os olhos esbugalhados para trás e ali topou com o seu amigo Soldier. Aliviada, ela suspirou fundo e esfregou os dedos nos olhos, como que enxugando uma repentina lágrima.
    - Porque será que tudo isso aconteceu de repente! Parece... parece... um sonho ruim– falou a viajante com a voz embargada. – Eu não quero ir... não quero me afastar de vocês... Tenho medo de... perder...
    - Ly, você tem que ir com os outros. Não podemos dar tudo de nós contra Omega se ainda existir alguns de nós correndo riscos aqui. – falou o Soldier pondo a mão na cabeça dela. – Tenha fé e tudo acabará bem.
    - Eu tento ter... – falou a viajante baixando a cabeça. – Mas estou com medo...

    Enquanto isso, no meio as muitas pessoas que se abarrotavam para conseguir uma poltrona num dos ônibus, descia pelas escadas uma mulher de cabelos na altura dos ombros, trajando uma longa túnica azul com um medalhão vermelho pendurado em seu  pescoço. Aquela era Lua Negra, a Sacerdotisa do templo de Hécate e uma das bruxas que faziam parte do caldeirão. Seu rosto geralmente sereno, desta vez revelava traços preocupantes.
   - Vamp, preciso falar com você um minuto! – disse a bruxa com um olhar firme. – É sobre os meninos.
   - O que têm eles? – perguntou a vampira.
   - Eles sumiram. – falou Lua Negra sem muitos rodeios. – Pelo que conheço eles, acho que fugiram... queriam estar por perto quando a batalha começar.
   - Ai, não! Mais essa agora! – falou Vamp contrafeita.
   - Me desculpe, mas eu não vou embarcar sem o meu menino. – avisou a sacerdotisa com segurança. – Vou ficar com vocês até encontrá-los.

    Já era por volta das três da tarde quando, três pequenas sombras cruzavam as ruas já desertas da Cidade dos Blogs. À frente de todos, seguia o de espírito mais determinado entre eles. Rororoa Zoro, o filho da Lua Negra, era um jovem de cabelos prateados e longos e que desde cedo se mostrava hábil espadachim. Atrás dele, seguia a jovem garota de cabelos negros conhecida como a Vampira mirim. Por fim, terminando aquela fila indiana, o jovem suposto filho do Coveiro Zé, Legista John arrastava seu longo Jaleco.
   - Bom, se vamos tentar derrotar o Omega, deveríamos ao menos saber onde ele está, né?! – reclamou John. – Estamos andando faz horas e já estou cansado.
   - E eu estou com fome, pessoal. – comentou a jovem vampirinha.
   - Querem parar de reclamar nos meus ouvidos? – falou Zoro. – Temos que tomar cuidado para não pegarem a gente por aqui, senão vão querer nos forçar a ir para o navio. E eu não quero sair correndo daqui. Deve haver um jeito de derrotar esse Omega... e se ele existir, eu descobrirei.



 Escrito por Coveiro ¤ às 15h13
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    Era admirável ver o sistema de observação do Crítico dos Blogs. Diferente do que acontecia na sala de vigilância dos Moderadores, as imagens mostradas pelos monitores do crítico eram móveis capazes de perseguir com moderada inteligência qualquer ponto de seu interesse. Nas centenas de monitores, era possível ver caminhões e grandes ônibus atravessando estradas enquanto que outros veículos já se colocaram às margens da enorme costa onde residia o maior porto daquele Mundo.
    Por um longo tempo, o Crítico dos Blogs deu às costas para mim e a Nane pareceu estudar com frieza toda aquela evacuação. Após esse intervalo, sua voz voltou a soar pelo salão:
    - Acho que a sensação que estais sentindo agora deve ser a mesma que a de uma mãe perdendo um filho, não é, minha querida Nane?! – falou o Crítico desta vez aparentando nenhuma ironia. – Sei como você é, escondendo suas lágrimas para manter um rosto firme.
    - Porque você fala como se tivéssemos nos conhecido antes? – questionou a Moderadora ainda com os braços presos por minhas mãos.
    - Ora, Moderadora, porque eu conheço bem cada um de vocês, venho observando-o cada um de vocês a meses, sei como são, o que comem, como pensam... – respondeu o Crítico de imediato. – Mas se possui alguma impressão de que eu e você nos conhecemos antes disso, só posso dizer que sua intuição ainda é tão boa quanto antes.

   - Quem é você?! –gritou Nane. – Qual sua intenção nisso tudo? O que ganha com isso?
   - As respostas para essas suas perguntas não surgirão agora, Moderadora. – disse calmamente o Crítico ainda de costas para nós dois. – Hoje, não é o momento para isso. Hoje, há uma cidade para ser salva e pessoas para proteger...
   - Eu não pensei que se importasse com isso? – ousei falar depois de tanto tempo.
   - Isso prova como sempre foram incapazes de me compreender, Coveiro Júnior. – disse o Crítico voltando-se para trás. – A cidade e os cidadãos deste lugar não têm o porquê de temer a mim. Toda o meu empenho desde que ressurgir foi apenas para livrar estes blogueiros da influência do grupo ao qual vocês pertencem. Neste momento, apenas neste momento, eu proponho uma pequena trégua em prol do bem maior da Cidade dos Blogs.
   - O quê? – Admirou-se a Moderadora.
   O Crítico riu com deleite com a admiração da Moderadora.
   - Depois de todas as chances que teve em nos derrotar, quando finalmente nós tem como prisioneiros você decide um acordo de paz? – perguntou a moderadora admirada.
   - Estamos livres, então? – perguntei tentando reafirmar as palavras do Crítico.
   - Desde que os coloquei aqui, sempre estiveram. – falou o Crítico erguendo um dos braços e apontando para a parede. – O caminho de vocês é livre.
    A moderadora Nane tornou os olhos admirados para mim e eu devia aparentar igual surpresa para com ela. Era impossível conceber o que passava na cabeça daquele mascarado, mas se aquela oportunidade nos foi dado, não iríamos deixá-la de lado. Ao lado dela, segui em frente rumo a uma das paredes do imenso salão do Crítico dos Blogs e sem hesitar cruzamos a parede.

    Em frações de segundos, como que por mágica, eu e a moderadora Nane chegamos a milhas de distância de onde estávamos. Sentimos nossos pés afundando na areia e o sol da tarde ofuscando a nossas vistas. O lugar para onde aquela passagem da fortaleza docrítico nos levara era os portos, onde se reuniam naquele dia todos os blogueiros da cidade.
    - Nane?! Coveiro!?!? – admirou-se a Vampira assim que nos viu cruzando até a praia através de uma fenda que se abrira no nada. –De onde vocês vieram?
    - É uma longa história, Vamp. – falou Nane.
    - Eu já estava preocupada... – falou Paola se aproximando – Estava começando a pensar que tinham morrido soterrados nos destroços do hospital como... o Roger.
    A moderadora Nane desviou o rosto, talvez tentando desta maneira tirar aquele último pensamento de sua cabeça. Avançou para mais perto do pessoal que começava a tomar seus lugares nos barcos e, então, virou-se para a Vampira.
    - Quando começam a zarpar? – perguntou a moderadora.
    - A primeira grande leva de barcos já está para sair, Nane. – falou Vamp. – Alguns blogueiros vão ter que esperar os barqueiros retornarem.
    Repentinamente, alguns blogueiros mais distantes observaram a minha presença e a da moderadora e vieram correndo. A Ly foi uma das primeiras a chegar correndo com um sorriso de orelha a orelha, mas logo ficou ressabiada se deveria ou não me abraçar. Brinquei com ela e também abracei minha irmã, Rhiannon. Junto com eles também vieram a Val, Soldier e o nômade John Paul.
    Enquanto celebravam a nossa sobrevivência e a Nane explicava como conseguimos sair vivos do hospital demolido, o comunicador que estava com a Vampira começou a bipar. Ela olhou rapidamente para o equipamento e depois ligou o canal de áudio.

   - Estou aqui, Margot! Pode falar! – disse Paola.
   - Vamp? – falou Margot, que ainda se localizava na Mansão. – O Toleezinho, Mack e o Observador acabaram de chegar. Parece que conseguiram algumas informações interessantes.
   - Que bom! – falou a Vampira e transmitiu o recado para os que estavam ao seu lado.
   - Mas não é só isso, Vamp! – voltou a falar a proprietária do bar code com uma voz mais pesarosa. – Surgiu um novo ponto de abalo na cidade. Omega está atacando de novo e acho que quando ele perceber que a cidade está vazia, não vai ficar nada satisfeito.
   - Ai... Okay! Obrigada, Margot! – Vamp desligou o seu comunicador e dirigiu-se aos demais. – Pessoal, o Omega voltou.
   - Bem, então temos que agir agora. – falou Nane. – Não quero correr o risco de ele descobrir nossos planos. Vampira, quero que você junto com a Rhian e o Soldier liderem o ataque contra Omega.

   - Eu?! Mas eu pensei que você... – disse Paola absorta.
   - Eu tenho que proteger a cidade... acima de tudo os blogueiros que fazem parte dela. Até que estejam em segurança na Terra do Nunca, estarei com eles. Vou pedir para o Jotapê e o Xis virem comigo... espero que não tenhamos nenhum obstáculo no meio do caminho.
   - Pode deixar, Nane. – intrometeu-se Rhiannon. – A gente vai segurar o Omega aqui para garantir a cobertura de vocês. Boa sorte e uma boa viagem pra vocês.
   - Obrigado, Rhiannon! – falou Nane. – Sorte é tudo o que nós precisamos.

Próximo: A liga vs Omega.
Atenção: Por motivos que explicarei em breve, a Saga será descontinuada e a Lápide assim como meus outros blogs sofreram uma redução nas atualizações. Espero que compreendam.



 Escrito por Coveiro ¤ às 15h12
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Bastidores de uma Saga:
Personae Dramaticae – Coveiro Zé.

     Em meu primeiro mês de blog, o meu caminho pela estrada escura ainda era muito solitário e eu não pretendia ainda compartilhar as notas de meu diário com ninguém que não fosse algum amigo já conhecido meu. A lápide provavelmente continuaria assim, desconhecida, se eu não tivesse topado com um lugar chamado Cemitério dos Blogs no meio de minha jornada. Curioso, descobri que ali residia um ser que muitos temiam. Seu nome era Coveiro Zé e o seu intuito era enterrar blogs que ele considerava serem de péssima qualidade.
     Como relatei em meu primeiro Crossing-Blogs no dia 28 de fevereiro de 2004, antes de adicionar o contato do Zé ao meu ICQ, ponderei muito e relembrei de todos os meus antigos encontros com Coveiros. Geralmente, coveiros possuem um ego por demais elevado, não gostam de ver um colega por perto e quando acontece, costumam brigar até que um desista de sua condição. Sim, é algo meio insano, parecido com “Highlander”, onde acham que só pode existir apenas um no final. Portanto, meu histórico em MSNs, mIRC e Salas de Bate Papo me prevenia que um encontro com o tal Zé seria mortífero.
     Pois bem, assim que entramos pela primeira vez em contato, tivemos um momento breve onde nos estranhamos, um ponderando a ação do outro até que por fim começamos a comentar sobre os blogs. Mostrei-lhe as páginas da Lápide, comentei sobre o Criaturas e, então, recebi um elogio do pavoroso ser dos Blogs. “Seus blogs são bons, não irei enterrá-los” disse-me e, então, suspirei aliviado.

 Primeira concepção artística do Coveiro Zé na Lapide.

    Daí, criei o primeiro Crossing Blogs e a partir dele começaram todos os outros. Foi assim que fui conhecendo cada pessoal. Alguns meses depois, voltei com o personagem do Zé para a Lápide e continuei algumas histórias que em breve acabariam aqui, numa grande Saga. Enquanto isso, o Coveiro Zé continuava o seu trabalho sempre polêmico de enterrar os blogs, o que arrastava multidões diárias até o cemtério, alguns a favor e outros contra.
    Ao adaptar para os Crossing Blogs o personagem do terrível Coveiro, eu não precisei articular muito de minha imaginação. O próprio autor destinava tanto em seu blog como no MSN características bastante peculiares ao seu personagem. Fisicamente, o Coveiro e seu criador parecem-se bastantes. Carecas, baixinhos e com o cavanhaque destacável, ambos foram retratados sempre com roupas escuras e um capote longo que se arrastava no chão. Ao seu lado, uma pá, a famosa pá, que vivia sempre “afiada” para detonar as suas vítimas.
     Em termos de personalidade, eu tentei imprimir ao Zé algo que se aproximasse mais do estilo “Logan”, sempre de pavio curto, tentando resolver as coisas com uma tacada só e indiferente aos que os outros achavam dele. Claro que essa característica foi estereotipada ao meu gosto e a pessoa por trás do Zé só poderia ser realmente aqui definida por alguém que o conhecia na realidade como a minha irmã Rhiannon, o Gódi ou a Selina. Ainda assim, pelo contato que tivemos no MSN, notava que acima de tudo, o Coveiro Zé foi uma criação muito querida do Fernando, que apesar de todas as adversidades sempre manteve o Cemitério dos Blogs firme.
     Nas histórias de meu Crossing Blogs, assim que coloquei ares físicos ao lugar, destinei ao cemitério dos Blogs um lugar distante da cidade, um terreno grande e tenebroso, que abarcaria não só as vítimas passadas do Zé como todas as que viriam. Seria um lugar temido por muitos, onde ouviriam as horrendas histórias do lugar e gelariam temendo que o mesmo acontecesse com seus blogs. Também era um lugar odiado, pois aquele era polêmico e sempre existiriam religiosos ou contrafeitos nos arredores dos muros do cemitério fazendo oposição.
     E lá dentro, envolto na penumbra que se formava entre um mausoléu e outro, estaria o tal Coveiro com um riso diabólico, que  com o tempo deixaria de ser um tanto humano e se tornaria uma entidade, uma lenda. De boca em boca, sua história seria contada e aterrorizaria não só as criancinhas, mas seus pais também. E todas as vezes que  a noite tivesse com um ar doentio, a lua obscurecida por nuvens e nosso coração palpitasse mais forte sem motivos, a nossa mente começaria a ouvir um canto fugaz no vento:

 “Vamos cavar... Vamos cavar... Vamos cavar... Pra mais um blog enterrar...”

 Concepção artística do Coveiro Zé, por Sétimo.

 Concepção artística do Coveiro Zé, por Coveiro Xis.

 Próximo Bastidores: Crítico dos Blogs
 Domingo: Capítulo 21 da Saga
 Leia Abaixo: Meu comentário sobre o fim do Cemitério.



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h52
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Post Scriptium – Comentário sobre os últimos eventos no Cemitério dos Blogs.

            

            Assim como vem acontecendo com muitos, vi mais um dos colegas do caldeirão e, portanto, personagem que compõe minha saga, não só parar como apagar todo o seu diário virtual. É como pesar, como membro desta comunidade que dividi com o Zé desde o começo, ver mais uma história desaparecer literalmente com um clique de botão. Não sou tão onisciente como antes, mas pelo que chegou até mim, tudo começou com o último enterro, em que acabou acontecendo um tipo de cisma entre amigos do Zé após ser enterrado um blogueiro igualmente cheio de fãs. Até mesmo eu acabei sendo atacado aqui na lápide sem nem mesmo estar por dentro da história e alguns chegaram até mim pedindo-me uma opinião. Pois bem, reservei um espaço aqui para isso.

O Cemiterio dos blogs sempre foi um “Destruction Derby”, uma daquelas arenas onde se coloca um carro para ser destruído e a platéia delirar. Obviamente, tudo é bastante divertido até que chega o dia em que você pode ver o seu carro lá. Portanto, aquele era de fato um lugar onde seria preciso ser muito espirituoso para trabalhar com os dois lados da brincadeira, afinal ninguém gosta de ser o menino gordinho e de óculos que apanha sempre.  E o que aconteceu no cemitério esses dias foi que alguns de seus netespectadores se viram no papel de caça.

Todavia, foi isso sempre o que aconteceu. Sim, sempre houve o lado apredejado, mas de maneira alguma a brincadeira se estendeu para além dos blogs. Disso, tenho certeza absoluta como acompanhante do cemitério desde o seu começo. Nesta semana, no entanto, a intriga que começou com blogs alcançou os visitantes, dos visitantes foi até os autores e, por fim, dos autores chegou até a vida pessoal e atingiu pessoas ao redor do velho Coveiro. Cheguei um pouco atrasado para analisar tudo e vi ali algumas coisas espalhadas por outros que me amortecem. Muitas das coisas que li, eu me recuso a acreditar que sejam verídicas e ao conversar com pessoas que conviveram pessoalmente com Zé, elas me confirmam essa extrapolação dos fatos. Como dizem por aí, o melhor jeito de fazer alguém engolir uma mentira é colocá-la entre duas verdades. Portanto, eu ainda sou daqueles que pondero muito antes de publicar algo por aí, principalmente sem fatos analisáveis.

Imagino que os eventos que tenham ocasionado isso acabaram que por penalizar mais do que alguns imaginam o Zé. Destrutivo e polêmico, o cemitério ainda assim não passava de um blog, a diversão pessoal de seu autor. Estendendo para a comunidade, poderíamos até dizer que era um Mal necessário nesta tão bárbaro Mundo virtual. Era algo tão crucial que eu acreditava que o Zé seria o último de nós a deixar esse lugar, porém, para minha surpresa chegou um dia em que o cemitério dos blogs amanheceu destruído. Se um dia ele pode ser reerguido, só uma pessoa tem essa resposta e não sou eu.

A mim, resta mais uma vez olhar magoado para as minhas antigas histórias deste blog e ver que mais um dos meus links terminou vazio. Bom, vou juntando o pouco da tralha que me resta e continuando por essa estrada, cada vez mais vazia até que chegue o meu dia.

 

Sombras...

 

Obs: Sandro e os demais, espero ter respondido parte de sua pergunta. O resto terei que informar num outro post a ser publicado na terça-feira.



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h45
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 20 – Campeões também caem

     Nós já havíamos terminado a nossa conversa com Electra, que ainda estava com sua mente nebulosa e cheia de peças mal encaixadas depois do ataque de Omega. Nane informou a Lady Esoteric sobre os nossos planos de evacuar toda a população da Cidade dos Blogs para a Terra do Nunca. Pediu, então, a consultora mística que levasse a nossa debilitada deusa dos raios até os portos em segurança, para que lá fosse encaminhada até um dos navios. Foi justamente na nossa despedida que Nane recebeu um sinal em seu áudio.
    - Paola?! Pode falar! – disse Nane aumentando o volume.
    Vi, então, o rosto da moderadora passar da calma comum para a tensão. Sua testa contraiu-se, a as sobrancelhas arquearam e, por fim, ela voltou novamente a falar.
    - Como é que é?! – disse ela em revolta. – Não! Eu vou lá agora mesmo!! Veja se consegue adiantar a evacuação da cidade.
     E tirou o microfone e o fone de ouvido, finalizando o contato com a Mansão.
     - O que houve, Nane? – perguntei.
     - Omega atacou um dos Hospitais que estava servindo de abrigo. – falou ela batendo os dentes. – E o Rô foi sozinho enfrentar ele.

     As portas do Hospital se romperam e uma multidão de doentes, enfermeiros, médicos e feridos sendo carregados correu pelo pátio se espalhando pelas ruas da cidade. Em questão de minutos, os corredores do hospital estavam quase que completamente vazios, com a única presença de dois inimigos prestes a iniciar um combate.
    - Guardião da Cidade... Eu enfrentei seu Deus e ele não me derrotou... – dizia Omega com perversidade em suas palavras. – Acha mesmo que é capaz de ser uma oposição a mim?
    Com passos calmos e seguros, Omega se aproximava lentamente de Roger. Seu corpo que fora a poucos minutos alvejado por balas parecia agora imaculado. Onde antes havia furos profundos, existia agora apenas a mesma pele reconstituída. Sequer havia cicatrizes em seu corpo. Do ataque, só os buracos em sua roupa persistiam.
    - Eu quero ter o poder... quero que me traga aqueles que chamam de escolhidos... quem é o verdadeiro...– quis saber Omega agora abrindo as mãos e voltando a energizá-las com a eletricidade. – ...o que ele fará?
    - Eu não vim aqui para dar respostas a você! – falou Roger. – E não tenho medo de suas ameaças. Hoje, eu vou ter meu troco, cara, nem que eu esgote toda a minha munição.
    Rogério, então, estendeu as suas duas armas para frente e dedilhou os gatilhos com força.  O cano estourava a cada minuto e uma saraivada de projeteis atingiu Omega, lançando o para trás.

    Caído, Omega logo desferiu sua resposta e ergueu suas mãos projetando novamente um feixe de raios que destruiu tudo o que havia à sua frente. Cadeiras, leitos e máquinas foram lançadas para longe e quando ele cerrou o punho, interrompendo o ataque percebeu que o moderador não estava mais ali.
    - Guardião... você acha que pode se esconder? – falava Omega com uma voz gutural. – Esconder como um rato?
    Toda aquela ala do hospital parecia revirada, como se um terremoto tivesse tomado conta do lugar. Omega, dirigindo seus estranhos olhos para todos os lados, mas não encontrava o moderador em meio aquele caos.
    - Um rato não pode fugir para sempre, guardião... – gritou Omega cerrando os punhos. – Nem mesmo o rato mais esperto...
    Mal tinha dito essas palavras, Omega sentiu algo frio encostar-se a sua nuca. Com o canto dos olhos, percebeu que era o Moderador Roger que surgia através de uma das paredes do hospital e apontava a arma contra a sua cabeça.
    - Talvez, o rato esperto não esteja querendo fugir! – falou Roger. – Ele pode estar esperando a oportunidade de atacar.

    Roger disparou sua arma uma, duas, três vezes e Omega foi lançado para trás espalhando sangue para todos os lados e tombando como uma marionete sem equilíbrio no corredor do hospital.
    Com o cérebro esfacelado daquela maneira, qualquer criatura complexa vivente teria sucumbido. Omega, no entanto, demonstrara ser algo acima de qualquer comum. Após ser ferido, trespassado por armas brancas e até mesmo enfrentado a fúria divina, não seria meros projeteis explosivos que deteriam o vilão. Levantou-se lentamente com o apoio das mãos e meneou sua cabeça para os lados como se estivesse apenas tonto e isso fez com que mais de seu sangue jorrasse.
    - O que é você... – sussurrou Roger atônito com o que via.
    Omega volveu a cabeça para o lado e olhou de esguelha para o moderador. Com um movimento de seus dedos, manipulou a energia ao seu redor e raios se espalharam pelo chão do hospital até atingirem o moderador. Pequenas faíscas de eletricidade fustigaram o corpo de Rogério que perdeu completamente o controle e foi jogado para trás. Roger tombou no chão com um baque seco e as suas duas armas soltaram-se de suas mãos.
    - Onde está sua esperteza agora... guardião... – riu-se com deleite Omega. – O seu destino como o de tudo neste mundo é um só... o fim eterno...

    Todas as luzes do hospital repentinamente se apagaram e a eletricidade residente daquele lugar se destinava a apenas uma direção, o corpo de Omega. Seus dedos  pareciam agora pequenas pontas azuladas carregadas com lâmpadas fluorescentes e mais uma vez seus olhos revelavam a luminescência sobrenatural. Omega ergueu o braço, pronto para executar o seu ataque final.
     - E eu sou o Arauto do Fim! – falou Omega deixando um sorriso escapar.
 Juntando suas últimas forças e disposto a não ter o seu fim sem luta, o moderador Roger se ergueu em um único impulso e lançou-se contra o Omega, sem qualquer arma. Mesmo com as mãos nuas, não se abateria tão facilmente.

    A primeira coisa que vi assim que atravessamos o portal, após cruzar a parede do castelo da Lady Esoteric com a Nane foi um denso núcleo energético à frente. Era como se tivéssemos diante de um reator prestes a explodir, onde pequenos raios lançavam-se ao redor atingindo as mesas e máquinas reviradas do hospital.
    Eu mal conseguia enxergar um palmo a nossa frente, tive que cobrir os olhos e a única coisa que via era a moderadora Nane ao meu lado, com seus óculos espelhados avançando na mesma direção daquele caos elétrico. Tentei segurá-la, mas ela prosseguiu.



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h57
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    Repentinamente, toda aquela carga de relâmpagos se direcionou para um único ponto e finalizou com um estrondo. Vi a sombra de um corpo sendo lançado para longe e logo em seguida ouvi a voz de Nane num grito desesperado:
    - Rogeeeeeer!!!!!
    Lançado contra a parede, o corpo de Roger chocou-se violentamente promovendo um único estalo e caiu imóvel no chão. Vi a moderadora Nane correr até ele, tirando os seus óculos e ajoelhando-se ao seu lado. Sangue escorria de sua boca e seus olhos estavam praticamente vidrados, mas ainda assim havia um pequeno fio de vida que lutava dentro do corpo do moderador.
    - Rô! Rô! Fala comigo!! – dizia Nane com voz miúda ao seu lado, envolvendo seu rosto com as mãos. – Porque você foi fazer isso!?!? Porque!?!?!
   - Nane... – a voz de Roger saía fraca. – Vá embora... Salva a cidade...
   - Eu vou tirar você daqui!! Agüenta, Rô!! – insistia a Moderadora.
   - Não!! – falou Roger num último esforço. – Eu vim fazer o meu dever... faça o seu... salve todos...
   Os lábios do moderador não se abriram mais. Seus olhos foram perdendo o brilho aos poucos e agora pareciam pedras endurecidas. O último resfolego saiu de seus pulmões. Nane baixou a cabeça encostando os seus lábios na testa de seu companheiro e pude ver uma lágrima escorrer de seus olhos.

   Tudo aquilo que parecia estar sendo rodado em câmera lenta aos meus olhos, na verdade não tomou mais do que dois minutos do tempo real. Eu havia perdido completamente a noção das demais coisas ao meu redor e quando dei por mim, vi que uma sombra se aproximando. Como uma imagem divina envolvida por uma coroa de raios, Omega se manifestava novamente, só que desta vez bem diante de mim.
   - Você... Sim... É um deles... – falou Omega com uma voz de trovão.
   Girei minha cabeça para o lado e deparei-me com seus olhos verde avermelhados. Contrastando com a escuridão do hospital, aquelas duas bolas pareciam para mim duas pequenas gemas que serviam apenas de janela para a verdadeira alma do Omega, a sua natureza escondida sobre o disfarce humano.
   - Você é um escolhido... – Continuou Omega, se aproximando de mim como se eu fosse o seu mais valioso tesouro naquele mundo.

    Omega levantou o seu braço e as pequenas faíscas elétricas se propagaram ao redor como uma pequena teia lançada. Joguei-me para trás num último instante, caindo sobre uma das camas reviradas no chão.
    - Mostre-me, Escolhido! – falou Omega num grito. – Mostre-me do que é capaz!
    Eu estava certamente acabado ali. Sem nenhuma manifestação de meus poderes desde que meus olhos voltaram ao normal, não passava de um blogueiro normal que só sabia escrever algumas poucas e bobas histórias em meu diário. Eu era apenas mais uma vítima a tombar diante do vilão.
    - Eu quero sentir o seu... – os olhos do vilão redobraram o denso brilho. - ...poder!!!
    Baixei a cabeça, pronto para sentir meu corpo sendo chamuscado pelo ataque de Omega, mas o que eu ouvi foram apenas bruscos estouros próximos ao meu ouvido. Agachei-me ainda mais, imaginando que o teto estava caindo sob a minha cabeça e ao abrir os olhos, vi que Omega fora lançado para trás após receber uma série de intermináveis balas.
    - Sinta isso aqui, seu verme maldito... – ouvi a voz feminina em meio às disparos.

    Tornei meus olhos para trás e deparei-me com a moderadora Nane que em ira continuava a acionar o gatilho das duas armas de Roger. Em meio a tantos impactos, foi impossível até mesmo para Omega continuar em pé. O vilão recuou curvando-se no chão e protegendo o rosto contra os projeteis.
    Refreado, Omega urrou como um animal e sua raiva parecia amplificar ainda mais a áurea de eletricidade que o envolvia. Um dos pedaços da parede ruiu e uma profunda rachadura se estendeu pelo teto do hospital. Vi que toda a estrutura do hospital estava por demais abalada e não aguentaria muito mais que alguns minutos.
   - Nane, temos que sair!! – gritei – Nane!!!!
   A moderadora não me escutava. Estava por demais determinada em vingar a morte de seu parceiro e não pararia de atirar. Omega também parecia alheio a tudo e continuava a intensificar seu poder. Meus gritos agora eram abafados por um rouco seco e senti o chão tremer. As colunas principais do hospital ruíam e podia escutar ao longe parte do lugar desmoronando. O teto acima de nós se abriu e intensos blocos caíram. Joguei-me para o lado e pulei em direção a moderadora, agarrando-a a força para tirá-la do lugar. Neste último instante, toda aquela área foi enterrada pelos andares superiores.

   Na sala de vigília da Mansão dos Moderadores, um novo sinal vermelho começou a piscar no monitor que mostrava os pontos de abalo da cidade. Já na outra tela que mostrava as câmeras internas do hospital, não se via nada mais do que os riscos pretos e brancos. Logo, no entanto, o comando passou para outra câmera externa e foi possível ver todo o hospital reduzido a nada mais que pedaços de concretos.
   - Ai, o hospital já era!!! – gritou Rhiannon.
   - Margot, onde estão eles? – perguntou Vampira já agoniada. – Ainda estão lá? Fala, Margot, não me deixa agoniada!!
   - Calma, Vamp! – falou Margot digitando o mais rápido que seu dedos podiam o teclado. – Eu não estou muito acostumada com esses códigos dos Moderadores, mas estou tentando...

   Minha vista estava escura, mas continuava consciente. Algo atingiu minha cabeça e sentia latejar bastante. Contudo, não imaginava o que tinha acontecido. Antes que todo o hospital viesse ao chão, tentei tirar Nane de lá. Implorei para que meus poderes voltassem, rezei para que a maldita parede se abrisse como uma porta, mas creio que não foi nada disso que nos salvou.
    Repentinamente, vi pontos luminosos se acenderem. Minha visão ainda estava desacostumada e somente aos poucos percebi que se tratavam de imagens de vários televisores. Todos eles mostravam lugares familiares a mim. Olhei para o lado e encontrei a moderadora Nane desnorteada no chão.
    Meus ouvidos passaram, então, a captar o som de passos se aproximando. Tentei me pôr de joelhos e vi o par de sapatos negros parar bem diante de mim. Ergui a cabeça tentando identificar aquele que se aproximava e, então, reconheci de imediato àquele que se postava de braços cruzados à minha frente.
    - Então, tenho o prazer imensurável de ter aqui, bem diante da minha estimada morada a presença destes tão ilustres “heróis”. – disse o homem mascarado que se denominada o Crítico dos Blogs em meio as suas gargalhadas. – Como vai, Coveiro Júnior? Que bom que sobreviveu ao nosso último encontro. Agora, vejo que está acompanhado da Moderadora Nane, não? Já faz um bom tempo que não a vejo, minha querida!

Próximo Capítulo: Encontro com Crítico e Evacuação da Cidade.

Sexta: Bastidores do Coveiro Zé - Especial



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h36
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In Memorian: Quando três não é igual a três...

      No último ano de colégio, quando nossa turma já se preparava para as chorosas despedidas, muitas delas eternas, todo o terceiro ano foi mobilizado para assistir uma final de um jogo de vôlei de praia feminino. Patrocinados pelo Banco do Brasil, ganhamos um monte de camisetas da “torcida ouro” e não parávamos de falar na algazarra que iríamos fazer. Também agitado, mandei até confeccionar um boné personalizado com meu apelido de escola.
      Fomos direcionados até a praia por um ônibus fretado, fizemos muita festa e baderna durante todo o jogo. Após algumas bolas sacadas e o apito final encerrar a partida, todos nós fomos deslocados para os ônibus. Repentinamente, me veio à idéia de aproveitar a proximidade com minha casa e voltar todo o caminho a pé. Falei com o meu coordenador, Fernando, e após muita lábia o convenci a deixar.


     Quando me preparo para sair, ouço um grito familiar:
     - Pantera! – era assim que me chamavam. – A gente vai contigo!
     Olhei para trás e lá estavam meu amigo Valmir, um dos poucos que até hoje mantenho contato, e um carioca risonho chamado João Paulo. Valmir estudava comigo desde guri, era tão matreiro quanto eu ou mais e, dado a essa sua característica acabou por optar por Direito como seu curso. O carioca, eu conhecia a pouco tempo. Ele era baixinho, falava engraçado e se auto-proclamava campeão juvenil de taekwondo da cidade natal dele.
     - Vocês falaram com Fernando? – perguntei.
     - Sem problemas, Pantera! Vamos! – insistiu Valmir já me puxando.
     Dei de ombros e fomos então pelo calçadão da praia, que naquela altura se localizava na região extrema do Pina. De fato, aquele não é um dos lugares mais seguros da cidade, mas nunca tive problemas ali até então. E junto com mais dois amigos, os problemas seria menores.
     Andamos algumas centenas de metros quando vindo pelo sentido oposto percebi a presença de três sujeitos meio mal encarados, que logo me passaram a idéia de problema. Esse tipo de gente, eu costumo rotular de “ratos de praia” por aqui e nada mais são do que alguns moleques que juntam-se em bandos para arruaçar ou brigar por seu “território”.
    Olhei para o lado e vi que meus dois amigos também notaram o pequeno imprevisto. Não trocamos palavras sequer, apenas mantive-me firme com meu olhar a frente e me preparei para a situação. Fitei os olhos de um deles que se bandeou para meu lado, trocamos um rápido olhar e ele agiu. Ergueu a mão e tomou o boné de minha cabeça.
    - Devolve! – gritei.
    Eu não pensei duas vezes. Não me importava nem o que eles estavam segurando nas mãos ou escondidos nos bolso. Simplesmente fui tomado por uma raiva repentina e topei de peito com o marmanjo.
    - ´Bora! Devolve! – insisti empinando a cabeça.
    Sem acreditar que eu estava reagindo, o sujeito empertigou-se todo para o meu lado e junto com ele vieram seus dois amigos. Junto, os três fecharam uma muralha na minha frente, mas eu ainda estava resoluto. Não fazia nem uma semana que eu tinha arrumado meu bonezinho e lá estava eu prestes a perdê-lo.
    - Lavre, Doido! – falou o rato de praia em sua gíria, pedindo para eu enfiar o rabo entre as pernas e ir embora.
    - Lavre o cacete! – insisti.
    Os três deram um passo à frente o que me fizeram recuar um pouco. Foi daí que me virei para trás e quando dei por mim, meus dois amigos estavam a metros dali, distantes e olhando esbugalhados para mim. Aquilo me desarmou por completo. Voltei os olhos para os gigantes que tomaram meu boné e eles agora riam.
    - Seus frescos... – gritei para meus colegas.
    Os ratos de praia deram as costas para mim, um deles colocou meu boné na sua cabeça e seguiram seu rumo. Tomando o lado oposto, eu me juntava aos dois amigos xingando-os por centenas de gerações.
    - Mas que bando de frouxos vocês dois! Um tem o dobro do meu tamanho e o outro se diz campeão de luta! – ralhei nos ouvidos deles. – Me deixaram sozinhos.
    - Pantera, você tá maluco? – defendeu-se Valmir sendo sensato. – Você queria que a gente apanhasse por causa de um boné?! E um boné que nem da gente era?!
    Meus amigos continuaram seus argumentos, mas eu não lhes dava mais atenção. Estava consumido de raiva pela perda do boné. Passei a tarde toda bufando e me veio à idéia maluca de no dia seguinte procurar pelo sujeito na praia. Não sabia o que iria fazer se o visse, mas por boa obra do destino eu não vi nem sinal. Mas até hoje eu fico me lastimando pela perda. Era um bom boné.

Fim


ATENÇÃO!!! Uma notícia EXTRA... Recebi um email faz duas semanas de um grupo que me pediu autorização para fazer uma página das fãs (????) do Coveiro X. Respondi dizendo que nada haveria contra tal, apesar de achar que poderia criar uma pequena confusão com algumas das minhas Angels. Deixe de lado isso, até que a Labellaluna retornou com a mesma história pedindo um desenho com as "Coveiroxzets", pois elas haviam contratado-a para montar o tal template. Elas pareciam bem decididas e o resultado é este blog das meninas...

Até Quarta com a Saga!!! Sombras....



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h28
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 19 – Águas Passadas

    A manhã do segundo dia começava a delinear seus primeiros acordes, com um azul arroxeado começando a tomar formas. Assim como no final da última noite, o céu não parecia perturbado, sem nuvens negras e sem raios ou trovões. A Cidade dos Blogs começava a ganhar cores e revelava a imagem dos prédios, casas e praças destruídos. As ruas permaneciam desertas, seus moradores acobertados em abrigos e nenhum sinal da ameaça nas ruas.
   Na mansão dos moderadores, os poucos que conseguiram dormir, despertaram incomodados com a claridade minguada que surgia das clarabóias no subsolo da mansão. Na sala de vigília, a moderadora acabava de receber uma ligação. Levantou-se imediatamente e seguiu para o outro cômodo encontrando o seu parceiro.
   - Encontramos Electra! – avisou Nane. – Está na casa da Lady Esoteric e parece que foi atacada por Omega. Vou avisar ao Publius, mas também vou conversar com ela.
   - Ótimo! Eu estou querendo iniciar uma pequena reunião para avisar a todos sobre a saída desta tarde...
   As últimas palavras do Moderador Roger quase não saíam de sua boca ao ser surpreendido pela entrada inusitada daquela figura imensa amarela e disforme na sala de reuniões da Mansão. Ao lado daquele ser amebóide, se colocou também a vampira Paola e a deusa Rhiannon.

    - O que é isto? – admirou-se o Moderador.
    - É a Doc... – começou a falar Rhiannon, mas interrompeu-se bruscamente quando a Ameba esticou a cabeça até ela com um olhar bravo. – Digo, a Ameba...
    - Eu sei que precisa de ajuda, Moderador. – falou aquela criatura com sua boca primitiva. – E estou aqui pra isso.
    - Errr... obrigado. – falou Roger sem jeito. – Estamos contando com qualquer ajuda que pudermos ter. Vamp, por sinal, estou querendo juntar o pessoal para uma pequena reunião. Poderia arrumar isso o quanto antes?
    - Sem problemas! – confirmou a Vampira.
    Não demorou mais que uma hora para que a grande maioria dos blogueiros abrigados na Mansão estivessem na sala de reuniões voltando suas atenções para o Moderador Roger e o imenso monitor ao seu lado que revelava a imagem ampliada da região mais ao sul da cidade onde estava a imensa saída para mar aberto.
    - ...e como chegamos a este ponto crítico, tivemos que dar forma a um plano onde poderíamos zelar primordialmente pelo bem-estar do cidadãos de nossa Cidade. Nos próximos dias, ninguém pode assegurar o que mais irá acontecer. Sei que, junto com alguns de nossos mais fortes blogueiros, investiremos com tudo contra esse Omega. Esperaremos encontrar uma de suas fraquezas e não hesitaremos em atacar neste ponto. Todavia, enquanto isso, vamos retirar os cidadãos daqui e os levaremos para um lugar mais seguro.

    - A cidade será evacuada? – falou um dos presentes. – Mas para onde iremos?
    - Durante esta tarde, iremos soar um toque e indicar a todos para seguir até um dos nossos maiores portos, bem aqui. – falou o moderador apontando para o um pequeno ponto nas margens perto da floresta mística. – Lá já está o Mocotó! Ele já conversou com a maioria dos barqueiros sobre a nossa evacuação até o nosso destino...
    - Destino? Mas que destino!? – perguntou a Aninha.
    - A Terra do Nunca! – respondeu prontamente o Moderador.
    - É o quê!??!!?!??!?!?!?!? – gritou Peter Pan assustado.
    - Isso mesmo, Peter. – intrometeu-se a Nane. – Sabemos que você não gostaria mais de ver aquele lugar, mas é  seguro e distante. Caso falhemos em deter Omega aqui, a isolação daquela ilha irá garantir por longo tempo a integridade de todos.
    - Vocês não tem idéia? – disse Peter rangendo os dentes. – O caminho para aquele lugar se tornou infestado de piratas. Uma terra dominada por fantasmas. Fantasmas e piratas! Piratas-fantasmas! Entenderam?
    - Ainda assim, Peter! – falou o Moderador. – Nós arriscaremos. Hoje, tudo parece pequeno diante do mal promovido por Omega.

    Aconteceram algumas outras discussões naquela nossa reunião, mas nada parecia alterar o plano original. Naquela tarde, após toda a cidade chegar ao porto, inúmeros barcos zarpariam rumo a único destino: a Terra do Nunca.
   Eu já me dirigia rumo aos aposentos que eu dividia com outros blogueiros a fim de arrumar minha mochila para tal viagem quando fui abordado pela moderadora Nane, que me chamou para um canto onde não havia ninguém.
   - Xis, a Electra apareceu. Parece que foi atacada pelo Omega e por muito pouco sobreviveu. – disse-me ela. – Agora, ela esta na casa da Lady e falei para o Roger que iria saber mais alguma sobre o Omega dela. Quero ouvir sua história. Gostaria de ir comigo?
   - Claro! Quando vamos? – falei – Vai precisar de algum carro...
   - Não, Xis, não. – disse Nane. – Nós vamos agora.
   E sem dizer mais nenhuma palavra a Moderadora Nane atravessou um das paredes da Mansão, assim como fez no primeiro dia em que eu a encontrei com o Roger. Toquei a parede e ela me parecia tão tangível quanto antes e quando aproximei-me meu rosto, a Moderadora surgiu novamente colocando a cabeça para fora.
   - Xis, você não vem, não? – falou Nane erguendo a sobrancelha.
   - Err... eu... – falei ainda assustado.
   E de maneira inesperada, a Moderadora me agarrou pelo colarinho da camisa e antes que eu pudesse gritar, me puxou. Fechei os olhos pronto para chocar meu nariz com o concreto, mas ao contrário de minhas expectativas eu simplesmente atravessei a parede.

    Uma brisa ruidosa soprava a milhas dali. O lugar não passava de um templo perdido em meio a vastidão de areia no deserto chamado de Terras Nômades. A figura que se curvava sobre um monte de cartas de tarot espalhadas no chão parecia seriamente preocupada com o que via. Encoberto por um manto cinzento, aquele misterioso ser ruminava os últimos fatos:
    - Durante esta noite, promovi três jogos para obter três respostas. As respostas me amortecem, no entanto. Primeiro, eu vejo sacrifício. Depois, há morte e renascimento. Por fim, forças negras voltam a se manifestar. Vejo-me agora em um impasse. Se quiser agir, precisarei que meus companheiros retornem.
    E as palavras perdidas daquele ser sob o capuz perderam-se, levadas por um vento repentino que entrou no salão principal do templo e que também espalhou as cartas jogadas no chão para longe.



 Escrito por Coveiro ¤ às 19h28
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     Como que por mágica, quando cheguei ao outro lado da parede, ao invés de encontrar outro vão da Mansão dos Moderadores, eu estava em um cômodo largo vasto, com paredes formadas por pedras imensas e com moveis rústicos. Ainda em silêncio, a Moderadora continua a andar por aquele lugar estranho para mim e alcançou um dos corredores mal-iluminados, seguindo até adentrar em uma das portas do lugar.
   - Nane! Ainda bem que chegou. – ouvi uma voz familiar. – Coveiro?
    Lá, num ambiente que lembrava um quarto da época medieval, estava a Lady Esoteric sentada numa cadeira ao lado de uma grande cama onde repousava a até então desaparecida Electra. Então, concluí que estávamos no castelo da Lady Esoteric, o qual eu visitei pela última vez na minha primeira jornada neste mundo.
   - Como ela está, Lady? – perguntou Nane aproximando-se da cama.
   - Bem melhor agora. – informou a consultora mística. – Estou tratando dela toda a noite e parece fisicamente estável. Está em choque ainda, mas...

    Os olhos de Electra repentinamente se abriram e procuraram com lentidão as pessoas que estavam na sala. Assim que encontrou o meu rosto e o de Nane, ela sorriu. Um riso rápido que logo foi dominado por lembranças horríveis de dias passados.
   - Nane... – começou a falar Electra com a voz fraca. – Um mal...
   - Electra, calma! – falou Nane se abaixando até ela. – Não se esforce tanto...
   - Eu preciso falar... – Electra procurou se levantar e foi ajudada por Lady Esoteric. – Preciso contar a vocês... daquele homem...
   - Tudo bem! Conte o que aconteceu. – pediu a moderadora. – Foi o Omega que fez isso com você?
 Electra olhou para todos nós um tanto confusa ainda. A palavra Omega ainda não fazia sentido para ela, mas mesmo assim ela deu prosseguimento aos acontecimentos de duas noites atrás, quando pela primeira vez topara com o estranho homem loiro de olhos verde e avermelhados.

    - Ele é algo que não posso entender. Encontrei-o assim que acabou a nossa reunião dos bruxos naquela noite, ainda na floresta. Há um mal nele, como nenhum outro ser. Eu podia sentir isso. Ele... ele... – falou Electra ainda confusa.
    - Ele roubou seus poderes. – falou a moderadora com surpreendente passividade. Chegou até a nossa cidade e fez uso deles para promover uma catástrofe.
    - Oh, Gódi! – disse Electra pondo as mãos nos olhos. – Nenhum outro conseguiria sobreviver a um relâmpago como aquele. Só que, para minha surpresa, ele estava inteiro, firme e também controlando raios. Raios que saíam de suas mãos.
    - Como ele conseguiu isso? – voltou a questionar a moderadora.
    - Eu não sei. – disse Electra meneando a cabeça. – Parecia que nada o afetava. A cada vez que eu lançava raios contra ele, era como se estivesse o energizando... E aqueles olhos... Nane, aqueles olhos são como um espelho negro... Com eles, parece que é capaz de ler nossas mentes e trazer à tona nossos maiores medos... reviver nossos pecados...
    A moderadora silenciou por um minuto ponderando aquelas informações e depois desviou um olhar rápido para mim e a consultora mística. Após enxugar as lágrimas, Electra voltou a sua história.
    - Eu estava apavorada! Atacada por meus próprios poderes usados de uma maneira tão destrutiva! – Electra suspirou. – Eu juntei as minhas forças que estavam já se esvaindo e tentei voar para longe. Tentei o mais rápido que pude e, repentinamente, senti imenso impacto em minhas costas. Fui lançada bruscamente para longe dali e só acordei na tarde do dia seguinte, com frio e dolorida. Vaguei desorientada até reconhecer o caminho até aqui, na casa de minha amiga Lady.

    Um sinal de alerta piscava nos monitores da Sala de Vigília dos Moderadores. O Moderador Roger adentrou o cômodo às pressas e foi seguido pela Vampira Paola e Rhiannon. Sentou-se na cadeira e começou a teclar rapidamente os comandos para obter uma imagem definida do local afligido.
    No monitor principal, a tela foi dividida em várias imagens que revelavam os corredores, quartos e salões do maior hospital da cidade. Desde o dia anterior, aquele era um dos dez lugares onde se concentrava a maior parte dos desabrigados da cidade, muitos deles internados após a catástrofe. Após longa quietude, o local tornara-se novamente uma balbúrdia. As várias telas mostravam corredores escuros, pessoas correndo, sistemas de proteção contra incêndios disparados e, por fim, o estranho homem de cabelos loiros avançando por uma das alas com grande carga elétrica condensada em suas mãos.

   - Ele está atacando de novo! – falou o Moderador batendo na mesa.
   - Céus! Ali só tem pessoas doentes!! – falou Rhiannon inconformada. – Porque ele está atacando um hospital?
   - Porque ele sabe que se fizer isso, iremos tentar impedi-lo!! – falou o Moderador. – Ele está nos provocando...
   - E o que vamos fazer? – quis saber Vamp ainda grudada nos monitores.
   - Eu vou lá! – falou Roger e as duas olharam assustadas para ele. – Vou dar um pouco de diversão a ele enquanto as pessoas estão saindo do hospital O resto de vocês fica aqui. Avisem a Nane para dar continuidade aos planos...
   Roger saiu da sala com passos largos e Rhiannon e Paola voltaram suas atenções para as telas que mostravam o incidente no hospital. Nos corredores, enfermeiros e paciente se debatiam e atravessavam portas a força. Muitos caíam e eram atropelados, se levantando graças a caridade de alguém que retardava a sua fuga.
   No corredor principal, Omega continuava a andar com a mesma frieza no olhar e espalhando a eletricidade de suas mãos por onde passava. As lâmpadas dos corredores estouravam com sua proximidade e os equipamentos dos quartos fritavam ante a sua presença. Um leve sorriso sobressaía-se de sua boca revelando o prazer que ele sentia com toda aquela destruição. Ao cruzar o último corredor, Omega foi surpreendido com violentos estalos que terminaram como impactos estrondosos em suas costas.

   A dor arrastou-se por todo o seu corpo e seus músculos travaram, contudo Omega não diminuíra o riso esticado em seus lábios. Girou o rosto para trás e seus olhos acenderam-se excitados pelo confronto que estava por vir.
   - Escuta aqui, loiro. Está aqui é minha cidade e não vou deixar você zoar ela tão fácil assim...
Essa era a voz do Moderador Roger que surgia na outra ponta do corredor com suas armas de fogo nas mãos, apontando uma delas ameaçadoramente para Omega. Este era o seu segundo encontro cara a cara com o vilão e cuidaria para que também fosse o último.

Próximo: Roger e Omega num novo encontro mortífero.



 Escrito por Coveiro ¤ às 19h27
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Páginas Negras: Santo Anjo do Senhor

Deus: Diga, meu filho!
Coveiro: Senhor, queria te convidar para participar de um Crossing Blogs. Ficaria muito grato se aceitasse.
Deus: Claro, o que Deus não faz para agradar seus fiéis
Coveiro: Ótimo! Então, farei o Crossing Blogs da Selina e logo depois vem o seu.

Deus: Como é? Você não sabe que primeiro vem Deus antes de todas as coisas.
Coveiro: Hã????????
Deus: Como é que você coloca a Selina antes de mim?
Coveiro: Puxa, é que eu prometi o Crossing Blog dela primeiro.
Deus: Humf! Está bem! Está bem!! Mas o que é Crossing Blogs mesmo?

    Quero começar esta Páginas Negras retratando aqui o trecho da conversa que eu tive pela primeira com Paulo há meses atrás. Foi por volta do começo de março que entramos pela primeira vez no Caldeirão. Começamos juntos, numa época em que não existia ainda o Gódi e nem o Xis, pois esses apelidos só recebemos depois. Desde então, eu e o Paulo nos tornamos grandes amigos, não só porque éramos da mesma turma de novatos, mas porque tínhamos uma boa afinidade e jogávamos as piadas um para o outro tão bem quanto um lateral para o atacante.
     Foi naquele começo que tivemos as melhores histórias dentro do caldeirão. Quase sempre aprontando alguma (quase todas com o Zé) e acabamos criando uma família, relatada na sua Bíblia de Blogueiros. Era um tempo de ouro, como nenhum outro. E essa parte da história muitos que hoje estão aqui não conheceram e só ouvem falar pela boca miúda do MSN.
    Todavia, num final de tarde o Blog de Deus sucumbiu. Vi Deus resmungando que a sua noiva, retratada aqui como “Nossinhora”, havia decidido que o seu tempo de falar com os mortais acabou. Então, ousei tomar a posse do terreno divino. Peguei o link de Deus, fiz minha prece nele e marquei uma audiência com a Nossinhora para convencê-la da importância dele para nossa turma e todos os demais que entravam todos os dias no seu Blog. Depois de meu pequeno embate, sai vitorioso e justamente na Páscoa eu vi Paulo Maruca ressuscitar ainda mais poderoso.
    Foi algo por demais comovente. Lembro de em um só dia ver os contadores do Blog chegarem a mais de mil visitantes, coisa que levou um mês para acontecer na minha Lápide. Fui xingado por alguns e atacado pelo Crítico do Blogs (revelando-se pela primeira vez como o Borboleta), mas no fim estávamos firmes e com o Blog agora abençoado por Deus e Nossinhora.
    Eu, tornado agora Santo, o segundo depois do Zé, voltei para minha estrada e deixei o Blog agora por conta de Paulo. Seria seu guardião, mas me envolveria o mínimo possível nos seus rumos. Paulo acabava muitas vezes pedindo-me opinião sobre o que iria postar lá, mas nunca passei de um conselheiro. Como Santo, me incubi apenas de alguns deveres como impedir que o Blog terminasse ou que o Gódi fosse substituído por um outro (fora a terceira e árdua tarefa ditada por Nossinhora de evitar a aproximação de blogueiras assanhadas).

     Desde então muitas coisas aconteceram nesse meio tempo. Fiz vários Crossing Blogs com o meu amigo Gódi, todos com histórias muito divertidas. Encontramos um arqui-inimigo a altura, o capeta, que assumia a forma de um rapazinho de Goiânia. Mais Santos foram canonizados e até a Maria ganhou um Blog, só que desta vez, ela assumia uma nova personificação, não como a Noiva, mas sim como uma menina mais jovem, chamada Aninha, o que depois gerou um rolo dos diabos, mas que espero estar resolvido agora.
     A falta de tempo requisitou de mim uma maior ausência do Mundo dos Blogs e acabei confiando de que estava tudo tranqüilo por essas bandas, por assim dizer. Passava os olhos rapidamente em tudo e via as mesmas confusões polêmicas ora promovida por religiosos fervorosos ou mesmo por advogados que se achavam ofendidos. Estava tudo na perfeita paz quando num dia apático, o Paulo me pediu para apagar o Blog de Deus. Engoli seco e tentei extrair dele o motivo para tal. Depois de algumas horas de conversa e mesmo não tendo uma justificativa justa, ele acabou convencido a continuar.
     Aquela não foi, no entanto, a primeira vez e muitas outras se repetiram. Aconteceram de tal modo que eu mesmo um dia brinquei com ele e passei um link errado do blog que mostrava a inexistência da página. Vi o Paulo pirar e assim que revelei o truque da pegadinha acabamos rindo de montão. De fato, o que quer que o estivesse incomodando, não havia apagado da mente de Paulo toda a história dos bastidores daquele blog, uma história que poucos conheciam, sejam os que fazem parte do caldeirão ou mesmo seus opositores que sempre aparecem do nada e atacam sem pensar.
    Todavia, as tentativas de Paulo de parar o Blog persistiram e continuaram cada vez mais fortes. Agora, elas se estendiam para o Blog e houve não apenas um, mas vários “posts” de despedidas de Deus. Aos poucos, tornou-se como a história do menino que inventava os ataques dos lobos e os “adeus” de Gódi se tornaram desacreditados. No entanto, eu sabia que em sua mente aquilo estava fortalecendo e, então, houve o dia em que concordei com o fim do Blog, sob a condição de que criarmos um site ou um blog de homenagem guardando tudo o que ele fez. Algo que pontuaria com dignidade o fim de tamanha história. Diante disto, eu o ajudaria até a por um fim. Assim, como um dia espero pontuar a Lápide.
    Antes, no entanto, que eu fizesse isso, Paulo adiantou-se. Cheguei num horário bem mais cedo que o normal em casa e me deparo com o Blog apagado. Antes que pudesse entender o que acontecia, descobri que Deus conseguiu a minha senha do email e assim teve acesso total, destruindo tudo e pondo um fim definitivo a minha missão. Só ele e ele mesmo saberia quão apunhalado em me sentiria com aquela situação, mas minha reação como todas as outras vezes foi apenas silenciar e deixar as coisas tomarem o seu destino. Desta vez, no entanto, eu sabia que o passo foi definitivo e toda uma história agora se perdera, reservando a pequenas memórias em nossas mentes.
     Sim, é o fim, mas meus questionamentos sobre o que levou Gódi a ir tão longe nessa última decisão continuam. Ele colocou ali alguns motivos razoáveis em seu “post”, para mim revelou algo mais e minha mente pensa em outros. Passado algum tempo, era inevitável que surgissem os falsos “gódis” e meu maior medo é que a verdadeira história dele se confundisse com a dos demais. Porém, não há nada mais a se fazer. Foi o fim, surpreendente e polêmico, como sempre foi o seu blog. Resta apenas como contador de histórias que um dia foi profeta e santo ser o guardião da verdade que vi e vivi no passado. E resta como amigo dar apóio ao velho Maruca, que mesmo aprontando como sempre aprontou, seja em sua forma divina ou mortal, irá continuar dividindo boas risadas aqui comigo.

Fim...como toda boa história
P.S.: Aceitando a direta indireta... Vamos lá... Voadora neles!!! Encontre Paulo em www.paulomaruca.zip.net



 Escrito por Coveiro ¤ às 22h39
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 18 – Ponto de Origem

     Eram em noites como aquela quando mais precisamos estar perto de alguém, compartilhar nossos temores, aliar esperanças, que nós sentimos mais só. Na verdade, creio que instintivamente somos nós que buscamos a solidão. E assim aconteceu comigo desde que teve fim a luta de Gódi, quando misteriosamente ele sumiu e sequer eu mesmo conseguia saber para onde tinha ido. Todos pareciam desesperados desde então e tive que juntar forças para me manter calmo, como se aquilo não tivesse passado de um mero contratempo e que a verdadeira batalha ainda estava para ser decidida.
     Assim, fui o conforto de muita gente, lutei pelo sorriso e o retorno do brilho nos olhos de meus companheiros, mas quando a noite caiu e todos pareciam silenciar em seus sonos, me senti perdido. Não existiam ombros em que pudesse lamentar. Encontrei um ponto seguro para me prender num dos quartos da Mansão dos Escolhidos e lá pude contemplar o céu livre das nuvens escuras tempestuosas. A lua estava ainda cheia como na noite anterior, as estrelas pontuavam por todo o lugar e a ameaça de Omega parecia distante por um breve momento.
    Repentinamente, ouvi a porta se destravar e torci o rosto por saber que meu momento insólito seria curto demais. Voltei os olhos para trás e vi que a porta estava entreaberta, mas ninguém aparecia. Ergui a sobrancelha e cheio de receio, perguntei:
    - Quem está aí?
    - HI hi Hi hi Ha hA ah Uh uH hU!!!!!... – ouvi a risada diabólica surgir.

     De todas as minhas expectativas para aquela noite, nenhuma se mostraria mais surpreendente do que topar com uma criatura disforme e amarela que resguardava parte da consciência mais negra de uma amiga. O ser conhecido como a Ameba, fruto de um experimento do passado da Doutora, com quem eu trabalhei durante meu estágio na BlogTech, surgia nas minhas costas e erguia seus ameaçadores pseudópodes em forma de tentáculo na minha direção.
     - Doc?! – gritei para aquele ser.
     - A Doutora não está Coveirinho e você sabe disso... – falou a Ameba girando uma da suas mãos que repentinamente tomou a forma de um grande laço que envolveu meu corpo e começou a me apertar.
     Senti meus ossos se torcerem e gemi de dor. Da última vez que topei de frente com a Ameba, acabei com apenas um dos meus braços deslocados. Naquela noite, no entanto, não sabia se teria a mesma sorte.
     - Deixei a Doutora por tempo demais no controle, Coveirinho! – disse a Ameba movendo aquela sua estranha boca primitiva. – Não poderia me arriscar de aparecer com tantos amigos dela aqui, mas quando vi que você estava sozinho, não poderia perder a oportunidade de acertar as velhas contas.

    - Doc, escuta aqui... Eu não... – falei, mas tive que me calar quando outro pseudópode da Ameba envolveu meu rosto calando minha boca.
    - Já disse que não sou a DOUTORA!!! – gritou a Ameba com ira. – Sou a parte dominante, sou a AMEBA! E desta vez seu joguinho sentimental não vai funcionar. A sua amiga “Doc” não vai voltar e, enfim, poderei acabar com você... o único que sobrou que sabe a essência de minha origem...
    Desta vez, parecia que tudo estava acabado. Meu rosto estava enovelado por aquela membrana gosmenta e meu corpo já estava sem ar, devido a pressão que fazia em meu peito. Quando já me dava por vencido, ouvi novamente a porta daquela sala se abrir. Volvi meu olhos para os lados e o mesmo fez a Ameba esticando o pescoço até ali.
    Graças a Gódi onde quer que ele estivesse, eu vi minhas esperanças retornarem com a entrada de Vamp, a Paola, e da minha irmazinha nos Blogs, Rhiannon, a deus a Submundo. As duas que carinhosamente apelidei de X´s Angels adentraram no lugar com os olhos esbugalhados diante da cena que presenciavam.


     - Mano, o que é que você está fazendo com a Ameba? – gritou Rhiannon. - Nãooo... estamos dançando... – falei ao encontrar uma folga nos tentáculos da Ameba. - ... se é o que parece...
     - Ora, ora... as duas amiguinhas da Doutora estão aqui!! – riu a Ameba. – Não poderia esperar um momento mais oportuno para dar cabo dos três.
     - Rhia, essa é... essa é a Doc transformada naquela coisa lá. – falou a Vampira.
     - Não, vampira tola, não sou a Doutora! – retrucou a criatura retirando um de seus pseudópodes de mim e agarrando a Vampira pelo pescoço e a erguendo no ar. – Sou algo muito superior a ela. Muito superior a qualquer outro ser. Sou o pico evolutivo que todos almejam chegar.
     - Arghhh!!! Me solta!! – gritou Paola tentando folgar o aperto com suas mãos.
     - Solta ela, sua gelatina de maracujá super desenvolvida! – gritou Rhiannon partindo em auxílio da amiga.

     A deusa do Submundo correu com os punhos em riste em direção a criatura e quando estava prestes a golpear o corpo mole da Ameba, seus braço foram enlaçados  por um novo pseudópode que surgia de dentro de um dos trajes da Ameba. Outros pequenos pseudópodes se formaram e nasceram de dentro do traje, remexendo como tentáculos de um polvo. Agora, a criatura parecia ter vários membros.
     - O Tolee de fato fez um bom trabalho com esse traje... HI hi Hi hi Ha hA ah Uh uH hU!!!!!... – gabou-se a Ameba. - Com ele não só estou livre para andar a qualquer hora do dia sem risco de me desidratar, como ele permite que eu possa usar toda a extensão de meus poderes. Assim, poderei acabar com meus inimigos...
     - Ameba! – falei pela primeira vez usando o seu nome. – Não somos seus inimigos.
     Eu vi a criatura virar seu rosto sem forma fixa para mim e sabia agora que havia conquistado plenamente, sua atenção. Seus dois ocelos que parecia olhos transparentes se concentraram em meu rosto, talvez tentando definir minha forma.
     - Na verdade, nós precisamos de você, Ameba! Precisamos ser amigos essa noite e nas próximas para conseguirmos sobreviver. – continuei a falar com aquele ser sabendo que desta maneira poderia ter uma chance. – Nós temos um inimigo em comum.
     - Prossiga, Coveirinho! – ordenou ela.
     - Precisamos de você tanto quanto da Doutora. Temos que estar juntos para derrotar o Omega. – falei. – Sua força e potencial é ponto chave para nós. Ameba, junte-se a liga!
     A ameba girou a cabeça para o lado, e me lançou contra parede, me livrando de seus tentáculos e o mesmo fez com as minhas duas amigas, que se chocaram com o chão mais ao longe.  Nos levantamos e a criatura se moveu ficando entre nós.
     - Bem, eu estarei com vocês. – falou o gigantesco ser unicelular, movendo a boca disforme.



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h15
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    A noite permanecia na mesma tranqüilidade nas bandas a sudeste do Mundo dos Blogs, lá onde se localizava o grandioso Castelo da Lady Esoteric. Nas terras ao redor, só havia o movimento dos grasnares de pássaros noturnos e pio de corujas. Já no interior do castelo, a maioria dos empregados já se encontrava adormecidos e apenas uma senhora acompanhava a sua patroa nos preparativos de ervas medicinais.
    Assim que terminaram o ungüento, Lady dispensou a sua serva e subiu as escadas com a bacia. Chegou até o último quarto e abriu-o vagarosamente. Lá, deitada numa confortável cama estava uma mulher de cabelos loiros, vestindo agora uma camisola laranja que destinara a sua visita. A consultora mística dos Blogs pegou um lenço e umedeceu no líquido extraído de suas ervas e começou a tratar das feridas daquela loira.
    - Está tudo bem agora, Electra!
    - Lady... – disse Electra fazendo o mínimo esforço. – Ele quer a todos... Ele se nutre de todos... é o seu alimento... sua vida... sua existência... ele não irá parar... quanto mais ele puder ter... mais almejara..
    As últimas palavras na boca de Electra saíram minguadas como num sussurro. Novamente, a mulher que um dia voou entre raios e trovões caíram em silêncio e dormiu. Lady Esoteric baixou os olhos até ela e pensou no significado daquelas palavras.

    Alguns quilômetros a Oeste da Cidade dos Blogs, emergia alcançando mais de cinco mil metros de altura uma enorme cadeia de montanhas que rodeava toda uma floresta dita como mágica pelos habitantes ao redor. Era um lugar de fato rico em vegetação verde e até então imaculada. Todavia, desde a última noite, um pequeno ponto negro poderia ser visto do alto a certa distância. Aproximando-se mais e mais dele, era possível ver que na verdade consistia-se de toda uma área circular da ordem de centenas de metros quadrados completamente devastada. Onde antes havia árvores, arbustos, grama, insetos e outros tipos de animais não sobrara nada além de vestígios.
    Os únicos em movimento ali eram três blogueiros recém-chegados que exploravam o lugar em busca de qualquer pista útil. O primeiro deles era um jovem descendente de orientais conhecido por todos como Toleezinho, jovem engenheiro químico que já foi o dirigente da extinta BlogTech, a mente exata mais respeitada do Mundo dos Blogs. O outro blogueiro era misterioso, envolto num longo capote negro, com chapéu estiloso e rosto sempre encoberto. De movimentos e falas sempre ponderados, o Observador era o homem detalhista que nunca lhe escapava uma bom observação dos fatos. Encabeçando aquela missão, o blogueiro de óculos escuros, terno marrom e com um comunicador em seu ouvido era chamado de Mack, um conhecido explorador do sobrenatural nos Blogs.

    Ainda perdido com a situação, Toleezinho abaixou-se e pegou um pequeno pedaço de graveto que estava entre os milhares de outros ali. Não media muito mais do que oito centímetros, parecia ressecado e com uma cor cinza pálido. Ao pressionar mais fortemente com os dedos, o graveto estalou e o pedaço que ficou mostrou um interior ainda mais calcinado.
    - Está conseguindo encontrar algum padrão? – perguntou o Observador se aproximando de Tolee.
    - Hmmm... Isso aqui te parece simplesmente queimado? – perguntou o engenheiro químico se virando pro misterioso homem de capote. – Se tivesse sido queimado teríamos tudo carbonizado aqui.
    - De fato, parece... petrificado. – opinou o observador.
    - Todo o carbono foi retirado deste lugar... Tudo que restou aqui das plantas e animais foram seus sais e demais compostos. – falou Toleezinho. – O que vemos aqui são... um tipo de fósseis... tudo o que de fato não é vivo.
    - Como pode ter acontecido isso? – Mack juntou-se a eles.
    - Bem, a princípio não tem lógica nenhuma! – disse Tolee agarrando o resto do graveto nas mãos e estraçalhando-o. – Alguém só poderia requerer todo esse carbono para servir de combustível para algo.
 - Ou alguém. – sugeriu o Observador.

    Toleezinho e Mack se entreolharam rapidamente e ambos começaram a filosofar em cima das palavras do Observador. O engenheiro químico se agachou com um dos gravetos na mão e começou a desenhar sua idéia na terra enegrecida.
    - Toda uma quantidade de combustível como essa tornada energia poderia levar quase um ano para ser gasta dando luzes para toda a Cidade dos Blogs. Todavia, essa área foi consumida de um dia para outro, pois ninguém tinha percebido isso antes. E, creio eu, uma coisa assim não passa facilmente desapercebida.
    - Certamente, teríamos notado isso. – concordou Mack.
    - Bem, se tudo isso foi consumido de uma única vez e em um único lugar, gerou uma energia tão concentrada    que se equivaleria a maior caldeira que alguém pode conceber. – continuou Tolee. – Algo como um pequeno sol para você ter uma idéia. Pois bem, se de fato isso aconteceu, foi uma fusão originando um pequeno núcleo. Isso se encaixa perfeitamente com as minhas observações sobre a formação de um novo pólo magnético neste lugar. Seria como se tivéssemos um novo ponto de gravidade atraindo as coisas mais sensíveis para cá, como a agulha imantada da minha bússola.
    - Estamos chegando a algo! – comentou Mack.
    - Supondo que eu esteja correto, tivemos uma pequena fusão nuclear que levou cerca de... seis minutos e vinte e sete segundos.... e consumiu quase mil metros quadrados de densa matéria viva... de tal modo que alterou momentaneamente os pólos magnéticos do Mundo dos Blogs. – sintetizou Tolee. – E uma energia dessa grandeza foi condensada para gerar ou se transformar numa outra forma...
    - Omega. – concluíram os três ao mesmo tempo.
    - Sim, faz sentido. – revelou Tolee. – Não há nada que gaste tanta energia quanto a vida. Levamos nove meses só para nascermos... anos para nos desenvolver... se fossemos reduzir isso a um tempo tão curto, teríamos que de fato consumir tanta energia assim...
    - Bem, pessoal, encontramos um ponto de origem! – falou Mack.

    A mesma frase de Mack se repetiu nos muitos monitores presentes no grande salão escuro onde um único homem mascarado observava tudo. Muitas borboletas e mariposas esvoaçavam ao redor e ele divagou num último pensamento. Ele ergueu o controle remoto e apertou o botão congelando a imagem.
    - Parabéns, Tolee! – falou o Crítico dos Blogs. – Suas teorias coincidem com as minhas. Só que pelo que prevejo, em escalas imperceptíveis, Omega continua consumindo a energia ao seu redor e essa sua pequena peculiaridade me será muito útil.
 E as palavras do mascarado cessaram, dando lugar a uma sonora gargalhada que ecoou por todo o ambiente.

 Próximo: A Hstória de Electra e o Destino dos Cidadãos dos Blogs



 Escrito por Coveiro ¤ às 18h15
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 17 – De volta ao Jogo

     Nada mais lembraria aquele lugar do que as pinturas da Idade Moderna da Europa, onde os artistas sempre retratavam sua visão do Inferno no estilo similar ao narrado pelo escrito de Dante. Um chão revestido de brasas, onde colunas de fogo se erguiam até o ponto mais alto e vapores escaldantes explodiam para todos os lados. Pedaços de ossos de humanos e de animais amontoavam-se a distância formando pequenos morros. Nos recantos mais sombrios, pequenos vultos curvados se esgueiravam soltando curtas e estridentes risadas.
    Adiante, sentando em um imenso trono composto apenas por ossos de diferentes criaturas, estava a entidade diabólica conhecida sob a alcunha de Capeta. Sempre ostentando uma nobreza tanto no porte como nas roupas, o Demônio dos Blogs após rir-se com deleite, ergueu-se vagarosamente de seu assento e passou a caminhar com elegância até estar de frente ao seu maior inimigo.
    Lá, estava Gódi, o Deus dos Blogs em forma de homem, não aparentando nada de tão divino, exceto pela aureola dourada em cima de sua cabeça. Era assim que se portava quando descia dos céus, como um matuto do interior de São Paulo, trajando roupas amarrotadas e com um penteado meio amalucado.

    - Porque me tirou de lá justamente quando eu estava para dar um fim naquele imbecil? – disse Godi rangendo os dentes. – Não queria ver uma cria sua perder de novo, não é?
    - Primeiramente, você não ia dar um fim nele naquela hora e nem em milênios de anos, Gódi. Eu já estava impaciente e não queria esperar mais uma quarentena para poder falar com você. Segundo, aquilo lá não é cria minha. Omega não foi feito por minhas mãos. E se não foi feito pelas suas, então, sua existência é ainda mais misteriosa para mim.
    - Eu não fiz ele... Por sinal, não consegui nem clicar aquele mequetrefe!! – resmungou Gódi torcendo o nariz.
    - Eu percebi isso... E achei por demais interessante. Na verdade, Gódi, eu fiquei absorto... – falou o Capeta com um sorriso. – E aproveitando essa deixa, vamos voltar a questão que me trouxe até aqui. Quero te fazer uma proposta?
    - Como assim proposta? – Gódi cruzou os braços.
    - Este Omega... o que quer que ele seja, demonstrou ter o potencial para de fato trazer o fim... Acabar com tudo que estiver ao seu alcance. – falou o Capeta. – A Cidade dos Blogs é apenas o começo. Em breve, será todo esse mundo. E com o fim do mundo, você sabe o que vêm depois, não é, meu amigo?
    - O nosso confronto... o céu choca-se com o inferno. – respondeu de imediato Gódi.
    - Isso mesmo. Tendo em vista os últimos incidentes, eu pensei em algo. – falou o Demônio dos Blogs – Que tal nossa antiga rixa ser resolvida através de um jogo? Um jogo em que serão colocados heróis e vilões de cada lado? Eles contaram apenas com seus dons próprios. Nenhum de nós poderá influenciar, ao menos, não a todo o momento. Está de acordo?
    - Um jogo? – estranhou Gódi. –  Humm... okay! E quando começamos?
    - O jogo já começou Gódi! – disse o Capeta e com um estalar de seus dedos, uma densa fumaça se propagou do chão e foi tomando uma forma similar a de uma mesa. Em questão de frações de segundos, surgiu um tabuleiro como o dos jogos de xadrez, com quadradinhos azuis e vermelhos, e em cima deles, peças. Peças similares aos blogueiros e seus inimigos envolvidos nessa trama.

      Na Mansão dos Moderadores, localizada na parte mais ao sul da Cidade dos Blogs, um silêncio perturbador tomava todo o lugar. Depois que o monitor principal se apagou, assim que foi mostrada a cena do desaparecimento do Deus dos Blogs consumido por uma chama misteriosa, os blogueiros ali reunidos minguaram sua euforia e deixaram pensativos a sala de reuniões. A maioria remoía suas esperanças que recentemente foram abaladas com o estranho desaparecimento de Gódi.
      Já haviam passado algumas horas e a noite já beirava a madrugada, quando a Vampira Paola cruzou o longo corredor até a porta da Sala de Vigília. Lá, sozinha e concentrada nos monitores que mapeavam toda a cidade, a ruiva encontrou a Moderadora Nane.
      - Algum sinal deles? – perguntou Vamp.
      - Não. O Gódi continua desaparecido, mas isso não é novidade. Nossos computadores nunca conseguiram captá-lo. Ele sempre foi meio que... Invisível para mim e o Rô. – explicou Nane virando-se para a Vampira. – Já o Omega, eu só consegui acompanhá-lo até alguns minutos depois do fim da luta. Ele pareceu ainda mais irritado. O céu parecia ainda caótico como se a sua fúria se manifestasse também nas nuvens. Depois, disso, ele desapareceu assim que um relâmpago clareou toda a imagem da câmera do local.
      - É... esse sumiço de Gódi ninguém esperava.

 

    - Um minuto! Acabei de receber um sinal de áudio de fora da cidade! – Nane puxou os fones para perto de si e abriu o canal de diálogo, apertando num dos botões. – Ah, é o Mack! Eles chegaram.
    - Uia! Da um alozinho basikérrimo pra ele, o Tolee e o Obs! – falou a Vampira colocando a mão na cintura.
    Em qualquer outro momento, aquela brincadeira teria feito a Moderadora rir. Todavia, após ver meia parte da cidade que ela protegia totalmente em ruínas, Nane estava por demais tensa. Após alguns minutos esperando a conexão entre os aparelhos se firmar, ela voltou a falar:
    - Pronto, Mack! Estamos ligados! Onde vocês estão?
    - Alô!? Oi, Nane! – falou o Mack do outro lado da linha. – Acabamos de chegar no ponto onde supostamente ocorreu a formação de um novo pólo magnético! Segundo os cálculos do Tolee, fica justamente na encosta oriental das montanhas que cortam a floresta mística. Posso te enviar as coordenadas com precisão, se necessitar...
    - Não precisa, Mack! Eu peguei aqui! – informou Nane. – Conseguiram identificar algo de estranho?
    - Estranho?! – a voz de Mack parecia ter se exaltado. – Nane, você não tem idéia!! Estou com a câmera já posicionada. Pode dar entrada ao recebimento do vídeo.
    A moderadora Nane ligou o monitor principal da sala de vigília e teve início a conexão com o satélite. Após chegar ao número zero, a negritude no monitor começou a ganhar cores e finalmente surgiu a imagem de Mack mais a frente e, logo atrás, Toleezinho e Observador analisando alguns dados em um computador de mão. Ao fundo, o cenário revelava uma cena chocante. Por cerca de centenas de metros, toda uma floresta parecia devastada, com árvores partidas, troncos carbonizadas no chão e fuligem sobre as pedras. Era como se um longo incêndio tivesse devastado toda uma área circular.



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h05
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    Num outro monitor, foi acionada uma das câmeras de segurança que mostrava a imagem da entrada principal da Mansão dos Moderadores. Uma caravan preta estava estacionada sobre a calçada e nela, podiam-se ver várias cabecinhas de cabelos brancos saindo alvoroçadas de dentro do carro. A primeira delas tinha o rosto duro e olhar frio, trajava longo vestido negro e tomou nas mãos uma gata preta de olhos encarnados. Logo ao seu lado, se pôs uma outra com a Bíblia nas mãos, vestindo longa saia até os calcanhares. Mais atrás, vinha uma senhora de porte, balançando as ancas e toda vestida de vermelho. As demais consistiam de uma senhora gorda ao lado de uma mais nova vestida de azul, uma outra com trajes que mais lembravam uma enfermeira dos filmes da Segunda Grande Guerra Mundial e a última tinha cabelos longos e vestido azulado.
   - São as Beatas! – falou Nane direcionando a câmera para mais perto.
   - E não estão sozinhas!! – disse Vampira apontando um dos dedos pro monitor. – A viajante está com elas.
   Do bagageiro do carro, em meio às malas e caixotes, pulou um imenso cachorro preto para a calçada e, logo em seguida, saía da do porta-malas a jovem e pequena viajante, conhecida pelo apelido de Ly. Assim que alcançou solo firme, ela esticou-se e estalou as costas.
   - Ai, caramba! – disse a viajante com a voz remoída. – Se essa viagem não acabasse nas próximas horas, ela acabava comigo!

   As portas principais da Mansão se abriram e de lá apareceram o Moderador Roger, Peter e Aleixo. Antes mesmo que os três cumprimentassem as velhas carolas, Leopolda, a matriarca, ergueu a voz e apontou para trás.
   - Pensei que ia ter que carregar as malas pra dentro! – dizendo isso, Leopolda cruzou a entrada e jogou as chaves para o Moderador Roger. – Estão todas no carro!
As velhotas cruzaram a entrada saracoteando os traseiros e os três blogueiros se entreolharam pasmos.
   - Elas são sempre assim... – era a voz de Ly, que apareceu sorridente na porta. – Não liguem! Eu ajudo vocês...
   - Não, não! Pode deixar, Ly! – interveio o moderador – Você deve estar exausta, não é?
   - Nossa! Depois dessa viagem no bagageiro eu acho que nunca mais vou me endireitar! – falou a viajante erguendo os braços.
   - Bem... você nunca foi muito certa mesmo...

   Soltei essa última frase assim que cruzei o corredor e escutei a voz da viajante. Ela parecia assombrada ao me ver ali, como se estivéssemos separados há muitos anos. Veio até mim com um sorriso preso na boca, cruzou os braços e começou a bater seu pezinho no chão.
   - Quer dizer que o senhor “sabichão” e sumido resolveu mostrar as caras? – implicou Ly apertando os olhos. –   Que coisa feia! Me deixou para trás!! Fiquei muito triste, viu?
   - Bom, pelo que vi você está bem e inteira! – eu disse com um ar risonho. - Sobreviveu sem mim.
   - Claro que sim! – falou ela com rispidez. – Acha que o mundo todo depende de você? – ela empinou a cabeça e depois me olhou com uma cara de birra. – Porque não me disse que o isqueiro tinha que ser recarregado?
Ri alto e com gosto, envergando todo o meu corpo para trás. Nesse mesmo instante, percebo que a minha antiga companheira de viagem volveu os olhos esbugalhados para a parte mais a fundo do corredor. Virei o rosto na mesma direção e lá encontrei o motivo de todo a sua excitação!
    - SOOOOLLL...
    A viajante gritou como uma garota de braços abertos prestes a receber um presente. Correu pelo corredor e saltou em cima de Soldier, agarrando-o e apertando-o com força. O soldado apenas sorriu, encostou a cabeça na dela e alisou seus cabelos. Não sei nem o porquê, mas me vi torcendo o nariz diante de tal cena e dei as costas, sumindo por outro caminho da mansão.

    Fora da cidade, após seguir um bom trecho ao sul da estrada escura, estava o castelo da Lady Esoteric, com seus corredores ainda iluminados por pares de archotes. Era uma bela construção de dois andares, feitas com pedras imensas e envolta num belo jardim. Tudo parecia calmo naquela imensa residência, exceto pelo último cômodo, onde eram realizadas as consultas esotéricas da proprietária.
    Já era por volta da meia-noite e a consultora mística já se impacientava. Repentinamente, Lady Esoteric se ergueu de sua poltrona, abriu a porta e foi dirigindo-se decidida até os andares de baixo. Rumou até a porta e quando um dos seus empregados veio em sua direção, fez sinal para ele abrir a entrada. O serviçal cumpriu as ordens, as portas foram abertas e a senhora daquele castelo deparou-se com o seu jardim banhado pela negritude da noite. Seus olhos voltaram-se para um ponto que se movia trôpego a certa distância. Aquele vulto veio se aproximando lentamente e ganhando formas mais definíveis. Ao se aproximar da luz interior do castelo, revelou-se como sendo uma mulher de cabelos loiros trajando uma roupa de peles rasgada em vários pontos e com o rosto marcado por feridas graves.
    - Electra!? – disse a Lady Esoteric ao reconhecer a amiga e agarrá-la na última hora antes que finalmente tombasse no chão.

   A noite avançava cada vez mais rápido e a entidade chamada Omega continuava oculta desde seu último confronto com Deus. No entanto, a tensão ainda continuava a perturbar os habitantes da cidade. Agora, eles viviam sob o manto do medo. Mesmo aqueles protegidos abaixo do teto da Mansão dos Moderadores não tinham sono tranqüilo. Alguns, sequer ousavam cerrar os olhos por algumas horas.
   Em uma espécie de ronda não programada, a Vampira Paola e a deusa do submundo, Rhiannon, atravessavam os corredores da Mansão enquanto trocavam algumas idéias.
   - Sabe, Tchu, em parte, é claro que estou preocupada com o que aconteceu com Gódi, mas eu até que gostei por um lado. – falava Rhiannon. – Quero encarar o Omega Tchutchuco!
   - Ele que me espere também. – falou Paola ao seu lado. – Vai saber porque me chamam de Ser Supremo por aí... – a vampira repentinamente parou. – Ouviu isso? Detrás dessa porta?
   As duas amigas se entreolharam e aguçaram seus ouvidos. De fato, algo acontecia no interior do cômodo. Sem pestanejar, Paola e Rhiannon forçaram a entrada no quarto e conseguiram arrombar a porta sem dificuldades. Todavia, não puderam conter a surpresa ao encontrar lá a Ameba, o alterego mais arredio da Doutora, prestes a me sufocar com os tentáculos que envolviam o meu corpo.

Próximo: Duas X´s Angels contra a Ameba e mais:

 Toleezinho, Mack e o Observador começam a formular teorias sobre a origem de Omega.



 Escrito por Coveiro ¤ às 23h04
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Bastidores de uma Saga:
 
Personae Dramaticae – Doutora e a Ameba

     Assim que recebi o convite em um dos comentários da Lápide e adentrei pela primeira vez as portas do velho Laboratório que serve de cenário para o Blog Perigo Biológico, fiquei fascinado pela narrativa. Todo o clima denso criado instigavam-me da mesma forma que os romances vitorianos. Em seus detalhes, envoltos no clima europeu já vivenciado pela autora, levavam-me com perfeição a um mundo quase concreto e com um mistério sutil no ar.
     A personagem principal, conhecida apenas como “A Doutora”, guardava um segredo e por longo tempo a narrativa nos prendeu até que finalmente foi revelado todo o mistério. A Doutora, no passado, foi vítima de seus próprios experimentos e estava sujeita a qualquer momento a transformar-se numa entidade inusitada, um ser com características tão primordiais quanto um ser unicelular, que se autointitulava como “A ameba”.

 Amebas, em duas representações diferentes

    Confesso que a principio achei por demais insano alguém tão complexo como um ser humano repentinamente tomar a forma (ou a não-forma) de uma ameba. Junto comigo, que sempre acompanhava a leitura no laboratório, Sétimo também ficou absorto. Somente depois de algum tempo, nós dois começamos a divagar na idéia de tal ser e vimos com brilho nos olhos a sagacidade da idéia da Doutora.
    Quando decidi fazer o Crossing Blogs e o pequeno préludio dele publicado no próprio Perigo Biológico, tive que conversar algumas vezes com a autora do Blog e trocar algumas idéias da visão que eu e o Sétimo tínhamos de sua criação.
    Assim como o Hulk da Marvel , o lobisomen clássico das histórias de terror e o Mr Hyde de Stevenson, o personagem principal deste Blog sofre de uma dupla personalidade que beira até mesmo as mudanças físicas. De um lado temos uma Doutora determinada em suas pesquisas, porém isolada em seu mundo distante. Morena, sempre polida, nunca deixando de lado seu jaleco de laboratório e com os óculos constantemente caindo na ponta do nariz, a Doutora retrata com perfeição o lado ordeiro da entidade. Já do outro lado temos a criatura Ameba. De comportamento arredio e violento. a ameba compõe o lado oposto da personalidade da Doutora. Até mesmo fisicamente ela é caótica, não possuindo forma definida.

 Primeira arte de transformação da Ameba – Por Coveiro X.

     Com a permissão da Doutora, junto com Sétimo, fui um dos primeiros a desenhar a criatura, mas para isso foi necessário entender como de fato se portava a Ameba, como andava e quais os seus limites. Primeiro, chegamos os três a um acordo de que era necessário ela deter uma forma similar a humana, apesar possuir os dons similares a um ser unicelular. Para dar vida a isso, foi fácil imaginar a criatura como sendo um misto do venom do homem-aranha e o Reed Richards, o Sr. Fantástico. Em minha versão, a Ameba era algo mais esguio, porém extremamente plástico, quase sempre aparentando um daqueles alienígenas de cabeças grandes e membros finos. Já aos olhos de Sétimo, ela era um ser volumoso e imenso, com uma aparência mais similar a um monstro do pântano. De qualquer maneira, eu e ele entramos de acordo que a criatura poderia assumir qualquer uma daquelas aparências pois a primeira idéia era que a Ameba é um  ser que raramente estabiliza uma forma.
     Tentando dar um ar mais científico e real para a cria da Doutora, discuti com ela que a natureza da Ameba, na verdade seria a mesma de um sincício ou seja uma massa única porém composta de inúmeros núcleos espalhados. Assim, ao se transformar na Ameba, a criatura apenas mudaria a essência de cada célula, mas não perderia a sua individualidade genética. Todas as células que antes era altamente especializadas retornariam ao seus estágio mais simples, como a de um blasto, e as membranas ao seu redor  se uniriam numa única grande massa. Os núcleos, por sua vez, estariam intactos e ocupando a mesma posição de antes, arrumados espacialmente graças a regulação de seus domínios no novo corpo.
     Quando retornasse a uma forma mais complexa, seria através dos núcleos que ela demarcaria a formação das membranas individuais e já seria composto com perfeição os tecidos nos seus devidos lugares. Isso não estaria tão longe da realidade que acontece durante o desenvolvimento do embrião, onde os domínios ocupados pelas células já marcam os locais dos futuros órgãos.
      Enquanto Ameba, a criatura também deteria um princípio de “organelas” gigantes. Assim, no lugar de olhos, gerou-se ocelos minúsculos que provavelmente dão uma idéia monocromática primitiva do mundo ao seu redor. Como já relatado pela doutora, ela também possuí uma boca, que poderíamos já associar a partes similares de outros unicelulares como os paramércios. E, como já ficou claro, ela detém praticamente toda a inteligência da Doutora, o que nos faz suspeitar que suas células do sistema nervoso não perderam totalmente suas funções originais.
     Tendo todas essas idéias firmadas na cabeça, foi bem mais fácil como também excitante por a imaginação pra funcionar, o lápis no papel para retratar e assim dar consistência aos Crossing Blogs. De tal maneira ficamos entretidos com tal personagem que acabei tendo inúmeras idéias para trabalhar com ela e Sétimo até pensou em quadrinizar uma pequena história com ela. Obviamente, que tivemos que nos resguardar e aquietar a euforia, mas ao que vejo, há muito o que se aproveitar tanto com a Doutora como com a Ameba daqui para frente.


 
 A Ameba feita pela arte de Sétimo

 A Ameba feita pela arte do Coveiro X


 Por motivos pessoais, haverá pequeno atraso na publicação dos próximos capítulos da Saga; Tentarei contudo, ser o mais breve possível.

 Próximo Bastidores: O Coveiro Zé.



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h48
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Crossing Blogs Saga
Capítulo 16 – O Todo-Poderoso

    Apenas um homem, um mero homem de no máximo 1,75 de altura, de corpo magro, aparentando idade mediana, cabelos castanhos e usando nada mais do que roupas simples. Alguém que podia se confundir aos olhos comuns como um mero mortal. Aquele então era o Deus dos Blogs, que muitos se referiam como sendo Gódi. Todavia, apesar do aspecto comum, ele era de fato denso de energia. E podia sentir toda ela ao redor, alimentando cada particular do ar.
    - Gódi... – disse Omega com uma voz sepulcral se levantando do chão. – Finalmente...
    - É... finalmente... Demorei, mas cheguei... – falou o Todo-Poderoso. – E pelo visto você fez a maior bagunça  enquanto eu estava longe. Sua mãe não lhe ensinou boas maneiras, não? Ou você nem mãe têm? Acho que você deve ser filho de chocadeira que nem o Capeta.
    - Suas piadas de nada valem, Gódi... – falou Omega se erguendo aos poucos. – Eu sou aquele que veio para trazer o fim... sou o Omega...
    - Ah, sim! Claro! Por favor, não começa vai... esse discurso eu já li bilhões de vezes... E você não passa de mais um zezinho que repete ele. Nem vou perder meu tempo. Vou te mandar direto pro Capeta! – Gódi estalou os dedos e fez um som metálico com a boca. – Click!

    Todavia, Omega permanecia irresoluto diante dele, com os olhos iluminados por intenso verde e vermelho. Estupefado, o Deus dos Blogs insistiu mais uma vez no ato, estalando os dedos e repetindo o “click” com a boca. Sem efeito, repetiu “clicks” em cima de “clicks”. Nada acontecia e um sorriso cresceu no rosto de Omega.
    - Que porcaria!! Deu defeito!! – reclamou Gódi balançando a mão.
    - Não poderá me matar, Gódi! – disse a entidade Omega com os olhos quase tão iluminado como faróis. – Não encontrará vida em mim... eu sou apenas morte!
    Erguendo os braços, Omega gargalhou como um louco e um estrondo violento rugiu nos céus. Um gigantesco raio partiu, descendo como uma larga coluna de fogo, e alcançou o lugar onde o Deus dos Blogs estava. Com o impacto, Gódi foi lançado para trás e caiu o chão se arrastando por alguns metros.

    - Filho de uma... – berrou Gódi se levantando do chão.
    Os Deus dos Blogs mal teve tempo de se por de pé e Omega voou até ele se atracando com os punhos em riste. Gódi e Omega trocaram rápidos socos que surtiam poucos efeitos em cada um.
    - Isso já perdeu a graça! – gritou Gódi se afastando de Omega num vôo curto.
    Tomando alguma distância, o Deus do Blogs arremeteu contra Omega num golpe duro, girando seu braço num gancho violento. Atingido, Omega foi lançado para o alto com velocidade surpreendente. Parou em certa altura, dando uma cambalhota no ar e colocou a mão no queixo, apenas se certificando que aquele golpe não fora nada mais que mero incômodo.
    Com um novo sorriso maquiavélico em seu rosto, Omega voltou-se contra Gódi com os punhos erguidos à frente. Cortava o céu com um forte zunido e chocou-se contra ele arrastando-o para longe. Ambos se chocaram contra a parede de uma das lojas daquela rua, destruindo-a e adentrando-a em meio aos escombros.
    - Larga, Imbecil! – Ouviu-se um  grito vindo de dentro do  estabelecimento.
    Segundos depois, Omega era atirado para fora da loja, alcançando novamente uma boa altura, bem acima dos arranha-céus da Cidade dos Blogs. Sem perca de tempo, Gódi voara até ele e antes que o vilão se recuperasse, o Deus dos Blogs juntou as duas mãos e golpeou-o de tão maneira que o corpo de Omega desceu como um raio e afundou-se no asfalto.

    A mesma cena na qual Gódi derrubara o ser autodenominado Omega se projetou nos monitores da sala de reuniões da Mansão dos Moderadores e gritos de alegria surgiram de todos os cantos. Eu estava entre os muitos que estavam abrigados naquela enorme residência e que compartilhavam agora as atenções para aquela batalha, na esperança de finalmente dar fim aquele Mal.
    Repentinamente, senti um leve toque no meu braço e quando voltei meus olhos para trás encontrei a Moderadora Nane, que diferente das outras vezes em que sempre demonstrava ponderação, agora parecia tão aflita quanto os demais.
    - Acha que Gódi será mesmo capaz de dar um fim a ele? – perguntou-me ela.
    - Estou apostando caro nisso, Nane. – falei me afastando dos demais. – Estou focando toda a minha esperança nele agora.
    - Só que tem um problema, Xis! – disse Roger surgindo da porta da sala de vigília. – Se Omega de fato copia os poderes de alguma maneira das pessoas que encontra, não corremos o risco de expor a ele alguém tão poderoso quanto o próprio Gódi.
    - Eu pensei nisso também, Moderador! – falei voltando meus olhos para o vídeo. – Gódi tem poderes infinitos e inacabáveis. Diante da velha questão filosófica em que se propõe um desafio onde Deus crie uma pedra a qual ele próprio não possa erguê-la, nunca houve uma resposta... até o dia de hoje.

    No extremo noroeste daquele mundo, partia suave brisa responsável por dar movimento as ondas do Mar dos Blogs. Alguns barcos estavam atracados em um ancoradouro de madeira que cobria quase um quilômetro daquele litoral. Lá, pescadores e mercantes deste Mundo Virtual instalavam suas enormes barcaças para reabastecer e realizar os preparativos para novas viagens. Geralmente, os barcos eram pequenos, possibilitando a presença de trinta pessoas no máximo, salvo os enormes galeões que comportavam o quíntuplo de viajantes e mercadorias.
    Intrometendo-se numa roda de pescadores e corsários que realizavam aposta num jogo com cartas, um sujeito largo, de cavanhaque e bigodes negros, com seu cabelo preso em um longo rabo de cavalo, conhecido como Mocotó falou:
    - Senhores, senhores! Eu peço um minuto de vossa atenção! – disse Mocotó erguendo um dedo. – Eu gostaria de saber quantos barcos estão disponíveis aqui para levar um grande número de pessoas.
    - Filho... – um dos pescadores consertou o bonezinho em sua cabeça e falou. – Quantas pessoas exatamente você pensa em levar para o mar?



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h57
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     - Não sei um número preciso, não! – confessou Mocotó. – Mas entenda como sendo algo perto de uma cidade inteira...
     Mocotó virou-se para trás e apontou para as terras mais distantes, onde se podia ver mesmo ao longe as distantes luzes da Cidade dos Blogs, que novamente parecia estar sendo castigada por nova onda de raios.

     Repentinamente, do longo buraco formado há pouco tempo numa das longas avenidas que entrecortava a Cidade dos Blogs, ouviu-se um urro. O chão ao redor começou a tremer e em seguida o asfalto rachou e explodiu. Pedaços voaram para os lados e Omega ressurgiu com o rosto erguido para o alto. Seus olhos agora irradiavam mais do que nunca aquela luz verde em contraste com a vermelha.  Virou a cabeça para um dos lados e encontrou ali seu adversário.
     Em um rompante de completa fúria, Omega disparou contra Gódi num vôo rápido e o alvejou com as duas mãos firmes à frente. Os céus agora disparavam intensos raios por todos os lados e a cada novo golpe de Omega contra o Deus dos Blogs, um novo relâmpago partia dos céus destruindo um prédio.
     A entidade Omega parecia estar cada vez mais suprida de força. A cada novo ataque contra seu inimigo, seus olhos intensificavam o brilho e mais poderosos eram seus golpes. Num último ataque, ainda em meio as inúmeros socos, elevou-se um pouco mais alto no ar e volveu os dois punhos para baixo, acertando as costas de Gódi.
     O Deus dos Blogs caiu dos céus com imensa velocidade e quando chegou ao solo, parecia que uma bomba havia sido lançada. O chão explodiu lançando pedras para todos os lados. Tombado, Gódi gemeu enquanto se levantava, balançou um pouco a cabeça tirando a areia de seu cabelo e quando voltou os olhos para frente, deparou-se com seu algoz, Omega, pousando lentamente no chão.
    - Toma um dedinho, palhaço! – falou Gódi levantando a mão e mostrando o seu dedo médio.

     Indiferente aquele gesto, Omega continuou a se aproximar e mal se deu conta dos estranhos movimentos acima de sua cabeça. Quando menos esperava, ouviu o céu rugir e ao erguer seus olhos para o alto viu algo inesperado. Em meio a raios e as nuvens, uma imensa mão surgiu no horizonte envolta em um fogo de cores fortes. A gigantesca mão chocou-se contra o vilão, afundando-o profundamente no solo e depois se desfez como uma intensa chama que se apaga.
     Por longo tempo houve silêncio. Gódi levantou-se um tanto capenga e foi se aproximando aos trôpegos do lugar onde Omega agora jazia. Olhou desconfiado para os destroços do asfalto, ergueu a sobrancelha e começou a sentir novamente um tremor abaixo de seus pés.
     - Sujeitinho teimoso esse, heim?! – falou o Deus dos Blogs meneando a cabeça.
     Como ele previra, Gódi viu Omega ressurgiu do solo alçando vôo como um foguete recém-lançado e pousando a alguns metros de onde estava. Lá estava novamente Omega, olhando-o desafiadoramente e pronto para mais um embate.
     - Quer vir beijar minha mão de novo, loirinho? – chacoteou Gódi mostrando o punho cerrado.
 Omega não disse nada em resposta. Apenas lançou-se em fúria no ar, voando horizontalmente contra o Deus, ultrapassando em muito a velocidade do vento. Estavam prestes a se chocar quando repentinamente Gódi começou a desaparecer, consumido por um estranho fogo avermelhado.

     Naquela velocidade, o vilão de olhos verde e avermelhados mal pode perceber quando Gódi sumira. Seu corpo atravessou o vazio, seus punhos não atingiram nada mais que o ar e quando se deu conta de que seu inimigo havia desaparecido bem diante dos seus olhos para um lugar desconhecido, Omega soltou um grito horrendo e os relâmpagos mais uma vez partiram em fúria contra a cidade.
     Em nosso ponto de observação na sala de vigília da Mansão dos Moderadores, eu mal podia acreditar no que estava vendo. Era impossível de se acreditar, mas os monitores mostraram de fato que o Deus dos Blogs repentinamente sumira. Voltei meus olhos mortificados para Roger, Zé, Soldier, Nane e os demais e vi que estavam igualmente absortos.
     - O que aconteceu? - perguntou Nane. – Foi o Omega? Foi o Omega que fez isso?
     - É impossível! – falou Rhiannon meneando a cabeça. – Gódi não pode morrer! Ele é o Deus. Pode, mano?
     - Não sei, Rhian... – falei com palavras perdidas. – Acho que ele não morreu. Ao menos não senti isso. Mas também não sinto nada mais. Ele parece estar em silêncio... distante...

     Num lugar que não pode ser medido nem por tempo e nem por espaço, em meio a imensas chamas que se elevavam do solo e vapores escaldantes que surgiam como gêiseres quentes de diversos pontos, uma risada cruel se espalhava por todas as direções. Ao abrir os olhos, Gódi se viu em meio a um cenário macabro, como se ele fora lançado no núcleo de um vulcão.
    - Bem vindo, Gódi, finalmente ao meu lar!! – falou a voz profunda assim que saciou sua risada. – Talvez, não lembre, mas esse é o cantinho que você reservou a mim quando me expulsou milênios atrás.
    Gódi se levantou do chão levemente aquecido em que estava caído e começou a andar em meio aquele caos de chamas e lava. O solo era composto por uma areia seca e escura e muitos pedaços de ossos se dispunham ao redor.
    - Aquilo ali ia durar uma eternidade, Gódi! – disse a mesma voz. – E eu não sou muito paciente, você sabe! Vim chamar você aqui para finalmente resolver nossa disputa eterna.
    - Capeta? – falou o Deus girando os olhos para trás.
    As suas costas, sentado em um trono de ossos de animais, vestido impecavelmente em seu terno sombrio com uma bela camisa vermelha de linho por dentro, estava aquele que se denominava o Capeta. De braços abertos e com olhos vermelhos brilhando em seu rosto, o diabo dos Blogs voltou novamente a gargalhar e sua  risada ecoou por todos os cantos do Inferno, promovendo uma enorme algazarra entre os demônios menores.

 Próximo: Enquanto Deus e o Diabo encaram-se e os blogueiros terão que preparar nova investida contra a entidade Omega.

 Bastidores da Saga nesta Sexta: Ameba, a visão do Coveiro X e Sétimo



 Escrito por Coveiro ¤ às 00h56
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