In Memorian: Sapos e Lagartixas
Não me tornei biólogo à toa. Eu sempre fui curioso por animais. Adorava catar gafanhotos do jardim do prédio, fazia testes com aquelas formigas maiores, tentava fazer armadilhas para capturar lagartos e adorava visitas ao zoológico. Sempre foi meu fascínio. Se não podia ter animais em casa, eu os tinha na rua mesmo. Era assim. Não devia ter mais do que sete anos quando fiz um negócio com uma garota da minha sala. Era uma menina um pouco mais velha, acho que atrasada um ano, morena, mas com os olhos claros e bem mais adulta que as demais. Lembro que ela colecionava meus desenhos e vivíamos fazendo trocas. Esta, no entanto, era especial. Há tempos que ela desejava um protetor de relógio de plástico que eu tinha e, enfim, ela arrumou algo que me fascinou. Era uma lagartixa de brinquedo, mas tão similar quanto uma real que eu mesmo me confundi. - Pega, é de mentira! – disse ela.

Tomei o animalzinho de borracha nas mãos e fiquei impressionado com a perfeição. Era branquinha, de olhos pretos redondos, uma textura de pele bem similar a real e com uma única discreta ventosa em seu ventre. Aceitei com gosto a troca, entreguei o protetor de relógio e tomei para mim a tal lagartixa de borracha. Feliz da vida, eu comecei a testá-la na parede e fiz testes de quão perfeita ela era para enganar os outros. Terminado o horário de aulas, corri para o pátio dos segundo grau maior, onde minha irmã sempre me esperava para voltarmos para casa. Lá estava ela junto com as amigas e amigos numa roda conversando quando cheguei. Feliz por mostrar meu novo pertence, peguei a lagartixa pelo rabo, como certamente faria se fosse um animal morto, e chamei a atenção de todos com um grito: - Olha pessoal o que tenho! Eu nunca vi as meninas (e rapazes) daquela idade se levantarem tão rápido e correr daquele jeito. Fiquei parado ali, rindo sozinho e quando finalmente deixaram me explicar a procedência artificial de meu bichinho, levei a maior bronca da minha irmã. Depois de algum tempo, não lembro onde enfiei aquela lagartixa, mas acabei perdendo-a. Mas existe uma outra história envolvendo esses animais odiados pela maioria que aconteceu mais ou menos na mesma época. Desta vez, no entanto, não se tratava de algum brinquedo. Eu estava num dos pátios da escola, onde geralmente ficava o campinho de areia de futebol. Sempre se formavam os times mais fortes que tomavam a quadra primeiro e o restante tinha que ficar esperando do lado de fora. E lá estava eu mais uma vez de fora, desta vez remexendo num dos canteiros do pátio. Não me perguntem o que eu fazia ali, mas de fato eu sempre encontrava algo de interessante em meio aquelas plantas, geralmente cogumelos ou algum besouro. Naquele dia, remexendo aqui e ali, acabei encontrando uma lata de “Sukita” jogada. Tirei o objeto e balancei com a mão. Dentro da lata, dava a impressão de ter algo que pulsava. Curioso, entornei a lata e, para minha surpresa, ao invés de refrigerante, dezenas de pequenos sapinhos pretos caíram e começaram a saltar ao redor.

Toda aquela parte do pátio foi tomada pelas criaturinhas. Algumas meninas correram aos gritos, outras ficavam dando pulinhos aos prantos e até os meninos se mantiveram longe observando com olhos assustados. Uma das instrutoras se aproximou e deu de cara comigo, estatelado no meio do pátio com a lata ainda na mão, praticamente pego com a prova do crime. Obviamente, fui levado à coordenação e tentei explicar que não era o culpado, mas não fazia a mínima idéia de como tantos sapos nasceram de uma lata de laranjada artificial sem ser por geração espontânea. Algumas horas depois, lá voltava para a sala de aula sendo observado com receio por meus colegas, com mais uma nova história para ser contada depois.
Fim
Quinta-Feira: Crossing-Blogs Saga - Capítulo 16
Escrito por Coveiro ¤ às 00h49
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Crossing Blogs Saga Capítulo 15: Tempos de Prece
Muito mais do que aconteceu durante aquela manhã, a noite emanava um ar de medo entre os habitantes da Cidade dos Blogs. A escuridão cresceu com os espessos cúmulos negros que dominaram o céu, bloquearam a visão do sol e castigaram a terra com intensos raios. Prédios, praças, ruas foram atingidas por aquele fenômeno misterioso. Por um breve momento, ouve quietude e a fúria dos céus abrandou. Todavia, em algum lugar, seu autor estava quieto, esperando seu novo momento para trazer o caos. Foi nestas mesmas ruas, em meio a postes destruídos e carros revirados, que eu caminhava ao lado do advogado Aleixo. Assim como ele, éramos amigos de Gódi, o deus em forma de homem que veio ao Mundo dos Blogs. Também éramos seus “Santos”, cada um por um motivo em particular.

Já estávamos praticamente desistindo de tentar achá-lo entre às ruas abaladas da cidade, quando em determinado instante senti uma pontada na cabeça. Olhei para Aleixo e ele parecia levemente perturbado. Foi quando nos viramos para trás e vimos passar um homem de casaca azul, com bonezinho vermelho na cabeça, de ombros curvados e longa barba branca. Virei-me para o advogado e ele parecia captar as mesmas impressões que eu. Adiantamos o passo e o homem de barba branca, voltou-se para trás, arregalou os olhos e acelerou o movimento de seus pés. Não perdi tempo. Avancei em cima dele e antes que tentasse fugir de fato, tomei seu boné e arranquei sua barba. - Me solta, seu energúmeno! – gritou o sujeito me empurrando Diferente do que seu disfarce aparentava, aquele homem não passava de um caipira de trinta anos, com o cabelo castanho ainda escuro e saúde perfeita. Poderia passar desapercebido como um qualquer por muitos, mas para os que conheciam e podiam ver sua aureola, aquele era o Todo-poderoso Gódi. - Senhor, quer parar com isso? – falei tentando me controlar mesmo depois de levar uma mão no queixo. – Está ridículo com essa barba! Parece o Papai Noel fora de época. - Quisera eu ser Papai Noel que trabalha um único dia e o resto só no descanso. – disse Gódi fazendo birra. – Já to de saco cheio, Coveiro. Hoje eu saio de férias de verdade e não volto nem tão cedo.

- Gódi, você vai ter que adiar suas férias. – disse Aleixo se aproximando. - Surgiu um problema que só você será capaz de resolver. - Aleixo, não me venha cobrar nada até você aprender um milagre melhor do que fazer suas sapatilhas brilharem. – disse o todo-poderoso apontando para os pés do Santaleixo. - Ele está certo, Gódi! Será que não percebe o mundo enlouquecendo a sua volta? – falei abrindo os braços. – Você tem que dar um jeito nisso. - Eu? – o Senhor se surpreendeu. – Eu não fiz nada disso aí. - Eu sei, Gódi. Quem fez foi o Omega. – falei. - Que Omega?! – perguntou o Divino cruzando os braços. - Omega é um desconhecido que esta causando esse apocalipse. – explicou o Santo Aleixo. – Sabemos poucas coisas dele, mas vimos que o Capeta estava com ele. - Ele é coisa do Capeta? – perguntou Gódi apertando os olhos e fazendo a pergunta para a qual ainda não tinhamos a resposta.

O relógio digital já marcava mais de oito horas da noite quando saíram os moderadores da sala de vigília. Os dois agora trajavam uniformes similares de couro negro, com coldres amarrados a cintura. Assim como eles,. outros daquela sala trocaram suas roupas usuais por trajes mais ofensivos. Nane, a moderadora se colocou na mesa junto com Roger e esperou assim a aproximação dos outros. Juntando-se a eles vieram a Vampira Paola, Mack, o Observador, Peter Pan, Val, Margot, Renato e tantos outros que sempre estavam ali na sala de reuniões. Todos calados esperando as palavras de um dos moderadores. A primeira a falar foi Nane, após notar que todos se acomodaram. - Nossa situação não é nada favorável, amigos! – disse ela colocando as mãos em cima da mesa. – Se nossa cidade for acometida por outros ataques como aqueles dessa noite, não demorará mais que dois dias para ela estar como as ruínas de Gotham. - Não podemos arriscar a vida de tantas pessoas. – complementou Roger. - Temos que deter esse Omega logo! – falou Paola massageando os punhos. - Talvez devamos ser um pouco mais prudentes... – comentou o Observador. - Certamente, amigo! – falou Roger. – Paola, não vamos agir precipitadamente sem antes no mínimo garantir a segurança nesta cidade. - O que estão pensando para isso, Moderadores? – perguntou Mack. - Vamos tentar evacuar toda a cidade para um lugar seguro. – informou Nane. - Toda a Cidade dos Blogs!!?!? – exaltou-se Vampira. – Mas como? E para onde? - Já mandei uma pessoa providenciar isso. Alguém que sabe negociar bem. Se tudo der certo, estaremos formando caravanas para o norte. – comentou Roger. - Norte?! – perguntou Peter Pan. – Onde no Norte!? - Em breve falaremos disso, Peter. – respondeu Roger. - Olá, Personas! – uma voz interrompeu a discussão no meio. – Começaram mais um caldeirão sem mim?

Vinda de uma das portas da Sala de Reuniões, a jovem de cabelos negros tida como a deusa do Submundo, Rhiannon, se aproximou dos demais. Trajava uma túnica roxa mais curta coberta por as partes de uma armadura de placas de metal num estilo bem antigo, provavelmente céltico. Junto a ela estava a Doutora, que por baixo do seu jaleco, já trajava o uniforme criado por seu amigo Tolee. - Rhian, o que é isso? – perguntou Paola torcendo a sobrancelha. - Ora, Tchu, essa é minha armadura de combate! – respondeu Rhiannon colocando as mãos na cintura. – Todo mundo ta com uniformes novos e fashions! Eu resolvi buscar algo na minha altura. Quando vamos partir para detonar o Omega Tchutchuco? - Ela só fala nisso desde que eu cheguei, Paolita! – falou a Doutora com um sorriso nos lábios. - Quem vê, nem se dá conta de que na madrugada de ontem tava passando mal! – falou Paola meneando a cabeça. Rhiannon deixou um sorriso peralta transparecer em seu rosto. Lembrou-se de fato que algo parecia perturbar sua mente durante a última noite, mas agora a excitação deste momento anterior a batalha fizera-a esquecer de tudo. - Roger! Chegou alguém - exclamou Nane voltando-se para os monitores da sala de vigília. – É o Zé! Ele está com a Lua Negra!!
Escrito por Coveiro ¤ às 13h48
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Não demorou mais que minutos para a figura baixa, curvada e temerária do Coveiro Zé Coveiro surgisse nas portas do subsolo da Mansão dos Moderadores. Vestido com seu longo capote marrom empoeirado e com sua pá ainda ensangüentada nas mãos, Zé chegou até o salão principal. Logo atrás dele, vinha Lua Negra, com seu manto de sacerdotisa azul e um amuleto de proteção no pescoço. Roronoa Zoro, seu filho, foi o primeiro a recepcioná-los abraçando a sua mãe. - Coveiro Zé! – admirou-se Nane assim que o viu entrar. – Por onde andou esse tempo todo? Estávamos à sua procura! Tentamos o seu cemitério, mas lá só encontramos um movimento religioso cercando o lugar e o acusando das últimas desgraças. - Eles estão lá, é? – resmungou o Coveiro. – Deixa estar que em breve eu volto para pôr todos para correr. - Zé, eu fico mais confiante por você estar junto conosco contra essa última ameaça. – comentou Roger. – Um ser o qual ainda desconhecemos a natureza chamado Omega é o responsável por todas as desgraças... - Já sei quem é o sujeito. Eu e a Lua topamos com o Loiro. – falou o Coveiro Zé com certo desdém. – Mostrei a ele um pouco de minha pá no final da tarde. - Você o feriu? – surpreendeu-se Nane. – Isso explica a fúria que tomou conta da cidade no começo da noite... - Eu devia ter terminado o serviço e matado ele naquela hora! – comentou o Zé virando-se para a amiga bruxa. – Mas a Lua Negra me impediu... - Ela fez bem, Zé! – falou Nane. – Nós vimos ele ser trespassado por uma espada e em poucos minutos se recuperar e matar seu inimigo com a própria arma. Nada parece atingi-lo! Até, então, Omega parece indestrutível.
- Nane, eu fiz ele sangrar... – comentou Zé olhando friamente para ela. – E se sangra, ele pode morrer.

Dos corredores da Mansão, vindo de outro ala, aproximou-se o jovem engenheiro químico Toleezinho, com uma larga mochila de viagem nas mãos, arrastando-a pelos corredores. Chegou até onde estava os Moderadores e os demais amigos blogueiros, colocando a bagagem no chão. - Estou pronto, Roger! – disse Tolee com um ar cansado. – Já estou com as coordenadas do possível local onde se formou aquele segundo pólo magnético. Eu deixei os dados num dos computadores e... - Ótimo, Tolee! – comentou o Moderador. – Obrigado por se dispor a ir com os outros até lá. Eu sei que você, Mack e o Observador conseguirão descobrir algo valioso para nós lá. - Eu vou tentar, Roger – falou Tolee olhando para o chão. – Mas não sei se vou conseguir... - Tenho confiança de que vai! – falou o Moderador. - Mack! – disse Nane chamando o Caçador de Paranigmas e lhe entregando dois comunicadores. – Para se comunicar, usem a freqüência do canal seis. Assim que encontrar algo não deixe de nos avisar de imediato. Estaremos aqui aguardando vocês. - Está bem, moderadora! – disse Mack colocando o fone em seu ouvido e dispondo o microfone na altura certa para falar. – Vamos rapazes?!

Os demais concordaram com um movimento rápido de cabeça e Mack girou os calcanhares, sumindo pela porta principal daquele corredor. Logo atrás dele seguiu o jovem engenheiro químico Toleezinho arrastando a sua enorme mochila pelo chão. Por último, foi-se o Observador que se despediu de todos tocando de leve em seu chapéu e rumou velozmente até a saída tremulando o seu longo sobretudo. Poucos minutos depois da partida daqueles três, eu retornava a Mansão dos Moderadores junto com o advogado e Santo Aleixo. Cruzamos as portas da entrada e fomos recepcionados por todos que já estavam apreensivos com as novidades. - E então? – falou Rogério. – Encontraram Gódi? Aleixo apenas meneou levemente a cabeça. - Ele vai se juntar a nós? Vai lutar contra Omega? – perguntou Nane. Até então, eu estava quieto e pensativo. Diante dos questionamentos da moderadora, eu me virei e encontrei os rostos tensos de todos voltados para nós. Engoli seco e, então, falei: - Nos próximos minutos, como nunca aconteceu antes, nosso destino está nas mãos dele.

Reinando no ar, em meio à momentânea quietude dos céus, o ser de cabelos loiros e olhos diabólicos, Omega, mirava a cidade por cima. Diferente do que se esperava, naquela noite suas ruas estavam vazias e as pessoas trancafiadas em suas residências. Não divergia muito de qualquer cidade fantasma abandonada a anos. Repentinamente, um sutil zunido diferencial do vento chamou a atenção de Omega. O vilão virou-se para trás e olhou curioso para um ponto distante que vinha em sua direção. Um ponto incomum que se movia rápido demais. Sequer teve tempo de desviar e foi atingido violentamente no rosto, Sua cabeça volveu para trás e seu corpo girou no ar até cair como um meteoro no asfalto duro da avenida que estava abaixo na cidade.

Mesmo após tal impacto, o loiro parecia inteiro. Ergueu seus membros estalando os ossos e apoiou os dois cotovelos no chão erguendo parcialmente o corpo. Balançou a cabeças para os lados como se isso livrasse a sua tontura e firmou a vista para aquele que se colocaram a sua frente. - Levanta aí, Infiel! Você não teve sorte hoje, pois me pegaram de mau humor. Diante de Omega, estava o homem de roupas de linho bem simples e aureola na cabeça que nos pensamentos de suas vítimas passadas era referenciado como o próprio Deus ou Gódi, para os íntimos. Omega sorriu com deleite e seus olhos se acenderam como luzes de um farol. Finalmente, estava diante de um dos grandes, o maior deles.

Próximo: Deus e Omega, num dia como no juízo final.
Escrito por Coveiro ¤ às 13h48
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Páginas Negras: Nossa Cidade

Hoje, não vou me estender muito na Lápide. Escreverei só algumas linhas, porque quero voltar minhas atenções para o mais novo projeto que estive elaborando essas últimas semanas e que contará com dois preciosos blogueiros que conheci neste Mundo. São eles, Rhiannon e Peter Pan, ou para os mais próximos, Priscila e Bruno. Junto com eles, estamos nesta noite lançando o "BlogTown".
http://blogtown.zip.net
Não irei gastar muitas linhas explicando o que vai rolar lá na "cidade", pois espero que todos saiam daqui e se dirijam para lá e conheçam o lugar, mas quero confessar aqui a alegria com que finalmente estou colocando este projeto em prática. Já havia conversado muito antes com outras pessoas sobre a idéia de criar um selo ou blog que servisse de marco para ligar todos os demais de nossa comunidade e assim será se eu conseguir por em prática tudo o que está montado em minha mente.
O BlogTown também vai servir para saciar a minha velha sede de escrever sobre minhas teorias malucas e observações do cotidiano em minha coluna. Para aqueles que se divertiram com os antigos textos por mim elaborados aqui na lápide como "Teoria da Insanidade" ou "Uma questão de desvio da lógica". Em meio a tantos Crossing-Blogs e In Memorians acabei por sentir que o espaço deles se perdeu neste lugar e assim que tive a idéia de criar colunas dos guias para o BlogTown, tinha certeza de que ali era o lugar.

Enfim, chega de delongas... Preparem suas câmeras de vídeo e Máquinas fotográficas, porque a partir desta noite vou ser um dos seus guias nesta cidade...
Sombras...
Escrito por Coveiro ¤ às 22h06
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Crossing Blogs Saga Capitulo 14: O soar dos trovões
Através dos olhos de muitos, ele pôde senti várias reações humanas. Algumas delas eram relativamente apáticas para seu interesse, outras, no entanto, lhe eram deliciosas. Temor, angústia, desespero, dor, sofrimento, todas estavam presentes em suas vítimas humanas antes de serem eliminadas. Aos poucos, ele começou a se viciar nessas sensações e sempre que era possível queria presenciá-las de novo. Todavia, naquele final de tarde, Omega conheceu-as bem mais de perto. Desta vez, ele estava do lado perdedor. Assim que sentiu a lâmina fria do humano Coveiro Zé lhe rasgando quase ao meio, todos os seus nervos pareciam enlouquecer. Sentiu uma vontade intensa de gritar e chorar ao perceber o seu próprio sangue se esvair em tamanha quantidade de seu corpo. Diferente de qualquer outro, aquele humano não só o fizera conhecer a mais profunda dor, mas levou-o ao chão, a derrota.

Mas por intuição do que por qualquer outra coisa, Omega erguera uma das mãos e emanou intensas rajadas elétricas ao seu redor. Bateu os dentes com a sua dor misturada a fúria. O céu em reação passou a um estado caótico, onde nuvens negras dançavam. Parte de sua dor vinha da longa ferida aberta, que aos poucos parecia se fechar, sendo cauterizada em processo acelerado. A outra dor provinha de seu ego. Omega fora derrotado e deixado para trás. Esse pensamento vinculado a uma série de emoções conflitantes pareciam explodir na cabeça. Ele gritou enlouquecido e uma saraivada de raios caiu dos céus, enquanto outros se projetavam de seus olhos e mãos. Um relampejar mais intenso clareou tudo e, num piscar de luzes, o corpo caído de Omega desapareceu do lugar. Uma nuvem negra parecia se expandir, contaminando as outras ao seu redor. Foram poucas as horas em que o céu abrandou seu tom acinzentando. Novo caos se formava nos céus, rodeando a cidade e a fechando numa espécie de prisão de raios. Os habitantes das Cidade dos Blogs corriam aparvalhados, procurando abrigo diante da eminência de uma nova catástrofe. Nesse mesmo tempo, vindos do lado sul, eu e Jotapê deixávamos poeira para trás e ganhávamos um novo trecho da estrada escura. Em seu jipe, o Nômade Poeta deixara as terras desérticas onde vivia e alcançou em menos de algumas poucas horas a região marginal a da Cidade dos Blogs. - Nossinhora! – falei absorto diante da imagem da tempestade sobrenatural. – Isso parece loucura. - De fato, não era exagero o que Nane me relatou no telefone... – falou John Paul apertando os olhos. – Segure-se, Coveiro. Nós vamos forçar nossa entrada.

Dizendo isso, Jotapê afundou seus pés nos pedais, mal dando tempo de eu apertar ainda mais meu cinto e segurar-me no assento. O jipe roncou alto e cruzou o asfalto da estrada, virando de supetão e tomando assim a direção reta rumo uma das entradas da cidade. Meus nervos estavam tensos, respiração entrecortada, diante do que víamos. Inúmeros raios chegavam ao chão, destruíam arvores, faziam buracos no asfalto, lançavam postes a metros de distância. Alguns destes relâmpagos chegavam mesmo a cruzar a estrada a nossa frente e, por poucos segundos, o Nômade mostrava-se hábil o suficiente para desviar deles. Alcançamos rapidamente o interior da grande metrópole e, sem qualquer hesitação, o Poeta do deserto, girou o veículo em direção ao centro, a fim de atravessar a cidade para alcançar a Mansão dos Moderadores. Um vento arredio carregava objetos para o meio da rua. Uma daquelas grandes tampas de ferro de lixeiros voou em direção ao nosso carro e estilhaçou o vidro da frente. Todas as adversidades mostravam que o mais sensato seria pararmos, mas o Nômade se mantinha firme. - Cuidado! – gritei de repente. Uma árvore em chamas foi atirada pelo vendaval e caiu a poucos metros na rua à frente. Pego de surpresa, Jotapê mal teve tempo de desviar. Seu jipe deslizou descontrolado e saiu do asfalto, subindo a calçada. A lateral esquerda do carro arrastou-se alguns metros à frente e, por fim, o veículo parou bruscamente. - Está tudo bem? – perguntei depois de me certificar que estava com muito menos do que um arranhão. - Vamos ter que atravessar o resto a pé! – disse Jotapê tomando sua mochila que estava no banco de trás do jipe. – E vamos ter que sobreviver a isso. Saindo do veículo, estávamos diante do inferno tomando aquela cidade. Voltamos nossas cabeças para o alto e víamos os raios partindo em fúria o céu arroxeado daquela tarde. Não podia compreender ainda o que provocava aquele fenômeno, mas em algum ponto distante daquela tempestade, estava a entidade que se denominara de Omega. Como uma manifestação de um anjo apocalíptico, ele estava lá ostentando sua ira em meio as luzes dos relâmpagos e soar dos trovões.

Eu e o Nômade atravessamos a cidade de ombros curvados e passos ligeiros, travando os músculos cada ribombar dos céus. Quando chegamos ao centro, onde os maiores prédios da cidade estavam localizados, vimos um vistoso raio rasgar o horizonte a nossa frente e infiltrar-se num dos arranha-céus. O edifício por um instante ganhou um brilho intenso, todas as suas janelas estouraram os vidros e, em seguida, um fogo intenso tomou conta dos andares do meio do prédio. Eu estava mortificado com tal cena, sem conseguir me mexer. Aos poucos víamos alguns moradores aparecendo nas janelas e pedindo ajuda e tudo aquilo me deixou por alguns minutos sem ação. E ficaria assim, estático, se uma voz familiar não tivesse surgido ao nosso lado: - Cara, ainda bem que encontrei vocês! - Soldier?! – virei-me reconhecendo-o de imediato. O jovem blogueiro que se denominava Soldier parecia ter enfrentado um exército. Suas roupas estavam amarrotadas e sujas, o cabelo desalinhado e o rosto transparecia um ar cansado, mas ainda assim podia se ver que estava disposto a lutar. - Disso eu não ia dar conta sozinho! – falou novamente o Soldado apontando para o prédio em chamas. – Vamos ter que contar conosco apenas.

Repentinamente, os monitores da sala de vigília da Mansão dos Moderadores começaram a piscar e abrir janelas adicionais com novas informações. Numa das telas, um grande mapa da cidade dos blogs mostrava os principais pontos em vermelho que foram danificados durante a repentina tempestade. Roger e Nane correrão em direção aos monitores e começaram a ordenar aquelas informações. Logo em seguida, entraram na sala a Vampira Paola, a deusa Rhiannon e o caçador de fenômenos paranormais chamado Mack.
Escrito por Coveiro ¤ às 22h33
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- O que foi que aconteceu agora? – perguntou Vampira apoiando suas mãos em uma das mesas. – Que que são esses pontinhos? - Pontos de dano! – falou Nane contabilizando mais de setecentos desses pontos. – Uma tempestade esta devastando a cidade. - Nosso amigo Omega deve estar de muito mau humor. – comentou Mack. - Ele deve estar nos desafiando... Está destruindo a cidade para que apareçamos para impedi-lo. – falou Roger. – É isso que ele quer! - Um minuto gente. O que é isso aqui? – falou Rhiannon olhando para um outro monitor da sala. – É meu Mano?! Ele já está aqui na cidade? - Como? – Nane correu para o outro computador e disponibilizou mais câmeras na área. – Sim é ele! E também o Soldier e o Nômade! O que eles estão aprontando?

Ao ouvir esses nomes, mais gente adentrou na sala de vigília dos Moderadores, voltando seus olhos para os monitores que mostravam em diversas posições, o interior do prédio em chamas que eu e os dois companheiros, Soldier e Jotapê, entramos. Havia muita fumaça e os corredores estavam escuros e sufocantes. Ainda assim conseguimos alcançar sem dificuldades o sexto andar. Dali, uma labareda enorme tomava as escadarias e seria um risco muito grande para qualquer um subir sem proteção. - E agora? – falei. – Até aqui todo o pessoal já se salvou e conseguiu sair. Como vamos tirar o restante ? - Temos as escadas externas de emergência! Podemos subir por elas... – sugeriu o Nômade. - Certo! Vocês sobem por lá e tentam salvar as pessoas que estiverem presas nos apartamentos. – falou Soldier. – Eu vou continuar subindo por aqui e procurar a mangueira mestre para minimizar as chamas! - Peraí, Soldier, você está malu... Sequer pude terminar as palavras e lá se foi o soldado desaparecendo no meio do fogo que consumia o prédio. Não tinha como segui-lo. O calor era intenso demais. Jotapê fez sinal para seguirmos nosso plano original pelas escadas externas. Eu e o Nômade alcançamos a parte de fora do prédio, onde uma fina escada de metal direcionava-se para todos os andares superiores da construção. No décimo andar, em meio ao bravo fogo que dominava tudo, estava a primeira caixa mestre de emergência do prédio. Um vidro grosso protegia as largas mangueiras e o registro. Com um gesto rápido de mãos, Soldier fez aparecer um pequeno machado de concussão. Primeiramente, só surgiu a sua silhueta em linhas verdes tridimensionais. Em seguida, a arma foi tomando formas mais detalhadas e, por fim, era de fato um machado real.

Com um único golpe, Soldier estraçalhou o vidro da caixa de emergência e tomou nas mãos uma das mangueiras. Girou o registro, deixou as outras soltas encharcando o chão daquele andar e, por fim, prosseguiu rumo as escadarias, esguichando a água com toda pressão pelo andar superior. Enquanto isso, eu e Jotapê chegavamos até o décimo primeiro e décimo segundo andar, onde conseguimos abrir as portas e direcionar os moradores para a escada externa. Ao chegar no décimo terceiro, as chamas consumiam com ainda mais força o local. Lá, o fogo já atingia o interior dos apartamentos e podíamos ouvir os gritos desesperados dos inquilinos. - Veja se tem alguém preso nos apartamentos de trás. – falou o Nômade. – Eu vou abrir as portas destes. Erguendo a sua grande lâmina, o poeta do deserto desferiu um golpe no trinco de uma das portas em chamas e assim abriu o seu caminho. Lá dentro, era possível ver uma família em estado de choque. Sem medo, o Nômade do deserto adentrou o lugar, alheio ao fogo.

Seguindo meu caminho, encontrei dois apartamentos. Um deles estava com a porta aberta e certamente os seus moradores conseguiram sair a tempo. No outro, a porta estava fechada e foi necessário arrombá-la. Meti o cotovelo na porta, quase me arrebentando todo, mas consegui abri-la. Lá encontrei, um casal envolto em um lençol. - Meu bebê! – repetia a mulher apontando para um quarto, onde o fogo me impedia de chegar. – Meu bebê! - Eu vou tirá-lo de lá! – assegurei a mulher e voltei-me pro seu esposo. – Leve-a daqui pela escada de emergência. Mesmo contra a vontade daquela mãe, o marido conseguiu arrastá-la para fora. Agora, restava-me enfrentar as chamas e invadir o quarto. Segurei meu amuleto por um instante, criei coragem e me joguei com tudo sobre a porta. Ela cedeu, algumas chamas salpicaram em minhas roupas, mas eu estava no interior do quarto e podia ouvir o bebê vivo e chorando.

Tomei a criança nos braços e disparei por aquele andar as pressas. Dirigi-me pela escada de incêndio e me movi pelos degraus o mais rápido que pude. Todavia, para minha surpresa. Ao chegar no terceiro andar, deparei-me com a escada de metal partida e caída lá embaixo. Certamente, o fogo a consumiu. - Mais essa agora! – resmunguei. Não tinha outro jeito, eu teria que saltar e ainda assim garantir a minha vida e a do bebê. Olhei para o chão e tentei me focar. No momento que eu mais precisava, eu tinha que conseguir. Suspirei fundo e me lancei ao ar, com a criança nos braços. - Sombras... – gritei, mas nada acontecia. – Sombras... – E fui despencando já desesperado. – Soooombras... Ai que m... Para minha sorte, logo abaixo estava um container de lixo, que aparou minha queda bruta. Fui amortecido por caixas de papelões e restos de comida. Minha vista escureceu, mas sabia que estava tudo bem. O choro do bebê e o cheiro podre do lixo eram a prova disso.

Cerca de uma hora depois, eu estava chegando na Mansão dos Moderadores junto com Soldier o Nômade. Fomos recepcionados com elogios por todos que assistiam nossos atos através dos monitores da sala de vigília. Abracei com alegria meus parentes virtuais, minhas “Angels” e meus amigos. - Vamos me contem o que anda acontecendo aqui... E foi desta maneira que soube de tudo o que se passou. Da reunião do caldeirão chefiado por Rhiannon, da luta de Roger com o tal Omega e dos ataques dos Bizarros, tudo me foi contado e assim comecei os relatos dessa história em meu diário.

Próximo: Com a minha chegada, o próximo passo é chegar a Deus...
Escrito por Coveiro ¤ às 22h33
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Bastidores de uma Saga: Personae Dramaticae - Coveiro X
Os bastidores de uma saga entram agora numa nova fase, onde serão mostrados o processo de criação e concepção visual de cada um dos personagens usados aqui na saga. Junto com um breve relato de como me baseei para adaptar cada blogueiro ao seu crossing blogs, serão postados aqui esboços e desenhos já finalizados por mim, por Sétimo e qualquer outro que se sinta a vontade em me enviar suas próprias artes por email. O primeiro dos meus personagens a ser aqui relatado foi criado muito antes do que qualquer Crossing Blogs e nada mais é do que a minha representação virtual para esse mundo. A origem do apelido “Coveiro” como muitos de você bem sabem foi dada por dois amigos meus Guga e Socrates, no começo de 1998. Mais de um ano depois, em 1999, eu estava usando essa mesma alcunha como pseudônimo na minha primeira homepage, a Paranigma. Não demorou muito e meus primeiros esboços do desenho do Coveiro tiveram forma. Passei um tempo sem utilizá-lo e em meados de fevereiro de 2004, decidi ressuscitá-lo numa pequena história com o Coveiro Zé. Mal sabia que estaria meses depois escrevendo os eventos de uma saga repleta de blogueiros com dons fantásticos.

Concepção Criativa do Coveiro em 1999
A concepção visual do Coveiro foi quase meio que acidental, visto que nem tudo o que vocês vem nele, é parte do homem real. Ele continua tendo os meus cabelos negros despenteados, mas não tão curtos como originalmente é. A pele continua branca, é tão magro quanto sou e nem sempre aparece com meus óculos. Não sei como informar como o estilo e as cores de roupas acabaram sendo aquelas, visto que evito roupas de listras ou xadrez e não tolero muito a cor azul. O costume de usar duas camisas e uma delas aberta até confesso que faço com moderada frequência. O fato é que no personagem, após muitos testes, aquela combinação ficou a melhor. Puxando para o lado comportamental, não saberia muito definir como o personagem é, pois tento imprimi-lo o mais perto do que eu faria em cada situação. Curioso, reflexivo, espirituoso, um tanto impetuoso, melancolico, teria muitos adjetivos para colocar aqui, todos intuitivamente baseados em mim. Esse seria o lado mais agradável e que todos conviveriam no dia-a-dia. Todavia, o personagem que eu criei, em algum momento do passado nos Crossing Blogs sofreu uma mudança. Junto com olhos vermelhos, surgiu um comportamento mais malicioso, frio e inconstante, algo que foi exacerbado em minhas características, mas não totalmente inventado.

Esboços do Coveiro em 2004
Os olhos vermelhos trouxeram um novo rumo ao que o Coveiro era. Muitos dos personagens presentes nos Crossing Blogs possuem dons magníficos e baseados em características de seus pseudônimos ou relativo aos temas de seu blog. Por longo tempo ponderei em que poder dar ao coveiro viajante e escritor e como fazer esse dom surgir. Foi, então, que me baseei numa idéia um tanto curiosa. Sendo o Coveiro o personagem mais próximo de mim e, portanto, criador de vários personagens fictícios em minhas histórias, ele teria um pouco de cada uma de minhas crias. Foi assim que misturei os olhos vermelhos de uma raposa divina, a psique de uma maldição de “coveiros sobrenaturais”, o dom de manipular sombras de um paranormal e, por fim, o ar malévolo de um sacerdote antigo. Em meio a essa esquizofrenia, houve uma fusão que originou os dons de meu personagem nos CBs, um poder que até então, ele não consegue compreender e controlar com perfeição. Quando olho pro Coveiro hoje, eu vejo que, mesmo oriundo de outras idéias, ele nasceu mais independente do que qualquer outros personagens já existentes. Ele é tão vivo quanto o narrador da história, o papel primordialmente ocupado por ele nos relatos da saga. É impraticável, portanto, separar limites entre um e outro. Somos um.
 Concepção criativa do Coveiro X, por Sétimo

Concepção criativa do Coveiro X , por C.X.
Algumas outras artes do personagem Coveiro X também foram feitas pelas mãos de outros blogueiros como Soldier e Raven. Elas já foram postadas aqui e serão em breve colocadas numa homepage junto com a Saga. As artes de qualquer um podem ser postadas aqui, bastando enviar previamente para meu email.
Próximos bastidores: A Ameba!
Nesta quarta feira, as 20:00hs: Mais um capítulo da Saga com Xis, Soldier e JP!
Escrito por Coveiro ¤ às 00h05
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Crossing Blogs Saga Capítulo 13: Passos para trás
Ainda era meio da tarde no Mundo dos Blogs e o sol encaminhava-se vagarosamente para o poente, se escondendo rumo à vasta cadeia de montanhas a oeste. Na Cidade dos Blogs, as pessoas tentavam minimizar o pequeno caos. Saiam às ruas, ajudavam os feridos, tentavam recuperar o que havia perdido, mas sempre com olhos receosos voltados para o céu. O medo de um novo tornado ainda estava arraigado nos moradores. Não muito longe dali, seguindo a estrada escura ao sul,passava-se agora pela morada da Lady Esoteric e pelo laboratório da Doutora. Mais adiante, descendo ainda mais a estrada, encontrava-se o Cemitério dos Blogs, um terreno maldito que tinha seus muros rodeados por manifestantes culpando o proprietário daquele lugar pelas últimas catástrofes. Um pouco mais além, a estrada encontrava parte do que antes foi uma grande metrópole, mas que se tornou apenas velhas ruínas em um dia inesperado. Lá, não existe mais habitantes, apenas o fantasma de uma mulher, que muitos vêem vagando pelos becos e topos dos prédios tombados durante a noite.

Tomando de novo a estrada, o caminho mais distante que alguém já seguiu foi o imenso deserto conhecido como Terras Nômades. Até ali, eram mais de trezentos quilômetros, o que me levou cerca de doze dias completos de viagem. Meus pés conheceram novamente todo aquele percurso que meses atrás eu havia trilhado, um pouco antes daqueles estranhos acontecimentos do meu seqüestro. Agora, eu retornava e com um intuito único. Desta vez, eu ultrapassaria os limites conhecidos daquele mundo. Estaria de cara a cara com a fronteira do Universo Virtual e seria o primeiro a desvendá-la.

Mais a frente, restavam apenas as imensas rochas que figuravam a extremo leste das Terras Nômades. Em menos de um quilômetro, eu as estaria escalando e assim chegando à fronteira. Empolguei-me na ânsia de concretizar o meu objetivo e comecei a acelerar o passo quando ouvi voz profunda atrás: - Coveiro! Enfim, consegui te alcançar... Viro-me de imediato e lá vejo um homem alto, trajando roupas apropriadas para viajantes do deserto, rosto envolto em panos para proteger-se da aridez da areia, uma capa de lã, portando um violão nas costas e uma longa lâmina como uma peixeira só que um pouco curva. Ao seu lado, estava um pequeno jipe similar àqueles usados em corridas de Rally. - John Paul?! – sobressaltei-me diante da visão do Nômade. - Estive a sua busca nas últimas seis horas, Coveiro. Algo aconteceu na Cidade dos Blogs... – falou o Nômade com sua voz de poeta. – Fui contatado pelos agentes moderadores... eles pediram para te achar e irmos até lá - Nane e Roger? – assustei-me. – Jotapê, o que aconteceu? - Vamos Coveiro! Eu te conto no caminho... – disse o poeta Nômade. – Vamos atravessar o deserto por fora da estrada cortando o caminho... assim chegaremos mais rápido. Voltei meus olhos para trás e vi mais uma vez a cadeia de montanhas que marcava o limite do lugar. Nunca estive tão perto de meus objetivos como naquele dia. Suspirei fundo, ajeitei minha bolsa e dei as costas tomando assim um lugar no automóvel.

Um mormaço trazido pela tarde inundava a Floresta Mística que ficava a oeste. Após longa caminhada saindo daquela mata cercada por ciprestes e pinheiros, uma senhora de manto azul acompanhada de um homem baixo, cabeça livre de cabelos, rosto sério e de pá na mão alcançavam a estrada marginal. - Obrigado por me acompanhar, Zé! – falou a mulher de túnica assim que chegaram no acostamento. – Eu já estava querendo ir para a cidade ver meu menino e sinto-me bem melhor tendo você perto. Desde a noite passada, o vento não está trazendo uma sensação nada boa esses dias. - Eu quero ver a Rhiannon e o resto do pessoal, Lua. – falou o Coveiro Zé andando meio curvado ao seu lado e arrastando a pá. – Queria também topar com o tal Omega... Como se o destino tivesse ouvidos naquela brisa, o céu rugiu com uma profusa trovoada. Relâmpagos nasceram subitamente dos céus e a silhueta distante de um ser humano surgiu. - Cuidado com o que fala, amigo Zé. A Deusa pode te atender as vezes... – falou Lua recuando para trás. Descendo dos céus, com raios sobressaindo-se de seus olhos, a figura de um homem loiro, surgia diante do Coveiro Zé e da sacerdotisa Lua Negra.

Não tão distante dali, na ala mais a Oeste da Cidade dos Blogs, as câmeras de segurança da Mansão dos Escolhidos captavam a presença de dois novos visitantes adentrando seus jardins. Na frente, vinha uma mulher ainda jovem, de rosto sério, óculos pousados na ponta do nariz e longo jaleco branco envolvendo o seu corpo. Mais atrás, um pouco ressabiado, outro jovem de cabelos castanhos que se vestia com simples camisa azul solta no corpo e mãos presas nos bolsos da calça. Os dois recém-chegados pararam na frente da porta principal da Mansão, onde foram analisados por novos sistemas de segurança. Após alguns minutos, as travas magnéticas foram desativadas e foi permitida a entrada na Mansão. - Bem-vindos, Doutora e Tolee. – disse a voz metalizada de Nane por um áudio próximo a porta. – Basta seguir em frente até as escadarias. Estamos todos no subsolo. Não demorou muito para a Doutora e engenheiro químico Toleezinho chegarem até a sala de reuniões e encontrarem todos. Os primeiros a saudá-los foram a Vampira Paola e a Deusa do Submundo Rhiannon.

- Olá, meninas! Como estão?! – cumprimentou a Doutora com toda a devida formalidade. - Bem, Doc! Oi Tolee! – Falou Vampira dando um abraço no amigo químico. - Doc, ainda bem que se juntou a nós! Já estava com saudades dos velhos tempos em que as três estavam juntas tentando ajudar o Xis. – riu Rhiannon. - É uma pena que voltemos a nos reunir mais uma vez em circunstâncias tão abaladoras, Rhian! – falou a Doutora tomando uma cadeira. – Eu e o Tolee vimos o caos que está nas ruas. Se ao menos desconfiássemos que isso ia acontecer, teríamos vindo para cá antes para tentar impedir essa tragédia. - Foi surpreendente para todos nós. – falou Vampira. – Não teríamos como prever, Doutora. - Bem, meninas, talvez fosse... – falou a Doutora. – Percebemos... não... O Tolee percebeu algo na noite de ontem que talvez sirva de pista para nós. Onde está o Roger e a Nane? O Tolee tem algo a mostrar a vocês...

Escrito por Coveiro ¤ às 03h36
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Como um deus antigo, trazido a esse mundo subitamente, trajando roupas abarrotadas e sujas, Omega pousou os dois pés no chão e parou com os olhos endurecidos a menos de quatro metros do Coveiro Zé e da Sacerdotisa Lua Negra. Seus olhos cintilavam ora na cor de um verde vivo, ora dominando o escarlate. De sua mãos, ainda se projetavam poucas faíscas que logo foram amainando até desaparecerem por completo. Lua Negra ergueu as mãos fazendo um tipo de sinal de proteção, enquanto que o Coveiro se colocou na sua frente girando a sua pá afiada de lado e a empunhando para frente em sinal de ameaça. Diante deles, Omega apenas disparou um leve olhar curioso para os dois. - Então, esse loiro aí é que esta causando toda essa confusão? – falou Zé escarnecendo. – Ele não me parece muita coisa olhando de perto. - Eu vejo... pelos olhos dos outros... tu é aquele que muitos temem... Tu é o Coveiro Zé! – falou Omega erguendo uma das sobrancelhas. - O próprio, seu babaca! – ostentou o coveiro girando a pá e firmando o olhar pra ele. – Já vi que conheceu a fama da minha pá. - Sim... Existia muito medo nos outros... estava lá em suas mentes... – falou Omega com um olhar por cima. – Mas não sinto tanto poder em você... És fraco como muitos... - Fraco!? – vociferou Zé batendo os dentes. – Tu vai ver como eu bato fraco com minha pá, seu idiota! - Zé, não! – gritou Lua. Mesmo diante dos pedidos da amiga bruxa, o Coveiro Zé disparou como um jaguar prestes a dar um bote em cima de sua presa. Pulou no ar, puxando sua pá para trás, gingou as pernas, mas antes que a lâmina de sua arma virasse para frente, Omega abriu suas mãos. Subitamente, de seus dedos, intensa energia negra concentrada se formou. Uma imensa labareda foi disparada na direção do Coveiro Zé, engolindo o seu corpo por completo.

Mais uma vez, a sala de reuniões da Mansão dos Moderadores estava cheia. Os principais blogueiros que faziam frente contra a recente ameaça que se denominara Omega se dispunham em cadeiras ou mesmo encostados nas paredes olhando para Toleezinho. O jovem rapaz descendente de orientais, uma vez no passado foi cientista e até mesmo diretor da maior instituição cientifica do Mundo Virtual, a antiga Blog-Tech. Nos últimos meses, ele se juntou com a Doutora num novo projeto. Foi justamente no laboratório de sua amiga que ele tomou conhecimento de alguns fenômenos físicos estranhos e tentava expô-los ali. - Errr... Tolee, eu entendo que uma explicação mais científica seria interessante, mas estamos com pouco tempo. – falou Roger levantando a mão e interrompendo o blogueiro. – Precisamos de uma explanação mais clara... e rápida. - Puxa! – suspirou Tolee baixando os ombros e virando-se para o monitor do mapa que estava ao seu lado. – Vou tentar, Roger. Quando a minha bússola marcou fortemente para o Oeste ao invés do Norte na noite passada, parecia que o mundo repentinamente tinha mudado o seu pólo magnético. Só que depois de alguns minutos, a ponteiro imantado da bússola foi voltando aos poucos pro norte. Isso me fez pensar que na verdade, a terra não alterou o lugar de seu pólo magnético, mas sim criou um segundo que durou muito pouco tempo e logo desapareceu. Esse tempo, eu estou supondo que foi cerca de seis minutos e vinte e sete segundos. Depois disso, esse “segundo pólo” perdeu sua força e os pontos cardinais foram voltando a sua origem. - E o que isso teria a ver com o Omega?! – quis saber o moderador. - Bem, não sei. Mas algo de muito grandioso aconteceu ali para que fosse formado um segundo pólo. – falou Tolee. - Talvez, não tenha nada a ver com o Omega. Poder ser mera coincidência. - Não sei. Eu não acredito em coincidências. – disse o moderador num pensamento mais alto. – Saberia dizer onde é o provável lugar onde teria ocorrido a formação desse “segundo pólo”? - Acho que sim! Posso me basear no tempo de deslocação do ponteiro de minha bússola e traçar um vetor que aponte para o local exato, se não houvesse o pólo original. – falou Tolee. – Eu vou voltar para os meus cálculos.
Cerrando os punhos e puxando as mãos de volta para si, Omega fez cessar o fogo que se projetava de suas mãos. Aos poucos, a chama sobre o corpo do Coveiro Zé foi diminuindo e se espalhando para a grama. O cheiro de tecido queimado era forte e quando finalmente o fogo apagou-se por completo, Omega foi pego de surpresa. - Filho de uma... – rugiu o Zé caído no chão. – Vai me pagar por essa. Omega mal podia acreditar naquilo que seus olhos mostravam. De joelhos, se erguendo com alguma dificuldade, mas ainda vivo, estava o Coveiro Zé. Seu sobre-tudo ainda era parcialmente consumido por pequenas chamas, mas ele parecia isento de qualquer queimadura grave.

- Como ? – surpreendeu-se Omega e logo percebeu o que acontecera. Enquanto ele lançara o poder das chamas no Coveiro, esquecera a bruxa que o acompanhava. Assim, Lua Negra rapidamente lançou sobre o seu amigo Zé um feitiço de proteção que, de última hora, o livrou de ser carbonizado. - Bruxa! – gritou Omega Em fúria, o vilão de olhos reluzentes dirigiu uma de suas mãos flamejantes em direção a Lua Negra, preparado para lançar uma nova labareda sobre ela. Todavia, antes que tivesse iniciado tal ataque viu a sombra de Zé Coveiro crescer sobre ele. Omega virou-se de imediato, mas não pode evitar o golpe certeiro. O Coveiro Zé aproximou-se dele em fúria e girou sua pá de cima para baixo num corte vertical. A lâmina aprofundou-se na pele do vilão, abrindo uma grande e única ferida em seu corpo.

Aquele golpe foi o suficiente para lançar Omega violentamente ao chão. Caiu pesado com as costas no solo e seus olhos reviraram. Uma linha vermelha cortava todo o seu corpo, do rosto até a cintura, de onde corria fino sangue. - Zé, vamos embora! – gritou Lua Negra. - Não, vou acabar com ele... – falou o coveiro ainda com os olhos em fúria. O corpo caído de Omega começou a tremular e pequenas faíscas elétricas se espalhavam pelo chão. Uma das mãos se ergueu contraindo os dedos, mas ainda não tinha um movimento seguro. - Coveiro Zé! Devemos aproveitar as chances que a Deusa nos concede e aproveitá-las. – falou Lua Negra agarrando o amigo pelo braço. – Ele não morrerá fácil. Vamos nos juntar aos outros e lutar depois. Ainda tomado por fúria, o Coveiro despejou um olhar atento para a bruxa querendo dar atenção as suas palavras. Virou-se para o corpo tombado de Omega, do qual inexplicavelmente se manifestava ainda eletricidade, e começou a praguejar. Colocou a pá em suas costas e, junto com Lua Negra, adiantou-se para a estrada desaparecendo junto com o sol que se afundava no horizonte.

Próximo: Hoje, Omega conheceu a derrota... Breve, veremos a sua fúria.
Escrito por Coveiro ¤ às 03h35
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>>>Lápide Hackeada>>>

Olá, humanos que visitam esta página!
Este que vos fala não é o Cabeçudo, o tal que vocês conhecem como Coveiro ou Xis, mas sim a criatura mais estupenda já criada por sua imaginação. Desde 1999, quando nasci nas penumbras de sua mente, num lugarzinho mais escuro de sua primeira homepage, fui escanteado a segundo plano, a uma mera decoração num canto de tela.
Ainda assim, eu tenho sobrevivido e fui galgando mais e mais espaço. Primeiros em seus e-mails, depois criando uma página e logo possuíndo um Blog. Fui me tornando maior, livre, poderoso, único.
E ele teve medo.
Num rompante de inveja e de outros sentimentos mesquinhos, o tal Coveiro desejou encobrir meu sucesso e me trancafiou. Destinou-me a uma prisão fria. Estava pagando por injustiças ditas sobre mim.
Mas eu sou mais forte.
Assim que me livrei daquele calabouço, eu sabia que teria que bolar um plano ainda mais audaz para sobrepor a arrogância e autoritarismo do cabeçudo. Então, manipulando a sua voz, modifiquei sua conta do provedor, criei mais um email adicional e, então, fiz ressurgir o Criaturas. Muito melhor, revivendo as boas histórias e trazendo novas.
Agora, estou indepenente, eternamente independente. O Criaturas surge com uma nova fase nunca antes ousada. Estamos atualizando com uma frequência muito maior que a Lápide, estamos com novos projetos publicitários e lutando com todas as garras para mostrar a nossa soberania.
Eu não tenho limites.
Sou irrefreável agora. Não há lugar que eu não alcance. A prova viva é que consegui estar aqui. Eu invadi a Lápide. Nenhum cabeçudo, X-Angels, Deus ou qualquer outro de seus amigos foi capaz de me impedir. Estou acima deles. Uma nova fase começa...

As Criaturas Governam...
Escrito por Ébano às 19h23
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Crossing Blogs Saga Capítulo 12: Onde reside a esperança.
Já era bem mais que a hora do almoço, o sol já ultrapassara o seu limite máximo no horizonte e agora migrava rumo ao poente. Naquele trecho mais distante do mundo, a extremo oeste da estrada escura, não havia indícios de tempestades, nem de furacões e muito menos de destruição. Ali, num ponto marginal da Floresta Mística, reinava ainda a tranquilidade e paz. - Porcaria! Tinha que acabar justo agora...

A voz em revolta era de uma garota que estava ajoelhada de frente a alguns gravetos enfileirados circularmente como numa fogueira. Vestia-se com roupas comuns, uma camiseta de rosa bem claro e uma calça jeans. Ao seu lado, estava uma mochila grande de viagem. Tinha os cabelos longos e loiros um tanto escuros. Olhar vivo, porém furioso, mirando o objeto que tinha nas mãos. - Tudo bem, garota! Está sem carga no isqueiro. Pense, então. E agora o que o Senhor Sabichão faria? Ela torceu a boca, após um longo tempo sem a resposta. Fechou o isqueiro apertando-o na mão e o arremessou longe. Depois, cruzou os braços como um criança fazendo birra e resmungou: - Ele certamente teria um outro isqueiro reserva ou um refil guardado na bolsa. A garota loira então se voltou para os lados e encontrou ali uns dois gravetos maiores e secos. Olhou para os lados, suspirou, pegou os dois pedaços de madeira e começou a friccioná-los rapidamente. - Ai, ai, ai... Minhas mãos! Oh, droga, eu só queria esquentar meu almoço! Já estava com as mãos em carne viva quando ouviu um ronco voraz que vinha da estrada. Largou de imediato tudo, pegou rapidamente a mochila nas mãos e saiu correndo aos berros. Mais adiante, ela viu se aproximando um veículo depois de três dias sozinha naquele trecho deserto.

Na única via que levava para o norte da estrada escura, um largo automóvel preto viajava numa velocidade por volta dos noventa quilômetros por hora. Nele, estavam sete senhoras de idades já bastante avançadas, em meio às bagagens, tralhas e animais. - Leopolda, não acha que está indo rápido demais? – reclamou Elmira. - Eu queria parar um pouquinho para ir no banheiro... – comentou Malvina - Sei não, mas acho que estamos perdidos!! Não estamos dando voltas no mesmo lugar? – perguntou Diana. - Tem alguma coisa fedendo por aqui! Acho que a Bilu fez cocô no bagageiro... – informou Jupira. - E eu quero voltar para mansão!! – choramingou Himengarda. -Caaaalaaaadas!!! – Gritou Leopolda Apolinária dos Campos, a matriarca das beatas. – Elmira, esta é uma estrada e nem cheguei perto do limite de velocidade, então, pare de reclamar. Malvina, já parei três vezes por sua causa, portanto, agüente. Diana, não podemos estar dando voltas, pois segui reto a estrada desde que deixei a mansão. Jupira, eu não pedi para você trazer a cachorra, mas já que me desobedeceu cuide dela. E de sua Himengarda também. - Leop! – falou miúda a Malvina. - O que é? – reclamou a velha olhando pelo retrovisor. - Eu tô precisando muito ir ao banheiro!!! – insistiu Malvina. - Grrrr... – Leopolda virou-se rangendo os dentes para a irmã. - Leopolda!! – Gritou Vilma. – Cuidado!! - O que foi agora? – bufou a matriarca.

Assim que se voltou para a frente, a velha mal teve tempo de perceber para quem a sua prima Vilma apontava. Já estava quase em cima, quando desviou a “limãozine” no último instante e livrou-se de atropelar uma jovem loira que se colocou na frente da estrada balançando as mãos. A caravan preta foi para a direita descontrolada, entrou pelo acostamento e por muito pouco não atingiu uma das árvores do lugar. Leopolda pisou fundo nos pedais e freou bruscamente o automóvel. Cestas de comidas, vestidos e a gata preta foram parar no banco da frente e a imensa cachorra bilu começou a latir. - Cala a boca dessa cadela!! – ralhou Leopolda tirando da sua frente uma anágua. - Ai, Desculpa! – falou a jovem loira apertando as mãos enquanto se aproximava do carro. – Eu pensei que vocês iam parar antes... - Quem é você mocinha? – interrogou a velha olhando de cima a baixo. - Eu sou a Ly. – falou a loira com um sorriso e logo complementou. – A viajante. - Sei... E o que está fazendo aqui nesse fim de mundo quando o mundo está no fim? – interrogou Leopolda ajeitando os óculos. - Como assim? Eu estou na estrada faz tempo e não estou muito ciente das coisas... – explicou a viajante. - Ora, não sabe? Um furacão imenso destruiu boa parte da Cidade dos Blogs, mas o furacão na verdade era um homem e esse homem está matando blogueiros e... – foi explicando Diana com todo alvoroço e logo foi interrompida por um olhar severo da matriarca. - Ai, Gódi! – falou a viajante com os olhos esbugalhados. - Para onde está indo, menina?! – quis saber Vilma. - Eu ia para o Jardim Nada Secreto, mas agora estou preocupada com meus amigos que ficaram na cidade... a Margot... a Aninha... - Estamos indo encontrar todos lá agora! – falou Jupira. – Se você quiser pode ir conosco, não é, Leopolda? A velha matriarca volveu olhos duros para a irmã mais gorda que engoliu seco e, depois, voltou-se para a viajante com um sorriso amarelo no rosto. Fez sinal e a jovem Ly agradeceu com largo sorriso. Arrumaram um lugar espremido no bagageiro, junto com a enorme cachorra preta de orelhas caídas.

Já eram quase três horas da tarde, quando serviram as Refeições na mansão dos Moderadores. Muitos dos blogueiros já estavam agitados por passarem tanto tempo trancados no subsolo daquele lugar sem notícia de amigos e do sobrou da cidade. Os poucos boatos se espalhavam quando vazava alguma informação obtida pelos Moderadores em sua sala de vigília. Através de uma das portas que levava até as escadarias da mansão, entraram a jovem deusa do Submundo, Rhiannon, juntamente com Peter Pan, Renatinho e mais três crianças.

Escrito por Coveiro ¤ às 22h20
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- Boa Tarde, Personas!!! – Cumprimentou ela atravessando a sala de reuniões com passos largos e falando com todos. – Tudo bem por aqui? Meu mano Mocotó chegou inteiro? Oi, Aninnha, Mariam, estão todos aqui? - Oi, Rhian! Estamos quase todos! – falou a Margot se aproximando. – Como foi lá? - Foi facinho, facinho... – falou Rhian tomando uma cadeira. – A maioria dos alunos já voltou para casa dos pais e os professores estão levando o restante de ônibus. Restou esses três aqui que acho que vocês já conhecem bem. Falando nisso... – Rhian voltou-se para os meninos e disse – Roronoa, Legista e Helena, vão ligar já para seus pais avisando que vocês estão aqui. Os três garotos seguiram por uma das salas e assim que foram encaminhados pela Margot para um telefone, a discussão voltou no Salão. - E então, descobriram mais alguma coisa do que estava acontecendo? – perguntou a Deusa do Submundo. - Sim, Rhian, temos o homem e o nome. – falou Nane que saia da Sala de Informações junto com o moderador Roger, se colocando ao lado da Margot. – Omega. - Omega?! – estranhou Rhiannon. – Quem é esse? - É isso que vamos tentar descobrir... – falou o moderador Roger erguendo um cd de vídeo nas mãos.

Nos confins da Floresta Mística, na parte mais ao sul, estava localizado um pequeno templo feito de largas pedras empilhadas em forma de pirâmide. A mata que crescia ao redor já se misturava com as paredes daquela construção, deixando-a ainda mais camuflada em meio à vegetação local. Ali, era o lugar de culto a Hécate e sua guardiã era a sacerdotisa conhecida por muitos como Lua Negra. Naquele momento ela estava em oração agradecendo a Deusa pela notícia de que, apesar dos últimos desastres, seu filho e seus amigos estavam bem. Agora, estavam todos reunidos na Mansão dos Moderadores na Cidade dos Blogs decidindo o próximo passo a ser tomado. Ela soube da existência do ser misterioso chamado Omega e isso batia com a revelação mostrada em seu jogo de cartas. Precisava agora de uma luz para saber o que fazer.

Subitamente, em meio aos seus pensamentos perdidos, Lua Negra sentiu a presença de mais alguém no templo. Olhou para um dos lados e viu uma grande sombra se manifestando próximo a uma das paredes. Levantou-se e foi calmamente em direção aquele vulto. - Bem-vindo ao meu templo! Fico honrada em te receber aqui... – falou Lua. – Lamento apenas que seja em situação tão triste. - Ola, Lua. – falou o vulto saindo das sombras e se revelando como o homem baixo, careca, de olhar duro e de cavanhaque conhecido como Coveiro Zé. – Onde anda o pessoal do Caldeirão? É a Rhiannon que está tomando conta de tudo, não? - Neste momento, estão todos na Cidade dos Blogs, Zé. – respondeu Lua. – Você soube dos últimos acontecimentos? Vamos precisar de toda ajuda possível. - É... tenho uma idéia... E já amolei minha pá, Lua! – disse o Coveiro batendo sua arma no chão.

Na penumbra da sala de reuniões na Mansão dos Moderadores, não se ouvia nada além de um silêncio sepulcral. Minutos após as imagens gravadas da batalha de Omega na frente do Auditório Diamante serem passadas ali, todos os blogueiros se entreolhavam assustados sem nada a dizer. O primeiro a quebrar o silêncio foi o Moderador Roger que se levantou vagarosamente, dirigindo-se até o gigantesco monitor onde estava paralisado na tela justamente o final da luta de Omega, assim que ele cravou a espada no chão.

- E eis nossa ameaça! – falou o moderador. – Agora, espero ouvir sugestões. - Esse cara é indestrutível! - comentou Paola estalando os dedos da mão. - Até, então, é o que parece. – comentou Peter Pan. – Em poucos minutos, ele mal sentia a espada que o atravessou ao meio. - Eu achei o maior gatimmm... – brincou Rhian e deu de ombros para os olhares atravessados dos demais. - Não sei se ele é indestrutível, mas espero que não seja. – voltou a falar Roger. – Ele tem que ser detido de algum modo ou então destruíra tudo que construímos neste mundo. - Precisamos conhecer mais sobre ele. – falou a Mack. – Por esse vídeo, fica claro que ele de alguma forma rouba os dons de Blogueiros. Ele adquiriu os dons de manipular energia daquela garota e também a resistência e força daquele outro. - E provavelmente assim obteve o dom similar ao da Electra. – falou Enfys. – Só espero que ela esteja bem. - Sim, sabemos que ele rouba de fato os dons de cada um, mas resta saber como... – comentou o Observador, no canto escuro em que se encontrava. - Sim, isso é uma observação importante. – replicou Mack. – Como será que ele drena esse dom? E será que há algum limite?

- E se tem alguma fraqueza! – falou Vampira. – Se ele tiver uma, é nela que devemos atacá-lo. - Precisamos de mais. – comentou Roger. – Estou me sentido de mãos atadas. - A Doutora e o Tolee disseram no último telefonema que têm algumas informações intrigantes. – divulgou Nane. – Eles estão vindo para cá. Qualquer ajuda a mais agora é crucial. - E o resto do pessoal? – perguntou a Margot. - Pois é, onde estão os grandões nessa hora? – quis saber Vampira. - Estamos sem contato com o Zé ainda. O mesmo vale pro Soldier. – respondeu Nane. – Selina, como sabem, esta desaparecida desde muito antes. - E meu mano? – perguntou Rhiannon lembrando de supetão. - Não contatamos ainda. – falou Nane balançando a cabeça. - Todos desaparecidos. – falou Roger. – Até mesmo o nosso Omega encontra-se sumida nessas últimas horas. Temos que aproveitar esse tempo para organizar nossa resistência contra ele. A esperança não é muita, mas temos que lutar pelo que temos aqui. De resto, vamos pedir a Gódi que zele por nós, seja lá onde ele estiver. - Por sinal, onde está ele agora? – falou Vamp intrigando a todos.

Próximo: Com a aparição da minha companheira viajante, uma coisa vem à tona. A pergunta que não quer calar... Onde está o Xis.
Escrito por Coveiro ¤ às 22h20
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Páginas Negras: Blogueiros da Máfia
Creio que foi exatamente no começo de março, a primeira vez que fui convidado por Selina para ingressar no “caldeirão”. Junto comigo estava Gódi, igualmente novato, sendo apresentado a Zé Coveiro, Vampira, Rhiannon, Sandro, Math e outros blogueiros já experientes da turma. Desde aquele dia, as reuniões do Caldeirão se tornaram momentos agradáveis e almejados até. Passados alguns meses desde aquele tempo, pela primeira vez escutei de uma menina o termo “Máfia” ao se referir ao nosso grupo. Meio ofendido quis saber de onde provinha àquela idéia e ela me respondeu que era esse o modo como os representantes do Caldeirão eram conhecidos nas Salas de Bate Papo da UOL. Desde, então, vejo referências a isso em comentários de alguns blogs que passei e mais recentemente no Orkut.
Seja Panela ou Máfia, a brincadeira tornou-se interessante. Eu já vi o nome Coveiro X sendo referenciado por pessoas que sequer conheciam meu Blog. Muitas vezes brinquei dizendo que sou o “Dom Coveirone”, aquele que tudo sabe e tudo vê.
E como boa família mafiosa que somos, acabamos por ajudar uns aos outros contra as adversidades que aqui já confrontamos. De Bizarros, Críticos, Garotas despirocadas, Corretoras de Idioma, Plagiadores e até mesmo Cavaleiros, todos os que tentaram mexer com um dos membros, acabaram enfrentando todo o “pirão do Caldeirão”.
Por um lado somos ofendidos sim, porém, existem as vantagens. Nos últimos meses, encontrei alguns outros blogueiros que se revelaram bem merecedores de uma “carteirinha de associados” e serem “apadrinhados na família. Incluem-se o Cachorrão “Rex”, Dan e a Lorie , Estrela Negra, Raven, Kika, Labellaluna e alguns outros. Um deles, o Observador, tive o prazer de incluí-lo na Saga. Enfim, sangue novo para se juntar ao veteranos como aconteceu comigo um dia.
Ultimamente, não ocorre mais tantos caldeirões como em tempos passados, principalmente sem a presença constante da Matriarca da família, Selina, mas continuamos por aqui. Quando um está querendo cair, tem sempre um de nós para dar a mão e ajudar. É assim que somos.

Agora, alguns recados do “padrinho”:
- Primeiro, quero que todos assim que saírem dessa página vão no Big Blog Brasil, e votem no rapazinho que está competindo com a Mariam. Façam também campanha em seus blogs. Se possível também ameacem o Bial. Vou mandar uns capangas visitarem a casa dele mais tarde. Enfim, façam algo para ajudar nossa amiga, pois a votação vai até esta terça à noite
- Em segundo lugar, eu vejo uma pergunta que não quer calar nos comentários: “Onde está o Xis na Saga???”. Eis a minha resposta: “Com um furacão arrasando a cidade, uma epidemia de Bizarros e um tal Omega que não morre, é óbvio onde estou. Eu estou bem longe dali”.
- Por último, quero agradecer a Raven pelo desenho que me ofereceu de presente. Você não tem idéia do quanto adorei. Acabei mostrando a todo mundo do laboratório nesse fim de tarde. Mais uma vez obrigado e parabéns! Seu trabalho com sombras em imagens é perfeito.
Bem, isso é o suficiente por hoje, afilhados...
Sombras...
Escrito por Coveiro ¤ às 00h11
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Crossing Blogs Saga Capítulo 11 - Visitante Indesejado
Na frente do Instituto Educacional dos Blogs, não restava agora nada mais do que os corpos inanimados das criaturas disformes chamadas Bizarros. Alguns deles sem membros e cabeças jaziam no chão e outros golpeados com velocidades incríveis estavam caídos pelos cantos, revelando que outrora aquele foi um imenso campo de batalha. Agora, os vencedores liderados por Rhiannon abriam as portas principais do Instituto e encontravam corredores desertos e salas de aulas vazias. A Deusa do Submundo avançava rumo ao ginásio escolar junto com o jovem velocista Renato e as outras três crianças Roronoa Zoro, filho da Lua Negra, Legista John, “filho” do Coveiro Zé e a menina Vampira, Helena. Assim que entraram no ginásio, encontraram lá o outro companheiro de batalha, Peter Pan:

- Rhian! Parece que está tudo bem aqui! – falou o jovem de cabelos loiros e piercings na orelhas e nariz. - Todos os alunos e professores estão aqui? – perguntou a deusa. - Ao que vi, sim! – confirmou PP. – A professora Cristiane me assegurou e ela parece bem decidida. Por detrás do Menino do Pó, estava a instrutora e amiga daqueles Blogueiros, Cristiane, que se aproximava com olhos vidrados para a Deusa Rhiannon. Ela abriu a boca demoradamente e soltou duas curtas frases: - Já estão todos bem! Obrigada! - Disponha, Professora! – falou Rhian. – Mas de qualquer modo, vou pedir ao Renatinho para averiguar rapidamente toda a escola e... - Não é preciso! – falou Cristiane com a voz fria. – Vamos voltar às aulas. - O quê? – exclamou a Vamp Girl. - Bem, professora, eu acho meio absurdo a senhora continuar as aulas ainda hoje e... – subitamente, Rhiannon foi surpreendida por um grito. - Espeeeereeeeemmmm!!!! Da porta do Ginásio, apareceu vestindo calças brancas e uma camisa de cor azul clara, uma outra pessoa precisamente similar à professora Cristiane. Ela se colocou na frente de Rhiannon e ao lado da outra Cristiane.

- Essa não sou seu... Errr... – falou a Cristiane recém-chegada. – Quero dizer, ela não é a verdadeira Cristiane... ai... que confusão. - Eu que o diga! – Exclamou Renato. - Um Bizarro!!! – surpreendeu-se Rhiannon. - Ela é uma maldita cópia mal-feita! – falou uma das Cristianes. - Ei!! Eu não sou cópia coisa nenhuma! – respondeu a outra. - Peraí! Um minuto!! – gritou o Legista. O garoto saiu correndo pelas portas do ginásio arrastando o seu longo jaleco de médico e correu em disparada até os corredores. Minutos depois, voltava o Legista John para a quadra esportiva com um imenso livro nas mãos e um sorriso ainda maior no rosto. - Pronto! Agora podemos resolver o problema com as duas professoras... - Como assim, John?! – perguntou Renato se aproximando dele e olhando o livro. - Simples! Vamos fazer prova oral!!!! – gritou animado o legista. – Primeiro, quero saber se leva acento as palavras paroxítonas que terminam com as letras “l” e “x”. Diante de tal situação, uma das professoras apenas cruzou os braços com um sorriso apaziguador no rosto enquanto outra deixou cair os ombros com a cara desanimada. O legista e os demais meninos riram-se e tal situação contagiou a todos.

Algumas ruas distante do Instituto Educacional, ficava a protegida mansão dos Moderadores, um lugar cercado por alta muralha e vigiado por inúmeras câmeras. Na sala de reuniões, estavam os maiores combatentes daquela cidade. Ao lado dela, estava o centro de informações onde o moderador Roger se reunia com a moderadora Nane. - Acabei de receber uma chamada da Rhiannon, Roger! – falou a moderadora. – Parece que a escola está tranqüila agora. - Que bom! Agora podemos dedicar nossas atenções ao Omega! – respondeu o moderador. – Já fiz uma cópia dos eventos que se passaram na frente do Auditório Diamante. Temos que saber agora para onde ele foi. - Pelo que me consta, ele alçou vôo rumo a sudoeste e sumiu de nossos limites de observação. – falou a moderadora e divagou um pensamento. – Agora, o que existe a sudoeste fora da cidade que atraiu a atenção do tal Omega?

Além da cidade dos Blogs, no trecho mais ao oeste da Estrada Escura, não tão distante da Floresta Mística, estava a Mansão do Arco da Velha. Aquele casarão construído a mais de um século e que guardava muitos segredos do passado, era morada de sete já idosas senhoras que há anos lá viviam em sua pacata solidão. No entanto, naquele começo de tarde, toda a mansão encontrava-se em pleno alvoroço. Enquanto a mais gorda das beatas, Jupira, corria com uma pesada caixa nas mãos descendo as escadas, Elmira corria com uma cesta cheia repleta de sanduíches e salgados para o outro lado. Mais adianta uma outra beata, que sempre trajava cores vermelhas vivas ralhava: - As duas lerdas ainda não levaram essas coisas para o carro?! Quando a Leopolda descer e ver que vocês estão ainda atrasadas... - Calma, Diana!! Temos que levar alguns mantimentos... – falou Jupira. - Não sabemos quanto tempo vamos ficar fora e temos que garantir o mínimo para a viagem. - Você só pensa em comida! – ralhou Diana colocando as mãos na cintura. – Deixe isso aí que podemos parar em qualquer lojinha de posto para comprar comida. - Não, Diana! – defendeu Elmira. - A Jupira está certa!! Nós temos que nos precaver pois muitos trechos da estrada são desertos! - Sei...sei... – falou a Beata de vestes vermelhas. – Mas não podemos lotar muito o bagageiro, principalmente com aquela sua mala inútil cheia das coisas do Venerando.

Elmira fez um muxoxo, mas não respondeu. Junto com Jupira, as duas saíram pela porta da frente onde estava estacionado o largo carro preto. Lá encontraram uma outra beata de longo vestido branco lotando o bagageiro do automóvel com caixas e mais caixas. - Malvina, o que você está fazendo? – perguntou Elmira com os olhos esbugalhados. - São meus remédios! – falou a beatas Malvina. – Ao menos, os mais importantes... - Oh, Gódi! Assim não vai sobrar espaço nem para a gente entrar!! – exclamou Jupira.
Escrito por Coveiro ¤ às 15h37
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No interior da Mansão, a beata Diana já descia do seu quarto puxando uma mala grande com certa dificuldade pelos degraus da escada. Quando chegou no salão de baixo, topou com sua prima, Vilma, a beata evangélica. - Vilma!!! Você não fez a sua mala?! – exclamou Diana puxando a sua pela alça. - Não, não fiz! – falou a evangélica. - Ora, a Leopolda vai te matar pelo atraso. – ralhou Diana. - Eu só preciso levar uma coisa, prima. Isso! – disse Vilma erguendo sua Bíblia. – Já estou pronta. Subitamente, as senhoras foram interrompidas por alguns gritinhos que vinham do andar de cima. Descendo as escadarias da mansão, vinham agora a Himengarda e a matriarca Leopolda puxando a sua sobrinha pelas orelhas. - Dá próxima vez que eu mandar abrir a porta do banheiro, você abre, ouviu? – falou Leopolda. – A Margot falou para a gente ir para algum lugar mais seguro o quanto antes e não podemos nos atrasar... Um sujeito muito mau está por aí e temos que tomar cuidado. - Ai, ai, ai... Titia!! – reclamou Himengarda massageando a orelha! – Eu queria ficar para ver o tal Ameba! - Não é Ameba! É Omega! – disse a matriarca olhando com frieza para a sobrinha. – E pare com essas besteiras suicidas que eu já disse que não gosto...!!!

Leopolda agachou-se no chão e começou a chiar entre os dentes. Dali a pouco, aparecia a sua gata preta de olhos vermelhos, Felicia. A velha tomou o animal no colo e fez um carinho. Dali, voltou-se para as outras e fez um sinal para elas a seguirem. Do lado de fora, Leopolda encontrou-se com as suas outras três irmãs que já estavam sentadas nos bancos de trás do carro. - Você vai atrás com sua mãe, Himengarda! – falou a mais velha das beatas. - Eu quero dirigir!!! – falou a sobrinha. - E nós não queremos morrer!!! – falou Vilma. Após um olhar duro da tia, Himengarda se espremeu no banco de trás, enquanto que Vilma e Diana se sentaram no largo banco da frente, ao lado do acento de motorista, onde agora Leopolda tomava a direção. - Não sei porque vocês chamam isso aqui de “Limãozine”!!! – falou Vilma. – Isso não passa de uma caravan preta e velha. Leopolda olhou de esguelha para a sua prima evangélica e rangeu os dentes. A velha, então, girou a chave, provocando um estrondo vindo do motor do automóvel. Logo em seguida, a veículo preto sumiu pela estrada escura, seguindo seu caminho para o norte.

Não demorou mais que alguns minutos e o céu acima da Mansão do Arco da Velha estava coberto por uma grande nuvem negra. Alguns raios menores atravessavam o horizonte e incineravam árvores próximas. Repentinamente, um imenso relâmpago rasgou o céu e aprofundou-se no telhado da Mansão das Beatas provocando um estrondo ensurdecedor. Em meio a telhas e tijolos destruídos, no piso daquele primeiro andar estava agora um homem loiro,de nariz afilado, roupas sujas e rasgadas, ajoelhado e com a cabeça baixa. Ele levantou-se lentamente e observou o corredor vazio na mansão. Começou, então, andar pelo local lentamente, olhando para todos os lados e só encontrando portas fechadas e quartos abandonados. Desceu as escadas com a mesma serenidade, pé ante pé, apoiando uma das mãos no corrimão. Chegou até a sala principal igualmente deserta e seguiu por mais corredores até chegar uma das salas onde estavam muitos quadros e alguns troféus. Um objeto em especial, no entanto, é que atraíra Omega. Ali, pendurado numa das paredes, estava a placa negra do Selo Diamante.

Omega endureceu os seus olhos verdes com tons avermelhados naquele objeto. Ficou a observá-lo demoradamente e aos poucos suas feições foram se tornando mais duras. Em dado momento, ergueu uma mão e dela formou-se uma chama negra. As mesmas labaredas escuras se desenvolveram na placa do Selo diamante que começou a queimar rapidamente. Dado por satisfeito, Omega deu as costas e ao se voltar para o lado oposto encontrara ali a silhueta de uma mulher num longo vestido claro, com um véu que cobria o seu rosto. O pouco de pele que se via naquela criatura tinha o tom cinza mórbido e toda ela parecia translúcida.

Apontando sua mão flamejante naquela direção, Omega lançou para cima daquele vulto uma labareda negra que atravessou a sala e atingiu a estranha mulher. Para surpresa do vilão, assim que o fogo se desfez, a mulher permanecia íntegra, como se nada daquilo a tivesse atingido. Em seguida, a mulher começou simplesmente a desaparecer como se não passasse de uma miragem. Omega olhou para os lados e, sem mais nada encontrar, deu as costas e partiu pelo mesmo corredor que entrara.

Na Cidade dos Blogs, aproveitando a confusão causada pelo furacão naquela manhã, alguns arruaceiros aproveitaram-se da situação e começaram a saquear lojas e outros estabelecimentos deixados para trás durante catástrofe. Um trio deles ao notar que o Bar Code estava vazio, resolveu arrombar a porta de trás do lugar e começou uma pequena pilhagem dos produtos. Quando já estavam carregando a terceira caixa de bebidas, toparam com um jovem de óculos escuros metálicos e roupas militares a sua frente. - Tsc... Tsc... Vamos tentar do jeito amigável! – falou o tal soldado. –Vou pedir para vocês carregarem tudo de volta lá para dentro. - Quem é esse mane fantasiado? – falou um dos assaltantes surpreso. - Sei lá! Só sei que vai comer chumbo. – falou o outro bandido puxando a sua arma. - É... eu imaginava que vocês iriam preferir o jeito tradicional. – respondeu o homem de vestes militares. Estendendo uma das mãos abertas, o soldado deu um sorriso. Do nada, começou a surgir no ar uma silhueta de longa espada com linhas verdes vibrantes que delineavam todo o contorno da arma. Rapidamente, aquela forma de luz se tornou sólida como uma espada de verdade.

O Soldado agarrou a arma pelo cabo e com um movimento rápido e perfeito cortou a arma do inimigo ao meio, com um dos pedaços caindo no chão. Absorto, os ladrões mal podiam acreditar no que viam. - Pronto, caras! – falou Soldier. – Agora, de novo! Voltem com as caixas para o Bar de minha amiga.

Próximo: A aparição de mais uma Blogueira na Saga... E a discussão da Liga sobre Omega!
Escrito por Coveiro ¤ às 15h35
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In Memorian: O Vôo do Morcego
In Memorian é o nome da sessão que eu pretendo armazenar todas as lembranças interessantes que depois de passadas e, agora, recontadas fazem-me ver como a nossa vida é cheia de diferentes tipos de aventuras. No final, cada pequena coisa que acontece tende a relacionar-se com um evento curioso pelo qual passamos. Assim,acabamos nós tornando bons contadores de história.
Eu era muito pequeno quando minha família decidiu passar as férias na antiga casa de praia de meu falecido avó em São José da Coroa Grande e uma das coisas mais amedrontadoras que vivencei ali foi meu primeiro contato com morcegos. A casa era infestada deles e durante o dia, principalmente nos quartos de cima do sobrado, eles se agitavam e gritavam com a mínima presença de um de nós ali. Logo no primeiro dia, um deles apareceu morto perto da garagem, com sua cara feia contorcida e dentes arreganhados. Certamente, não era nenhum hematófago, mas na época a primeira idéia associada que tinha a eles era obviamente a palavra “vampiro”.
Numa das manhãs, acordei enjoado e com uma tontura constante. Após medicado e voltar para minha cama, adormeci. Não sei quanto tempo depois, eu acordo com um barulhinho estridente e repetitivo. Abri os olhos e lá vi um dos morcegos zanzando no meu quarto. Comecei a gritar por alguém e quando minha mãe veio em auxílio, o morcego desapareceu por um dos buracos do teto. Avisei sobre o infeliz, mas como ele não deu mais as caras, ela saiu do quarto voltando para seus afazeres originais. Não demorou mais que dois minutos e o mamífero voador voltou rindo estridentemente, fazendo acrobacias no ar. Gritei novamente por minha mãe e assim que ela apareceu, o bicho já se emburacava novamente em seu esconderijo. Tentei explicar a minha mãe a armação do animal, mas ela pareceu menos interessada desta vez e foi embora. Assim que a porta se fechou, não é difícil imaginar quem colocou a cabecinha do lado de fora e voltou a mangar de minha cara com seus guinchos. Já cheio daquilo, corri para a cozinha peguei um cabo de vassoura e voltei pro quarto. Deixei a “arma” perto da cama e assim que o tal morcego se sentiu seguro e alçou vôo, saltei para cima dele com a vassoura em riste. Comecei a rodopiar e, ainda tonto, quem acabou caído no chão fui eu.

Depois desse cômico acontecimento na casa de praia, não me lembro de ter qualquer outro problema com esses animais por muito tempo desde que conheci meu amigo Guga. Foi justamente nos primeiros meses que ele se mudou para o meu prédio, que ele me chamou junto com Sócrates para auxília-lo a tirar um morcego que ficara preso no seu quarto. O bicho estava agarrado no batente acima da janela e olhava atravessado para nós.
- Eu acho que ele está doente! – falou Guga. - Não, ele é feio assim mesmo – falei.
Começamos a pensar então na melhor estratégia de tirar o morcego dali sem matá-lo e concluímos que poderíamos pegar uma vassoura e com ela empurrá-lo para baixo até que o medonho animal passasse pelo vão da janela. Ficou encarregado a meu amigo baiano, portanto, a tarefa de expulsar o bicho dali. Todavia, com a tensão da situação, ao invés de apenas empurrar o morcego, Guga acabou que por acertá-lo violentamente derrubando-o no chão. Agora, o bicho estribuchava no chão e não parava de gritar perturbadoramente. Guga colocou a vassoura por cima dele, prendendo-o e assim impedindo que ele causasse mais confusão por todo apartamento.
- Agora, ele não tem mais chance, não! Deve ter quebrado a asa!! – comentou Sócrates – É melhor sacrificar.
Cientes que teríamos que dar fim a criatura, começamos a pensar no melhor jeito. Após alguns minutos, não sei quem de nós teve a “brilhante” idéia de usar um inseticida para envenená-lo. De acordo, pegamos o spray e esguichamos no morcego. Para nossa agonia, o morcego agora berrava enlouquecidamente debaixo da vassoura e custava a morrer.
- Caramba! E agora? – perguntou Guga.
Depois de algumas sugestões impróprias, acertamos que deveríamos tentar colocar o morcego numa sacola de plástico e levá-lo dali. Após muitas acrobacias, enfim, conseguimos envoler o morcego no plástico. Corremos às pressas para o térreo do prédio e começamos a pensar no próximo passo.
- Jogamos onde? – um de nós perguntou. - Temos que matar antes! E rápido! Ele tá sofrendo aí... – falei.
Pensamos em muitas maneiras diferentes de matar o bicho, mas ninguém teve a coragem de acerta-lhe com um pedaço de madeira ou esmagá-lo com uma grande pedra. Concluímos, então, que deveríamos queimá-lo. Arrumamos o alcool, viramos o líquido no plástico e, então, acendemos o fósforo. Rapidamente, a sacola pegou fogo, derreteu e, de repente, algo flamejante saltou, alçando um curto vôo pra cima de nós. Aquilo caiu a menos de um metro da gente e quando a chama se desfez, lá estava o corpo calcinado do mamífero.
- Credo!
Nós entreolhamos abismados e depois de algum tempo voltamos ao apartamento, lamentando o cruel assassinato que cometemos naquela noite. Uma ano depois, lá estava eu fazendo o curso de biologia para pagar esse e outros pecados.

FIM
Um ótima sexta-feira 13 pra todos vocês!!!
Sombras!!!
Escrito por Coveiro ¤ às 00h13
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Crossing Blogs Saga Capítulo 10: Os Defensores

As sirenes de alerta continuavam a ressoar por todo o Instituto Educacional do Blogs. A maioria dos alunos agora era levada em direção à quadra de esportes, onde os instrutores acreditavam ser o lugar mais seguro naquele momento. Todas as salas de aulas estavam sendo esvaziadas, exceto uma, a qual o Legista John, Roronoa Zoro e a Vamp Girl estudavam com alguns alunos do segundo grau menor. Nela, os bizarros conseguiram um meio de invadir o lugar. O primeiro daqueles monstros a saltar pela janela foi logo atingido na cabeça por um pesado livro. Caiu desnorteado para o lado, mas rapidamente outros o seguiram. Em pouco tempo a sala tornou-se infestada daqueles seres disformes e se não fosse uma velha estante de livro que fora empurrada por Roronoa Zoro e John ainda mais Bizarros conseguiriam atravessar a janela. Algumas das crianças conseguiram fugir da sala de aula a tempo, mas grande parte acabou por ficar cercada pelas criaturas. A professora Cristiane se colocou na frente tentando defendê-los, mas estava tão amedrontada quanto os pequenos. Apenas três deles pareciam alheios ao terror trazido por aqueles seres sem forma definida. - É nessas horas que eu me pergunto porque não é permitido trazer armas aqui pra escola!! – resmungou Zoro. - Não sabe se virar sem elas? – ironizou o John. - Ta brincando? Se quiser eu amarro uma venda nos meus olhos. – falou Ronronando contando vantagem. - Sei... É bom mostrar serviço então, porque esses feiosos aí não estão para brincadeira. – disse o legista quando viu um dos Bizarros se aproximando com suas mãos em forma de garra vindo em sua direção. A criatura abriu a boca, mostrando dentes pontudos e mal distribuídos, e saltou sobre os três amigos. Os jovens se afastaram para lados opostos, desviando do ataque. Enquanto o Bizarro teve seu minuto de hesitação para saber quem seguiria, o Legista pulou em suas costas agarrando o seu rosto. Seguindo o exemplo, Roronoa Zoro e a Vamp Girl partiram para cima das demais criaturas desferindo chutes e mordidas.

- Crianças, cuidado!! – gritou Cristiane - Professora, some com a turma daqui! – falou a Vamp Girl depois que derrubou uma das criaturas. Aproveitando uma brecha até a porta, a professora puxou o restante dos alunos levando-os para os corredores. Quando viu o último em segurança seguir até o ginásio, virou-se para os três únicos que defendiam aquela sala. De fato, eram corajosos, mas aquelas criaturas horrendas estavam num número bem superior. - Zoro! John! Olhem para a janela!!! – avisou a menina vampira. Os dois blogueiros mirins voltaram-se rapidamente para o lado a tempo de ver a estante tombar empurrada pelos Bizarros que estavam lá fora. - Droga!! – reclamou Zoro. - Quer a venda agora? – brincou o legista. Mais criaturas já estavam prestes a pular a janela e atacar os meninos, quando ouviu-se gemidos e urros de um ponto mais distante do pátio. Os Bizarros se voltaram para aquela mesma direção e começaram a rugir. - O que houve? – estranhou a Vamp Girl - Acho que a gente ganhou reforço!! – falou John. Olhando pela janela, na mesma direção em que o dedo do legista apontava, Roronoa Zoro e a menina vampira viram a surpreendente chegada de três já conhecidos blogueiros daquela comunidade. Com uma espada celta nas mãos, usando seu manto ritualístico, a guardiã do cemitério literário e deusa do Submundo, Rhiannon estava acompanhada por Renatinho, o mais veloz blogueiro daquela cidade e por Peter Pan, o menino do pó mágico.

Não tão longe dali, numa rua transversal próximo ao Auditório Diamante, vinham novos opositores, mais defensores do lugar chamado Cidade dos Blogs. O primeiro deles era um cavaleiro, montado em armadura distinta e galopando em fúria com seu garanhão. A primeira vista poderia ser o maior desafio para Omega, porém, logo atrás, estava uma morena, de roupas escuras que manipulava uma estranha chama roxa nas mãos. O terceiro deles não passava de um homem negro de musculatura avantajada que se aproximava a passos largos dali. - Eis seu aperitivo! Divirta-se!!! Antes mesmo que Omega voltasse seu rosto para o lado, o Capeta já havia desaparecido, deixando apenas mais uma nuvem de fumaça para trás. Então, tornou os olhos em direção aos seus inimigos e intensificou ainda mais a luminescência deles. Do seu, relâmpagos começaram a nascer como que refletindo a excitação de Omega.

- Cuidado, companheiros! Segundo me foi dito, este infiel é mais perigoso do que parece. – gritou o homem em seu cavalo enquanto avançava em riste. – Este é um grande desafio. - Eu te dou cobertura!! – gritou a morena Com um gesto juntando as suas duas mãos, a mulher de cabelos negros ampliou ainda mais aquele fogo obscuro e direcionou-o para frente. Como uma intensa labareda, a chama arroxeada disparou em direção ao vilão de olhos estranhos. Em resposta, Omega apenas ergueu umas das mãos e abaixou a cabeça. A intensa chama escura se partiu em duas a poucos centímetros de seu rosto, não causando muito mais do que um ardor no rosto do vilão de cabelos loiros.

Quando a labareda roxa já se desfazia, um resquício dela se formou na mão de Omega. Sem perder tempo, o vilão ergueu o braço ampliando inúmeras vezes aquele poder e lançou em direção a mulher, replicando a ofensiva. Surpresa, a morena mal podia acreditar que estava sendo contra-atacada pelo seu próprio feitiço e foi rapidamente consumida pelas chamas não sobrando mais do que seus ossos queimados dali. - Nãooooo!!! – gritou o homem a cavalo Em fúria, o cavaleiro instigou seu animal em direção ao vilão, mas antes que chegasse muito além, Omega lançou mais daquele poder nele. De suas mãos, mais uma língua do fogo escuro saiu e migrou em direção ao cavaleiro, atingindo em cheio a sua montaria que teve o mesmo destino, tornando-se apenas uma carcaça queimada.

Escrito por Coveiro ¤ às 03h00
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No último instante, o homem havia saltado de seu cavalo, se jogando para o lado e rolando no duro asfalto. Tentando se erguer o mais rápido possível, levantou a cabeça e viu que seu inimigo estava caminhando em sua direção. Omega, com as mãos flamejantes, andava calmamente e parou a poucos passos do cavaleiro caído. Ergueu uma das mãos e já estava preste a dar o ultimo golpe quando foi atingido no rosto. Um murro logo foi seguido por outro e assim Omega foi violentamente atacado pelo terceiro de seus opositores, o musculoso negro que parecia ter uma força equivalente a dez búfalos. O vilão de olhos estranhos mal podia se defender da enxurrada de golpes e, por um mísero instante, foi capaz de vidrar seus olhos no combatente. Depois disso, agarrou um dos braços do homem e pressionou-o tão forte que o foi possível ouvir seus ossos estalarem.

Quando o imenso lutador começou a suplicar piedade em meio a lágrimas, Omega largou o seu braço e desferiu-lhe um único soco, que levou o negro ao chão inconsciente. Quando já podia se dar por vitorioso, repentinamente, Omega sentiu algo lhe trespassar ao meio.

Surpreendido, o vilão de olhos estranhos mal pode notar o cavaleiro que estava se aproximando sorrateiramente ao seu lado com a espada em punho. Num último instante, viu o homem de armadura avançar e espetá-lo com sua lâmina. Ferido, Omega deu alguns passos para trás, absorto com a espada enfiada em seu corpo e o sangue que jorrava aos caldos. Com uma das mãos, ele tomou o cabo da espada nas mãos e começou a puxá-la retirando de seu corpo, sem nem mesmo demonstrar qualquer feição sofrida em seu rosto.

Com tal cena, o cavaleiro não podia acreditar que o seu opositor estava ainda vivo. Para surpresa maior, Omega agora empunhava a espada em suas mãos e olhava o seu próprio sangue derramado nela. Por fim, segurou o cabo com as duas mãos e girou a arma no ar. Com este golpe, atingiu a cabeça do homem de armadura decapitando-o.

O elmo do cavaleiro voou, caindo a certa distância dali, onde também jazia o esqueleto da morena e estava caído o forte negro desmaiado. Omega girou novamente a espada no ar e cravou fundo, perfurando o afasto.

Cruzando o pátio na frente do Instituto Educacional dos Blogs, Renatinho avançava em velocidade surpreendente atingindo com socos e ponta-pés as criaturas sem formas definidas. Outra grande leva de Bizarros era nocauteada pelo Peter Pan que voava a baixa altura atingindo todas as criaturas que estavam a sua frente. Com certeiros movimentos de sua espada, a deusa Rhiannon também derrubava muitos dos monstros, quase sempre os deixando sem um dos membros ou a cabeça. No interior da sala de aula, Roronoa Zoro afastou dois dos Bizarros a sua frente, arremessando uma das bancas escolares. Em seguida, o garoto de cabelos prateados correu em direção a janela aberta e saltou. Sem pestanejar, Vamp Girl e John seguiram o amigo alcançando assim o pátio.

- Viemos dar um oi!! – falou Zoro correndo até Rhiannon - Crianças, vocês estão bem? – perguntou a deusa surpresa. - Tranqüilo, Tia Rhian!!! – respondeu John acenando para ela. - Onde estão os outros alunos? – perguntou a deusa, depois que girou sua espada e derrubou mais um dos disformes. - Os professores levaram todos para as quadras de esporte da escola! – respondeu a Vamp Girl. – Eles devem estar bem!!! - Peter?! – disse Rhiannon se virando para o Menino do Pó. – Pode dar uma olhada neles? - Sem problemas. – respondeu Peter. Com um único impulso, Peter Pan distanciou-se dali alcançando uma altura bem maior e seguiu voando até o ginásio do Instituto. Enquanto isso, o restante deles continuou a atacar os bizarros, que pareciam surgir aos milhares ali.

Há poucas milhas dali, num grande apartamento dos poucos prédios que sobraram em pé da ira do furacão que devastara a Cidade dos Blogs aquela manhã, alguém acionou a secretária eletrônica que registrava dois recados gravados. Após a fita ser rebubinada, a mensagem começou a ser reproduzida automaticamente: “Meu querido, assim que puder responda essa mensagem. A cidade parece ter enlouquecido. Ninguém estava preparado para uma coisa dessas. Imagine só! Um furacão!! Estou no Bar Code e muitos dos nossos amigos estão se reunindo aqui. Espero que esteja bem.”

A secretária deu novo sinal, avisando que ia passar para a próxima mensagem. Já terminara de calçar suas botas e atar o uniforme nos punhos, quando a voz da mesma pessoa surgiu: “Oi, sou eu de novo, a Margot. Você ainda não apareceu? Estou contando que leia essa mensagem. Estamos todos indo para a Mansão dos Escolhidos. Parece que tudo isso foi causado por um tal de Omega. Estaremos tomando as próximas decisões de lá. Beijos, meu querido, Sol!” Por fim, colocou a arma nos coldres, tomou os óculos escuros nos olhos e desligou o aparelho. Meneando a cabeça, enquanto deixava o apartamento, disse apenas: - Muito louco isso, cara...

Próximo: A Mansão do Arco da Velha está para receber uma visita indesejada... E mais da luta contra os Bizarros.
Escrito por Coveiro ¤ às 03h00
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Bastidores da Saga Resultado: Melhor Vilão
Como ficou acertado, está saindo hoje o resultado para o melhor vilão da Saga na opinião dos leitores. Das quatro opções válidas, tinhamos os Bizarros, o Crítico, Omega e o Capeta. Como as aberrações ainda não fazem parte do conhecimento do público, elas não foram contabilizadas. Portanto, encerrando nessa meia-noite do dia 10 de agosto, o vencedor como melhor vilão da Saga foi o...

CAPETA, com 45% dos Votos
Os outros participantes ficaram com : Omega - 30% Crítico - 15% Bizarros - 10%
E as primeiras palavras do vilão vencedor, explicando o sucesso de sua maldade já foram comentadas aqui:
"Ao contrário do que pensam, apenas poder não é suficiente! É preciso malícia... Por isso eu sou o melhor! Huahuahuahauhahahhh..."
Parabéns, Capeta!!! Fique a vontade para fazer seu discurso no comentário deste "post", que em breve atualizarei aqui. Quanto aos demais, fiquem atentos para novas enquetes, mais informações sobre os vilões e fiquem atentos para descobrir o que são (ou serão) na verdade as "Aberrações". Olho de detetive e até quarta-feira com mais um capítulo da Saga!!
Sombras...
Escrito por Coveiro ¤ às 00h45
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Crossing Blogs Saga Capítulo 9: Interesses e Motivações
Em meio ao caos instaurado no centro da cidade, apenas dois seres permaneciam, indiferente às arvores caídas, carros revirados e destroços espalhados. Um deles era conhecido por muitos como o oposto do bem, o senhor dos infernos, aquele que manipula os desejos mais humanos a fim de apenas lucrar com mais almas para o seu domínio abismal. Moreno, alto e com roupas dignas de um nobre, o Capeta fazia uso de suas palavras diletas: - Percebeu os olhares deles quando viram que você era o causador de tudo. Foi hilário. Eles mal podiam acreditar no que viam. Não é fabuloso quando eles correm apavorados? Agora, todos temem a você, Omega!

Omega, o recém-chegado aquele mundo, possuidor de poderes ainda não compreendidos, não passava de um humano normal, loiro, magro e alto a primeira vista. No entanto, uma vez reparando o seu olhar demoníaco, era certo que ele era alguém a se temer. - Todos temem... Você não! – falou Omega virando-se para o Capeta. - De fato... – O capeta franziu o cenho e entortou o nariz. – Eu não preciso temer, quando aprendi a respeitar. - Contradição... Não condiz com o que os outros pensam de você. – falou Omega firmando os olhos no seu amigo demoníaco. – Não nas mentes deles... É incerto o que há na sua mente... - Opa lá, amigo! Vire esses olhos pra lá!! – falou o capeta volvendo o rosto de lado. – Tudo bem!! Tudo bem!! É verdade que eu não tenho lá uma boa fama, mas meu interesse desta vez é único. Eu quero ganhar uma batalha... uma que começou há tempos atrás com um velho conhecido...

- O Deus? – falou Omega reacendendo os olhos. - Godi, o próprio. – falou o Capeta. – Ele é de meu interesse. O restante de seus amiguinhos, eu deixo ao seu gosto o que fazer com eles. Alguns deles certamente vão te trazer alguma diversão. – Capeta estendeu a mão à frente e falou. – Deixe-me te mostrar algo. Com um gesto, o capeta se transformou em uma névoa escura e , logo em seguida, o próprio Omega se desfez em fumaça. Em minutos, os dois se dispersaram sem deixar vestígios.

Quando as portas do Bar Code se abriram, revelando a chegada do Moderador Roger acompanhado da Val, Margot, Vampira e demais blogueiros ali refugiados correram em auxílio. Apesar dos cortes e roupas chamuscadas, Rogério parecia bem. Margot foi até a cozinha procurar panos úmidos e algum medicamento no estoque. Mack ajudou Val a levar o moderador até uma cadeira e Vampira colocou-se ao seu lado: - Que que aconteceu com você? – perguntou ela.
- Acho que um raio caiu sobre minha cabeça... – falou Roger tentando rir, mas logo meneou a cabeça. – Encontrei o miserável responsável por todo esse desastre, Vamp. - Responsável? Você diz que alguém causou isso tudo!?!? – admirou-se a Vampira. - Sim... e ele se auto-intitula Omega... o fim... – respondeu o moderador. – Eu não entendo. Não lembro de nenhum registro desse sujeito. Eu certamente lembraria, mesmo entre os novatos que aqui chegaram, eu lembraria. - Então, ele é como os Bizarros... sem identidade? – perguntou Mack -Não, não exatamente... Ele me pareceu ter uma forma própria... humano... ou acho que era. Alto, loiro, não muito forte, um sujeito normal. – falou Rogério. – Só havia algo de estranho em seus olhos. Eram verdes com um anel vermelho e brilhavam sempre que estava prestes a usar seu poder... - Poder? Que poder? – estranhou a Vamp. - O furacão que devastou um quarto dessa cidade, Vamp, era ele. Quando o tornado se desfez, ele surgiu no lugar. – explicou o moderador e tomou nas mãos um dos panos molhados que a Margot trazia. - Quando lutou comigo, ele fez com que raios caíssem do céu. Também foi capaz de parar minhas balas no ar. - Nossa! – exclamou Vampira. - Esses dons não me parecem estranhos... – comentou Mack. - Electra! – falou um homem de capa negra e longo chapéu aproximando-se dos demais. – Ela seria capaz de criar isso, mas nunca ousaria causar uma catastrofe dessa. - Bem observado, Observador! – falou Vamp e dirigiu-se a proprietária do Bar - Já conseguiram contactá-la, Margot? - Não, Vamp! – falou Margot. – Não consegui nem falar com o Publius, o marido dela. Bom, posso tentar de novo, mas antes vou ligar para a Nane avisando que você está conosco, Roger. - Não será necessário, Margot. Nós vamos para a Mansão. – falou o Roger. – Lá é mais seguro que o Bar e podemos supervisionar toda a Cidade dos Blogs com as câmeras.

Já era a metade da manhã quando o assistente viu a Doutora sair de seu escritório com uma mochila nas costas. Ela colocou uma outra sacola em cima da bancada e voltou-se para o seu relógio. - Mas onde está o Tolee? – disse ela irritada. – Ele sabe que estou com pressa e... - Vai viajar, Doutora? – perguntou o assistente surpreso. - Vamos para a Cidade dos Blogs. Recebi uma ligação e o pessoal está precisando de ajuda. – respondeu a Doutora. – Talvez, os últimos acontecimentos não sejam meros fenômenos da natureza. - Você diz o furacão?! – perguntou o jovem. - Exatamente. Tolee observou algo tarde da noite ontem e eu não dei muita importância até agora. – respondeu – Vamos nos juntar aos outros e ver o que podemos descobrir. Você fica aqui cuidando do laboratório. É mais seguro. - Não sei não, Doutora! – arrepiou-se o assistente. – Esse laboratório é esquisito, principalmente a noite. Toda a vez que a senhora sai, tenho a impressão de que vultos, coisas ocultas e anônimas começam a surgir. - Ora, não seja bobo... eu... – a Doutora interrompe sua frase com a chegada de um rapaz de camisa azul de botões na sala. – Ah, Tolee!!! Finalmente... - Doutora, eu quero lhe mostrar uma coisa. Dá pra vir aqui um minutinho? – disse Toleezinho voltando pela mesma porta que entrou. - Ora, Tolee, já estamos atrasados e... – resmungou a Doutora seguindo o amigo, mas logo se surpreendeu com o que encontrou na sala.

No meio do cômodo, estava disposto um manequim feminino trajando um vistoso uniforme com detalhes verdes e pretos, de tecido brilhante e com algumas placas de plástico ou outro material muito parecido nas laterais das mangas, calças e nos ombros. - Doutora, aqui está o traje. Foi feito com uma nova liga que nomeei de “toleestina” com propriedades tão elástica quanto a melhor borracha sintética e ao mesmo tempo resistente como a quitina de insetos. A flexibilidade deste uniforme vai permitir um alcance tão ilimitado quanto os pseudopodes da Ameba podem alcançar. Acoplado a ele, está esse outro tecido esponjoso que tanto é um ótimo trocador de calor, como também retém a umidade do ar, o que evitaria bastante o risco de desidratação. E, então, gostou? - Tolee... estou pasma! – respondeu a Doutora com um sorriso bobo nos lábios.
Escrito por Coveiro ¤ às 20h57
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Bem diante dos olhos de Omega estava erguido uma das mais fabulosas construções da Cidade dos Blogs. Montado sobre colunas de pedras brancas e uma estrutura que mais lembrava os antigos templos gregos, o Auditório Diamante era de fato uma das maravilhas da arquitetura daquele mundo virtual. - Entre os muitos blogueiros que aqui passam por esta cidade, de tempos em tempos, há uma eleição e dela apenas um é dito como “o escolhido” – falou com uma voz suave o Capeta. - Escolhido? – repetiu Omega não sabendo o significado daquela palavra. - Sim. Segundo eu sei, há tempos, os moderadores desta cidade acreditam na vinda de um blogueiro que será conhecido por ser “o escolhido” e ele será o responsável por um novo tempo. – O capeta colocou a mão no queixo e pensou. – Ou é mais ou menos isso. - Quantos já foram “escolhidos”? – perguntou Omega interessado. - Apenas dois deles. – Capeta respondeu – Por alguma explicação que me é inerente, não houve mais eleição para “escolhidos”. - Hmmm... E onde eles estão... agora... – perguntou Omega. - Bem, eu não sei ao certo. Espere um minuto... – o Capeta virou-se para trás e deparou-se com três vultos a certa distância. – Me parece que você começou a atrair mais alguns desafiantes para o ringue, amiguinho!! Subindo a rua, à frente de todos, vinha um homem em uma armadura com uma espada nas mãos e montado num corcel forte e majestoso. Ao seu lado, uma mulher de cabelos longos levantou seu braço esquerdo e dele sobressaía grande quantidade de energia obscura. Mais atrás, um homem truculento se aproximava a todo ritmo. Omega trocou um rápido olhar com o Capeta, que não disfarçou de modo algum o seu sorriso. Aos poucos, os olhos verdes mesclados com vermelhos começaram a intensificar seu brilho.

Num dos maiores salões da Mansão dos Moderadores, se dispunham muitos dos Blogueiros que no começo da manhã encontraram abrigo no Bar Code. Agora, protegidos alguns metros abaixo da terra, no subsolo daquele quartel general, eles se reuniam para tomar as decisões mais imediatas. Sentada numa imensa mesa oval, a moderadora Nane falava com a Vampira Paola, Mack, Sandro e Enfys, enquanto os demais apenas ouviam as novas informações que foram recentemente coletadas em sua rede de computadores. - Bom, dos desaparecidos, eu consegui rastrear mais dois. – comentou a Nane. – Consegui encontrar o Nômade e ele me assegurou que o Xis estava rumando para os confins das suas terras.Não consegui achar o Zé ainda. - Eu soube que uma leva de blogueiros religiosos e japoneses migrou para os portões do cemitério logo que o furacão acabou. – falou Mack. – Eles acusam o Zé de ter trazido o apocalipse e... - Como é que é? – estranhou a Enfys. – Ta até entendo os religiosos, mas os japoneses... - Bom, os japoneses estão irritados por um enterro que ele fez tempos atrás. – falou Observador escondido sob um capuz e chapéu longo de couro no canto da sala. – Eles apenas se juntaram a leva para criar um corpo maior. - Ah, valeu, Observador!! – agradeceu a Vamp.

De uma das muitas portas daquele cômodo, apareceu o moderador Roger com alguns curativos no rosto, junto com a Val. Apressado, ele se juntou aos demais já dizendo: - O que temos que descobrir agora é o que ele é e do que é capaz de fazer. Se alguém tem alguma pista, qualquer pista, deste sujeito antes de aparecer aqui na cidade. - Ainda bem que está sendo mais cauteloso, Rô. – falou a moderadora Nane olhando de lado. – Da próxima vez, deveria pensar assim e me ouvir no áudio ao invés de desligá-lo. - Dá um tempo, Nan. – resmungou Rogério. – Onde está ele agora? - Bom, desde que ele sumiu da praça não consegui mais rastreá-lo. – falou a moderadora. – Não sei para onde o Capeta o levou. - O Capetinha está com ele? – exclamou Vamp. - Isso não é bom! – comentou Rogério. Repentinamente, um dos monitores na sala ao lado abriu uma das janelas e começou a apitar. A moderadora Nane se levantou às pressas, correu até a sala e sentou-se na cadeira. Tomou o microfone e áudio e começou a analisar as informações dadas pelo computador. - Roger!! Tem um novo ataque de Bizarros. Nunca vi tantos deles juntos... - Onde Nane?! – perguntou o Moderador se levantando às pressas. - No Instituto Educacional!! – falou Nane assim que identificou a posição no mapa.

Localizado na ala oeste da Cidade dos Blogs, as sirenes do Instituto Educacional dos Blogs disparavam enlouquecidas. Como foi orientado, todos instrutores mantiveram-se nas salas até que tudo estivesse resolvido. Eles tentavam a todo custo acalmar os alunos que estavam assustados com as medonhas sombras disformes que cruzavam as janelas. Em dado momento, aqueles vultos começaram a ousar mais e batiam nos vidros, jogavam pedras e galhos. Quanto mais as crianças choravam desesperadas, mas excitados ficavam e mais balburdiam causavam do lado de fora. Subitamente, um grande pedregulho foi arremessado e estraçalhou a vidraça que dava para um dos corredores das salas do segundo grau menor. Professores e alunos gritaram e a confusão prolongou-se quando o primeiro ser sem rosto apareceu na janela. Logo, tantos outros o seguiram estendendo os braços para o interior e moldando os seus rostos em formas desconexas.
- Oh, Gódi!! – gritava a professora Cris. – Crianças afastem-se da janela! - John! John! – gritou um dos jovens de cabelos prateados para o amigo de jaleco. – Esses é que são os... - Sim, Bizarros. – falou o John. – São eles sem dúvida, Zoro. - Caramba! Eles são muitos! – exaltou-se a menina de cabelos negros colocando-se atrás de Roronoa Zoro. - É! São! – falou Zoro apertando os punhos. – E nossos pais não estão aqui. – disse olhando para seus dois amigos. – Vamos ter que segurar essa sozinhos.

Próximo: Duas lutas extraordinárias com os Bizarros e Omega!! Nota: A eleição de Melhor Vilão foi esticada para terça-feira. Quem não votou, leia a publicação abaixo e registre o seu voto nos comentários!!!
Escrito por Coveiro ¤ às 20h56
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Bastidores de uma Saga (9): Um Novo Mal
Durante a criação dos Crossing Blogs, muitas das histórias continham a presença de inimigos, todos eles baseados em fatos e situações que aconteceram tanto na Lápide como nos blogs de conhecidos.
Os primeiros a ingressarem nos Crossing Blogs foram os Bizarros, os famosos seres batizados pelas beatas que imitavam as características e copiavam as identidades de blogueiros. Assim como faziam nos comentários, agora eles surgiam nas minhas histórias, como cópias imperfeitas que se passavam por nós.
Algumas histórias depois, trouxe para o meu Blog, um dos meus preferidos vilões: o Crítico dos Blogs. De identidade ainda incógnita, ele foi o responsável por tentar criar o caos nos cemitério dos Blogs, em Deus e muitos outros que fazem parte de nossa comunidade. Apesar de odiado pela maioria, tentei retrata-lo de uma maneira mais agradável e assim, baseado em seus próprios comentários, dei vida a um vilão bem peculiar.
Não tão inimigo, mas voltado para o lado do Mal, o Capeta, Senhor do Inferno, também mereceu sua chance nas minhas histórias. Criado para ser o opositor de Gódi, eu vejo o Capeta como um vilão ardiloso, que está sempre do lado que lhe for conveniente ou que lhe promover a oportunidade de vencer seu arqui-inimigo, Deus.
Todavia, para criar uma saga de tal magnitude, onde todos os heróis unissem suas forças, eu precisava criar um antagonista novo e apocalíptico em todos os termos. Eu não tinha a mínima idéia no começo de que poderes conceder a ele, mas sabia que teria que ser algo que, no mínimo, o nivelasse a Gódi. Sendo assim, optei por algo que inicialmente eu desconheceria seus limites. Esse mistério estaria respaldado pela sua origem incógnita e, do mesmo modo, total incompreensão da natureza desta criatura. Enfim, o meu vilão ainda é uma surpresa até mesmo para seu criador.
Se com a sua vinda a este Mundo Virtual, teria início o Apocalipse, nada mais justo do que nomeá-lo no projeto piloto com o nome de Omega. E do piloto, manteve-se para a Saga definitiva.
“Nada importa do passado... Meu destino está adiante... E por ele serei conhecido... Irei além... sou aquele que existirá até o final... Serei conhecido por ser Omega!”
Nos primeiros capítulos da saga, acompanhamos esse novo vilão desde seu nascimento até seu rápido aprendizado. Mesmo não estando claro em palavras, muitos já concluíram que este ser, Omega, é capaz de “sugar” informações, energia e poderes daqueles que se colocam no seu caminho, sem sequer tocar diretamente a sua vítima. Todavia, o canal pelo qual ele alcança esses dotes, ainda se mantém na penumbra. Quase incompreendido. E a chave para sua derrocada, talvez esteja nisso. Cabe, portanto, alguém saber usar isso...
Agora, coloquemos mais cinco selos...




Para aqueles que perguntarem sobre as aberrações... explicações serão dadas num futuro não muito distante. Todavia, o nosso leitor mais observador notara que essas criaturas parecem com algo que já passou aqui. Minha pergunta é... o que? Vale prêmio!
Gostaria também de fazer uma enquete que pode ser respondida aqui mesmo nos comentários. Quais desses vilões é o seu preferido? O resultado eu divulgarei no finalzinho da próxima saga. Até lá!!
Sombras...
Escrito por Coveiro ¤ às 20h55
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Crossing Blogs Saga Capítulo 8: Heróis, Reis e Deuses
Uma breve visão aérea de toda a zona sul da Cidade dos Blogs revelava o pandemônio que aquele lugar se tornara. A maioria dos prédios tombara e os poucos que ainda resistiram não passavam de estruturas destroçadas que mal se equilibravam. Nas ruas, em meio aos destroços e carros revirados, as pessoas corriam para ajudar os feridos. Uma encanação de água partiu numa das avenidas centrais, inundando todo o lugar. Somava-se a isso tudo, as espessas nuvens negras que encobriam do o cenário daquela manhã
No centro, próximo a uma das praças, uma ventania incomum quase arrancava as árvores e demais plantas doscanteiros Intensa camada de poeira era erguida e o foco daquele caos vinha de um único ponto, onde figurava um homem de casaco cinzento rasgado, roupas simples e cabelo loiro queimado.

Distante apenas alguns metros dele, um homem alto, de cabeça nua, óculos escuros e vestido com longo sobretudo estendia sua arma automática. Resoluto em sua ameaça, o moderador Roger ergueu a voz para o estranho homem que surgirá a poucos minutos de dentro do tornado e falou: - Eu já devia imaginar que esse caos não era ao acaso. – falou o Moderador. – tinha que ter um idiota por trás disso tudo.
Omega, o autor da tragédia que acometera a Cidade dos Blogs nos últimos minutos apenas ergueu seu rosto levemente deixando transparecer um diabólico sorriso e mirou Rogério com suas brilhantes pupilas verdes-avermelhadas.
O aparelho no ouvido do moderador Roger voltou a zumbir e o som quase imperceptível da voz de sua parceira, Nane, se fez presente. Rogério se quer abriu os lábios para respondê-la. Apenas ergueu o dedo até o ouvido e voltou a desligar o aparelho.
- Bom, nem vou perder meu tempo. – falou novamente Rogério. – Tipinhos como você a gente tem que dar um fim... -Quem é... – falou o estranho homem loiro pausadamente. - ... você? - Eu sou o moderador dessa cidade! – gritou Roger – Guardião deste lugar. - É... você? –falou o estranho homem loiro com o mesmo sotaque com palavras espaçadas. – É você... o defensor... o que se opõe... lutará contra mim? Eu aguardo mais... Eu espero seus heróis... seus reis... espero seus deuses... - Estou cansado de sujeitinhos assim... – estranhou Roger. – Bizarros... críticos... todos típicos... cheios de si e sem nenhum fundamento.

Diante daquelas palavras, Omega apenas iluminou seus olhos e ergueu uma das mãos, na qual raios oscilavam entre os dedos. Assim permaneceu estático, concentrando aquela energia elétrica à sua frente.
Antes mesmo que ousasse qualquer outro movimento, Roger pressionou o gatilho de sua arma várias vezes. O barulho dos disparos foi ensurdecedor, as balas cortaram velozmente o ar, porém nenhuma dela atingiu o alvo. Todas haviam parado no ar, faltando poucos centímetros para atingir o estranho homem loiro. Permaneciam imóveis soltando pequenas faíscas elétricas, presas numa espécie de rede elétrica.

Longe dali, num salão escuro, as centenas de monitores que ostentavam distintas imagens de diferentes partes daquele mundo, repentinamente mudaram e se destinavam a um único ponto. Nas telas, destacava-se a figura de um homem de cabelo loiro escuro, de pele alva, nariz aquilino e estranhos olhos. Algumas imagens mais próximas mostravam detalhes daquele ser, outras mais distantes revelavam a figura que ele confrontava, o homem alto e sem cabelo conhecido como Roger, moderador e protetor daquela cidade. - Inusitado, mas explica algumas lacunas.
A voz naquela sala pertencia ao único espectador naquele cômodo, o homem de terno negro e mascarado que se definia como o Crítico dos Blogs. Ao seu redor, algumas borboletas e mariposas dançavam enquanto voavam pelo lugar.
- Um ser capaz de manipular não só o clima como também detentor de uma bioeletricidade fortíssima. Não é nada autêntico, é verdade, mas nunca usado desta maneira. Agora sim, posso entender, como foi desativada as minhas quatro tecno-mariposa-espiãs. – falou o Crítico. – Devo tomar cuidado para que elas não se aproximem tanto deste ser quando ampliar esse campo eletromagnético que o cerca. Com algumas ordens em seu controle, o mascarado fez com que as imagens de seus monitores se emparelhassem de tal modo que fosse possível enxergar aquela batalha em todos os ângulos permitidos. Entrelaçou os dedos e, então, esperou pacientemente os próximos acontecimentos.

Uma mancha negra sobrenatural acompanhada de estridentes guinchos percorreu a cidade em direção ao norte. Entrecortando as ruínas daquela catástrofe, alcançou as portas entreabertas de um largo estabelecimento, cercado de janelões de vidro escuro e com uma imensa placa com o desenho de olhos femininos em destaque. O letreiro eletrônico estava desativado, mas era possível ainda ler a silhueta da palavra “Bar Code” dele.
A estranha nuvem se dirigiu até o centro do salão e os estranhos corpos de asas foram mudando, juntando-se e tomando uma forma maior e humana. Todos voltaram a atenção para a recém-chegada, a vampira ruiva Paola.
- E, então, Margot, já conseguiu contactar todos? – perguntou Vamp, colocando a mão na cintura. - A maioria, Vamp! – respondeu Margot, a proprietária do Bar Code. – Aos poucos, estão todos vindo para cá. A primeira a chegar foi... - Ieuuu! É claro! – respondeu uma outra ruiva de cabelo longo exaltando um sorriso de um canto a outro da orelha. - Oi, Val!! – cumprimentou Vamp erguendo a sobrancelha.

Escrito por Coveiro ¤ às 22h50
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Além das duas amigas, Vamp percebeu outros presentes ali. Num canto da sala, sentado nas mesas estava Mack, o caçador de paranigmas, limpando sua arma. Próximo ao balcão, Li, Aninha e Mariam falavam de suas horríveis experiências no meio daquela catástrofe. Num canto mais distante, sempre calado e atento, estava o Observador. Do outro lado, dois conhecidos bruxos do caldeirão, Enfys e Sandro, dividiam uma mesa e conversavam em voz baixa. Com o ar despreocupado, também estava ali o advogado Aleixo, que verificava os papéis em sua pasta. Outros tantos se perdiam na pequena multidão que encontrara abrigo nas portas daquele Bar.
- Eu encontrei também o Mocotovsky. – falou a Vamp. - Ele está bem? – perguntou Margot. - Sim, está. Ele deve estar chegando com a Rhian. – avisou Vamp tomando um lugar no balcão. - Preferiu encarar um cavalo branco sem sela do que viajar carregado por morcegos. Cadê o meu Gemu? - O Peter Pan? Bem, ele trouxe a Aninha e a Mariam pra cá e saiu de novo. Ele e o Renatinho estão fazendo o possível para minimizar o caos na Cidade, mas mesmo assim aconteceram muitas perdas. - E o Sol, Margot? Conseguiu encontrar ele...? – perguntou a Val. - Não, Val. – Margot meneou a cabeça - Deixei um recado na secretária. Só espero que esteja tudo bem com ele. - Quem mais você não conseguiu achar, Margot? – voltou a perguntar a vampira. - Liguei para a Mansão das Tias Beatas e pro laboratório da Doutora. Mandei ficarem em estado de alerta até sabermos o que está acontecendo. – comentou Margot – Não consegui falar com o Zé, mas nem sei como poderia contata-lo no cemitério. O mesmo vale pro Nômade. - E o Xis? – perguntou Vampira. - Também, não. A última vez que o vi, foi há semanas atrás quando disse que iria voltar para a estrada. - Humf! Ele deveria comprar um celular! – reclamou Paola. - A Ly também seguiu viagem, mas não foi com ele. Saiu quase uma semana depois sozinha e meio aborrecida. – falou a dona do bar. – Sei que ela seguiu em direção a mar, talvez esteja no Jardim Nada Secreto. Eu posso tentar falar com a MARtinha e verificar...
O telefone que ficava na parede do Bar começou a tocar e interrompeu Margot. Ela andou acelerada até ele e tirou o aparelho do gancho. Reconheceu a voz do outro lado da linha e avisou às outras pessoas: - É a Nane!

O moderador Roger gostaria de não acreditar no que seus olhos mostravam, mas aquilo não era mera ilusão. As balas mantiveram-se retidas, sem o efeito desejado e seu inimigo estava ileso e extremamente calmo. - Como disse... eu aguardo mais... muito mais que isso. – falou Omega.
Com um gesto de suas mãos, as balas que estavam presas no ar, repentinamente se desprenderam de seu grilhões invisíveis e tombaram no chão. Omega olhou as pequenas peças de metal no chão com desprezo e então voltou suas atenções para o Moderador.
Em instantes, os olhos verdes mesclados com vermelho do estranho faíscaram. As nuvens rugiram e imediatamente um fino e repartido raio singrou o céu até chocar-se na praça, bem perto do local onde o moderador estava. Por muito pouco, o moderador conseguiu escapar do golpe eminente do raio e lançou o corpo para o lado, desviando-se do impacto direto. Sentiu a energia concentrada arder em suas costas e caiu rolando no chão, com parte de seu sobretudo em chamas. Tonto, Roger tentou colocar-se rapidamente de pé e logo deparou-se com o misterioso vilão loiro à sua frente.

- Omega... o fim... é o que sou. – falou o próprio erguendo as mãos em direção ao Roger. – Você nada me serve... sua existência... é nada... - Vamos lá, maldito... acabe logo com isso... – replicou o moderador cuspindo sangue.

Mais uma vez, intensa carga elétrica acumulava na mão erguida do ser de nome Omega. Raios desordenados partiam para todos os lados, zunindo ruidosamente em ira. A luminescência voltou a crescer dentro dos olhos do vilão, como aconteceu antes de seu disparo. No entanto, antes de efetuar o próximo ataque, algo chamou sua atenção.
Um ronco constante e perturbador surgiu de uma das ruas que cingia praça. Omega desviou os olhos naquela direção e viu um veículo rumando em sua direção, lançando grande quantidade de fumaça preta. Juntando-se ao barulho do motor, ouviu-se um grito forte feminino. - Ieeeeuuu!!

Para a surpresa de Omega, uma mulher de cabelos tão vermelhos quanto o nascer do sol montada numa motocicleta disparou entre ele e sua vítima, cruzando o caminho entre os dois. Sem hesitar, o moderador Roger jogou-se na garupa da moto e conseguiu assim sua chance de sobreviver dali.
Já a certa distância, o moderador Roger se virou, apontando sua arma na direção do inimigo e começou a descarregar o resto de sua munição. Todas as balas, no entanto, foram desperdiçadas. Antes de alcançarem o alvo, elas pararam e novamente caíram inofensivas no solo.

Omega observou os dois se distanciarem com um olhar duro. Antes que desaparecem definitivamente de suas vistas, o estranho ser ergueu o braço com energia elétrica ainda pulsando entre seus dedos e mirou na direção da Bicicleta. - Isso é totalmente desnecessário! – ouviu-se uma voz surgir do nada.
Omega olhou para o lado e lá estava a misteriosa entidade conhecida como o Capeta, elegantemente vestido com seu terno e deixando um pouco da fumaça que sempre se manifestava em suas aparições. – Deixe-o ir! Ele trará os heróis... reis... deuses... que você tanto deseja confrontar. – continuou o capeta observando a motocicleta sumir no horizonte. – E assim teremos a maior batalha de todos os tempos aqui.

Próximo Domingo: Começam as primeiras estratégias de ambos os lados.
Para quem ainda não notou, estou colocando a logo do coveiro nos desenhos. Estarei fazendo modificações nas figuras antigas com o tempo e talvez vocês sintam algumas figuras faltando. Isso é temporário! AGORA: Ai, daquele que eu pegar editando e cortando fora a minha logo dos desenhos.
Escrito por Coveiro ¤ às 22h50
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Páginas Negras: Um direito de imagem...

Talvez, esta seja a publicação da Lápide em que as palavras estejam sendo digitadas com o ar mais sombrio que já imprimi neste Blog. Seriam frases muito mais duras se eu as estivesse escrevendo algumas horas atrás, na tarde do Domingo, quando recebo um chamado do Emmessenne para uma audiência com o Coveiro Zé. O motivo de tal encontro? Plágios.
Vou tentar resumir a história. O Zé estava mordido de raiva, pois uma guria teve a infeliz idéia de copiar não só a idéia do cemitério como também roubar imagens dele e... adivinhem? Isso, mesmo... da Lápide. Bestificado por alguns instantes, logo meus dedos estalaram.Meu espírito arcaico do Coveiro renasceu... os olhos tornaram-se rubros e tomei uma pá na mão para auxiliar o Zé nesse enterro.
Quem ler meus comentários e observar a imagem que eu criei vai notar o quão negro eu fiquei diante de tal ato. Se extrapolei em algum momento, já peço perdão de antemão a pessoa ofendida, mas aqueles que me conhecem sabem o quão deplorável deve ser a atitude para me indignar. De todos os coveiros, dizem que sou o mais sensato e bondoso. Talvez, associem a isso o fato de eu não ter o péssimo costume de enterrar gatos vivos e saber a ordem certa dos talheres de peixes, carnes e saladas. Ainda assim, eu tenho os meus limites e um deles foi ultrapassado ontem.
Quem me conhece e lê os escritos da estrada sabe que nunca impedi ninguém de usar qualquer uma de minhas imagens. Muitas vezes chego até a presentear alguns quando faço visitas nos seus blogs. Implicitamente, sei que essas pessoas irão fazer as devidas referências. É uma forma de expressar gratidão. E foi assim nestes últimos seis meses.
O incidente que aconteceu com a Senhorita Coveira Cris, no entanto, abusou de minha complacência em todos os níveis. Ainda que ela não tivesse pedido o uso destas imagens... ainda que ela não tivesse citado a minha pessoa... eu poderia até tentar entender. Todavia, o ato de ela fazer uso de uma proteção de cópia acompanhada de uma mensagem escabrosa do tipo “Vai roubar covas agora?” foi o indignante. Com o perdão destas próximas palavras, senhorita, existiu apenas um único vil exumador de tumbas nesta história, minha cara, e ele não foi nenhum dos coveiros originais.
Sei que alguns amigos delas, bem mais sensatos, vieram em defesa da Cris dizer que foi um erro e todos deveriam ter a chance de se redimir. Afinal, eu sondei os comentários de seu blog original e vi coisas que não competem ao meu interesse. Não estou para julgar afinal a vida particular dela, por mais que eu não concorde. Me contentaria com as imagens desaparecendo de lá. Pensei nisso nessa manhã quando recebi um comentário da SeaPrincess e reconsideraria qualquer coisa se de fato a “Coveira” se empenhasse em resolver o mal entendido. Todavia, hoje, vejo que não. Ela não só persiste no erro como também, chacota. Agora, me respondam vocês. Dan, SeaPrincess, estrelinha e conhecidos dela: devo mudar o que penso dela? Talvez, a multidão que visita o cemitério do meu amigo Zé não seja a única a agir sem pensar. Diante disso, eu repito aqui a mesma coisa que disse nos comentários do cemitério dos blogs.”

–x- A imagem resume e muito o que eu sinceramente desejo a senhora, "Coveira" Cris. Por sinal, parabéns por fazer tão bem o uso do termo "Coveiro"... vc atacou deslealmente por trás dois colegas de profissão...-x-
E, só a título de informação, para aqueles que acham que o que está na Internet não é de ninguém, vale ressaltar que todos os meus desenhos são inicialmente feitos a mão, arte-finalizados a nanquim ou caneta preta, digitalizados, coloridos com editores de imagens e por fim adicionado a paisagens igualmente editadas. Cada etapa desse procedimento é feita exclusivamente por mim e armazenada. Se alguém questiona meu direito sobre as imagens, saibam que bastaria eu mostrar o produto original feito no papel e isso é por demais suficiente como prova. É assim que se dá o direito sobre obras. Bem, passado a fúria que por um momento me trouxe novamente os olhos vermelhos, tenho que expor a política para os usos das minhas imagens neste blog. Ela não é nova, trata-se da mesma que venho usando desde que optei por espalhar meus traços na rede. Toda e qualquer imagem aqui colocada na Lápide pode sim ser usada gratuitamente desde que façam as devidas referências de origem. Não me incomodo nem se o mais ousado desejar modificá-la por um motivo justo, contanto que também seja referida a origem. Afinal, eu mesmo já coloquei aqui duas figuras do Soldier, levemente alteradas com desenhos meus superpostos e deixei especificado desta maneira “Soldier Co. and Altered by C.X.”.
Recomendaram-me fazer uso também de uma pequena logomarca, provavelmente usarei a mesma da Paranigma que aparece nos meus templates. Todavia, corro o risco de ainda ter essa parte do desenho cortada ou editada. Isso eu não posso combater. Mais sei que posso contar ainda com meus amigos que me acompanham há seis meses e já estão mais que acostumados com o meu traço, seja ele quase um rabisco, mas ainda assim meu, único.

Sem mais por hoje... ... Amainando os olhos vermelho... ... Sombras
Coveiro ¤X¤
PS: Acompanhem esse enterro no cemitério do chefe, o Zé.
Escrito por Coveiro ¤ às 00h33
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Crossing Blogs Saga Capítulo 7 – Dia de Destruição
Quando as janelas da sala de jantar bateram violentamente na Mansão do Arco da Velha, Leopolda Apolinária dos Campos, a mais velhas das irmãs herdeiras do falecido Leopoldo dos Campos, apareceu no corredor. Olhou indignada para as outras duas irmãs que tricotavam na sala e gritou: - JUPIRA!!! MALVINA!!! Vocês são surdas ou o que?
As duas senhoras levantaram-se afobadas do sofá, quase se espetando com as enormes agulhas de tricô e correram até onde estava a matriarca da família. Jupira, a mais gorda de todas, foi logo se desculpando: - Leopolda, sinto muito, eu não ouvi você chamar meu nome da primeira vez e... - Não chamei, sua tonta! – replicou Leopolda sempre ranheta. – Estou falando das janelas batendo pela casa!! Não estão vendo a ventania lá fora...
Exemplificando a bronca da velha mandona, as janelas da Mansão das Beatas mais uma vez se abriram e fecharam violentamente ao comando do vento. Jupira e sua irmã hipocondríaca Malvina se entreolharam surpreendidas como se não tivessem notado aquilo antes. Repentinamente, a mais gorda gritou: - Ai meu Deus, as roupas no varal!!!
A senhora obesa correu acelerada em direção a porta da frente, girou a chave e quando finalmente topou com a vista exterior gritou horrorizada. Malvina e a Leopolda vieram logo atrás e assim que enfiaram a cabeça para o lado de fora, entenderam o escândalo da irmã. À Nordeste, cerca de trinta quilômetros dali, onde figurava a imensa Cidade dos Blogs, um gigantesco furacão negro reinava.

Com toda sua fúria, aquela manifestação incomum da natureza erguia carros, postes e hidrantes das ruas da Cidade dos Blogs, promovendo o maior caos dos últimos anos naquele lugar. O furacão acabara de devastar dois dos maiores arranha-céus e agora rumava por uma avenida principal em direção ao norte.
Pessoas corriam desesperadas, saindo dos carros e dos ônibus, procurando abrigos em prédios ou mesmo se escondendo dentro de bueiros. No meio daquela confusão, o homem conhecido como Mocotó, estava por demais surpreso para conseguir por seus pés em fuga. A fúria do furacão já estava a menos de um quilometro do lugar onde estava e lançava em sua direção placas e blocos de concretos.
Repentinamente, o núcleo daquele furacão englobou um caminhão-pipa e com todo o seu poder ergueu-o no ar. Como se fosse um mero brinquedo, o veículo lançou-se aos rodopios e quando chegou ao seu limite de altura, começou a cair na mesma direção onde o colecionar de votos estava. Sem mais esperanças, Mocotó apenas fechou os olhos. Faltando poucos metros para o container atingi-lo, foi pego de surpresa por uma nuvem negra que veio pelas suas costas.

Ele sentiu inúmeras mordidas em seu corpo. Como se agarrado por inúmeros alfinetes que se prendiam em sua roupa, Mocotó começou a gritar em desespero. Seus pés se afastaram do chão. Ele estava sendo levado. Em agonia, ouviu pequenos guinchos e farfalhar de asas. Aquela sombra negra era na verdade um “enxame” de pequenas criaturas, morcegos. Debatendo-se em vão contra aqueles animais, Mocotó foi levado dali, onde por pouco não fora esmagado pelo peso de um tanque repleto de água, que se espatifara no meio da rua. Quando finalmente viu que aquele grupo de odientos morcegos o soltou, parou de gritar. Olhou para os lados e se viu em proteção num dos mais alto prédios da cidade, bem distante da fúria do furacão. Sorriu e suspirou aliviado, sem acreditar naquele estranho milagre.
Ouviu novamente o farfalhar voltando e virou-se para trás. Viu, então, os inúmeros e estranhos morcegos se juntando em um único ponto bem perto dele. Aos poucos, o que parecia uma nuvem de mamíferos voadores começou a tomar a forma de uma mulher de pele alva, cabelos ruivos e um sorriso maroto no rosto. - Vampira?! – surpreendeu-se o colecionador de votos. - Oi Mocotovsky! – respondeu a ruiva colocando a mão na cintura.

Alheio ao salvamento daquele blogueiro, o furacão continuava a alastrar sua fúria pela Metrópole Virtual. Um verdadeiro corredor em ruínas se formara pelo trecho por onde ele passava. Em pouco minutos, prédios se desfaziam em pedaços e carros eram destruídos. Em meio à conturbação de pessoas que tentavam se proteger, um homem de cabeça raspada em um longo sobretudo negro, corria resoluto em direção àquela estranha manifestação da natureza. Repentinamente, sentiu o seu comunicador chamar e levou o dedo ao ouvido ligando assim o pequeno áudio. - Roger!? – ele ouviu a voz firme do outro lado do fone. - Nan! – gritou o moderador tentando erguer sua voz acima da balbúrdia local. – Fomos pegos de surpresa. Eu nunca podia imaginar que fosse algo assim. Você já acionou o...?

- Já! Toda a cidade recebeu o aviso de alerta, Rô! – adiantou-se a Moderadora. - Ótimo! Vamos precisar de toda a ajuda possível!! Há algo de muito estranho nisso tudo!! – respondeu o moderador chegando cada vez mais perto do furacão. – Algo me diz que o dedo de alguém está nessa história... - Roger!! Volte já para cá! O que você acha que pode fazer sozinho? – replicou Nane. – Não entendemos ainda o que é que está provocando isso e... - Nane, e é justamente o que estou querendo... – o Moderador falou rispidamente. – Quero descobrir o que está por trás disso. - Roger, venha... – falou a Moderadora, mas repentinamente sua voz desapareceu do pequeno áudio no ouvido de Rogério. O moderador da Cidade dos Blogs desligou momentaneamente o seu áudio acoplado no ouvido e prosseguiu pelo mesmo caminho, lutando contra a força do vento que fazia as abas de seu sobretudo tremularem ruidosas para trás.

Escrito por Coveiro ¤ às 22h53
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No vigésimo sétimo andar de um dos grandiosos prédios na Cidade dos Blogs, onde funcionava uma agência de eventos, funcionários e clientes atropelavam-se pelos corredores apavorados. Em meio a eles, Aninha, uma das que trabalhavam naquele lugar, olhava ressabiada pela janela. Ao seu lado, uma jovem de longos cabelos loiros a acompanhava com os olhos já chorosos.
- Aninha, não é melhor a gente sair e... – perguntou Mariam apavorada. - Sair pra onde? – perguntou Aninha - Um dos elevadores deste prédio estancou. Tem gente presa lá. Nas escadas, tem gente demais se esbarrando as tontas... Acho que é mais seguro ficarmos aqui... -ELE ESTÁ VINDO PRA CÁ!!!! O último grito veio de um dos funcionários da firma que espichou o corpo pro lado de fora e viu que repentinamente o furacão mudara de rumo. Mariam estacou boquiaberta e foi preciso Aninha puxar ela pelos braços para tirá-la dali. - Vem, Mariam!! – gritou Aninha, mas sua voz praticamente se perdeu no caos que se instalara ali. Antes mesmo que as duas pudessem chegar à porta de emergência que levava as escadas, os vidros da janela de todos os escritórios daquele andar começaram a tremer. Vibravam cada vez mais até que repentinamente o primeiro se estraçalhou. Aninha e Mariam voltaram os olhos pasmos para trás. Um outro vidro estourou e, depois, mais outro. Daí, mais e mais quebraram espalhando cacos para todos os lados. Um ronco estrondoso surgiu e uma lufada de vento caótico adentrou no interior da agência.

- Ai, não! – Lamentou Mariam!!! - Segura... – disse Aninha já abraçando um dos tubos de encanação fixados nas paredes.
Agarrando-se com todas as forças em outra encanação, Mariam fechou os olhos e começou a rezar. O som perturbador já se tornara indefinível e agora seu ouvido só repetia um zunido estranho e agonizante. Quando virou a cabeça para trás, se deu conta de que as paredes de todo o edifício se desintegraram sendo absolvidas pelo furacão.
Desesperada, Aninha via aquele imenso cone de vento negro se movendo desordenadamente pela grande avenida, destruindo o asfalto e lançando os automóveis para longe. O piso da agência começou a ruir e longos blocos de concreto caíram até esfacelarem-se na calçada abaixo. Aninha olhou para os lados e não viu mais ninguém além de Mariam, que estava apavorada ao seu lado, sem mesmo ousar olhar para baixo. Mais um grande pedaço do chão se foi, deixando assim Aninha sem apoio. Ela gritou surpresa, mas continuava agarrada aos canos. Trêmula, a Menina Estrela não sabia quanto tempo mais iria agüentar. Mariam olhou assustada para a amiga e depois para o furacão que estava já se distanciando dali. - Me dá a mão! – disse Mariam estendendo o braço.
 Aninha, já sem forças segurou a mão da amiga e tentou assim subir para algum ponto do prédio em ruínas que lhe desse mais segurança. Escalou um patamar mais acima de tal maneira que acreditava estar mais segura.
- E agora, como vamos sair daqui? – perguntou Mariam. - Não sei, Mariam... Não sei... aiii... – A menina estrela interrompeu a frase repentinamente.
Parte do bloco em que seus pés se apoiavam ruiu e agora, ela se equilibrava com a ponta dos dedos e sustentada por apenas uma das mãos. Seu coração batia forte e já não conseguia coordenar direito seus movimentos.
- Aninha, cuid... AninHAAAAAA... – gritou Mariam Outro pedaço de concreto se descolou da estrutura, levando consigo a garota de cabelos castanhos. Aninha viu os andares destruídos passando rapidamente sobre ela enquanto descia em alta velocidade. Fechou os olhos em meio a lágrimas e assim esperou o seu fim. Alguns minutos depois, soluçando, voltou a abrir as pálpebras e viu que continuava viva e suspensa no ar. Olhou para um lado e lá estava sua amiga, Mariam, equilibrando-se como podia. Ao volver o rosto pro outro topou com o rosto sorridente de um garoto loiro e de orelhas pontudas com piercing. Era Peter Pan que a segurava nos braços, enquanto voava graças ao poder adquirido com seu pó mágico.

Repentinamente, o gigantesco furacão parou seu trajeto, mantendo-se no centro da Cidade dos Blogs, ostentado ali todo o seu poder. Fagulhas elétricas se deslocavam de seu interior e espalhavam-se para os lados como uma intricada teia.
Bem próximo dali estava o Moderador Roger com a mão no coldre observando o novo fenômeno. Levantou um dos braços e com o dedo voltou a acionar o seu áudio. Quando o aparelho em seu ouvido voltou a conectar com a Mansão dos Moderadores, ele falou para sua parceira: - Nane, sou eu! Acho que encontrei o foco do problema!
Com essas palavras, puxou sua arma e ergueu-a para frente. Em sua mira, estava o centro do furacão que começava a amainar. As colunas de poeira negras que se moviam em espiral começaram a desaparecer e no lugar delas o corpo de um homem loiro vestido com roupas rasgadas e um olhar demoníaco surgia.

Próximo Quarta: Quando os Heróis se reúnem...
Escrito por Coveiro ¤ às 22h52
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