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Agradecimentos a Labellaluna® por disponibilizar os MIDIS tocados na Lápide.
Layout por:
Coveiro ¤X¤
http://lapide.zip.net
E é mais ou menos assim que me contaram aquela história... A idéia de convidar algumas pessoas para escrever na Lápide nessa semana especial nasceu mais ou menos há dois meses atrás, quando originalmente eu convidaria apenas alguns que me conhecem pessoalmente e em diferentes épocas para falar um pouco mais sobre mim. Todavia, as datas que antecipavam o dia de meu nascimento coincidiam perfeitamente com outros momentos importantes como os seis meses de vida deste diário virtual e o aniversário de uma das minhas mais estimadas Angels. Desta maneira, estendi o convite a Nane e a Rhiannon, assim como para dois de meus amigos, Socó e Sétimo. E vejo que fiz boas escolhas. Através de cada um desses textos, eu pude lembrar de detalhes interessantes de diversos momentos que eu sem querer deixei passar. Gostaria, portanto, de agradecer a esses meus amigos que me fizeram reviver cada um destes eventos publicados nesses dias na Lápide. Vou citar um, no entanto, que me muito me surpreendeu. Foi através da retrospectiva da Nane que redescobrir como foi que a Lápide nasceu. Minha mente parecia ter esquecido daquele momento, deixando-o para trás como uma gripe já curada. De fato, olhando para o passado só tenho a dizer que a Lápide mudou muito nesses últimos seis meses. São seis meses que parecem seis anos para mim. Diferente do que acontece no mundo de fora, a Lápide me parece crescer alimentada em um espaço e tempo recriados, próprios, únicos. Enfim, eu estou muito orgulhoso dela... Alguns comentam que eu levo este espaço à sério demais. E de modo algum eles estão errados. Eu me afeiçoei às páginas desse diário como faria com qualquer cão ou gatinho de estimação. Muitas vezes, eu posso estar sem tempo ou enjoado, mas sinto um certo dever em cuidar dela. Citando um caso que me deixou sem jeito, lembro de estar às duas horas da madrugada com a Doutora, minha amiga Jan (desculpe Doc, vou usar seu nome, mas só essa vez) e ela me contar como se reconfortava em ligar o computador todas as manhãs para ver a Lápide, pois se sentia meio isolada na Noruega onde quase não tinha livros ou revistas em português para ler. Imediatamente, me coloquei na posição dela e comecei a digitar um título para um novo conto. E assim aconteceu com muitos daqui. Passados esses seis meses, notei que não só a minha história era contadas nos “In Memorians” como também uma nova era criada nos “Crossing Blogs”. Uma história com ares puramente fictícios, é verdade, mas baseada em fatos que se tornavam reais, laços que se estendiam e quebraram barreiras. Aconteceu de tal forma que amigos meus daqui, hoje se reúnem harmoniosamente com Blogueiros seja por email ou MSN. E essa história cresce, cresce alimentada por todos que aqui visitam e deixam sua marca. Como bem disse, Tolee, juntando as páginas num arquivo de texto, acabaria num livro. E acho que seria um livro tão grande que precisaríamos dividir em diferentes tomos. Mas toda história têm um fim, não tem...? De fato, toda boa história tem que ter um final. Mesmo eu, o senhor dos “To Be Continued” sei que um dia terei que pôr o ponto final num último capítulo. É necessário que eu o faça. Como bem lembrou o menino do pó, Peter Pan, é preciso dar fins, para existir novos começos. Creio que essa seja a lei mais segura do nosso universo. Como biológos, sabemos disso. Portanto, comecei ruminar idéias de um fim para a Lápide. Mas calma, amigos, isso levará tempo. Por enquanto, ainda estou almejando o horizonte mais distante. Bom, o momento de descanso acabou. Estou de volta. Um pouco mais velhinho é verdade, mas com a mesma fome de asfalto. Estou novamente seguindo a Estrada. Coveiro ¤X¤ Nota: Recebi cartões, telefonemas e até presentes via sedex. Pra todos vocês que se ligaram a mim, mesmo estando tão distantes, meu muito obrigado do fundo do coração deste peregrino (citando a Margot! To remendando todo mundo... eheheheheh...). Agora, sim, Sombras.... Até o próximo capítulo da Saga...
In Memorian Especial Bem, como nem todos me conhecem vou falar um pouco ao meu respeito, me chamo Sócrates (Sosó, Socó, Soquinha, Sossa Júnior, Faz tudo, Homem-Suco ou Alma Sebosa...). Eu nasci em Vitória de Santo Antão, cidade vizinha a Recife que por alguns motivos sócio-econômicos e políticos, não faz parte da região metropolitana de Recife, mesmo ficando a 30 minutos de carro. É uma cidade bastante conhecida pela Pitu (cachaça), assim como pelos seus engenhos de cana-de-açúcar; Tivemos uma batalha muito importante e decisiva para expulsão dos holandeses de nossas terras brasileiras, coisa da qual poucas pessoas tem informação; cidade pacata, pouco valorizada historicamente até pelo aspecto cultural. Minha residência em Recife fica no mesmo prédio de Sérgio, somos vizinhos de frente e não tenho certeza a quantos anos nos conhecemos. Sei que éramos crianças e muito bagunceiros, eu e Sérgio tínhamos algo em comum quando éramos crianças, éramos bastante magros. Existia uma tropa de meninos em nosso prédio, muitos dos quais eu não consigo relembrar os nomes, mas os principais eram: Minha irmã Mabel, Meu vizinho da porta de frente Sérgio, Meus vizinhos do segundo andar (que eram primos de Sérgio) Dudu e sua irmã Silvinha, e Dominguinhos e Celina (que também eram primos de Sérgio) que moravam em outro bairro, mas que seus pais sempre vinham passar as noites de Sábado em nosso prédio. Não posso esquecer também de Claudia (atualmente mãe da afilhada de Sérgio) e Miguel que eram irmãos e moravam no quinto andar. Existiam ainda outras crianças que vinham morar no prédio mas que não duravam muito tempo lá.
Cada um tinha uma característica peculiar, Mabel e Silvinha eram mais novas e gordinhas, por isso sempre eram café-com-leite em nossas brincadeiras (maneira de dizer que elas podiam participar da brincadeira, mas que faziam papel de coadjuvantes, nunca podiam ser o pega por exemplo). Claudia era magricela e corria muito, Miguel era o menor e mascote da turma, Dudu era o brigão, Dominguinhos era o gordinho bochechudo, Celina era magra e parecia que tinha mais cabelos e olhos grandes, eu era o matutinho (caipira) e Sérgio era o santinho da turma, magrinho, de óculos e aparelho nos dentes, que adorava gatinhos. Ele não podia ver um que logo queria adotar e levar pra sua casa, para tristeza da mãe que tinha que limpar o gato sujo da rua e vacinar. Era justamente nos sábados que a bagunça era generalizada. O barulho era infernal. Era menino para tudo quanto é lado, debaixo de carro, debaixo da escada, dentro do elevador trancado, em cima da goiabeira ou na mangueira, todos tentando se esconder da maneira que podiam. Com o avançar da noite, tínhamos que falar baixo, pois o trio das velhotas não dava trégua. Ficavámos conversando até altas horas. Era quando a galera parava para me escutar. Eles adoravam quando eu contava histórias de fantasmas que eu conhecia de minha terra natal e ficavam atentos ao que eu dizia, até o ponto que ninguém mais queria falar de almas e começávamos a correr pelos corredores do prédio. Não me esqueço de uma brincadeira nojenta que inventei onde eu ficava na escada e o pessoal no corredor enquanto eu ficava cuspindo e o pessoal correndo para não ser atingido. Quando a Celina quis participar, foi dito e feito. Ela não correu e dei uma cuspida bem dada no meio da sua cabeça. Ela não acreditava no que tinha acontecido, parou, todos pararam pra falar a verdade, e ela como se ainda não desse conta do que tinha acontecido, passou a mão na cabeça para confirmar. O inevitável aconteceu, ela abriu o berro e começou a chorar correndo para sua mãe. Nesta mesma noite, acabou tudo mais cedo. Eu fui o primeiro a correr, entrei em casa e fingi que nada tinha acontecido.Quando meus pais me viram entrar não me deixaram sair mais por causa do barulho e, na verdade, achei até bom, pois depois daquela cuspida o melhor que tinha a fazer era tomar banho e dormir. E essas são apenas algumas das muitas histórias que eu fui lembrando para colocar aqui nesta homenagem a Sérgio Coveiro. Algumas muito antigas que quase não lembro mais e outras muito mais recentes. Se juntássemos todas, creio que faríamos um livro. E algumas, pelo que vejo, ele já deve ter contado a vocês. Fim
Páginas Negras Especial: Este poderia ser um post como outro qualquer. Um monte de palavras combinadas para dar sentido, mas escrever sobre o Coveiro X para mim, é muito mais do que isso. Foi um dos primeiros blogueiros que eu tive a oportunidade de conhecer, mas o nossos laços se estreitaram mesmo depois da nova versão do Genêsis postada por Gódi, na qual o Senhor Todo Poderoso diz que venho de uma linhagem nobre, sendo neta de João (uma versão atualizada de Adão) filha de Joaquim, irmã do Mocotó e do Coveiro X. Assim teve início os nossos laços sanguíneos virtuais. Na realidade, só nós dois assumimos o parentesco, já que o Mocotó esqueceu-se por completo que é nosso irmão. Hoje em dia dedica-se a caça constante de votos, noites tórridas com Mortícia e uma forma de ganhar dinheiro sem ser necessário trabalhar. Depois dos apelos comoventes, das discussões acirradas com direito a comentários moderados, o sequestrado percebeu que acabaria gerando uma 4ª Guerra Virtual, e com muita astúcia conseguiu se livrar das garras dos malfeitores. Malfeitores???... Bem isso é uma longa estória, já que os sequestradores não passavam de seus amigos locais mesmo, aliás hoje em dia todos nós mantemos contato e cada um entende o lado do outro. O importante mesmo foi que mais uma vez o Coveiro X voltou ao nosso convívio, e mais uma vez pensei que poderia relaxar e aproveitar... ledo engano... Mais ou menos um mês depois do sequestro, começaram a aparecer nos comentários da Lápide recados musicais amorosos. ATENÇÃO: Queridas Blogueiras que assediam o meu mano. Venho através desse parágrafo me desculpar publicamente por todas as vezes que eu possa ter sido um pouco mais rude (leia-se ignorante, grossa e estúpida) com vocês. Permitam que eu me explique: Assim que começaram a surgir os comentários musicais, houve da parte das X´s Angels um grande alvoroço. Na realidade pensamos que talvez pudesse ser algum plano ultra mega infalível dos amigos sequestradores. Uma nova forma de roubar a atenção do Xis, mas não passava de fãs insandecidas. Algumas sossegaram logo no início, outras foram além, mas o importante mesmo é que compreendam que tudo não passa de uma gostosa brincadeira. Nos dias em que as X´s Angels se encontram mais tranquilas na vida real, passamos as tardes formulando táticas de proteção. Supondo quais as possibilidades da [.] ser fulana ou beltrana, ou então da “A Sua” ser ciclana. As melhores horas são aquelas que o Coveiro X está conosco no emessene, assim contamos para ele todos os planos desenvolvidos e de vez em quando (quase sempre) ele discorda, e nos pede para irmos com mais calma, mas a verdade é que nos divertimos muito juntos. São horas consecutivas de gargalhadas garantidas, a ponto de: • se eu estiver no escritório, meu chefe me chama de louca; Atualmente nos dividimos em plantões de 8 hs cada uma. Nos revezamos no preparo das suas refeições, no colocar para dormir e principalmente na hora do banho. Interrompemos nossa programação... MARAVILHOSA OPORTUNIDADE!!! Com o apoio de Cintuca amiga local e participante ativa dos "Sequestradores Amigos", estaremos realizando uma pesquisa para conseguirmos localizar o par ideal para o Coveiro X!!!... Participem dessa campanha!!! Interessadas favor enviar email com curriculum para querocoveirox@hotmail.com!!!... Eu já tenho a minha candidata. E vocês???... Vamos lá!!! Disponibilizaremos botons, canetas, bloquinhos de anotação, chaveiros entre outros brindes!!! Brincadeiras a parte, queria deixar registrado aqui o quanto sou feliz por ter a amizade do Sérgio e de todos os heterônimos que seguem junto no pacote: adquira um amigo. Uma pessoa justa, sincera e extremamente amiga. Me sinto muito grata por tê-lo como irmão, mesmo que seja virtual, mas que ele mesmo me ensinou que nós somos muito mais que pessoas digitando por detrás de um monitor, talvez sejam nossos corações digitando, nossas reais intenções. Mano, te adoro muito demais pra caramba a beça e sei que esse gostar parte das minhas amigas X´s Angels também. Conte com a nossa proteção sempre, e pode ter certeza que não é uma proteção virtual. Parabéns!!! Obrigado pela oportunidade de postar aqui na Lápide, aliás AMEI... me comportei tão bem que estou estranhando...hahahahahahahahahahaha... posso postar novamente??? Beijos a todos ~*¥Rhiannon¥*~
Retrospectiva Lápide 2004.01
Eu caminho por uma estrada escura onde sinto Sombras, Sons e Sensações... Eu caminho por uma estrada escura... E é assim que continua esse Blog... Livros das sombras...
In Memorian Especial Esse caso aconteceu há bastante tempo atrás, quando Sérgio Coveiro tinha começado seu estágio em Genética há algum tempo. Lembro-me que, na época, eu explicava para ele a funcionalidade de alguns aparelhos no departamento de genética. Dentre os vários aparelhos estava a autoclave. Para quem não conhece, autoclave é como uma panela de pressão gigante, onde são colocados materiais para esterilização. Isso era particularmente essencial para mim, cujo trabalho envolvia a manipulação de leveduras (um tipo de fungo). As bactérias eram minhas piores inimigas e caso uma delas aparecesse nos meus experimentos, eu chegava a perder o trabalho daquele dia. Desta forma, para me certificar de que meus experimentos não seriam contaminados por bactérias ou outros fungos indesejáveis, eu tinha que sempre autoclavar todo o meu material. A autoclave era indispensável para mim, de forma que eu me valia dela quase todo dia.
Quando expliquei a Sérgio sobre a autoclave, informei a ele sobre o relógio que media a pressão interna. A linha de números do relógio tinha três faixas de cores: amarela (que indicava uma pressão fraca), verde (que indicava pressão elevada) e vermelha (que indicava pressão acima da capacidade suportada pela autoclave). É desnecessário dizer que o ponteiro nunca devia chegar ao vermelho, pois caso isso ocorresse, a autoclave explodiria. – E quão forte seria essa explosão? – Perguntou Sergio. Dias depois disso, eu estava no laboratório e já eram 20:00h, sendo que eu ainda tinha que autoclavar alguns materiais para o trabalho do dia seguinte. Às vezes isso acontecia e eu detestava, mas não havia outro jeito. Eram ossos do ofício. Não havia mais ninguém no departamento. Fui até a autoclave, coloquei minhas tralhas, fechei e liguei. Assim como numa panela de pressão, após algum tempo a autoclave começa a soltar vapor. A diferença para a panela é que nós fechamos uma válvula, impedindo que o vapor saia, e deixamos a pressão interna aumentar para níveis pouco maiores que o verde mostrado no relógio (mas nunca deveria chegar perto dos números marcados em vermelho). Como rotina, após o ponteiro mostrar o valor que desejamos para esterilizar o material, é só girar um botão e aquela pressão estabiliza, de modo a não subir mais. – Caramba, Sergio! – Eu exclamei, interrompendo a conversa dele. Corri pelo corredor e olhei para a autoclave. A pressão realmente já havia passado do ponto que eu queria e estava se aproximando vagarosamente do limite vermelho. Nessa situação, o aparelho começou a soltar esguichos de vapor por alguns pontos. Mas graças a Deus esse equipamento vem com um botão cuja função era de minimizar a pressão, para o caso de ocorrerem eventuais deslizes, como o meu. Bom... voltando ao caso: Eu estava perto da autoclave e olhava para o relógio. Disse para Sergio:
Quando eu ia avisar a Sergio de que estava tudo bem e que era só apertar o botão de minimizar pressão... eu tive uma idéia maligna. Olhei para o lado da autoclave e vi uma chapa de metal. Enquanto Sergio gritava, eu apertei o botão minimizador, mas continuei dizendo a ele: – Meu irmão, eu não consigo desligar!! O botão tá duro!!! Não sei o que... Nessa hora eu peguei a chapa com a outra mão e joguei pra cima. Tirei o celular do meu ouvido e o apontei para o local do chão onde a chapa ia cair. E que barulho monstruoso aquilo fez. Nesse momento eu recoloquei o fone no ouvido e vi que estava sem linha. Ele havia desligado? Olhei para a autoclave e estava tudo bem com ela. Coloquei a chapa no seu lugar e deixei passar uns cinco minutos. Depois liguei pra casa dele. Obviamente ele ficou furioso comigo e começou a soltar os cachorros. Me explicou que estava se arrumando nas pressas para ir até o laboratório. Foi quando eu disse: E encerramos a conversa. Ele ainda ficou uns dias meio chateado comigo, mas acho que hoje em dia caso ele se lembre do ocorrido, vai dar algumas gargalhadas. Fim
Programação da Semana Olá, Viajantes, Andarilhos e Peregrinos desta Estrada! Excepcionalmente, a Lápide terá sua jornada guiada por quatro convidados por mim selecionados para fazerem as honrarias de uma semana tão festiva. Como eu já havia alertado anteriormente, teremos uma série de surpresas. E aqui vão elas: Dia 27 de Julho: Nesta terça, teremos um In Memorian especial escrito pelo já conhecido de vocês, Sétimo, o meu amigo Leo. Com a história “Amizade: Profissão Perigo”, ele vai deixar de presentes para vocês um pouco de seu dom literário, o qual confesso, sou também fã. Dia 28 de Julho: Na quarta, em comemoração aos seis meses da Lápide, vamos receber a visita de uma das melhores avaliadoras de nossa comunidade. Convidei a Moderadora Nane, para fazer uma Retrospectiva de meu diário desde sua primeira publicação até os dias de hoje. Dia 29 de Julho: Na quinta, a minha irmãzinha virtual, Rhiannon coloca mais uma velinha no bolo e foi chamada com muita honra pra escrever uma Páginas Negras chamada “Com Grandes Poderes Ganhamos Grandes Responsabilidades”. Dia 30 de Julho: Mais um In Memorian na sexta! E desta vez, meu amigo Sócrates, o sujeito das histórias mirabolantes irá revelar os “Contos do Paris” , o que certamente irá reviver lembranças de um tempo muito saudoso em minha vida. Dia 31 de Julho: Bem, dia 31 de Julho, eu entrarei numa nova fase. Alcançado os meus “um quarto de século”, permanecerei assim por mais uns cinqüenta anos. Manterei-me jovem desta maneira até de fato sumir para o esquecimento. Ah-Ham... Brincadeiras, à parte pessoal, espero que todos vocês compareçam e prestigiem os meus amigos. Desta vez, estarei do mesmo ângulo que vocês, comentando e colocando as palavrinhas chaves. Também estarei fazendo participações no Laboratório da Doc e também na Vida da Mariam. Qualquer coisa, podem dar um alozinho pra mim de lá! Sem mais... Som.... Um minuto!! Tem meu template novo!!! 100% Paranigma!!! Gostaram?!? Acho que estou ficando craque!! Se segura Gódi e Margot!! HAUhuahUA... Agora sim! Sombras...
Crossing Blogs Saga Ainda era muito cedo, o sol sequer encontrava-se na sua usual posição às sete horas da manhã e a cidade começava a engatar seu agitado ritmo. Alheio as escuras nuvens que se avolumava na direção sul e norte, os primeiros blogueiros já transitavam pelas ruas, dirigindo-se para seus trabalhos em hospitais, lanchonetes, lojas e escritórios. -Oi, pessoal! – falou ele para os amigos. – John! Helena! Os três jovens se viraram e a maioria das crianças que estava no pátio correu em direção aos gigantescos portões da escola. Na frente, os educadores orientavam os alunos para formarem uma organizada fila até a suas respectivas salas. E os três, junto com os demais jovens que estavam perto correram em direção a entrada do Instituto. A professora Cristiane dirigiu um olhar demorado para o céu e viu as negras nuvens se aproximando rapidamente. Seu rosto pareceu contrariado e, por fim, deu as costas rumo para escola. Não muito distante dali, algumas ruas abaixo, bem próximo ao gigantesco Auditório Diamante, havia uma imensa casa cercada por grande muralha de pedras e repleta de dispositivos de segurança. Construída num estilo gótico, aquele casarão poderia ser confundido com qualquer outra das mansões mais ricas da cidade dos Blogs, porém, na realidade, escondia o maior centro de observação daquele lugar. Entre as muitas salas secretas daquela Mansão, uma levava ao subterrâneo, onde existiam imensos computadores ligados a radares, painéis e monitores. Numa das telas verdes, pequenos pontos se distribuíam em lados opostos. - O que foi, Nane? E dizendo isso, o Moderador Roger, atravessou aquele salão, pegando uma arma que estava disposta no balcão e cruzou uma das paredes da Mansão, como se fosse um mero fantasma.
Do lado de fora, as ruas da cidade eram castigadas por intensa ventania. Em meio a jornais que voavam perdidos, algumas pessoas andavam apressadas. O trânsito em uma das avenidas principais já estava completamente estancado, causando completo transtorno entre os veículos. Alguns cães de rua uivavam em desespero para o alto. Um frio persistente da noite passada ainda se mantinha no local. Ao olhar para o céu, seja a norte ou ao sul, não se via nada além do prenuncio de uma das mais aterradoras tempestades que alguém poderia imaginar. Aninha, a menina estrela, caminhava rapidamente rumo a sua empresa. Abarrotada de papéis em suas mãos, ela mal conseguiu ouvir quando pronunciaram seu nome a certa distância. Virou-se para o lado e encontrou uma jovem loirinha que acenava em sua direção.
Afastado algumas milhas daquela grande metrópole, de uma parte mais alta do planalto que margeava a estrada escura, duas figuras observavam a distância. Um deles, o moreno conhecido como o Capeta, admirava a agitação da cidade que despertaou há poucas horas, mas teve nada mais do que um breve vislumbre do sol. Já o outro ao seu lado, permanecia estático e com o olhar fixo para o seu alvo. O ser que se autodenominara Omega desviou brevemente os olhos para aquele que insistentemente se comprometera a ficar ao seu lado e retornou a atenção para a cidade. Seus olhos faiscaram rapidamente e as nuvens negras começaram a disparar reluzentes e constantes raios. Essas mesmas nuvens que vinham de lados opostos logo se juntaram, fazendo um cerco completo na metrópole. Toda a cidade foi coberta por uma imensa sombra, que impedia qualquer passagem da luz sol. Nem mesmo a luz artificial dos postes se fez presente, deixando tudo numa penumbra nunca antes vista por qualquer habitante de lá. Muitos erguiam os rostos admirados, tentando entender que obra de Gódi seria aquela. Entre eles, Mocotó, apressava-se em direção a sua residência, esbarrando em muitos que corriam para o lado oposto. - Mas o que será que deu nesse povo que... – repentinamente, o mais famoso colecionador de votos daquela cidade perdeu completamente as últimas palavras de seu questionamento. – Nooooosssinhora!!!
O caos teve início... e mais destruição estará prevista no próximo capítulo...
Crossing Blogs Saga Por cerca de dezoito minutos, um ponto da floresta mística parecia ser o único alvo dos poderosos raios que nasciam nas escuras nuvem concentradas a oeste. Feixes luminosos repercutiam por curtos espaços de tempo acompanhado de inúmeros estrondos. Muitos pinheiros e araucárias rapidamente deixaram de existir deixando apenas tocos em seu lugar. Apavorados, pássaros e mamíferos lançavam-se desesperados para longe do pequeno incêndio que se formara ali. Subitamente, como que por um comando divino, aquela fúria da natureza se amainou e as nuvens se dispersaram lentamente. Todavia, no centro do incêndio provocado na mata, fortes zunidos e brilho intenso persistia. Dali, uma massa concentrada de raios começou a se mover e, em seu centro, era possível notar a silhueta negra de um ser humano. As energias elétricas foram se dissipando a medida que prosseguia até que só restara o vulto, um homem de cabelos loiros, rosto de traços retos, olhar estranho e com largo sorriso triunfante. Mal apagou as luzes de seu quarto no apartamento que apelidara pelo estranho nome de VampKfofo, Paola foi surpreendida por um grito pavoroso de sua amiga Rhiannon. Retornou rapidamente para o abajur, apertou o botão e voltou-se para a Deusa do Submundo. A mulher de longos cabelos negros estava sentada na cama, com os olhos estatelados mirando o vazio e a boca escancarada de onde o grito já saía sem forças. - Rhian, pelo amor de Gódi, você vai me matar assim... – falou Paola, pulando para a outra cama e colocando-se ao lado da amiga. Num grande salão oval localizado em um lugar impreciso, a única porta de entrada destravou-se automaticamente. Imediatamente, os dispositivos que acendiam as luzes do ambiente forma acionados e inúmeros monitores foram ligados na maior das paredes ao fundo do cômodo. Vestido com um largo roupão negro e com seu rosto mantido incógnito através de uma máscara, o homem conhecido como Crítico dos Blogs adentrou o salão e encaminhou-se até uma suntuosa poltrona de couro no centro. Sentou-se nela e passou a admirar as centenas de televisores que mostravam diversos pontos espalhados no Mundo dos Blogs. Dirigindo brevemente o olhar para alguns monitores a sua esquerda, notou que quatro deles mantinham-se inativos. Contraiu o cenho e dirigiu-se até o seu computador central. Dos quatro monitores defeituosos, pode-se ver as imagens retornando aceleradamente até encontrarem certa definição. O Crítico dos Blogs deixou então a fita correr e observou através dos olhos de suas mariposas a escuridão. Repentinamente, elas pareceram deparar-se com uma enorme carga de energia. Ouviu-se um barulho mecânico e o monitor voltou a ficar em estática. Absorto, o Crítico retornou novamente a fita só que desta vez, um pouco antes da descarga de energia, ele paralisou as imagens. Aproximou-se de um dos monitores e, então, notou que um deles mostrava um ponto distante com dois olhos de brilho incomum, mesclas entre o verde e o vermelho. Aquele misterioso mascarado permaneceu estático com seus últimos pensamentos perdidos naquela imagem.
A luz matinal já atravessava a folhagem da copa das árvores, revelando um verde bonito quase sempre acompanhando de cores mais vibrantes das flores das amoreiras e demais arbustos. As plantas tornaram-se mais escassas, um gramado verde se prolongava até certa distância e, por fim, o homem de olhos estranhos se viu ultrapassando a borda da mata. Seu cabelo loiro estava desgrenhado, suas roupas rasgadas, pele cheia de hematomas, mas ainda assim parecia resoluto em sua caminhada. De modo algum mostrava sinais de cansaço, seus olhos mantinham o mesmo brilho da noite que se passou, a mesma fome pelo que o destino lhe proveria. Mais adiante, notou que chegava ao fim do planalto. Mais embaixo, após um declive pouco íngreme, encontrava uma estrada margeada por velhas árvores. Ela parecia se prolongar infinitamente até o horizonte. E, um pouco antes, na mesma direção onde o sol apontava naquela manhã, destacava-se a mais estupenda visão desde seu nascimento. Como um gigantesco castelo de rochas onde inúmeras torres foram erguidas, a Cidade dos Blogs resplandecia a leste. Maravilhado, aquele ser abriu os braços como se fosse capaz de abraçar todo aquele lugar. Ainda perdido sob a beleza daquela cidade, mal percebeu a sutil chegada de um outro naquela pequena parte da mata. De um filete de fumaça que se desprendia de um buraco no chão, uma forma aparentemente humana foi se desenhando no ar. Aos poucos, tornava-se sólido. Moreno, cabelo negro, bem trajado num terno sombrio com uma camisa vistosa vermelha, a entidade conhecida como Capeta manifestou-se com um sorriso ardiloso no ar.
Nosso vilão já tem nome... Omega... e também um conselheiro inusitado...
Páginas Negras: Um dia para agradecer... "Depois de algum tempo você aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias, e o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida." -x- William Shakespeare-x-
Antes de mais nada eu tenho que agradecer a existência deste “post” a minha irmãzinha virtual, Rhiannon, uma das primeiras blogueiras que tive oportunidade de conhecer no Caldeirão. Foi ela que me iluminou com a informação da existência desta data, uma data que de tão especial deveríamos organizar festas para troca de presentes como ocorre no Natal, uma data que chamamos de “Dia do Amigo”. E vou expandir meus agradecimentos aqui para meus velhos companheiros de Blogs, que me aceitaram com tanto carinho neste Novo Mundo (que acabou tomando-se um espaço semi-fisico pra Saga que tenho a honra de escrever). Eu poderia enumerar cada um de vocês aqui, mas acho que por mais meticuloso que eu fosse acabaria esquecendo alguém. Decidi então lotar um desenho com todos os meus queridos personagens (e heróis) como uma forma de retribuição. Sei que acabei deixando de fora tantos outros, mas isso é prova de que por mais espaço que eu disponha, não é suficiente para lá por todos os meus amigos. Aproveitando o momento, posso aqui colocar uma nota digna para os aniversariantes do mês. É de se estranhar que eu faça isso na Lápide, mas julho é uma época especial. É neste mês que os emotivos cancerianos e espetaculares leoninos (ah-ham!) vieram ao mundo para fazer coisas especiais. Portanto, vamos então organizar as coisas:
Parabéns ao Vítor que fez aniversário na terça feira passada completando 11 anos!! Parabéns a Selina que fez a maior festança durante o fim de semana ( eu vi tudinho pela Cam) e que culminou no seu dia, no Domingo 18!!! Parabéns a Cintuca, minha colega bióloga e semi-blogueira, que fez aniversário no dia 19 e estava longe da gente e não pode comemorar!!! Parabéns a Lady Esoteric que está completando aninhos também no dia 21, ou seja nesta quarta!! Agora, urrem os tambores!!! As garras leoninas marcham: Dia 29, minha irmãzinha Rhian, inicia as datas festivas com o dia de seu nascimento. Dia 31, o último dia do mês, marca uma configuração inusitada nos astros... algo especial que irá acontecer... Todavia, só serão dados mais detalhes na semana que vêem. Bom, Coveiro se despede agora... O próximo capítulo da Saga ficou para a madrugada da quinta, assim o pessoal vai ter tempo de ler esse “post”. Também eu estou cada vez com menos tempo para lápide (pior ainda para o criaturas), mas espero colocar tudo em ordem novamente em agosto. Sombras...
Crossing Blogs Saga Há metros de distância do chão, enquanto galgava por uma corrente de ar, a mulher de cabelos loiros trajando suntuosas vestes de couro, que todos conheciam como a Deusa dos Raios, sentiu pela segunda vez naquela noite um distúrbio em sua mente. Electra baixou a cabeça dolorida, respirou fundo e procurou focar o ponto de onde provavelmente se originara aquele desequilíbrio. Carregada pelo mesmo vento, desceu até seus pés tocaram o solo coberto de folhas daquela floresta e girou a cabeça para os lados. Sentia seu coração perder o compasso, acelerando cada vez mais. Começou a vagar por entre as árvores, guiada por um senso sobrenatural, até que finalmente encontrou um cenário que fez seu estômago revirar. À sua frente, estava algo que outrora fora uma criatura viva e agora estava em pedaços. Um cheiro intenso de sangue estava impregnado por todo o local, nas folhas, cascas das árvores, pedras e no solo úmido. Ali, também podia ser percebidos dor, desespero e medo. Era angustiante para alguém com a sensibilidade mística de Electra estar naquele lugar. Colocou-se de joelhos diante do irreconhecível cadáver a sua frente e passou a examinar os destroços com certo asco. Viu os pêlos grossos espalhados e um pedaço do crânio que parecia ter sido parcialmente devorado. Certamente, aquilo não foi um homem, mas havia algo mais a ser visto ali. Ela tinha certeza disso. Pôs se de pé novamente e começou a trilhar a vegetação que se fechava mais adiante. Viu que alguns galhos de arbustos foram recentemente quebrados. Passou por ele, e encontrou sangue fresco nos espinhos. Mais adiante, mesmo a meia luz, achou uma única bota. Era um modelo feminino daqueles que alcançava até o final da canela. Continuando essa mesma trilha, a tensão aumentava em Electra, mesmo não encontrando qualquer outro vestígio abominável. Repentinamente, viu pequeno feixe de luz mais adiante. Dirigiu-se vagarosamente até lá e começou a discernir os longos troncos de carvalhos à sua frente. Repentinamente, Electra parou e engoliu seco. Viu pés balançando no vazio e precipitou a cabeça para o alto encontrando assim corpos pendurados nos galhos. Desviou os olhos daquela visão horrível e ao girar os calcanhares deparou-se com um vulto, que se mantinha imóvel e quieto a encará-la. Com o avançar da madrugada, as luzes nas ruas e nos arranha-céus da Cidade dos Blogs foi diminuindo. Todo o lugar foi entregue ao silêncio, não passando de uma fortaleza de pedras adormecidas. Repentinamente, um trotar disparou pela calçada até um dos prédios da parte sul da cidade. Qualquer visita seria inesperada naquela hora, mais ainda se ela estivesse cavalgando um belo garanhão branco e o deixasse num canto do estacionamento, subindo os degraus da escada com os pés nus. Diante de cena tão inusitada, o vigilante norturno apenas volveu os olhos esbugalhados, engoliu seco e voltou a se recostar em sua cadeira. Não era um apartamento muito grande. Uma sala de tamanho médio, colada a uma varanda fechada por tela e com uma porta para a cozinha ao lado do corredor. Ao cruzar em direção ao quarto, alguns gatos de estimação da Vampira olharam curiosos para a mulher de cabelos negros que acabara de chegar. Chegando ao quarto, Paola se escorou em uma das paredes, cruzou os braços e olhou para a amiga: - Vamos lá! Porque esse desespero todo?
Há algumas milhas ao sul da grande cidade, o tenebroso lugar, conhecido como Cemitério dos Blogs, foi tomado por um denso nevoeiro. O som do vento ricocheteava entre os troncos das velhas árvores que circundavam o lugar e lembrava o uivo dos lobos. A única pessoa ainda viva naquele lugar, o Coveiro Zé, vagava por entre os lotes mais recentes, cujos buracos foram recentemente abertos. Repentinamente, ele percebeu singela movimentação as suas costas. Firmou a sua pá nas mãos e voltou-se sobressaltado.
- Sou eu , Zé. – disse a voz na escuridão. Aquele era um trecho da floresta ainda mais sombrio, onde as copas das árvores se entrelaçavam tornando assim o interior livre de qualquer luz do luar. Era impossível, até mesmo aos olhos mais treinados, identificar qualquer coisa adiante. Se não fosse dotada de dons incomuns, Electra não conseguiria identificar aquele ser que se mantinha a poucos passos de distância. - Então, é você? – falou a Deusa dos raios apertando os punhos. – É você o causador disso tudo? Por um breve espaço de tempo, o estranho ser manteve-se imóvel diante daquela mulher. Aos poucos, seus olhos foram tornando-se ainda mais vivos e aquela foi a primeira vez que Electra viu o estranho amalgama do verde e rubro daquela íris. A Deusa dos Raios começou a sentir uma leve pressão em sua nuca o que culminou num prenúncio de uma vertigem. Assustada, ela afastou-se do seu inimigo, meneando a cabeça e ergueu os braços que começaram a acumular eletricidade. Repentinamente, duas nuvens negras se colidiram no céu e como resultado um imenso relâmpago desabou, partindo o horizonte em dois e acertando em cheio o lugar onde antes estava o estranho ser de olhos verde-avermelhados Ao se espatifar no solo, três árvores imediatamente se incendiaram sendo rapidamente consumidas pelo fogo. Tudo se tornou muito claro e quando a visão de Electra pareceu retornar, ela mal podia acreditar no que seus olhos viam. Entres os restos calcinados da vegetação ao redor atingida pelo raio, o misterioso vulto permanecia de pé e aparentemente ileso. Fora seus cabelos loiros desalinhados e suas roupas agora em estado deplorável. Para surpresa ainda maior da loira, intensa eletricidade começou a se acumular em seus dedos e como numa brincadeira, começou a passar essa energia de uma mão pra a outra. - Curioso... – falou o ser abrindo um sorriso maligno e iluminado pela intensa luz dos raios em sua mão. Enquanto falava, mais carga se concentrava em suas mãos até que todo o seu corpo parecia brilhar. Uma nova fagulha nasceu de um de seus olhos e ruidosos estrondos de trovões repercutiram nos céus. Uma saraivada de relâmpagos cortou a negritude da noite e todos se direcionavam para o mesmo lugar. Antes daquela noite, ninguém nunca tinha visto uma tempestade tão repentina e voraz como aquela. Próxima Quarta: Capítulo 5 – Poder e Conquista
Finalmente, depois de árdua espera, no dia cinco de Julho de 2004, com a precisão exata, às 0hs00 da segunda-feira, foi lançada a tão aguardada Saga. E para o espanto de muitos, ela começa não com um capítulo, mas sim com um prelúdio... o prelúdio que, segundo a boca miúda dos comentários, mostra o fim. A retratação de um cenário dantesco, onde o personagem Coveiro X caminha entre um gigantesco monte de supostos ossos e vestígios de seus amigos chocou toda a comunidade. Um detalhe a chamar a atenção é que seu rosto não aparece, não se sabe o que realmente causou aquela catástrofe e, por fim, o diário pessoal é atirado longe. Para dar mais remendos a esse pequeno quebra-cabeças inicial, aparecem três vultos que recuperam a Lápide e começam a ler tudo desde o começo para tentar entender o que aconteceu. É assim, começa a história. Já passado três capítulos, eu creio que a maioria das atenções ainda se volta para o misterioso prelúdio. Confesso que essa grande sacada não estava em meus planos até a viagem. Foi justamente nas noites isoladas de meu quarto no hotel que pensei em adiantar uma das cenas mais chocantes do futuro. Imaginei que se apenas começasse com o capítulo um, os leitores poderia até gostar, mas não teriam o mesmo interesse em procurar os detalhes para entender aquilo que ainda iria acontecer. Ao dar um vislumbre daquele massacre, todos agora operam como detetives nas histórias. Procuram pistas, prestam a atenção nos diálogos e começam a sugerir fatos ainda incógnitos da trama. Fazem de tudo para saber como tudo irá desencadear nas cenas mostradas no prelúdio. Entre as divagações, alguns começaram então a cogitar se aquele é mesmo o final. Poderia ser um final alternativo? Ou uma visão!? Afinal, seria um fim abominável para a saga. Certamente, que eu não adiantarei nada daquela cena. Não posso dizer porque exatamente eu a escolhi entre muitas para ali estar, mas é óbvio que quando a adaptei para o prelúdio deixei algumas pistas, principalmente nas falas. Para os mais curiosos, acho que vai ser delirante ver mais para frente esse mesmo trecho sendo recontado sobre nova ótica e com todas as informações que o originaram. Bom, lançadas três peças chamadas “Maus presságios”, “O Mal Puro” e “Novas Descobertas”, creio que algumas mentes já podem delinear hipóteses para tudo o que ainda está preste a rolar. Agora, vou deixar de dar dicas muito claras e passar para os próximos cinco selos:
Crossing Blogs Saga Com a crescente umidade, não demorou muito para que uma cerração forte descesse pela alta montanha e cobrisse por completo a mística floresta. Protegido do frio, aquele ser recém-chegado começava a notar que outras necessidades se faziam necessárias. Acometido por estranhos movimentos em sua barriga, sentia a necessidade de algo. Através de um conhecimento recentemente observado nos olhos de sua primeira vítima, sabia que precisava encontrar alimento. Após vagar por quase meia hora na escuridão daquela trilha, escutou pequeno ruído indefinido. Girou o rosto para um ponto a sua esquerda e desviou da trilha, seguindo o estranho som. Não chegou sequer a ir muito além de onde estava e logo se deparou com um bicho de porte médio, peludo e de dentes avantajados que guinchava irritantemente ao tentar quebrar duras sementes caídas ao pé de uma árvore. Um sorriso largo se esboçou em todo o seu rosto e adiantou-se até o animal. Surpreendido com a presença do estranho humano, o porco do mato soltou as sementes que tentava abrir com sua boca e grunhiu. Disposto a não perder sua refeição para aquele humano, o animal colocou-se na frente, batendo as patas no solo em ameaça pronto para um ataque. O ser recém-chegado, por sua vez, manteve-se estático fitando o animal com frieza e indiferente ao perigo que corria. Quando finalmente, o porco-do-mato disparou contra ele, saltou no último instante para o lado e, ao mesmo tempo, agarrou com uma das mãos o couro de seu lombo. Numa ação que seria improvável para qualquer pessoa comum, ele ergueu o porco e lançou-o contra o tronco de um carvalho. O impacto com a árvore desnorteou completamente o animal. O bicho colocou-se novamente em pé sem muito equilíbrio, balançou a cabeça confuso e quando finalmente abriu os olhos viu diante dele o estranho agressor. Diferente de qualquer outra criatura por ele conhecida, aquele ser tinha uma mensagem maligna nos olhos. O porco voltou a guinchar, desta vez apavorado, e seus berros foram ouvidos por boa parte da floresta até cessar alguns segundos depois. Na cidade dos Blogs, poucas eram as luzes ainda acesas naquela alta madrugada. Entre todos os estabelecimentos noturnos, o Bar Code era o único que mantinha uma intensa concentração de blogueiros. Independente do dia da semana, os coquetéis, flertes e batidas frenéticas de música eram constantes, ainda mais após uma recente remodelação que deu ao lugar o novo nome de Code Pub & Louge. Aquela era a noite do Dj Júnior, que fizera um contrato com a Margot para agitar algumas noites do Bar. As batidas ritmadas da música eletrônica camuflavam os toques insistentes de um celular em cima do balcão. Sob os flashes das estroboscopicas e outras tantas luzes multicoloridas, a ruiva agitava seus longos cabelos na pista e girava por todos os lados, chamando a atenção de todos ao seu redor. Por onde passava, as pessoas pareciam abrir espaço e começavam a admirá-la. A Vampira atravessou apressada a pista, curvada e com o celular no ouvido, desviando das inúmeras pessoas que estavam dançando enlouquecidas. Alcançou o escuro corredor e dirigiu-se ao banheiro feminino. - Fala, Tchu! – disse Paola encostada numa das paredes. – Onde de que cê tá? – a Ruiva flexionou o cenho e interrompeu a amiga. – Não to entendo nada. Você ta muito nervosa. Que história é essa de intensa força maligna? Não ta falando do teu Ex, não, né? – E começou a rir. – Tá bom! Tá bom! Parei! Mas não senti nada hoje, não. Só um desejo louco de comer strogonnoff, mas fora isso eu... Por um instante, Paola olhou para o lado e viu duas blogueiras observando a sua estranha conversa no telefone. Tapando o aparelho com uma das mãos, fitou as duas mulheres com um olhar duro. As duas garotas entreolharam-se assustadas e desapareceram rapidamente do banheiro feminino. Terminou a ligação apertando na tecla vermelha e colocou o celular no bolso. Deu uma rápida olhadela no espelho, ajeitando as longas madeixas vermelhas e saiu. No corredor, encontrou as mesmas duas blogueiras e dirigiu um sorriso sarcástico para elas, que se afastaram ainda mais assustadas dali.
Distante da cidade, num trecho mais longínquo da longa e escura estrada que atravessa todo o Mundo dos Blogs, um antigo casarão que servia há anos como um laboratório de pesquisas pessoais mantinha as luzes acesas de um de seus cômodos. Ali, a jovem Doutora se debruçava em sua escrivaninha fazendo algumas anotações em seu pequeno caderninho. Assim que terminou os últimos cálculos, escorou-se na cadeira, sentindo dores nas costas e suspirou. Repentinamente, ouviu algumas batidas na porta e ergueu-se sobressaltada. Sem pedir permissão, viu um homem alto, de cabelos castanhos escuros e ar curioso adentrar no seu escritório. Não permitiria um atrevimento daquele nem de seu mais fiel Assistente, mas como aquele era seu velho amigo e companheiro de ciência, Toleezinho, não houve advertências. - Doutora, você já olhou pro seu relógio? – perguntou Tolee.
Há quilômetros dali, luzes artificiais de duas lanternas vagavam pela mística floresta que cobria toda a planície à beira da majestosa formação rochosa à oeste. Dois rapazes e uma moça cortavam um caminho entre cipestres e aveleiras, com abarrotadas mochilas nas costas. Deixaram o acampamento naquela noite, após sentirem uma mesma sensação de desconforto. Agora, os três buscavam uma trilha de volta para a Cidade dos Blogs. Aquele que os guiava repentinamente parou e os outros dois praticamente tombaram em suas costas. A garota pensou em reclamar mais uma vez com o amigo, mas mudou de idéia ao ver que ele parecia perturbado. Ela virou-se na direção que a lanterna dele apontava e gelou ao ver a estranha figura de um homem agachada. Vestido com um capote grosso e boné vermelho cobrindo os cabelos amarelados, aquele homem parecia um simples guarda florestal. Todavia, o corpo destroçado de um animal no chão, sua a boca ensangüentada e o medonho olhar anormal eram sinais de que ela e seus amigos estavam em perigo. Próximo: Capítulo 4: Rastros da Morte
In Memorian: Sons da Noite In Memorian é o nome da sessão que eu pretendo armazenar todas as lembranças interessantes que depois de passadas e, agora, recontadas fazem-me ver como a nossa vida é cheia de diferentes tipos de aventuras. No final, cada pequena coisa que acontece tende a relacionar-se com um evento curioso pelo qual passamos. Assim,acabamos nós tornando bons contadores de história. Voltando a época em que passei com meu incomum passa-tempo como “caçador de paranigmas”, lembrei-me de algumas situações engraçadas para contar anos depois, mas que no exato momento mostraram-se por demais assustadoras. São essas as desvantagens no interesse pelo sobrenatural. Se por um lado, recebemos nova gama de informações e teorias bastante interessantes sobre coisas que antes passavam desapercebidas, por outro, acabamos “teorizando” demais e transformando em grandes “monstros” coisas simples do dia-a-dia. Pois bem, o fato é que à medida que eu ia adquirindo mais e mais hipóteses e suposições, começava a ficar um tanto influenciado por elas. Como bem disse meu pai uma vez, todo o problema das pessoas que se sujeitam a isso é conseguir definir bem a linha de limite, separar o irreal do real, o sonho de um sinal, uma alucinação de um evento parapsicológico. E por mais que eu me achasse disciplinado, muitas vezes eu caía na armadilha da mente. Um pequeno exemplo de uma destas situações aconteceu num começo de madrugada em que eu me preparava para dormir. Estava no pequeno banheiro que é colado ao meu quarto e que divide uma mesma janela corrediça de alumínio. Já havia desligado o computador, trocado de roupa e restava apenas escovar meus dentes para finalmente deitar-me. Foi justamente quando coloquei a pasta na boca que escutei um forte barulho vindo do meu quarto. Instintivamente, mordi a escova e esbugalhei os olhos. Aquela zoada certamente teria vindo de meu quarto. Tamanho foi o baque que pensei que a minha cama havia partido em dois pedaços. Todavia, ao colocar a cabeça para lado e espiar o interior do cômodo, tudo parecia normal e silencioso. A cama estava inteira e nada havia caído das prateleiras. Ergui as sobrancelhas e dei de ombros.
Muitas noites depois, quando já havia me esquecido completamente deste evento, algo inusitado aconteceu. Eu estava deitado em minha cama quando meu sono foi perturbado pelo som da janela do meu quarto sendo abruptamente fechada. No mesmo instante ergui a cabeça e cheguei até a ver a esquadrilha de alumínio correndo até encostar-se na parede. Meu coração parou por alguns minutos e tentei me recompor. De fato, eu realmente vi a janela do meu quarto se movendo sozinha. Certificando-me de que não estava sonhando, vi que aquela era uma situação muito incomum. Até, então, a mais incomum de todas. Quando me preparava para pegar meus óculos de graus e sair para investigar, a porta do meu quarto se abriu lentamente. Paralisei em pânico, com a mão estendida e meus dedos tocando nas hastes da armação. - Quem é? – gritei na esperança de que houvesse uma resposta familiar. Não houve som de retorno. Insisti mais uma vez na pergunta e, subitamente, vejo uma cabeça surgir na altura de meu quadril. Com a imagem distorcida pela minha miopia, minha imaginação começou a vagar sobre que possível pequena criatura seria aquela. Fui lentamente tentando colocar as lentes e perguntei mais uma vez: - Quem é? Com a visão normalizada, pude ver que de fato minha mãe estava apenas com a cabeça na porta, meio curvada e olhando admirada para mim. Explicou em algumas palavras que com a chuva, veio fechar a janela de meu quarto e como não queria incomodar, foi até o banheiro empurrá-la. Dito isto, ralhei todas as piores palavras que conhecia e ela assustada com minha reação foi para o seu quarto. Minutos depois, meu pai veio até o meu quarto e promovendo a pior piada que podia em seu humor sarcástico perguntou: - Não vai dormir, não?! Sentado de braços cruzados na cama, volvi os olhos duros na direção da porta. Ele nem esperou minha resposta e deu as costas. Fim Dicas de Blogs nesta semana: Visitem o laboratório da Doutora para saber o que anda acontecendo enquanto ela está fora e dêem um passadinha no Code Pub & Louge pois uma festa vai rolar lá nesta terça.
Crossing Blogs Saga Enfim, a noite emergiu. Após demorado período, as primeiras criaturas noturnas arriscaram vagar mundo afora, apesar de estarem com uma estranha sensação de insegurança. Macacos da noite e corujas espiavam fora de suas tocas e sentiam uma presença poderosa ao redor. De fato, viviam num lugar incomum, uma floresta governada por bruxos que se reuniam durante muitas noites nos arredores de um descampado cheio de grandes pedras e totens de madeira lapidados exclusivamente para os rituais. Todavia, aquilo que havia surgido naquele fim de tarde agora caminhava na mesma realidade, era diferente de tudo que já encontraram. Seus sentidos acostumados com a escuridão revelavam que a essência de tudo mudou. Repentinamente, a tranqüilidade foi quebrada por um som cadenciado que aumentava cada vez mais. Quatis e gambás afastaram-se da fina trilha entre as árvores logo que viram um fabuloso cavalo branco trotando irrefreável. Nele, uma jovem de cabelos negros conhecida como sendo a personificação humana da Deusa do Submundo, soltava gritos fustigando assim o animal afim de superar ainda mais aquela velocidade. Seu nome era Rhiannon, por muitos conhecida como a guardiã do Cemitério Literário e que agora estava no mais alto posto dentro do Caldeirão. Assim que chegou próximo a um arco feito com longos galhos de teixo, Rhiannon apeou do cavalo e seguiu entre as enormes pedras de basalto até deparar-se com o pequeno grupo de místicos que fazia parte do Caldeirão. O primeiro a aproximar-se dela foi um homem grande de barba e bigodes negros com vistoso riso de uma ponta a outra da orelha. - Prix, minha deusa, só faltava você. – disse o homem que se chamava Sandro abraçando-a. – Estão todos tensos com essa reunião repentina!!! A Deusa virou-se para os demais e encontrou ali os mesmos rostos conhecidos com ar de seriedade. Enfys, a poderosa bruxa, estava encostada num olmo e com os braços cruzados. Electra sentada numa pedra passava uma certa intranqüilidade. Ao seu lado, Lua Negra cumprimentou-a de longe, mas também parecia nervosa. Mais adiante, a Lady Esoteric andava de um canto a outro com as mãos para trás e igualmente preocupada. Outros poucos bruxos estavam ali, porém a deusa Rhiannon estava por demais ansiosa para dar a devida atenção a eles. - Boa Noite... – falou Rhiannon ainda com receio em sua voz. – Bem-Vindos ao Caldeirão! Bruxas, místicos e outros relacionados ergueram-se surpreendidos e voltaram as atenções para um ponto do círculo à frente. Depois do desaparecimento da Senhora de Gotham, o posto de mediadora das reuniões do Caldeirão foi entregue aquela jovem, amiga de confiança de Selina. - Pelo visto, todos já devem estar mais ou menos cientes do motivo pelo qual convoquei essa reunião urgente do Caldeirão. – falou Rhiannon – Poucas horas atrás, senti uma perturbação forte dentro da minha cabeça que foi aumentando até culminar com o anoitecer. Repentinamente, tudo silenciou, mas... eu não sei... - De um modo diferente, todos nós recebemos estranhos sinais no final desta tarde, Rhiannon. – disse Enfys tomando a palavra. – Não pode ter sido mera coincidência. - Ela saiu invertida? – admirou-se Lua. – Acho que também vou conferir as minhas.
Na escarpa da grandiosa cadeia de montanhas à oeste, em meio à floresta de coníferas e araucárias, um recém-chegado começava a treinar seus primeiros passos. A cada momento, ficava mais e mais hábil. Mal parecia que voltara simplesmente a existir a poucas horas. Sem qualquer roupa, sentia o frio percorrer sua pele clara. Em poucos minutos, seus olhos facilmente se adaptaram a escuridão. Esgueirava-se pelo mato alto como se fizesse parte da paisagem, captando cada som distante, acostumando-se aos novos cheiros. Em pouco tempo, já se sentia adaptado a este novo mundo, que se demonstrava por demais interessante. Um lugar que começava a desejar ver mais e que em breve seria seu. Avançando rapidamente em meio aos pinheiros, seus ouvidos captaram a certa distância uma única voz. Uma melodia harmoniosa onde palavras e assobios orquestravam uma canção para ele desconhecida. “Riding along in my automobile Seguiu o som até deparar-se com um pequeno corredor entre as mais altas árvores, onde uma estrada não asfaltada alongava-se até onde a vista alcançava naquela noite. Nela, pela primeira vez desde que surgiu, seus olhos captaram um ser humano. Vislumbrado com as semelhanças entre ele e sua pessoa, manteve-se por longo tempo estático apenas a observar seus movimentos. À medida que ele se aproximava, viu que aquele humano trajava algo sobre seu corpo. Olhou para si, vendo o corpo nu e desprotegido, tomou uma ação repentina. Com um brusco movimento, saltou na frente do humano que trilhava o caminho. - Opa! Calma lá, amigo! – ouviu o homem dizer – Eu não tenho nada de valor para... Ei... cara, você esta sem roupas? O homem que trilhava a estrada mal teve tempo de tentar entender completamente a situação em que se encontrava. Subitamente, viu o estranho que invadira seu caminho agarrar seu rosto com uma das mãos. Mal teve tempo de lutar, sentiu seu rosto queimar, seus músculos se contorcerem e a força se esvair rapidamente. Sequer seu grito chegou a se projetar. Suas pálpebras pesaram e a última coisa que viu foi dois olhos brilhantes, onde a mescla de um vermelho macabro se fundia a um tenebroso verde. Poucos minutos depois, aquele estranho que chegara ao mundo caminhava resoluto por aquela mesma estrada, agora trajando as roupas de sua primeira vítima. As calças eram largas, mas ideais para seu tamanho. Uma camisa coberta por um grande casaco de couro protegia-o do frio daquela noite. Em sua cabeça, um boné vermelho cobria parcialmente seu rosto. Repentinamente, o silêncio foi quebrado. Os lábios do estranho se espremeram e aos poucos a melodia que ouvira pouco tempo atrás voltou a surgir naquele trecho da floresta. “No particular place to go E quando a canção já se fazia por demais distante, num ponto perdido da estrada, um pequeno filete de fumaça escura foi se adensando e deixando um fétido cheiro de enxofre no lugar. Aos poucos, o gás foi se moldando numa forma humana: Um rosto moreno, cabelos negros um tanto eriçados, alto e vestido com um fino terno. Aquele que muitos conheciam como o Capeta parou bem diante da estrada com um rosto curioso para o estranho que agora se afastava. Pousou levemente a mão no queixo e começou a massageá-lo. Por fim, o demônio ergueu a sobrancelha e desapareceu de supetão, deixando apenas nova e densa fumaça em seu lugar. “Riding along in my calaboose Próxima Quarta: Cápitulo 3 – Novas Descobertas
Páginas Negras: Retorno do Viajante E a história recomeça mais ou menos assim: "Após um breve sumiço que perdurou por uma única semana, mas que aos olhos de muitos pareceu um mês, ele voltou e, como prometido, trouxe consigo a tal grandiosa história que está repercutindo por todo o mundo bloguístico". O viajante retornou para o seu caminho escuro, todavia ele continua um tanto ausente como muitos notaram. Alguns questionam o porquê de meu sumiço, mas não se desesperem, pois eu não os abandonarei. É verdade que estou postando menos, como já havia mencionado e planejado, todavia vocês hão de averiguar que estou caprichando na qualidade de cada publicação. Estou afastado também do contato com o “Emmessenne”, e e-mails têm chegado em minha caixa reclamando do abandono. De fato, creio que vocês mereciam ao menos algumas notícias de minha recente viagem e o meu retorno. Tinha que consertar isso nessas Páginas Negras. De tantas coisas que me aconteceram, eu precisaria de páginas e mais páginas para contar tudo de meu jeito e isso exauriria a paciência até de meu mais fiel leitor. Portanto, acho que vou fazer uma mágica e escrever pouco. Em resumo, a viagem que a princípio era apenas profissional, atendeu não só meus planos de aprendizado como também serviu de curtas férias. Mesmo não fazendo nem seis meses que me distanciei de minha Terra Natal pela última vez, já estava meio esquecido como é percorrer ruas novas de um lugar estranho e descobrir um novo mundinho todo diferente do seu. Belém é graciosa do jeito que ela é e só indo lá para poder entender o que eu digo. Nessas férias, pude incluir também um curto distanciamento do Mundo dos Blogs, o que serviu para eu colocar na minha cabeça que nada daqui vai desabar se eu desaparecer por uns sete dias. É verdade que (como bem disse a Val) basta darmos as costas por um tempo e tudo parece tão diferente, mas essas mudanças são parte do jogo, sejam boas e ruins. E creio que se soubermos mudar com elas, estaremos ganhando de certa forma... Minha viagem também teve um marco. Conhecendo Belém, eu completei um desejo antigo de conhecer ao menos um único ponto de cada região de meu país. E, assim, posso ter uma idéia de quão grande e diverso é este lugar. Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Brasília, Goiás, Belém e, é claro, o velho Nordeste, quantas milhas e quantas diferenças atravessei. Uma vez, disse para mim mesmo que quando completasse isso, ficaria satisfeito e não precisaria de mais nada. Todavia, novo gosto por estradas me motiva e quero não só conhecer mais como rever com calma esses velhos caminhos. Novos planos surgem em minha mente... Bom, mas deixemos o futuro para mais adiante, pois agora é o presente que está dando o que falar. Mal entro na Internet e só recebo comentários sobre a Saga e seus futuros capítulos. Fiquei até receoso de publicar as demais sessões como esta, mas entendo perfeitamente toda essa ânsia. Essa agonia pela próxima publicação me faz lembrar da época em que eu ficava nas bancas aguardando os dias certos para a chegada de cada revistinha em quadrinhos que eu lia.
Até Domingo com mais um pouco da Saga... Sombras....
Crossing Blogs Saga Quantas vezes eu encontrei o sol dando as costas ao mundo, partindo para seu breve repouso e deixando o céu entregue a escura senhora da noite. Para mim, não existe momento mais perfeito a ser admirado. Todavia, aquele pôr-do-sol despertou-me algo diferente, um sentimento antigo. Desde os primórdios dos tempos, quando a grande estrela se põe, nós, humanos, ficamos mais vulneráveis. Com a ausência da luz, a noite prevalece trazendo o desconhecimento, medo e fraqueza. Tentamos amenizar esse pequeno trauma com o tempo, mas ainda receamos perigos do mundo quando as trevas reinam, mesmo quando acolhidos sob os luminosos adventos artificiais. Aquele seria aparentemente um lusco-fusco como todos os outros. O astro rei migrava para o ponto mais distante, deixando as nuvens com uma tonalidade vermelha alaranjada e, aos poucos, o mundo ia se arroxeando, perdendo as cores e tornando-se cinza. Aos olhos mais comuns, nada mais que o fim de uma tarde. Todavia, eu mirava aquele breve fenômeno e sentia algo diferente no ar. O vento que mudava de direção naquela hora, golpeou-me subitamente, agitando minhas roupas e embaraçando meu cabelo. Apertei minhas mãos, que estavam inexplicavelmente geladas, e um pensamento perdido passou rasteiro em minha cabeça, como se aquele fosse o último dia em que pousaria os olhos tranqüilos no horizonte. Arrepiei-me diante daquela sensação, dei as costas, peguei minhas coisas e continuei meu caminho. Há milhas de onde eu estava, uma névoa escura espalhava-se rapidamente pelo solo enegrecido do Cemitério dos Blogs. Como que contaminando o ar, um frio acompanhou um vento vindo do leste e passou entre as catacumbas espalhando as folhas que cobriam o chão. Subitamente, com um único salto, o conhecido e temível homem daqueles arredores alcançou um dos maiores mausoléus do lugar e agarrou-se a velha cruz com uma só mão. Facilmente, ele se colocou em equilíbrio e dali pôde ter a melhor visão para admirar o princípio do anoitecer. Os raios vermelhos contrastaram em sua rosto, dando-lhe um aspecto ainda mais ameaçador, fazendo jus a sua fama. Com um rápido movimento do nariz, parecia captar algo no ar. Contraiu o cenho, seus olhos fixaram-se num ponto adiante e murmurou poucas palavras: - Essa noite traz uma brisa doentia... Algo mau a acompanha...
Percorrendo mais adiante na mesma trilha da estrada, uma gigantesca construção de pedras cinzentas figurava diante de um majestoso jardim. Naquele pequeno castelo, conhecido como o reduto da Lady Esoteric, o último cômodo da ala oeste era banhado pela mesma luz escarlate daquele pôr-do-sol. Lá, a consultora mística começou a cortar o seu baralho e dispô-lo em cima da mesa de uma maneira bastante peculiar. Assim que, baixou a última carta, ouviu a porta daquele quarto se abrir.
Mariam puxou uma cadeira vazia daquele quarto e aproximou-se com curiosidade daquele jogo armado por sua amiga. Lady olhou com cuidado para o segundo par de cartas e, por fim, desvirou-as ao mesmo tempo. Erguendo-se da cadeira, Lady Esoteric caminhou a passos curtos em direção a larga janela de seu castelo e viu os últimos raios solares minguando num ponto distante, perdido entre as colinas que rodeavam a antiga floresta onde acontecia as reuniões do Caldeirão. Mais ao sul, nos confins de uma cidade abandonada e repleta de fantasmas, a única lenda viva que ali reinava saiu das sombras e começou a escalar as ruínas de um arranha-céu demolido. Ela se esgueirava com a destreza e sutileza dos felinos e sem demora alcançou a parte mais alta daquele velho prédio. Volveu a cabeça para o poente e seus lábios se abriram deixando uma voz melosa ecoar: Mesmo no ponto mais remoto daquelas paragens, num lugar que muitos diriam não pertencer aquele mundo, mãos misteriosas arrumavam no chão um simples jogo de cartas de tarot, onde uma delas chamada de Regente era rodeada por outras quatro. Ao lado destas, mais outras quatro eram colocadas numa linha em diagonal que muitos conhecem como sendo a distribuição do oráculo. Demorou-se um tempo tentando absorver algum detalhe a mais que poderia ser mostrado naquele jogo e, por fim, suas atenções voltaram-se para o oráculo. Lá, estavam dispostas as cartas da “morte”, o “enforcado”, a “força” e a “justiça”. Próximo: Cápitulo 2 – O Mal Puro Nota: Agradecimentos mais que especiais a Sétimo que foi praticamente um co-autor deste capítulo, principalmente na acessória técnica para os dois diferentes tipos de “jogos” de Tarot.
Crossing Blogs Saga Passei as costas das minhas mãos sobre os olhos, deixando-as úmidas e tentando assim poder enxergar melhor adiante. Minhas tentativas eram em vão. Tudo voltara a ficar rapidamente embaçado. Eu não conseguia evitar as lágrimas. Com a alma derrotada, caminhava trôpego em direção a aterrorizante cena adiante. Uma nevoa densa tomava todo o chão como um tapete branco que se distorcia enquanto eu andava por ele. Já era madrugada alta, a lua estava cheia, porém algumas nuvens pairavam ao redor principiando uma chuva. Inúmeros relâmpagos riscavam o horizonte partindo o céu escuro em diversos pedaços numa espécie de quebra-cabeças caótico. Nos milésimos de segundos que o lugar se iluminava com o choque dos raios na terra, podia ver a montanha branca formada pelos restos daqueles que um dia estiveram ao meu lado. Continuava minha caminhada, mal percebendo que meus pés nus andavam sobre os ossos de companheiros mortos na última chacina. Cada vez que pisava, estalos secos eram ouvidos. Dedos e calcanhares começavam a sangrar a medida que afundavam naquele mar de vestígios humanos. Em meio aquilo, podia-se encontrar algumas particularidades que pude reconhecer de alguns poucos. Um capacete rachado, um jaleco rasgado, uma pá partida, amuletos, braceletes, tudo perdido para sempre em meio aquela pilha de úmeros, tíbias e fêmures. Entorpecido por aquelas cenas que eu almejava serem apenas um sonho, mas que eram tangíveis aos meus pés e mãos, vaguei alienado a te me deparar com um crânio decapitado e lançado ao léu entre os montes dos demais ossos. Tomei o nas mãos e sua mandíbula abriu-se ressaltando ali presas destacáveis. Engoli seco, baixei a cabeça e soltei aquela cabeça sem mais forças em meus braços. Caí de joelhos ao lado de tal peça e com um choro entalado em minha garganta. Passei os olhos lentamente em todas as direções. Estava perdido. Perdendo-me. Soluços começavam a entrecortar minha respiração angustiada. Então senti a dor fina no peito e minhas mãos gelarem. Em outros tempos, temeria achando que aquele era nada mais do que os sinais de meu fim, mas reconhecia aquilo e concentrei-me. Por alguns minutos, tentei aliviar a excitação frenética em meu coração e suando frio retirei de meus pertences o pequeno livro encapado com couro negro que carregava a meses comigo. Meus dedos passaram pelo único título na capa cuja inscrição em alto relevo prateado formava a palavra “Lápide”. Aquele era o meu diário de viagem, onde os relatos de minhas mais fabulosas aventuras nesse mundo eram registradas. Ali, foram contadas as histórias como conheci cada um daqueles que agora jaziam naquele novo cemitério, não só personagens deste mundo, mas amigos reais. Todavia, houve uma noite que nasceu para mudar nossos destinos e desde então vi cada um deles sendo apagados até me ver sozinho, no nada. Tudo o que vi e o que me contaram passei para essas linhas, por um único lápis guiado pelas minhas mãos. O que antes me parecia crucial, agora se tornara um martírio. Não conseguia dar aquele fim à história. Sequer agüentava olhar para aquelas páginas. Recusei aquilo. Ergui-me de imediato batendo os dentes com força e arfando ao prender um grito. Olhei para o meu diário fazendo uma promessa silenciosa de que aquela seria a última vez que o veria e, então, arremessei-o o mais longe que consegui. Vi aquele pequeno livro negro rodopiar, as páginas fremirem no ar e cair distante. Ali deveria permanecer, esquecido para todo o sempre. Agora, o que antes deveria ter sido acompanhado por medo e dor, veio com uma estranha naturalidade, como se há anos fizesse parte de mim. Com as mãos endurecidas, olhos cerrados e rosto impávido, me concentrei em uma única palavra. Abri os lábios e ela saiu como um sussurro e foi sendo amplificada pelo vento: -Sombras... Assim, meu corpo deixou aquele lugar, sendo encoberto por negra penumbra. Envolto neste véu obscuro, estava fundido com a noite e repentinamente qualquer vestígio material meu se esvaeceu dali. Aquele terreno marcado para sempre como o fim de tudo foi entregue a solidão, onde apenas o assovio do doentio vento frio daquela noite podia ser ouvido. Demorou-se muitas horas daquela interminável madrugada até que algo móvel e vivo figurou naquela paragem de morte e desespero. Era quase amanhecer quando três vultos se definiam entre as pilhas de ossos, caminhando lentamente esfregando os braços diante do intenso frio que sempre acompanhava a névoa. Os três olharam aturdidos pelos arredores sem palavras para aquilo que viam. - Nunca vi tantos defuntos assim... nem no cemitério dos Blogs. – falou um deles, que arrastava um imenso jaleco. Ele correu até um ponto no meio daqueles corpos e abaixou-se como se examinasse algo. Os outros dois o seguiram e logo perceberam o que atraiu a atenção de seu companheiro. Semi-enterrado entre pequenos ossos, estava um livro de capa negra e dizeres em prata. Próximo: Cápitulo 1 – Maus Presságios Nota: Sim, eu voltei e como prometido trouxe a Saga. Como mencionei antes, todo o Domingo e Quarta serão lançados novos capítulos sem data prévia para ter um fim. Terças e sextas teremos as demais sessões como normalmente acontecem. Espero que esse prelúdio tenha atendido as expectativas de todos. Talvez, eu tenha retornado um pouco... impactante... Verei vocês em Breve...
Bastidores de uma Saga (7): A data de Estréia!!! Creio que muitos estavam aguardando ansiosamente a chegada desta semana, a tão prometida última semana de Junho, a estréia da Saga, e até agora nada dela começar. "Para piorar, o Coveiro foi justamente inventar de viajar nessa época" ouço dizer. Bem, peço mais uma vez desculpas! Não façam nenhum motim!! Foi algo inevitável e que me pegou de surpresa. Espero que compreendam... Como podem ver, já está confeccionado o convite para todos vocês, convidados V.I.P. desta produção. Afinal, são os leitores deste Blog os principais financiadores deste evento. A festa será no Auditório Diamante na Cidade dos Blogs e todos possuem cadeiras reservadas. E, antes que eu me esqueça, devo avisar que mesmo com a estréia da Saga, esses bastidores continuam. Em breve, começarei a postar aqui uma galeria de desenhos onde mostro as várias idéias para os personagens antes de chegar ao que é apresentado a vocês. Penso também em colocar aqui algumas enquetes que destinarão alguns rumos que a história deve tomar. Algumas referências interessantes que tiveram origem em fontes externas e curiosas também serão aqui documentadas. Enfim, serão muitas surpresas que eu avisarei com o tempo. Bom, agora fiquem com mais selos: Aguardem a minha volta... e o começo de uma Saga.
Páginas Negras: Direto de Belém
Olá, visitantes e viajantes do caminho escuro!!! Desta vez , sou eu mesmo, o Coveiro X, direto de Belém, cheio de saudades e repleto de histórias boas para contar. Antes, contudo, tenho que deixar aqui meu carinho eterno com as pessoas que leêm a lápide, aqueles que entram no Messenger apelando para minha volta e , principalmente, aos meus três amores angelicais: Rhiannon, Doutora e Vamp. Vamos, então, começar os relatos de meu diário de viagem. Apesar de todos os revezes de minha chegada (que se estendem desde malas extraviadas até a hospitalização de minha "instrutora científica"), todo o meu contato com a cidade e o povo de Belém foi prazeiroso. É um pessoal prestativo, sorridente, como acontece também no Nordeste. A maior parte do lugar é bem arborizado, lembrando bem o bairro da Boa Vista, Espinheiro e Graças lá do Recife. Por onde andei (e nunca abusei tanto do adjetivo andarilho como fiz neste lugar), vi lugares bem atraentes como as Docas e as praças locais sempre animadas. Mas vamos falar de como enfrentei algumas lendas urbanas locais neste lugar. Vou tentar sintetizar tudo em pequenas histórinhas engraçadas para vocês: Primeira coisa que ouvi de Belém foi que esta era a cidade das chuvas vespertinas. Disseram-me que essas chuvas sempre ocorriam num horário regulamentar, das 16:00 às 17:00, e logo se extinguia. É de tal forma curioso esse evento que o pessoal daqui costuma marcar encontros para "antes" ou "depois" das chuvas. Com essa informação de antemão, passei o primeiro dia trancafiado nesse horário, aguardando a chuva e nada de ela chegar. Até dei uma tolerância de meia hora, mas nem um pingo de chuva se fez presente. Desdenhei da história e parti para longa caminhada. No retorno, faltando umas cinco ruas para pôr os pés no hotel, a água desaba do céu sem nem antes avisar. Dia seguinte, cismado com o que aconteceu, me precavi de tal maneira que só sai pelas oito horas da noite. E não é que a chuva parecia estar só aguardando esse meu deslize. Algo similar aconteceu na terça e quarta, de tal forma que a recepcionista do hotel já começa a olhar de lado com um riso esprimido quando chego encharcado como se eu estivesse dentro de uma máquina de lavar. Bom, até o momento não choveu nessa quinta, mas não duvido nem um pouco que as nuvens estão só aguardando eu pôr a cabeça fora desta LAN house para não mudar muito a rotina dos últimos dias. Como dizem aqui... É "Pai d´Égua!!!" Pois, é... "Pai d´Égua"!!! Taí uma expressãozinha inusitada. O povo usa ela praticamente pra tudo. Quando irritados, viram-se para o nada e dizem "Pai d´Égua"!! Admiram-se com alguma coisa e já desembucham um "PAI D´ÉGUA!!!". Estão felizes e comemorando algo, lá vai a derivação "ÉÉÉÉGUA!!!". Estou nesse momento digitando o texto da lápide e começam a gritar ""ÉGUA!!!" em meio a excitação dos jogos na LAN House. Já escutei tanta coisa em nome da mulher do tal cavalo que acabei usando a expressão quando perdi o ônibus na parada esta manhã. Foi um "Pai d´Éeegua" daquele jeitão pernambucano de sotaque puxado, ressaltando bem a letra "e", que fez o senhor ao meu lado olhar pra mim esquisito e distanciar-se alguns passos para o lado. Realmente, nunca consigo disfarçar minhas origens. O mais curioso estou deixando agora para o final. Antes mesmo de viajar, falavam muito da exótica culinária paraense, mas nunca conheci ninguém com coragem para enfrentá-la. Pois bem, instigado pelo pessoal que aqui tive contato, fui apresentando a algumas comidas típicas. "Já tomou o tacacá com Tucupi?" perguntaram logo me levando a uma senhora que preparava o tal aperitivo. Bom, eu não poderia falar aqui do tal "tacacá" sem relatar o modo de preparo. Bom, inicialmente, a senhora pegou uma cuia e nela introduziu algo que chamou de goma (mas que lembra mais outra coisa que nem vale a pena relatar). Depois, colocou o tal "tucupi" que nada mais é do que um extrato líquido da mandioca. Depois, juntou umas folhas verdes que chamou de "Jambu" e camarões bem gordos. No final, perguntou se queria uma pimentinha para dar o gosto e mesmo fazendo um sinal diminuto entre os dedos, a senhora encheu a colher e tacou dentro. Demorei alguns segundos com a cuia na mãos e, enfim, virei boa parte na boca sob os olhares expectativos de todos. Quanto ao gosto, posso dizer no mínimo que é estranhamente interessante, uma mistura de ardência dada pelo tucupi e pela pimenta, e a dormência sob efeito da tal erva de Jambu. Diante da minha "aprovação" do tacacá, meus conhecidos deste lugar trataram de trazer a cada dia um novo prato local a ser experimentado. E lá vinham o mingau de milho, bolo de mandioca com um gostinho bem diferente daquele do Nordeste, inúmeros sucos das quais as frutas eu não me lembro, o carurú (que é um tipo de vatapá amazônico feito com quiabos e camarões) e um pedacinho de frango ao molho tucupi. Ontem, segundo eles, fui introduzido ao melhor, a chamada "Manisova". O aspecto não é dos mais bonitos, escuro, gosmento e lembra algo que foi esquecido há muito tempo numa geladeira. Peguei a colher e experimentei, sentindo um gostinho salgado e aprazível. Depois da terceira colherada, perguntei do que era feito. "É feito de uma folha chamada Maniva e que deve passar cerca de sete dias sendo cozida antes de ser servida" falaram. "Sete dias!? Porque tanto tempo??" questionei. " É porque a Maniva é altamente tóxica e pode matar rapidamente se não for fervida no mínimo por este tempo" responderam. Ergui os olhos esbugalhados e falei "Espero que tenham colocado isso no fogo pelo dobro de tempo só para garantir...". Eles riram e disseram "Nem se preocupe que se você ainda está de pé, é porque o efeito tóxico foi eliminado". Nos últimos dois dias, os trabalhos científicos tomaram novamente o rumo e já estou mais contente com o que tenho aprendido desde então. Falta pouco para concluir meus objetivos aqui e o tempo livre que me restar será para conhecer alguns parques interessantes. Ainda não encontrei com a Lady (que estava tão ocupada quanto eu), mas acho que dará para remediar isso em breve. Gostaria também de ter alguns dias extras para poder conhecer a ilha de Marajó, mas terá que ficar para outra vez. Para aqueles que estão com saudade, mais uma vez meu carinho e aguardem, em poucos dias, o retorno do Coveiro!!! E junto... isso mesmo... vocês já sabem... Abraços, Beijos e fiquem com as Angels. Sombras...
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