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Agradecimentos a Labellaluna® por disponibilizar os MIDIS tocados na Lápide.
Layout por:
Coveiro ¤X¤
http://lapide.zip.net
In Memorian: Os Garotos da Capital Foi mais ou menos no dia de São Pedro, feriado em muitas cidades do Nordeste, que apareceram meus amigos Guga e Sócrates com a idéia repentina de ir até Vitória de Santo Antão. Fazia tanto tempo que eu não participava de uma festa Junina típica de interior que já não me lembrava direito de como era e aceitei o convite. Arrumei rapidamente as coisas e despedi-me de meus pais e meus tios que nos visitam. - Ei, vocês são de Recife, né?! – falou uma mais ousada quando fui comprar um queijo. – Lá é muito bom, né?! Fim
Crossing Blogs: Algumas Páginas do Diário Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável Já me preparava está noite para apontar o meu lápis e com ele rabiscar mais alguns trechos de minha passagem nesse mundo. Quando abri meu diário, conhecido por todos como a Lápide, percebi que grande volume de páginas já tinha sua própria história. Voltei algumas delas e comecei a lembrar de cada momento que passei com cada um e comecei a imaginar o que o futuro reservaria para mais adiante. Começo, então, pelo primeiro lugar onde pisei aqui. O Cemitério dos Blogs sempre foi odiado por muitos, porém nos últimos dias passou a quadruplicar os inimigos desde que o Coveiro Zé promovera enterros contra os mais religiosos. Por outro lado, vi que o próprio passou a criar seus contos como se o destino estivesse compensando aqueles meus dias negros. A situação entre Zé e meu neto também passou a melhorar com o tempo, ou ao menos nem todas as noites a pá do Coveiro tentava acertar a cabeça do garoto. Justamente nas mesas desse bar, durante o meu seqüestro, três amigas se uniram de maneira inusitada e formaram o pequeno grupo que passei a chamar numa brincadeira de X-Angels. A Doutora, Paola e a minha irmãzinha Rhiannon acabaram se tornando os meus xodós e, ao mesmo tempo, minha maior dor de cabeça sempre que alguma leitora mais afoita de meu diário tentava falar mais intimamente comigo. No entanto, novela maior é a luta do Mocotó pelo primeiro lugar no TopBr. Mesmo com galinhas, cães virtuais e ajuda divina, ele ainda não chegou lá. Pensei até em sugerir que o meu amigo tomasse umas aulas com os dois maiores competidores deste mundo dos Blogs, a Val e o Renatinho. Todavia, eles me parecem bem sumidos ultimamente. Talvez, tenham alcançado um nível de velocidade que seja impossível de se captada por nossos olhos comuns.
Soube de alguns problemas que aconteceram na Mansão do Arco da Velha. É verdade que as “titias” sempre foram de armar as piores confusões, mas pelo que me disseram essa foi de colocar o Céu e o Inferno abaixo. Bom, a sorte delas é que Gódi e o Capeta não estão tão longes assim para se fazerem de surdos. E caso os dois não resolvam, sempre podem contar com a Senhora do Céu para um julgamento justo e com a ajuda do Aleixo, o primeiro advogado que virou santo. Afinal, de problemas sempre estivemos rodeados, sejam causados por Bizarros ou pelo Crítico. Todavia, graças aos olhos sempre alertas dos moderadores Nane e Roger, este mundo nunca foi seriamente perturbado. Sem falar no apoio que sempre eles puderam contar através das experiências sobrenaturais do Mack e da discreta vigilância da Espiã da Noite. Enfys, Electra, Lady Esoteric, Sandro, Lua Negra, Rhiannon, todos do núcleo de bruxos e esotéricos trilharam seus caminhos à parte, mas nunca deixaram de prestigiar as noites de lua nas quais se ouviria a frase “Bem-vindos ao caldeirão”.
Fim
Bastidores de uma Saga (6): Molde e Ajustes. Desde que anunciei a Saga, muitos que encontro no MSN tentam a todo custo obter alguma informação antecipada da história. De relacionamentos amorosos até o misterioso vilão que anunciei, muitas são as perguntas que alimentam a curiosidade destes que não vêem a hora de tudo começar. Todavia, a pergunta mais inusitada que me fizeram desde que estreei esses bastidores foi algo do tipo “E aí, X, a saga já está escrita?!”. Não me recordo agora quem me fez esse questionamento, mas confesso que me assustei com a dimensão dele, apesar de poder parecer algo simples. Digo isso porque, faltam aproximadamente uma semana para eu anunciar o dia de estréia da Saga e confesso aqui que não digitei um único capítulo dela. Calma! Não fiquem estarrecidos!! E você que esta pegando essas pedras pode largá-las de volta. Terei que explicar aqui em poucas palavras como mais ou menos funciona meu processo de criação dos Crossing Blogs, o mesmo que utilizarei para esta Saga. Antes mesmo de qualquer desenho ou roteiro digitado, as idéias precisam confluir numa seqüência que chamo de “pequeno cinema mental”. Tudo o que vocês lêem em minhas histórias, passaram por um estágio primário onde um tipo de desenho animado é ensaiado na minha cabeça. Nesta etapa, cria-se uma espécie de molde da história onde eu testo vários eventos possíveis e vejo como confluem. Muitas vezes o que acontece é eu ter três ou quatro cenas engraçadas ou excitantes para serem encaixadas numa história, mas preciso de ligações que dêem uma seqüência lógica aos fatos. E é aí que entra a parte dos ajustes, que acontecem quando já estou sentado digitando toda a história no computador. A principio, todo esse processo pode ser completamente irracional, mas quem já foi um bom Mestre de RPG sabe que o mais importante é ter boas idéias em sua “bagagem” e saber improvisar com elas. E o que posso dizer sobre a Saga é que toda ela está na fase de molde, ou seja, eu tenho inúmeras idéias com diferentes personagens para serem usadas. Cabe, no entanto, em cada capítulo eu me sentar e retirar algumas delas de minha mente, ordená-las e lapidá-las na fase de ajustes. Um bom exemplo da fase de Molde e Ajuste se aplica ao mapa que elaborei inicialmente e a sua segunda versão, confeccionada com a ajuda de vocês. Observem as alterações no Mundo dos Blogs 1.2: Talvez, eu deva deixar claro algumas alterações. Entre muitos pedidos, acatei a presença do Instituto Educacional dos Blogs (onde trabalha a Prof. Cris), o Templo de Hecáte e a Terra do Nunca. Esta última que de todas achei a melhor dica porque me iluminou com algumas cenas curiosas, passou recentemente por uma turbulência. Todavia a pedido do próprio Menino do Pó, ela permanece do jeitinho que sempre foi e sempre deveria ser. Encaixei outros lugares que foram aparecendo em meus Crossing Blogs mais recentes como foi o Auditório do Prêmio Diamante e o Templo Antigo no qual fiquei cativo, próximo às Terras Nômades. Outras mudanças mais claras são as alterações de estradas e formações rochosas, que precisei deixar melhor adaptado para futuros acontecimentos. Mesmo com essas novas mudanças, sinto que falta ainda muito o que incluir neste desenho, mas isso só o desenrolar da Saga dirá. Enquanto, a Saga não começa... mais cinco selos: Breve: Último Crossing Blogs antes da Saga
In Memorian: Memórias Juninas Infantis
Mesmo morando numa grande capital do Nordeste e num bairro muito central, lembro que não escapei das brincadeiras com fogos durante o período Junino. No meu prédio, era fato que eu, meu primo Dudu e os demais filhos de moradores competíamos para ver quem conseguia levantar latas mais altas com seus rojões ou mesmo armar pequenos “artefatos de guerra” amarrando uma seqüência de bombas-palito, chamadas de “bichas de rodeio”, num cordão afim de causar repetitivos estouros com um único riscar de fósforo. Mesmo naquele meio urbano, ainda ousávamos lançar “vulcões” e “buscapés” alheios aos carros no estacionamento. Cada vez ampliávmos mais e mais nossa pequena “festa junina urbana”. Só dispensávamos a quadrilha e os chapéus de palha. Em determinado ano, eu e meu primo tivemos a brilhante idéia de fazer uma fogueira dentro do prédio. Motivados pelo vigilante que trabalhava no condomínio, convencemos um dos inquilinos a entregar-nos uma porta velha que ele acabara de trocar, catamos toda a tralha que poderia servir de combustível na loja vizinha que estava em reforma e, no final do dia, estávamos com uma considerável pilha para ser incendiada durante toda noite. Demos as honrarias ao vigilante e ele acendeu a nossa fogueira em meio aos gritos e urras. Nosso trabalho foi tão eficiente que a fogueira perdurou toda a madrugada e manhã. Ainda não satisfeitos com nossa vitória, eu e meu primo decidimos procurar mais alimento para o fogo e assim comemorar mais um dia de festa. Fomos à cata de mais material a ser queimado e na busca topei com uma imagem de um São Francisco que tinha o meu tamanho na época. Assustei-me ao virar o corredor daquele andar como sempre acontecia e quando dei as costas tive a brilhante idéia de pegar aquele “santinho” de madeira e levá-lo a fogueira. Dois pontos eram ao meu favor, o dono original do Santo havia se mudado do prédio e a imagem já estava infestada de cupins. O resultado final é que o “Chico” acabou seus dias em nossa pequena “Inquisição”. Minha mãe olhou atravessado pra mim por ter dado aquele fim ao santo e, de fato, acho que paguei meus pecados me tornando biólogo. No fim desta festa de quase dois dias, ávidos por materiais a serem queimados, eu e meu primo nos emburacamos nos fundos do prédio onde havia muita tralha esquecida. Por detrás de um grande bloco de concreto encostado na parede, encontramos pedaços de madeira. Em plena inocência, acreditávamos ser capazes de agüentar aquela enorme pedra e puxamos o bloco. Em questão de segundos, o concreto foi caindo sobre nos dois, prendendo meu primo em baixo dele. Como eu era mais esguio escapei e fui buscar ajuda. Horas mais tarde, eu e meu primo, com o braço engessado, estávamos de castigo, só observando da janela do apartamento a nossa fogueira minguando e aquecendo a noite fria do vigia.
Fim
Crossing Blogs: O que é de Deus e do Diabo. São poucas vezes onde você permanece escondido por detrás do muro de um parquinho, sob o sol quente do meio dia e ainda não sabe o que é que você aguarda. Adicione a isso o fato de ao seu lado estar um homem que se diz o próprio Deus, mas que prefere que o chamem de Gódi na intimidade e têm o temperamento mais difícil que uma velha rabugenta. São fatos como o desse dia que me fazem crer que realmente o divino escreveu torto meu destino. Por um momento, vi que Gódi se agitou e apontou na direção de um homem moreno, de terno cinza e portando uma pasta na mão que se aproximava a distância. Do outro lado, ele me mostrou um outro de aparência estranha, trajando um terno bem alinhado, cabelo eriçado com gel e um sorriso gigantesco na boca. Este estranho dirigiu-se rapidamente para o homem de terno cinza e abordou como se fossem amigos de longa data: - Bom dia, Aleixo! Finalmente eu te encontrei... - Err... desculpe. Mas quem é o senhor mesmo? – falou o tal Aleixo. Tentei apurar os ouvidos para escutar o resto da conversa, mas acabei me surpreendendo com o Gódi pulando o muro e correndo em direção aos dois. Não pensei duas vezes e lá estava eu acompanhando o meu amigo maluco, assim como Sancho Pança faria com o D. Quixote. - Larga mão, Capeta! O Aleixo é meu!! – gritou Gódi. - Como é que é!? – disse o sujeito estranho que Gódi chamou de Capeta. – Como assim é seu?! Depois de tanto tempo após o mundo ser criado, está ficando gaga, Gódi? O Aleixo é advogado e desde que foi criada essa profissão não houve um que não tivesse passaporte direto pro subsolo. - Mas esse você não leva! O Aleixo vem comigo... – insistiu o Gódi. - Ah, não... Ah, não! Olha, em toda parte do acordo eu sempre me dava mau, quer dizer, levava o que tinha de pior. Poucas coisas das que eram realmente ruins e que ainda assim prestavam para alguma coisa era ter o monopólio sobre os advogados. O resto é tudo uma desgraça pura mesmo, não que os advogados não sejam uns desgraçados, mas ao menos não são umas porcarias... - Errr... Alguém pode me explicar o que está acontecendo? – falou Aleixo perdido na situação. - Eu repito a mesma pergunta! Gódi quem é esse sujeito?! – disse me juntando as dúvidas do advogado Aleixo. - Esse é Capeta, Coveirinho. Minha contraparte maligna- explicou Gódi. - Olha quem está aqui também! Agora, só vejo o Gódi lado a lado com o Covas... hum... sei não! Bem que alguns diabinhos vieram me fofocar algumas coisas... – falou o demônio. - Esse é o diabo?! Bom, eu devia imaginar pelo fedor... – retruquei com um desaforo. - Ensinou ele a latir, Gódi?! Está até bem treinado!! – riu o Capeta. – Eu imagino que se tirarem uma radiografia do saco do Senhor sai em destaque a arcada dentária do Covas nele.
Dizendo isso, o capeta se esbaldou de rir e meu rosto deve ter ficado vermelho de raiva. Quando já me preparava para retrucar, Godi colocou a mão na frente e apontou para o demônio com um ar autoritário: - Chega, Capeta! Eu não estou a fim de perder meu tempo! – disse Gódi e virou-se para o advogado. – Aleixo, nada de assinar os papéis desse sujeito, você vêm comigo. - Como assim vai contigo!? Isso é quebra de contrato, Gódi! Não é bem assim, não... – reclamou o Capeta. – Eu não saio perdendo dessa. Numa quebra de contrato, eu tenho direito a uma compensação... - Bom, em termos isso é verdade... – Aleixo concordou baixinho... - Capeta, esqueceu que eu fiz o contrato?! E lembro muito bem que coloquei compensação nenhuma com a quebra dele. – reagiu Gódi. – Ainda assim, eu tenho direito de apelar. - Em termos, isso também é verdade. – concordou o advogado balançando a cabeça. - Gódi, quem vai te representar? Esqueceu que não existem advogados no céu?! – escarneceu o diabo. - É por isso que o Aleixo vêm comigo! – confessou Gódi. – Já to de saco cheio de gente querendo me processar depois que criei o Blog. Vou tornar o Aleixo um santo só para auxiliar nessa minha causa. - Não! Você não pode fazer isso!! O Aleixo é justamente o caso sub judice e ele não pode ser seu advogado!! – reclamou o diabo. - É claro que faço e já dei início à canonização dele! Não existe aquilo que eu, Gódi, não seja capaz de fazer... – falou o meu amigo em voz triunfante. - ... exceto aquela história de uma pedra impossível de eu carregar, mas tudo bem. - Eu... eu tentei.... tentei... fazer isso segundo as regras... todo mundo aqui é de prova... – disse o Capeta engrossando a voz que aos poucos se tornou um grunhido. - Nem adianta, mostrar tua cara feia que eu já me acostumei com ela desde que te criei. – impôs Gódi e vi seus olhos brilharem.
Num piscar de olhos, os dois cresceram em tamanho. De um lado, vi a pele do capeta desfazer-se o deixando com um tom todo avermelhado, chifres pontudos crescerem não só da testa e asas demoníacas surgirem de suas costas. Como por mágica, o terno do demônio deu lugar a uma estranha roupa, similar a um gênio do deserto. Em contraposição, Gódi tomava a forma de uma espécie de cavaleiro dos céus, com armadura resplandecente, três pares de asas gigantescas e uma auréola brilhante. Ondas de impacto invisíveis se desdobravam por todo o parque e as pessoas corriam às cegas sem saber direito o que causaram aquele estranho fenômeno. Aparentemente, apenas eu e o Aleixo víamos a verdadeira face de cada um dos dois e tentamos nos esconder enquanto o céu disparava inúmeros raios avisando sobre a tempestade que estava prestes a acontecer.
Foi aí que me joguei debaixo de uma moita, me pus de joelhos e dei início a primeira reza que me vinha a cabeça. Cada vez que se aproximavam mais, Capeta e Gódi pareciam dar início à nova orquestra de trovões. Abri um olho e vi o combate se tornar praticamente iminente, se por acaso minhas preces não tivessem sido atendidas: - Acho que já foi suficiente a demonstração de testosterona masculina por hoje. Olhei ao meu lado e vi a nossa salvação. Corri para perto dela e ela trocou rapidamente um olhar. Vestida de azul com um manto longo, cabelos negros com uma tiara de rosas azuis e olhar severo, a Senhora do Céu virou-se para o Capeta e ordenou: - Já pra baixo... - Mas... mas... – gaguejou o chifrudo. - Esqueceu que eu detesto repetir as palavras?! – dirigiu ela ao demônio com um ar duro. - Mulheres! Humf! – disse o capeta antes de se desfazer numa fumaça de enxofre. - Você, Gódi, já lá pra cima!! Eu não posso me desviar um segundo e você já corre pra Cidade dos Blogs afim de se divertir!!! – reclamou Nossa Senhora. Eu vi que o Gódi ainda ia tentar rebater a última palavra dela, porém ela olhou-o com tal frieza que apenas restou ao meu amigo curvar os ombros, resmungar algo e desaparecer como uma estrela se apagando. - Obrigado por me avisar a tempo, Coveiro! – disse ela virando-se pra mim. - Sempre a postos para cumprir meu serviço, Senhora! – falei batendo continência de um jeito divertido. - Err... Com licença. Depois disso tudo, eu fiquei com uma dúvida. Eu fui canonizado e vou pro céu? Ou como todo advogado eu vou pro inferno? – falou Aleixo se aproximando de nós com sua pasta nas mãos. - Aleixo, aqueles dois esqueceram de uma coisa importante. O livre arbítrio. Essa decisão de céu e inferno depende só de você... – falou Maria. - Ah, é?! - falou Aleixo retrucando um sorriso feliz. – Então, quer dizer que posso representar os dois lados e... - Não abuse de sua sorte, também... – interrompeu ela flexionando a sobrancelha. – Bom, agora me deixem ir porque têm uma lista enorme de pedidos acumulados nesse fim de semana e... Como uma miragem, a imagem de Nossa Senhora foi sumindo assim como sua voz foi se tornando perdida. Virei para os lados e todo o parque parecia ter retornado a mesma tranqüilidade de antes. Sorri, coloquei as mãos para trás e iniciei uma canção assobiando enquanto passeava pelo parque. Fim
Páginas Negras: Alteregos Neste mundo em que vivemos, não são poucos aqueles que se conectam e deixam de lado seus nomes de batismos como “Sérgios” e “Alessandras” e assumem as identidades que ilustram blogs e diálogos em comunicadores como MSNs. Todavia, muitos desses alteregos acabam escapando do domínio de seus criadores e tornam-se criaturas misteriosas e desconhecidas para muitos. Alguns acabam causando muita confusão como os bizarros que agem apenas para criar o caos copiando parcamente a forma de blogueiros conhecidos. Outros se escondem em curtos nomes para manter o anonimato e, assim despejar declarações de admiração (algumas vezes estranhas). Todavia, existem aqueles que de uma maneira toda especial, acabam criando uma história paralela nos comentários dos Blogs onde se hospedam.
Eu não poderia fazer esse relato numa Páginas Negras sem citar a mais importante figura misteriosa nesse Mundo Virtual, a anônimA. Pelos recantos mais sombrios dos comentários do Laboratório da Doutora, surgiu essa criatura que a todo custo tenta preservar sua identidade, mas não consegue passar desapercebida em suas falas. Aos poucos, a figura da anônimA foi sendo conhecida e como resultado foi gerando crias. A primeira foi a Oculta, que juntamente com ela divide um amor platônico pelo assistente do Laboratório. Depois, se difunde das sombras daquele lugar o Vulto, que de tão escorregadio torna-se imperceptível para os olhos mal treinados. Pulando para o reino dos Messengers, a primeira a romper barreiras e fundar um pequeno núcleo de identidades não tão secretas de heróis mutantes foi a Paola. Numa saudosa atitude de relembrar suas madeixas ruivas, assumiu o papel de Dra. Jean Grey (apesar de originalmente Jean não ter nada de médica nos quadrinhos). Não preciso dizer que logo foram surgindo outros personagens para compor o enredo como Mística, Nightcrawler (Noturno), Tempestade e Rogue (Vampira). Isso chamou tanta atenção que a nossa conhecida mulher-gato veio inspecionar essa repentina ameaça da Marvel perto de seus domínios. Para complementar essa sandice, em meu mais alto estado de loucura, dei vida ao Teletubbie Amarelo Elfíco nos meus momentos de “energização” no MSN (Não, não é um pixacu e nem poker-món, a fantasia é minha e eu digo q ela é o que eu quero). Por longo tempo ele fez sucesso sozinho, mas logo surgiu seu par, a Hello Kitty Vampiresa. Numa estranha associação, onde o próprio Coveiro Zé, a Mariam e o Peter foram cúmplices, eles vivem agora felizes para sempre entre uma briga e outra.
Bom, vamos agora deixar de lado o tema principal e dar dois recados. O primeiro é para o Peter Pan. Mantive-me quieto até então porque achei por bem apenas os mais ligados a ele perturbarem sua privacidade, mas aguarde algo meu em breve em seu email. O segundo é que a linda Mariam está participando do http://bbb3.zip.net e estou juntando toda a comunidade para votar nela. O segundo aviso é sobre a nova sessão no cemitério do meu chefe chamada “Terror no zip.net”. Eu li a prévia do primeiro capítulo e dou meu selo de qualidade (Se bem que nem tenho isso). Acho que nossas noites de Domingo vão ser cheias de Bom suspense. Portanto, não percam por nada isso ainda hoje. E por agora é só... Amanhã têm Crossing... Sombras...
Muito tempo atrás, eu conversava com meu amigo Sétimo sobre como reinventar uma nova mitologia, discuntindo se não surgiria nenhum grande boa idéia depois do que foi feito no universo do Senhor dos Anéis ou mesmo de Star Wars. Foi quando eu estalei os meus dedos com uma idéia derivada de outra, onde um os sonhos de cada um dos personagens se fundia criando assim um mundo misto, que mais tarde o meu amigo denominou de “Quimera dos Sonhos”. Neste lugar, nossos sonhos eram realidade e simplesmente cada um de lá era exatamente o que almejava ser. Em oposição a isso tudo, nossos pesadelos também assumiam formas materiais, sendo o maior de nossos problemas. Essa seria uma idéia guardada para alguma história a ser escrita muito mais tarde. Creio que se passou cerca de um ano até eu arriscar a idéia de ter meu próprio Blog e, um mês depois da Lápide estar pronta, eu fiz o meu primeiro Crossing Blogs. À medida que eu começava a dispor os tijolinhos dessas histórias, fui percebendo que esse Mundo dos Blogs era bastante similar com a idéia original da “Quimera dos Sonhos”. Rapidamente, me veio a idéia de colocar claramente esse “princípio” ou “lei” para os personagens. Nas palavras de Electra, “... imagino quão surpreso ficará quando souber do que você é capaz de fazer.”, e assim somos todos heróis, anti-vilões, bruxas, monstros, deuses, viajantes, enfim, aquilo que desejarmos ser. Tentei firmar ainda mais essa idéia durante as seis partes que compuseram a Mini-Saga Olhos Vermelhos, publicada na Lápide nesta última semana. Nela, o personagem do Coveiro que até então se mostrou isento de qualquer dom nos Crossing-Blogs anteriores, desenvolveu por um breve momento os dons de personagens que compõem alguns de seus próprios contos. Essa repentina alteração pode se repetir com qualquer outro personagem que a principio pareça ser tão simples. Todavia, ao dar deste modo os poderes de cada um, eu não previ de antemão até onde iria os seus limites. Exemplificado pelo próprio Sétimo, o personagem de Gódi é de tal forma invunerável que a princípio não deveria surgir ameaça capaz de derrotá-lo. Além do mais, não demoraria muito para que outros blogueiros iniciassem uma briga de egos se auto-titulando “Seres Supremos” ou “Terrores dos Blogueiros”. Confesso que demorei alguns minutos antes de dar a solução para esse problema ao Sétimo, mas logo despejei essa frase “Nem tudo que reluz é ouro”. Sendo mais específico, eu retruquei ao meu amigo “Não é pelo fato de ele ser o Deus dos Blogs, que é o mais poderoso. Quem sabe qual os poderes escondidos dentro de cada um?”. E entramos em consenso rindo. Agora, mais selos:
Crossing-Blogs: Controle Parte 6 da Mini-Saga Olhos Vermelhos Às seis horas, o assistente começou a guardar seu material de trabalho. Impaciente, a Doutora volvia os olhos para seu relógio de pulso, ansiosa a cada movimento do ponteiro. Não demorou muito para que sua agonia tivesse fim e as duas figuras por quem esperava aparecerem na porta da frente. - Hello, Doc! – cumprimentou uma delas, a vampira ruiva que tinha Paola como sendo seu primeiro nome. - Desculpa os dez minutos de atraso, mas a senhora já conhece como é a Tchu pra se arrumar, né? – falou a outra, a deusa morena denominada Rhiannon. - Tudo bem! Tudo bem! – falou a Doutora e logo se virou para o assistente fazendo sinal pra que saísse. – Já tem idéia do motivo desta reunião? - O xis... – adivinhou a vampira. - Acho que vou acabar adotando o título de X-Angels de verdade... – brincou Rhian. - Agora, não é a hora para brincadeira, Rhian. Creio que não fui a única a receber um estranho e-mail avisando-nos o perigo acerca da tal “entidade” que se apossou do Coveiro. - Sim, Doc, também recebemos o email do tal guardiani. – confirmou Rhiannon. – Só que é claro que não vamos entregar meu Mano para esse grupo de pesquisas ocultas, não é? - Obviamente que não. Isso está fora de cogitação. Ainda assim,estou realmente preocupada com as mudanças no Senhor Coveiro. – virou-se a Doutora tirando os óculos e limpando as lentes no jaleco. – Ando me questionando sobre o que exatamente ele é agora. - Como assim, Doc?- estranhou Paola. Os mesmos questionamentos feitos pela Doutora passavam por minha mente naquela noite, assim como acontecia na noite anterior e todas as noites desde o dia em que mudei. Alheio a cor escarlate dos olhos ou das vozes assomando repentinamente a minha mente, me sentia cada vez mais atraído pela noite, sentindo-me recarregado com uma energia anormal. Tornara-me bem mais quieto. Distanciei-me dos demais. Parei até de escrever por um tempo. É tanto que só voltei as páginas de meu diário para contar esses relatos muito tempo depois disso tudo ter ocorrido. Distraído em meus pensamentos, vagava por ruas desertas da Cidade dos Blogs. Com as mãos nos bolsos e cabisbaixo, não era mais que um mero vulto. Minha companhia era nada mais que os gatos e ratos que reinavam nos becos ao redor e aquela seria mais uma noite de paz se eu não tivesse escutado um distante grito adiante. Instigado pela minha curiosidade, aproximei-me sorrateiramente e deparei-me com uma jovem que se debatia nos braços de um mascarado. Mantive-me estranhamente calmo e a minha única reação foi apenas andar lentamente até o bandido e me colocar estagnado com os braços cruzados a sua frente. Surpreendido, ele largou a mulher e puxou uma afiada lâmina em sua defesa.
Na reunião do laboratório, a vampira Paola levantou-se impaciente da cadeira e bateu as mãos na bancada, olhando firme para a Doutora. Rhiannon assustou-se com a reação, mas logo sorriu com o olhar atacado de sua amiga. - Doc, fala logo! Você me deixa impaciente!! – falou a vampira em voz alta. - O que a senhora sabe sobre a transformação do Xis? - Calma, Tchu! Senta aí! – Rhiannon puxou a amiga de volta. - Paola, até onde o Senhor Coveiro te informou, ele adquiriu os poderes da tal entidade representada em um de seus escritos. – disse a Doutora retomando as explicações. – Todavia, nem todas as alterações estão relatadas naquele seu conto, mas sim em outros. Tomemos como exemplo os olhos vermelhos. Eles não estão presentes na história “origem”, mas sim no personagem de uma raposa. O mesmo deve valer para o poder de manipular as sombras, que está numa outra história. Se eu estiver certa, o senhor Coveiro está assumindo um pouco de cada uma de suas criações para si e isso me faz temer por algo. - O que, Doc? – falou Rhiannon erguendo uma sobrancelha. - Se o senhor coveiro está compartilhando os poderes, o que mais será que ele está absorvendo de seus complexos personagens. – falou a Doutora concluindo assim os seus pensamentos naquela noite. Enquanto isso, eu estava prestes a confrontar com as mãos nuas um vil rapaz que tentara minutos atrás se aproveitar de uma garota. Por sorte, eu estava o suficientemente perto para impedir. Esperava que o malfeitor recuasse com minha súbita chegada, todavia era alguém jovem e disposto a obter a qualquer custo sua diversão naquela noite. Sem nada dizer, girou sua faca num golpe rápido e investiu resoluto em minha direção. Diante de tal ato, dei apenas dois passos para trás e assim mantive-me numa parte mais escura da rua. Porém, ao ganhar a penumbra eu sumi completamente e tal foi a surpresa do bandido que simplesmente baixou a guarda e começou a girar o corpo a minha procura, sempre com a faca em riste. Aos poucos, percebi a tensão tomando conta dele. Creio até que poderia sentir a pulsação intensa em seu coração. Seus olhos eram o espelho de seu medo, intensificado pelo meu silêncio e pelo choro cadenciado da jovem mulher. Quando ele estava perto o suficiente de mim, deixei as sombras e o ataquei. Num único movimento meu, agarrei-o pelas costas e puxei-o para a escuridão. Ali, ele não mais teve como gritar e sua ameaça cessou naquela noite. Horas mais tarde, eu estava de volta ao quarto do hotel que aluguei nos últimos dias na Cidade dos Blogs. A cabeça doía bastante e me sentia cansado. Com os pensamentos ainda mal intricados, deitei-me e na manhã do dia seguinte tive a maior das surpresas dos últimos dias. O reflexo no espelho mostrava que a cor de meu olhos voltara o natural. Fim Veja o que ocorreu no dia seguinte lendo o Crossing Blogs Especial
Crossing-Blogs: Dominado Parte 5 da Mini-Saga Olhos Vermelhos
Durante a noite, as ruas tornam-se mais silenciosas na Cidade dos Blogs, as sombras são mais perigosas e nosso coração pulsa mais forte ao andar pelas ruas cercadas por arranha-céus. No alto dos prédios, tinha a sensação de uma deliciosa soberania. Ao mesmo tempo, o topo dos edifícios era meu refúgio, um dos poucos lugares em que eu ainda podia me sentir isolado, como desejava. Passada uma semana desde o fim de meu seqüestro e as repentinas mudanças em meu estado, eu era apenas um vulto naquela cidade. Ouvia os rumores sobre minha procura, mas não deixava traços por onde passava. Por sete dias consegui conviver no anonimato, até que numa noite, senti um olhar às minhas costas. Virei-me numa mistura de raiva e medo e percebi que a vampira italiana camuflava-se na escuridão. Notei que ficou surpresa com a facilidade com que a descobri, apesar de todo o cuidado com que se colocou perto de mim. - Vai ficar aí só me olhando... – falei volvendo os olhos pra ela. - Você não nos procurou. Têm procurado se afastar até... – falou Paola deixando as sombras e permitindo-me que enxergasse suas madeixas sob a luz natural da lua. - Eu não sou uma companhia segura esses dias. – falei secamente e me virei mirando as ruas que ficavam tão pequenas aquela altura. - Porquê?! Se tiver acontecendo alguma coisa...- reclamou a vampira. - Não há nada que você possa fazer, Vamp. – disse de costas. - Quer parar de bancar o durão?! Não custa nada... – a Vampira parou de imediato ao notar que eu pendia a cabeça pra o lado com as mãos cobrindo os olhos. - nous le dominons – repeti as palavras que chacoalhavam em minha mente num dialeto que eu mal dominava e repeti a mesma frase em outra língua. - lo dominiamo... - Que isso!? – Paola recuou absorta. – Você sabe italiano? - Não. Ao menos, não até alguns dias atrás... – falei com os dentes trincados, tentando me controlar. – Só repeti as muitas vozes em minha mente. Torna-se inevitável às vezes. - Que vozes, Coveiro!? – Vamp insistiu e isso deixava minha cabeça ainda mais perturbada. - As vozes do poder antigo... Espíritos muito velhos... – falei tentando me concentrar alheio a toda loucura que passava em minha cabeça. - Espíritos?! Eu li essa história nas primeiras páginas de seu diário... – disse a vampira aproximando-se de mim. – Só que eu pensei que não passasse apenas de uma... história.
- E a princípio era... – falei e suspirei alto. Como explicar que quando desenvolvi esse dom por mim criado, também incorporei a maldição. - Coveiro, explica direitinho o que é essa coisa que... – Paola deteve-se ao se deparar com meu rosto frio e olhos quase em chamas voltando-se para ela. - wir... Legion... wir sind viele. – as vozes saíam subseqüentes de minha boca em outras línguas. - legión... nosotros somos muchos... legione... noi siamo molti - Ai, escuta aqui, Sr. Coiso ou quem quer que seja... o que exatamente você quer, heim?! Porque ta fazendo isso com o Xis!? – indagou a vampira na defensiva. - Vamp... eu... – tentei impedir de ser controlado pelas vozes, mas era impossível. – He is not the host... it´s imperfect... Non è l'ospite... che sia imperfetto... - Imperfeito? Que história é essa?! – A vampira flexionou a testa. - Lié par sang... Verbunden durch Blut... – novamente milhões de vozes se repetiram em minha mente e em meio a confusão comecei a gritar em agonia. - Coveiro! Calma! – Vampira aproximou-se insegura e pousou a mão sobre mim. – Olha, me deixa te ajudar... Fiquei em silêncio por longo tempo, respirando com dificuldade, escutando apenas as fortes batidas de meu coração. Nunca aquilo se manifestou tão forte como daquela vez. Senti a mão de Paola roçar em meu cabelo e ouvi sua voz mais uma vez: - Vêm... se levanta, Coveiro. Você precisa descansar... Sabe que nessa sexta-feira terá a festa dos Escolhidos? Lembra seus escritos na Lápide foram indicados? - Paola... – falei com a voz perdida. – Quero que vá embora... - O quê?! Você acha que eu vou deixar você sozinho nesse estado?! - perguntou ela aumentando o tom. - Eu devo ficar sozinho... e assim será. – disse procurando me levantar. - Porque está fazendo isso!? – reclamou ela me ajudando a levantar. - Por favor, Paola, não se oponha... – disse friamente e dirigi-me para longe dali. - Coveiro... Distanciar-se não te ajudará em nada. – gritou Vamp Virei-me para ela por um instante, fitando por um breve minuto os olhos dela que não se distanciavam de mim. Seu rosto preocupado afligiu meu coração, mas eu precisava me distanciar. Ou era isso que eu acreditava naquela noite.
... No final da tarde da sexta-feira, o grande teatro de convenções na Cidade dos Blogs estava apinhado de blogueiros, novatos e veteranos, curiosos para ver a chegada dos indicados a concorrer ao prêmio “O Escolhido”. Logo, à frente, no tapete vermelho, a Moderadora Nane, num longo vestido vermelho, e o Moderador Roger, trajando um fino smoking recepcionava os convidados. Perto da entrada, Nane encontrou Selina, Vampira e Electra, todas concorrentes a maior premiação da noite, e dirigiu-se até elas. - Vocês ainda estão aqui, meninas? – disse a Moderadora com um sorriso. - Já estamos indo num segundo, Nane! – informou Electra. - Tudo bem. – respondeu a moderadora. – Só estou preocupada porque o Coveiro não chegou ainda. - Nane... – Vampira ergueu a sobrancelha. – Eu acho que o Xis não vêm... - Porque?! – surpreendeu-se a moderadora. - Não sei, Nane. Eu fui procurá-lo, mas parece que insiste em se manter distante. - Soldier também resolveu desaparecer – a Senhora de Gotham balançou a cabeça. – O que será que esta acontecendo?! - Bem, vamos ter que entrar agora... – pediu a moderadora com a voz miúda. – Se ele não quer vir o que podemos... Eu não acredito... Xis?! - Cheguei em cima da hora, não foi? Foi o que eu falei assim que pisei no tapete vermelho, trajando um smoking alugado de ultima hora e sem tempo nenhum para sequer me pentear. Não pude deixar de sorrir com a cara de espanto das minhas amigas e apenas abri os braços para abraçá-las. (Clique na imagem para ver as fotos da premiação) To be continued Próximo: As extensões do Poder
Crossing-Blogs: Estranho Parte 4 da Mini-Saga Olhos Vermelhos Foi justamente no final da noite do quarto dia que a última gravação chegou no Bar Code, diretamente nas mãos da Doutora e da Vampira Paola. Ambas gritaram pela Margot e colocaram a fita no videocassete. Após os poucos minutos de reprodução, entreolharam-se assustadas. - Na boa?! Não entendi nada! – Paola balançou a cabeça. – Delirei... - Então, o Xis se libertou sozinho?! – questionou Margot. - Têm algo estranho... – disse a Doutora voltando a fita. – Essa escuridão aqui não é natural... E vejam só... Esses olhos... Não são os olhos do Senhor Coveiro. - O que está acontecendo?! – Paola balançou a cabeça. - Não sei, mas acho bom pedir alguns terços para as beatas e começar a rezar. – falou a Doutora. - Meninas, vocês viram isso aqui?! – falou Margot pegando um envelope. – Veio junto com a fita! - Deixa eu ler... – Paola tirou a pequena carta de dentro e passou rapidamente a vista. - Que cara é essa, Paolinha? – falou a Doutora. - Doc, o Xis... Ele... quer uma reunião comigo, a senhora, a Rhian e a Nane. Só nós quatro e sem mais ninguém. - Paola, isso pode ser uma armadilha! – exaltou-se a Doc. - Pode ser, Doc... – falou a Paola. – Ainda assim, eu quero correr o risco.
Um encontro foi combinado no final da tarde do quinto dia, na distante floresta a oeste, num velho círculo de pedras que outrora foi um lugar de adoração. Desde o começo da manhã, o céu se mantinha nebuloso. Um vento frio percorria o gramado fazendo a alta vegetação verde balançar numa espécie de dança ululante. Aos poucos, uma névoa estranha descia das colinas distantes e dava um clima ainda mais tenebroso a tudo.
A Doutora foi aproximando-se com os braços cruzados tremendo de frio. Seu jaleco tremulava ao sabor do vento. Procurou ao redor se alguém mais estava ali e assustou-se com uma voz sarcástica: - Pode se acalmar, Doc. Ele não chegou ainda. A Doutora se virou e topou com Rhiannon, a guardiã do cemitério literário, sentada numa grande rocha negra e brincando com seu punhal. - Estou ansiosa pelo que vai acontecer... – falou a deusa erguendo a sobrancelha. - Eu sei que você estava doida para que acontecesse um combate. – falou a Doc. – Não acha que basta de tantas guerras no mundo e... - Oi, gente! Ele não chegou ainda?! – disse uma outra voz. A Doutora e Rhian volveram os olhos para a direita e toparam com a Moderadora da Cidade dos Blogs, Nane, que se aproximou discretamente. Ela consertou a mecha vermelha que insistentemente caía cobrindo seus olhos. - E cadê a Vamp? – questionou Nane olhando para os lados. - Ela avisou que já estava a caminho... – respondeu Rhiannon girando o punhal nos dedos. - E já cheguei! – ouviu-se a voz da Vampira ao longe. Ela veio se aproximando com todo gingado e parou bem diante das outras três blogueiras, colocando os braços na cintura. Olhou de um canto a outro como que tentando rastrear algum espião em meio às árvores próximas. Foi nesse exato momento, que eu sai da penumbra que me acobertava e me posicionei numa outra grande pedra que circundava o local. Com um sorriso no canto do rosto, falei: - Olá! Sentiram a minha falta?! - Xiiiiis!? – virou-se Paola com os olhos arregalados e todas as quatro ficaram pasmas, sem qualquer reação. - Sim, Sou eu... E não mereço nem um “oi” ou “estava com saudades”? – Falei com escárnio.
Por um instante, eu vi nos olhos daquelas quatro amigas a desconfiança. Fitavam-me como se fosse um estranho. A primeira a ousar falar foi a Doutora: - Muito bem, Senhor Coveiro, acho que no mínimo nos deve uma explicação. - De fato, Doc. Eu penso em relatar tudo nas páginas de meu diário e deixarei disponível para vocês lerem o que lembro desses últimos dias. – concordei. – Todavia, se querem explicações mais imediatas sobre as sutis mudanças... - Sutis!? Seus olhos estão diferentes... – falou a Nane. - É um novo começo. Algo que assumi para mim... um poder antigo – disse ainda inseguro sobre com o que lidava. - Renascimento?! – a Doc estranhou – Confesso que esses olhos me assustam... -Mano, e os seus seqüestradores? Como fica? – falou a deusa Rhiannon. -Bem, com meu retorno, creio que não há necessidade de um confronto. Peço que perdoem as intrigas iniciais. Mesmo agindo de forma tão abrupta, creio que as intenções de Sétimo eram as que ele julgava ser o melhor para mim... – falei virando a cabeça de lado. – Todavia, certas coisas são inevitáveis. - Xis, você voltou ainda mais misterioso! – reclamou Paola. - Mesmo? – Não pude deixar de sorrir. – Bem, quero que vocês os conheçam... Virei meu rosto para mais adiante, e as meninas acompanharam a direção de meu olhar. Um pouco distante, próximo à escarpa da colina, era possível observar três vultos bastante peculiares. O maior deles, Sétimo, parecia uma espécie de demônio alado com características felinas. Ao lado, estava a estrelinha, uma jovem morena que erguia com uma das mãos uma espécie de globo de luz. Por fim, a misteriosa figura que a liga apelidou de mudinha abriu um largo sorriso e mostrou por trás do rosto singelo, dentes afiados como navalhas que dominavam sua boca. E tão fugazes quanto apareceram, os meus três raptores sumiram de nossas vistas confundindo-se com a escuridão. - Bem, foi um prazer tê-los como oponentes... – falou a Doutora num pensamento. - Xis, seus olhos vão voltar ao normal? – perguntou a Nane. - Acho que sim... – falei e senti minha cabeça palpitar. - O que houve, mano!? – falou Rhiannon. - As vezes, é duro controlar... Preciso ir. – E dizendo isso saltei para a escuridão. - Xis, espere... Voltaaaa... E a voz da Paola foi a última coisa que ouvi antes de desaparecer na imensidão daquela noite.
To be continued Próximo: Conseqüências da Transformação
Crossing-Blogs: A Liga Parte 3 da Mini-Saga Olhos Vermelhos Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável. Na madrugada do quarto dia, Sétimo não veio me visitar. Não houve pílulas e nem gravações de fitas. Uma única vez a porta se abriu e um prato de comida foi empurrado para dentro. Os olhares do guarda que me vigiava observaram minha presença e então fecharam a pequena portinhola me deixando só. Virei para o lado e vi que a câmera continuava instalada no canto do meu calabouço mirando suas lentes para mim. Então, suspirei pesadamente. Segundo as últimas notícias, um confronto estava prestes a ser organizado e que colocaria de lado os mais poderosos Blogueiros deste Mundo com meus três velhos amigos que encarceraram neste lugar. Virei para o lado e encontrei os gigantescos olhos da coruja Vigia fitando-me apreensiva. Precisava tomar alguma iniciativa antes que aquele novo dia clareasse. Olhei para minhas mãos e senti os dedos gelados. Fechei os olhos e comecei a criar coragem. Uma frase me veio a mente: “...imagino quão surpreso ficará quando souber do que você é capaz de fazer.” E lembrei do dia em que criei uma pequena fonte de luz em minhas mãos. Muitos dias depois, inconscientemente, eu promovi uma escala maior de poder que me levou a um coma de seis dias. Agora, eu precisava fazer uso novamente dos mesmo estranhos poderes e tinha medo. Comecei a me concentrar. Mais uma vez sentia a pressão no peito e o intenso frio alastrando-se por todo o meu corpo. Dessa vez, eu liberaria tudo sem freio algum.
- E, então, Tchu, descobriu mais alguma coisa? – virou-se a deusa do Rhiannon, girando um adaga nas mãos. - Bom, o PP está já a caminho. – respondeu a vampira. – Ele suspeita de um pequeno templo em ruínas um pouco antes das Terras Nômades. - E quanto ao infiltrado na liga? – falou o moderador Roger. – O que faremos sobre isso? - Se, Roger, se existir um infiltrado, é bom ele estar bem longe daqui quando eu descobrir. – respondeu Paola de imediato. As portas do bar se abriram e uma ruiva em um belo vestido vermelho cruzou o salão com os olhos firmes. Virou-se para a vampira e disse com um sorriso nos lábios: - Cheguei a tempo, Paola!? - Sim, Sel, ainda não começamos. – falou a vampira para a Senhora de Gotham – Estou esperando o Peter voltar. Acho que encontramos o reduto onde o Sr. Sétimo se e esconde. - Eu não consegui rastrear nada. – falou Margot - Analisei as fitas, emails e todas as outras formas com que os raptores tentaram entrar em contato. Não consegui chegar a fonte. - Se me permite... – disse a Doutora se aproximando junto com Toleezinho e seu assistente. – Numa rápida lida da última cópia do diário de viagem do Coveiro, podemos saber um pouco mais deles. O Senhor Sétimo parece ser aquele que ele se refere como um “guia espiritual”, detentor de estranhas cartas e parece conhecer bem magia. Desconheço qualquer outro poder... - Então deixa comigo!! Eu cuido dele sozinha! – falou a deusa Rhiannon com um sorriso malicioso. - Não, Rhian. Não podemos subestimá-lo. Eu vou com você.
- Pessoal, não precisamos quebrar a cabeça por causa de magia. – disse Paola apontando para Sandro e as demais bruxas presentes. - Bem, quanto ao outros, as informações são ainda mais escassas. – continuou a Doutora. – Parece-me que a tal Estrelinha é relacionada com o Sr. Sétimo, mas não sei que poder ela reserva... - Ai, meu Deus... acho que já falei com ela uma vez... – exaltou-se a guardiã do cemitério literário. - Como assim, Rhian? – questionou a Doutora. - Falei com uma amiga do Coveiro um pouco antes do rapto. – continuou Rhiannon. – Ela é uma fadinha... Os demais recuaram a cabeça pra trás e a deusa Rhiannon torceu o nariz. - Bom, Doutora, e quem é aquela outra na fita? – quis saber Selina. - Não sabemos. – a Doutora meneou a cabeça. - Apelidamos de Mudinha e quanto ao poder dela... - É ficar calada! Bom, pessoal, vamos deixar o resto pra reunião. – Paola virou-se para o lado e falou. – O Soldier está fazendo sinal para mim dizendo que o Peter chegou. Selina, quer ter a honra? A Senhora de Gotham sorriu e assentiu com a cabeça. Todos se dirigiram para o centro do salão e se colocaram junto ao grande círculo com todos os demais. Selina girou a cabeça de um canto a outro e viu muitos de seus queridos ali: Rhiannon, Margot, Val, Nane, Roger, Renato, Soldier, Peter Pan, Paola, Doutora, Toleezinho, a viajante Ly, o Nômade John Paul, Sandro, Enfys, Lady Esoteric, Coveiro Zé e muitos outros apinhados por todo o bar. Ela respirou fundo e começou: - Boa noite, crianças! Bem-vindos ao caldeirão...
Algumas milhas ali, bem ao sul da Cidade dos Blogs, um homem esguio e moreno divagava com o olhar distante para as estrelas daquela madrugada. Pensava alto, lamentando os riscos de seu último intento. Ao seu lado, a pequena menina de cabelos negros apenas o ouvia, sem dizer palavra alguma como fez desde que nasceu. - Ele sumiu, Sétimo!? – a jovem que atendia pelo nome de Estrelinha surgiu na entrada do templo em ruínas. – Está tudo estranhamente escuro lá dentro. Aconteceu algo. Sétimo virou-se absorto para sua companheira. Sem dizer nada, correu pelos corredores do templo e pude ouvir os passos de meus três raptores se aproximando do calabouço. Percebi os vultos entrando e a voz de meu amigo questionando o que havia acontecido. Liguei a câmera e não pude evita a sonora gargalhada saindo de minha boca. (Clique na figura para ver o que foi mostrado na fita) To be continued Próximo: Coveiro ¤x¤ encontra a Liga
Crossing-Blogs: Fantasmas Parte 2 da Mini-Saga Olhos Vermelhos
- A intenção daquela fita era apenas mostrar a minha consideração pela amizade entre você e o pessoal deste mundo. – falou o meu amigo. – Todavia, eles agiram de uma forma um tanto... inesperada. - Euuuuu... Awwm... – estava confuso demais para conectar palavras numa frase coerente. - Não era a minha intenção, mas eles agora me vêem como vilão. – Sétimo abaixou-se e tentou colocar seus olhos na mesma altura que os meus. – Eles nunca vão entender que eu estou tentando salvar você... que estou até mesmo salvando-os. Mesmo tendo os créditos de vilão, continuo resoluto a fazer o que é certo. E foi exatamente logo após o horário de almoço, quando as portas do Bar Code ainda permaneciam fechadas que uma jovem de cabelos ruivos começou a bater no vidro insistentemente. Dentro do salão principal, estavam apenas Margot, Rhian e a Vampira Paola. - Deixa que eu abro! – falou Rhiannon aproximando-se da porta e abrindo apenas uma pequena brecha. – Olha, está fechado ainda... - Tenho uma coisa aqui sobre o sumiço do Xis. – falou a Ruivinha. - Abre, Rhian! Abre logo! – gritou Paola pulando do banco. - Entra, então. – falou a guardiã do cemitério literário com o olhar de lado. - Brigadinha!! – falou a menina ruivinha com um sorriso amarelo. – Olha, hoje de manhã deixaram junto com as minhas cartas essa fita que... - Me passa isso aqui! - falou Paola tomando a fita das mãos da menina de cabelos de fogo. – Que coisa!! Porque esse Sétimo não entrega essas fitas diretamente para a gente? - Acho que ele correria um risco maior, Tchu! – falou Rhiannon e depois se virou para a ruivinha. – E você quem é? Como conhece meu Mano. - Ah, eu sou a Naty. – falou a jovem sorrindo. – E eu conheço ele já algum tempo. Adorooooo o que ele escreve naquele diário, a Lápide, sabe qual é? E ele é um gatão também... – Rhian e Paola se entreolharam. – Só não sabia que ele era seu irmão!! - Segundo Gódi! – Rhiannon respondeu sem dar muita importância. – Em seu novo testamento, ele é meu mano. - Vamos deixar de papo furado. Eu quero ver essa fita! – disse a Paola ligando o videocassete. – Chama a Margot pra mim, Rhian. Diz para ela entrar em contato com todos para uma reunião hoje a tarde. Vamos ver o que esse Sétimo pode fazer com toda uma liga de blogueiros contra ele. (Clique na figura para ver o que foi mostrado na fita)
- Não a muito que fazer numa situação destas... – falou uma das figuras em minha total alienação. Usava uma cota negra e peitoral de aço como um cavaleiro medieval e dirigia um olhar frio para mim. – É como um animal acuado. As duas únicas escolhas estão entre esperar a morte ou reagir. - As paredes que te cingem não são uma prisão capaz de te prender.– falou uma outra miragem que lembrava um sacerdote de longos cabelos escuros, trajando roupas ritualísticas antigas. – Se quisesse já poderia estar fora daqui. Enquanto esses fantasmas criados pela minha imaginação falavam, eu me esgueirava pelos cantos de meu calabouço tentando desviar os olhos daquelas imagens. Bati minhas costas numa das paredes e novamente outra projeção de meus personagens se manifestou. - Em um outro momento, você fez uso de um poder e escapou da morte. – falou um homem de rosto similar ao meu e de estranho sotaque castelhano. – Sabes do que é capaz, porém teme. Assustado, fugi dali engatinhando para o outro lado da minha prisão. Foi quando esbarrei com outra criatura irreal, aquele que um dia eu haveria de chamar de... - Douglas?! – falei erguendo os olhos chorosos para ele. - Existe uma história antiga sobre Coveiros. Uma que mais parece um conto de fadas. Fala de um homem, um dos mais antigos, que um dia foi admirado por velhos espíritos, pois ele os alimentava. Tornou-se assim um ser poderoso. Alguém que era único entre todos os povos. – falou o jovem rapaz de cabelos negros. – Quando ele morreu, seu poder foi herdado a um outro jovem. E depois a um outro e assim foi se passando esse dom. Diferentes nomes foram dados em diversas épocas e locais para a criatura que o senhor chama de Coveiro. - Isso... isso é apenas uma história para alguns personagens. – falei num sussurro quase inaudível. - Uma história que você criou. – falou a imagem de Douglas. – É sua também. Baixei a minha cabeça e senti um ardor dentro de mim, uma agonia familiar que pretendia esquecer desde entrei naquele torpor semanas atrás. Senti um suor frio escorrer de meu pescoço e rolar por todo o meu corpo. Bufei violentamente expelindo um ar gelado de dentro de mim. Fechei os olhos tentando me acalmar, desejando no meu mais íntimo o fim de todo aquele pesadelo onde o real e o irreal mesclavam-se. Respirava com fulgor e lutei para que as minhas mãos parassem de tremer. Então, criei coragem para olhar em volta e percebi que os fantasmas de minha imaginação desapareceram. Sorri com aquela pequena vitória e ergui a cabeça para o alto. Foi nesse momento que eu vi o pequeno animal de asas abertas descendo pelo único vão da clarabóia. Farfalhou as asas num pouso esbelto e então manteve-se diante de mim. Seus grandes olhos me fitaram de um jeito curioso e eu não pude conter minha admiração ao me deparar com a familiar coruja que criei. - Vigia.?! To be continued....
Crossing-Blogs: Raptado Parte 1 da Mini-Saga Olhos Vermelhos
Deveria ser apenas mais um fim de tarde deserto, quando os nossos corpos exaustos já se entregavam a sonolência. Estávamos agora em terreno pedregoso, onde imensas rochas se erguiam na aridez do deserto. Colocamos as mochilas no chão arenoso e iniciamos os preparativos para o jantar. Lembro-me de por um instante ter me afastado de meus amigos, Ly e o Nômade, pois algo no assovio do vento me pareceu familiar. Fui adentrando num imenso corredor de pedras. Parecia um pequeno labirinto que aos poucos me aprisionava. Quando me dei conta de que precisaria gritar para sair dali, vi uma imensa sombra crescendo em uma das rochas. Era como um gigantesco demônio, talvez o mesmo daquelas histórias dos viajantes do deserto, mas logo ouvi uma voz e associei quem era aquele que se aproximava. - Hi, Gravedigger! – disse um rapaz não tanto mais alto que eu, um pouco mais magro, com cabelo curto e cavanhaque singelo, que se aproximava com toda a calma. - Sétimo?! – falei ao constatar que minhas suspeitas eram reais. Estava realmente surpreso com a presença de meu amigo, antigo companheiro de laboratório, naturalmente dotado de um conhecimento místico muito peculiar, mas que não pertencia de forma alguma aquele Mundo dos Blogs. - O que está fazendo aqui?! – exaltei-me com um sorriso. – Veio finalmente compartilhar conosco esse mundo? - Não. Muito pelo contrário. – falou ele no mesmo tom calmo. – Vim pedir para você se afastar dele. - Como é que é?! – falei recuando um pouco para trás! – Você só pode estar brincando... - De modo algum! Nunca falei tão sério antes... – disse-me ele. – Você nada me falou, mas algo aconteceu poucos dias atrás. Algo que ainda não ficou muito claro nem para você e resolveu deixar de lado. - Está falando do sonho... – perguntei contraindo o cenho. - Estou falando de muito mais, Gravedigger. Sabe muito bem que alguma força estranha manifestou-se em você dias atrás e isso me foi alertado por “Elas”! – falou Sétimo. – Pensei que depois de tudo, você ao menos iria me procurar, mas parece que resolveu deixar de lado e esquecer. Muito infantil de sua parte. - Realmente, meu amigo... – baixei a cabeça e comecei a divagar. – Eu ainda não sei completamente o que aconteceu. Mas o que quer que tenha sido... já foi...
- Eu não tenho tanta certeza assim. Fui alertado por Elas do perigo, Coveiro. – respondeu Sétimo – Fui instruído que esse Mundo começa a alimentar algo grande dentro de você. As suas mudanças comportamentais já são bastante perceptíveis... - Um momento, você quer que eu me afaste deste Mundo? – Retruquei. - Sim. Elas me fazem crer que este lugar é o causador daquele fenômeno. – explicou Sétimo. – Volte comigo. Algumas amigas nossas estão a sua espera. Faremos até uma boa recepção... - Sinto muito, mas eu não vou! – falei e dei as costas. – E não se preocupe com o que dizem suas cartas, eu sei tomar conta de mim. - Bem, eu já esperava essa sua resposta... – falou o meu amigo na mesma calma. Mal Sétimo terminou suas palavras, senti o impacto de sessenta quilos arremessados sobre minha nuca. Meu corpo foi lançado longe. Praticamente inconsciente, só pude perceber que meu amigo havia se transformado na gigantesca criatura e me acertado com um único golpe. - Não se preocupe, pois irei dar uma satisfação aos amigos que você fez aqui. – foi o que ouvi da boca dele antes de perder completamente a consciência. Assim, fui levado das Terras Nômades, deixando para trás minha companheira Ly e nosso recente guia, John Paul. Na mesma noite, uma ligação insistente sobressaía sobre todas a vozes presentes no Bar Code. Era uma noite cheia e muitos amigos da proprietária estavam lá: a Vampira Paola, a Doutora, Mocotó, a Val e a deusa Rhiannon. Após vários toques do telefone, Margot finalmente conseguiu um tempo para atendê-lo e entender quem era. Alguns minutos depois, ela colocou o aparelho de volta no gancho e olhou assustada para os demais. - O que foi, Margot!? – perguntou a Val. - A Ly me ligou de um orelhão na estrada. – respondeu a proprietária do Bar Code. – Ela disse que o Xis desapareceu misteriosamente e acha que aconteceu algo com ele. - Como assim sumiu?! – Mocotó arregalou os olhos. – Mais um sequestro?! - Se foi aquele tal Crítico, eu não terei pena de... – ameaçou a vampira ruiva. - É melhor eu ligar para os Moderadores e ver se eles sabem de algo que possam ajudar...
- Li, o que houve? – falou a Margot recolocando o fone no gancho. - Eu recebi uma fita, Margot! – falou a jovem Li. – Acho que aconteceu algo com o Xis. - Como assim recebeu?! Como isso chegou em suas mãos. – falou a Paola aproximando-se. - Calma, Paolinha! – a Doutora se ergueu da cadeira e colocou-se entre a vampira e a Li. – Você pode me deixar dar uma olhadinha nela? - Tchu, senta aí e vamos ver o que é. – falou Rhian puxando Paola para a cadeira novamente. – Margot, pode ligar o vídeo daquela TV. - É pra já... – falou Margot. A proprietária do Bar Code pegou a fita das mãos da Li e dirigiu-se até o aparelho abaixo do televisor. Colocou a fita e todos ali vidraram os olhares nos menos de cinco minutos reproduzidos naquela gravação. (Clique na figura para ver o Video1) Próximo: Os primórdios de uma Liga e estranhas aparições...
Bastidores de uma Saga (4): Grandes e Pequenos...
Bom, pessoal, cá estou de volta revelando um pouco do mistério por trás da Saga que será lançada na última semana deste mês de Junho. Sei que vocês estão se contorcendo de tanta agonia com o suspense que eu estou promovendo, mas isso nada mais é do que parte da minha campanha de marketing. A única pessoa além de mim que sabe exatamente o roteiro mestre é o meu amigo e não-blogueiro Sétimo. Por sinal, o mesmo se animou um pouco esses dias e até confeccionou uma pequena página em quadrinhos sobre a saga que publicarei em alguma sessão de bastidores em seu tempo certo. Como disse antes, a preocupação em trabalhar muitos personagens de uma só vez é grande. Não bastando isso, resta uma outra preocupação minha, que é a de colocar num mesmo evento personagens de poderes imensuráveis como é o caso de Gódi e outros que se demonstram sem os tais “super-poderes” como, por exemplo, a Ly. Isso a princípio poderia provocar de forma inconsciente uma sub-valorização dos Blogueiros menos “poderosos”. Por outro lado, eu vi muitos comentários no MSN ou no próprio Blog sobre a irreverente participação da Viajante nos últimos crossings. Em resumo, disseram que ela foi fundamental para que as piadas funcionassem, sendo o jeito como a coloquei um elemento tão hilário quanto o Mocotó e sua caça pelos votos. Isso foi a prova de que os personagens não precisam ser tão complexos para cair no agrado dos leitores. Uma outra maneira em que posso trabalhar com os personagens “não-poderosos” é colocá-los em situações onde as suas limitações sejam postas à prova. Vencer essas limitações é que fazem de cada um de nós os heróis do dia a dia. Cenas parecidas serão ministradas por mim durante essa Saga. Portanto, enquanto o Soldier e o Peter Pan estiverem enfrentando uma grande ameaça, teremos Mariam e Aninha tentando escapar de outros apuros, por exemplo. Ainda assim, um fato se mostra inevitável. Independente dos poderes, alguns personagens com o desenrolar da aventura vão ganhar maior destaque que outros. Isso não só é ocasional, como também necessário. Em qualquer livro ou filme, é preciso ter alguns poucos que recebam um destaque para que o público alvo se vincule e acompanhe a história através dos “olhos” deles. O critério de seleção para esses personagens ainda não foi definido por mim, mas prometo sentar e discutir com Sétimo para que tudo circule em torno do engrandecimento da Saga. Nada ainda está plenamente definido. Tenho algumas idéias para desenvolver cada personagem, cabe apenas ver qual delas vai ser aproveitada ou descartada. Como disse, só o tempo dirá. Agora, mais alguns selos:
Observação Rápida: Publicarei a nova versão do mapa em breve. Preciso também conversar com o Chris sobre os recentes problemas (Assim que der, mande-me um email! Fiquei preocupado!) Por fim, estou anunciando para o fim desta semana o Crossing Seriado “Olhos Vermelhos”, que fala dos eventos na época de meu sequestro e o que aconteceu depois dele, algo que é muito importante para o prelúdio da Saga. Até Breve... Sombras...
Páginas Negras: Abatido
Bom, pessoal, essa Páginas Negras começa com um texto que eu não gostaria de escrever, mas creio que é essencial deixar aqui uma declaração oficial sobre os últimos eventos que aconteceram no meu mundo profissional. Bom, a princípio, isso não deveria interessar diretamente nenhum de vocês, todavia alguns sabiam que eu dependia de resultados nessas últimas semanas para garantir minha ida ao Congresso Brasileiro de Genética em setembro. Infelizmente, por mais que eu me desdobrasse para obter um bom material para apresentação do resumo, quis o destino me proibir de publicar algo para esse ano (Talvez, seja culpa de Gódi, vão reclamar com ele lá também). Com isso, acabei tendo a infelicidade de não garantir minha viagem e, portanto, conhecer muitos de vocês quando retornasse de Florianópolis e passasse um fim de semana em São Paulo. Essa cadeia de eventos drásticos acabou por me pressionar a tomar uma nova iniciativa em minha programação no laboratório. Estipulei que nos próximos três meses estarei guerreando com meus cromossomos para recuperar não só os resultados perdidos como também avançar nos novos. É verdade que sai um tanto abatido e desnorteado com os surpreendentes últimos acontecimentos, porém não demorei mais que um dia para choramingar minha derrota e espanar a poeira. A batalha recomeça já nessa semana, sem mesmo parar para descansar. E falo isso tudo para vocês nessas linhas porque esse meu novo posicionamento traz conseqüência para o Blog. Terei que diminuir um pouco mais minhas constantes publicações, principalmente as que mais me dão trabalho, como os Crossing Blogs. Como já havia planejado, eles acontecerão em apenas dois dias, nas quartas e domingos (só que já escreverei tudo antecipadamente nas manhãs de Sábado). O restante se destinará aos Bastidores, In Memorians e Páginas Negras, os quais nem sempre estarão todas as semanas aqui. A idéia, como sugeriu a Doc, é que exista um “post” em dias alternados, o que me deixa com quatro publicações durante a semana (algumas com cinco se eu não resistir). Sei que é chato, mas tenho que me impor essa regra o quanto antes. Depois que eu me disciplinar nisso, terei que cuidar de criar uma política para os horários de MSN e respostas de meus comentários. E para eu não só falar de problemas, vou comentar rapidinho dois detalhes do mundo bloguístico. O primeiro refere-se às alterações no mapa do Mundo dos Blogs. Anotei todas e a próxima versão saíra logo, logo. O segundo trata-se dos choques culturais com o vocabulário nordestino usado em meu último Crossing Blogs. Não pude me agüentar de tanto rir com as dúvidas do Soldier sobre o que era um “calango”. Soldado, como te disse, ele não é um “rato” do semi-árido, mas sim um lagarto de tamanho destacável. Para solucionar esse e outros problemas, resolvi anexar aqui um texto pequeno em PDF e engraçado sobre o “pernambuquês” (Tente clicar e "salvar como" se der erro). Para o “cearês”, eu deixo para o John Paul a obrigação de publicá-lo. Bom, sem mais o que dizer, me despeço e... Como?? Se eu não vou mais para Sampa?! Olha, está mais incerto do que tudo, mas já ouviram falar em esperança? Bom, eu me impus uma condição. Se eu driblá-la, acho que vou me auto-premiar. Não sei... Isso é só. Até mais... Sombras...
Crossing Blogs: Terras Nômades
Novamente, estou com os pés na estrada. Essa é uma expressão que sempre quis dizer e agora que pela primeira vez faço uso, espero repeti-la sempre que voltar a cair ou que, por motivos inerentes a minha pessoa, eu for afastado dela. Como é bom sentir o vento, andar pela manhã e olhar para frente sem saber os limites que o farão parar. Passei alguns dias imóveis e não lembro muito bem o que me trouxe de volta. Tudo, na verdade, não passa de um sonho nebuloso e algumas linhas estranhas escritas na página da Lápide, meu diário de viagem. Agora, resolvi descontar todos os dias que passei estagnado e ousarei ultrapassar o ponto mais distante que puder alcançar na estrada. E o caminho começava a me levar para uma terra menos verde e mais árida. - Ai, Xis, meus pés estão me matando. Ah, claro, esqueci por alguns segundos um pequeno detalhe. Junto comigo, nessa nova peregrinação estava a Ly, denominada a Viajante, uma garota que de uma hora para a outra decidiu colocar suas coisas numa mochila e seguir viagem. Alguém totalmente inexperiente para isso, é o que posso dizer. - Deveria tentar usar algo sem salto da próxima vez... – respondi sem diminuir o ritmo. - Mas eu estou usando tênis, seu chato! – replicou ela e tentei disfarçar meu sorriso. - Então, deveria ter me ouvido e deixado metade das inutilidades de sua mochila lá com a Margot. – falei olhando de esguelha. – Eu te disse que desta vez iria mais longe. Agora, agüente, pois eu só paro... opa! Estanquei no meio da estrada olhando firme para o fenômeno que vinha mais adiante.O sol a frente atrapalhava um pouco a minha visão, mas era impossível não notar a grande massa de areia que se erguia adiante. A grande cortina formada de grãos veio com toda velocidade como uma onda impulsionada pelo vento. - O que é isso!? – gritou a Ly, com os olhos esbugalhados. - Problemas! – respondi já me jogando pra cima dela e derrubando-nos no chão. Aquela pequena tempestade de areia atingiu-nos e nós começamos a gritar desesperados. Sentia cada partícula da areia chocando-se em minha pele, deixando pequenos arranhões e enorme agonia tomava meu corpo. Aqueles poucos minutos pareciam uma eternidade. Trinchei os dentes e, por um momento, arrisquei abrir os olhos tentando ver se haveria algum abrigo qualquer no qual pudéssemos nos esconder. Foi quando percebi a figura humana aproximando-se lentamente pela estrada. Indiferente ao caos, aquele estranho andarilho continuava resoluto até nós e quando parou bem diante de nós, a fúria das areias extinguiu-se como se abrisse apenas passagem para sua chegada. Ergui-me apoiando as mãos no joelho e balançando meu corpo para deixar a poeira cair. Ajudei a viajante a se levantar e, assim que arrumou o cabelo, percebeu que havia alguém além de nós ali. Com trajes de peregrino do deserto, aquele homem de rosto encoberto parecia ter no mínimo um metro e oitenta, armado com uma grande lâmina em sua bainha e um violão preso por uma correia em suas costas.
- Poucos são os andarilhos que ousam vir tão longe e mesmo aqueles que aqui chegam não passam incólumes pelas Terras Nômades. O que pensavam vocês, viajantes, ao invadir minhas terras? – falou ele com voz. Eu continuava sem palavras e, pelo que percebi, aquele ser misterioso conseguiu magicamente manter a Ly sem tagarelar por um tempo recorde. - Não me entendeu, macho? – falou ele repentinamente mudando de tom e me assustando. - Heim?! – agora sim, eu estava surpreso. - Avia, macho, me responda logo! – disse o andarilho sobre seu capuz. – Ou você é abestado demais para me entender. - Calma! Peraí! Um minuto... – falei erguendo as mãos. – Você é cearense? - E com orgulho!! – replicou ele de imediato. - Desconfiei... Err... Fico menos “cismado” em usar meu “pernambuquês”, então. – falei com um sorriso nos lábios. – Vou começar a usar os meus “massa” e “lasca”, “visse”. - Quer dizer que você é de Pernambuco? - disse ele e me olhou estranho. – E o pitéu, aí?! - Ly?! - Virei-me para ela e quase ri quando vi seus olhos esbugalhados. – Ela é originalmente do Rio, mas já é praticamente naturalizada em Campina Grande. - Então, somos todos conterrâneos! – falou o encapuzado. – Pena que não posso abrir exceções para a lei das Terras Nômades. Terá que ser submetido a minha lei. - Terras Nômades?! – estranhei. - Sim, minhas terras! As terras de John Paul, o Nômade... – falou ele friamente. - Você adentrou aqui sem minha permissão. - Bom, meu “compadre”, eu apenas seguia a estrada e não vi aviso nenhum proibindo minha passagem. – falei e comecei a andar em frente. – Mas não se preocupe porque estamos de passagem pelas suas terras. - Espere! – falou John Paul se pondo na frente. – Ninguém cruza aqui sem passar por mim. Antes, deverá enfrentar a minha peixeira! – e dizendo isso ele puxou uma lâmina do tamanho de um antebraço. – Receba! - Ai... – Ly pulou pra trás de mim... - Enfrentar?! Com o quê?! Com minha faca de tirar casca de laranja!? – reclamei - Andando por aqui sem arma! Você é cheio de nós nas costas!! – falou o Nômade. - Não dá para resolver essa nossa “arenga” de outro jeito, não!? - Deixe-me ver... – pensou por um momento. – Têm sim. Eu gosto de enigmas. Vamos fazer o seguinte, faremos um desafio onde um perguntará algo ao outro como atestar a resposta. Faremos até que um de nós perca. - Entendo. É como um enigma da esfinge para permitir passagem. Gostei – Falei sorrindo. - Isso. Se você ganhar, podem passar. Se eu vencer, você vai conhecer minha faca. – falou o Nômade com um sorriso. – E a viajante fica viva me fazendo companhia. - Heim?! – Ly gritou no pé do meu ouvido. - E agora, Xis?! Você tem que me ajudar. - Eu? EU?! Eu estou para ser furado... – virei-me para ela com a sobrancelha empertigada. – Porque não chama o supermouse?!
- Deixemos de disse-me-disse. Quem começa sou eu. – falou John Paul – É bom não errar na primeira... - É... é bem justo... – falei erguendo os olhos. - Deixe-me ver... tem a da bolacha de água e sal... não... A de Gódi levantar uma pedra que ele não possa... também não... – o Nômade refletiu por um tempo e então concordou com uma idéia. – Houve um tempo em que um homem podia fazer um cego ver. Todavia, quem hoje dá a luz a um cego? Recuei o pescoço para trás e achei que estava em apuros. No meu lado esquerdo, notei a perturbação da viajante e tive que virar de lado para me concentrar. Fui pensando nome de tudo quanto era santo até que achei que aquilo poderia ser uma pergunta capciosa. - Ah, claro! - sorri e respondi. – Quem dá a luz a cego é a mãe dele. Percebi que o rosto do John Paul se contraiu dentro do capuz, mas ele não quis transparecer. Balançou a cabeça confirmando a resposta e isso fez com que eu suspirasse aliviado. - Eu aliviei por ser a primeira. – disse-me ele. – Agora, é a sua vez. - Ta só que eu não vou aliviar, não! - Falei com um sorriso – Não vou arriscar uma segunda chance. A pergunta é... O que eu tenho no meu bolso? Deu vontade de rir ao ver os olhos do Nômade se arregalarem pro meu lado. Ele até tentou reclamar, mas como não tinha colocado nenhuma condição anterior sobre a natureza da questão, ficou sem argumento e teve que aceitar. Bom, ele podia ter chutado anel ou o que quer que fosse, pois seria improvável ele dizer “gaita”. Ao menos, é claro, que me conhecesse muito bem. Aceitando a minha vitória e sem mais nada a fazer, o Nômade me elogiou pela sagacidade, apesar de que ele deve ter imaginado na hora a palavra malícia, e convidou-nos para dividir a fogueira naquela noite. Depois de arrumar sua fogueira e salgar uma estranha carne, John Paul tirou seu capuz e revelou sua face. Nada mais era do que um rapaz mais jovem de costeletas e cavanhaque, com nenhum jeito de assassino do deserto. - Então, você decidiu passar sua vida viajando? – falou John Paul pegando a primeira carne e espetando antes de levar ao fogo. - Sim. Acho que isso é comum em nós três aqui... – falei e complementei. – Isso é carne de quê heim!? - Calango! – disse ele e a Ly torceu o nariz. – Mas eu não costumo ir muito além. Vez ou outra fui na Cidade dos Blogs. - Porquê?! – perguntei de imediato. – E você está falando sério o calango? - Prefiro estar num lugar assim para fazer minhas músicas e meus poemas. Posso dar uma amostra... – falou me estendendo o espeto da carne. – Agora, prove e veja se consegue adivinhar o que é? O John Paul pegou o seu violão deixado ao seu lado e começou a tirar dali suas melodias. Passou-se assim à noite naquele deserto, ao som das canções de um Nômade e iluminados por uma imensa lua. Fim Bom, finalmente estou em dia com todos os meus ganhadores de prêmio visitante da Lápide (Exceto os que vão ganhar prêmio pelos correios). Algum tempo atrás, havia desistido de presentear com CB porque queria me programar para a Saga. Todavia, JP mereceu essa história e vejo que maneira como foi construído seu personagem só vai abrilhantar ainda mais a Saga. Agora, peço que vão no Blog do John Paul porque ele disse que ia publicar uma surpresa para mim.
Crossing Blogs: Torpor Agonizante seria a palavra mais apropriada para o que acontecia naqueles dias. Estar de olhos abertos ou fechados parecia não fazer diferença alguma, pois só conseguia enxergar a mesma imagem que se firmava à frente de meus olhos, como um quadro que ora ou outra ganhava um movimento sem importância. Sabia que algumas pessoas me acompanhavam cuidando de mim, mas não passavam de vultos à frente de meus olhos. Nada mais eram que sombras desfocadas pela minha incapacidade de controlar a coordenação visual. Talvez eu soubesse quando era dia ou noite pela claridade, ou apenas meus olhos simplesmente perdiam completamente a ação em certos períodos, deixando-me na completa escuridão. Não havia nenhum movimento da parte deles, assim como de minha boca, meus braços, pés e dedos. Eu era nada mais que uma casca. - Como ele está hoje, Margot? – alguém com voz de menina usou um nome de uma conhecida. Minha mente viajou e lembrei de uma mulher de cabelos negros longos. Lembro dela num restaurante ou bar. - Está do mesmo jeito de ontem e igual ao do dia antes de ontem, nada muda. – respondeu a mulher que seria a Margot, numa voz que no fundo realmente me era familiar. - Ai, me dá um dó ver ele assim... – falou uma terceira voz igualmente familiar e senti um toque roçar meus cabelos acima da testa. - Ah, Ly, desculpa por não ter te cumprimentado. Nem vi. – disse a primeira voz que me passava o tom jovial e se referiu a terceira pessoa como sendo Ly. Minha mente vagou um pouco e tentei lembrar quem era. - Oi, Paola! Sem problemas... – falou a que era a Ly novamente e logo me veio a mente uma lembrança antiga em que ela ficou emburrada comigo. Uma lembrança de muitas é verdade. - Eu já trouxe algo para a janta. Comprei fora porque estava sem cabeça para isso. – Então, aquela de voz de menina chamava-se Paola. Não sei porque não conseguia me lembrar bem dela. Acho que tive pouco contato. - Não estou com fome agora. – era a voz da Margot – Vou ficar mais um pouco. - O que exatamente será que aconteceu com ele, Margot? – perguntou aquela que certamente era a Ly. - Eu não sei, Viajante. – respondeu Margot – A Val me contou uma história absurda. Nem ela mesma lembra o que aconteceu. Um minuto antes, eles estavam prestes a morrer com a explosão do prédio. No minuto seguinte, tudo se apagou e quando ela pensou que havia morrido, na verdade estavam todos do lado de fora, sãos e salvos. - Só que o Xis estava diferente! – complementou a Ly – Val e Renato disseram que ele parecia coberto com uma cor escura, mas logo desapareceu e ele caiu inconsciente. E está assim até hoje. - Isso é estranho! – falou aquela que era Paola, mas eu ainda era incapaz de definir quem era. – E algum sinal do Crítico? - Não! A Nane ligou poucas horas atrás para saber do Xis e disse que ainda não encontraram rastro nenhum do Crítico dos Blogs. E a misteriosa Espiã da Noite também desapareceu... – comentou a Margot - Se eu encontrar esse Crítico ele vai sentir o peso de uma voadora minha no pâncreas. – falou a Paola com raiva. – Mas agora vamos, meninas, ficar sem comer não adianta nada.
- É, Margot! Vamos descansar um pouquinho. – e a Ly foi a última voz a silenciar o lugar. Por longos minutos, eu continuava letárgico a mirar apenas o teto branco do quarto, sem sentir ou mesmo pensar em algo. Com o tempo, meu peito começou novamente a doer. Uma dor tão familiar como aquela que senti antes de me prender nesse estágio inanimado. Queria gritar, mas meu corpo ainda não me obedecia. Foi, então, que tive a sensação de que eu começava a cair. Estava tombando dentro de mim mesmo e novamente me vi na mais completa escuridão. Abri os olhos e ergui minha mão, ela se movia como antes, porém parecia que realmente não estava lá. Creio que nem mesmo eu estivesse. Comecei a cogitar a possibilidade de um sonho, mas quase tudo meu tinha sido associado a um mero sonho desde que estava naquele estado. - Já está mais que na hora de você parar de se esconder, garoto! Virei o rosto e finalmente eu vi dois assustadores olhos vermelhos surgindo na escuridão. Recuei abismado e comecei a perceber que aquele dois olhos começaram a tomar a forma de uma raposa. - Isso é... é... impossível! – falei apavorado. - Não, não é... ao menos não nesse lugar. – falou algo que parecia ter mil vozes e quando me virei estava diante de um astronauta prateado com asas de anjo. – Aqui, o imaginário mostra-se tão firme quanto uma rocha. - Portanto, podemos ser tangíveis... consistentes... reais... – falou um outro e então percebi um rapaz jovem de cabelos cor de milho e vestes escuras em xadrez, como um escocês. - William... – eu estava por demais assombrado. - Não se preocupe com explicações racionais aqui, Coveiro. – falou alguém que muito se parecia comigo, usava roupas sempre num tom escuro, mas algo como uma sombra viva o acompanhava. - Afinal, como já percebeu, você está num mundo muito mais mágico do que lógico. – falou outro magro, baixo, de longos cabelos negros e vestes num estilo marroquino. - Resta saber, entre deuses e heróis, onde você vai se encaixar... o que você vai ser de nós. – Falou um outro de cabelos negros longos, com olhar frio, vestes sacerdotais e uma coruja pousada em seu ombro. Girei meus calcanhares de um canto a outro e me vi entre personagens de diversas épocas e situações. Eles preenchiam aquela negritude como nunca imaginei antes, movimentando-se, falando, muito longe do que acontecia no papel. Estavam lá o garoto com um dos olhos verde e outro azul, um templário com ar malévolo, uma guerreiro caído, um andarilho encoberto por um capuz e para minha surpresa algo inesperado. - Douglas... – falei e ele se aproximou de mim. - Está na hora de despertar, pai! – disse o jovem de cabelos negros e fez com que eu me agachasse para beijar minha testa. Minutos depois, eu novamente escutava a voz de Ly, Margot e Paola, a vampira que um dia quase me mordeu, conversando numa das mesas do salão principal do Bar Code. Aproximei-me sem elas perceberem e escorei-me numa das paredes. Meu sorriso cresceu quando elas voltaram-se assustadas para mim. Gritaram e correram para me abraça. Eu, em meio ao carinho delas, disse: - Estou de volta à estrada!
Fim Bom, quem não entendeu é assim mesmo... depois piora... Domingo a noite mais um Crossing!!
Bastidores de uma Saga (3): O Tempo e o Espaço
Para se contar uma história, principalmente uma tão grande como esta, é preciso sentar alguns dias para rabiscar um papel com uma série de material acessório que servirá de base para o desenrolar dos eventos. A maioria das vezes esse material é sequer usado, mas deve estar pleno na cabeça do “contador” para que ele sempre tenha um artifício bem próximo do real a ser usado caso se mostre necessário. Entre os diversos pontos a serem pensados, dois são fundamentais: O Tempo e o Espaço. Quando eu fui escrevendo os Crossing Blogs normais, tentei seguir uma seqüência de eventos independentes e que não precisassem uns dos outros, ainda assim eles seguiam uma ordem cronológica. Todavia, uma pequena confusão foi gerada quando aconteceu o “fenômeno dos olhos vermelhos”. Como se tratava de um evento muito adiante, eu tentei colocar as histórias dos CBs independentes do que aconteceu com o meu seqüestro. Ainda assim, muita gente se complicou e, prevendo isso, eu reservei um Crossing Blogs Seriado onde os mais importantes acontecimentos, desde o meu seqüestro até o sumiço dos “olhos vermelhos”, fossem relatados e posicionados na seqüência correta dos acontecimentos. Da mesma maneira, o Crossing Blog Saga precisara ser posicionado num “período” desta cronologia. E o ponto de partida da Saga será algo bem próximo do que acontece agora no mundo bloguístico. Esse tempo é aquele em que meus “olhos” voltaram ao normal, Gotham virou ruínas, a Clínica Online continua abandonada e o Soldier retornou após longo período sumido. A partir desses acontecimentos é que a história terá seu início. Quanto ao espaço físico do Mundo dos Blogs a ser usado, tive a idéia de abusar de um artifício que eu, Leo e outros “Mestres” sempre recorremos. Usando sempre ícones simples para serem representados num plano bidimensional, criamos um mapa daquilo que está em nossa cabeça. Assim, projetei a primeira (e destaque para essa palavra) planta do Mundo dos Blogs aos olhos do Escritor da Estrada Escura. Tudo aqui se refere ao que ele conhece de suas aventuras ou que já ouviu falar em suas andanças. Como um bom viajante, esse mapa está sempre sujeito a mudanças e o Coveiro contará com vocês leitores para indicar o que está faltando aqui em suas anotações. Aguardo uma pequena discussão nos comentários. Bom, espero que se divirtam bastante com esse mapa, assim como aconteceu comigo enquanto estive bolando. Quando terminei, parei e olhei-o de longe pensando que isso tudo começava a ganhar proporções reais inesperadas. Não sei por vocês, mas comecei a ficar ansioso para escrever essa Saga. Bom, tenho que ter calma, pois algumas coisas precisam ser ditas antes. Mas, ao contrário do que andam dizendo por aí, eu não desisti ainda e seu lançamento no final deste mês está garantido. Até lá e divirtam-se com mais selos.
In Memorian: Histórias de cemitérios do meu avô. No tempo em que criei a homepage Paranigma, eu e meu pai conversávamos vez ou outra trocando as mais inusitadas experiências de cada um. Foi numa dessas prosas que ele lembrou de um acontecimento fantástico sobre meu avó. Colocando da maneira que ele disse, a caça para desmistificar eventos de natureza estranha na nossa família veio em pelo menos três gerações. Todavia, meu avô foi um "caçador" por acaso, digamos assim. E a história dele começa nada mais nada menos do que em um cemitério.
Bom, toda cidade de interior tem seu cemitério, e quase sempre, esse cemitério leva fama de ser mal-assombrado. Em Garanhuns, Agreste de Pernambuco, não é diferente!!! Meu pai sempre que ia lá a trabalho ouvia do povo da cidade as histórias mais assustadoras sobre o assunto. Até, os visitantes, técnicos da EMATER, diziam que na pousada onde dormiam, a qual era colada com o cemitério, era assombrada todas as noites por um padre sem a cabeça que passeava desnorteado pelos corredores. Meu pai, felizmente, nunca teve o privilégio de dormir lá uma noite para confirmar, mas me disse que foi nesse mesmo cemitério cheio de lendas que aconteceu o "caso" com vovô, muito antes da tal pousada existir. Quando o meu avô era moço, hospedava-se na casa de seus parentes e participava dos bailes mais animados de Garanhuns até altas horas da noite. Sempre que voltava para a casa deles, cortava boa parte do caminho cruzando cemitério local. Na época, segundo meu pai, o cemitério não possuía muro divisório, apenas uma mera entrada. Quem passasse por perto, enxergava com facilidade todas as covas e mausoléus. Para os dias de hoje, isso chega a ser um tanto macabro. Todavia, meu avó parecia não ligar para isso, seja por descrença ou por não estar nas melhores condições depois da farra para se preocupar com algo do tipo. Num desses retornos passando pelo cemitério, ele deparou-se com algo inusitado. Seus olhos acostumados com a escuridão notaram uma movimentação estranha à frente. Entre uma cova e outra, em meio ao capim alto, um corpo indefinível e branco levantava-se lentamente. Surpreendido, meu avó perdeu a força e caiu no chão. Pensou em correr, mas nem as pernas sentia. Queria gritar, mas não controlava a voz nessa situação. Alguns minutos pareceram séculos! Aquela coisa branca ia crescendo e balançando lentamente de um lado a outro. Aos poucos, o vulto branco foi tomando formas reconhecíveis: pernas, um rabo,.. e chifres. Chifres?! Sim, chifres. Meu avó não acreditou quando viu que se tratava de uma vaca que acabara de levantar-se e que sem estar nem aí para ele, foi embora requebrando suas ancas!!
Depois , de meu avô xingar vinte gerações do bovino, a história rodou pela cidade não apenas como anedota, mas como exemplo de que nem todos os fantasmas que estão no cemitério são mortos!!! E segundo alguns piadistas, a diferença de uma vaca para um fantasma depende se você vai esperar ela terminar de levantar-se... Fim
Pessoal, como estou atrapalhado esses dias, não posso garantir com segurança quando sairão os próximos Bastidores e Crossing. Espero que dê tudo certo e eu continue publicando tudo normal. Até
Páginas Negras: Aquele que tudo Sabe e tudo Vê
Inventaram essa lenda. Dizem que sou o blogueiro que mais sabe o que anda se passando pela comunidade. Tudo bem que sou um dos poucos que está sempre em contato com o anjo Emmessenne do Gódi, tornei-me amiguinho da irmã do Tirano (o que não é Ewerton!) e já conheci dezenas de blogueiros através das minhas peregrinações pela estrada, mas chega a ser um exagero dizer que sou “Aquele que tudo sabe e tudo vê” como diz a Professora Cris. Ainda assim, gostei do presente e espero que esse meu “dom” sirva apenas para deixar nosso cantinho mais e mais unido. Puxa, como estava com saudade dessa sessão. Atrasei por demais e somente agora posso agradecer a cartinha que veio da Noruega e que muito me deixou feliz por realizar um belo “Tour” por aquelas terras geladas. Adorei os postais e estou ansioso por ver essa minha colega de profissão em algum dos “Congressos da Vida”.
Falando em cartinha, algumas pessoas descobriram meu endereço e estão me presenteando com coisas fabulosas. Adorei cada uma delas, mas fico acanhado por ainda não retribuir. Bom, vou adiantar que logo, logo estarei providenciando alguns “presentes” e peço que mantenham o sigilo da minha caixa de correio da estrada escura. Preciso manter meu mistério ainda, senão perde a graça... Bom, estou enrolando, enrolando e todo mundo deve estar perguntando “Não vai mais falar da Saga!?”. Peço que se contenham e aguardem pelos bastidores. Aqui, eu quero falar outras coisas, ora!!!! Bom, ainda assim agradeço a Nane pelas propagandas e mais uma vez autorizo a todos usar os selos que quiserem. E Já que toquei na Saga, o último Crossing-Blogs assustou a muitos, não!? “Os olhos vermelhos voltaram!?” foi o que disseram. Pessoal, vamos colocar alguns pontos aqui, principalmente pros novatos. Esses Crossing-Blogs se passam antes dos eventos de meu seqüestro (eu avisei isso), portanto, o que vocês virão ali não foi o retorno, mas sim a primeira aparição. “Aaaaaahhhh... Não entendi nada!!” vejo alguém dizendo. Bom, aguardem porque antes da saga farei um CB sintetizando e colocando informações adicionais sobre o que aconteceu durante e depois de meu seqüestro, organizando finalmente tudo na cronologia certa e fazendo assim um bom preparativo para a Saga. Ah, aquele Crossing-Blogs Especial com a Vamp se passará justamente depois desse CB dos "Olhos Vermelhos". Agora, para finalizar, um pedido feito por alguém que pouco conheço e que muito me assustou ao mandar por um morcegui-mail. Seu nome é Lestat, um vampiro muito misterioso que perambula nas sombras de nossa comunidade. Em sua mensagem, pediu-me para ajudá-lo numa noite romântica com sua amada Mortícia. E o que é mais romântico do que uma dança ao luar no cemitério, heim?! Bom, estou com a gaita e meu neto John desenrola no violão. Se o Zé não quiser ajudar, problema dele, pois hoje este lugar é seu, Lestat, meu amigo. E os demais divirtam-se a vontade!!!
Vejo vocês nos Bastidores com mais selos... Sombras...
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