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Coveiro ¤X¤
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Crossing Blogs: Em Sombras Parte 3 Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável.
Milhares de imagens inundavam um salão de teto alto ainda desconhecido por mim. Da mansão das beatas até o Bar Code, tudo era sutilmente captado e mostrado nos monitores que circundavam as paredes do lugar. O ser de máscara negra olhava com desdém as informações que lhe chegavam. Seu maior interesse estava ali, amarrado e amordaço numa cadeira no canto do salão. - Então, cara Val, não achas que já tirou muito de meu precioso tempo com sua teimosia? – o Crítico falou sem virar-se para a ruiva que lhe era refém. – O que ganha sofrendo ao invés de ser complacente e me ajudar? - Ara, seu Crítico! Ieu não vou dizer nadica de nada. – falou Val com coragem no olhar. – Só espera quando vierem me tirar daqui. Ai, vou querer ver sua cara... -Ora, Val, perca essa esperança! – disse o incógnito mascarado – Não vê que estou sempre um passo a frente de seus amigos? HÁ HÁ Há Há há há... Não muito distante do salão onde o Crítico dos Blogs gargalhava, dois corpos se esgueiravam por um estreito tubo de ventilação daquela construção. À frente, estava a misteriosa mulher que eu me deparara naquela madrugada, uma loira com ar provocante que se apresentou a mim como a Espiã da Noite. Logo atrás, este coveiro que vos escreve a acompanhava, sem enxergar um palmo adiante e confiando apenas no instinto de sua guia. - Tem certeza de que sabe exatamente por onde está indo? – questionei. - Trouxe você até o prédio que serve de fachada para o esconderijo do Crítico, localizei a entrada externa que me levou até o sistema de condução de ar e você ainda suspeita de que não sei o que estou fazendo? – disse a Espiã virando o rosto e me encarando com aquele olhar penetrante. – Venha... é logo ali. Ela se esticou com uma agilidade inerente a qualquer outra pessoa e colocou-se ao lado de uma tela por onde o ar circulava para o interior do prédio. Fez sinal com as mãos e me aproximei. Foi, então, que vi uma pequena movimentação de guardas mascarados em sua ronda pela madrugada. - Os dutos só podem nos levar até aqui. O resto teremos que seguir pelos corredores. – a loira voltou-se para mim e sussurrou. - São poucos os homens de confiança do Crítico, mas ainda assim estão em maior número que nós. - Eles têm armas?– falei observando o corredor através dos furos da tela - Pistolas com silenciadores. – falou a espiã. – É do interesse do Crítico manter o sigilo. Estes últimos andares pertencem a ele, mas todos os de baixo são comerciais. - E como vamos fazer? – argumentei erguendo a sobrancelha para ela. - Vamos aguardar o momento certo, Coveiro. – respondeu-me com todo o seu mistério.
Alguns andares abaixo dali, mais vigilantes mascarados averiguavam os corredores. Dois deles que cruzaram a porta que levava até a escadaria de segurança escutaram uma pequena movimentação vindo do andar de baixo. Ambos trocaram rápidos olhares e decidiram descer alguns degraus para verificar a origem daquele som. O primeiro deles puxou a sua pistola por segurança e ergueu-a firmemente preparando para abater qualquer intruso indesejado. Todavia, um vulto moveu-se rapidamente atravessando seu caminho e deixando apenas um leve rastro azul. O segundo mascarado mal teve tempo de puxar sua arma e foi derrubado como se o vento o tivesse lhe socado. Sem perder o ritmo, aquele vulto veloz empurrou a porta e ganhou os corredores, movendo-se na mesma incrível velocidade, deixando todo os seguranças atordoados. Seguiu assim até topar com o final do corredor, quando encontrou a caixa de energia dos últimos andares. Abriu a tampa e lá estavam a sua disposição os fios e disjuntores que alimentavam a eletricidade daquele setor. - Parado! – gritou alguns mascarados apontando as armas para o menino de camisa e boné azul, que já agarrava os grossos cabos negros com uma das mãos. - hi hi hi –Renatinho respondeu com seu riso familiar e puxou os fios. Tão logo as luzes daqueles corredores se apagaram, o veloz rapaz disparou daquele lugar e já estava num lugar seguro quando todos os seguranças mascarados iniciaram um tiroteio às cegas para capturá-lo. Surpreendido pela súbita interrupção das transmissões em seus monitores, o Crítico dos Blogs encaminhou-se a passos largos de sua mesa localizada no centro do salão e acionou um mecanismo que iluminou algumas das lâmpadas através da energia de um gerador reserva. Depois, procurou por seu comunicador e clicou no botão: - Algum de vocês, lacaios, é capaz de me informar o que está... O Crítico interrompeu bruscamente suas palavras e prestou atenção nos sons produzidos pelo comunicador. Entre gritos e balas, ele foi capaz de ouvir um de seus homens tentando-lhe passar uma mensagem. - Estamos sendo atacados!! Estão em toda parte!! – dizia a voz entrecortada pela estática. – Eles... Eles... Antes que o guarda pudesse completar sua frase e o Crítico começasse a se questionar onde ocorrera a falha em seu mirabolante plano, a dupla porta que dava para o seu recinto foi arrombada. Os últimos disparos de pistolas silenciaram e dois corpos dos seguranças mascarados foram arremessados pelo salão, caindo no tapete aos pés do Crítico. Ele recuou alguns passos atrapalhado, batendo suas costas na mesa e seu sangue deve ter gelado ao vislumbrar quem adentrava a porta. À nossa frente, estava a Espiã da Noite, estalando pausadamente cada dedo de sua mão e pousando sobre ele um olhar desafiador. Eu me coloquei ao seu lado, cerrando os punhos já usados contra seus subordinados, mas ansiosos para acertar o chefe deles. Sequer eu sentia um incomodo em meu braço deslocado dias atrás. Logo em seguida, Renatinho juntou-se a nós, com os olhos efusivos. - Você... você... eu não conheço você... – gaguejou o crítico. - Espiã da Noite com prazer. – falou a misteriosa loira e dirigiu um olhar para os monitores apagados. – Você não é o único que observa as coisas neste mundo. Num canto da sala, a Val começou a se debater na cadeira para que notássemos que ela estava ali. Renatinho correu em seu veloz ritmo até ela, tirou-lhe a mordaça e afrouxou a corda que lhe prendia os braços. - Acabou, Crítico! – gritei para ele. - Ora, cale-se, filhote de Coveiro. – gritou o mascarado e foi recuando até bater de costas com o parapeito de sua janela. – Tudo não passou de um pequeno erro de cálculo. Contudo, a presença de vocês aqui no meu covil não é de todo má.
E dizendo isso, o Crítico apertou um dispositivo em sua mão fazendo com que grades cerrassem as portas do salão. Virei para a nossa única saída e vi Renatinho tentando impedir que a última delas fechasse completamente o local. Contudo, seu esforço foi em vão e ficamos realmente presos ali. - Eu só lamento que o Coveiro Zé e os outros não estejam aqui para que meus intentos fosse concluídos de uma vez só. – continuou o Crítico. – Mas me preparei para muitas batalhas. Adeus, Filhote de Coveiro... Em menos de 5 minutos, vocês estarão apenas existindo na lembrança de seus amigos... Um pequeno helicóptero surgiu quase sem fazer barulho no janelão principal. Numa agilidade que eu nunca imaginei que aquele homem misterioso poderia ter, ele se lançou prédio afora e agarrou-se na borda daquela aeronave, sendo rapidamente auxiliado por um de seus homens a embarcar com segurança. - Maldito! – falou a espiã no parapeito da janela. - E agora?! – falou Renato. - Como saíremos daqui?! Xis?! - Acho que temos problemas maiores. – falei sentindo meu coração pulsar forte. - Do que está falando?! – questionou a Val. - Todo esse lugar está para explodir. – falei e parecia estar escutando os dígitos do marcador da bomba se mexendo. - Como sabe!? – Renato me olhou com desespero. - Temos que encontrá-la!? – falou a Espiã – Coveiro?! Está me ouvindo!? - Xis!? Você está bem?! – gritava a Val. Minha mente estava muito distante dali para poder responder aquela pergunta. Naquele momento eu me sentia diferente, como se meu corpo tivesse perdido o controle dos movimentos e ao mesmo tempo repleto de uma estranha tensão. Algo parecia estar pressionando meu peito, inflando-me por dentro, quase a ponto de explodir. Foi nesse exato momento que a cobertura que servia de esconderijo para o Crítico foi ao ares. As poucas pessoas na rua voltaram suas atenções para a parte mais alta do prédio, onde as chamas dominavam agora. Muitos pedaços de concreto foram lançados e chocaram-se nos prédios e calçadas ao redor. Em poucos instantes, as labaredas tomaram conta dos outros andares e todo o edifício tornou-se uma gigantesca pira. Ninguém que permanecera naquele prédio tinha como sobreviver e a morte teria sido o meu destino e de meus colegas se ainda estivessemos ali. Estava escuro e eu sentia toda a negritude ao meu redor. Lembro ser uma sensação angustiante, como que tomado por um frio intenso. Quando meus olhos começaram a distinguir um pouco mais à frente, reconheci meus companheiros. Val, Renato e a Espiã parecia estar tão assustados quanto eu, sem saber o que os tirou de lá. Depois, notei que olhavam admirados para mim e logo percebi o porquê. Todo o meu corpo parecia tomado por uma grande sombra e que aos poucos foi se esvaindo de mim. E enquanto meu corpo voltava a ter a coloração normal, a fraqueza me dominou. E tombei no chão inconsciente.. Fim Amanhã: Páginas Negras e depois mais bastidores da Saga...
Crossing Blogs: Olhos nas Sombras Parte 2 Algumas horas atrás, eu preparava meu almoço com a Ly quando fui surpreendido por um garoto dotado de incrível rapidez. Poderia arriscar que ele movia-se pela estrada mais rápido que qualquer automóvel. Seu nome era Renato e veio nos trazer a notícia de que a Val havia sido raptada. Decidido a ajudá-lo, conseguimos por milagre uma carona com um casal de velhinhos na estrada e voltamos até a Grande Cidade dos Blogs. Milhas depois, eu estava agachando na estrada marginal onde o Renato e a Val treinavam todas as manhãs. Procurava alguma pista do que havia acontecido, mas nada de muito claro se mostrava aos meus olhos. Pedi para o jovem velocista recontar toda a história me mostrando com detalhes e apontando cada canto onde o evento se desenrolara. - Você disse que era uma nuvem de insetos, não é?! – perguntei ao Renato - Sim. – ele balançou a cabeça. – Eram venenosos. Deixaram meus olhos ardendo por várias horas... - Não era veneno, mas escamas. – disse fitando-o. – Escamas soltas por asas de lepidópteras... Borboletas. Uma defesa inusitada do inseto... que foi usada para atacar você. - Borboletas? Que esquisito!! – falou a Ly. – Borboletas não fazem isso, ou fazem? - Não... ao menos não é comum. – disse levantando-me do chão e batendo a poeira da calça. - E encontrou mais alguma pista?! – questionou Renato. - Não. Se existe marca de sapatos ou algo que os raptores deixaram cair, eu não vi. - falei desconsolado. – As vezes, “Sherlock Holmes” falha... Dali, nós decidimos adentrar a cidade. Se realmente um seqüestro foi o que ocorreu, então, algum telefonema ou carta deveria ter sido entregue. Mas uma ligação para o Bar Code nos confirmou que nenhuma notícia sobre a Val surgiu. Já estávamos todos angustiados e decidi que seria o momento de procurar um bom lugar para dormir. Apesar de um pouco tarde para alguém novo, o Renato insistiu em nos acompanhar. Mesmo sendo um lugar perigoso, ele me disse que não haveria ninguém capaz de abordá-lo quando voltasse correndo para casa. Como concordava que aquela era realmente uma peste veloz, aceitei e fomos andando pelas calçadas mais desertas durante aquela madrugada a procura de uma boa pensão barata. Avançamos um bom pedaço, até que chegamos a uma larga rua iluminada por apenas um único poste com lâmpada em forma de globo. Estávamos todos quietos e tensos e uma leve sensação de arrepio tomou minha pele. Senti algo estranho e me virei para trás. Não havia ninguém ali, apenas uma mariposa que voava ao redor do globo atraída por sua luz. - Acho que estamos sendo vigiados... – falei num sussurro. Dito isso, senti que meus dois companheiros empalideceram e recuaram para trás. Voltei-me para eles e vi que estavam amedrontados. Talvez, tivessem a mesma impressão. Não demorou muito e minhas suspeitas se confirmaram. Um vulto cruzou rapidamente o nosso lado e depois se mesclou às sombras. Isso foi o suficiente para a Ly soltar um grito e ter deixado o moleque um pouco mais nervoso.
- Renato?! – falei sem tirar os olhos do lugar onde achava que estava aquele que nos observava. – Você acha que consegue carregar alguém como a Ly e correr tão rápido como faz. - Sem problemas. – disse-me ele de imediato. - Ótimo! – falei. – Tire ela daqui o mais rápido possível. - O quê?!?! Não... – reclamou a viajante. - Agora, Renato! – gritei – Leve-a daqui agora. Sem esperar outra reclamação da Ly, o velocista a agarrou a viajante no colo e disparou por uma das ruelas deixando apenas um leve rastro azul por onde passou. Em menos de um minuto, eu estava sozinho, apavorado com a quietude anormal dali. Olhei para todos os lados, girando os calcanhares e nada encontrando. Apenas a pequena mariposa se movia debatendo-se contra o globo. Repentinamente, o globo de luz estourou deixado apenas o luar dominar. Minha respiração parou e quando pensei em correr fui surpreendido por dois lindos olhos à frente. Engoli seco e então ouvi as primeiras palavras que saíram de sua boca, abafadas por um tecido que lhe cobria parcialmente o rosto. - Existem olhos a todo momento te observando, Coveiro X – era certamente uma mulher. – Somente as sombras te protegem, mantém você no anonimato. - Q-q-quem é você? – perguntei gaguejando. - Eu sou apenas mais um dos olhos que observa... – respondeu a mulher misteriosa - ...sem ser observada. Sou a Espiã da Noite. Ela se aproximou de mim. Correndo perigo ou não, era como a dança de uma serpente que me atraía. Minha visão começou a se acostumar com a escuridão e pude vislumbrar a bela mulher vestida de “collant” preto e com madeixas ainda mais loiras quanto a da Ly. Sinuosa, ela estendeu a mão para mim e mostrou o que havia dentro. Era a mesma mariposa do globo estraçalhada em sua palma. Vendo minha surpresa misturada com incompreensão, percebi que ela abriu um sorriso por baixo da máscara e disse-me: - Esses são os olhos que te perseguem. – falou aquela loira. – É através deles que tudo que vocês e seus amigos fazem são captados. – Ela baixou a cabeça e uma mecha pendeu acima dos olhos. – Foi assim que ele capturou a sua amiga. - A Val?! – sussurrei e lembrei-me do pouco que descobri hoje. – Mas quem está por trás disso tudo!? - Você já ouviu falar dele antes apesar de sempre se manter no anonimato. – disse a mulher. – Sei disso porque também observo você e os demais. – ela tinha a voz firme e segura. – Você deve lembrar de quando ele se colocou contra o Zé Coveiro ou quando o Deus foi silenciado por uma semana. Ele usa vários nome e mas prefere ser chamado de... - O Crítico?! – gritei na hora. - O mesmo. – Ela girou e deu-me as costas andando. – E como ele deu o primeiro passo, vou mexer minha peça também. Acompanhe-me, Coveiro, creio ser a única a poder lhe ajudar. To be Continued... Again Agora, mais um blogueiro misterioso se junta a nós... a Espiã da Noite
Crossing Blogs: Os Mais Velozes Parte 1 Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável. Eu estava a centenas de quilômetros dali e tudo o que sei foi o que me contaram. Eram as primeiras horas de uma manhã nos arredores da Cidade dos Blogs, o lugar conhecido por vários nomes pelos seus habitantes. Dois encapuzados andavam pelo gramado se distanciando das construções mais distantes da cidade. - Estou muito feliz que você esteja se saindo bem, Jovem pupilo! – disse uma voz feminina sob o capuz. – Vejo que até no caminho da meiguice você se mostrou rápido no aprendizado. - hi hi hi – o outro encapuzado menor em tamanho riu. – Ieu sou muito meigo. - Ara, e é mesmo! Agora, vamos ver se hoje você bate o seu recorde. – disse a encapuzada. - Pode deixar que hoje eu estou preparado! – falou o mais baixo, com voz de jovem rapaz. – Podia atravessar um lago correndo. - Não exagere. Não ache que por ser mais rápido nas pernas, será sempre o vencedor. – falou a mulher – Lembre-se que têm muita coisa a aprender com sua Mestra. – a mulher foi tirando o capuz e deixando o seu rosto e cabelos ruivos serem tocados pelo sol daquela manhã. – Afinal, não me tornei a Val, primeira e única por nada. - hi hi hi – o jovem voltou a rir e tirou o seu manto. Não passava de um rapaz de dezoito anos ou um pouco mais, com bermudas, tênis profissionais de atleta, uma camisa azul simples e um boné voltado para trás. Ele estalou os dedos das mãos e se colocou em posição de largada. - No três, Renatinho! – falou a Val erguendo um cronômetro. – Um... dois... tr... Mal a Val terminou o último algarismo, o menino chamado Renato disparou numa velocidade incrível em linha reta. Quem observava de longe, não poderia acreditar que aquilo estivesse sendo feito por um humano. Uma longa cortina de poeira era erguida por onde ele passava e em poucos minutos Renatinho alcançou os quilômetros marcados por fitas vermelhas. Tocou na última delas e deu mais uma de suas risadinhas de moleque.
- Val, pode marcar...hã?? – Renatinho virou-se e, mesmo naquela distância, percebeu que algo acontecia com sua mestra. – Vaaaaaallll?!?! O jovem retornou dando o máximo que podia de suas pernas. Sua pele estava plenamente esticada pela velocidade adquirida e quase não conseguia captar ar em seus pulmões. No meio do caminho, algo atravessou entre as árvores e moveu-se em sua direção. Renato mal podia acreditar naquilo que via. Ele foi surpreendido por uma estranha nuvem de insetos farfalhando as asas em sua direção. Assustado, perdeu a concentração e foi atingido por milhares daqueles animais. Sentiu seus olhos arderem, a vista embaçou e restou-lhe apenas cair no chão gritando de dor. E foi assim que começou essa história. Naquele mesmo dia, durante a hora do almoço, fiz sinal para a minha nova companheira de estrada, a viajante Ly. Apesar de ainda estar com o braço enfaixado, boa parte dos meus movimentos retornara. Poucas vezes sentia dor e me arrisquei a fazer a comida daquela vez. Enrolei a Ly dizendo que queria começar a testar minhas capacidades, porém o meu maior incentivo era comer algo que não tivesse gosto de queimado ou de fumaça. - Isso está com o cheiro bom... – comentou ela. - Lembra o mesmo cheiro da comida que eu almoçava quando pequeno na casa de minha avó. Boas lembranças... – falei daquele jeito quando me perdia nos pensamentos. - Você foi criado pela sua avó? – ela virou o rosto com um sorriso. – Poxa! Acho que isso explica você ser tão jeitoso... - Ly... – olhei para ela apertando os olhos. – Não me faça virar essa panela em cima de você. - Tá, desculpa... – ela fez cara de birra. – Só perguntei. Não precisa ser grosso. – ela ficou me olhando por um tempo e depois continuou. – Mas você foi criado mesmo? - Ai...- assoprei sem paciência e falei. – Não, Ly... Eu só passava os domin... o que é aquilo ali?
Levantei-me do chão e dei alguns passos a frente, logo a Ly se colocou um pouco atrás de mim, olhando por cima de meu ombro. Nossos olhos demoraram para captar o que era aquilo que fazia tamanha cortina de poeira na estrada. O tal ser ainda não identificado foi se aproximando e ganhando uma forma similar a humana. Em pouco tempo, o que quer que fosse parou diante de nós fazendo um pequeno barulho de derrapagem. A fumaça assentou e para a surpresa minha e da Ly tratava-se apenas de um rapaz, de boné e roupas simples um tanto empoeiradas. - Que peste é essa?! – falei num pensamento alto. - Você é quem é o Coveiro X?! – falou o garoto. - Sim... – olhei desconfiado para ele. - Sou eu mesmo... E você? - Eu sou o Renato. – falou ele e explicou-se. – Acho que a Val já falou de mim pra você... - Val... Ah... você é o pupilo que ela está treinando?! – ergui a sombrancelha. – Surpreendente. Mas, diga então, o que traz você aqui?! - Foi a Margot que me pediu para procurar você. – falou o menino – Disse que você poderia me ajudar... - Ajudar!? – Olhei rapidamente para a Ly. – Ajudar em quê?! - A encontrar a Val! – disse o menino. – Ela desapareceu. Acho que levaram ela. Algumas notícias têm um impacto tão real que realmente parecem um soco na boca do estômago. Senti algo assim ali, virei-me para a Ly e ela parecia tão desnorteada quanto eu. Nem ousei perguntar se ela sabia quem era a Val, mas de qualquer modo tinha certeza que ela iria me seguir para onde quer que eu fosse. E o nosso destino mudou repentinamente de direção nessa estrada. Estávamos retornando a Cidade dos Blogs. Naquele mesmo momento, num lugar onde desconhecíamos e que só me foi relatado depois, um homem misterioso trajando um distinto terno e com um rosto encoberto por uma máscara negra que mal permitia visualizar os seus olhos, observava vários eventos e pessoas através de inúmeros monitores adornando uma gigantesca parede. Repentinamente, esse ser incógnito perdeu o interesse pelo que se mostrava nas telas e retornou com passos demorados para o interior do cômodo. Enquanto andava, muitas borboletas passavam de um canto a outro, cruzando seu caminho. - Seu menino é rápido, Val! – falou o homem de máscara. – Mas não escapou de meus pequenos olhos que a tudo vêem. Infelizmente, na falta de uma riqueza de neurônios, ele foi escolher o seu amigo, o Coveiro, para ajudar. Apenas mais um rato de interesse para por em minha gaiola. O que me diz disso? - Hmmmm.... – num canto, amarrada e amordaçada, a Val tentava falar. - Também fico sem palavras diante disso. Bom, enquanto esses pequenos pedregulhos almejam se pôr em meu caminho, eu espero que tenha pensando bem, Val, em finalmente abrir mão de seus segredos. Não me olhe assim, minha cara. Em breve, sei que cederá e, então, poderei dizer que terei seu dom único de ser em primeiro. Será uma era em que todos temerão a minha ilustre pessoa, o Crítico dos Blogs. Hah hah hah hah... To be continued... E o menino veloz volta no domingo junto com a aparição de mais um ser misterioso dos Blogs...
Bastidores de uma Saga (2): Desenvolvendo uma trama... O termo Crossing-Blogs, que é incompreendido por alguns, na verdade é comum entre os amantes de histórias em quadrinhos. Originalmente usado como Crossing-over, nada mais são do que histórias de personagens conhecidos pertencentes a editoras distintas que se encontram numa história. O maior deles aconteceu no milênio passado entre todos os heróis da Marvel e DC que se confrontaram num evento de proporções épicas, depois de um demorado acordo fechado. No meu caso, usei o termo “Crossing” para que o meu “personagem” conhecesse cada um dos blogueiros, dando algo mais físico a esse mundinho. Tomando gosto por essas histórias, restava-me algo realmente interessante. Eu queria brincar com todos de uma vez só, numa gigantesca “revista em quadrinhos” dividida em inúmeras partes. Conversando com meu amigo Sétimo sobre algumas diretrizes deste evento, uma de suas perguntas foi se eu conseguiria trabalhar com tantos blogueiros numa mesma história. De fato, ele estava justamente me alfinetando com uma antiga opinião minha de que numa cena, não se deve trabalhar mais que cinco personagens ao mesmo tempo, para que nenhum fique apagado. Bom, minha única resposta é que eu estava promovendo uma série de tramas paralelas, onde pequenos grupos se formassem realizando pequenas missões. Algumas vezes, seria inevitável que todos estivessem juntos, mas estou seguro que em cada capitulo eu poderia focar alguns em especial. Suspeito que ficara até interessante ver eventos paralelos se desenvolvendo. A segunda questão de Sétimo seria o que faria todos esses blogueiros ficarem juntos. Nessa resposta eu sorri e disse “Sobrevivência”. Para alguns, já venho dizendo que essa Saga será um evento catastrófico no mundo dos blogs. Brincando, mas nem tanto, falava que “cerca de 2/3 dos blogueiros serão abatidos”. Pois é, para aqueles que estão acostumados com as piadas em meus Crossings, acho que vão se assustar um pouco com meu retorno ao suspense. Vou continuar fazendo um pouco de graça, só que serei um pouco mais cruel também. HehehEH... Obviamente, eu tenho uma linha na cabeça a seguir, mas os detalhes não foram escritos. Sei que posso alterar algumas idéias durante o curso e não tenho uma prévia segura ainda, mas todos estão agarrando no meu pé para saber mais dicas. Então lá vai mais uma. Bom, eu penso em trazer alguns vilões já conhecidos, mas acho que eles correm tantos apuros quanto nós. Algo grande está por vir, um ser novo que venho lapidando na minha cabeça e que não sei ao certo o que acontecerá quando eu libertá-lo para o Crossing. Bom, só me resta desejar boa sorte a todos. E mais cinco selos:
Coloquei o selo do Renatinho, pois amanhã começa um Crossing-Blogs seriado onde ele, eu, Ly, Val e outras misteriosas pessoas estarão em mais uma grande aventura. Aguardem. E nos próximos bastidores: O Primeiro Mapa do Mundo dos Blogs.
Crossing-Blogs: Mais alguém na estrada...
Alguns dias após os eventos passados no laboratório da Doutora, voltei para a estrada, porém não com o mesmo ritmo. Com o braço todo enfaixado, comecei a cansar com uma maior freqüência e sem a mesma habilidade para cozinhar, alimentar a fogueira ou simplesmente me coçar. Essas recentes dificuldades fizeram com que meu ânimo pela livre vida começasse a perder forças em prol de noites mais confortáveis numa cama com comida quente ao lado. Determinada tarde, quando acaba de despertar de um breve cochilo, escutei alguns gritos. Abri os olhos, direcionei-me para a estrada adiante e comecei a observar a distância uma jovem pequena, loirinha que acenava alvoroçada para um carro que vinha a toda velocidade. À medida que o automóvel se aproximava, ela agitava os braços com maior desespero e assim aconteceu até que o carro passou direto e o rosto da jovem esmoreceu decepcionada. - Já era o tempo em que se dava caronas para mulheres bonitas e desconhecidas na estrada. – gritei na direção dela. - AAAAiiiii... que susto! – ela deu um pulo pra trás e voltou-se para mim com os olhos arregalados. – Quem é você?! E o que está fazendo aqui? - Eu?! Bom, eu sou o Coveiro X e o que faço aqui é o de sempre, peregrinar por este caminho. – falei curvando num cumprimento. – Perdoe-me se a assustei. Todavia, é de assustar ver você sozinha por aqui, não é um lugar muito seguro pra... - Eu não me assustei! – falou ela olhando de lado. – E sei me virar muito bem sozinha, senhor Coveiro X. - Eu estou vendo... – falei com um sorriso nos lábios. – Bom, só queria te avisar que aqui é um lugar... um tanto perigoso. Os carros não param mais para dar carona porque têm medo e aqueles que param... bom, aqueles que param, eu acho que você é quem deve ter medo... essa estrada é cheia de lendas esquisitas... – virei-me e comecei a andar colocando minha mochila nas costas. - ...mas deixa isso pra lá, já que você sabe se virar. - Ei!! Ei!! – gritou a jovem correndo para me alcançar. – Espera... Você fala tudo isso e me deixa sozinha!? Olha, desculpa... eu posso te acompanhar? - Quer a companhia de um estranho?! Acabamos de nos conhecer e nem sei seu nome. - Ly! Me chama de Ly. – disse ela sorrindo. – Ly, a viajante. - Viajante?! – ergui uma das sobrancelhas. - É... não me olha assim! Tá, eu não sou muito de viajar por esses lugares, mas agora é o que eu quero. – e ela continuou tentando me convencer. – E aí você pode me ensinar algumas coisa já que diz ser o peregrino deste lugar. - Bem, eu... – tentei protestar. - Outra coisa, eu também posso te ajudar. Veja você! Está com o braço todo quebrado e não deve conseguir fazer muita coisa assim... - Não está quebrado! Só deslocado! – corrigi. - Foi numa briga com a Ameba. – falei e depois mordi a língua. - Ameba!? – ela arregalou os olhos. - Esquece! É apenas mais uma história fantástica minha deste lugar. Aqui já aconteceu de tudo, de reuniões com bruxos e deuses até lutas contra alienígenas em que o Soldier... - Soldier?! – Ly gritou de repente. – Você disse Soldier? – E pulou em cima de mim, agarrando-me pelos ombros. - AAAAaaaaauuuuu... – gemi quando ela me fez mover o braço deslocado. - Ai, desculpa! – falou ela sem jeito, mas não demorou para voltar ao assunto. – Você conheceu o Grande Soldier?! - Grande... Bom, ele não parecia tão grande assim... – falei contraindo a testa.
- Como não!? Ora, ele é grande, sim. E é maravilhoso, lindo e... - Bom, isso já fica por sua conta. – falei voltando a andar. - Ai, que sonho! Sabia que eu sou fã dele. – falou ela me acompanhando. – Acho que é uma paixão platônica, mas... mas... - Okay! Okay! Eu deixo você me acompanhar na viagem! – falei interrompendo-a. – E primeira regra do peregrino. Não fique falando demais durante o caminho. - Porque?! – resmungou ela. - Porque diminui a quantidade de ar que vai para os pulmões. Continuamos andando até a noite dominar por completo e nossos ossos congelarem. Ly pediu para pararmos porque estava exausta e eu cedi. Em outros tempos, eu agüentaria avançar mais alguns quilômetros, porém não tinha mais o mesmo fôlego naqueles dias. A viajante deixou sua mochila de lado e insistiu que queria acender uma pequena fogueira sozinha. Juntou folhas secas, gravetos e começou a esfregar umas pedras para alimentar a fogueira. - Se continuar alisando-as desse jeito não vai conseguir nada. – falei depois de estar agoniado com as inúmeras tentativas da jovem. - Desisto. – disse ela jogando as pedras. – E como faço, senhor sabichão!? - Usamos isqueiro. – falei e joguei-o para ela. - Você tinha um isqueiro aí e não me disse nada!?!?! – ela exaltou-se. Mostrei meus dentes num longo sorriso e ela desviou o rosto procurando esconder a raiva. Girou a pequena catraca e as faíscas deram fogo ao pequeno amontoado de vegetal morto que ela arrumara ali. Ficou calada admirando a chama quando finalmente voltou a falar comigo: - Xis, pra onde você está indo nessa viagem. – perguntou ela. Estranhei a sua pergunta e de fato não tinha uma resposta direta para devolvê-la. Recostei-me em minha mochila e comecei a remoer algumas idéias, enquanto olhava para o céu estrelado. - Eu vou para onde o sol continua brilhando... mesmo através da chuva que cai... indo onde o clima confortar minhas roupas... – disse quase divagando - ...Afastando-se do vento nordeste... navegando na brisa de verão... saltando por sobre o oceano como uma pedra. Mal tive tempo de continuar a música, virei-me e a minha mais recente companheira de viagem estava dormindo, aninhando a cabeça em sua mochila. Sorri e passei boa parte da noite pensando até onde as minhas andanças me levaram. Dia seguinte, acordei e lá estava ela com as coisas prontas e ansiosa por continuar o nosso caminho. Rapidamente enrolei minha manta, fechei a minha mochila e dei o primeiro passo. - Está pronta...?! – falei colocando-me ao seu lado. - Estou sempre! Não vejo a hora de ver as coisas fantásticas nessa estrada. Já estou até imaginando as aventuras que vamos passar, que nem a do maravilhoso Sol. E imagina só se a gente encontra ele no meio do caminho. Eu vou... Xi!? Ei, Xis!!! Espera!! Esperaaa!!! Fim O crossing da Ly acabou, mas ela continua comigo em algumas outras histórias. Amanhã, haverá mais bastidores da Saga e depois, um Crossing seriado com Renatinho e algumas pessoas muito misteriosas.
In Memoriam: Problema de cão Para quem não sabe, sempre fui um apaixonado pela vida animal, assistia aqueles vídeos da National Geographic e colecionava álbuns. Como não tinha bicho de estimação, me apegava a qualquer animal de rua ou criado por vizinho. Sonhava até em ter um lhama, por mais esquisito que parecesse criar uma no clima de Recife. Raras são as exceções de animais em minha lista de desagravo. Acho que a maioria que me conhece sabe que odeio tartarugas, por um motivo incógnito. Já o outro, trata-se de um cachorro, não um qualquer, mas uma raça em especial. A tal criaturinha não deve medir mais do que cinqüenta centímetros dos pés às orelhas pontudas. Alguém desacostumado poderia confundi-la até com um rato. Os olhos negros arregalados lhes dão uma impressão de zumbi. Já o latido, irrita até o mais calmo Hare Krishna. Não vi melhor definição para tal ser do que a de um “dublador de latidos” num programa de televisão quando disse que “Pinsher é daqueles que basta conviver vinte minutos para você ter vontade de arremessá-lo contra uma parede!” Quando tinha uns seis anos, tive meu primeiro contato com tal raça no prédio onde cresci, onde um dos moradores criava uma pequena matilha de quatro desses animais no seu apartamento. A princípio, enquanto olhava-os de longe, achei-os fantásticos. No entanto, quando me aproximei deles, notei que nossa relação não seria das mais agradáveis. O que parecia ser o “chefe” do bando, uma cadelinha chamada Xuxa, arreganhou os dentes para mim. Dei meia volta e comecei a correr, fazendo com que aqueles pequenos animais disparassem como chacais para cima de meus calcanhares. Minha sorte é que sempre fui muito rápido. Com o tempo, notei que eu me tornara a diversão daquelas pestinhas. Toda vez que eu descia para o pilotis do prédio, Xuxa e seus comparsas (dos quais não lembro o nome) corriam excitados para cima de mim. Não demorou muito para os monstrinhos ampliaram suas “dietas” por outras presas atacando meu primo ou outro amigo que estivesse junto comigo. Passei muito tempo naquele trauma até que um dia me deparei com uma cena inusitada. Estava a empregada da casa com apenas um dos pinsher, justamente a pretinha de nome Xuxa, de coleira no pilotis do prédio. Não me lembro por que motivos, achei que seria aquele o momento ideal de fazer amizade com a “líder” da gangue. - Oi, Xuxa! Tudo bem!? Olha, eu sou seu amigo, heim. Eu gosto muito de cachorros e... – obviamente, não me lembro do que falei, só sei que me abaixei e fiquei de olhos grudados com a cachorra tentando ter um dialogo sensato com ela, minha declarada inimiga. Depois de um papo razoável onde apenas eu abria a boca, ela aproximou-se com olhar curioso e começou a me cheirar. Cheirou a mão, o braço e foi receosa se aproximando mais e mais de mim até ficar cara a cara. Em dado momento, eu vi que ela balançou o rabo. Achei que a havia conquistado e então abri um largo sorriso. Foi justamente quando eu mostrava os dentes, que ela me interpretou mal e abocanhou meu beiço. Gritei, subi para o meu andarf chorando com a boca ensangüentada apesar de ter sido apenas um arranhão e decidi dali que meus dias de tréguas com Pinshers estavam encerrados. Fim Próximo: Crossing-Blogs com a Ly, a Viajante.
Bastidores de uma Saga (1): O primeiro sinal Quando criei o primeiro Crossing Blogs com o Coveiro Zé, a minha intenção inicial era apenas presentear o primeiro blogueiro com o qual mantive firme contato e que permitiu minha introdução numa comunidade que apesar de apelidada de virtual, tornou-se um dos grupos de companheiros mais coesos que já vi. Foi inevitável continuar a realizar mais daquelas histórias (que muitos chamam intimamente de CB) à medida que convivia dia a dia com os demais habitantes do Mundo dos Blogs. De certo, esses encontros do personagem Coveiro com os blogueiros foram ganhando peso maior na Lápide a ponto de que não se poderia associar meu Blog a outra coisa que não fosse aos Crossing Blogs. Eu estava com uma coisa muito grande nas mãos e não tinha idéia ainda do que isso se tornaria. Aos poucos, foram lançados neste mundo bloguístico alguns rumores de que em meados de junho uma história de proporções dantescas estaria para começar. Mantive esses boatos longe das minhas Páginas Negras porque eu não saberia dizer se de fato isso se tornaria oficial. O tempo passou e estávamos às “portas” do mês prometido. Era o momento para que o Coveiro X tomasse uma posição. E hoje chegou o dia de anunciá-la.
O nome é Crossing Blogs Saga e esse é o evento em que todos os blogueiros já citados em minhas histórias estarão reunidos numa longa batalha que certamente durará meses, sem previsão definida para encerrar. Com estréia marcada para a última semana de junho, essa Saga seriada será publicada em dois dias da semana na lápide, todas as quartas e domingos. Nas próximas semanas, vocês estarão ainda acompanhando alguns Crossings Blogs normais como o da Viajante, Renatinho, John Paul e alguns outros. Ainda assim, aqueles que não conseguiram entrar antes do começo da Saga, podem estar sujeitos a aparições durante a grande história dependendo apenas dos rumos que a trama seguir. Até que esse tempo chegue e mesmo durante a Saga, uma nova sessão se firma na Lápide: Bastidores de uma Saga. Nela, você poderá se divertir um pouco com materiais de apoio, histórias que ajudaram na confecção do evento, esboços de desenhos e até enviar perguntas e sugestões para o bom andamento deste gigantesco Crossing. Só para começar, estou lançando os primeiros selos de propaganda da Saga com cinco integrantes da história. Outros cinco serão lançados no fim desta semana e mais outros sempre que eu voltar a colocar mais informações nessa sessão. Deixo aqui a autorização para pegar os selos e publicar em seus blogs se assim desejarem. Próximo: Um pouco sobre a trama... Aguardem...
Crossing Blogs: Transformação Parte 2 (Clique em algumas figuras para ampliar) Os dias se passavam, mas pareciam os mesmos. Sem idéia se era dia ou noite, despertava sempre com os resmungos de Toleezinho quando errava seus cálculos e rasgava o papel. Creio que já fazia uma semana que eu era a única testemunha dos avanços do trabalho do ex-dirigente da Blog-Tech na confecção de um novo polímero. “Têm que ser resistente como uma rocha para impactos externo e ao mesmo tempo maleável para que ela possa se locomover com destreza, Coveiro” dizia o engenheiro químico como se eu pudesse compreender seus cálculos e continuou “Mas o problema de hidratação já está resolvido... ao menos em tese”. E era assim, em tese, que o uniforme da criatura que se referiam como a Ameba era construído no papel por Toleezinho. Num desses dias, quando ouvimos os créditos finais de uma novela, a única coisa ali que tirava a concentração de Tolee, eu pude escutar os passos arrastados da Ameba atravessando o piso inferior. - Puxa!! O Angelo Leonardo foi enganado mesmo... – comentou o Engenheiro Químico parecendo preocupado com a trama de “Tormentos da Paixão” que escutava com os ouvidos grudado na porta. – O que está fazendo aí agachado, Coveiro?! - Estou tentando identificar se escuto alguns outros sons. – expliquei. – Quero saber se a Doc e o seu assistente ainda estão vivos. Não escutei a voz dela, só a do rapaz. O que será que Ela fez com a Doutora? - Você acha que Ela pode ter...?? – Toleezinho arregalou os olhos. - Não! – gritei – Espero que não! Senão Ela teria me matado também... - Coveiro, você acha que... essa Ameba... foi a Doutora quem criou?! – perguntou o químico sentando-se numa cadeira ao lado. - Bom, no passado, um pouco antes da Blog-Tech fechar, algo aconteceu... – falei em resposta e meu pensamento se perdeu. – Só não imaginei que a Doutora tivesse dado andamento a esses seus experimentos... Repentinamente, fui interrompido pelo barulho da porta do porão se destravando. Eu e Toleezinho nos levantamos do chão e fingido tratar de outro assunto. A luz do corredor deixou o vulto se aproximar e logo percebi que não era a criatura que entrava. Visivelmente, era pequeno e tinha todo o corpo proporcional.
- Quem é? – disse tentando acostumar meus olhos com a repentina claridade. - É o assistente da Doutora! – falou Tolee. - Vamos, agora! Eu vim tirar vocês daqui! – disse o jovem com a franja quase caindo aos olhos. - Esperem!! – gritou Toleezinho – Meu trabalho... - Não! – agarrei o químico pelo braço e falei. – É nossa chance! Vamos sair agora.
Por um instante, o ex-dirigente da Blog-Tech olhou para seus papéis espalhados sobre a velha mesa, iluminados pela vela e depois se voltou para mim meneando a cabeça. Descemos os três a escadaria que foi dar num corredor iluminado apenas por dois candeeiros. Entramos no laboratório e já partíamos para a saída quando repentinamente parei. Dei meia volta, seguindo em direção a porta onde estava escrito a palavra “escritório” e a abri. Acendi as luzes e não encontrei ninguém. - O que está fazendo? – perguntou o assistente. - Onde está a Doc!? – virei para ele. – Eu não vou deixá-la aqui sozinha aprisionada por aquela coisa... - Ela está bem! É melhor você ir... – falou o jovem voltando para me puxar pelo braço. - Escuta aqui, garoto! – disse me livrando de sua mão. – Eu não vou sair sem a Doc! - Senhor Coveiro...!!! – falou a voz familiar da Doutora atrás de mim. Girei a cabeça e olhando por cima dos ombros, deparei-me com a velha colega de profissão, com um rosto pálido, cansado e com o jaleco manchado por uma gosma amarelada. Reparei naquelas manchas e não esqueceria o que era aquilo nem que se passasse uma centena de anos. - Doutora! A senhora está bem?! – falou Tolee. - Vamos embora!! – disse agarrando ela. – Não temos tempos para conversa. - Porque não os levou embora logo!! – disse ela ao assistente e se desvencilhou de meus braços. – Vá embora, Senhor Coveiro! Vá logo!! - Mas e a senhora, Doutora!? – estranhei me aproximando dela. - Será que não entende?! – ela se afastou mais ainda de mim e começou a gritar. – Vá! Vá embora agora! Vá agora!!! - Doc?! – gritei ao vê-la cair no chão. Nunca pude imaginar que aquilo estivesse acontecendo na minha frente. Primeiro, vi a minha colega de profissão, se contorcendo no chão e tamanha era sua agonia que sua pele mudara de cor. Aos poucos, foi tornando-se num tom amarelo pálido . Aos poucos, o corpo da Doutora foi perdendo a forma, membros e pescoço se alargando. O cabelo negro desapareceu como que englobado dentro de si. Ao mesmo tempo que se deformava, sua consistência tornava-se translúcida. Em poucos minutos, a minha velha amiga estava transformada naquilo que chamavam de a Ameba. - Hi hi hi hii ha ah uh uh Hu... Precisava ver seu rosto agora, Coveirinho... A Ameba estendeu seu pé como um grande pseudópodes e com isso deu um passo à frente. Repetiu assim com o outro e foi andando até mim. Aquilo era algo estranho demais, um ser composto de várias células unidas e sem delimitações entre si, mas que ainda assim preservava a existência de alguns órgãos vestigiais como uma pequena boca e olhos diminutos. - Doc, o que você fez?! – falei andando até ela. - Você não está falando com a Doutora agora! – gritou a criatura e lançou um gigantesco pseudópode que envolveu meu pescoço e ergueu-me no ar. – Ela não está aqui. - Ugh! – minha voz quase não conseguia sair da boca. – Doc! Eu! - Tentei ser boazinha com você... – disse a Ameba e lançou mais dois pseudópodes agarrando meus braços. - ...mas já devia imaginar que você iria me causar problemas cedo ou tarde. - Ei, solte o Coveiro! – gritou Toleezinho e partiu para cima da Ameba em defesa.
Numa rápida resposta, a criatura distendeu uma projeção de seu corpo e acertou Toleezinho no tórax derrubando-o sem dificuldade. Ela virou o rosto para o assistente e o ameaçou com outro pseudópode se tentasse algo estúpido. - Agradeça a Deus por ser tão necessário, Tolee. – falou a Ameba e retornou o olhar para mim. – Não posso dizer o mesmo do Coveirinho aqui.
Dizendo isso, eu senti a pressão em meus ombros. Com seus pseudópodes, a Ameba estava retorcendo os meus dois braços causando-me uma dor terrível. Meus dentes trincaram e os olhos já estavam desfocando tamanha era a dor que sentia. - Doc... eu sei que está aí... Ahhhhh... – gritei e ao mesmo tempo ouvi um estalar em meu braço. - Não ouviu quando eu disse que a Doutora não está... – insistiu Ela. - Está sim! Sei que está! Ahhh... – mais um estalido e gritei. – Docccc... Subitamente, fui arremessado ao chão. Caí tentando proteger o braço provavelmente deslocado e lágrimas rolaram. Virei-me para o lado e vi que a criatura entrava em conflito. Estava se debatendo, num duelo mental entre Ela e a real Doutora. No final, ela caiu no chão e restou apenas a Doutora aos prantos, após uma rápida transformação. - Senhor Coveiro! – repetia ela. – Eu quase o matei! Quase o matei!!! Horas mais tarde, estávamos todos sentados na bancada do laboratório escutando toda a história da Doutora. Eu, com o braço enfaixado esquerdo, surpreendi-me com a decisão de Toleezinho. Mesmo contra a vontade da Doutora, ele decidira ficar por uns dias e ajudá-la. Por pior que fosse a tal Ameba, ela era parte da Doc e ninguém melhor que o ex-dirigente da Blog-Tech para ajudá-la. Despedi-me de todos no começo da noite e parti. Epílogo:
Sem que fossemos capaz de perceber, naquele dia como em muitos outros estávamos sendo observados. Num grande salão, milhares de monitores ornavam uma gigantesca parede num lugar ainda desconhecido por mim e por muitos de nós. Nesse mesmo cômodo, milhares de lepidópteras esvoaçavam num balé natural pelo lugar. No centro, parado e de braços cruzados para trás, estava um homem de terno e rosto incógnito. Mesmo debaixo de uma máscara, ele sorria. - É com pesar que vejo esse pequeno evento que tanto atraiu o meu interesse nesses dias terminar de uma maneira tão trágico-cômica como se fosse mais um reles capítulo da exaustiva novela que tanto a tal “Ameba” se diverte. Ainda assim, continuarei a observar os dois lados que se separam aqui... – falou ele. – Veremos quem entre esses ainda me motiva a um bom duelo antes da derrocada final destes desprezíveis blogueiros. E dito isso, deu as costas e saiu da sala. FIM
Crossing Blogs: Reencontros Parte 1 (Clique nas Figuras para ampliar)
Já tinha ouvido falar que ela construíra o lugar apenas a alguns metros do cemitério, na beira da mesma estrada que sempre viajei. Era uma construção de tamanho razoável, no mínimo com dois andares e deveria ter sido custado uma alta verba dos financiadores, apesar de agora o lugar estar com as paredes sujas e o jardim de entrada mau cuidado. Não havia zeladores e consegui entrar facilmente subindo as escadas até o salão principal que dava no imenso laboratório. Dali, já escutava a voz familiar de anos atrás. Escorei-me na porta e com um jeito maroto falei: - Ora, ora... a quanto tempo, Doutora?! - Esse sotaque... Senhor Coveiro!? Sentada numa cadeira de rodinhas, eu vi a Doutora virar o rosto para mim, consertar os óculos que estavam já caindo na ponta do nariz e sorrir. Levantou-se rapidamente e veio até mim para dar um abraço. Ela não envelhecerá um só dia. - Que saudades! – falou ela. – Não nos vemos desde... - Desde o fim da Blog-Tech! – complementei. – Foi a última vez que uma grande cúpula de homens da ciência estiveram reunidos. - Foi o fim dos bons tempos. – disse a Doutora e virou-se para fazendo um sinal. – Quero que meu assistente conheça o meu velho amigo. – o jovem rapaz de franja estendeu a mão e apertou firme a minha. A Doutora continuou sua explicação ao rapaz. – O Senhor Coveiro era o meu mais fiel parceiro tempos atrás. - Estou lembrando do nosso trabalho nas madrugadas. – falei e fechei os olhos relembrando. – Muito trabalho, muito café... e, no final, tivemos até um imprevisto incomum. Lembra, Doc?!
(Para saber sobre o passado do Coveiro e da Dra procure informações no Perigo Biológico!!!)
- É. Lembro... – percebi aqui que a Dra. apagou o sorriso e tentou mudar de assunto. – E o que o trouxe aqui?! Depois de longa viagem, resolveu me procurar? - Depois de ter me puxado as minhas orelhas em sua carta, eu tinha que vir. – disse sorrindo. - De que carta está falando, Senhor Coveiro?! – falou ela assustada - Ora, Doc! – sorri mostrando o envelope – Desta que a senhora me enviou uma semana atrás. Vim correndo querendo saber do que se trata. A Doutora tomou a carta de minhas mãos e examinou-a com cuidado. Em seguida, olhou para o jovem de franja que pareceu ainda mais apavorado. Então, devolveu-me o envelope e disse: - Senhor Coveiro, acho melhor voltar para sua estrada o quanto antes. – disse-me ela dando as costas e dirigindo-se até a porta. – As coisas não estão boas ultimamente. – ela colocou a mão na testa com se tivesse uma repentina dor de cabeça. - Algum problema... – fui dizendo e partir para ajudá-la. - Não. – falou o jovem assistente segurando a minha mão. - Adeus, Senhor Coveiro. – disse ela fechando a porta. Eufórico por ver o sofrimento de minha ex-colega de profissão, puxei meu braço com força me livrando do assistente. Corri para a mesma porta por onde ela tinha partido e abri. Era uma ambiente mal iluminado que lembrava algum tipo de escritório. Mal coloquei meus pés dentro, senti forte pancada na cabeça. Bati os dentes com força e minha vista escureceu. - Ah, finalmente! Então, você está vivo, Coveiro! – falou alguém na escuridão. - Essa voz... eu lembro... – falei apalpando a cabeça no lugar da ferida. - Faz muito tempo, mesmo. Pensei que não ia lembrar. – disse a mesma voz. – Até parece uma reunião de ex-membros da Blog-Tech. - Toleezinho?! – falei surpreso.
Foi então que pude ver a meia-luz que saia da única fresta daquele lugar o rosto do grande pesquisador e último dirigente da Blog-Tech, o engenheiro químico Toleezinho. Os últimos anos o envelheceram um pouco, mas não poderia nunca deixar de reconhecê-lo. - O que está acontecendo aqui? – questionei. - Uma ótima pergunta, sabe. – ele respondeu irônico. – Venho repetindo-a todos os dias que passei aqui. - Dias?! – surpreendi-me – Você esta preso aqui a dias? - Use o plural agora, Coveiro. – corrigiu ele. – Nós estamos presos aqui a dias. Não tenho idéia, mas já deve ter passado mais de uma semana que Ela me manteve aqui. - E onde estamos?! – perguntei. - Numa espécie de sótão. A única porta é uma que está com cadeado ali no canto. – Toleezinho acendeu um isqueiro e deu alimento a uma vela. – Uma vez ao dia e uma vez a noite, Ela traz refeição e água. Fora isso, Ela só abre a porta para ver como anda o projeto. - Projeto?! – Forcei a mente tentando lembrar de algo, mas tudo estava perdido. - Sim. O projeto de um traje. Um traje que seja flexível, resistente e o mais importante: capaz de protegê-la contra dissecação. – o engenheiro químico foi me mostrando alguns desenhos e cálculos incompreensível em suas folhas. – Foi para isso que Ela me raptou. - Ela?! – já estava me perturbando toda aquela confusão. – Quem é Ela? Como se estivesse esperando a minha pergunta, a porta do sótão se abriu e um vulto estranho apareceu contra a luz. A principio eu poderia afirmar ser humano, todavia aquilo não se movia como tal. Seus membros se mexiam de uma maneira impossível para a estrutura humana ou de qualquer outro animal de biologia conhecida. Era como um fantasma que se amoldava a cada passo. - Vejo que meu novo anfitrião acordou! – falou aquele ser. – Aproveite bem seus últimos dias aqui, coveirinho, pois o motivo que me fez trazer você aqui é bem menos confortável que o do seu velho amigo. - O que quer de nós? – perguntei. - Do químico, eu só desejo um meio de sair segura por aí, mesmo de dia. De você, não quero nada. – Ela falou. – Você só está aqui porque é o único lá fora que sabe algo sobre mim. É o único que poderia oferecer um perigo para a Ameba, mas isso só enquanto estiver vivo. Hi hi hi hii ha ah uh uh Hu... To be continued Quem quiser saber sobre o meu passado com a Doutora basta ir no Perigo Biológico e olhar os últimos arquivos. Agora, eu só volto no domingo . E um aviso rápido: Estou devendo alguns crossing, tenho outros em mente, mas desde o número 3000, eu parei de presentear ganhadores com CBs!! Para o 6000, vou ter que pensar direitinho o que vai ser, pois NEM esperou eu anunciar o prêmio. Quero as provas enviadas pro coveirox@hotmail.com, JP!!!
Crossing-Blogs Especial: Vermelhos Silenciosos (Clique em algumas figuras para ampliar!!) Um rosto branco um pouco mais pálido que o normal, cabelos negros desgrenhados caído sobre os olhos, o mesmo nariz delgado e pontudo, queixo proeminente e ar cansado. Era esse o reflexo que via no espelho. Massageei as bochechas com as mãos e escorei-me no balcão da pia, fitando-me diretamente nos olhos. - É. – disse quase divagando. – Eles simplesmente se foram. - Simplesmente? Você só me diz isso?! “Simplesmente se foram”? Mirei a minha atenção para outro ponto no espelho e assim podia enxergar a imagem da mulher que estava atrás de mim. Escorada num canto da parede, estava a mulher que um dia quase me mordeu. Seu nome, Paola, uma bela vampira de gingado italiano, com longos cabelos ruivos e olhos castanhos. Nos últimos eventos, ela foi a responsável por reunir uma liga para me libertar de um seqüestro. - Paola, eu não posso dizer mais do que sei. – falei. – Em algum momento, os olhos apenas deixaram de ficar vermelhos. - E o Sr. Coiso? – insistiu ela Sorri com a maneira que ela insistia em chamar a tal entidade que veio até mim durante o cativeiro. De lendas que nunca pensei terem alguma veracidade, surgiu o que não tenho palavras para definir, um ser composto de almas muito antigas que funcionam em uníssono. Posso reconhecê-lo apenas como aquilo que originou as histórias fabulosas nas diversas eras. - Não, Vampira. – falei me virando para ela. – Nada mais daquelas inúmeras vozes mórbidas, não há mais um som naquelas línguas diversas, não há mais palavra saindo de minha boca que não seja as de meu consentimento. Está quase um perfeito silêncio. - Esse quase aí me diz que restou alguma coisa que você não quer me dizer... – falou ela com segurança. - Tem sim. – baixei a cabeça. – São raros, mas ainda restou alguns sonhos. - Que sonhos? – perguntou ela. - De tempos e lugares diferentes. – falei. – Quando acordo não lembro direito sobre o que são... Mas ainda bem que se foi! Estava ficando perigoso... - Perigoso? – Paola flexionou a testa. - Sim. Quando ele se manifestava, eu sentia sua vontade, seus pensamentos, seus sentimentos e eles se confundiam com os meus. Juntava minhas forças para manter o controle, mas não sabia se podia agüentar por mais tempo. – suspirei e me recostei na pia - É diferente do que eu li a respeito. Ele está em mim, mas não me aceitou... não consegui controlá-lo... - Ele falou algo a respeito sobre isso... sobre hospedeiro. Disse em italiano algo sobre não ser você, mas estar em seu sangue. Será que...
- Paola, eu não quero nem cogitar certas hipóteses... – falei para ela inspirando profundamente. – O mais importante agora é que... o sr. Coiso... está em silêncio agora. - Você está com medo que ele volte, né? A minha resposta para a pergunta dela foi dada apenas com um longo olhar. - E quanto aos guardiani?! O Pablo não respondeu a meu último e-mail. Guardiani. É a palavra em italiano para guardiões. Nesse caso, Paola está se referindo exclusivamente ao grupo da sociedade fechada que por centenas de anos dedica-se ao estuda da vida pós-morte, da alma e, principalmente, da entidade que uniu-se a mim. - E o que eles poderiam dizer em retorno? – dei de ombros. – Se não vão conseguir me ter através de vocês, vão tentar outro meio. Acho que não irão desistir tão facilmente. Então, dei uma última olhada para ela e atravessei a porta. Fim... por enquanto... Com essa conversa, pude colocar um pouco de explicações sobre o fenômeno dos olhos vermelhos e seu sumiço repentino desde a semana passada, notados recentemente pela Vamp. Paola, Rhian e a Dra continuarão resolvendo esse mistério na liga e continuarei postando aqui algumas informações.
In Memorian: Tudo Por uma Manga.
Assim que dobrei a esquina do quarteirão e fui me aproximando do meu prédio, notei uma movimentação incomum. Garotos desconhecidos estavam subindo no muro do edifício onde eu residia, escalando a velha mangueira que ficava nos jardins e literalmente roubando os frutos verdes do pé. Cheguei até perto deles incrédulos, não podia acreditar que aqueles moleques estavam tirando algo que eu e meus vizinhos do condomínio esperávamos tanto tempo até que voltassem a crescer. Parei diante deles, cruzei os braços e fiz cara feia. Aqueles que ainda me notaram, olharam de lado e rapidamente me ignoraram. Mordi o lábio e o meu sangue ferveu. Fui correndo chamar o zelador do condomínio e assim que o encontrei, delatei os pequenos surrupiadores de manga. O Zelador, que se chamava Dário e tinha fala embromada, foi comigo até o local e espantou todos dali. Alguns custaram a sair de lá, e enquanto outros revoltados soltaram injúrias para o Zelador. Um deles, no entanto, olhou para mim e percebeu que fui eu o autor da denúncia. Ele me apontou para todos os seus colegas e, em resposta, fizeram um singelo gesto: Fecharam um punho e em seguida começaram a bater repetidas vezes com a outra mão neles. Depois, saíram correndo pela outra rua. - Eu to f... ferrado! – falei, mas na hora devo ter usado a outra palavra mesmo. Fui para casa, almocei, fiz minhas tarefas, mas não conseguia tirar a imagem dos meninos me ameaçando. Lamentei a besteira que fiz. Eles agora sabiam tudo de mim: onde morava, onde estudava e o horário em que largava. E pelo que me recordava, todos usavam um fardamento da escola pública da região mais barra pesada do bairro, ou seja, Sargento Camargo. Dia seguinte, assim que chegou o horário final das aulas, virei para meus amigos que costumavam retornar a pé comigo até a parada de ônibus e expliquei meu problema. Todavia, ao invés de me ajudarem com alguma idéia, todos eles inventaram uma boa desculpa para ficar longe de mim.
- Xiii... hoje meu pai vem me buscar! – desculpou-se um deles. - Ah, vou ter que ir para outro lugar antes!! – falou outro mudando de caminho.E assim sumiram todos. Fui voltando cabisbaixo, sozinho e pinando pelo que estava a minha espera quando alguém fala comigo. Olho para trás e lá estava meu primo Dudu, uma no mais novo, que estudava no mesmo colégio. Sorri com alegria e comentei com ele tudo o que acontecera. - Pedras. – disse ele abaixando-se e pegando uns bons paralelepípedos. Fiz o mesmo e assim enchemos os nossos bolsos. Decidimos ali um rápido plano de defesa. Ao invés de entrar pelo portão da frente de nosso prédio, daríamos a volta no quarteirão, pediríamos para entrar no prédio vizinho onde tínhamos amigos e de lá pularíamos o muro para os pilotis de nosso edifício. Assim, pegaríamos todos de surpresa. E foi exatamente assim que foi feito. Quando nos jogamos de um lado ao outro do muro e preparamo-nos para um combate, encontramos ninguém a nossa espera. Tudo parecia calmo e tranqüilo. - Ué, cadê eles?! – disse sorrindo aliviado e voltei-me para o meu primo. – Não vieram. Todavia, antes que nós dois pudéssemos comemorar o fim prematuro daquela batalha, foi chegando o zelador do meu prédio. Ele olhou para mim e falou: - Sabe aqueles meninos que estavam roubando mangas, ontem? Estavam aqui!! - E-e-estavam esperando do lado de fora? – perguntei gaguejando - Não! Estavam aqui! Aqui dentro do prédio! – explicou Dário com seu jeito rápido de emendar as palavras – Mas botei todos para correr. Eu e meu primo trocamos um longo olhar e nele já estávamos acordando o que iria acontecer dali por diante. Na manhã seguinte e vários dias depois, íamos para a escola armados com o que nos era permitido. Entre diversas quinquilharias de combate, Dudu portava consigo uma pistola de pressão daquelas que atiravam bolinhas azuis que doíam bastante. Entre muitas coisas, eu carregava nada mais nada mesmos do que um pedaço largo de cano, com um “joelho” na ponta lembrando um taco de hóquei. Ganhei até o apelido de Casey Jones e quem conhece o personagem sabe que não estava muito diferente dele. E assim passaram-se algumas semanas, meses até, eu e ele voltando juntos e bolando planos de um combate que o destino nunca fez acontecer.
Fim
Páginas Negras: Coveiro pra toda obra... Vamos começar a Páginas Negras de hoje com um assunto sério. Bem, estava ontem conversando com a Leopolda das Beatas, quando a mesma me informou que um Blogueiro literalmente havia falecido nos últimos dias. Seria ele o responsável pelo Blog Difamação, que não atualizava a bastante tempo o seu diário virtual e com isso começaram a surgir boatos em seus comentários sobre sua morte. A partir disso, prometi a Leopolda averiguar, pois eu e Godi tinhamos o MSN que por sinal ele dividia com sua irmã. Na manhã desta segunda-feira, encontrei-me com ela e pedi informações sobre o Tirano. Em resumo, após longa conversa, tenho que ser o interlocutor desta notícia. Infelizmente, aqueles que visitavam o Difamação e o odiavam, vão continuar se mordendo de raiva. Isso mesmo!!! O Tirano está vivo e não se chama Ewerton coisa nenhuma. Seu único problema continua sendo a falta de tempo, coisa que o fazia atrasar o blog a um bom tempo!! Acho que o podemos por um ponto nisso, então. Vamos falar agora de boas notícias!! E como comecei falando das Beatas, venho aqui dizer que já mandei o E-mail o Jô Soares contendo a minha imagem santa e beatificada pedindo para que de uma vez por todas as nossas tias apareçam ao vivo e a cores na televisão. Vamos chatear a produção até eles nos atenderem, tias!! Podem clicar no desenho para aumentar!!
Já que entrei numa campanha, não podia faltar em outra. Para o Blog do Mocotó, resolvi pagar três micos de alto risco só para que nosso amigo finalmente seja o primeiro esse mês no TopBr! Dessa vez eu estou lutando arduamente, viu seu Mocotá!! Vamos as fotos: Boituva – SP - Brasil Quem me conhece sabe que topar altura não é meu forte! Mesmo assim, ganhei ou céus para ajudar você!
Amboseli Park - Quênia Outra muito arriscada!! Encarar um bando de feras esfomeadas não é qualquer amigo que faz.
Rocinha - RJ - Brasil Por fim, a mais difícil. Essa foi durante uma ação da polícia no Morro.
Agora, um recadinho de última hora!! Estou muito feliz por presentear vocês com algumas historinhas divertidas e ao mesmo tempo ganhando muito com o sorriso e carinho de todos que aqui visitam. Ainda isso sendo mais que suficiente, com que gigantesca alegria eu recebo hoje uma caixinha muito curiosa em minha casa. Lá estava o nome da pessoa que me fez tirar um grande sorriso. Abri com alegria e adorei todos os presentes, sabiamente escolhidos: Saúde que é o que todos nós precisamos e Proteção que é a marca de meu nome. Quero dizer que adorei o cartão, achei a letrinha a coisa mais fofa do mundo e que está tudo guardado com a maior devoção no meu quarto. Um grande beijo meu para você. Recentemente, estou descartando títulos reais e virtuais, para mim são amigos e ponto.
O Coveiro se despede por hoje... Sombras...
Crossing-Blogs: Questão de Pais, Filhos... e Netos. Passado longo tempo de viagem, chega o dia em que todos desejamos retornar o mesmo caminho e assim relembrar cada bom momento que se passou. E foi isso que me fez retornar ao Cemitério dos Blogs, visitar meu amigo Coveiro Zé. Aproveitando também o meu retorno, resolvi tirar uns dias para descansar no clima sossegado do cemitério, acompanhado apenas de minha gaita, sempre tentando tirar alguma canção decente dela. Estava numa tarde sentado no muro que circundava todo o lugar, soltando algumas notas quando fui interrompido. - Você é que é o Pai do Coveiro Zé!? – ouvi de uma voz infantil Virei meu rosto assustado, sobrancelhas arqueadas e encontrei um garoto que não deveria ter mais de doze anos, mais ou menos alto para sua idade, cabelos castanhos claros cheios e olhar de quem estava aprontando alguma. - Como é que é?! – falei sentando-me de frente para ele sem descer do muro. - Você não é o Coveiro X?! – insistiu ele. - Sou, mas... – respondi. - Entaum, você é Pai do Coveiro Zé... – o menino colocou os braços na cintura. – Foi Deus que disse. - Ah! Sei. – Falei lembrando do que se tratava. – Eu mato o Gódi! Olha, menino, aquilo é uma brincadeira de um maluco que não tem mais nada o que fazer... - Eu vim pedir ao sinho para ser coveiro! – interrompeu-me ele. - A mim? – movi a cabeça para trás. – Como é teu nome, guri?! - John! – respondeu de imediato. - Olha, John, eu... Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, uma voz dura veio de longe e logo pude reconhecer como a pertencente ao mais temível blogueiro de toda a comunidade, o Coveiro Zé. - Você ainda está aqui, seu pentelho?! – gritou Zé para ele. - Eu vim pedir pru seu pai para ser coveiro, tambéim!! – respondeu o menino. - Ele não é meu pai, menino maluco! – gritou o Zé. – E tira essa de Coveiro da cabeça! Dois aqui já são suficientes! Por que não escolhe outra coisa? - Ta bom! – disse o garoto e correu porta a fora do cemitério. O coveiro Zé deu as costas resmungando e eu voltei a desenrolar algumas notas descompassadas na minha gaita.E assim passou-se o dia até o fim da tarde quando ouvi uma nova confusão numa ala distante do cemitério. Fui me aproximando e lá estava mais uma vez o Zé aos gritos.
- Eu já disse que não tenho filho de doze anos nenhum! – falou o Zé. Fui me aproximando dele e lá estavam o meu companheiro de profissão junto com algumas de nossas amigas blogueiras que estavam ao seu redor. Tão acalorada estava a discussão que mal notaram a minha presença. - Mas é só disso que o povo andou falando a tarde toda! – retrucou uma menina loirinha que eu conhecia a pouco tempo nessa época. - Quem?! Quem andou falando, Mariam!? – Zé batia os pés. - A cidade toda! – falou Aninha, outra blogueira de cabelos ondulados escuros. – Eu até vi quem era o menino de que falavam. Era pequeno, cabelos castanhos longos, engraçadinho e... - Oi, Papai!! – disse a mesma voz que eu escutara pela manhã. Entrando pelas portas do cemitério vinha novamente o garoto John, com muita alegria e desta vez usando uma espécie de jaleco sujo e que de tão grande ele o arrastava no chão. Eu e o Zé nos entreolhamos e vi os olhos de meu amigo acenderem com brasas de tanto ódio. - Menino, eu já não te disse para desistir dessa idéia de coveiro!? – exaltou-se o Zé. - Mas eu não queru mais ser coveiro. – respondeu o John. – Sou legista agora, papai. O Legista John. - Papai!? Que onda de papai é essa?! – Zé deu um passo à frente e o menino recuou para trás das meninas. - Ei calma aí, Zé! – falou Aninha. - Eu tenho minhas suspeitas que isso tem o dedo do Gódi no meio... – pensei alto. - Eu falei cum ele pra mi ajudar a montar meu Blog! – falou John exaltado. – Legista John, o Dissecador de Blogs! O Zé enterra e eu recorto! - Eu vou é te enterrar!! – gritou o Zé e o John voltou a se proteger entre as blogueiras. - Oh, Zé, não grita assim com o menino! – defendeu Mariam. - É, gatuxo! É só uma criança! – interveio Misnay, uma outra blogueira de cabelos negros. - Segura ele, vovô! – falou John ainda escondido entre as meninas. - Como assim, vovô? – perguntou Aninha. - Ai, ai... – levantei os olhos pro céu. - O Xis é o pai do Zé e meu avô! – explicou o menino de imediato. - É verdade, Xis? – a Mariam olhou atravessado. - Fazer o que... é o que Deus quis... – falei entortando a boca.
- Mas você parece ser tão novinho, gatuxo! – falou Misnay. – E se você é o pai, quem é a mãe do Zé?! - Boa pergunta! – E lembrei que nem o Gódi tinha essa resposta. – Zé não teve mãe, não! - Como assim, não teve mãe? – retrucou a Aninha. - Errr... O Coveiro Zé nasceu de um ovo! – falei o que me veio na hora. - Como é? – todas as meninas e até o Zé gritaram - Um ovo! – falei segurando meu riso e mostrando com as pontas dos dedos mais ou menos o tamanho. – Achei o ovo e coloquei numa chocadeira. O Zé nasceu numa chocadeira. Com essa as meninas não resistiram e houve uma explosão de risos, e nem eu e nem o John nos agüentamos e juntamos àquelas gargalhadas. - Tá me sacaneando também, Xis?!. – o Zé voltou-se para mim com os olhos vidrados. Eu também não tenho, Mãe!! – falou o legista de imediato. – Uma de vocês não quer ser minha mãe, não?! Pode ser a Misnay!! - Eu?! – a blogueira ficou vermelha. – Bom, foi ótima a visita, Zé, mas lembrei de um compromisso... - Está tarde! É melhor irmos... – disseram Mariam e Aninha já partindo. - Ei, esperem... – pediu Zé. E assim se despediram rapidamente todas as outras blogueiras, cruzando o portão do cemitério. O Coveiro Zé foi seguindo-as pedindo em vão para que voltassem. Quando a ultima deixou o lugar, o meu companheiro de profissão virou-se com a cara mais horrenda que já vi nele um dia. - Não fica assim, Pai! – falou o John com um sorriso gigantesco. – Saiba que seu filho ti ama muito! – e logo o pirralho completou. – Sem ressentimentu de gay, claro! Sem dar resposta, eu vi o Zé se aproximando da tumba onde havia deixado sua pá, sem desviar os olhos do John. - Guri... – falei para o menino. – É melhor começar a correr. E aquela foi a noite onde os defuntos menos tiveram sossego no cemitério. Por altas horas da madrugada, ouviam-se gritos: Gritos amedrontados do John correndo do Zé. Gritos ameaçadores do Zé dizendo que ia enterrar o John. Gritos suplicantes meus para o Zé não matar o legista. Fim
Crossing Blogs HQ : Sina de Coveiro
Fim
Páginas Negras: Informações Expressas Bem, pessoal, vocês acabaram de ver o Crossing Blogs HQ, uma idéia que tinha a tempo e demorei a colocar aqui. É como relembrar um pouco minha infância, criando pequenas histórias em quadrinhos de curto tamanho. Coloquei algo semelhante no Criaturas essa quarta. E nada mais justo do que voltar ao cemitério para homenagear meu amigo e primeiro blogueiro que conheci, o Coveiro Zé. Abraços, Chefe!! E falando em homenagem, voltarei agora no domingo para colocar aqui o Crossing de meu neto, o Legista John, explicando de uma vez por todas qual a origem de nosso parentesco. Isso vai contar com algumas participações muito especiais. Eu tava devendo um presente a esse menino a bastante tempo. E falando em presentes: Eu ganhei dois essa semana: Esse é o desenho do Coveiro X, sob os olhos do Soldier. Não tem idéia de como eu gostei do estilo sombrio. É tanto que resolvi posar do lado e ver como fico nesse ambiente. Valeu, cara!! Fico feliz com seu retorno.
E esse foram minhas amadas titias beatas que tiraram uma foto para mim. Li com muito carinho o que tem escrito, fiquei todo metido me achando o sobrinho preferido e resolvi dar um jeito de estar também na foto. Próxima vez em Água de Lindóias, o Coveiro X tem que visitar a Mansão do Arco da Velha. Beijão a todas e eu amo todas também!! Agora, só voltarei para a estrada no domingo!! Eu estou meio doente também...
Sombras...
Fugindo da estrada...
Hoje eu estava reservando o dia para colocar mais um In Memorian, porém desisti logo no começo da manhã. Optei por algo diferente, hoje. Não será nenhum Crossing-Blogs e nem Páginas Negras. Hoje, estou fugindo da estrada. Ao menos por um dia, eu preciso disso. Eu quero desabafar. Por essas páginas tem passado muitas pessoas, alguns amigos meus que conheço pessoalmente a anos, outros que convivo aqui a mais de dois meses nesta comunidade e os demais que passam aqui desapercebidos todos os dias sem mesmo deixar comentários. Para esses que vêm e sempre voltam, chego a arriscar que temos uma característica em comum: adoramos histórias, ouvir e contá-las. E é mais ou menos assim que você definiria o Coveiro, apenas um contador de causos, diferindo de um pescador por sempre ter uma versão mais tenebrosa dos acontecimentos. Foi mais ou menos assim que comecei, seja numa conversa noturna ao pé de uma velha casa de granja ou mesmo rabiscando ilustrações numa folha de papel, criando realidade e mistificando o real. Tudo isso acabou levando-me um dia a desejar pôr essas histórias num pedaço de papel, dando-lhe o nome de conto. E assim arrisquei meu intento, passando por todas as etapas que os iniciantes de lápis e folha na mão passam. Aconteceu dessa maneira até que a última barreira fosse vencida: meu escrito teria que ser lido por alguém. E somente assim seria concluído o que chamei várias vezes de ciclo da escrita, quando nossas palavras chegam ao último destino, o leitor. Fui me coordenando nos últimos cinco anos, dando semi-vida a muitas histórias que se acumulavam em rascunhos de papéis e arquivos de meu computador, porém poucas delas completaram seu ciclo. Muitas se perderam antes que eu tivesse coragem de dar-lhes plena luz, destiná-la a outros, tudo por medo de que não passassem de palavras desconexas aos olhos estranhos. Só nos últimos dois anos é que lastimei quão tolo eu fui. Não importava quantos erros ali tivesse ou quão inocente era o enredo, aquilo era parte da minha história, de meu próprio conto. Acho que inconscientemente, acabei retratando esse meu medo, que é tão comum a todos que escrevem, num conto que denominei “A história do menino que vivia debaixo da pia”, também apelidada por Leo de “A versão negra do Pequeno Príncipe”. Desde aquele tempo até o final do ano passado, acabei me destinando a projetos maiores no meu tempo livre. Mas de tão grande, acabei sendo consumido. Eu não conseguiria terminá-los. E, junto a isso, surgiu uma fase muito ruim. Foi no final dessa Idade das Trevas que nasceu esse Blog, a Lápide Um blog que eu criei quase desacreditando em mim mesmo, mas que usei para me reconstruir, me reconhecer. Foi uma nova Era Introspectiva por quase um mês inteiro, quando finalmente caminhei por outros blogs, fui conhecendo outras pessoas e, de repente, encontrei-me rodeado de gente que me queria muito bem. Sem quase perceber, estava inventando histórias por inventar, brincando com elas, como fazia quando pequeno. Nenhuma delas com grandes pretensões. Sem destino, estava completando muito e muitos ciclos. E estive sorrindo desde então. Todavia, vez ou outra, o sorriso mingua por um tempo, sempre que um companheiro desse mundo diz que está partindo. Pode parecer até uma birra infantil ou mesmo egoísta, mas toda vez que acontece eu vejo parte do que alimenta a lápide indo embora. E me vejo tremendo, com medo de que um dia ela também não tenha força para aqui estar. Bem, amanhã, tudo volta ao normal, rumo a estrada... * Acho que só conversei com uma única pessoa desse mundo sobre o que foi a Idade das Trevas, quero agradecer a ela mais uma vez e pedir desculpas por estar meio chato nesta quarta. Deve ser a lua... Meu muito obrigado a todos.
Crossing Blogs: Fim do Jogo Parte 3 (Clique nas figuras para ampliar)
Nos últimos dias, estive lutando numa guerra que entrei por acaso. A estrada levou-me até aquele campo, onde dois lados se confrontavam por motivos ainda ignorados por mim. De um lado, estavam alienígenas de cores metálicas que misteriosamente instalaram-se ali dando início a sua invasão. Do outro lado, estava o blogueiro o qual me aliei, o soldado a quem as mais famosas batalhas daquele mundo se referiam. Por longo tempo, apenas eu e Soldier éramos a única resistência contra os aliens. No nascer do sol do terceiro dia, juntaram-se a nós Peter Pan e Mocotó. Era chegado o momento final. Seria aquela a nossa última investida. Virei-me para o lado e lá estava Soldier abrindo espaço enquanto derrubava os aliens que se punham em nosso caminho. Eu cuidava do flanco a nossa direita, onde outros dos nossos inimigos se aglomeravam disparando saraivadas de seus disparos energéticos sobre nós. Meus dedos já cansavam ao pressionar o gatilho e explodindo um a um cada alienígena. - Vamos avançar! – falou Soldier movendo o braço e correndo. Ouviu um estrondo a certa distância e algo atingiu uma das maiores naves inimigas que dominavam o céu. Aquela espaçonave perdeu o controle, começou a rodopiar sem destino até ir ao solo esmagando outras tantas criaturas que se investiam contra nós. Olhei para trás e descobri que foi o Mocotó o autor do disparo, colocando de lado a sua bazuca fumegante e acenando para nós. Enquanto eu e Soldier corríamos em direção a base alienígenas, o Peter Pan Punk desceu dos céus em surpreendente velocidade, deu um rasante sobre grande massa de inimigos aliens e deixou para trás apenas o seu rastro brilhante com muitas das criaturas coloridas tombadas. O menino do pó, então, fez sinal positivo com os dedos, mas logo vi que seu rosto ficou perturbado de imediato: - Ah, não! Soldier!!! – gritou ele – Olha lá!!! Eu e Soldier olhamos para um ponto distante no descampado e vimos que um pequeno jipe militar verde se aproximava a toda a velocidade rumo a “colméia” alienígena. O automóvel continuou incansável atropelando tudo que estava a frente até sumir numa cortina de fumaça oriunda de uma das naves caídas. - Ah, Não!! – gritou Soldier. – Vamos, Coveiro! Temos quer chegar primeiro. - O que foi ? Quem é!!?!? – gritei. Soldier não esperou para me dar uma resposta, guardou suas armas nos coldres e tratou de correr como um raio até a entrada da base de alienígenas. Sem perder o ritmo eu disparei na mesma direção, porém preocupado com algum alienígena que estivesse perto e nos surpreendesse com um tiro. Já estávamos às portas da grande “colméia” quando ouvimos um estrondo vindo do interior da base. Mais uma grande explosão e uma parte daquela construção alienígena se fez em pedaços. Eu cobri os olhos, não entendendo ainda o que aconteceu. Todavia, como Soldier havia previsto, todas naves perderam energia e caíram. O mesmo aconteceu com as pistolas nas mãos do aliens, que começaram a falhar. - Droga!! – gritou Soldier trincando os dentes. – Ela fez de novo!! - Ela?! – exaltei-me! – Ela quem?! - IEU, ARA!! – as portas da base alienígena se abriram. – A Val! Primeira e única - Val? – falei sem acreditar no que via.
Para minha surpresa, lá estava ela, a Val, igualmente vestida com roupas militares, segurando um gigantesco rifle que deveria ter quase o tamanho dela e com um largo sorriso ressaltando as bochechas. - AHUhauHAUHuah... Foi você, Val!? – falou Mocotó se aproximando com sua bazuca nas costas. - Eu não acredito que ela fez de novo!!! – gritou o jovem Peter Pan pousando ao nosso lado e caminhando com os braços retesados até nós. – Val, sua porrrrrtaaaa!! - Ara, que foi?! – replicou ela. – Eu tenho culpa se você é uma anta e não consegue chegar aqui a tempo?! A confusão foi se estendendo entre os quatro e eu continuava sem entender como a Val chegara até ali e sozinha colocara em ruínas toda a base alienígena. Na verdade, eu continuava sem entender nada do que acontecera ali desde que pus os pés naquele lugar. Alguns minutos de discussão depois, eu me distanciei alguns passos do grupo e vi o perigo que nós rodeava. - Ei, pessoal!! Acho que temos problemas!!! – chamei a atenção de todos.
Soldier foi o primeiro a se virar e logo engatilhar as suas pistolas, sendo seguido por Val que colocara seu rifle na posição, mocotó que erguera novamente a bazuca e Pete que abriu um sorriso como se estivesse feliz por restar um pouco de emoção. Também ergui minha arma, apontando-a para frente. Estávamos cercados por todos os lados. Eram dezenas dos alienígenas coloridos que projetavam gritos com sua voz cheia de estática e resolutos em nos atacar mesmo sem suas armas carregadas. - Ah, já chega! Já perdeu a graça mesmo. – gritou Soldier. – Fim do Jogo!! E dizendo isso, o Soldado apertou um botão vermelho num pequeno mecanismo que cabia na palma de sua mão. No mesmo instante, todos os estranhos alienígenas multicoloridos foram desaparecendo como se fossem feitos de luz, que agora fora apagada. - O que foi isso? – gritei com os olhos arregalados e virando-me para o Soldier. - Eu desliguei eles... – falou mansamente o soldado. - Como assim?! Como assim “desligou” eles? – disse ainda perdido. - Ora, desliguei, ué. Acabou a brincadeira!! – falou Soldier. - Tudo por causa da Val! – reclamou Peter – Ei, Soldier, da próxima vez podemos tentar um ataque contra uns piratas e... - Peraí!! Um minuto!! – gritei já enfurecido. – Vocês estão me dizendo que eu passei três dias cansado, com fome, lutando contra esses alienígenas e tudo não passou de uma simulação. - Ué, Xis! Você não sabia?! – estranhou a Val. – Isso tudo é criação da cabecinha do meu querido Sol!! Minha resposta foi o capacete no chão e um monte de palavrões. - Cara, vai dizer que não gostou? – perguntou Soldier cruzando os braços e erguendo a sobrancelha. Torci o nariz para eles, não querendo admitir e isso fez com que todos tivessem um acesso de risada, que logo me contagiou. Gargalhamos por muito tempo e terminamos aquela manhã com um bom almoço naquele fim de mundo desolado.
Me despedi no fim da tarde, seguindo mais uma vez meu caminho pela estrada escura. Caminhei por altas horas até que minhas pernas cansaram, mas a minha cabeça não. Decidi parar, encostar num tronco de árvore e atualizar meu diário. Todavia, a pouca luz ambiente me impedia de conseguir meu intento. Fechei as páginas e minhas memórias voltaram-se para os últimos dias. Bruxas, deuses, vampiros, meninos voadores e tantos outros seres estupendos ao meu redor. Comecei a me perguntar como o Soldier conseguiu criar tudo aquilo do nada. Levantei-me e lembrei das palavras de Electra dias atrás. “...imagino quão surpreso ficará quando souber do que você é capaz de fazer.” Foi o que ela disse. Ergui-me do chão e fechei a minha mão esquerda me concentrando. Fui abrindo os dedos aos poucos e vi o pequeno globo de luz sair de meu punho e flutuar no ar. Era de um azul brilhante da mesma cor do fogo-fatuo. Então, sorri e meus olhos brilharam. Fim
E foi assim que se encerrou os eventos daqueles três dias de guerra. Tempos depois, Mocotó, Soldier e eu formamos uma estranha gangue que batia em cães vira-latas virtuais e só nos recuperamos deste vício após nossos repentinos e misteriosos desaparecimentos em nossos Blogs. Já Peter Pan continua até hoje utilizando seu mágico “pó” para detonar comments virgens. Já a Val resolveu treinar um jovem pupilo em sua arte milenar... mas isso só será contado um outro dia.
Crossing-Blogs: Jovens da Resistência Parte 2 (Clique em algumas figuras para ampliar!!) Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável.
Já era minha segunda noite naquela profunda e larga vala que servia como nossa única proteção contra os seres extraterrestres que se instalaram misteriosamente naquele descampado. Para mim, tudo ainda era muito ilógico. Desconhecia totalmente a origem de tal raça de aliens, as motivações de sua invasão e o que queriam de nós. Por inúmeras vezes perguntei ao meu único companheiro naquela guerra essas e tantas outras perguntas, todavia ele sempre desviava das respostas, talvez porque não sabia ou, pior, sabia e não queria me contar. Quando acordei de meu último descanso, não encontrei o Soldier dentro da trincheira e isso me preocupou. Se houvesse mais uma investida daqueles estranhos alienígenas, eu teria que rechaçá-los sozinho. Munição parecia não ser problema ou assim me disse o blogueiro. “Qual a arma que você gostaria?! Eu posso arrumar!” falou com essas palavras. A noite estava silenciosa e restava-me apenas tomar cuidado, ficar alerta a qualquer barulho estranho. Foi, então, que eu decidi pegar meu lápis e atualizar meu diário de viagem com os últimos eventos. Retratei as minhas impressões desses dias, quando fui surpreendido por alguém se jogando na trincheira. - Calma sou eu! – Reconheci de imediato a voz de Soldier e baixei a arma. - Onde você esteve esse tempo todo!? – reclamei com ele de imediato. - Fui espionar de perto o que eles estavam fazendo. – falou o blogueiro pegando sua mochila. – Tinha que entrar naquela base e ver como era por dentro. - Você é louco!? – exaltei-me. - Calma, coveiro. Eu tomei cuidado – Ele moveu o braço para que eu me acalmasse. – Eles não podiam me ver. Eu entrei lá disfarçado de rato. - Hã!? – encolhi o pescoço para trás. – Você é louco, mesmo!
Soldier sorriu e finalmente tirou o que queria da bolsa. Era um daqueles binóculos de lentes avermelhadas brilhantes que permitem que vejamos no escuro. Ele passou a espiar a noite, enquanto eu voltei a lanterna para o meu diário continuando as minhas anotações. Já era quase dia quando voltei a falar com ele: - Descobriu alguma coisa quando entrou lá? – perguntei. - Sim. Sei agora como funciona a energia deles. Tudo é gerado por um único reator. É através dele que as naves voam e as pistolas são recarregadas. - Parece até coisa de filme... – comentei – E é um reator de quê? - Ah, não sei... – falou ele despreocupado. - E descobriu o que eles levam naqueles containeres? - Ah, sim! – falou ele sem se viram. – São canetas esferográficas. Aquelas da bic, sabe? - Eu juro... – falei balançando a cabeça. – Juro que não te pergunto mais nada. O soldado gargalhou desta vez e, então, tornou a cabeça para o lado de fora da trincheira. O sol já nascia forte no horizonte quando o blogueiro se ergueu animado e virou-se para mim. - Nossos reforços!! Eles chegaram!!! – gritou
Levantei-me cobrindo o rosto para que a luz nascente não me ofuscasse e, finalmente, pude ver quem era o grande grupo paramilitar que nos ajudaria nessa empreitada. Para meu desespero, e já alimentando minhas suspeitas, o grande grupo era composto por apenas dois, um menino e um cara que eu já conhecia muito bem. - Coveiro, quero te apresentar um grande amigo meu! – Soldier virou-se para o menino e continuou. – Peter, esse é o Coveiro X. Estendi a mão para o jovem e comecei a associá-lo com um antigo personagem dos contos infantis. Sim, o Peter só poderia ser por causa do menino da Terra do Nunca. Ar de criança, orelhas meio elficas, cabelos loiros e roupas verdes, todas as referências se voltavam realmente para o Peter Pan. Por outro lado, ele detinha outros detalhes incomuns como pirercing, argolas e tatoos que fazia dele a versão “punk” do personagem infantil. - Falou, X! – disse Pete
- E esse aqui é o Mocotó!! – apresentou o Soldier. E lá estava o mais árduo competidor dos TopBr, o senhor Mocotó, com roupas militares, sorriso constante na boca e com um enorme bazuca pendurada em suas costas. - Esse aí eu já conheço até demais. – falei. - UHAUhauHAUhau... Que saudades, Mr. X!!! – riu Mocotó - Só não sabia que era soldado nas horas vagas, Mocotá! – ergui a sobrancelha para ele - Bom, não temos muito tempo para velhas conversas, pessoal!! – falou o Soldier – Os aliens estão já a ponto de arriscar um ataque contra a nossa resistência. Portanto, vamos agir antes deles. Eu e o Coveiro vamos a todo custo tentar infiltrar na base e enquanto isso vocês dois podem nos dar cobertura. Gostou do plano, Coveiro? - Sinceramente... continuo achando que você é louco!! – dei de ombros. - Xiii... Soldier, acho melhor se apressar!! Olha lá em cima. – disse Mocotó apontando para o alto e vimos diversas espaçonaves discóides se aproximando. - Droga! Ataque aéreo!! – gritou Soldier. – Peter, precisamos de você agora! - Tudo bem!! Eu trouxe bastante pó!!! – gritou Peter Pan pulando para fora da trincheira. - Pó?! Como assim pó?! – perguntei abismado. Antes que alguém se atrevesse a responder minha pergunta, o menino Peter Pan “High-Tech” saiu do chão e ganhou os céus como um foguete. Voava pela imensidão daquela manhã deixando um rastro brilhante no céu por onde passava. Quando encontrou o primeiro disco voador à frente, disparou sobre ele atravessando-o por dentro. A nave alienígena atingida perdeu o controle e começou a cair explodindo assim que chegou ao chão. Sem perder tempo, o menino da Terra do Nunca repetiu o mesmo ataque em outras espaçonaves. - Eu vou ajudar ele!! – gritou Mocotó correndo para o campo de batalha e procurando um lugar seguro para armar sua bazuca. - Agora é nossa deixa, Coveiro! – falou Soldier. - Eu devo estar ficando maluco também! Só me tira uma dúvida! – falei enquanto me juntava a ele. – Vocês todos usam também esse “pó”, né?! Dessa vez, eu também ri com ele. Devia ser contagioso, pois já estava adorando toda essa miscelânia de fantasia e ficção, por mais insana que fosse. Então, começamos a correr pelo enorme campo em direção a aquela “colméia” alienígena. To be continued... Again
Crossing-Blogs: Campo de Batalha Parte 1 O sol começava já a cair, deixando as primeiras manchas avermelhadas cobrirem todo o horizonte. Era um ótimo momento para um descanso. Principalmente, com imagem tão bonita a ser admirada. Afastei-me da estrada indo até a margem onde uma grama alta e verde elevava-se acima de minha cintura. Caminhei lentamente em direção aquele pôr-do-sol, deixando a brisa leve percorrer meu rosto e brincar com o meu cabelo. Tudo parecia mais que perfeito. Foi quando mantive meus olhos cerrados, me concentrando apenas no vento e no som da natureza que escutei um zunido crescente. Mal me virei e vi milhares de objetos negros e discóides cortando os céus a minha volta e partindo para além de um morro mais à frente. Eu mal podia acreditar. Duvidei de minha sanidade e, como sempre acontece nessas horas, eu não ficaria tranqüilo até atestar se tudo aquilo era real ou não. Corri até a colina e sorrateiramente elevei minha cabeça para espiar do outro lado. E o que encontrei do outro lado é praticamente inenarrável. Tentando explicar em poucas palavras, o que lá vi parecia uma construção metálica que mais lembrava uma colméia, e ao seu redor, estavam milhares de formas humanóides magérrimas e de diferentes tonalidades de cor. Não podia ainda identificá-las com precisão e, por isso, arrisquei-me descendo o pequeno morro até o outro lado a fim de estudar melhor o que era aquilo que lá se encontrava. Quando estava próximo o bastante, atestei que todos aqueles estranhos seres eram alienígenas. Sim, aliens como nos filmes de ficção de Spielberg, humanóides de cabeças grandes e compridos membros finos. Eram de diversas tonalidades de cores, porém sempre com o brilho metálico. Já os olhos eram vítreos, negros e assustadores. Ainda não conseguia entender o que eles faziam ali, mas me pareceu estarem transportando alguma coisa em pequenos containeres para o interior da estranha “colméia metálica”. Antes que minha curiosidade me levasse para mais longe, ouvi um estranho barulho como uma rádio fora de sintonia. Virei-me para trás e me deparei com um pequeno exército das tais criaturas extraterrestres. Elas vinham armadas, estendendo os magros braços armados com pistolas estranhas. - Ah, não!! - exclamei vendo o apuro que me meti. Novamente, as criaturas soltaram seus estranhos chiados da boca e suas armas começaram a zunir, acumulando alguma energia em suas pontas. Comecei a me afastar, recuando alguns passos, esperando ser fuzilado ali mesmo, quando escutei um estrondo. Logo em seguida, a cabeça de um dos aliens havia desaparecido e seu corpo caiu imóvel no chão. Eles pareceram confusos e voltaram às armas para todos os lados. Mais outros disparos foram feitos, e os alienígenas foram sendo aniquilados um a um. Sem saber direito de onde vinham os ataques, aquele pequeno grupo foi definitivamente exterminado. - Cara, essa foi por pouco! Ainda bem que eu estava perto. – ouvi uma voz. Virei-me imediatamente e encontrei um rapaz jovem de cabelos castanhos escuros curtos, muito sorridente e com roupas militares. Em suas mãos, duas pistolas ainda fumegavam pelo cano.
- Muito louco, isso, heim?! – falou ele, pensando alto. - Oh, sim, não é todo dia que eu me deparo com alienígenas multicoloridos tentando me matar. – falei não perdendo a minha piada. – E você é o...? - Soldier! Isso mesmo!! – disse ele e depois voltou à cabeça para mim. – Desculpe não ter me apresentado! Você é o Coveiro, não é?! - Se minha pouca fama chegou até você, fico feliz. – respondi. Estendi a mão para apertá-la e ele respondeu de imediato. Todavia, mal terminamos o cumprimento, mais sons estranhos que lembravam uma distorção de onda de rádio chegaram até nossos ouvidos. - Ai, não!!! – resmunguei - Melhor darmos o fora!! – falou o Soldier e começou a correr, guardando as armas nos coldres. – Eu não tenho munição suficiente aqui!! As multicoloridas criaturas surgiram adiante. Milhares delas, vindas de todos os lados desta vez. Virei-me para trás e corri, tentando seguir o Soldier lado a lado, enquanto uma saraivadas de disparos de natureza desconhecida passavam entre nós. Comecei a gritar e meu desespero fez com que eu fosse ultrapassando o Soldier. - É aqui!!! – gritou ele. – Cuidado!!! Sem entender o que ele quis dizer, virei a cabeça para trás e repentinamente meus pés ficaram sem qualquer apoio. Meu corpo lançou-se ao ar e, então, cai. Depois de cuspir poeira, balançar a cabeça para os lados, eu notei que estava em um buraco largo, escavado como um corredor e cheio de sacos, equipamentos e armas. Logo, em seguida, vi que Soldier pulou dentro dele e se agachou. - Isso aqui é uma trincheira? – falei me erguendo. - É, sim, cara! – disse ele. – Tive que fazer uma, desde que a guerra começou. - Guerra!! Mas... – Olhei de um canto a outro e encontrei a trincheira vazia. – Mas só tem você aqui!!! Vai me dizer que está guerreando sozinho com aquele exército de alienígenas!!?!!! - Bem... eu não estou mais sozinho! – ele disse rindo. – Têm você agora!!! - Eu?! – falei exaltado. - Mas não te preocupa, não!! Reforços estão a caminho... – Soldier falou tranqüilamente. Então, o blogueiro me entregou um capacete e colocou o seu. Baixou a cabeça confirmando os seus utensílios. – Escolhe algumas armas, Coveiro. – Depois, ele voltou-se para o limiar da trincheira e passou a examinar o movimento dos seus inimigos. Aproximei-me dele para ver o que acontecia. Ele, então, falou sem desviar os olhos. – Uma guerra está para começar... To be continued
Festa nos Escolhidos!!!! Olá, minha comunidade!!! Estou finalmente alterando aqui esse post, que deixei assim que saiu o resultado dos "Escolhidos", no qual eu fui agraciado pelo votos de vocês (ganhando por um apenas!) com o prêmio Diamante. Estou saltando de alegria aqui, a Nane e a Margot sabem porque me viram pela webcam! Bom, Algumas horas depois do resultado, retornei a esse "post" para finalmente colocar aqui as "fotos" do evento! Meu muito obrigado a todos!! Principalmente, a Nane, Roger e demais participantes dessa árdua disputa! Divirtam-se com a festa!!! Algumas fotos podem ser ampliadas!!! Aqui, logo na entrada no quartel-general dos Moderadores!! Muito luxo e tapete vermelho... Os Moderadores Roger e Nane, prontos para começar... Foto tirada no momento em que saiu o meu nome como "O Escolhido" Daí, não consegui mais parar de pular... Muita emoção!!! Não podia perder a oportunidade de dar meu beijo de agradecimento a Nane... Alguém registrou aqui Ébano ainda inconformado com seu 5o. Lugar... Eis minhas mais ferozes concorrentes!! E também minhas ídolas!! Ah, Parabéns, Jupira!! Vocês merecem também esse prêmio! Vou fazer uma surpresa até... E muito mais sucesso... Os fotográfos avançaram em cima das duas gatas, Vamp e Selina... Bom, essa foto ficaria bem melhor se o Ébano fosse um bom perdedor... Claro, que não podia faltar a foto com a Electra (loira novamente) e o grande Publius, seu marido!! Alguns outros famosos também estavam lá com seus oscars... Uma foto com minha família: Coveiro Zé, Legista John e Maninha Rhian. Faltou o Mocotó!!! Tava no trampo... Pena... Por fim, o Prêmio Diamante!!! Meu muito obrigado a todos!! Hoje, não quero fazer discurso e nem escrever rios de palavras. As emoções estariam muito mal simuladas se fossem postas aqui com letras. Eu adoro cada um de vocês!! E amanhã!! Começa o Crossing com o primeiro escolhido: Soldier!!! Mais um presente pra mim... Ele voltou...
Páginas Negras: Perspectivas
Longa é a estrada escura!!! E cá estou nela, a seguir sempre aprendendo, procurando trechos mais iluminados e sentindo saudade do que já se foi. Tem sido exatamente assim a minha experiência de quase três meses de Blogs. Comprovo que minha filosofia do caminho escuro vem se encaixando bem onde quer que eu siga. Voltei para trás esses últimos dias, vendo não só o que já fiz por aqui como também alguns escritos antigos que compus muito antes de imaginar estar nessa nova “realidade”. Decidi, portanto, reformular minha antiga homepage e até rebatizá-la. Vai dar um pouco de trabalho sim, mas quando estiver pronta, vai ser tão útil quanto o “Criaturas Homepage” têm sido para as novas aventuras de Ébano e Vigia. Nesta nova página, colocarei arquivados todos In Memorian, Crossing Blogs e também outros textos interessantes que passaram por aqui. É claro que também estarão os meus velhos contos em formato “pdf” que alguns mais curiosos já leram e, finalmente, o primeiro e-book, escrito por mim, Sétimo e mais três amigas em 2002 (com as devidas modificações). Bom, mais detalhes sobre isso, só mais adiante, visto que isso vai levar algum tempo... Falemos agora rapidamente de algo que vêm causando ânsias em mim, e mais ainda em um certo gato briguento que convive também nesse mundo virtual: a competição do prêmio Diamante nos “Escolhidos”. Ufa! A votação foi encerrada e posso falar. Como concorrente, eu estava até calmo antes... mas hoje me deu uma aflição para saber como ficou o “ranking”. Não fiz propaganda nos Blogs feito o Ébano ou as Beatas, mas confesso que estou cruzando os dedos. Só espero que se eu for o vencedor, não herde a maldição do prêmio. “Que maldição?” vocês se perguntam. Um minuto! Deixem-me explicar!!! Foi uma piada que fiz com a Nane depois que o primeiro “escolhido”, Soldier, misteriosamente decidiu desistir de sua vida virtual. Já pensou se isso se repete?? Batidas na madeira e todo mundo tocando em metal para afastar o mau agouro. Falando em Soldier, ele parou, deixou o Coveiro bastante enfurecido com isso, mas eu decidi que o Crossing que havia prometido para ele deve sair. Afinal, recitando a separação que ele fez um dia, o “Ronaldo” pode ter se afastado, mas porque dizer o mesmo do “Soldier”?! Portanto, teremos a primeira parte do Crossing-Blogs do Soldier com participação mais que justa de Peter Pan, Mocotó e Val nessa sábado, continuando o restante na segunda e terça. Aproveitando, Criaturas também será postado na tarde do Sábado! “Mas Coveiro, não é o Domingo o seu dia preferido pra postar?” perguntam vocês. É, sim. Essa desordem é excepcional! É que eu vou pra um importante evento que juntará toda família na madrugada do Sábado para o Domingo e quando volto desses lugares, geralmente é arrastado. Pra garantir, é melhor eu adiantar os “posts” e só voltar na segunda (glicolisado ou não). Eu sei... eu sei... Vou me cuidar...
Antes de ir, quero dizer que estou pensando em um "presente" real para o meu visitante 5000... Agora, vou me despedir... a estrada me aguarda...
In Memorian: Cinco em Fuga In Memorian é o nome da sessão que eu pretendo armazenar todas as lembranças interessantes que depois de passadas e, agora, recontadas fazem-me ver como a nossa vida é cheia de diferentes tipos de aventuras. No final, cada pequena coisa que acontece tende a relacionar-se com um evento curioso pelo qual passamos. Assim,acabamos nós tornando bons contadores de história.
“Você está certo, Sérgio!” dizia Socó, meu velho amigo de infância quando queria me contrariar. Sempre assim, eu me voltava contra a opinião de todo mundo, surgia uma tremenda discussão e Socó terminava levantando as mãos para mim e dizendo com escárnio “Você está certo! Sempre certo”. Foi justamente numa dessa que brigamos no Shooping e disse que ia embora mais cedo. - Então, vamos todos com você! – falou Socó se referindo não só a ele como sua irmã, minha amiga Bruna e a amiga dela Kenia. – Mas a parada de ônibus é do outro lado!! - Eu vou voltar a pé! – respondi com raiva. - Então, vamos com você! – insistiu Junior me deixando com mais raiva ainda e dirigiu-se para o caminho dele junto com as três meninas. - Mas eu não vou por aí!! – falei – O melhor caminho nesse horário é pela outra saída. - Aqui é a mais próxima de casa, está louco!? – reclamou ele. – Nós vamos por essa... faça o que quiser. - Socó, eu estou dizendo que por aí... – gritei em resposta. - Você está certo, Sérgio!! – disse ele mais uma vez me ironizando. Bati os dentes e estava já decido a abandoná-los quando dei meia volta. Notei que Socó sorria com o gostinho da vitória enquanto eu resmungava em voz alta como era estúpido eu estar ali os seguindo. Não demorou muito tempo e meus temores se justificaram. Passamos por um quarteirão mais escuro e do nosso lado direito, surgiram umas quatro ou cinco sombras. Olhei para o lado e vi que eram realmente estranhos que iriam nos causar problemas. Olhei para Socó e vi que ele tinha também percebido, pois seus olhos estavam vidrados à frente. - Sabe... Eu estava realmente certo! – ironizei com prazer. - O que a gente faz? – questionou uma das meninas. - Finge que nem viu e continua andando... mais rápido! – falou Socó tentando manter a calma. - Ai, ai, ai... – caçoei diante da idéia. - Só vamos correr se eles começarem primeiro! – falou o meu amigo. - Então, pode bater as pernas, gente! – falei na mesma hora. Admito que os tais vultos não tinham iniciado a corrida ainda, mas estavam em passo acelerado. Quando disse aquilo, meu amigo Socó foi o primeiro a disparar atravessando uma grande avenida próxima a um canal e as meninas começaram a gritar como loucas atrás dele. Voltei-me para trás e vi que os nossos perseguidores decidiram avançar. Foi, então que corri.
Assim que atravessei a rua do canal, notei que a Kenia parou de repente e se agachou. Olhei para ela procurando entender o que diabos ela estava fazendo. Voltei-me para os malfeitores e vi que estavam bem próximo a atravessar a rua quando o sinal fechou bruscamente. - Menina, o que está fazendo? – argumentei. - Tirando minha sandália!! Ela vai quebrar desse jeito!! – defendeu-se - Ai, meu Deus! – Bati a mão na testa. Virei-me para os sujeitos do outro lado da rua e pude ver que eles estavam tentando a qualquer custo chegar até o nosso lado. Esperavam apenas uma boa oportunidade para desviar dos carros. Peguei um pedaço de pau no chão para mostrar que não estava para brincadeira também. - Vamos, menina! – disse a Kenia assim que ela ficou descalça. Ela se ergueu do chão e começou a correr, mas corria de um jeito tão lento e vagaroso, como num cooper despreocupado na praia que eu dei de ombros. Olhei para os adversários e comecei a me afastar de costas até que ela tivesse uma boa distância de vantagem. O sinal abriu e eu comecei a correr, sem mesmo olhar para os sujeitos. - Desse jeito, vou correndo até de costas... – impliquei com a Kenia. Ela se esforçou um pouco e mais adiante encontramos com minha amiga Bruna. Ela estava com crise de asma, assustadíssima e fui obrigado a parar. Disse a ela que estava tudo bem, já rezando para que os bandidos realmente tivessem desistido. Fui andando apoiando-a de lado quando encontramos Mabel. - Cadê, seu irmão!? – questionei. Ela ergueu o dedo me apontando a direção à frente. Ergui os olhos, apurei os ouvidos e ainda assim não acreditava no que via ali. Enquanto os vigilantes dos prédios do quarteirão colocavam a cabeça curiosa para o lado de fora, meu amigo Júnior corria gritando “É arrastão!! É arrastão!! Corram!!” e com isso, pôs a correr outros transeuntes da rua. - Ai, não! – suspirei exaltado. Alguns minutos mais tarde, eu, Bruna, Kenia e Mabel encontramos Júnior numa outra avenida mais movimentada. Lá estava ele com um ar risonho junto com outras mulheres respirando afobadas. - Seu puto!! O que você fez?! – reclamei – Deixou as meninas sozinhas e correu na frente!!!. - Você queria o que!?!? – implicou Socó. – Eu sou o único com cartão de crédito aqui!! Não podia deixar eles me roubar!! - O QUÊ!?!?- gritei sobressaltado a ponto de pular no pescoço de Júnior. - O arrastão acabou?! – perguntou uma das meninas que foi ludibriada pelo acesso de loucura de Socó. - Arrastão!? Eram quatro moleques!! – respondi a ela e ela voltou-se assustada para Júnior. Nos afastamos dos demais e seguimos o resto do caminho para casa, tentando confortar os traumas das meninas que ainda estavam apavoradas. Quando chegamos em casa, aproximei-me discretamente de Socó e sussurrei no ouvido dele “Sabe... você tinha razão! Eu estou certo! Sempre Certo!!”. Fim
Crossing Blogs: Caldeirão Parte 2 (Clique nas figuras para ampliar!!) Uma das coisas mais admiráveis neste mundo dos Blogs é que com o tempo ele se torna uma espécie de comunidade, onde cada um acaba por encontrar seu lugar e função. Em Crossing-Blogs, eu pretendo colocar aqui o meu convívio com essa galera, sempre numa narrativa agradável e confortável. Aquela só poderia ser uma noite diferente, tantas coisas estranhas acontecendo de uma única só vez, tudo tão fora da realidade normal. Um mulher-tempestade, Sidhes, uma deusa celta e, agora, eu estava numa espécie de templo ao ar livre onde divindades, bruxos, esotéricos e simpatizantes se aglomeravam para uma reunião chamada por eles de “Caldeirão”. A minha guia era Rhiannon, deusa num corpo de jovem, que conheci naquela mesma noite e minha única referência entre aqueles desconhecidos. Não desgrudava um centímetro de perto dela, sempre muito ressabiado ao passar entre eles. - Xis, deixa eu te apresentar para algumas pessoas. – falou Rhiannon me puxando pelo braço. – Essa é a poderosa Enfys. - Oi, Xis! Prazer... – falou a bruxa estendendo a mão. - Encantando! – falei realmente não mentindo em minhas palavras. -Ah, e essa aqui é a Lua Negra. – apresentou Rhiannon, mal eu havia terminado de cumprimentar a Enfys. - Oi, Xis! Finalmente, pude lhe conhecer... – falou a Lua. – Eu sou na verdade Hécate, mas uso o disfarce de Lua Negra como uma das formas que posso aparecer... - Aaahmmm... Entendo! – retornei a ela esperando não estar com meus olhos tão exaltados. – Perfeitamente! Eu creio que a Rhian, diminutivo que comecei a chamá-la com o tempo, deveria estar se divertindo muito comigo, pois o sorriso não escapa de seus lábios enquanto me levava de um canto a outro me apresentando para outros tantos seres que eu poderia chamar de “mitológicos”. - Ah, ali está a Grande Besta!!! – falou ela exaltada! - Quem!?!? – disse enquanto tentava acompanhá-la até onde me levava. - É o San!!! – disse ela gargalhando. Você vai gostar dele. – Sandro!!! - Oi, minha delícia! – respondeu o homem de cabelos e barbas negras com um olhar de conquistador e sorriso largo. - San, quero que conheça o Xis!! – falou ela me colocando na frente do bruxo. - Olá, Xis! É um prazer termos mais um novato aqui! Eu sou Thelemita! E vc? - Err... pernambucano, mesmo. – respondi desse jeito e Rhiannon voltou a rir. - O Xis não é bruxo, San!! Ele só está aqui como meu convidado... Foi nesse momento que eu desviei a atenção por alguns minutos e meus olhos se depararam com uma mulher de cabelos negros curtos que acabava de chegar. Ela caminhou com distinção, cumprimentou algumas pessoas e, por fim, permaneceu afastada dos demais e em silêncio. De alguma forma ela me era familiar, só não sabia direito de que lugar. Bati no ombro de Rhiannon e apontei na direção da tal mulher. - Rhian, você sabe quem é aquela ali? – perguntei a deusa celta. - Hum... Ah, é a Electra! – respondeu Rhiannon de prontidão. - Electra?! – falei e minha mente começou a fazer pequenas associações. – Ela também é bruxa? - Não, exatamente... eu posso te apresentar a ela! – Rhiannon parou. – Mas agora não dá!! Ela chegou e vai começar o caldeirão. Antes que eu me perguntasse quem era a “Ela” de que estava falando, percebi que todos os bruxos, divindades e outros presentes silenciaram e formaram uma espécie de corredor até o centro.
Olhei para o outro ponto mais distante e vi que todo o alarde começou com a chegada de uma única mulher de cabelos ruivos repicados, vestida com um longo traje de cor azul e que caminhava lentamente até ficar de frente a um altar. - Ei! Eu conheço essa aí...!! – falei exaltado – É a mulher da sessão de bruxaria da livraria. - Xis!! Silêncio!! – reclamou Rhiannon. - Alessandra!! É esse o nome dela? – retruquei de imediato. - Esta é Selina, a Senhora de Gotham!! – falou Rhian num sussurro. – É ela quem preside todas as reuniões do Caldeirão. Agora, fica quietinho e não atrapalha. Enrosquei minha língua dentro da boca e me esforcei para ficar quieto durante a toda a reunião. A Senhora de Gotham se pôs numa parte do grande círculo formado por bruxos e demais presentes, e iniciou a discussão daquela noite com uma frase que ficou marcada em toda a história do Mundo dos Blogs: “Boa Noite, bem-vindos ao Caldeirão!!”. Passado algum tempo depois, o “Caldeirão” foi finalizado e todos começaram a cumprimentar ou destinar conversas paralelas em pequenos grupos. Foi somente no final que eu pude me encontrar com a Selina e confirmar que ela era a mesma pessoa que encontrei na grande cidade muitos dias atrás. - Fico muito feliz que tenha participado hoje do caldeirão, Xis!! – disse-me a Senhora de Gotham. - Espero participar mais vezes, sim! – falei com sinceridade. – Agora, eu preciso retornar para minha estrada escura. - Ah, Xis!! Você só ficou uma noite!! – reclamou Rhiannon. - É... eu tenho que ir! Mas vou guardar com carinho os eventos de hoje! Dito isso, abracei e beijei as duas. Peguei a minha mochila de viagem no chão e fui me encaminhando pela mata que cingia aquele lugar, cumprimentei um ou outro que acenava para mim. Alcancei a estrada e já me preparava para partir quando eu noto que lá também estava à mulher que Rhiannon chamou de Electra. Ela estava de costas e me aproximei sorrateiramente.
- Deseja falar algo comigo, Coveiro X?! – disse ela sem mesmo virar de lado. - Puxa vida, como vocês fazem isso, heim?! – falei assustado. - Algum radar? - Você ainda não acredita no que somos capazes de fazer aqui, não é? – falou Electra virando-se para mim. – Já encontrou tantas coisas por aqui... heróis, vilões, vampiros, deuses, bruxos e ainda continua se surpreendendo? - Não é todo dia que se vê uma mulher que voa no meio de uma tempestade. – falei de imediato. – Como não poderia ficar surpreso? - Então,... - disse-me ela sorrindo. - ...imagino quão surpreso ficará quando souber do que você é capaz de fazer. Mal tive tempo de compreender com exatidão as suas palavras e Electra começou a subir aos céus, como que levada pelo vento. As nuvens mais próximas pareciam ser atraídas até ela. Houve dois relampejos, trovões ruíram por toda parte e num piscar de olhos ela desapareceu. No mesmo instante, começou uma chuva fina foi descendo, molhando meu cabelo e terminando assim aquela noite mitológica. Fim
Agradeço a Electra, Rhiannon, Sandro, Enfys, Lua e Selina por permitirem a sua presença neste meu Crossing. Os seus respectivos links já estão aqui!! (Lua, assim que você tiver blog eu coloco também!!). Bom começo de semana e mais uma vez Feliz Ano Novo Celta!!
Crossing Blogs: Entre os Deuses Parte1 (Clique nas figuras para ampliar!!) Para mim, era inexplicável como repentinamente o céu foi tomado por tal ira, sendo a todo o momento golpeado por riscos azuis brilhantes seguidos do ribombar de trovões numa noite que começara tão calma. Continuei caminhei algumas milhas contra o foco dos relâmpagos não entendendo ainda como tal fenômeno se manifestava. A dança dos raios no céu orquestrando ribombos parecia algo não natural, até mesmo mágico. Como que hipnotizado, segui em frente mirando aquele exemplo de fúria da natureza quando meus olhos captaram algo inimaginável. Estaquei no mesmo lugar e engoli seco, ainda não acreditando no que meus olhos mostravam. Em meio aquele caos nos céus, pude ver uma figura humana. Se não estava ficando louco, podia jurar ser uma mulher levitando nos céus de braços erguidos, figurando em meio aos relâmpagos, até mesmo atraindo algum deles para a ponta de seus dedos e brincando com eles de um lado a outro. Estava maravilhado com o espetáculo, quando repentinamente um raio mais forte iluminou todo o lugar. Cobri o rosto com as mãos e quando minha visão voltou ao normal, a tal imagem feminina não estava mais lá. Desapareceu como um fantasma, uma miragem, um sonho. Girei minha cabeça de um canto a outro procurando algum ponto perdido no céu, mas nada encontrei. Restava-me apenas continuar meu caminho.
A sonolência foi tomando meu corpo e já estava prestes a dormir quando um dos supostos vaga-lumes rodopiou muito próximo aos meus olhos. Foi nesse momento que me ergui de supetão. O tal inseto luminoso tinha uma nítida forma humana, como uma daquelas fadinhas que só encontramos em livros infantis. Virei para o lado direito e percebi que os tais pontos luminosos agora dançavam com harmonia enquanto se afastavam. Pensei estar no meio de um sonho, porém se fosse realidade, não seria a primeira coisa estranha que me acontecia naquele dia. Agarrei minhas coisas e disparei atrás das tais “fadas”, que logo se destinaram para a parte mais profunda da mata. Desviando de galhos e espinhos, consegui avançar sem perdê-las de vista até que a vegetação mais densa se extinguiu e deparei-me com a mais bela visão daquela noite. Do outro lado da mata, encontrei uma enorme lagoa que se tornava irradiante com o reflexo da grande lua. Pequenos arbustos com flores arroxeadas e brancas faziam do lugar um perfeito jardim, onde muito mais esquisitos pontos luminosos perambulavam ao redor. Mais adiante, próximo às águas estavam um robusto cavalo branco, tão branco quanto a neve, e ao seu lado uma mulher morena em longo vestido arroxeado de tecido tão fino que beirava a transparência. - São poucos aqueles que dou essa chance. – falou ela ainda de costas para mim.
Contrai as sobrancelhas pensando como ela sabia que eu estava ali, ainda tão distante dela e sem ter feito barulho algum. Distanciei-me da vegetação alta e caminhei lentamente em direção àquela mulher. - Você é o andarilho que nunca para, nem no dia e nem na noite, cujas aventuras e histórias são reportadas em seu pequeno diário... a lápide. - Eu sou o Coveiro. – apresentei-me. – Aquele que também chamam de Xis. - Eu sei. Já me falaram de você. – disse a mulher agora virando a cabeça para o lado e mirando-me com o canto dos olhos. – Quando soube que estava perto, pedi para as Sidhes trazerem você até mim. - Sidhe?! – estranhei distanciando um pouco o pescoço para trás. – Ahhh! As fadinhas... Então, não era parte da fantasia de meu sonho... ou sonhando ainda estou. - Ah, Xis. – disse ela sorrindo – Neste mundo, nada é muito distante de fantasia e sonho. - Ela se virou completamente para mim agora e pude ver uma beleza divina, que não poderia existir em mortal alguma. – Eu sou Rhiannon. - Esse nome... não me é estranho... – falei colocando as mãos cruzadas. - Sou a Rhiannon, donzela oriunda do Inframundo. – disse-me ela jogando os cabelos para trás e vindo em minha direção. – Sou a Deusa Cavalo do Inferno, também conhecida como a deusa dos três pássaros encantados, Senhora dos encantamentos e fertilidade... – ela parou de supetão e deve ter percebido meus olhos arregalados - ...que foi, Xis!?! - Err... Nada... – disse ressabiado e ela gargalhou alto. - Ai, Xis, vem cá! Quero te levar em um lugar que você vai gostar. – falou ela. Em seguida, dirigiu-se ao seu cavalo branco, belo animal sem sela e crina comprida, e deu alguma ordem em seu ouvido. O cavalo passou então a segui-la lado a lado, enquanto eu a acompanhava pela trilha ao redor da lagoa. Passado algum tempo, pude visualizar ao longe uma grande construção erguida sobre pilares de mármore, com o teto em forma de grande abóbada. Parecia bem iluminado por diversas tochas e uma grande escadaria levava a porta principal. Enquanto subíamos os degraus, o cavalo de Rhiannon parecia conhecer bem seu caminho e seguiu para outro lugar. - Esse é o meu Cemitério Literário, Xis. – falou ela enquanto eu ficava deslumbrado em meio às maravilhas naquelas estantes. – Minha Sociedade dos Poetas Mortos... e também daqueles que um dia vão morrer. – e sorriu. Comecei a percorrer as estantes de um lado a outro, vendo as obras de Edgar Allan Poe, Lord Byron, Marques de Sade, Hilda Hist e tantos outros que lotavam as prateleiras ordenadas nos dois grandiosos andares daquele tipo de templo. Fiquei boquiaberto, admirando o local por mais de dez minutos e só despertei quando vi a Rhiannon rindo de novo. - Acho que sou uma das poucas que conseguiu deixar o Coveiro X sem palavras por tanto tempo. – disse ela me fazendo ficar vermelho e ambos sorrimos. – Xis, daqui a pouco vou te levar para conhecer o “caldeirão”. - Caldeirão!? – olhei admirado para ela. - É... o caldeirão. – concordou ela me deixando ainda mais curioso To be continued... Continuamos nessa segunda com Rhian e Electra na mais famosa reunião entre os Blogueiros, “o Caldeirão”, com participação especial de Selina, San, Enfys e outros dos nossos bruxos virtuais. E antes que eu me esqueça!! Feliz Ano Novo Celta para todos e Parabéns pelo aniversário Electra!!
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